The Captain and The Petal.
34 Thirty-second Chapter. - The ideal gift.
Notas iniciais

O presente ideal.
No primeiro instante, ela imaginou que ainda estivesse sonhando. Havia um barulho vindo da cozinha, mas ele ainda estava distante, praticamente surdo. Então, o alarme de incêndio do apartamento soou, assustando-a.
Lynna pulou da cama, sem ter tempo para alcançar suas pantufas. Ela atravessou o patamar da sala, até que deu de cara com a cena mais improvável para se ter numa manhã de sábado:
Balões de gás hélio estavam dispostos estrategicamente ao redor da mesa da cozinha, e no meio deles, estava um loiro chamuscado segurando um bolo nas mãos, fazendo com que a sobremesa parecesse bem menor do que realmente era. No topo da cobertura vermelha estava o número 56.
A ruiva revirou os olhos, sorrindo enquanto tirava uma mecha de cabelo encharcada do rosto.
— Era para as velas estarem acesas. — Steve disse em tom de desculpa. — Feliz aniversário, querida.
Ela sorriu, indo até o alarme para finalmente desligá-lo, cessando a chuva.
— O que você fez para que isso acontecesse? Acendeu em cima do sensor? — perguntou, franzindo o cenho.
— Bem, na verdade não foi bem assim. — ele encolheu os ombros, parecendo uma criança que levou bronca.
— É fofo, no entanto. — ela se aproximou dele, pegando o isqueiro de cima da mesa. — Obrigada.
— Não é má sorte ter a própria aniversariante acendendo suas próprias velas? — ele disparou, afastando-a do bolo. — Vem cá, eu mesmo acendo. — então colocou a sobremesa no tampo de vidro, pegou o isqueiro de sua mão e acendeu as velas. — Agora sim. Faça um pedido.
Ela arqueou a sobrancelha, sorrindo.
— Desde que Natasha descobriu a minha data de nascimento eu não tenho sossego com vocês, não é? — perguntou divertidamente, colocando o cabelo para trás antes de fechar os olhos.
— Pode apostar que não. Não é todo dia que uma mocinha faz cinquenta e seis anos! — o loiro brincou. — Ai! — mesmo cegamente, Lynna ainda conseguiu golpeá-lo no quadril. — Isso dói! Você não é mais tão delicada assim.
Ela arqueou a sobrancelha outra vez, sem abrir os olhos.
— Quer levar outra?
— Não.
— Então me deixe fazer o meu pedido em paz!
Ele riu, mas ficou quieto.
Hm, que pedido ela deveria fazer?
Havia tantas coisas que ela queria pedir. Coisas idiotas, coisas realmente sérias... havia tantas, tantas coisas, mas ela só podia escolher uma.
E se a lenda de que os pedidos de aniversário realmente acontecem fosse verdadeira, ela queria que isso pelo menos se tornasse realidade para ela.
Que pela primeira vez na minha vida, eu não estrague tudo o que está dando certo.
Então, ela soprou as velas, finalmente abrindo os olhos.
— E o que foi que você pediu? — Steve realmente parecia uma criancinha agora.
— Que você e Nat fossem amarrados juntos numa sala escura. — disse ironicamente, vendo-o franzir o cenho e fazer um bico. — Eu não posso contar, gênio, se não ele não se realiza! Agora vamos, vamos comer esse bolo!
*
Depois do café da manhã, como era de se esperar, todo e qualquer lugar do Complexo cujos Vingadores habitavam estava repleto de coisas com os dizeres “Doces 56”, porque Tony e Natasha não iriam parar de falar sobre a sua idade até que o dia terminasse. Ou talvez mais que isso.
Revirando os olhos, Lynna catou a sua pilha de roupas e seguiu para a lavanderia comunitária, pois hoje, justo hoje, a lavadora do seu apartamento inventou de quebrar.
No meio do caminho, ela ainda deu de cara com alguns cartões e cornetinhas espalhadas por Pietro e quase tropeçou num cone que Sam havia nela atirado quando a avistou. Ela negou com a cabeça, mas não poderia ter adorado menos.
Distraidamente, a ruiva passou a separar suas roupas. As de cor, as brancas e pretas, os jeans, as roupas de malhação e as peças íntimas. Havia uma ou outra peça que ela havia roubado de Steve, mas isso nunca mais seria devolvido e ele sabia disso.
Ela colocou a cesta com ainda algumas peças que ainda não haviam sido separadas, quando ouviu um barulho esquisito vindo da pilha. Franzindo o cenho, ela abaixou-se para ver o que era, dando de cara com uma caixa preta enigmática no meio de suas roupas sujas.
Lynna franziu ainda mais o cenho, mas resolveu abri-la. Podia ser algum presente oculto de Steve, nunca se sabe.
Havia um papel grosso saindo da aba da caixa. Curiosa, ela o puxou para fora.
Lembre-se, você pode ter fugido, mas sempre estivemos de olho em você.
Não importa a distância, sempre iremos encontrá-la.
Aproveite a liberdade enquanto pode, Doce Pétala.
Hail Hydra.
A ruiva jogou a caixa o mais distante possível dela, assim como o maldito papel. Ela devia estar mais branca que ele.
Então, uma aranha escapuliu de dentro do embrulho, mas não era qualquer aranha. Era uma fodida viúva negra, que possivelmente deve ter sido geneticamente alterada, pois ela jamais havia visto uma tão grande quanto aquela.
Um grito de terror escapou do fungo de sua garganta.
Imediatamente, Lynna largou tudo o que estava fazendo e correu para fora da lavanderia.
Ela tentou apertar o botão do elevador, mas quase desmaiou ao ver a aranha seguindo-a.
Com o coração e o cy na mão, ela abriu a porta das escadas o mais rápido que conseguiu, descendo-as lutando para que suas pernas não falhassem. A maldita estava lhe seguindo de perto, ela podia ouvir o barulho rápido de suas patas pela parede e pelo metal do corrimão.
Ainda gritando, ela conseguiu chegar até a sala comum, onde praticamente soltou um berro de alívio ao dar de cara com os amigos.
Sem sequer se preocupar, ela pulou nos braços de Steve, que largou o que quer que estivesse em suas mãos para ampará-la. Ela só percebeu que estava tremendo e chorando de medo quando colocou a cabeça no vão do pescoço do loiro.
— Mata! — ela sussurrou. — Mata, por favor, mata ela!
Ela ainda teve a ousadia de olhar para a viúva negra, que estava com duas de suas oito patas esticadas para cima, em posição de ataque.
Lynna fechou os olhos, apertando-se contra o namorado, como se isso fosse fazê-la sumir.
— Por favor, mata! — ela insistiu, ainda tremendo muito.
Um estalo alto foi ouvido, então ela levantou a cabeça, vendo a aranha estatelada no chão com seus fluidos escorrendo pelo piso. As ondas vermelhas foram retraídas para as mãos de Wanda, que a encarava de maneira preocupada.
— Como alguém da Hydra conseguiu adentrar o Complexo? — ela questionou, aproximando-se da aranha.
Era raro que tanto Wanda, quanto visão pudessem ler sua mente. Certa vez, o sintozóide lhe disse que entrar na mente de deuses era mais difícil do que a de humanos, e que também seus poderes os bloqueavam, de alguma forma.
Mas agora que ela estava totalmente vulnerável, talvez tenha se aberto uma “brecha”, ou sabe-se lá o quê.
Natasha, Rhodes e Tony, que estavam sentados no sofá maior levantaram-se abruptamente, olhando de Wanda para Lynna, com uma expressão de interrogação em suas faces.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Stark perguntou, sua voz subindo uma oitava.
— Ela estava numa caixa. Eu a encontrei quando fui lavar a roupa. Estava dentro do cesto. — Lynna respondeu, afastando o rosto do pescoço de Steve. — Havia um cartão deles segurando a tampa. Então a aranha... esse foi um presente.
Natasha beliscou a ponta do nariz, respirando fundo.
— Ainda está na lavanderia? — perguntou. — A caixa?
— Eu larguei tudo e corri assim que vi a aranha. — ela respondeu, limpando o suor de sua mão na camisa do loiro.
Pietro levantou-se, passando por eles e correndo para as escadas. Segundos depois, ele retornou com o papel, entregando-o à Natasha, que o leu rapidamente, passando para Tony, Rhodes, Sam, Wanda e por fim Steve, que ainda a segurava, mas conseguiu pegar o papel para ler.
— Estou indo agora ver as imagens do corredor. Alguém burlou o meu sistema de segurança e invadiu um cômodo privado! — Tony disse, saindo apressadamente. — Romanoff, você e Wilson devem verificar se há impressões digitais na caixa além das de Lynna. Rhodey, você e Pietro vão ajudar Hanna e Visão. E você Wanda, vem comigo.
Então, o grupo se dispersou, cada um indo em suas respectivas direções indicadas.
Steve afagou suas costas, para depois fixar sua mão em seu couro cabeludo, fazendo cócegas suaves.
— SEXTA-FEIRA, envie alguém para retirar este animal daqui. — sua voz tinha uma fúria contida. Ele não esperava respostas. — Nós vamos descer, ok?
Ela assentiu levemente, ainda sendo embalada por suas mãos.
Lentamente, eles seguiram até o elevador. Assim que adentraram a caixa metálica, Lynna escorregou para fora de seus braços, enterrando sua cabeça em seu peito, para não ter que ver a carcaça da aranha no meio da sala comum.
— Eles me torturavam com essas aranhas... o veneno delas... — soluçou. — Pensei que... eu entrei em pânico quando eu a vi. Era como se eles me tivessem outra vez.
O loiro afagou suas costas, beijando seus cabelos.
— Eles não farão isso. Nós não iremos permitir. — ele disse suavemente, acariciando sua cabeça. — Vem. Eu preciso te mostrar uma coisa. Um presente. — as portas se abriram, então ela foi guiada pelo saguão de entrada, que estava praticamente vazio, uma vez que muitos funcionários haviam ganhado um dia de folga. — Era para ter sido um pouco mais tarde. Você acharia lindo vê-lo à luz do luar. Mas isso não muda a beleza dele.
Lynna o encarou, com o cenho franzido.
— E o que é? — perguntou curiosamente.
Steve balançou as sobrancelhas.
— Se eu contar estraga a surpresa. Agora vamos, pare de ser ranzinza e me siga, ok?
— Eu não estava sendo ranzinza! — protestou, praticamente correndo para tentar acompanhá-lo, soltando um gritinho quando esbarrou contra seu peito. — Ai! O que foi agora?!
Ele sorriu.
— Você precisa fechar os olhos. — sussurrou.
— E precisava me matar do coração antes? — ela rebateu, fazendo o que ele disse.
Lentamente, a ruiva foi guiada pelo gramado, respirando aliviadamente, sentindo o vento no rosto, enquanto o loiro segurava em suas mãos, lhe passando segurança. O ritmo de seu coração foi diminuindo, até ela estar cem por cento mais calma.
— Segure-se. — foi tudo o que ele disse, para depois segurá-la pelo quadril, elevando sua estrutura, até que ela estivesse sentada em seus ombros. Seu mundo se tornou um lugar mais alto quando ele ajustou sua posição. — Pode abrir.
Lentamente, ela abriu os olhos, ofegando ao se deparar com a coisa mais linda que ela já tinha visto na vida. Um canteiro de violetas com três tonalidades: roxo-escuro, lilás e lavanda. Ele tinha sutil forma de coração, mesclando-se lindamente com a grama.
— É lindo, Steve! — murmurou, mas ela sabia que ele estava a ouvindo. — Obrigada.
Ele riu, afagando seu tornozelo direito.
— Você tem que ver isso à noite. — ele disse. Sua voz vibrou em seu corpo. — É lindo.
Ela piscou.
— Por isso você o colocou numa posição que dá para vê-lo da varanda? — perguntou, torcendo um pouco o seu corpo para poder confirmar o seu chute. — Como eu não vi isso?
O loiro riu, impulsionando seu corpo para o chão, então prendeu-a em seus braços.
— Bom, eu acho que fiquei bom em esconder segredos desde a última surpresa. — brincou. — Colocamos tapumes que se camuflavam com a paisagem da floresta ali atrás. — apontou para as árvores que rodeavam o canteiro. — Ela se adaptava às cores quando a noite caía. Foi de um experimento de Tony que deu errado e nós achamos que daria perfeitamente para se encaixar aqui. Você gostou?
Seus olhos brilharam.
— Como eu poderia não gostar?! É lindo! — ela respondeu. — Não precisava ter feito tudo isso por mim.
Ele tocou sua bochecha.
— Como não? Você merece muito mais. — murmurou, tocando seus narizes. — Mas sei que me bateria se eu lhe desse uma joia, então eu estou lhe dando algo bonito que você possa cuidar. Além do meu coração.
Ela não precisou de mais palavras para finalmente encostar seus lábios ao dele, suspirando audivelmente ao sentir a maciez que eles tinham. As mãos de Steve apertaram suas costas, trazendo-a para si, enquanto sua língua pedia permissão para mergulhar em sua boca.
— Hm. — Lynna gemeu, puxando-o para ela pela gola de sua camisa.
Suas mãos subiram para o pescoço do loiro e começaram a arranhá-lo sutilmente na nuca, fazendo com que as mãos dele descessem um pouco mais, apertando seu quadril da maneira mais sutil que se permitia, uma vez que eles estavam em público.
Lentamente, eles se separaram, encostando suas testas, enquanto recuperavam o ar.
Então, a ruiva arregalou os olhos.
— Misericórdia!
— O que foi? — Steve perguntou, entre assustado e preocupado.
Lynna olhou no fundo de seus olhos, afastando-se.
— Eu ainda não lavei minhas roupas! Deixei todas espalhadas pela lavanderia! — respondeu exasperadamente. — Isso significa que minhas calcinhas estão à mostra!!!
O loiro riu.
— Bem, não seria uma visão ruim. — murmurou, para depois piscar. — Você tem calcinhas bonitas.
Ela deu-lhe uma tapa no quadril.
— Vamos! Precisamos ir antes que Tony ou Natasha as encontre, ou você quer que aquela tanga seja vista? — arqueou a sobrancelha, satisfeita de vê-lo engolir em seco.
— Não, definitivamente não. — ele respondeu rapidamente.
— Ótimo. Agora vamos. Você irá me fazer companhia.
Então Lynna o arrastou de volta ao Complexo, correndo até a lavanderia, onde suas roupas estavam exatamente do jeito que ela havia deixado. Felizmente, Natasha não poderia ter encontrado A Tanga, pois ela estava escondida debaixo da pilha de roupa que ela havia separado.
Eles passaram o resto da manhã até a hora do almoço colocando cada pilha em suas respectivas máquinas.
*
— Você não deveria ter se exposto! — o homem mais velho rosnou para a garota, que sequer se abalou com isso. — Estar um fio a ser descoberta, pode nos render problemas. Stark pode ser um pé no saco quando quer. Se ele descobrir que foi você será uma questão de tempo até vierem a mim.
A menina trocou o peso das pernas, arqueando sarcasticamente a sobrancelha.
— Não se preocupe, papaizinho. Você não se importaria de ver sua filhinha ser aprisionada pela SHIELD. A única coisa que te preocupa é o seu maldito bebê de açúcar. — revirou os olhos. — A vadia está viva, não está? Como sempre, ela esperneou e os idiotas foram protegê-la, como a garotinha fraca que ela sempre foi. Agora me diga, papai, como você pode sentir tesão por alguém tão inútil como ela?
O homem cerrou a mandíbula, encarando os olhos verdes da filha, que transbordavam de raiva e deboche.
— Cuidado com o que fala, garota. Ser sangue do meu sangue não te faz imune a nada. — ele rosnou, pousando a faca afiada no prato.
— Oh, eu cutuquei sua ferida? — ela levantou-se, começando a circular pela sala. — Então é mentira que tudo o que você está fazendo para recuperar a Pétala é porque você tem vontade fodê-la? Eu estou errada, papai?
Os olhos do homem faiscaram de raiva.
— Ela é importante para os planos da Hydra. — ele disse cortantemente, de maneira fria.
— E você a quer. — ela arqueou a sobrancelha de maneira debochada. — Eu fico me perguntando... como uma mulher que já experimentou o Soldado Invernal, que vamos combinar é gostoso para caralho e hoje em dia possui o pau do Capitão América pode querer com um velho brocha como você? O que acha que vai fazê-la sentir tesão? Vai dopá-la? Só assim para ela não perceber o volume morto que você tem entre as pernas.
O homem levantou-se. A cadeira onde ele estava sentado foi brutalmente jogada para trás, enquanto ele aproximava-se ameacadoramente do corpo da garota. Suas mãos agarraram o pescoço frágil dela, praticamente a esganando.
— Eu disse para tomar cuidado com o que diz! — ele gritou em seu rosto. — Seja petulante comigo mais uma vez, para você ver o inferno congelar antes de seu próximo aniversário.
Mesmo diante da ameaça, a garota não pestanejou.
— Eu não falei nenhuma mentira. — ela conseguiu falar após torcer uma das mãos dele para fora de si, graças as aulas da maldita Pétala. — O que importa é que o recado foi dado. Ela sabe que estamos lhe vigiando e que não desistiremos. — ela pegou a bolsa e saiu para abrir a porta. — Tchauzinho, papai.
O homem viu os cabelos castanho-avermelhados da garota sumirem pelo corredor, então jogou o que restava da cadeira contra a parede.
Aquela garota insolente iria pagar por suas palavras.
Ele pegou a foto da princesa da Hydra, analisando o perfil da mulher de longos cabelos de fogo. Ela o tinha excitado desde o primeiro dia que ele a viu, fazia tanto tempo... ele não era mais do que um menino verde, mas já podia sentir-se latejando por ela.
Ele a queria e iria tê-la de um jeito ou de outro, custasse o que custasse. Nem que ele tivesse que passar por cima dos “heróis mais poderosos da Terra”.
— Falta pouco, minha Pétala. Logo, logo, eu a terei para mim como sempre desejei.
*
— Isso é realmente necessário? — ela questionou Natasha, enquanto encarava-se no espelho de corpo inteiro que ficava em seu “antigo” quarto. Ela vestia um vestido preto no estilo dos anos 50. — Você sabe que eu nasci nos anos sessenta, no é? Esse vestido é historicamente aceitável?
Natasha encarou-a firmemente através do espelho. Seus olhos verdes faiscaram, incitando-a ao desafio.
— A moda não mudou imediatamente de 59 a 62, Lyanna. — revirou os olhos. — Dá para você ser menos chata e curtir a festa?
Ela riu.
— Sim, Natalia, dá para eu curtir a festa. — resmungou por fim.
— Ótimo. — a Viúva Negra esfregou as palmas das mãos. — Agora vamos ao toque final.
A ruiva menor colocou sob sua cabeça um casquete preto, combinando com o vestido e os sapatos. Seus cabelos foram arrumados em ondas sedosas, que caíam aristocraticamente por cima de seu ombro esquerdo, chegando até seu quadril. Fazia um bom tempo que eles não viam um corte, mas ela ainda não estava interessada em cortá-los.
— Agora sim, estamos prontas. — Nat voltou a falar, sorrindo amplamente. — Todos já devem estar esperando.
Resignada, Lynna levantou-se, equilibrando-se em seus saltos de quinze centímetros. Ela caminhou até o elevador ao lado de Natasha, que também usava um vestido vintage vermelho-escuro.
Elas foram até a varanda, que estava tudo escuro, até que um barulho de palmas a assustou. Tony surgiu do nada arrastando um carrinho contendo um bolo enorme de chocolate, com várias velas no topo.
Um coro de ‘parabéns para você’ se seguiu.
— Vamos vovó, sopre suas 56 velas! — o Homem de Ferro disse daquela sua maneira espalhafatosa.
— Eu não acredito que vocês realmente espetaram todas essas velas num bolo! — Lynna resmungou, afastando o cabelo para o lado. — Como isso não pode ser um foco de incêndio?
Tony arqueou a sobrancelha.
— Qual é? Eu não sou um amador, Lady Tóxica! — ele disse, fingindo estar ofendido.
— Faz um pedido! — Nat gritou, pulando suavemente em seus ombros.
Lynna fechou os olhos, fez seu pedido e soprou o máximo de velinhas que conseguiu, apagando a maior parte. Então, terminou de apagar as outras com pequenas baforadas.
Seus amigos deram uma rodada de urras assim que a fumaça subiu no ar, então ela sorriu amplamente.
Basicamente só haviam poucas pessoas no salão. Por mais que Tony tivesse insistido que deveria ter sido um evento de gala com tudo que tinha direito, ele se limitou a fazer algo verdadeiramente mais íntimo, ainda que resmungando.
Bem, Tony não iria mudar.
Contudo, lá no fundo, Lynna havia percebido algo que seus amigos não tinham visto. Ele parecia um pouco mais distante que o normal.
O fato de Pepper estar relativamente mais distante dele não lhe passou despercebido, por mais que os outros ainda não tivessem notado.
Talvez Nat tenha percebido, mas isso era de se esperar.
Deixando esse pequeno conflito mental de lado, ela curtiu a noite com seus amigos, dançando, beliscando petiscos e bebendo alguma coisa, enquanto brincava com eles. Não havia jeito melhor de passar seu aniversário.
No final da noite, quando todos já estavam meio embriagados – tanto de sono, quanto pelo álcool – a maioria deles – lê-se os mais responsáveis – havia ido dormir, enquanto os outros ainda se encontravam jogados no sofás da varanda.
Pietro tinha a perna jogada em cima da de Sam. Apesar da suave névoa de embriaguez, eles trocaram um olhar carinhoso entre si, para depois desviar rapidamente, como se ela não tivesse percebido.
De uns dois anos para cá, eles vinham tendo um relacionamento secreto. Lynna não conseguia entender o porquê deles não se assumirem publicamente, mas não estava em seu alcance ser invasiva.
Contudo, se fosse o caso de esconder do time, eles estavam falhando miseravelmente. – pelo menos para as garotas.
Eles eram tão fofinhos que dava vontade de morder.
Steve, que havia sumido logo assim que Hellen e Pepper haviam ido embora, surgiu com um sorriso animado que o deixava parecido com uma criancinha de cinco anos, o que indicava que ele andava aprontando alguma coisa.
— Posso roubá-la? — ele perguntou galantemente, estendendo a mão direita para ela.
— Por mim tudo bem. Nem vai fazer falta. — Hanna disse, sem sequer tirar os olhos da tela do celular.
Lynna encarou a amiga com a sobrancelha arqueada.
— Nossa, que amor. — disse sarcasticamente. — É claro, querido, contanto que não esteja planejando algo terrível.
O loiro sorriu amplamente.
— Eu juro que não é uma travessura. — assegurou, então ela capturou sua mão.
— Até porque, a “travessura” tá escondida dentro das calças dele. — Hanna disse em russo, como se estivesse falando de algo casual.
A ruiva arregalou os olhos.
— De santa só tem a cara. — revidou, vendo a morena piscar repetidamente os olhos, antes de caminhar ao lado do namorado até a outra parte da varanda.
— Feche os olhos. — ele sussurrou próximo ao seu cabelo.
Ela franziu o cenho, antes de obedecer. Lentamente, seu corpo foi virado até que suas costas estivessem batendo no peito dele, então algo parecido com um controle remoto fino fora colocado em suas mãos.
Lynna arqueou a sobrancelha, ainda sem abrir os olhos.
— Este é o meu presente? — questionou divertida, encostando a cabeça contra o braço estendido do mais alto. — Precisava de tudo isso?
Ele riu, encostando seu queixo no vão do pescoço dela.
— Porque sempre tão impaciente? — sussurrou. Seu hálito quente fez a pele da sua bochecha formigar. — Aperte o botão. — ela deslizou o polegar na superfície lisa do controle, notando o suave relevo no meio dele, então apertou. — Agora abra.
Lentamente, ela abriu os olhos, ofegando de surpresa ao notar que o canteiro de violetas – que já era lindo à luz do dia – cintilava maravilhosamente para o breu da floresta, como se vagalumes tivessem pousado nas delicadas flores.
— É lindo, Steve! — Lynna murmurou, aproximando-se ainda mais do peitoril. — Você tinha razão, é lindo à noite! — voltou-se para ele, que sorria amplamente. — Obrigada.
Ele encostou o seu nariz no dela.
— Você não precisa agradecer, princesse. — sussurrou, levantando os olhos cristalinos para ela, que apesar do longo tempo juntos, sentiu suas bochechas esquentarem diante da intensidade do seu olhar. — Eu faria qualquer coisa para você. Feliz aniversário.
Apesar do salto, ela ainda se esticou uns bons centímetros para que finalmente seus lábios fossem colados. O calor habitual de seus corpos colados se espalhou pelo dela, fazendo sua pele formigar, então as borboletas começaram a flutuar em sua barriga.
Lentamente, Lynna esticou os braços para encaixá-los atrás da nuca do loiro, que enlaçou sua cintura, puxando-a contra si, para depois aprofundar o beijo.
Não era nada urgente, eles apenas demonstravam seus sentimentos um pelo outro. Aquele tipo de beijo que lhe deixava com o coração em ponto de erupção e as pernas bambas – não que os outros não a deixassem assim.
Algo como um salgado duro o suficiente atingiu seu ombro direito, fazendo-a franzir o cenho, mas isso não chamou atenção suficiente para se afastar dos lábios de Steve.
— Eca! — Sam e Hanna fizeram coro. — Mamãe e papai estão se beijando! — o Falcão completou arrancando risadas dos companheiros que ainda perambulavam pela varanda.
— Vão procurar um quarto! — Hanna disse divertidamente. Lynna enviou um dedo do meio para os dois. — Que coisa feia, mocinha!
Steve soltou uma risada contra seus lábios, separando-se minimamente dela.
— Pestes. — ela resmungou. — Vamos, eles não nos merecem.
Então, a ruiva capturou a mão do namorado, arrastando-o para fora da varanda.
Como as pestes que eram, seus amigos soltaram assovios, provocando-os.
— Usem camisinha! — ela ouviu Natasha gritar, antes que as portas do elevador se fechassem.
Revirando os olhos, Lynna apertou o botão do andar deles.
— Ela não está errada, no entanto. — ouviu o loiro dizer, pressionando suas costas contra seu peito, para depois salpicar seu pescoço e ombros com beijos molhados que faziam sua pele se arrepiar gostosamente. — Seu aniversário ainda não acabou. Acho que ainda dá tempo de mais um presente.
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