The Captain and The Petal.

21 Twentieth Chapter. - The witch's hangover.


Notas iniciais
Ois! Boa leitura!

A ressaca da bruxa.

— Cooper! — ela ouviu um grito sussurrado. — A mamãe disse para não assustá-la! Tia Nat disse que ela pode se machucar quando está assustada.

Lynna franziu o cenho, antes de abrir os olhos lentamente, vendo duas crianças ao redor de si. Eles estavam com cobertores nas mãos e os depositaram em seus pés. A menina foi a primeira a notar que ela estava acordada.

— Olá! — ela saudou timidamente. — Você é amiga da tia Nat, não é?

A ruiva sorriu.

— Olá. — saudou-a com a voz rouca. — Eu sou sim, e quem são vocês?

O menino deu um passo a frente.

— Eu sou Cooper. — ele disse num aceno. — Cooper Barton.

Ah, não!

Ela se lembrou dele, da “visão” que teve quando sedou Clint. Esse era o menino que aparecia ao lado da mulher grávida. Aquilo a deixou com medo.

— E eu sou Laila. — a menina disse.

Lynna sorriu.

— E o meu nome é Lyanna. — ela sentou-se na cama. — É um prazer conhecê-los.

Eles sorriram timidamente.

— Minha mãe nos mandou trazer algo para a senhorita comer. — Cooper disse, estendendo-lhe uma bandeja com uma refeição completa.

— Ah, obrigada. — sorriu-lhe. — Mas realmente não precisava se incomodar.

Os pequenos lhe sorriram, eles lembravam um pouco o pai.

— Está tudo bem. — Laila sorriu. — Estaremos lá fora.

Com mais um sorriso, as crianças partiram.

Lynna colocou a bandeja cuidadosamente na cama de solteiro, indo até a janela e abrindo a cortina, vendo que ainda estava claro lá fora, mas ela não saberia dizer por quanto tempo havia apagado.

Um gosto amargo estava em sua boca, por conta do próprio veneno que ela havia ingerido.

A garota Maximoff jogou sujo, ela tinha que reconhecer.

Sacudindo a cabeça, Lynna prestou atenção no que estava acontecendo lá fora.

Tony e Steve estavam numa conversa acalorada, enquanto cortavam lenha. Ela tentou fazer leitura labial, mas eles estavam falando muito rápido, quase não deu para entender, ela pegou pouquíssimas coisas, que mal davam para saber se eram verdadeiras ou falsas. Ela ainda estava levemente atordoada.

Em determinada hora, o loiro se irritou, partindo a madeira em dois com suas próprias mãos.

De onde ela estava, dava para ver o show de camarote.

Um calor subiu e desceu em seu corpo.

Então, a mesma mulher da sua “visão” apareceu, e para a sua completa surpresa, ela estava mesmo grávida, o que a fez questionar que porcaria estava acontecendo em sua vida e por que ela havia visto aquela mulher. Isso não era nada normal.

Ela levou Tony para algum lugar, fazendo-a perdê-lo de vista.

Suas bochechas pegaram fogo quando Steve levantou os olhos para onde ela estava, sorrindo suavemente ao vê-la parada lá como uma donzela e provavelmente babando.

Ela fechou as cortinas e correu para cama, resolvendo comer sua comida para manter-se ocupada.

Em questão de minutos, alguém bateu na porta.

— Sou eu. — Steve disse colocando a cabeça para dentro.

Ela respirou fundo, tomando coragem para encará-lo, mesmo que não soubesse o motivo para ter tanta vergonha. Sua mente era um carrossel confuso agora.

— Como você se sente? — ele perguntou, sentando-se na beirada da cama.

Ela encarou-o.

— Estranha. — murmurou. — Eu vi algumas coisas que não fazem sentido algum para mim. — encolheu os ombros. — Seja sincero. Por quanto tempo eu apaguei?

Ele respirou fundo, desviando um pouco o olhar, para depois encará-la com um brilho estranho.

— Eu diria um dia? — murmurou. — Quando a onda passou, eu a encontrei desmaiada. Clint nos trouxe para cá, então Nat deu-lhe um banho, você estava febril, tivemos medo que algo ruim acontecesse.

Ele tocou seu pé reconfortantemente, enviando eletricidade para o seu corpo.

— Ela me atacou com meus próprios poderes. — murmurou, cabisbaixa. — Eu não tive tempo de me defender, quando fui perceber, estava envolta na teia dela...

Ele esfregou um pouco seu pé.

Ela não queria desabar, mas não conseguiu segurar, as lágrimas vieram sem sua permissão. Ela chorou por tudo o que havia passado, tudo o que havia revivido em sua alucinação, por todos que passaram por sua vida e acabaram se machucando também.

Steve arrastou-se até ela, puxando-a para o seu peito, permitindo que ela molhasse a sua camisa, enquanto acariciava seus cabelos.

Ela não queria admitir, mas sua paixão por aquele ser só aumentava cada dia mais, independente do que a Pétala dizia.

Depois não diga que eu não avisei, trouxa.

Ignorando a vaca, ela se aconchegou um pouco mais contra o loiro, permitindo-se acalmar, sentindo seus dedos em seus cabelos.

*

— Você viu Thor? — Lynna perguntou para Natasha assim que desceu, ela estava sentada sozinha na cozinha, sua voz ainda saía goguenta.

A Viúva levantou seus olhos para ela, franzindo o cenho.

— Steve disse que ele foi em busca de respostas para a visão que teve. — ela respondeu-lhe. — E você, como se sente?

A mais alta encolheu os ombros.

— Eu me sinto melhor, eu acho. — murmurou, arrastando uma cadeira para se sentar. — Pelo menos, minha garganta não está mais pedindo socorro. — suspirou. — Foi terrível para você também?

Ela baixou a vista.

Lynna apertou sua mão.

— Foi. — e isso foi tudo o que ela precisava saber. Nat soltou um suspiro alto. — Eu posso saber o porquê quer conversar com Thor?

A ruiva mais velha encolheu os ombros outra vez.

— Ele estava na minha alucinação. — respondeu-lhe francamente. — E eu não entendi porcaria nenhuma daquilo. — soltou uma risada entre um bufar. — Ele some na hora em que mais precisamos.

Nat riu também.

— Bom, se te serve de consolo, eu acredito que você terá tempo para conversar com ele... quando tudo isso acabar. — ela piscou.

— Se eu não sair morta dessa história... — Lynna retrucou.

A ruiva mais nova revirou os olhos.

— Para de drama, Angianova. Você não vai morrer! Eu te mato se você fizer isso.

Riu.

As meninas passaram a tarde encolhidas em um canto, conversando sobre diversos tipos de assuntos, enquanto ocupavam suas mentes.

Vez ou outra, Lynna observava os filhos de Clint brincarem na sala, se perguntando se um dia ela iria ter esse dom também. O dom de ter uma família só dela.

Bom, talvez ela tivesse.

Quando tudo isso acabasse, ela ainda podia adotar uma criança e dar amor a ela, uma vez que pelos modos naturais, isso seria impossível.

Quando treinava na Sala Vermelha, ela ouvira as meninas mais velhas cochicharem sobre algo chamado Formatura, onde as garotas, aos dezoito, eram esterilizadas. Elas não deviam ter distração alguma, isso as fazia focar em suas missões.

Foi o que fizeram com Nat.

Lynna nunca havia chegado à sua Formatura, mas isso não os impediu.

Os cientistas da base siberiana a limparam quando acharam que ela estava tendo um caso com seu mentor/parceiro, algo totalmente ridículo, mas que para os agentes era a imagem que eles passavam, quando ficavam horas trancados juntos em suas células.

Eles só haviam trocado um beijo e só. E aquilo foi a coisa mais estranha que ela já fez na vida.

— Dói todas as vezes que penso nisso. — Nat murmurou ao seu lado, fazendo-a encará-la, seus olhos mostravam a cumplicidade que elas sentiam por isso. — Mas eles são como a minha família, e eu me sinto feliz de fazer parte disso.

Ela sorriu.

— Você tem sorte, andorinha. — murmurou de volta.

Ela sorriu de volta, apertando sua mão.

*

Fury apareceu antes do jantar.

Ele disse que seus melhores agentes tentavam reiniciar todos os sistemas da SHIELD, que havia entrado em colapso quando Ultron invadiu a internet. Alguns files codificados tanto deles, quanto da Hydra foram vazados pelo robô no mal, mas ele assegurou que estavam tentando recuperá-los. Ele tinha uma equipe especial para isso.

Mas ele não havia vindo ali para brigar, e sim para ver uma forma de como poderia ajudar.

Todo mundo estava muito confuso com o que aquela praga queria, até que Bruce lhes deu a luz que todos estavam perdendo.

Isso fazia parte do monólogo da IA. Ele queria evoluir.

*

Agora eles seguiam para Seul. – de novo.

Ultron planejava criar um corpo ainda mais resistente, feito de vibranium e extremamente aprimorado com a tecnologia biológica da doutora Helen Cho. Há esta hora, ele estava no laboratório dela, na capital coreana, forçando-a a fazer o seu upgrade com a ajudinha do cetro de Loki.

Steve e Nat estariam em ação, ela e Clint esperariam pelo berço dentro do quinjet.

O loiro já estava lá embaixo, lutando contra Ultron e suas copias, enquanto Nat se preparava para pegar a motocicleta. Ela estava sentada de as pernas cruzadas numa das poltronas.

— Eu estou abrindo. — Clint disse. — 5, 4, 3... — ele apertou o botão. — Acaba com eles.

Com um aceno de cabeça, Lynna viu a ruiva menor deslizar pela avenida movimentada.

Tô sempre arrumando a bagunça de vocês. — ela disse em tom desapontado.

Lynna revirou os olhos.

— Mama Natasha. — zombou com os olhos no painel. — Eles estão indo por baixo do viaduto. Não temos como atirar. — completou.

Por onde? — Nat perguntou.

Direita. — Clint respondeu.

Eles sobrevoaram a cidade, procurando pelos dois, pairando por cima do viaduto enquanto procuravam um bom alvo.

Ela sentou-se ao lado do castanho, preparada para atirar.

Vocês podem distrair os guardas? — a voz da Viúva saiu ofegante.

— Vamos tentar. — Clint respondeu ao seu lado, assentindo para ela quando finalmente viram o caminhão outra vez.

As armas foram acionadas, mirando no corpo principal de Ultron, que lutava com Steve.

Como esperado, seus guardas levantaram voo, saindo da traseira do veículo.

Cada um se posicionou ofensivamente no jato, um acima e o outro abaixo.

— Mas que... — o castanho resmungou quando eles começaram a tentar abrir um buraco na aeronave.

— Abre o vidro e mantém estável. — ela disse se soltando dos cintos. Clint encarou-a como se ela tivesse dito uma insanidade. — Vai por mim, eu vou tirá-los.

Sem mais palavras, o Gavião abriu uma brecha do vidro, ajudando-a a evaporar, para depois se materializar atrás do primeiro robô.

Este se voltou para ela, mas Lynna já estava preparada, derretendo sua cara antes que ele pudesse atacar. Foi um pouco mais difícil do que da última vez.

O segundo guarda veio até ela, engatinhando de baixo da nave e teve o mesmo destino que o outro, se espatifando no ar.

Ela voltou para dentro, lacrando o vidro outra vez.

— Você é bem suicida. — o Gavião disse, fazendo-a encolher os ombros, sorrindo.

— Obrigada?

Ele também sorriu, voltando sua atenção para o painel.

— Há mais dois deles dentro do caminhão. — ele disse para Nat. — O que for fazer, faça agora.

Vou entrar. — a Viúva respondeu. — Capitão, mantém ele ocupado?

E acha que eu tô fazendo o quê? — o loiro resmungou de volta.

O caminhão onde o berço estava tomou o ar. Os dois capangas restantes de Ultron estavam levitando-o, ela ficou apreensiva. Natasha estava lá dentro e ainda não havia dado nenhum sinal.

Ouve alguma comoção na linha, então, Steve voltou a falar.

Eu o perdi. Ele está indo na sua direção. — disse para eles no jato.

— Nat, sai agora! — Lynna pediu, saltando da poltrona, indo até a rampa aberta.

Imediatamente, ela viu a Viúva pular para dentro do quinjet, empurrando o berço com ela. Atrás de si, o caminhão explodiu.

Natasha mal chegou a encostar o jato. Ultron puxou-a pelo pé.

— Nat! — Clint gritou.

— Feche a rampa quando eu passar. — Lynna gritou para ele da borda, vendo o robô carregar sua amiga para longe.

— O quê? Você ficou maluca?! — ele arregalou os olhos.

— Faz o que eu estou te dizendo, Clint! — ela pediu desesperada. — Eu estou indo pegá-la.

Então, sem mais delongas, Lynna pulou, transformando-se em gás, enquanto seguia o rastro de Ultron.

*

Ela não teve forças para impedi-lo em pleno ar, uma coisa que ela ainda precisava aprender a controlar. Contudo, não foi tão infeliz em sua pista. O rastro de Ultron levou-a até a Viúva Negra, de uma forma ou de outra.

Ela estava de volta à Sokovia.

Nat estava presa numa espécie de cela no subsolo de algum lugar. Ela só não sabia dizer se da base ou da igreja.

Robôs trabalhavam em algo macabro. Milhares deles, como um exército doentio. Nem mesmo a Hydra conseguia essa harmonia que as armaduras de Ultron tinham.

Lynna tentou se comunicar com os outros, mas não sabia como fazer isso sem chamar a atenção da inteligência artificial, então preferiu ficar calada.

Materializou-se ao lado da Vingadora, sentando-se atrás da mesma, sendo encoberta por sua figura.

Não se assuste. — Lynna pediu, pronta para tapar a boca de Romanoff, mas a mesma se voltou para ela, “calmamente”.

O que faz aqui? — ela perguntou com os olhos arregalados.

Parece que eu sempre tenho que arrumar sua bagunça, não é? — Lynna sorriu de lado, zombando da mais nova.

Pode nos tirar daqui? — ela perguntou, olhando para onde o exército de Ultron trabalhava. — Esse filho da puta é insano.

Bem que eu queria. — Lynna suspirou. — Eu estou um pouco fraca por ter usado meus poderes sem interrupções. Estou voando por algumas horas e o vento não era tão favorável. — encolheu os ombros. — Sinto muito.

Tudo bem. — ela apertou seu ombro. — Acho que podemos esperar alguns minutos, não é?

Lynna arqueou a sobrancelha, sorrindo.

Mas é claro! Eu adoro ficar trancada com você. — disse sarcasticamente.

A outra soltou uma risadinha baixa.

Idiota. — resmungou. — Você conseguiu falar com os garotos? Aquilo pode ir abaixo sem nós.

Lynna negou, rindo, encostando-se à parede, que fazia uma sombra, impedindo que o robô que passava ao lado da cela a visse. Ela não podia ficar invisível por um tempo.

Os comunicadores parecem não funcionar muito bem aqui embaixo. — ela resmungou de volta. — Essas porcarias são praticamente descartáveis.

Nat bufou, encostando-se no lago oposto da cela.

Vamos esperar por uns bons minutos... — divagou. — Quer cantar para passar o tempo?

*

Já fazia mais de horas que elas estavam ali.

Lynna já havia perdido a paciência de ouvir os filhos da mãe para lá e para cá, então se colocou de pé, fazendo Natasha arregalar os olhos.

O que vai fazer? — ela perguntou.

Algo suicida e incrível. — respondeu. — Se levanta e segura minha mão. Eu não aguento mais ficar aqui. E definitivamente não vou esperar nossos “príncipes de armadura”.

Assentindo, Nat se colocou de pé graciosamente, fazendo o que a mais velha disse.

Lynna fechou os olhos com força, se concentrando para conseguir evaporar, mas dessa vez, ela tinha Nat consigo e precisava tirá-la dali também.

Ela sentiu o forte puxão na barriga que sempre sentia quando se transformava em seu gás, o que indicava que deu certo. Ela se concentrou em trazer a amiga consigo, fazendo o mundo girar quando elas rolaram asfalto ao lado da construção no centro da cidade.

Natasha a encarava com os olhos ainda mais arregalados.

— Como foi que você fez isso? — questionou-a atônita o suficiente para não traduzir suas palavras.

Lynna, que estava ofegante e com a cabeça prestes a explodir, encostou-se na parede de uma lojinha.

— Eu não sei. — murmurou.

— Isso foi bizarro e incrível ao mesmo tempo.

Ela deu uma risada ofegante.

— Disponha. — respirando fundo, ela mergulhou a mão na orelha direita. — Galera? — chamou com a voz ainda ofegante pelo esforço.

— Lynna! — os rapazes gritaram.

— Ei! Eu não sou surda! — ela resmungou para o com. — É bom ouvir a voz irritante de vocês também.

— Você está bem? — este foi Steve.

— Sim, eu estou bem. — respondeu-lhe. — E eu tenho Natasha. Estamos em Sokovia. Ultron tem algo bem desagradável para nós.

— Nós sabemos, Lady Tóxica. — Tony disse. — Estamos a caminho.

Ela respirou fundo, arrastando-se pela parede, ao lado de Natasha.

— Isso é ótimo.

Notas finais
Até sexta!