The Captain and The Petal.
43 Forty-first Chapter. - Vienna and the bomb.
Notas iniciais

Viena e a bomba.
— E quanto a blusa do meu babydoll? Ainda nada? — ela não queria ser tão birrenta por causa de uma parelha de roupa aparentemente insignificante, mas aquela peça tinha um valor sentimental para ela, e agora que ela estava sem a pessoa que havia lhe dado, o babydoll era tudo o que lhe restava de memória.
Nat cruzou os braços na altura do peito, encostando seu quadril na moldura da porta do quarto de Steve, olhando para a bagunça que elas haviam formado procurando o par do conjunto.
Havia uma insinuação de sorriso repuxando seus lábios, mas ela não fez nada além disso.
— Você não a deixou em outro lugar? — Wanda questionou-a, caminhando de um lado para o outro, ajudando Hanna a arrumar a bagunça que elas fizeram.
— Eu tenho certeza de que deixei bem aqui! — ela apontou para a gaveta que ela havia roubado dele. Bufou.
— Acho que está em Nárnia agora. — Han deu de ombros. — Eu desisto.
Lynna encolheu os ombros, olhando melancolicamente ao redor. Aquele quarto possuía tantas memórias que ela não conseguia contar. Todos os bons momentos que ela havia vivido... e agora tudo parecia ter ido por água abaixo. Seus olhos encheram de lágrimas e ela soluçou.
Foi involuntário. Ela não queria que as meninas ouvissem.
Contudo, três pares de braços se amarraram ao redor de seu corpo, apertando-a fortemente, enquanto ela continuava a soluçar.
— Eu juro que estou tentando me colocar em seu lugar. — Hanna sussurrou com a cabeça encostada em seu braço direito. — E também ficaria mal se eu machucasse alguém que eu amo, mas você sabe que ambos estão se ferindo aqui, não é? Os dois merecem ser felizes. — então ela beijou sua pele exposta. — Você não pode permitir que eles vençam.
Ela assentiu. Ela não queria argumentar agora. Não quando Han estava certa.
*
As meninas passaram o resto do dia no apartamento do Cap, coletando as coisas que Lynna havia involuntariamente trazido para se aconchegar com ele. Aquilo definitivamente não era uma despedida. Mas também não fazia sentido que ela estivesse ocupando o lugar do loiro, quando eles haviam esfriado um pouco mais as coisas entre eles.
Ela guardou tudo em seu respectivo lugar, colocando o short roxo de seda pendurado na chapeleira. Virou sua meta de vida encontrar o par dele. Ela não iria perder essa memória.
Nat bateu à porta.
— Ei, eu não queria interromper a sua arrumação, mas... — ela colocou a cabeça para dentro. — Se você quiser ir para Viena, sua chance é agora.
Seus músculos retesaram.
Algo lhe dizia que ela não deveria ir para Viena, mas seu coração lhe dizia para ir, porque ela precisava.
Além disso, ela também devia ir, para mostrar à lagartixa albina do Thunderbolt Ross, que ela estava disposta a concordar com o Acordo. Isso o tiraria de sua aba. E talvez mostraria ao mundo que ela não era o monstro que a TV estava pintando. Pelo menos era isso o que o seu lado um pouco mais otimista pensava.
Mordeu o lábio e assentiu.
— Estou indo tomar banho. — anunciou.
*
Eles saíram à noite, para que pudessem estar na Áustria pela manhã.
O trajeto do quinjet foi silencioso.
Lynna passou a viagem inteira ouvindo músicas tristes, apenas para aumentar a sua aura de cemitério. Ainda bem que a Pétala não a perturbou, isso foi o bônus.
Contudo, uma vez que a Pétala não havia lhe enchido o saco, tinha seus pressentimentos para fazer o trabalho por ela.
Desde que saíra do complexo, a ruiva não parava de sentir arrepios que lhe diziam que alguma merda estava prestes a acontecer. Ela não conseguia ver o que era, seus poderes infelizmente não funcionavam do jeito que ela queria, então ficava apenas aquela angústia na boca de seu estômago.
Eles vestiram-se no hotel.
Ela estava usando um conjunto azul escuro, que Nat havia conseguido esconder alguns coldres de facas nele. Seus cabelos foram amarrados em um coque elegante e sua maquiagem era leve. Ela havia surrupiado um liptint de Hanna e agora retocava o vermelho natural de seus lábios.
Ela, Wanda e Pietro, que ainda não haviam assinado o Acordo, haviam ficado no Complexo. Talvez Han houvesse ido para a faculdade. Ela já estava terminando, e estava começando a estagiar no Complexo. Ela tinha um laboratório próprio graças a Tony.
Ela seria eternamente grata pelo bilionário ter feito essa surpresa para a pequena, por mais que não concordasse com algumas atitudes dele.
Como a de trancar os gêmeos no Complexo com Visão os supervisionando por culpa dela, porque agora a mídia estava atacando os “tubos de ensaio da Hydra” – como eles os haviam intitulado – e corria o risco deles serem hostis com os meninos, eles eram apenas crianças.
Steve não era visto há mais de uma semana. Ele já era meio que considerado um criminoso por isso, por desafiar o governo do país cuja bandeira ele carregava no peito.
As revistas de fofoca estavam em polvorosa com isso, dizendo coisas como “ESTARIA A PÉTALA AMALDIÇOADA DESVIRTUANDO O SENTINELA DA LIBERDADE CONTRA SEU PRÓPRIO PAÍS?”, ou a sua matéria preferida: “LYANNA ANGIANOVA, A YOKO ONO DOS VINGADORES”.
Auge!
— Está pronta? — Nat perguntou, vendo-a terminar de colocar seus brincos de pérola.
Bem, essa era uma pergunta muito complexa.
Ela estava pronta?
Lynna sabia, que no minuto em que colocasse o pé para fora daquele hotel na direção do prédio das Nações Unidas, sua vida jamais seria a mesma.
Respirou fundo e ajustou o blazer em seu corpo.
Sua amiga levantou a sobrancelha, cruzando os braços.
— Você está parecendo a secretaria sexy de alguém. — só aquela idiota para fazê-la rir quando ela estava praticamente colocando os bofes para fora.
— Besta. — resmungou, andando para o corredor, trancando a porta do quarto com o cartão, para depois colocá-lo no bolso do blazer.
Natasha soltou um suspiro, encarando-a firme e ao mesmo tempo preocupadamente.
— Você sabe que haverão milhares de abutres lá fora querendo um pedaço de você, não sabe? — perguntou.
A outra ruiva se encolheu.
— Eu sei, mas eu não posso permitir que eles vençam. Eu estou no controle, não é isso? — arqueou a sobrancelha.
A mais nova assentiu.
— Exatamente. Não deixe que eles farejem o seu medo. — e com isso, elas caminharam até o carro.
Ela queria dizer que foi treinada para isso, mas ficou quieta. De uns dias para cá, ela só queria evitar a fadiga.
O trajeto não demorou muita coisa.
Antes de entrar, Lynna checou o entorno, feliz que o motorista havia as deixado no estacionamento contrário ao que o bando de repórteres famintos por notícias sensacionalistas sobre ela estavam.
Apesar de estar um pouco visivelmente estranho, Tony vestiu bem sua máscara de indiferença costumeira.
Eles adentraram a sala já lotada e praticamente todos no recinto pararam para olhá-los. O moreno, sempre querendo ser a estrela do rock, atraiu o olhar dos repórteres, o que lhe ajudou a escorregar para o lugar marcado com o seu nome, que ficava bem ao lado do de Nat, que nesse exato momento conversava com o príncipe T'Challa, de Wakanda.
O pai dele, o rei T'Chaka, havia interrompido sutilmente a conversa dos dois. Um segundo depois disso, ambos o chefe de estado, e seu aprendiz, olharam para ela. Lynna recebeu um aceno de cabeça satisfeito do rei de Wakanda, que fez suas bochechas rosarem.
Seus pelos de ambos os braços se arrepiaram e um ar gelado soprou em sua espinha, fazendo-a tremer suavemente. Se alguém visse de longe, imaginaria que ela se sentia um pouco incomodada com o ar-condicionado, como a maioria das senhoras que não havia trazido um casaco consigo estavam.
Uma intuição ruim estava disparando na boca de seu estômago.
Nat sentou-se ao seu lado e o rei T'Chaka iniciou seu discurso, que particularmente, ela não prestou atenção em nada, apenas concentrada no príncipe wakandano, que observava o movimento da rua pela janela de vidro.
Lampejos de algo explodindo vieram rápido na sua direção. Só deu tempo dela se jogar contra Natasha, antes que um barulho ensurdecedor atingisse o prédio, após o grito agoniante do príncipe.
Lynna tremia acima de Nat, tateando seu corpo para ter certeza de que a amiga estava viva, só sossegando quando a ouviu tossir copiosamente. Ela não tinha nenhum arranhão grave, graças aos céus.
— Você viu isso? — ela sussurrou para si.
A outra ruiva assentiu.
— Não deu tempo de avisar, foi tudo muito, muito rápido. Eu nunca tive insights tão rápidos assim. — respondeu-lhe tremulamente. — Eu sinto muito... — fungou, para depois engasgar-se.
Natasha se pôs sentada, embalando-a confortavelmente em seus braços, levantando as duas, para depois começarem a andar pelo mar de pessoas apavoradas.
Pelo seu canto do olho, ela viu T'Challa curvado para o púlpito, onde jazia o corpo sem vida de seu pai.
Os olhos dela marejaram.
É tudo minha culpa. Eu deveria ter visto isso chegar.
Tony as encontrou no meio do corredor.
— Graças a Deus! — ele disse desesperadamente. — Eu pensei o pior!
Nat abraçou-a contra si.
— Está tudo bem, nenhum arranhão. — ela disse para o moreno. — Mas nós teremos que levá-la para um lugar arejado. Ela está entrando em um colapso nervoso. — indicou a amiga enrolada em si.
Tudo o que a ruiva mais alta conseguia processar em sua mente era: a culpa é minha, eu deveria ter visto isso chegar.
Eles estavam prestes a atravessar o hall, onde todo um aparato estava sendo imediatamente montado para as vítimas, quando a agente Sharon Carter, a última pessoa que ela esperava ver, apareceu na frente deles. A cara dela era bem séria, então ela deduziria que era algo bem urgente.
— Senhor Stark, senhoritas Romanoff e Angianova, o Secretário Ross deseja ter uma reunião de emergência com vocês. — ela disse num fôlego só.
A loira vestia um uniforme diferente desde a última vez que se viram. Ela trabalhava para a CIA agora?
Ignorando sua mente em looping, Lynna acompanhou Nat e Tony para o elevador, enquanto Sharon caminhava na direção oposta a deles.
A sala onde o holograma de Ross os aguardava era bastante ampla para três pessoas.
A ruiva mais alta sentou-se na cadeira de aparência mais confortável, ficando exatamente de frente para o dito cujo. Sua mente ainda estava se realinhando, mas ela permaneceu com a cabeça erguida.
— Nossas câmeras acabaram de captar a pessoa que detonou a bomba. — ele disse, sua voz era severa. — O terrorista soviético conhecido por Soldado Invernal. — seu sangue gelou e ela “despertou” na hora. Uma imagem borrada de uma câmera de segurança mostrou um cara que aparentemente, era idêntico a Bucky, exceto que havia um “porém”. O Soldado Invernal jamais se deixaria ser pego por qualquer coisa. Essa foto estava muito boa demais para ser verdade. O homem estava olhando para a câmera e a primeira lição que lhes é dada, mesmo na Sala Vermelha é nunca, jamais, em hipótese alguma arruíne seu disfarce. Bucky, seja ele o Soldado Invernal ou não, jamais faria isso. Contudo, ela ficou quieta, maxilar travado, cara de boneca de cera. — Me diga, Angianova, o quanto você tem parte nisso? — o holograma filho da puta encarou-a.
Lynna apertou as mãos nos braços da cadeira.
— Eu e James Buchanan Barnes não temos mais nenhum contato desde que ele me libertou da Hydra. — ela disse num fôlego só, cada palavra que havia saído de sua boca fora afiada, seu sotaque estava em todo lugar. — O que está insinuando, senhor Secretário?
Aquele homem a odiava, só pode. Ele estava marcando-a.
Imagens dela pulando para proteger Natasha três segundos antes do príncipe T'Challa se desesperar e tentar se jogar para proteger seu pai dispararam na tela, fazendo-a querer revirar os olhos.
— É isso? Esse é o motivo que me envolve a uma trama terrorista? — perguntou friamente sarcástica. — Com todo respeito, senhor Ross, mas o senhor deveria ter lido meus arquivos, antes de sair por aí tirando conclusões precipitadas. — ela suspirou. — Acontece, senhor Secretário, que o senhor pode não acreditar nisso, mas no lugar onde eu nasci, é normal que a maioria das crianças, ou pelo menos as crianças de sangue real, possuam poderes. Caso não saiba, Thor Odinson é meu primo de sangue e eu possuo poderes. E um desses poderes é prever o futuro. O senhor pode não acreditar, mas é isso o que eu faço. Agora querer relacionar o surto que eu tive, um ato de tentar proteger a minha melhor amiga com um atentado terrorista é muita idiotice.
Nat arregalou os olhos para ela.
— Lynna... — ela começou.
— Não, senhorita Romanoff, permita que a senhorita Angianova finalize seu discurso. — Ross estendeu a mão para a outra ruiva, que paralisou.
Ela jogou uma mecha de cabelo desalinhado para trás da orelha, pronta para o embate.
— Então, se a senhorita possui mesmo esse dom, por que não comunicou antes, se conseguiu salvar a vida de Romanoff? — nossa, típico desse tipo de povinho perguntar uma coisa tão besta como essa!
— Como pode ver, Secretário, se o senhor tivesse lido qualquer um dos meus arquivos, saberia que eu fui sequestrada pela Hydra e eles me transformaram na Pétala Amaldiçoada. — ela arqueou a sobrancelha. — E devido aos anos de literal escravidão, eu nunca pude controlar meus verdadeiros poderes, o que significa que eu não posso simplesmente fechar os olhos e ter insights de eventos futuros! Isso daqui não são As Visões da Raven!
Ela ouviu Nat controlar o riso.
Ele ficou com cara de cu para o lado dela, mas ela sabia que estava certa.
Na verdade, ela estava para lá de puta.
— Os agentes do governo estão à procura de seu antigo parceiro. — ele voltou a falar. — Se eu souber que você teve envolvimento neste atentado, pode ter certeza de que as medidas serão severas.
Ok, já chega.
Lynna levantou-se de supetão, tão irada, que sua expressão poderia ser assassina, que ela não ligava.
— Escute aqui, seu projeto de merda desgraçado, eu dei minha vida para salvar a sua excelentíssima bunda branca, seu idiota! — ela rosnou. — Não é só uma falta de profissionalismo seu, como é uma falta de respeito para comigo, tratar-me como uma condenada quando sequer há provas contra mim. Eu errei quando lutei contra Brock Rumlow na Nigéria, sim eu errei. Mas também reconheci meus erros e estou concordando com o circo que você está montando. E eu não vou aceitar que me trate assim, como uma criminosa, quando tudo o que eu estou fazendo, desde que fiquei livre da Hydra, foi lutar para que nenhuma pessoa precise passar pelo mal que eu passei. — ela avançou para a porta. — Você me odeia, fantástico! Eu também não sou sua fã. Mas guarde isso para você. Em relação aos Vingadores, eu sou um membro do time, e se você não vê isso como algo comum, então, você não é a pessoa certa para tratar desse assunto. Passar bem.
Então, ela saiu da sala, batendo a porta.
Ela estava com muita raiva, mas também estava muito magoada por estar sendo tratada como criminosa, sendo que ela não havia feito absolutamente nada! Ela era uma pessoa que odiava injustiça, e aquilo era definitivamente um caso disso.
Choramingou baixinho, encolhendo-se num canto.
Você provocou os heroizinhos, achou mesmo que iria escapar ilesa?
— Me deixa em paz! — ela sussurrou, com a boca cheia de saliva por conta das lágrimas que desciam copiosamente por seu rosto e ela bebia livremente.
Rolou para o chão, sabendo que onde ela estava, era um lugar inacessível, então poderia chorar o quanto quisesse que ninguém a veria para curtir a sua miséria.
Eu deveria ter ido com Steve, sua mente murmurou. Eu deveria ter ido com ele.
Santo Deus, eu me arrependo tanto.
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