The Captain and The Petal.

27 Twenty-sixth Chapter. - ODD. - Operation Date of Dreams (Bonus part 1).


Notas iniciais
Uma palavra: trollei! Ois! Eu sei, eu sei, vocês estavam esperando por um capítulo com um tal de jantar romântico e talz... mas eu tenho um ponto: eu queria mostrar os dois lados da moeda, até mesmo para entender o que está rolando. Boa leitura! PS: e como eu sou boazinha, hoje terá dobradinha de Steve! Bju.

OES. – Operação Encontro dos Sonhos (Bônus parte 1).

Tony exibiu um sorriso que mostrava todos os dentes em sua boca. Ele sentou-se à frente de sua mesa em seu escritório.

— O que foi? — Steve encolheu os ombros, encarando o amigo, que o olhava com um sorriso insinuoso.

— Sabe, já faz mais de um mês que ela acordou. — ele disse como se falasse do tempo. — Vai mesmo me dizer que ainda está tentando tomar coragem para pedi-la para sair?

O loiro soltou um suspiro alto, encarando qualquer lugar em vez dos olhos do Homem de Ferro. Ele e Natasha haviam tirado o dia para pressioná-lo com isso.

O fato era que ele realmente não sabia como pedir Lynna para sair. E isso o deixava profundamente nervoso. Ele nunca havia tido um encontro antes! E se tudo desse errado? E se ela só tivesse beijado-o porquê viu o rosto de seu melhor amigo em seu lugar, por mais que tivesse falado seu nome? E se ele caísse dentro do gelo antes do dia?

— Nossa, cara! Seus neurônios estão fritando. — Sam se intrometeu.

— Olha, é difícil, mas eu vou ter que concordar com o nosso pássaro. — Tony voltou a falar. — Não é tão complicado assim, é só pisar na frente dela e perguntar se ela quer sair com você. É simples!

Ele resmungou.

— Não é tão simples! — disse.

— É claro que é. — Natasha disse entrando e batendo a porta da sala. — A não ser, que você queira que nós façamos o pedido por você.

Ele arregalou os olhos.

— Definitivamente não! — disse assustado. — Vocês são terríveis e indiscretos.

A ruiva menor fez um bico.

— Mas já fazem cinco semanas e nada de você mexer essa bunda de supersoldado da cadeira! — cruzou os braços. — Sabe, ela não ficará solteira para sempre! Se você não se mexer, alguém vai.

Isso era uma verdade amarga que ele não queria encarar.

Será que ela sabia o quanto atraía olhares por onde ela andava?

— E se ela não me quiser? — ele perguntou de maneira indefesa.

Tony, Natasha, Sam, Wanda e Pietro, espremidos em sua sala, fizeram um barulho cansado.

— Qual é?! — Sam se pronunciou. — Só cego não vê que vocês dois gostam um do outro. Eu não sei como ninguém além de Natasha não percebeu isso antes. — completou sarcasticamente.

Ele corou.

— Viu? — Nat arqueou a sobrancelha. — E depois de tudo o que você fez quando ela sofreu o acidente... acho que não resta dúvidas do que está na sua frente, meu caro. — piscou.

— Eu...

— Vai por mim, nós te ajudamos. — Tony voltou a falar, apoiando o queixo nas mãos.

— É disso que eu tenho medo. — Steve murmurou sombriamente. — Vocês não sabem guardar segredos.

— Isso foi terrivelmente ofensivo. — o moreno rebateu.

— Mas é verdade. — o loiro retrucou.

— Mas você sabe que não vai conseguir sozinho, não é? Não sem um empurrãozinho. — Natasha voltou a falar.

Relutantemente, ele assentiu.

— Certo, certo. — resmungou. — Vocês têm razão. Eu acho que preciso de ajuda.

— Ótimo! — Tony esfregou as mãos. — E o que você tem em mente? Um baile? Um jantar à luz de velas? Um motel? Um cinema? Um número de dança?

— Tony, vai com calma! — Nat o repreendeu. — Eles são praticamente idosos, você vai matar Steve do coração.

Havia um sarcasmo por trás daquela frase que ele não queria ter pego. Isso lhe dizia que ela sabia sobre a festa que antecedeu a missão de Sokovia, o que o deixou ainda mais tímido.

— Eu estou pensando em algo simples. — ele se pronunciou, envergonhado. — Acho que ela não gostaria de todo um evento em cima disso. E eu quero que seja uma surpresa agradável.

Tony resmungou, contrariado.

— Tem que ser épico! Por favor, é a união da Lady Tóxica e do Capicolé! Tem que ser icônico!

Ele enfiou o rosto nas mãos.

— Menos é mais, Tony! — Steve bufou.

— Não, mas Stark tem razão em pelo menos uma coisa. — Nat interveio. — Um jantar romântico não cai nada mal.

— Nós podemos fazer a comida favorita dos dois. — Wanda se pronunciou, tentando ajudá-lo, Steve levantou a cabeça. — E isso pode ser feito num lugar que os dois gostem, sem um publico exagerado, ou interrupções. Um lugar que ambos se sintam à vontade.

— A varanda do terceiro andar! — ele disse abruptamente, animado com a ideia.

— Viu? — Natasha sorriu. — Já temos todo um conceito.

— Só tem um probleminha. — Pietro apontou. — Como é que vamos fazer isso dentro do Complexo sem chamar a atenção dela? Lynna é uma espiã treinada, ela sabe quando estamos mentindo.

— Boa. — Tony fez sinal de positivo com as mãos. — Nós dopamos ela.

Todos o encararam como se ele tivesse dito que a Terra era plana.

— Eu vou fingir que não ouvi isso. — Nat disse, revirando os olhos. — Bem, temos que dar um jeito. Precisamos que isso seja uma surpresa, eu acho que dá para vocês serem discretos pelo menos uma vez na vida, não é?

— E se ela quiser me intimidar para receber respostas? — Sam questionou. — Lembram-se do sorvete? Ela só precisou de um olhar e eu entreguei tudo. Ela sabe que eu me assusto fácil.

Steve teve que segurar o riso ao lembrar-se deste evento, e de como Sam voltou tão pálido da cozinha ao ver a ruiva mais alta amolar uma faca por meia hora, enquanto o encarava. Ele acabou entregando que Rhodes havia comido o resto do sorvete dela e escondido a vasilha vazia no fundo do congelador, então ela passou a esconder suas guloseimas em sua cozinha individual.

— É só se esforçar um pouco mais, Sam! É por um bem maior. — Nat piscou.

— E nós precisaremos de um álibi. — Wanda disse. — Se contarmos dos nossos planos para o Visão, é capaz de ele entregar tudo. Ele não consegue mentir para ela.

Eles refletiram.

— Eu tive uma ideia. — Tony se pronunciou depois de um minuto de completo silêncio. — E se eu instalasse um poste de pole dance numa das salas de treinamento?

Todos arquearam a sobrancelha, não entendendo onde o bilionário queria chegar.

— E no que isso nos ajudaria? — Sam encolheu os ombros, tirando as palavras de sua boca.

— Ela sabe dançar. Segundo Thor, sua missão em Las Vegas foi um sucesso por causa disso. — os olhos do loiro se arregalaram com aquelas palavras. Ele teve que se controlar para não ficar vermelho da cabeça aos pés quando Natasha arqueou discretamente a sobrancelha para ele. — Então esse poderia ser o nosso álibi. Porque sabemos que ela atiraria uma faca em um de nós se pedíssemos a ela para nos dar uma demonstração, então, se “barra” quando a caca explodir no elevador, nós poderíamos usar isso.

Steve quis revirar os olhos pela troca “óbvia” de palavras quando Tony ia falar um palavrão. Será que isso iria persegui-lo para sempre?

— Ok, isso é surpreendentemente uma boa ideia. — Nat falou. — E então, o que vamos fazer?

— Pergunte a ela quando ela estará disponível, então, começaremos os preparativos, ok? — o loiro questionou-a, fazendo a mulher sorrir amplamente.

— É assim que se fala, garanhão! — ela disse bagunçando os seus cabelos. — Ah, e mais uma coisa! Eu preciso te ensinar a mentir, urgentemente. Você tem que parar de gaguejar quando ela estiver ao seu redor.

Os demais assoviaram, fazendo-o corar.

*

No outro dia, Natasha chegou sorridentemente até ele, dizendo que ela estaria disponível no sábado. Então, eles reuniram todos os aliados para dar início plano que Tony “carinhosamente” apelidou de Operação Encontro dos Sonhos, ou apenas OES, como eles se referiam sempre que estavam ao redor dela.

Conforme o passar dos dias, Steve podia dizer que Lynna estava cada vez mais desconfiada, o que o deixou apreensivo.

Ele quase se esqueceu das lições que Natasha havia lhe dado quando ela veio questioná-lo sobre o que estava acontecendo no Complexo. Ele teve que ter muito controle para não entregar o jogo e perder a chance de convidar a amada para sair.

Na quarta-feira, ele estava voltando de seu escritório para tomar banho para o jantar, quando um Sam praticamente cinza apareceu na sua frente. Seus olhos estavam tão arregalados como da vez do incidente do sorvete. Ele agarrou Steve ofegantemente.

— Ela... ela é impossível! Ela me trancou na sala e estava toda doce outra vez! — ele parecia um cervo no farol. — Eu tenho medo dela, Steve. Essa mulher me assusta.

Ele se segurou para não rir do amigo.

— Ei, calma. — murmurou, conseguindo soltar Sam de si. — O que você disse a ela?

— Eu desconversei, mas ela se irritou. Ela está severamente desconfiada. — respondeu-lhe. — Eu joguei a bola para Rhodes, mas acho que não cola mais.

O loiro soltou um suspiro.

— O que foi que ela fez?

— Ela chegou toda doce, me perguntou o que eu queria para o jantar e começou a partir os ingredientes com aquele olhar assassino no rosto. Nem mesmo o Soldado Invernal mete medo como ela. — ele disse num fôlego só. — Aí ela me trancou na cozinha.

Ele fechou os olhos.

— Eu avisei para serem mais discretos. — Natasha sibilou, assustando-os.

Wanda apareceu logo atrás dela, com os olhos arregalados.

— Cadê o Visão? — questionou assustada.

— Ele não está com você? — Sam perguntou, se recuperando da palidez.

Ela encarou-o com a sobrancelha arqueada, cruzando os braços.

— Eu não estaria perguntando se ele estivesse, não é Samuel? — resmungou. — Ó céus! Ele irá estragar o álibi!

— Eu dou um jeito nisso. — Pietro passou por eles como um raio.

— Precisamos nos apressar para o jantar. — o loiro disse. — Senão ela irá desconfiar ainda mais.

— E vocês definitivamente não querem que ela entre em seus quartos e os intimide com uma de suas adagas. — Nat piscou.

— Eu nem tenho medo dela! — Sam cruzou os braços.

Natasha arregalou um sorriso.

— Sim, sei. — disse sarcasticamente. — Então deixe sua porta aberta, e eu aposto que você vai encontrar Barnes, apenas para que ele a substitua.

Steve suspirou.

— Ela é tão assustadora assim? — questionou com o cenho franzido.

Natasha jogou a cabeça para trás, gargalhando.

— Oh, então você não a viu afiar as facas, limpar os fuzis e desmontá-los quando ela estava com ciúmes de você e Carter? — questionou divertidamente, vendo-o ficar vermelho. — Querido, você ainda não viu nada. Então, cutuque a onça.

Então, ela voltou para o quarto.

Eles demoraram alguns minutos – Sam foi tomar banho –, antes de se reunirem para ir à cozinha.

Pietro e Visão já estavam sentados na mesa, enquanto Lynna preparava a refeição, que cheirava deliciosamente bem. Sam se enfiou atrás dele quando ela os encarou. Dava para ver um fundo de mágoa em sua raiva, o que o deixou um tanto quanto culpado por estar fazendo todo esse mistério.

— Como foi seu banho, Sammy? Precisou de mais fumaça? — sua voz intimidante era ainda mais acentuada do que normalmente. Ele pôde escutar Sam engolir em seco.

— Foi ótimo! — seu amigo estava prestes a entrar em colapso. — Nem precisei de fumaça não.

O sorriso que ela deu o atingiu em vários pontos. Ela parecia ainda mais intimidante do que tudo. Parecia que a colher que ela usava para mexer o molho poderia se tornar uma arma a qualquer momento.

Eles se aproximaram da mesa, sentando-se tensamente.

— E então, o que aconteceu? — Wanda murmurou para Pietro.

— Visão quase estragou a nossa surpresa! — ele respondeu à irmã. — Mas eu cheguei a tempo, não é Vis?

O sintozóide encarou-os com o cenho franzido.

— Eu não gosto de mentir para Lynna. — ele cochichou. — Ela gosta muito de vocês e vocês estão fazendo do modo errado.

O coração de Steve se afundou de culpa.

— Ei, Vis! — Wanda interveio. — A surpresa será boa. É por uma boa causa. Nós jamais a machucaríamos, não é?

Todos assentiram.

A conversa cessou quando Lynna começou a circular pela ilha da cozinha. Eles mal moviam a boca enquanto conversavam, reparando em seus movimentos, enquanto Natasha os repreendia com o olhar.

O ouvido sensível de Steve tremelicou quando a ruiva maior bateu com a colher de pau na bancada, atraindo os olhares deles para ela, que estava com uma expressão de assassina fria. Então, ele entendeu o que todos estavam falando sobre ela ser assustadora. Ela realmente tinha uma expressão pior do que a que o seu amigo havia lhe dado no passado.

— Agora, os bonitinhos vão querer falar, ou eu vou ter que forçar alguém? — seus pelos se arrepiaram, mas ele não saberia dizer se por medo, ou se por outra coisa.

Ele seria excomungado se dissesse que vê-la irritada era sexy?

— Do que você está falando? — perguntou franzindo o cenho, relembrando as dicas de Natasha e ignorando seu subconsciente pervertido.

Ele sabia que ela sabia que ele estava mentindo, mas em sua cabeça, sua mentira soava convincente.

— Já faz uns três dias que vocês estão com essas caras de furico para o meu lado, cochichando, sorrindo, interrompendo conversas na minha presença e agindo mais estranhamente que o normal! Sem contar o fato de que agora, Steven Rogers sabe mentir, então comecem a se explicar! — ele se segurou para não rir. A expressão brava dela era perigosamente engraçada e ele não tinha ideia do que poderia acontecer consigo se uma gargalhada escapulisse.

“Eu avisei” foi o olhar que Natasha lhes deu. Os meninos encolheram os ombros, enquanto Wanda lutava para não revirar os olhos.

— Eu não estou mentindo! — o olhar que ela lhe deu fez sua alma querer sair de seu corpo com as mãos em sinal de rendição, como nos desenhos animados.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Tá, e eu sou a avó da Xuxa. — ela resmungou.

Ele não entendeu a sua referência.

— Bem possível. — Nat zombou.

Eles ficaram confusos por uns segundos.

O olhar dela era cada vez mais irritado e ele já estava quase desistindo, quando a pérola surgiu. Por que as situações mais sérias lhe dão vontade de rir enlouquecidamente? Será que seus anos apanhando nos becos do Brooklyn não lhe ensinaram nada? Ele teve que beliscar a própria perna para não gargalhar alto, de verdade. Às vezes ele realmente pedia para apanhar, e algo lhe dizia que ele não iria querer apanhar da ex Pétala Amaldiçoada.

Eles nunca haviam lutado entre si, mas ele via o que ela fazia com Natasha nos treinamentos e o que ela fazia em missões. Era impossível ele não sair com algum osso quebrado com a sua fúria.

A lição numero um da Viúva Negra fora: nunca, jamais, cutuque a onça. Lynna pode parecer um gatinho fofo quando calma, mas é pior que uma pantera parida quando alguém a irrita. Sim, essas foram as palavras dela.

— Bem, já que não vão por bem, eis o que eu vou fazer. — seu tom era ameaçador. Seu sotaque estava em cada palavra. Ao seu lado, Sam agarrou o acento da cadeira. — Eu os farei comer essa macarronada envenenada, até que em vossos leitos de morte, tirando o Vis, o único a querer me ajudar, vocês possam me contar, ok?

Céus! Ela vai mesmo fazer isso?

— Você não é louca de nos envenenar. — Sam foi corajoso ao falar, ganhando um olhar aguçado dela.

Seu sorriso parecia predatório, e aquilo mexeu com ele.

— Você tem certeza disso? — questionou-o calmamente. Ela parecia manipular a fumaça que vinha da panela de macarrão.

Ele engoliu em seco, por mais que algo no fundo lhe dissesse que ela não teria coragem de fazer isso. Ou teria?

A porta da cozinha deslizou, então o foco foi mudado para Tony e Rhodes que finalmente haviam aparecido para jantar.

— Olhem só! Mais convidados! — ela soou ainda mais ameaçadora que antes. — Como vão, meninos?

— Lynna, por que você parece um pouco assustadora? — Rhodes questionou-a com os olhos arregalados.

— Boa pergunta! — ela sorriu. — Que tal informarem os coleguinhas, meninos?

Steve arrastou um pouco a cadeira para trás, apreensivo.

— Você não está pensando mesmo em envenenar a comida, está? — sua voz saiu mais divertida do que ele pretendia, e ele queria se bater por isso.

— Pera aí, você vai envenenar a comida? — Tony arregalou os olhos, para depois lançar um olhar discreto para eles, que deram de ombros discretamente.

— Se não me contarem o que estão escondendo, eu vou sim. — ela tinha um leve bico fofo em seus lábios cheios.

— Não estamos escondendo nada! — a voz de Tony soou meio falsa, o que fez com que o plano deles ruísse ainda mais.

— Ah, não? — ela perguntou sarcasticamente. — Então se não estão escondendo nada, não se importarão com minha ameaça, não é?

— Tudo bem. — Sam ergueu-se, ele estava tremendo. Eles acreditavam que ela ia mesmo envenenar a comida? Por mais que Lynna parecesse assustadora para burro, Steve sabia que ela não iria envenená-los. Seu único medo era que ela saísse da cozinha magoada com todos eles. Ele não aguentaria. — Eu conto, mas não envenena a nossa comida. Ela tá cheirando muito bem.

Ela sorriu satisfeita.

— Boa escolha. — disse com o queixo erguido. — E o que estão escondendo de mim?

Todos o encararam com uma expressão de alerta. Será que ele vai dedurar o esquema inteiro?

— Stark instalou um poste de pole dance numa das salas de treinamento e queríamos que você dançasse para nós, pronto, falei! — ele desabou num fôlego só.

Um peso foi retirado de seus ombros quando ela revirou os olhos.

— Toda essa merda apenas para isso? — sua reação foi a melhor possível.

— Nós tivemos medo que você tivesse uma reação assassina. — Pietro disse, tentando ganhar terreno.

Houve um lampejo quase imperceptível em seu olhar, que o fez desconfiar se ela realmente acreditou na mentira deles.

Se bem que não era mentira. Tony realmente instalou o maldito poste numa das salas – coisa que o deixou uma noite inteira em claro –, então eles não estavam sendo tão desonestos com a pequena.

— Era só perguntar. — sua expressão se tornara fofa, quando ela colocou as mãos na cintura outra vez. — O mínimo que eu posso dizer é não.

— E é um não? — os olhos dela se arregalaram com a pergunta que Steve fez.

Na verdade, ele também havia se surpreendido com a sua coragem. Ele sentiu Natasha chutar sua canela por baixo da mesa e procurou desviar o olhar da ruiva menor, agradecendo a todas as santidades que ele conhecia por Thor não estar ali. A história seria bem difícil de o deus asgardiano inventasse de dedurá-los. Seria apenas terrível.

Ela sorriu de lado.

— Eu deveria. — resmungou, finalizando o prato. O cheiro delicioso invadiu suas narinas. — Mas eu vou sim, contudo fiquem sabendo que pole dance é um ESPORTE, seus pervertidos.

Nat piscou para ele, que se segurou para não corar. Ele não tinha culpa se todas as circunstâncias...

Tony sorriu insinuosamente.

— Claro. — disse de maneira ainda mais insinuosa, para provocá-lo. — Tudo pelo esporte.

Mesmo assim, aquilo lhe deu uma pontada de ciúmes.

— Pervertido. — ela resmungou, para depois sentar-se à mesa. — Eu acho que já trabalhei muito por hoje. — ela voltou a falar quando todos a encararam. — Fiquem contentes que não está envenenado.

Eles engoliram em seco.

Steve olhou para Sam, que assentiu, levantando-se para ajudá-lo com as panelas, para colocá-las no centro da mesa.

Foi por pouco. — o Falcão cochichou.

O loiro assentiu levemente, limpando o suor inexistente da testa.

*

Após o jantar, Steve estava pisando em ovos ao redor de Lynna, com medo de que ela viesse toda Pétala Amaldiçoada para cima dele, por estar a sós com ele, enquanto eles organizavam a louça suja.

Por que ele não organizou o cronograma para fazer isso seguramente com Natasha, Sam, ou qualquer outro vingador mesmo?

Ah! Porque a Viúva Negra sorriu maliciosamente e fez questão de colocá-los juntos em todas as atividades possíveis. Agora ele estava com medo de que ela utilizasse essa vantagem contra ele.

— Você está com medo de mim porque eu disse que iria te envenenar? — amém!

O olhar dela era mais tranquilo, apesar de ainda haver algo que ele não conseguia ler lá no fundo.

Ele negou, com o cenho franzido.

— Não. — procurou respondê-la da forma mais suave possível. — Na verdade, eu não estou com medo. Eu sabia que você não iria fazer nada.

Aquilo era verdade, apesar de ele ainda estar com medo dela. Sam tinha um ponto, afinal de contas.

— Eu podia fazer sim, ok? — arqueou a sobrancelha.

Ele repetiu o gesto.

— Você não os machucaria. — observou calmamente, encarando seus olhos castanhos suaves. Ela era tão bonita... — Eles podem ser esquisitos e te irritam, mas você jamais os machucaria.

Ele mal sentiu o pano roçar na pele nua de seu braço.

— É impossível conviver com você! — os olhos dela cintilaram. — Você é injusto!

Steve provavelmente sorria como um bobo agora.

— A vida é injusta, Lynna. — disse, abaixando-se para guardar os talheres. — Eu agradeceria se parasse de secar a minha parte de trás. Eu posso sentir onde seus olhos estão.

Não era de todo mentira, mas o que mais indicava para onde ela possivelmente estava olhando era a mudança em seu cheiro.

Por ter seus sentidos aprimorados, Steve era capaz de sentir o cheiro almíscar misturado com flor de cerejeira da excitação dela, uma vez que era inesquecível, pois ele já o tivera ao redor de seu corpo inteiro. O cheiro não queria deixá-lo nunca, como se ela tivesse marcado o seu território.

Suas bochechas queimaram e ele fez o possível para não demonstrar isso.

Ela colocou em silêncio os pratos no armário acima de sua cabeça, um sorriso tranquilo deixou seus lábios.

— Bom, eu não estava olhando. — mentirosa. — Mas eu posso afirmar que Nat colocou os talheres aí com más intenções.

Ele riu. Era bem a cara da Viúva fazer isso.

Lynna espreguiçou-se, deixando-o um pouco atordoado. Ele teve que se controlar para não suspirar como adolescente nervoso.

Pelo amor de Deus! Ele tinha 96 anos de idade! Ele tinha que controlar seu corpo!

— Até amanhã, Steve. — uma vez que ela havia virado de costas, ele se permitiu soltar tudo o que estava dolorosamente segurando.

— Até. — murmurou de volta, torcendo para que sua voz não saísse pateticamente atordoada.

Será que ela sabia o poder que tinha sobre ele?

Tinha sido assim desde que eles se viram pela primeira vez na Torre. E ele estupidamente havia demorado praticamente uma eternidade para se dar conta disso. Esperava que não fosse tarde demais.

Seus olhos se encontraram de maneira estranha antes das portas do elevador se fecharem. Ele tinha seu coração querendo rasgar-se para fora do peito.

Lavou as mãos, secando-as no pano de prato em cima da lavadora.

— Você pode me dizer onde é o acampamento, já que a tenda está armada? — a voz de Natasha assustou a cor fora de seu rosto.

— Céus, Natasha! Como você estava escondida esse tempo inteiro? Está aprendendo a atravessar paredes com Visão? — ele disparou dramaticamente com a mão no peito.

Ela sorriu maliciosamente.

— Ah, meu querido Steven. Acha mesmo que eu poderia deixar os meus bebês sozinhos, sem nenhuma supervisão, levando em conta o que acontece e o que eles fazem quando estão sozinhos?

Ele corou furiosamente.

— Nós estávamos bêbados. — murmurou, cruzando os braços.

Ela piscou.

— Bêbados ou não, vocês são um incêndio juntos.

Ele ficou ainda mais vermelho.

— Vai dormir, Natasha. — resmungou afastando-se da ruiva.

— Eu vou, mas acredito que você deva tomar um banho frio antes de dormir. — ela disse maliciosamente. — Acho que a menção do pole dance te deixou animadinho.

Ele encarou a amiga como se não pudesse acreditar no que ela estava falando, mas ela apenas deu de ombros, acenando para ele quando a caixa metálica cerrou as portas.

Ótimo, Natasha sendo Natasha.

Eu tenho que parar de usar calças tão apertadas!, reclamou mentalmente, antes de se retirar.

Notas finais
"Animadinho", o menino Steven... (luinha do WhatsApp). Até o próximo!