The Captain and The Petal.

41 Thirty-ninth Chapter. - The mission that changed everything.


Notas iniciais
Ois! Então... Eu não queria que acontecesse desse jeito, mas é meio que necessário para o desenrolar da história. Quando em pensei nela, eu já sabia o que ia acontecer na fase Guerra Civil. Soltei a bomba e corri, Boa leitura!

A missão que mudou tudo.

Ok, Wanda, o que você vê? — ela ouviu Steve perguntar. Ele estava em algum lugar acima no prédio da pousada, observando o movimento da rua.

Ela, Nat e a castanha estavam espalhadas pelas mesas de um café, numa posição mais próxima da ação, por assim dizer.

De onde estava sentada, Lynna viu Wanda olhar discretamente para trás, bebericando seu café. Um movimento padrão e rigorosamente ensaiado pelas três.

— Policias de batida padrão. — respondeu. — A estação é pequena. Rua tranquila... é um bom alvo.

Há um caixa eletrônico na extremidade sul, o que significa...? — ele voltou a perguntar, testando seus conhecimentos.

— Câmeras. — Wanda respondeu, coçando o buço.

— Ambas as ruas transversais são unidirecionais... — Lynna sussurrou em tom de pergunta, abaixando-se para morder um pedaço de seu croissant.

— Então compromete as rotas de fuga. — a Feiticeira lhe respondeu.

De onde estavam, ambas trocaram um sorriso leve, daqueles que se alguém de fora as visse, não imaginariam que haveria qualquer ligação entre as duas.

Significa que nosso cara não liga se for visto e não tem medo de fazer uma bagunça ao sair. — o loiro continuou. — Você vê essa Range na metade do caminho perto do bloco...?

— A que está perto da vermelha? — Wanda perguntou. — É bonitinha.

— Isso significa segurança privada, que significa mais armas, e mais dor de cabeça para alguém. — Natasha se pronunciou, plenamente bebendo seu café, sentada à sua frente. — Provavelmente para nós.

Ela sacudiu os ombros para si, como se estivessem falando do tempo.

Lynna revirou os olhos para ela e seu sorrisinho irritante.

Antes de saírem para a missão, ela lhe disse “Eu ouvi os dois ontem. Quero detalhes”, e agora ela não parava de piscar sugestivamente.

— Vocês sabem que eu posso mover coisas com a minha mente, certo? — a castanha perguntou petulantemente.

A ruiva mais alta sorriu.

Nós duas olhando por cima de seu ombro deve se tornar uma segunda natureza. — ela disse, finalmente tomando um gole de seu suco de laranja. O gosto explodiu em sua boca.

Ninguém nunca disse que vocês duas são um pouco paranoicas? — Sam se pronunciou. Ele estava em algum prédio acima delas, tendo uma visão privilegiada da rua.

— Não na nossa cara. — Nat respondeu. — Por que, você ouviu algo?

Olhos no alvo, pessoal. — aquele era o Cap falando. E ele não estava no clima para as brincadeiras deles. — Esta é a melhor pista que temos de Rumlow em seis meses. Eu não quero perdê-lo.

Sam soltou um risinho debochado.

Nos ver chegar não vai ser um problema. Ele meio que nos odeia. — disse.

Um barulho de buzina ensurdecedor a fez franzir o cenho. Ela olhou ao redor, vendo-o empurrar alguns carros para fora do caminho.

Sam, você vê aquele caminhão de lixo? — Steve voltou a falar. — Pegue-o.

Houve um tempo de silêncio de rádio, enquanto Sam fazia o reconhecimento da área com o seu eletrônico de estimação, o Asa Vermelha. Ele era meio insano por esse robozinho.

Esse caminhão está carregado de peso máximo. O motorista está armado. — o Falcão respondeu.

— É um aríete. — Natasha sussurrou.

Vá agora! — o loiro ordenou a Sam.

— O quê? — Wanda perguntou, confusa.

— Ele não irá atingir a polícia. — Lynna lhe respondeu, ouvindo o barulho das asas de Sam em seu comunicador. — Vamos.

Ela e Nat se levantaram, caminhando o mais discretamente possível, seguindo o caminho para o Instituto de Doenças Infecciosas, para onde o caminhão de lixo estava indo a toda velocidade.

— Quer apostar uma corrida? — a castanha questionou para si, arqueando a sobrancelha.

— Você sabe que não é mais rápida que eu quando eu me transformo em gás. — a ruiva maior arqueou a sobrancelha, jogando o boné camuflado na calçada.

Nat deu de ombros.

— Como eu não tenho essas frescuras... — ela correu para sua moto. — Cuide bem da nossa vovó. — disse para Wanda, então deu partida.

— Essa garota não tem noção do perigo. — resmungou para si mesma, disparando a favor do vento, pousando na base ao mesmo tempo que Sam.

Steve já estava lá embaixo. Ela só conseguia ouvir o barulho de seu escudo ricocheteando contra os carros e derrubando os homens.

Eles têm armadura corporal. — ele disse. — AR-15. Eu contei 7 hostis.

— Eu contei cinco. — Sam respondeu ao seu lado, chutando a cara de dois capangas de Rumlow ao mesmo tempo, para depois atirar num deles.

Ela e Wanda pularam na pista juntas. A castanha fez um escudo com seus poderes e jogou o homem que atirava nelas para Lynna, que bateu em seu rosto com uma barra vermelho-sangue, feita com seus poderes. Ela chutou a cara dele, que bateu violentamente na camionete estacionada, caindo desacordado.

Ela assentiu para a amiga.

— Quatro. — disse alto suficiente para o comunicador.

O barulhinho de Asa Vermelha sussurrou pela sua cabeça, então o robô começou a escanear o prédio e passar as informações para o dispositivo no braço esquerdo de Sam, que estava conectado ao seu traje ricamente turbinado.

— Rumlow está no terceiro andar. — ele disse rapidamente, chegando até eles.

— Wanda, como nós praticamos. — Steve se aproximou do trio.

— E quanto ao gás? — a ruiva perguntou ao Capitão, vendo-o serpentear lá em cima, ela ficou preocupada que ele fosse ingeri-lo.

— Tire-o. — foi tudo o que ele respondeu, antes que Wanda o lançasse para o andar desejado.

O loiro quebrou o vidro da janela do terceiro andar com seu escudo, liberando o gás esverdeado.

Imediatamente, a castanha colou suas costas com as dela, fazendo um escudo com seus poderes, enquanto Lynna usava seu próprio gás para atrair o outro, meio que “purificando-o” enquanto o retirava do prédio. As janelas do local se quebraram com a densidade daquela coisa asquerosa.

Demorou um pouco para que tudo ficasse rosa-claro, sua cabeça girava um pouco quando ela o sugou de volta para dentro de si. Mas não era nada que ela não pudesse fazer. Treinara sua vida inteira para se aperfeiçoar nisso.

Rumlow tem uma arma biológica. — o Cap disse depois de um tempo de silêncio de rádio.

Seu estômago gelou.

Caralho.

Estou a caminho dele. — Natasha finalmente deu o seu ar da graça.

Ela estava em algum lugar nos arredores da base. Lynna varreu os olhos, vendo-a atacar três homens de uma vez só. Seus raios vermelho-sangue rastejaram até onde eles estavam. Ela deslizou as mãos para baixo e imobilizou os três de uma vez só, literalmente prendendo-os ao chão.

— Você sabe que vai ter que tirá-los dali quando voltarmos, não é? — a ruiva mais baixa provocou, chutando a cara de um indivíduo que queria puxar seus cabelos.

A outra deu de ombros, girando a barra vermelha e atingindo mais dois. Ela também tirou os homens de sua “prisão literal de concreto”.

Elas se revezaram, lutando contra os capangas de armadura, até que Nat derrubasse o último deles com um de seus ferrões.

Devido a sua falta de proteção na parte de seu pescoço, bem exposto em seu conjunto de camiseta preta e calça camuflada, Lynna sentiu a picada do projétil, antes que pudesse fazer algo para impedir o ataque.

Ela caiu violentamente no chão, por conta da dor.

Apesar de sua visão turva, a ex-Pétala viu Brock Rumlow, seu antigo torturador arrastar sua amiga pelos cabelos, e não conseguiu se mover.

Merda, o que esse desgraçado fez comigo?!

— Fogo no buraco. — ouviu-o dizer, jogando uma granada sem pino dentro do tanque em que ele havia empurrado Nat para dentro. Seu coração acelerou e seu corpo virou gelatina quando ela tentou se mover. — Quanto a você... doce Pétala... eu senti que nós iríamos nos ver outra vez. — ele pulou estrondosamente, para depois capturá-la por seus cabelos, causando uma dor ensurdecedora. Ela lutou para não se lembrar do pesadelo que teve, mas foi inevitável. — Você vem comigo, querida.

Sem ter forças ou músculos possíveis para responder, Lynna teve seu corpo arrastado pelo desgraçado, e estava desesperada para fazer algo contra ele, mas até mesmo seus poderes não estavam cooperando consigo.

Antes de ela ser jogada para dentro do outro veículo, houve a explosão do veículo onde Nat estava.

Lynna! Lynna! — ela a ouviu chama-la, mas não conseguiu gritar de volta. — Steve, Rumlow a levou para o outro tanque. Ele injetou alguma substância em seu corpo.

O veículo de Rumlow começou a se movimentar. Ele olhou para ela. Seus olhos por trás da máscara brilhavam doentiamente.

— Vamos ver se o cadáver do seu namoradinho conseguirá me impedir de te levar de volta para o lugar onde você pertence. — ele disse, fazendo seu corpo se esfriar.

Eu sabia que iria dar merda. Eu sabia que iria dar merda, repetiu isso como um mantra, tentando desesperadamente recuperar os movimentos de seu corpo.

Como ela poderia ter se distraído tanto?!

Ele disparou os canhões duas vezes, fazendo-a soltar um muxoxo que assemelhava-se a um grito. Lágrimas começaram a correr pelo canto de seus olhos. O desespero lavava o seu corpo.

Ela não queria voltar. Ela não queria voltar a ser a bonequinha da Hydra.

Sam. — oh meu Deus! Ele está vivo! Obrigada, obrigada!Ele está num AFV em direção ao norte.

Rumlow empacotou o vírus num recipiente e entregou-o a um de seus guardas. Se Lynna ao menos pudesse tocar um de seus comunicadores... ela poderia fazer com que os outros lhe escutassem.

— Leve isso para a pista de pouso. — ele disse para o homem.

— Onde nos encontraremos? — o indivíduo o questionou.

— Nós não vamos. — Rumlow respondeu, aproximando-se de seu corpo caído, para depois capturá-la em seus braços. O máximo que ela pode fazer foi encará-lo de maneira hostil. — Eu tenho assuntos inacabados. — roçou doentiamente o metal frio da máscara em sua pele. Ela sequer teve a chance de afastar-se dele. — Não irei fugir deles. Dê um fim no caminhão.

Houve um solavanco brusco no tanque, então Rumlow pulou com ela, afastando-se dos outros homens.

Várias pessoas corriam de um lado para o outro, assustadas.

Lentamente, tipo muito lentamente, ela começou a sentir sensibilidade nas pontas dos dedos, o que já era de grande ajuda. Agora ela poderia movimentar pelo menos o seu gás para fora de sua corrente sanguínea e atacá-lo. Ela derreteria sua máscara de metal vagabundo e o sufocaria com ele.

Seus ouvidos captaram a voz de seu supersoldado. Ela quis revirar os olhos sobre o quão garota indefesa ela parecia, mas infelizmente o desgraçado que a segurava contra a sua armadura lhe injetou uma maldita substância que a impedia de realizar tal ato.

Ossos Cruzados lançou uma bomba no escudo dele, que o jogou para cima, vendo-a explodir. As pessoas ao redor fugiram, aterrorizadas.

— Procurando por isso? — ele chamou a atenção do loiro, que o encarou com o semblante duro.

— Deixe-a em paz. — disse lentamente, ameacadoramente. — Você não vai levá-la de volta.

Eles se separaram. — ouviu Sam falar através do com ainda ligado.

Eu vou pela esquerda. — Natasha comunicou.

Suavemente, ansiosamente, Lynna sentiu as pontas de seus dedos ainda mais sensíveis. Era agora ou nunca, ela precisava escapar das mãos dele. Ela não ia voltar para a Hydra. Nem fodendo!

— Eu demorei, mas achei você, seu filho da puta. — Rumlow voltou a falar, caminhando até onde o loiro estava parado. Sua posição era de luta. Era agora ou nunca. — Você quer sua namoradinha de volta? — ele riu, roçando a máscara gelada em sua pele quente por causa do sol. — O quão irônico é isso não é...? — ele não se aprofundou muito no assunto, infelizmente, aproximando-se cada vez mais do loiro. — Isso é por ter jogado um prédio na minha cara.

Então, Rumlow a lançou contra uma parede, fazendo seu corpo bater violentamente contra o concreto. A visão de Lynna turvou-se na hora e ela, que não conseguia falar nada, chorou de dor.

Sua cabeça zunia e ela não conseguia mais entender o que era dito.

Steve correu até ela, mas foi interceptado por Ossos Cruzados, que o lançou para uma parede oposta, atacando-o com uma adaga que surgiu de um de seus punhos de sua armadura. Ele desviou, fazendo-a entrar na parede.

Steve conseguiu tirar o punho dele, jogando-o para longe.

A ruiva tentou se estrebuchar, mas seu corpo doía muito, apesar de estar entorpecido. Algo nublou sua mente e tudo o que ela conseguia enxergar era vermelho.

Não, não! Por favor, não!

Aquele era o seu soro, o soro da Pétala Amaldiçoada, aquele que a Hydra utilizava nela para fazê-la obedecê-los. Como no mundo Lynna não podia ter reconhecido essa merda? Já fazia quanto tempo? Uns oito anos... desde que ela não entrava em contato com essa maldita substância?

Ela sabia o que vinha depois da palavra de comando.

Era isso o que Rumlow queria. Um show.

Um plano brilhante.

— A Hydra é a sua compradora? Eles te mandaram aqui para levá-la?— o loiro perguntou, enraivecido, pegando na beca de Rumlow, que finalmente havia sido pego. Ela não tinha conseguido acompanhar a luta de onde estava. Ele estava sem mascara agora e ele parecia horrível. — Maximoff, onde você está?

— Aqui. — ela ouviu Wanda, que tocou em seu rosto. Seus olhos estavam bastante preocupados. Ela chorava. — Estou com ela.

Eles se encararam, e ele assentiu.

— Você sabe que ele te reconheceu, não sabe? — ouviu o moreno questionar, provocando-o com um sorriso retorcido em seu rosto desfigurado. — Seu camarada, seu amiguinho, seu Bucky.

Lynna sabia que ele estava desconversando. Ele queria distrair Steve e sabia que falar de seu melhor amigo era o melhor caminho. Isso claramente mexia com seu namorado.

— O que você disse? — o loiro inquiriu, sacudindo-o com raiva.

Calma, Steve. Não faça algo estúpido.

— Ele lembrou-se de você. — o filho da puta voltou a falar. — Eu estava lá. Ele ficou todo sentimental por isso, até eles fritarem o cérebro dele. — merda, ele foi torturado por culpa minha. — Ele queria que você soubesse de algo. — é mentira. — Ele disse para mim: “Por favor, diga ao Rogers... quando você precisa ir... você precisa ir...” — pelo olhar de Steve, ele estava muito abalado com as palavras do miserável, o que era exatamente o que o homem esperava. — E chegou a sua hora. Ela acabará com todos aqui... — seu namorado a encarou. Ele ia fazer alguma coisa, mas Rumlow foi mais rápido e disse a maldita palavra. — Yad. [ataque]

Imediatamente, sua visão nublou. Ela empurrou Wanda para longe com toda a sua fúria, ouvindo-a gritar alto quando caiu por cima de uma barraca, devido ao impacto.

— Anna. — ouviu a voz de Steve e se voltou para ele. Seus olhos provavelmente brilhavam na cor de seus poderes.

Espera, como eu ainda consigo me lembrar dele?

Submeta-se!, a Pétala se pronunciou, após um hiato de quatro anos.

Não!

Submeta-se, deixe-me assumir!

Lynna olhou para o sorriso sínico de Rumlow e algo clicou dentro de si.

Ninguém mais me controlará!, gritou em sua mente, então ela sentiu a energia da Joia da Realidade lavá-la quando seus poderes vieram à tona. Vermelhos com sangue. Vermelhos como a sua fúria.

A ruiva literalmente voou, atacando o moreno com a cara derretida, que arquejou de medo quando ela o levantou no ar. Impulsionando-os para que eles ficassem longe do solo quando ela acabasse com a sua vida insignificante. E ela faria isso fácil, fácil.

Contudo, o homem sorriu.

Ok, sorrir foi um eufemismo.

O filho da puta, desgraçado e sem pinto soltou uma gargalhada irônica e encarou-a.

— Ah, como eu presumia... a garotinha fraca foi defender o namoradinho. — ele olhou no fundo dos olhos dela, segurando-a pelos braços.

— Você vai voltar para o lugar de onde não deveria ter saído, seu verme. — ela rosnou. — O inferno.

Ele sorriu maliciosamente.

— Eu irei, doce Pétala. — agarrou-a com força. — Eu posso até me destruir, mas a levarei comigo. Sua puta desgraçada!

Então, ele apertou um botão escondido em sua luva.

Aquilo é uma...?

A explosão a engoliu, mas aparentemente ela não fora consumida pelas chamas. Seus poderes se expandiram e engoliram o corpo de Rumlow, que absorveu todo o calor da bomba, com um grito.

Em seu último ato, ele enfiou uma faca em seu pescoço.

Ela o largou por conta da dor e a bola de fogo explodiu contra o prédio, que estava próximo deles.

Os gritos apavorados das pessoas foi tudo o que Lynna ouviu antes de apagar, enquanto ia em queda livre.

Meu Deus o que foi que eu fiz?

*

Um bipe distante a fez recobrar a consciência.

Ela estava na enfermaria do Complexo outra vez, num quarto parecido com o que ela havia acordado quando se jogou na frente do quinjet há quatro anos. Seu pescoço latejava surdamente, um lembrete do que Rumlow havia feito com ela.

Sua mente voltou para os acontecimentos da missão em Lagos, dos gritos aterrorizados das pessoas... dela jogando Wanda para cima daquela barraca...

Lynna levantou-se rapidamente, ignorando o bipe ensurdecedor da máquina quando ela se soltou dos fios. Ela ignorou os protestos de Hanna, que havia chegado a seu quarto com a doutora Cho, assim como os de Natasha, que havia vindo auxiliar as doutoras.

Ela avançou a ala médica até onde a castanha estava deitada, ela estava com alguns fios conectados a seu corpinho e uma de suas pernas estava engessada.

Os olhos dela se encheram de lágrimas.

Ela jamais queria que isso acontecesse, que seus amigos pagassem pelo que ela fora obrigada a passar.

Viu, é nisso que dá inventar de ser heroína. Você não é uma heroína, Lyanna, você destrói tudo o que toca. Ainda acha que pode me vencer?

Ela não reagiu, apenas chorou.

Alguém tocou seu ombro. Uma mão grande e forte.

Steve.

— Solte-me. — ela disse. — Eu não quero machucá-lo.

A ruiva fez um movimento brusco, afastando-se do loiro, quando ele não esboçou reação de que iria fazer o que ela pediu.

Automaticamente, ela caminhou para fora da ala médica, ignorando o chamado de seus amigos. Seu corpo estava em plenas funções, mas a sua mente não, ela era um carrossel confuso, que se Lynna parasse para entender, iria entrar em colapso.

O que foi que eu fiz? O que eu permiti que aquele desgraçado fizesse comigo?!

Abriu a porta de seu apartamento, cerrando-a atrás de si.

Suas mãos foram para o controle da televisão, porque ela estava sedenta para saber a repercussão do que aconteceu na missão, ela queria entender o que ela havia feito e como ela havia feito para que Wanda fosse parar na ala hospitalar daquela forma.

Nada.

A maldita televisão não iniciou.

— SEXTA-FEIRA, ligue o aparelho televisor. — ela pediu com a voz arrastada.

Acesso negado. — a IA falou.

— Lady Tóxica. — essa era a sua senha de acesso, graças a Tony.

Acesso negado.

Bufou, jogando o controle no sofá.

— Quem deu a ordem para me bloquear? — insistiu, frustradamente.

Capitão Rogers. — a inteligência artificial respondeu, pacientemente como sempre.

— Foda-se! — resmungou. — Eu tenho todo o direito de ver as notícias. Exijo o desbloqueio imediato da rede!

Acesso negado. — Sexta falou.

Agora enraivecida, Lynna abriu a porta de seu apartamento, apenas para praticamente arrombar a porta do apartamento de Hanna, que estava mais próximo do dela. Ela apertou no botão de ligar da TV da coreana, que havia sido propositalmente desligado num canal de notícias.

EXTRA, EXTRA! PÉTALA AMALDIÇOADA: O ATAQUE FATAL À POPULAÇÃO DE LAGOS!

Cenas dela atacando Wanda e lançando-a para cima da barraca de feira, agarrando Rumlow pelo colarinho, o envolvendo com seus poderes, lançando-o contra o prédio cheio de pessoas trabalhando e depois caindo de pelo menos vinte metros de altura passavam em looping.

Uma repórter sensacionalista falava com o âncora do canal de TV local.

“É parece que as coisas não andam nada bem para os Vingadores. Há relatos de que o relacionamento entre o Capitão e a Pétala andava meio estremecido, por conta do passado dela. Fontes próximas dizem que eles vinham brigando...”.

Ela mudou rapidamente de canal para algo um pouco mais “realisticamente seguro”.

“Isso é um absurdo!” um civil que estava sendo entrevistado resmungou. “Eu nunca gostei dessa mulher. Nunca confiei nela quando a anunciaram como vingadora. Essa mulher é uma assassina, como podem achar que ela irá nos proteger do mal? Ela deveria ter ido para o saco no lugar daquelas pessoas”.

Outra pessoa, em outro canal, disse o seguinte:

“Essa mulher é uma terrorista! É uma espiã infiltrada para desestruturar os Vingadores. Por que não a prenderam na primeira oportunidade?”

Outro canal:

“Autoridades do mundo inteiro, investigam a culpa de Lyanna Angianova no atentado à cidade de Lagos. Testemunhas falam de seu envolvimento com o terrorista conhecido como Ossos Cruzados, o antigo agente da Hydra, Brock Rumlow, assassinado pelas mãos da própria Angianova. Ela que tem mais de vinte e seis mortes oficiais em sua ficha criminal...”.

— Anna... — a voz de Steve se sobrepôs ao barulho ensurdecedor das vozes lhe acusando. — Anna, não lhes dê ouvidos a culpa não foi sua.

Não foi minha? NÃO FOI MINHA? Como não pode não ser minha culpa?

Ela fechou os olhos com força, não querendo desabar.

Está satisfeita agora? Veja o que trouxe para essa gente. Veja o que você trouxe a si mesma.

Você destrói tudo o que toca.

Sua vadia burra... achou mesmo que seu principezinho a amaria para sempre?

Como ele irá reagir tendo uma namorada assassina e terrorista como você? Ele é um ícone da justiça, um herói de seu país! Você acha mesmo que ele vai ficar ao seu lado? Do lado de uma assassina sanguinária?

Eu posso ter tido todos os méritos, mas adivinha de quem é o corpo?

Você quis assumir a liderança, agora lide com as consequências...

Amor é uma fraqueza, menina fraca. E você vai aprender isso da pior forma.

— Chega. — Lynna sussurrou, colocando as mãos na lateral da cabeça, comprimindo-a para ver se as vozes, a fala ácida de Pétala e a tentativa de conforto de Steve parassem, a deixassem em paz. — Chega. — sussurrou outra vez, mas ninguém parou. — CHEGA! — tudo ficou em silêncio. — Eu estou cansada! Eu estou cansada de lutar, estou cansada de fugir, chega! C H E G A!

Soluçou, abrindo a porta, dando de cara com o loiro, que tinha os olhos inchados e lágrimas rolando por seus olhos.

Oh, olhe só para ele, fingindo que se importa...

— Amor... não faz assim... não se torture dessa forma... — ele pediu, tentando se aproximar dela, mas ela se afastou, fazendo com que os olhos dele, já tristes, assumissem um brilho dolorido e ofendido.

Apesar de sua própria quantidade de dor para lidar, o coração dela apertou ao vê-lo assim. Ela não queria que ele sofresse por causa dela.

— Me torturar? Eu matei aquelas pessoas, Steven! Inocentes! Tudo isso por causa de Rumlow, mas a culpa é inteiramente minha! Está vendo isso? — ela apontou para a TV, que mostrava os vários canais de notícias detonando-a. — Isso é quem eu sou de verdade. Uma assassina! Eu mato pessoas, foi para isso que eu fui criada. Não há nada de glorioso em meu passado, exceto o fato de que coincidentemente eu sou filha de um alienígena que se acha um deus. isso. — ela tentou controlar as emoções, mas era difícil. — Eu fui burra de achar que poderia fingir ser outra pessoa. E infelizmente acabei os trazendo para o meu mundo fodido. Sinto muito por isso.

Ela caminhou para longe, de volta ao seu quarto. O fantasma das vozes lhe pregando para cristo a perseguiu o caminho até o seu apartamento individual. Ela teria chegado lá, se o loiro não tivesse a impedido.

— Não faça isso. — ele pediu, segurando-a pelo braço, virando-a para encarar seus olhos azuis, que possuíam um brilho de súplica. — Não me afaste, nós podemos superar isso juntos, como deve ser.

Ela riu secamente.

— Se não está claro para você, Steven. Essa sou eu. — apontou na direção do quarto de Hanna. — Eu destruo tudo o que toco. Foi idiotice achar que poderia viver minha vida sem que a Hydra voltasse para morder a minha bunda. — ela soltou-se dele, mas permaneceu encarando-o. — E eu não poderia aguentar ver alguém que eu amo se machucar outra vez, principalmente você. — ele abriu a boca para falar, mas ela o cortou. — Quer me ajudar? Ótimo! Ajude-me com isso: — ficou em linha reta, erguendo o queixo. — Me dê um tempo. Um tempo para eu alinhar meus pensamentos e entender o que porra está acontecendo com a minha vida. É disso que eu preciso agora. De tempo.

Ele desarmou, uma lágrima solitária rolou pelo seu lindo rosto. Em questão de segundos, seus lábios estavam colados em sua testa, fazendo-a tremer com a intensidade de seu gesto.

— Eu lhe darei todo o tempo que você quiser, mas saiba que estarei sempre um passo perto. — sussurrou com a voz embargada. — Eu te amo.

Ela não o respondeu de volta, apenas assentiu, então adentrou o apartamento há muito não usado, escorregando na madeira da porta, até que sua bunda flácida estivesse em contato com o tapete fofinho da entrada.

Ela chorou.

Por ela, pelo seu relacionamento claramente acabado, pelo amor que ela sentia, mas não podia viver porque sabia que iria acabar em tragédia, pela sua falta de sorte, porque o universo era um filho da puta, por se arrepender do dia em que foi buscar a ajuda de Nat.

Ela havia trazido seus amigos, a sua família adotada para isso.

Ela cagou com tudo, ela acabou de estragar a vida deles.

Tudo isso era culpa dela. Tudo, sem exceção.

Ela era uma destruidora por natureza, possuía o toque de merda, e não havia nada que ela pudesse fazer para mudar isso.

Talvez alguém lá em cima a odiasse mesmo, afinal de contas.

Parabéns, Lyanna. Você pode ver a merda em que enfiou todo mundo?

Prepare-se, pois isso é apenas o começo.

Notas finais
Olho para o teclado e não sei o que dizer, apenas sentir. Mais uma vez, confiem na tia! Até quarta!