The Captain and The Petal.

24 Twenty-third Chapter. - Waking up in a new world.


Notas iniciais
Ois! Como eu havia prometido, eis as revelações! Soltei e corri. Boa leitura!

Acordando num mundo novo.

Sua cabeça parecia que ia explodir. Vários pontos em seu corpo refletiam uma dor surda.

No começo, ela não conseguiu respirar direito, então, achou que iria inundar o ambiente com seu cheiro, contudo, quando ela abriu os olhos, toda a sensação foi acalmada. Uma luz escarlate refletia ao seu redor, fazendo-a arregalar os olhos.

— Por favor, não se assuste. — Wanda Maximoff disse suavemente. Seus olhos verde-musgo não mostravam a mesma fúria do dia em que elas se reencontraram no estaleiro. — Eu não quero machucá-la, apenas estou impedindo que se machuque.

Lentamente, Lynna respirou fundo, sentindo alguns pontos em seu corpo reclamarem, para depois se sentar.

— O que aconteceu comigo? — questionou-a.

— Você foi alvejada por muitos tiros. — ela respondeu com seu sotaque forte. — Você salvou as vidas do senhor Barton, da criança e do meu irmão. Blagodaryu vas*.

Lynna sorriu suavemente, feliz que eles estavam bem.

Não há de quê. — respondeu-lhe. — Era o mínimo que eu deveria fazer. Quando nos conhecemos, eu fui cegada pelo que a Hydra fez comigo, mas nunca me veio à cabeça o que ela havia feito com vocês também. Vocês dois e Hanna. — a garota se aproximou dela. — Eles também me enganaram com mentiras. Eles também fizeram eu me voltar contra pessoas inocentes.

Os olhos dela estavam baixos.

— Não me orgulho de nada do que eu fiz. — Wanda murmurou. — Foi tudo minha culpa.

Lynna estendeu a mão que não estava no soro para tocá-la.

— Não, não é somente a culpa de um indivíduo. — murmurou. — Você não pode carregar isso sozinha. Tenho certeza de que todos nós tivemos nossa parcela de culpa na história.

A garota assentiu.

— Eu sinto muito pelo que fiz a você. — ela levantou seus olhos. — A todos, na verdade.

A ruiva deu-lhe um aperto gentil na mão.

— Está tudo bem agora. — murmurou. — Vamos seguir em frente. Eu te perdoo.

Ela encolheu os ombros.

— Você não deveria. — ela disse teimosamente.

— E por que não? — Lynna arqueou a sobrancelha. — Todos que se arrependem merecem uma segunda chance, não é assim?

A porta fora aberta, então, um raio de luz azul atravessou a sala, parando diante dela.

— Senhorita Angianova? — era definitivamente Pietro. — Não esperávamos que acordasse tão cedo. A SEXTA-FEIRA ainda não havia anunciado para o Complexo e... — ele embolou tudo, exasperado.

Antes que ela pudesse perguntar do que o platinado estava falando, o som de uma voz feminina com sotaque irlandês soou em seus ouvidos.

14h22min, a paciente Lyanna S. Angianova encontra-se acordada e consciente em seu leito.

— Essa é SEXTA-FEIRA? — ela perguntou para o garoto.

— Sim. — ele respondeu, encolhendo os ombros. — Ela é a inteligência artificial que comanda o sistema do Complexo.

— Complexo? Não deveríamos estar na Torre Stark? — ela franziu o cenho.

— O Complexo é o mais novo Quartel General dos Vingadores. — Pietro respondeu-lhe pacientemente. — Stark disse que precisávamos de um lugar maior, e cá estamos.

A porta se abriu abruptamente, revelando duas figuras completamente ofegantes.

Steve e Natasha, ambos vestidos em seus trajes.

— Onde é a guerra? — ela perguntou divertidamente.

Nat endureceu sua expressão, enquanto Steve sorria, apesar do brilho em seus olhos parecer bem decepcionado.

Ele não está feliz em me ver acordada?

— Vai ser toda na sua cara quando eu quebrar ela. — Natasha disse endurecidamente. — Sua louca! Você quase nos matou do coração! E eu sou muito nova para morrer assim!

Lynna arqueou a sobrancelha.

Nova?

Natasha bufou.

— Você me entendeu!

Ela encolheu os ombros.

— Nat! Ela acabou de acordar! Vamos deixar o sermão para depois, sim? — Steve a repreendeu.

Natasha arregalou os olhos.

— Quem é você e onde você enfiou o Capitão América? Eu não te conheço mais! Eu sabia que não deveria ter te deixado sozinho com Stark! Ele é uma péssima influência.

Ela revirou os olhos.

Dramááática.

— Estamos felizes que você esteja bem. — o loiro sorriu. — Há alguma coisa que possamos fazer por você?

Lynna sorriu endireitando-se na cama.

— Na verdade, tudo o que eu quero é sair daqui.

— Nada disso. — a Viúva e o Capitão disseram em uníssono, assustando não só a ela, como também os gêmeos. — Você ainda não está 100%. — Steve completou.

Ela cruzou os braços.

— É claro que estou! Eu não teria acordado se não estivesse. — teimou.

O loiro bufou.

— Pietro, você pode chamar a doutora Cho para examiná-la? — ele perguntou ao platinado.

Assentindo uma vez, Pietro sumiu do quarto, aparecendo segundos depois com a doutora Cho, que parecia um pouco assustada com a viagem.

— É bom vê-la outra vez, senhorita Angianova. — a mulher sorriu.

— Lynna, por favor. — a ruiva murmurou. — Obrigada.

— Lynna. — a doutora repetiu, aproximando-se dela. — Bem, pelo que vejo, o seu quadro é relativamente muito bom, isso é empolgante. Ainda sente dores nas regiões das balas?

Ela engoliu em seco.

Regiões?

Merda! Eu sou uma peneira?

— Sim, um pouco. — resolveu responder, sentindo seu estômago gelar.

A doutora assentiu outra vez.

— Bem, isso é normal. Você ainda está se recuperando. — murmurou. — Já estaria completamente curada, se não fosse a perda que o seu organismo sofreu. Você demorou um pouco para aceitar o sangue que Thor lhe doou, mas eu lhe digo que em uma semana estará melhor. — sorriu-lhe. — Eu vou lhe dar alta agora. Deve ser entediante ficar aqui sem fazer nada, então a liberarei para circular pelo Complexo, mas sem fazer esforço.

Lynna assentiu, mostrando a língua para os dois Vingadores, que reviraram os olhos.

— Viram, eu vou sair daqui! — sorriu. — A propósito... quanto tempo eu passei aqui?

— Três semanas. — Helen respondeu. — Tirando os dias em que estávamos no Helicarrier.

Ela engoliu em seco.

— Ok... — murmurou. — Posso me levantar agora?

A mulher assentiu, ajudando-a a se desconectar das máquinas, para depois ajudá-la – ao lado de Steve – a colocar as pernas para fora da cama.

No começo, seus membros pareciam geleia, o que era normal para alguém que passou praticamente um mês deitada numa cama. Ela se apoiou no loiro, que a segurou até que ela se estabilizasse. Sua pele vestida se arrepiou com o toque quente dele.

— Não pense que se livrou de mim. — Cho voltou a falar. — Eu marcarei algumas consultas de fisioterapia para a senhorita.

Lynna arregalou os olhos.

— Mas você disse que eu estaria pronta para outra em uma semana! — disse horrorizada.

A coreana riu.

— Sim, eu disse melhor, não para outra. Para ter o meu aval e voltar à ativa, você precisa ter algumas seções de fisioterapia. — ela piscou.

Bufando, Lynna assentiu.

— Bom, é melhor que nada. — murmurou.

Lentamente, a procissão saiu do quarto onde ela estava.

Lynna se apoiara em Steve por boa parte do caminho pelos corredores da enfermaria, soltando-se levemente logo quando sentira que podia caminhar sozinha, o que foi quase uma vitória, para uma mulher que praticamente tentou se matar.

Pietro e Wanda ficaram para trás em algum lugar do percurso, enquanto Steve e Nat mostravam-lhe boa parte do novo QG.

A gigantesca academia, as salas de treinamento, as estações de tiro, os laboratórios, tanto de Tony, quanto o de Bruce e o da doutora Cho.

— Onde está Hanna? — Lynna perguntou, quando eles finalmente entraram no elevador.

— Hanna ganhou uma bolsa para estudar medicina. — Steve respondeu-lhe. Isso lhe deixou imensamente feliz. — Ela queria ficar até você acordar, mas não pôde, suas aulas começaram há uma semana. Contudo, ela virá nesse final de semana, o que é bom. Nós não sabemos sua localização, Fury achou melhor camuflá-la.

Lynna assentiu.

— E por falar em Hanna... — Nat começou. — Thor quer falar com você. Ele estava esperando você acordar para retornar à Asgard. Ele disse que é um assunto muito urgente, íntimo e importante.

Ela e Steve franziram o cenho. O olhar no rosto de Steve – um pouco carrancudo – não era igual ao dela – de interrogação.

— Eu realmente tenho que falar com Thor, mas não entendi uma coisa... — ela arqueou a sobrancelha. — Quando o assunto Hanna se tornou o assunto Thor?

Natasha soltou uma gargalhada estrondosa.

— Eu não sei o que há entre esses dois, mas falo isso por causa do show que eles fizeram por sua causa. — ela respondeu. — Eles queriam passar a noite ao seu lado, mas Hanna não ficaria ao redor de Thor por ele a deixa desconfortável e ela não iria permitir que ele ficasse sozinho no quarto, por ele não ser a pessoa que você chamava à noite.

As bochechas de Lynna queimaram com vontade ao final das palavras de Nat.

Céus, quem eu chamei à noite?

Seu pescoço queimou.

— Eu falava? — murmurou mortificada, sem conseguir se lembrar do que estava sonhando para chegar até isso.

— Sim. — Nat disse como se falasse do tempo. — Então Hanna fazia plantão em seu quarto, mas isso foi nos primeiros dias.

A porta se abriu, revelando um grupo estranho de pessoas.

Pietro e Wanda já estavam ali, o que indicava que eles haviam chegado pelas escadas e obviamente na velocidade do platinado.

Tony, Sam, Thor, Rhodes e a criatura de capa amarela encaravam-na sorridentemente.

— LADY TÓXICA! — Stark gritou, apertando-a em um abraço esmagador de ossos.

— Ai! — ela gemeu. — Eu ainda estou me recuperando, Stark!

Ele a soltou.

— Você nos deu um susto, sabia? — ele voltou a falar, agora gesticulando. — Você deixou o... — ele ia terminar de falar, mas desistiu no meio do caminho, ele olhava para um ponto acima da sua cabeça, confundindo-a. — Você nos deixou com taquicardia. Quantas vezes eu tenho que avisar que nós temos um idoso a bordo deste barco psicodélico?

Ela estranhou ainda mais, mas não ia comentar sobre isso. Tony era estranho assim mesmo.

Sam foi o próximo a abraçá-la, desta vez, com mais cuidado.

— Ei! — ele a saudou. — Eu não estava lá, mas quando descobri fiquei aterrorizado! Você não pode morrer antes de abençoar o meu casamento com Hanna!

Ela arregalou os olhos quando viu Thor discretamente – ou nem tanto – cerrar a mandíbula e apertar o domínio de suas mãos.

— Brincadeirinha. — Sam sussurrou só para ela ouvir.

— Você está mexendo com fogo, Samuel. — ela murmurou de volta. — É bom te ver aqui. Na verdade, o que está fazendo aqui? Sem ser rude, é claro.

Ele sorriu orgulhosamente.

— Bem, eu sou um vingador. — ele respondeu, amostrado. Ela sorriu, orgulhosa do amigo. — E eu tenho asas melhores! Não que eu não vá cobrar nada para o Homem de Lata, a propósito... — resmungou por fim, fazendo-a rir.

Então foi a vez de Rhodes.

— É bom vê-la bem, Lynna. — ele disse, fazendo-a sorrir.

— Obrigada, James.

Ele sorriu de volta, então Thor abraçou-a quase como Tony fez.

— Eu tive medo que não despertasse. — ele disse um tanto quanto fragilizado, Lynna acreditava que apenas ela havia percebido isso. — Fico feliz de saber que você é tão forte quanto eu me lembro. — então sorriu enigmaticamente, fazendo-a ficar voando. O que ele quer dizer com isso?

Por falar em voar, a criatura da capa amarela, que era vermelha e cinza flutuou ao lado dela, fazendo-a franzir o cenho.

— Desculpe-me, mas eu não sei quem você é. — murmurou envergonhada.

— Eles me chamam de Visão. — ele disse, sua voz não lhe era estranha.

— Você não seria o JARVIS? — Lynna questionou, olhando confusa para os seus amigos.

O tal Visão franziu o cenho.

— Bem, em partes sim. — Tony respondeu. — Eu usei a matriz de JARVIS para criar o Visão. Eu, Bruce e Thor.

Eles explicaram como Visão, o simpático sintozóide foi feito, deixando-a boquiaberta.

— Incrível. — murmurou. — Foi bom conhecer você, Visão. — o sintozóide sorriu. — E onde está Bruce?

O olhar de todos ficou triste, distante, fazendo-a arregalar os olhos, assustada.

— Ei! Não é o que está pensando. — Stark voltou a falar. — Ele sumiu no quinjet, ok? Mas ainda há alguma esperança de que ele esteja vivo.

Ela engoliu em seco.

— Misericórdia! — murmurou para si mesma. — E quanto a Clint? Ele também sumiu? — por favor, que ele esteja bem!, ela pediu.

— Se enfurnar-se numa fazenda no fim do mundo é sumir, então sim, ele sumiu. — Tony disse dramaticamente.

Nat revirou os olhos.

— O terceiro filho dele nasceu. — disse, cruzando os braços. — O nome do pequeno traidor é Nathaniel Pietro Barton. — Lynna riu do drama da amiga. — E eu espero que quando você tiver filhos, que seja uma menina, e que ela tenha o meu nome, está me ouvindo?

Lynna arregalou os olhos.

Ela sabe que eu não posso ter filhos, não sabe? Não quero que ela crie nenhuma expectativa.

Estranhamente, isso fez todo mundo engasgar uma risada. Tipo, Tony estava vermelho, enquanto mordia os lábios.

— Para começo de conversa. — ela cruzou os braços. — Eu acabei de sair de uma cirurgia complicada, e depois, eu não nomearia a minha filha de Natasha. Eu não faria um mal tão grande para essa criança.

Ela arqueou a sobrancelha.

Você vai, ou eu posso revelar seus segredinhos sórdidos.

— Que seriam...?

— Você tem sonhos molhados com um certo loiro...

Lynna revirou os olhos, se segurando para não mandar um dedo do meio para a outra ruiva.

— Louca.

E com isso, o “almoço” da tarde se passou tranquilo, entre suaves brincadeiras e algumas piadas que ela realmente não pegou, mas que fizeram Steve constantemente revirar os olhos e ficar com as bochechas vermelhas, o que era estranho. Definitivamente ela deveria aprender francês para pegar as referências que Nat havia feito ao loiro patriota.

*

Mais tarde, ela e Thor decidiram que estava na hora de deixar o “papo” em dia, então eles foram para o terceiro andar, onde havia uma varanda que dava para uma vista maravilhosa dos arredores da base.

Havia um lago maravilhoso que ela estava louca para mergulhar.

— Então... — Lynna começou, sentando-se numa das poltronas. — Eu não sei por onde começar, mas... eu quero saber se quando encostei em seu martelo, você viu a mesma coisa que eu vi.

Thor olhou-a seriamente nos olhos.

— Sim, eu vi. — respondeu-lhe, fazendo o que “restou” do seu estômago afundar. — Aquele homem sentado no trono vermelho é meu tio Scar, o deus da tortura. Seu pai.

Oi?

— Oi?

Thor soltou um suspiro.

— Antes, quando eu a conheci, quando você foi morar na Torre... eu sentia que conhecia-te de algum lugar. — ele se endireitou. — Teu sobrenome era bem marcante. Angianova. A última vez que ouvi este sobrenome foi quando meu tio trouxe uma bela jovem midgardiana à Asgard. Aleksanna era o seu nome.

Lynna arregalou os olhos.

— É o nome da minha mãe. — murmurou.

Thor assentiu.

— De fato. — ele afirmou. — Eles se casaram na primavera asgardiana. Um ano depois, a jovem deu à luz a você. Lyanna. — ele voltou seu olhar para as estrelas. — Sua mãe não aguentou o parto e se foi. Depois disso, Scar nunca mais foi o mesmo. Ele havia se envolvido ainda mais com a arte das trevas. Ele queria que você, aos três anos de idade, fosse treinada para ser uma guerreira, o que é algo normal entre as crianças da realeza. Tudo o que ele falava era em armá-la para se proteger. — Lynna arregalou os olhos, engolindo em seco. — Ele a amava muito, disso eu tenho certeza.

Ela tomou um suspiro.

— Enquanto eu estava inconsciente, eu te vi em minha visão. E eu não era ruiva. Havia também um outro homem. Alto, cabelos negros, olhos verdes... — encarou-o, vendo o reconhecimento em sua face.

— De fato, não possuías os cabelos tão vermelhos quanto hoje. — ele assentiu. — E o homem que vira foi Loki, meu irmão.

Ela arregalou ainda mais os olhos.

Aquele homem sorridente era Loki? O mesmo que falavam que era um doido varrido e que queria dominar a Terra a todo custo?

— Thor... se eu sou mesmo sua prima, por que meu pai não me criou como deveria? — franziu o cenho.

Ele soltou outro suspiro.

— Lembra-te que eu disse que ele jamais foi o mesmo? — ela assentiu. — Ele queria fazê-la poderosa, torná-la uma deusa, como se já não fosses... — ele cruzou as mãos. — Tudo o que eu sei, é que ele contrabandeou um artefato perigoso e proibido, que possuiu minha ex-namorada anos atrás, achávamos que ele havia sido destruído. Junto com tal artefato, estava a Joia da Realidade, ele utilizou-a para ampliar seus poderes, dando-a capacidades incríveis. — ele voltou a encará-la. — O que fizeste em Sokovia foi apenas uma prévia do que podes verdadeiramente fazer.

Ok, aquilo a pegou de surpresa.

— Joia da Realidade? Eu pensei que o meu negócio fosse “prever” o futuro! — ela disparou, assustada. — Tenho tido alucinações que, de alguma forma, se cumpriram.

Thor franziu o cenho.

— Antes de ser afetada, realmente podias “prever” o futuro. — a forma com que ele fez aspas foi fofinha. Seu queixo caiu. — Tu nos dizias quando ia chover, e ficavas agoniada quando alguma batalha nossa ia mal, sabias quais colheitas seriam mais frutíferas, adivinhavas quando pragas se aproximavam... tudo isso num espaço de três ou quatro anos de idade. Então, de repente, tu surges com os cabelos vermelhos como fogo, disparando lanças que surgiam do chão, criando coisas antes não vistas... meu pai, Odin, começou a investigá-la, descobrindo a deslealdade que teu pai havia feito. — ele suspirou, seus olhos ficando tristes. — Ele enviou teu pai para o exílio em Skylar, seu reino, e enviou-a de volta à família de sua mãe em Midgard. — ele estendeu a mão para ela, que tocou a dele, vendo-a sumir em sua grande estrutura. — Eu sinto muito pelo que te aconteceu, Lyanna. Eu queria ter impedido o meu pai. Se eu tivesse sido mais corajoso, eu a teria impedido de ter o destino que tu tiveste.

Ela sorriu, apertando sua mão.

— Está tudo bem, Thor. — disse-lhe, calmamente, pesando sua fala. É verdade que se Thor tivesse feito o que ele havia lhe dito, impedido seu pai, ela teria crescido com sua verdadeira família, ela jamais teria sofrido. Mas talvez ela jamais teria conhecido Bucky, ou Nat, ou Hanna... — Pelo menos, agora eu sei as minhas origens, eu sei aonde eu pertenço e que ainda tenho uma família de sangue, além da família que me adotou.

Ele sorriu também.

— Eu adoraria que você viesse comigo e conhecesse Asgard. Todos ficarão tão felizes em saber que eu a reencontrei. Seu pai ficará muito feliz... — ele disse sorridentemente. — Mas sei que o teu lugar é aqui em Midgard, ao lado dos nossos amigos do trabalho. Salvar o mundo é o que fazes de melhor, pequena pimenta. Eu não preciso saber do futuro para saber que ainda há muito trabalho a ser feito.

Ela riu do apelido.

— Obrigada pelo convite. — murmurou. — Eu acredito que possa ir quando estiver pronta, você me receberia?

— Asgard é sua casa, filha de Scar.

Ela sorriu, o coração disparando alto com sua descoberta.

Eu não estou sozinha?

Cacete! Eu não estou sozinha! Quão surreal é isso?

— Você precisa voltar, não é? — murmurou outra vez, fazendo-o sorrir tristemente.

— Eu preciso. — respondeu-lhe. — Nossa terra está com problemas. Preciso saber do que se trata a minha visão, mantê-la segura, manter o meu povo seguro. O nosso povo.

Então, ele contou-lhe sobre o que viu, sobre as Joias do Infinito, e sobre como cada uma influenciava no equilíbrio do mundo, sobre Visão... Ele também explicou-lhe sobre o Ragnarok, a destruição de Asgard.

— Boa sorte em sua jornada... primo. — eles sorriram. — E diga a Loki que eu estou viva, e que eu lhe mando minhas saudações.

Ele sorriu, apertando-a em um abraço.

— Vocês dois sempre foram muito ligados. — comentou, mas não havia ciúme em suas palavras. — Boa sorte, filha de Scar. — disse pomposamente. — Nos veremos em breve. E por favor, cuide da pequena chama, ela é muito perigosa para si mesma.

Lynna riu.

Ah que fofinho! Eles estão mesmo gamados um pelo outro!

— Tudo bem. — ela sorriu, vendo-o girar Mjolnir. — Ei! — o loiro parou no ato. — Eu consegui levantar o martelo, não consegui?

Sua expressão ficou séria.

— Você sempre o fez. — ele deu de ombros. — Cheia de truques. — sorriu-lhe. — A pequena também o fez, mas ela queria jogá-lo em cima de mim. Eu não sei como isso pode acontecer...

Lynna arregalou os olhos.

Hanna capturou o martelo de Thor para jogar nele? Como é que ela perdeu essa cena?!

Sem mais palavras, Thor agitou o martelo para longe, pousando no gramado. Então, ele ergueu Mjolnir, para depois gritar Heimdall e ser “abduzido” por uma luz colorida, deixando uma marca no gramado.

Ah, Thor! — ela ouviu Tony gritar de lá de baixo. — Esse cara não tem apreço nenhum por gramados!

Sorrindo zombeteiramente, Lynna voltou para a área de estar.

— Como assim a Hanna levanta Mjolnir e vocês nem falam nada?! — perguntou fingindo indignação, cruzando os braços.

— Lady Tóxica! Você assustou a mer... caca fora de mim! — Tony disse dramaticamente, colocando a mão no peito, fazendo Steve revirar os olhos pela troca do palavrão. — Ah, você tinha que ter visto! Foi icônico. A cara que Thor fez foi hilária. Ela capturou o martelo como ele faz, sabe? Esticando a mão! Cara, ela estava em plena fúria! Tivemos que dopá-la para que ela não matasse o Pikachu com sua própria arma.

Ela gargalhou, imaginando a cena, para depois fechar a cara, cruzando os braços. Isso assustou todo mundo.

— Se eu fosse você, eu começava a parar de me chamar de Lady Tóxica. —arqueou a sobrancelha. — Você não pode desrespeitar uma deusa.

Tony arqueou a sobrancelha de, caindo na gargalhada.

Todos a encararam como se ela tivesse dito que a Terra era plana.

— Deusa? — o Homem de Ferro franziu o cenho. — Lyanna, você bateu com a cabeça quando se acidentou?

Ela revirou os olhos.

— Não, Anthony. Eu sou verdadeiramente uma deusa.

Então, ela contou a história que Thor havia lhe contado, sobre seus poderes, e a visão que ela teve com Thor e seu irmão Loki. Todos ficaram calados, apenas ouvindo, então, para finalizar, ela contou o que seu pai fez, que acarretou em seu exílio na Rússia com sua avó materna.

— Então, você está me dizendo que seu pai é irmão de Odin e que você, Thor e Loki são primos? — Stark arqueou a sobrancelha. — Histeria coletiva. — ele murmurou.

— Eu estou falando a verdade. — ela revirou os olhos. — Olha.

Suas mãos se agitaram, então a mesma luz vermelho-sangue apareceu, levitando um copo de metal, para depois moldá-lo numa adaga extremamente afiada, que caiu em cima da mesa, ao lado de Steve, que estava boquiaberto.

— Incrível. — Nat murmurou.

— Eu posso senti-la. — Visão disse. — Eu posso sentir a energia da Joia da Realidade emanando de você.

Ela arqueou a sobrancelha para o Homem de Ferro, mandando-lhe um beijo no ar, desafiando-o a contradizê-la.

— Enfia esse beijo na bunda do... — Tony ia terminar, mas levou um beliscão de Nat, o que a deixou intrigada.

— Quem diria que seríamos amigos da prima de Thor, sim? — Steve arqueou a sobrancelha, sorrindo, ele parecia querer desviar o assunto.

Ela sorriu de volta, apesar de ainda estar intrigada.

— Pois é. — murmurou. — Agora eu sei quais são as minhas origens. Agora eu sei onde eu me encaixo.

— Nessa família louca e desproporcional? — Nat arqueou a sobrancelha, fazendo os presentes rirem. — E quanto ao seu gás?

Lynna deu de ombros, agitando as mãos outra vez, mostrando o gás dentro de si.

— Bem, acho que eu não posso me livrar dele. — deu de ombros outra vez.

A porta da sala se abriu, revelando os Novos Vingadores, que pareciam exaustos de seu treinamento.

Então, uma figura diminuta espreitou da porta, arregalando os olhos quando a viu.

— EU NÃO ACREDITO QUE ELA ACORDOU E NINGUÉM ME LIGOU! — Hanna gritou, ficando vermelha. — EU DEVERIA QUEIMAR O CASCO DE VOCÊS, FOI TUDO COISA DAQUELA BARBIE ALIENÍGENA SEM SAL E SEM TEMPERO, NÃO É? ELE PENSA QUE EU NÃO SEI PILOTAR UMA NAVE ATÉ A CASINHA DELE?! ELE QUE ME AGUARDE! EU JURO QUE ARRANCO FIO A FIO DAQUELES CABELOS CHEIOS DE SEBO E DOU PARA AS LAGARTICHAS COMEREM. — respirou fundo. — Lagartixas comem cabelos alienígenas?

O time prendeu a risada.

Lynna sorriu.

— Não pegue fogo! — brincou. — Eu quis fazer uma surpresa!

Ela bateu o pé.

— É claro que estou brava, mas amei a surpresa. — abraçou-a.

— É bom estar de volta. — murmurou contra os cabelos de Hanna.

*

Conforme as semanas foram passando, após intermináveis consultas com o fisioterapeuta, Lynna finalmente foi liberada para se exercitar e até sair em missão, mas esta segunda parte, por sua vez, estava meio morna, por conta da atividade constante com os Novos Vingadores, que sempre iam ao campo – em missões relativamente pequenas –, a fim de adquirirem experiência de grupo.

Para ocupar seu tempo ocioso, Tony surgiu com uma proposta irrecusável.

Ele lhe disse que um dia havia visto-a dançar balé e achou incrível como todos os movimentos que ela utilizava podiam ser usados como luta também.

Lynna explicou-lhe o treinamento que havia tido na Sala Vermelha, sendo forçada a ser uma das melhores de sua turma.

Ele ficou maravilhado, então surgiu a famigerada ideia incrível.

As Bailarinas.

Um grupo de agentes juniores da SHIELD, inicialmente, todas elas eram meninas, que seriam treinadas por ela com o conjunto de habilidades que ela aprendeu em seu tempo na KGB/Hydra.

O grupo não era tão grande, eram apenas doze garotas, mas cada uma delas conquistou o seu coração. Todas elas estavam loucas para treinar com ela e absorver um pouco do seu treinamento.

Com o diretor Fury assinando em baixo, era tudo o que ela precisava para começar a dar aulas.

E pensar que Tony já tinha tudo pronto desde antes de ela sofrer o acidente...

A sala em que ela dava aulas era como um ateliê de dança. Os espelhos, as barras, até mesmo os uniformes.

Suas aulas ainda eram suaves. Elas ainda estavam no começo de tudo.

Primeiro, ela literalmente ensinaria as meninas a serem bailarinas, depois viriam às atividades pesadas, exatamente como na Sala Vermelha. A única diferença era a diferença de idade.

Quando Lynna começara, ela não tinha mais que dez anos, ao contrario das meninas, cuja faixa etária é de dezesseis.

Ela ainda não tinha ideia de quanto tempo o treinamento levaria, mas se dependesse das mais empolgadas, o mínimo de tempo possível.

Todo o seu treinamento de espiã demorou menos que dez anos para ser desenvolvido e aperfeiçoado.

Ela jogou a toalha no chão, acalmando sua respiração.

— Bem, meninas. — sorriu. — Por hoje é só. Nos veremos daqui a dois dias, como sempre. Até mais.

— Até mais, senhorita Angianova. — elas disseram em coro.

Até mais senhorita Angianova. — Natasha zombou, fazendo-a rir de lado. — Você parece a tia velha de alguém com esse coque. — cruzou os braços, encostando-se na barra. — Se bem que condiz com a sua idade, não é?

A mais alta negou com a cabeça.

— Fala isso porque eu fui melhor que você no balé. — Lynna devolveu, arrumando sua bolsa.

— Claro! Você era mais velha, não fez mais que a sua obrigação. — ela resmungou.

As duas riam, afastando-se da sala, que foi bloqueada por SEXTA-FEIRA, sua mais nova amiga.

Era saudável se apegar a uma inteligência artificial? Ela não estaria ditando as regras da sua vida se isso acontecesse?

— Então, tem planos para sábado à noite? — a Viúva arqueou a sobrancelha.

Lynna franziu o cenho.

— Não, por quê?

Nat sorriu enigmaticamente.

— Nada não.

Dando de ombros, Lynna foi até seu quarto trocar de roupa, ignorando a cozinha supermontada em seu mais novo apartamento, para descer até a cozinha dos Vingadores, onde Wanda preparava a refeição.

— Quer ajuda? — questionou-a.

A jovem sorriu.

— Claro.

Elas terminaram o jantar juntas, sendo ajudadas pelo time – ou pelo menos a galera fixa no Complexo – a colocar os pratos na mesa e as panelas sob o suporte para não queimar a madeira polida em baixo.

Eles se sentaram à mesa, cada um fazendo o seu prato sob as risadas altas das conversas paralelas, e aquilo fez o seu coração se aquecer.

Pela primeira vez na vida, ela estava feliz por estar viva, pois agora ela sabia qual era a sua origem, qual era o seu lugar no mundo, e ela estava extremamente feliz por fazer parte dessa família louca e disfuncional.

E é claro, também desejava reencontrar a sua família biológica.

Notas finais
Vocês imaginavam que o passado de Lynna ligava ela com Thor dessa forma? Contem-me tudo não me escondam nada! Tradução: 1 - Blagodaryu vas* = obrigado (a). Até sexta! PS: Tony bem fdp, certeza que ele arranca o couro do pobre Steve, agora que ele escarranchou seus sentimentos por Lynna. PS.2: e a dona Hanna levantando o martelo de Thor? Duplo sentido? PS.3 (porque eu estou frenética): o próximo capítulo é o meu xodó.