The Captain and The Petal.

42 Fortieth Chapter. - The separation of a vital organ.


Notas iniciais
Ois, prontos para sofrerem mais um pouco? Não desistam de mim, Boa leitura!

A separação de um órgão vital.

Era por volta das duas da manhã, quando o corredor dos apartamentos estava finalmente vazio. Sabendo que não conseguiria dormir sozinha, Lynna levantou-se, inspirou e expirou três vezes, antes de abrir a porta e cruzar o corredor, até o apartamento de Nat, que estava aberto.

Ela a esperava sentada numa poltrona fofa no canto da sala de estar. Seu apartamento aqui no Complexo era parecido com o que ela possuía no centro de Nova York, com algumas poucas alterações na mobília e na tecnologia de ponta da Stark.

Eu estava imaginando que você precisaria de mim. — sua voz era carinhosa.

Eu não conseguiria dormir sozinha, Tasha. — ela quase nunca chamava a outra ruiva assim. Algo realmente estava ruim consigo. — Eles não vão me deixar dormir.

Natasha levantou-se da poltrona, em toda sua graça, com seu pijama preto que a fazia parecer uma estrela de cinema. Ela segurou a mão pálida e tremula da mais velha, arrastando-a consigo até seu quarto.

Lynna deitou-se na cama de lençóis negros de Romanoff, enquanto a espiã abria uma de suas diversas gavetas, capturando dois pares de algemas de lá.

Ela deu-lhe um sorriso desarmado, como se ela tivesse voltado a ser o bebê que ela havia salvado.

Como nos velhos tempos? — perguntou-lhe em sua língua materna.

A ruiva mais alta sorriu.

Sempre. — ela respondeu.

Então, a mais nova aproximou-se de si e prendeu um lado do par de algemas na cabeceira da cama, para depois atar o seu pulso direito à cama. Ela fez isso consigo mesma, deitando-se ao seu lado, como quando eram crianças. Na Sala Vermelha, as meninas eram algemadas às suas camas para não fugirem à noite. Nat nunca conseguiu se livrar desse costume.

Finalmente Lynna pôde desabar.

Eu não deveria ter te procurado, Tasha. — sussurrou. — Eu trouxe problemas para você e para os seus amigos. Eles me odiarão para sempre.

Não é assim, Lya. — ela nunca a chamava de Lya, isso só podia dar em merda. — Eles não a culpam, porque você não tem culpa alguma. Você é uma vítima!

Ela riu secamente.

Você não entende. Eu sabia o que estava prestes a acontecer e ignorei isso. Eu sou um monstro! — chorou.

A mais nova estendeu a mão para tocar seu rosto.

Você não é um monstro, querida! Você foi vítima de pessoas muito ruins. Não se torture dessa forma, não faça isso consigo mesma. — sussurrou. — E não o afaste. Vocês dois são tão inseparáveis eu não posso estimar o quanto isso vai doer...

— Vai doer mais se eu o machucar, Tasha. — ela revidou. — É por isso que eu não posso...

Natasha acariciou o seu rosto, colocando uma mecha de cabelo seu para trás da orelha.

Merda... de um jeito muito irritante eu sei que você está certa, por mais que eu não queira aceitar. — aproximou-se de si, o máximo que as restrições permitiam. — Mas uma coisa eu te asseguro. Eles terão que passar por cima de mim se quiserem te pegar. Caminharemos juntas. — sussurrou-lhe, a mesma frase que ela havia lhe dito há tanto tempo atrás.

Você me daria o seu ombro? — Lynna perguntou, fungando.

É seu para fazer o que quiser. — a mais nova disse, beijando sua testa.

Era meio estranho ver Natasha Romanoff ser tão sentimental, mas esse era o verdadeiro eu dela. Ela se preocupava com as pessoas ao seu redor. Por baixo dessa máscara de sarcasmo e indiferença, havia uma criança traumatizada, que não se renderia facilmente se ela não confiasse de verdade em alguém, mas que era leal como uma andorinha para as pessoas que amava.

A mais velha colocou a cabeça em seu ombro e chorou, tendo Nat afagando seu ombro enquanto ela finalmente caía no sono.

*

Era pelo menos nove horas da manhã, quando Wanda apareceu no quarto. Ela tinha um sorriso triste em suas feições infantis. Logo atrás dela, estava Hanna, que a encarava cautelosamente, esperando talvez uma reação negativa à sua visita.

Lynna percebeu que Nat havia retirado a algema de seu pulso.

— Wanda... eu sinto muito. — ela choramingou, sentando-se na cama, encolhendo suas pernas para que elas tocassem seu peito.

A castanha sentou-se na cama, ainda com a perna enfaixada, mas ela parecia visualmente bem.

— Não foi sua culpa. — disse, tocando seu joelho com firmeza, impedindo-a de afastar-se de seu toque. — Aquele homem asqueroso injetou algo em você. Aquela não era você.

Ela se encolheu ainda mais.

— Eu tinha o controle de mim mesma, da minha mente, Wanda! Eu escolhi fazer aquilo! Eu matei aquelas pessoas! Eu machuquei você! — exclamou, lutando contra as lágrimas, mas era impossível. Ela já tremia.

A castanha puxou seu corpo para abraça-la.

— Não. Foi. Você. — sussurrou firmemente. — Assim como há quatro anos atrás, você mesma disse que a Hydra fodeu com as nossas mentes, eu te repito isso. E jamais admitirei que você se afaste de mim por culpa deles. — ela soltou-se de si, apenas para encará-la firmemente nos olhos. Seus olhos verdes faiscavam com determinação e carinho. — Você cresceu em mim, sabia? E eu não vou deixá-los vencer. Você também não deveria.

Pobre garota burra, será que ela sabe que é impossível?, Pétala se pronuncia, fazendo-a engolir em seco.

Não, Lynna não podia dar ouvidos a essa megera.

— Okay. — murmurou, tentando um sorriso. — Obrigada, Wan.

Ela sorriu.

Hanna sentou-se ao seu lado, obrigando-a a ir mais para o lado, enroscando-se ainda mais nos lençóis de Nat.

— Faço minhas as palavras dela. — disse. — Nós não podemos permitir que a Hydra ganhe isso.

A ruiva colocou a cabeça no ombro da amiga.

— Vocês não existem, sabia? — ela sorriu, fazendo-as sorrirem também. — Posso pedir uma coisa...? — elas prontamente assentiram. — Não falem sobre Steve. — Hanna levantou imediatamente a cabeça da sua. — Por favor, isso dói, e é algo que eu não estou pronta a falar ainda.

— Vocês terminaram? — Hanna disparou, para depois colocar a mão na boca. — Sinto muito, sinto muito. Foi o choque.

Ela encolheu os ombros.

— Tudo bem, Han. — murmurou. — Mas eu... eu não sei. Acho que não... é complicado. Eu pedi um tempo.

— Então, nós estaremos aqui para ajudá-la a passar esse tempo. — Wanda segurou sua mão. — Se for para vocês voltarem, assim seja. Se não, bem, você ainda tem a gente. — então piscou.

Ela sorriu.

— Obrigada meninas. Não sei o que faria sem vocês. — murmurou.

*

Elas passaram o resto do dia conversando no quarto. Apenas coisas idiotas de garotas. Isso ajudou-a a esquecer a Pétala por enquanto. A vadia estava azucrinando sua mente durante a noite, quase não deixando-a dormir, mas agora estava tudo bem.

Até que Natasha surgiu.

Elas achavam que a Viúva iria reclamar que as meninas estavam fazendo bagunça em sua cama, mas não, a notícia que ela tinha era ainda mais arrepiante do que a sua fúria pelos lençóis bagunçados.

O Secretario de Estado estava ali, e ele queria ter uma conversa com todos os Vingadores, sem exceção.

Thunderbolt Ross era um homem de aproximadamente um metro e oitenta e pouco. Ele era grisalho, tinha um bigode de Hitler e uma carinha de gente que ela costumava não confiar. Ele encarou-a demoradamente quando a mesma adentrou a sala, enrolada em seu cobertor felpudo, por conta do frio do ar-condicionado.

Lynna sentou-se ao lado de Nat, em frente à Wanda e Hanna. Ela não encarou Steve, mas sabia que ele estava olhando para ela desde que a viu entrar.

Uma vez que todos estavam acomodados na mesa de reuniões, o homem iniciou seu discurso.

— Cinco anos atrás... eu tive um infarto... e caí no meio de uma partida de golfe. — tá, mas o que isso tem a ver o cú com as calças?, ela pensou de má vontade, porque não havia ido com a cara desse sujeito. — Acabou sendo a melhor partida da minha vida, porque após treze horas de cirurgia e três pontes de safena, eu descobri, o que quarenta anos no Exército nunca me ensinaram. Perspectiva. — ele só esta engambelando. Onde a merda verdadeiramente começa? — O mundo deve aos Vingadores uma dívida imensurável... vocês... lutaram por nós. Nos protegeram, arriscaram suas vidas... mas enquanto muitas pessoas os veem como heróis, existem aqueles, que preferem o termo vigilantes.

— E qual termo o senhor usaria, senhor Secretário? — Lynna perguntou, no seu tom mais petulante possível, aquele que provavelmente ganharia um olhar de alerta de todos por sua ousadia.

Acontece que ela não ligava. Esse homem que estava discursando à sua frente, veio ali tendo algo contra ela. E mesmo que ela achasse que estava errada, não iria cair sem defender o que ainda restava de sua dignidade.

— Que tal perigosos? — aquela palavra foi para ela, ele parece ter feito questão de deixar isso claro, ou pelo menos foi o que a ruiva achou. — Como chamariam um grupo de... aprimorados residentes americanos que rotineiramente ignoram as fronteiras internacionais e forçam sua vontade onde quer que vão, e que francamente parecem despreocupados com o que deixam para trás? — ela tremeu de leve. — Nova York. — Ross disse, após se movimentar pela sala, ligando o painel à frente deles, mostrando-lhes o mapa dos Estados Unidos, que logo iluminou mostrando imagens da cidade citada. Ela viu o cenário de destruição que ficou para trás, durante o confronto dos Vingadores com seu primo Loki. Imagens impactantes de pessoas mortas e feridas, o Hulk esmagando prédios, “lagartas” alienígenas voando no meio das ruas... seres esquisitos atacando e atirando em tudo o que se mexia lhe fizeram engolir em seco. — Washington D.C. — imagens de Steve e Bucky lutando numa avenida movimentada brilharam na tela, para depois mudar para ela, utilizando seus poderes para tentar acordar seu melhor amigo da programação. Ela não sabia que podia fazer aquilo... talvez fossem os seus poderes verdadeiros vindo à tona após seu longo período longe da crio. Então a imagem mudou para os Helicarriers caindo, e a força da água derrubando inocentes. Uma das aeronaves derrubou o Triskelion, cortando-o pela metade. Steve e Bucky lutavam novamente, enquanto um ponto vermelho estava jogado como um pedaço de bosta esquecido num canto. — Sokovia. — imagens de pessoas correndo desesperadas para os “barcos” da SHIELD apareceram, ela viu a si mesma criar adagas do nada, atirando contra algumas armaduras de Ultron. Mais uma vez, o Hulk também teve seu “momento de estrela”, destruindo alguns prédios enquanto lidava com os robôs do mal. A cidade passou a levitar, e parecia que ela estava revivendo tudo outra vez. — Lagos... — então, as imagens dela segurando Rumlow surgiram. Ela viu-se envolta na bola de energia vermelho-sangue, seus olhos eram uma fúria vermelha, que Lynna mal se reconheceu. Do ângulo em que estava, dava claramente para ver o momento em que ela lança o ex-agente da Hydra contra o prédio, mas não mostra o mesmo esfaqueando-a, o que a deixou momentaneamente intrigada. Seu protesto morreu em sua garganta quando ela viu os corpos cobertos de fuligem, os bombeiros retirando as vítimas dos escombros, muitas delas com membros perdidos.

Aquilo fez seu coração apertar e ela começou a tremer ainda mais. Estava com medo de que estivesse batendo o queixo.

Nat apertou sua mão por baixo da mesa.

Viu? Não importa quem deu a ordem, quem se fode é sempre quem executa, Pétala voltou para azucriná-la.

Mas você é totalmente inocente, ela disse com sarcasmo.

Acredite neles, e estará perdida.

— Ok, já chega. — ela ouviu a voz de Steve por cima do barulho que estava em sua cabeça.

Ross desligou a tela.

— Nos últimos quatro anos vocês operaram com poder ilimitado e sem supervisão. A ideia de desvincular-se da SHIELD após a queda do Triskelion, formando uma organização paralela ao órgão de espionagem é uma situação que os governos do mundo não podem mais tolerar. — ele voltou a falar, com uma expressão “suavemente” severa. — Mas acho que temos uma solução. — seu assistente entregou-lhe um “livro” grosso, ele o colocou na mesa e arrastou para Wanda, que estava mais próximo dele. — O Acordo de Sokovia. — ela viu o nome do documento impresso que a castanha lia, e aquilo lhe deu péssimas impressões. Ela não precisava ser uma vidente para saber a merda que aquilo traria para o grupo. Isso é tudo culpa minha, sua mente sussurrou. — Aprovado por 117 países, estabelece que os Vingadores não devem mais ser uma organização privada. Ao invés disso, eles operarão sob supervisão de um painel das Nações Unidas, apenas quando e se esse painel julgar necessário.

— Os Vingadores foram formados para tornar o mundo um lugar seguro. — o loiro voltou a falar, pelo seu canto do olho, ele estava encarando o documento, seus olhos estavam levemente inchados, mas ela não quis se aprofundar nisso. Ele esteve chorando por causa dela e isso a fez se sentir culpada. Ela não queria que ele sofresse por ela. — E nós conseguimos isso.

— Diga-me Capitão, você sabe onde Thor e Banner estão agora? — Ross rebateu e Steve ficou calado, apenas encarando-o. — Se eu perdesse duas bombas atômicas, pode apostar que haveriam consequências.

Lynna teve que respirar bem fundo para não dar um soco no meio da cara daquele filho da puta sem pinto. Ele realmente acabou de chamar Bruce e Thor de bombas atômicas? Os mesmos caras que eram como rolinhos de canela?

Sim, eles eram poderosos, e sim, juntos eles devem ter poder para destruir um planeta inteiro.

Mas até mesmo o mais vil dos vilões, ainda não merece tamanho tratamento. Esse homem é totalmente um “close errado”.

— Compromisso... e garantias. É assim que o mundo funciona. — o Secretário começou a circular pela sala, gesticulando. — Acreditem, esse é o meio-termo.

— Então, existem contingencias... — Rhodey se pronunciou.

— Em três dias a ONU se reúne em Viena para ratificar o Acordo. Passar a limpo... — Ross respondeu.

— E se tomarmos uma decisão que vocês não gostem...? — Nat perguntou.

— Então se aposentam. — o homem respondeu. — E no mais terrível dos casos... detenção.

Lynna teve plena certeza de que ele olhou diretamente para ela antes de sair.

*

Logo após a saída da aeronave do Secretário de Estado do Complexo, o clima que já era tenso, ficou ainda mais pesado.

Ela estava sentada no sofá da sala de estar, ainda enrolada em sua manta rosa e felpuda, olhando para um ponto fixo em cima da mesinha de centro, mas sem estudá-lo afundo. Sua mente estava lerda, ela mal registrava a picuinha entre Rhodes e Samuel, até que Visão começasse a falar, mas ela também o ignorou.

Ele estava falando sobre uma equação, que falava sobre como as ameaças de extermínio global haviam se intensificado após o surgimento dos Vingadores, porque isso gerava desafios, e esses desafios incitavam conflitos e que esses conflitos acabavam em catástrofe e blá, blá, blá...

Bem, ele não estava de todo errado. Mas talvez ela não quisesse debater. Ela não estava com cabeça para isso.

— Tony... — Nat se pronunciou, encarando o bilionário, que estava jogado numa poltrona, cobrindo o rosto com a mão esquerda. Ele parecia bem ruim, mas nesse ponto... quem não? — Você está sendo estranhamente não falante...

— Isso é porque ele já tomou sua decisão. — Steve disparou, abaixando a mão do documento do Acordo que ele lia repetidamente.

— Garoto, você me conhece tão bem. — o moreno disse, sarcasticamente. — Na verdade, estou cuidando de uma dor de cabeça eletromagnética. — ele começou a circular para a área da cozinha. — Isso é o que está rolando, Cap... apenas dor. — aquilo fez um arrepio subir por sua espinha. Por culpa minha, pensou. — Isso é desconfortável... — ele aproximou-se do balcão — Ok, quem está colocando pó de café na pia? Eu estou dando abrigo para uma gangue de motoqueiros, agora? — ele estava enrolando. Caminhou até chegar à fruteira, onde colocou seu celular entre as laranjas, mostrando a imagem de um jovem negro, que estava sorridente num local que ela parecia conhecer. — Oh, este é Charles Spencer, a propósito. — ele fingiu estar surpreso. — Ele é um bom rapaz. Possui diploma de engenharia da computação, 3.6 GPA, tinha um emprego bom na Intel, planejado para começar no outono... mas antes, ele queria colocar algumas milhas em sua alma, antes de se esconder atrás de uma mesa. Ver o mundo... estar fora de serviço. — ele suspirou, para depois olhar para o time. — Charles não queria ir à Vegas ou Fort Lauderdale, coisa que eu faria... ele também não foi à Paris ou Amsterdam, que seria muito divertido. Não, ele decidiu passar o verão dele construindo casas sustentáveis para os pobres. Chutem onde...? — Sokovia... — Sokovia. — Tony respondeu seus pensamentos. Ele parecia bem perturbado, a seu ver. — Ele queria fazer a diferença, eu suponho. Mas nós não poderemos saber, pois derrubamos um prédio em cima dele enquanto estávamos arrasando. — seu discurso parecia ter acabado quando ele tomou o gole de café, mas ela estava preparada para mais. — Não há nenhum processo de tomada de decisão aqui. Nós precisamos ser controlados. De qualquer forma que isso vier, eu estou dentro. — ela engoliu em seco. Nem em seus pensamentos mais sórdidos, esse futuro para o time era sequer viável. Uma aura ainda mais pesada se apossou da sala. — Se nós não podemos aceitar limitações, somos desgarrados... nós não seremos melhores do que os caras maus.

Ela ficou calada, mais porque não queria discutir, do que por discordar totalmente das palavras do amigo.

E também havia o agravante de que ela não queria ser expulsa do Complexo, ou terminar presa numa cadeia federal ou internacional de segurança máxima.

Como minha vida foi tomar esse rumo tão perdido?

— Tony, se não conseguir salvar alguém, não pode desistir. — Steve argumentou.

— Quem tá desistindo? — ele rebateu.

— Estaremos se não nos responsabilizarmos pelas nossas ações. — o loiro replicou. — Esse documento só transfere a culpa.

— Desculpe, Steve... isso é perigosamente arrogante. — Rhodes se pronunciou. — Estamos falando das Nações Unidas, não é do Conselho de Segurança Mundial, não é da SHIELD e nem da Hydra...

— Não, mas é comandado por pessoas com ideais e ideais se alteram... — ele o cortou.

— Isso é ótimo. — Tony o interrompeu, começando a circular pelo local. — É por isso que estou aqui. Quando percebi do que minhas armas eram capazes nas mãos erradas, eu encerrei, parei de fabricá-las.

— Tony... você escolheu fazer isso. Se assinarmos, estaremos cedendo o nosso direito de escolher. — porque Steve sempre parecia estar dando uma bronca em alguém? Era apenas uma curiosidade. E a propósito, Tony meio que merecia uma agora. — E se esse painel nos mandar para um lugar que nós não queremos ir? E se algum lugar precisar de nós e permitirem? Podemos não ser perfeitos, mas as mãos mais seguras ainda são as nossas.

— Se não fizermos isso agora, vai ser imposto a nós mais tarde. — O moreno insistiu. — Isso é o fato. E não vai ser bonito.

— Eles virão atrás de mim. — Lynna praticamente não sentiu as palavras saírem de sua boca, até que todos os olhos da sala estavam em cima dela. — Não soa tão apetitoso para os governos desses 117 países colocar as mãos numa espiã soviética? — espera, sua voz estava tremula? — O Acordo parece mais uma desculpa.

Merda, deveria ter sido o choro.

— Isso não chegará a tanto. — Visão, ao lado de Wanda, falou. — Nós não permitiríamos tal coisa.

Ela deu um maneio de cabeça, mas não acreditou em suas palavras.

— Talvez o Tony tenha razão. — Natasha falou, atraindo a atenção de todo mundo para ela, graças a Deus. Só que ela estava bem louca. — Se tivermos uma mão no volante ainda poderemos conduzir. Se tirarmos...

Eles vão nos fazer ser os macacos dançantes deles, Tasha. Isso é o que esse bando de cabeças duras não entendem!

— Espera aí... você é a mesma mulher que mandou o governo se ferrar há alguns anos? — Sam perguntou perplexo, se referindo ao evento do filho de uma cachorra do Ultron vazando alguns dados importantes da SHIELD e da Hydra para a internet. Uma das pessoas comprometidas foi Nat.

— Eu só estou... avaliando o terreno. Nós cometemos alguns erros bem públicos... eles tem que voltar a confiar em nós. — ela rebateu.

— Eles nunca vão confiar em nós, Tasha, eles farão de nós a alegoria deles, os bonequinhos da justiça, os troféus raros que eles não terão medo de exibir. — Lynna finalmente disparou, cansada da discussão. — E não demorará para nós nos tornemos suas marionetes. Hydra ou Nações Unidas, qual a diferença entre eles quando pessoas ambiciosas estão no poder?

Steve a encarou, e aquilo a fez estremecer um pouco.

— Então, você é contra...? — ele perguntou, seus olhos brilhavam esperançosamente.

Ela cedeu os ombros.

— Esse é o maior problema aqui, Capitão. — respondeu-lhe, lutando contra os sentimentos que nutria por ele, tentando não parecer tão dura quanto a sua expressão demonstrava. — Ao contrário de todos vocês, eu sou a única que não tem o direito de escolha. — levantou-se sem perceber que estava tremendo mais que vara verde. — Ross deixou isso bem claro, se ainda não perceberam. É por isso que é tão fodido. — respirou fundo, tentando controlar as lágrimas, que eram inevitáveis. Ela nunca esteve tão sensível quanto agora. — Com licença.

Então saiu da sala, correndo para as escadas, com medo de que todo mundo pudesse escutar o seu choro alto.

*

Seu telefone tocou no momento em que Anna havia corrido para fora da sala. Era uma mensagem de Sharon.

Ela se foi em seu sono, era o que o texto dizia.

Seu coração despencou.

Rapidamente, Steve se levantou.

— Eu preciso ir. — foi tudo o que disse, antes de correr para fora.

Ele subiu pelas escadas até o seu apartamento, parando bruscamente ao ouvir o choro lamentoso da sua Anna. Ele queria tanto ajudá-la. Ergueu a mão para bater na porta, fosse para arrombá-la ou para simplesmente tocar a sua superfície, mas parou no ato, com as palavras dela retumbando em sua mente.

Quer me ajudar? Ótimo! Ajude-me com isso: Me dê um tempo. Um tempo para eu alinhar meus pensamentos e entender o que porra está acontecendo com a minha vida. É disso que eu preciso agora. De tempo.

Por mais que ele tivesse concordado em lhe dar o que ela estava pedindo – ele sempre daria tudo o que ela queria –, este pedido estava sendo algo muito difícil e amargo demais para ele. Estar tão perto... e ao mesmo tempo tão longe... querer abraça-la, amá-la, mas ser impedido por uma promessa...

Steve sempre cumpria suas promessas, mas ele não queria cumprir essa, ele não queria se separar dela.

Encostou a testa na madeira, por fim, ouvindo o choro dela e permitindo que suas lágrimas também descessem. Ele estava perdendo dois amores de sua vida ao mesmo tempo. Não havia como ser forte agora.

Uma mão quente envolveu seu ombro. Era Nat. Ele nem precisava virar.

— Prometa-me que vai cuidar dela. — sussurrou, quase inaudivelmente, mas sabia que a Viúva havia escutado. — Prometa que não vai permitir que ela machuque a si mesma.

— Não precisa me pedir duas vezes. — foi tudo o que ela disse, antes de ele finalmente escapar para seu apartamento completamente vazio.

O cheiro dela ainda estava por toda parte, assim como suas muitas roupas espalhadas. A mala de viagem dela ainda estava no canto de seu quarto, intocada. Ele sentou-se na cama e capturou a blusa roxa de seda que fazia parte do babydoll dela, levando-a ao nariz, sentindo seu aroma ainda fresco, como se ela tivesse acabado de retirá-lo.

Arrumou uma mala pequena e mandou um texto rápido para Sam, então colocou a blusa no topo da pilha por fim, decidindo levar parte de sua violeta consigo.

Encontrou o amigo lá fora. Ambos se prepararam para a viagem.

Ele precisava dizer adeus para Peggy, seu primeiro amor, apesar de ter seu mundo inteiro desabando.

*

Apesar de tanta dor que ele estava sentindo, Steve não conseguiu imaginar como arranjou coragem para fazer aquilo. Ele foi um dos homens que carregou o caixão dela. Ele precisava fazer isso. Era o seu dever.

Dizer adeus a alguém que se ama é sempre algo muito difícil. E ele não queria dizer adeus a mais ninguém. Ele já havia perdido muito, e tudo isso num curto espaço de tempo. Sua vida estava uma porcaria agora.

Ele podia ser o homem mais forte dentro daquela igreja, mas carregar o caixão de Peggy foi a coisa mais pesada de sua vida.

Ela confiou nele quando o mundo lhe virou as costas, e agora ele a perdeu. Como perdeu sua pequena chama de esperança. Como ele poderia voltar a sorrir para a vida, liderar um grupo de desajustados e lidar com toda a merda do Acordo de Sokovia assim?

Sentou-se no banco, fechando os olhos, sucumbindo à dor, até que Sam o cutucou para ouvir as palavras de Sharon. Foram bonitas palavras.

Ele descobriu que a loira era sobrinha de seu antigo amor, quando estava “ilegalmente” avaliando os perfis de alguns agentes da SHIELD. Supostamente, ele não tinha acesso àqueles documentos, mas Fury não o parou. Isso foi depois do Soldado Invernal arrombar a parede do prédio em que ele morava, em busca da parceira dele.

Naquele dia, ele soube que proteger o ser teimoso de cabelos de fogo era a sua segunda natureza.

Ele e Sharon conversaram após a sua descoberta, e se tornaram amigos. Amigos de verdade, apesar do que Natasha havia insinuado, ele não havia nutrido sentimentos pela agente. Eles estavam bem do jeito que estavam.

O que foi meio engraçado ele quase ter sido metralhado pela sua... o que ela era dele agora que eles haviam “dado um tempo”? Ele não entendia como essa “metodologia de relacionamento” funcionava nos dias atuais. Ok, nem nos tempos antigos também.

Bem, foi engraçado vê-la vermelha de raiva quando jogou a arma em cima dele. Ele teve que verdadeiramente se controlar para que sua gargalhada estrondosa não a atiçasse e ele acabasse morto.

Parece que isso jamais se repetiria...

Ele esperava que sim, ele esperava que ela reconsiderasse, que ela permitisse deixá-lo entrar.

Se talvez ele achasse Bucky... eles foram amigos por muito tempo, talvez os dois ainda tivessem alguma chance com a ajuda do melhor amigo deles...

Respirou fundo, tentando se concentrar nas palavras de Sharon, mas isso foi um jogo perdido.

No fim da cerimônia, ele teve uma surpresa. Nat estava ali. Ela estava elegantemente vestida com seu conjunto preto.

Ele encarou-a, para depois olhar para o chão.

— Quando eu saí do gelo, pensei que todos que eu conhecia estavam mortos. — disse, sua voz saiu pesarosa. — Então eu descobri que Peggy estava viva... eu fui muito sortudo em tê-la.

— Ela te teve de volta também. — a amiga disse, compreensivamente.

Ele assentiu.

Ela está bem? — questionou-a. Na verdade, essa era a pergunta que começou a vibrar em sua mente desde o momento que ele colocou os olhos nela.

— Está trancada em seu quarto. — respondeu-lhe. — Sabe como ela é quando está chateada... ela se isola do mundo e agora não é diferente. Hanna estava tentando fazê-la comer. Acho que conseguiu algo... aquela criatura sabe ser bastante assustadora quando quer...

Riu baixinho, fazendo-o imitá-la.

Han era incrível. Ela conseguiu bater num deus com sua própria arma, então ele não ousava dizer o contrário, ou sequer contrariá-la.

— Quem mais assinou? — encostou-se no banco, encarando Nat nos olhos.

— Tony, Visão, Rhodey. — a ruiva respondeu.

— Clint?

— Ele disse que está aposentado.

— Wanda, Pietro e Hanna?

— Estão pensando.

Ele assentiu.

Estamos indo à Viena para a assinatura do Acordo. — ela disse com um tom esperançoso, então ele soube que sua pequena violeta também estava no meio disso. Era a última coisa que ele queria para ela nesse momento. Ela já havia passado por tanta coisa ruim... mas era teimosa de mais para aceitar a ajuda dele. — Há bastante espaço no jato... — ele suspirou, baixando a cabeça. — Olha... só porque é um caminho de menor resistência, não significa que é o caminho errado. Ficarmos juntos é mais importante do que como ficaremos juntos.

— E do que estamos desistindo para que isso aconteça? — ele questionou-a. Ela soltou um suspiro. — Eu sinto muito, Nat. Eu não posso assinar.

— Eu sei. — disse seguramente.

— Então, o que está fazendo aqui?

Ela sorriu minimamente. Aquela era uma das raras vezes em que ele via a verdadeira Nat, por trás da armadura de indiferença em que ela constantemente estava vestida.

— Eu não queria que você ficasse sozinho. — ele desarmou-se, abraçando-a quando a mesma puxou-o pelo ombro. — Vem cá. — apertou-o contra si, afagando seu cabelo como uma mãe zelosa. — Vocês crianças vão me deixar de cabelos brancos um dia. — ele acreditava que essa frase não era para ele ter escutado, mas era impossível que qualquer ruído mínimo não passasse por seus ouvidos.

— Você não pode deixá-la assinar. — ele disse por fim, afastando-se da amiga. — Ela estará fazendo isso por medo, e isso dará autonomia para eles acharem que pode controlá-la. Ela já passou por muita coisa ruim, Nat.

A Viúva sorriu para ele, afagando seu ombro.

— Não se preocupe, Lynna está segura em minhas mãos. — há sérias dúvidas. — E devolva a blusa do babydoll dela, tome vergonha na cara, homem! — ele franziu o cenho, fingindo não saber do que ela estava falando. — Você sabe o que é lidar com uma princesa russo-asgardiana fungando muco, achando que a Hydra invadiu o seu ninho de amor e roubou suas coisas? É a cor favorita dela, Steve! Não me faça arrancar isso de você.

Ele riu, sentindo suas bochechas corarem. Casualmente, colocou as mãos nos bolsos da calça.

— Algum dia. — respondeu petulantemente.

Ela revirou os olhos.

— Você tem um apresso estranho pela morte, Rogers. — então saiu, deixando-o sozinho na igreja escura.

Seus dedos deslizaram pelo tecido macio escondido em seu bolso direito, fazendo-o sorrir, apesar de toda a tristeza. Ele orou para que sua princesse estivesse bem. Que ela voltasse a permitir amá-la outra vez...

Ele não podia perder mais nada nessa vida. E perdê-la não era sequer uma opção para ele.

Logo agora que ele planejava pedi-la em casamento...

Por que a vida tem dessas coisas? Quando tudo estava bem, daí vem um balde de água fria...?

Notas finais
E aí? Vontade de dar um cascudo em Steve, não é? Até sexta!