The Change In The Game
33 Desabafos.
Notas iniciais
No dia seguinte, Catherine novamente foi uma das primeiras a chegar no departamento, perdendo apenas para Brennan, que já estava lá a mexer nos ossos. Catherine pensou em ir ajudá-la, porém achou melhor que não. Passando pelos corredores, percebeu Gil e Sara. Olhava-os de longe, como no dia anterior.
Sara parecia está insatisfeita com alguma coisa, envergonhada talvez. Gil parecia está tendo ser carinhoso, pedindo desculpas por algo. Cath sabia o que tinha acontecido. Sabia que o seu encontro não havia dado certo, apenas pelo motivo dela ter o provocado. Ela sorriu. Gostava disso, gostava de saber que tinha poder sobre ele, mesmo que não o amasse como ele esperava. Gostava em saber que nenhuma mulher iria “tomá-lo” dela.
Passou por eles, sorrindo. Gil a percebeu, virando o rosto. Cath passou por uma sala, no qual Booth estava. Isso chamou a sua atenção a fazendo entrar.
- O que você faz aqui? – Perguntou, curiosa. – Não há nada do nosso caso aqui.
- Eu só quero ficar sozinho, para pensar em algumas coisas. – Respondeu.
Catherine aproximou-se dele, estava tomada pela curiosidade.
- O que está acontecendo? – Falou baixo, no mínimo preocupada. – Você está tão quieto desde ontem. Ainda é o sonho?
- São as consequências que ele trouxe.
- Parece ter sido intenso. – Observou.
Booth ficou em silêncio novamente. Catherine entendeu que ele desejava ficar sozinho, então foi em direção a saída.
- Eu disse a Brennan como eu me sinto. – Falou, antes que ela saísse. – Eu disse que a amava. E ela...
- O que? – Perguntou Catherine, fechando a porta novamente.
- Ela disse que eu não sou o cara certo. – Deu uma pequena pausa. – Disse que nós somos diferentes.
Cath voltou a se aproximar dele, o olhando um pouco carinhosa.
- Eu sinto muito. – Falou baixo, colocando a mão em seu ombro.
Não sabia o que dizer a não ser isso. Não o conhecia bem, não sabia como era o seu relacionamento com Brennan. Então, não tinha muito que falar. Apesar disso, conselhos amorosos não eram o seu forte.
- O problema sou eu? Eu acho que não. – Virou-se para Catherine.
- O que você está falando? – Perguntou sem entender.
- A mãe do meu filho. Assim que ela descobriu que estava grávida, eu logo a pedi em casamento. Não queria saber se era novo no exército, não queria saber se nós éramos muito jovens. Eu só queria apoiá-la, queria que ela soubesse que eu estaria lá para ela e para o nosso filho. E ela disse não. Sem delongas, sem receio. Foi um não. – Sorriu tentando confortar-se a si mesmo. – Eu a amava. E ela quebrou o meu coração. Além disso, tirou uma coisa que eu sonhava desde que era um adolescente, o sonho de ter uma família de verdade. Eu sou intimo do Parker, mas não como eu desejo. Eu não o vejo todos os dias depois do trabalho. Eu não escutei falar a sua primeira palavra, não o ensinei a andar de bicicleta, não o ensinei a pescar. Eu não o sou o tipo de pai que sempre desejei ser. – Desabafava, pela primeira vez.
Parecia se sentir confortável com Catherine. Pois sabia como ela se sentia em relação a Lindsey. Sabia que ela o entenderia pois compartilhavam uma coisa em comum. Os dois eram pais, mas não os melhores pais. Não eram como desejavam.
- “Eu era novo, não seria um bom marido. Não seria uma coisa boa nem para mim e nem para ela. Não cuidaríamos do Parker bem, se estivéssemos juntos.” – Falava Booth. — Com o passar do tempo fui tentando me confortar com essas desculpas, tentando fazê-las entrar em minha cabeça. Então, eu conheci Hannah – uma jornalista que eu conheci quando estava servindo os Estados Unidos. – Ela era inteligente, ela era linda. E ainda por cima, conseguiu a amizade da Bones – Lembrava, sorrindo. – Moramos juntos e um pouco depois a pedir em casamento e ela também disse não.
Catherine o olhou, agora mesmo que não sabia o que dizer.
- Quais são os problemas das mulheres comigo? Elas nunca querem o que eu estou disposto a oferecer! – Falou nervoso. – Eu só quero um casamento, uma família como todo mundo. Eu quero uma casa grande longe da cidade. Quero chegar todos os dias e sentir aquele cheiro feminino. Ter a segurança em saber que terá alguém me esperando. Saber que vai ter alguém ao meu lado na cama. Eu quero ficar nos finais de semanas brincando com os meus filhos. Os meninos, fazer uma casa na árvore, ensiná-los a jogar esportes. E as meninas, poder protegê-las, cuidar delas.
Cath o olhava, sorrindo. Ele falara tudo que desejava, diante dela. Virando-se para ela, Booth continuava com um olhar triste, desconsolado. Catherine se aproximou mais dele, o abraçando. Era disso que ele precisava no momento, uma pessoa que se importasse.
- Você vai encontrar essa pessoa, você merece essa pessoa. – Sussurrou em seu ouvido.
Apertaram o abraço, ficaram assim por um bom tempo.
- Eu vou passar na minha sala, a gente se vê depois. – Falou Catherine, se distanciando.
- Tudo bem.
- Fica bem, ok?
- Ok. – Respondeu Booth, forçando um sorriso.
Catherine saiu, indo em direção a sua sala. Estava mais tranquila por ter conseguido acalmar Booth, ter conseguido fazer com que ele visse que aquilo não era o fim e sim, um novo começo.
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