The Captain and The Petal.

44 Forty-second Chapter. - A kiss of deception.


Notas iniciais
Ois! Eu só queria dizer que eu chorei muito escrevendo esse capítulo. Foi um dos mais difíceis para mim, e a partir desse é só ladeira abaixo (sorry pelo spoiler). Boa leitura!

Um beijo de decepção.

— Nós o encontramos. — aquilo faz com que seu sangue gele. — Ele está escondido num prédio abandonado em Bucareste, na Romênia.

Lynna fecha rapidamente o livro que está lendo, jogando-o do outro lado do quarto, independente se havia marca paginas nele ou não. Ela joga as longas pernas para fora da cama, alcançando Nat magicamente em cinco passos largos.

— Eu estou indo. Não importa o que você me diga, não importa se Ross tem uma birra comigo, eu não ligo. Eu vou e eu vou prendê-lo. — suspirou. — Antes eu, que qualquer um outro possa fazer algo terrível para ele. E eles definitivamente não estão mandando Carter no meu lugar!

Ela adentrou o closet da base e capturou seu traje, arrancando suas roupas, para depois vesti-lo. Calçou as botas e depois as luvas sem dedo, para depois preparar seu aparato.

Tony as encontrou no meio do corredor. Seus olhos se arregalaram.

— Ah não, você não vai! — ele disse gesticulando.

— Você não é meu pai! — ela semicerrou os olhos.

— Você não pode desafiar Ross dessa forma, Lynna! Ele não quer que você se envolva nessa missão. Isso pode te colocar em problemas!

Ela colocou as mãos na cintura.

— Anthony, meu querido, eu sou uma Angianova. Eu nasci com problemas. — resmungou, saindo em disparada para a sala de comando do prédio onde eles estavam hospedados. O holograma de Ross encarou-a com a sobrancelha arqueada. — Pode ir logo cortando o showzinho, eu estou indo para a missão e não estou pedindo sua permissão. Você quer uma prova de que estou do seu lado? Pois bem, eu estou partindo agora para recuperar o meu antigo parceiro e levá-lo à justiça.

Nat encarou-a cautelosamente. Ela ia abrir a boca para falar alguma coisa, mas ficou quieta no último instante. Garota esperta.

— Muito bem, Angianova. — Ross se pronunciou. — Já que insiste tanto, você irá à Romênia e me trará Barnes.

Ela não queria ter que fazer isso. Na verdade, isso a assustava até o osso.

Bucky foi alguém que lhe deu apoio nas horas mais escuras. Ele viu o pior dela, ele curou as feridas dela. E ela estaria sendo uma vadia, prendendo-o justo agora que ele havia alcançado sua liberdade.

Mas acontece, que Lynna sabia que ele era inocente. E ela iria ajudá-lo a escapar.

Contudo, seria algo muito, mas muito difícil.

Assim como na Hydra, um teria que estar de fora para que o outro pudesse ser liberto.

Ela seria uma criminosa procurada pelas Nações Unidas, mas Bucky jamais voltaria para uma cela. Nem que ela tivesse que morrer.

— Para isso, você não precisava me dar ordens. — ela resmungou, endireitando-se.

— Um jato a espera no hangar. O senhor James Rhodes irá consigo. — o Secretário voltou a falar. — E Angianova... — ela parou no ato. — Você tem vinte e quatro horas. Um minuto a mais, e você será considerada fugitiva.

Ela não falou, apenas caminhou para fora da sala, com Nat em sua cola.

— Tem certeza de que quer fazer isso? — ela perguntou, encarando-a com preocupação. — Você sabe que tem escolha. Eu posso ir no seu lugar.

— É meu dever, Nat. — Lynna sussurrou. — Se não for eu a prendê-lo, eles o matarão. Eu ouvi quando Carter disse que eles tinham permissão para atirar nele e a última coisa que eu quero é que Bucky seja morto. Tem que ser eu.

Ela assentiu.

— Você sabe que ele vai estar lá, não sabe?

— Sei.

— E que ele vai tentar impedi-la...?

A mais velha bufou.

— Eu sei, pensa que não considerei todas as minhas opções?

Tasha segurou seus ombros e terminou de afivelar suas correias.

— Tome cuidado. Eu não quero que os dois se machuquem. — fui tudo o que ela disse antes de sumir no corredor.

A outra caminhou até o elevador, ainda ajustando seus coldres, enquanto tentava ignorar o arrepio que vinha da base de sua espinha até sua nuca, focando em sua missão. Ela tinha que trazer Bucky de volta à base antiterrorismo da CIA em Berlim, antes que as vinte e quatro horas terminassem, ou tudo isso acabaria num banho de sangue.

Ela também tinha que arranjar uma forma de atestar a inocência dele, pois no fundo de sua mente, ela se recusava a acreditar que seu melhor amigo havia cometido uma atrocidade dessa, justo agora que ele havia se livrado das pessoas que o controlavam.

Não, Bucky é inocente, até o último fio de cabelo.

Contudo, há alguém usando a imagem dele para fins nefastos.

Ela precisava saber quem era essa pessoa. E o que ela queria.

Fechou os olhos e respirou fundo, só abrindo quando as portas da caixa de metal se abriram para a luminosidade do hangar. Havia um quinjet esperando-a, com Rhodes vestido em seu traje de Máquina de Combate parado ao lado.

Ele deu-lhe um sorriso desconfortável.

— Eu sinto muito por isso, Lynna. — disse-lhe.

Ela tentou ao máximo lhe sorrir de volta.

— Tudo bem. — sussurrou. — É o nosso dever.

Bem, não era exatamente o dever dela, mas ela havia imposto isso a si mesma.

Natasha não permitiu que ela assinasse, colocando-a no mesmo patamar de Wanda, Pietro e Hanna, por mais que Lynna tivesse insistido bastante. Ela não disse suas razões, mas não precisava ser vidente para saber que havia um dedo do loiro nisso.

Seu coração pesava sempre que ela pensava nele, e em seu olhar desolado quando ela lhe disse que eles precisavam se afastar.

Ela não queria se afastar, mas tê-lo longe de si e vivo, era mais importante do que tê-lo para si e matá-lo.

Mesmo que isso os colocasse numa posição de inimigos.

A ruiva não queria que o sangue dele estivesse em suas mãos.

Subiu no jato, imediatamente indo até o arsenal e carregando seu corpo de armamento tático, que poderia alimentar um pequeno exército. Todo cuidado era pouco quando se tratava de Bucky. Ela não queria perdê-lo e estaria pronta para qualquer imprevisto que acontecesse.

Se ela tivesse que voltar a ser fugitiva, ela iria lindamente.

Possuía duas contas em nomes falsos e em diferentes bancos, cada uma com quantias razoáveis, de todos os salários que ela havia recebido desde que começara a trabalhar para a SHIELD.

Uma espiã prevenida vale por duas.

Além do mais, ela também possuía um lugar para ficar enquanto a poeira abaixava. Ela poderia esconder-se lá com Bucky...

Respirou fundo e guardou a última faca em sua cintura, feliz por ter pelo menos um plano.

*

O voo até à Romênia foi bastante tranquilo. Ela e Rhodes não costumavam conversar muito, apesar de serem bastante amigos, então não houve aquela pressão que tinha com Natasha, que por mais que ela dissesse que apoiava a sua decisão, os olhares que ela lhe dava assumidamente diziam que não.

E também com Tony, por causa da aura pesada que passou a cercá-lo constantemente. Lynna não era uma expert em psicologia, mas podia dizer que o amigo estava afundando em transtornos de ansiedade e talvez uma depressão.

Porque parece que esses eram os requisitos para se tornar um vingador, você tinha que sofrer algum tipo de trauma.

Ela também estava certa sobre Pepper. Eles haviam terminado. Ela só não sabia a causa, mas isso não importava, certo?

Por mais que ela não apoiasse as decisões dele, Tony era seu amigo, ela aprendeu a gostar dele e a passar seu tempo, ignorando o humor irritante que ele tinha. E lhe doía ver um amigo passar pelo que ele estava passando.

O quinjet deu uma guinada e ela soube que havia chegado.

Um dos soldados que estavam a cabo da missão lhes explicou a rotina de Bucky. Ele se escondia num prédio abandonado, que fora invadido por famílias pobres. Havia fotografias sobre o lugar e tudo o que tinha direito.

Ele também disse que havia uma equipe de soldados a caminho do prédio, o que a deixou puta. Era para ela estar com eles, mas claro, Ross lhes deu ordens para não. Ele não confiava nela e queria atestar isso de qualquer maneira.

Desgraçado sem pinto. — ela xingou em russo.

Um dos soldados encarou-a e ela arqueou a sobrancelha para ele, cruzando os braços, se segurando para não revirar os olhos.

— Há algo que você não vai gostar. — Rhodey apareceu na sala de comando, fazendo-a retirar os olhos do plano de ação para ele. — Cap foi visto adentrando o prédio.

Respirou fundo, controlando seus nervos.

Ela era uma garota esperta, e somando dois mais dois, ela sabia que ele iria estar lá. Era o amigo de infância dele, afinal de contas. Ela tinha que ter em mente de que antes de compartilhar sua história de dor com o moreno, ele já tinha Steve.

Assentiu.

— Nós vamos mesmo assim. — sussurrou, para depois se levantar. — Está pronto?

O amigo assentiu, acompanhando-a.

*

Eles entraram num helicóptero, ao lado do comandante. A aeronave sobrevoaria o perímetro, acompanhando o desempenho da tropa que enviaram ao encontro de Bucky, que segundo o comunicador dizia, foi derrotada por ele e por Steve.

De onde ela estava, dava para ver as asas de Sam em movimento, assim como o escudo nas cores dos EUA, que pulava de um prédio para outro, acompanhando a luta entre dois pontos borrados, que seriam Bucky e...

— Aquele homem está vestindo uma fantasia de gato? — questionou, intrigada. — Há algo sobre ele nos registros?

O comandante loiro negou-lhe.

Ela encolheu os ombros, apenas para arregalar os olhos quando o outro helicóptero que os acompanhava começou a atirar contra os dois, que lutavam freneticamente.

— Não! — gritou, levantando-se abruptamente para a janela da aeronave.

— Agente Angianova, controle-se. — homem disse em tom de alerta.

— Não atirem nele! — ela gritou para ele, provavelmente vermelha como um pimentão, e cega de raiva. — Eu pensei que o quisessem vivo! É por isso que eu estou aqui, porra!

Ele levou os dedos ao comunicador, estava prestes a chamar a outra aeronave, quando a mesma explodiu no ar. Graças a um chute de Sam, a mesma bateu contra um cilindro.

Lynna viu seu amigo e seu (ex?) namorado pularem de outro prédio. O moreno estava sendo perseguido pelo homem-gato, que não parecia estar desistindo dele tão facilmente.

Quem é esse ser?

Barnes pulou em uma espécie de túnel, sumindo da vista deles. Rogers foi logo atrás, depois Wilson.

Sobrevoando a área, ela viu quando Bucky capturou uma moto em pleno movimento, montando-a logo em seguida. Aquilo foi um show à parte. Ele já tinha feito algo assim antes, quando eles estavam em missão.

Aquele filho da mãe era cheio de truques.

O fim da linha se aproximava, pelo que ela havia ouvido, os automóveis já estavam a postos no final do túnel, eles não poderiam ir a lugar nenhum. Seu coração se acelerou.

Era agora ou nunca.

Rhodes já estava pronto. Ela tinha que estar também.

Como ela poderia fazer isso sem chorar?

Respirou fundo.

É agora ou nunca. Eu estou fazendo isso porque não quero que ele seja morto. É meu dever para com ele. Ele faria o mesmo por mim.

Houve uma explosão na entrada, ela não saberia dizer o que era. O comandante acenou com a cabeça, então suas mãos imediatamente se incendiaram de vermelho-sangue.

Ela pulou graciosamente no asfalto, no mesmo instante em que os carros do governo os cercaram. Ela não encarou Steve, mas sabia que seus olhos estavam nela. A única pessoa que lhe importava olhava para ela com os olhos arregalados. Ele estava com medo, muito medo, ela sabia disso, e não podia expressar seus sentimentos da forma correta.

Rhodes pulou logo atrás, apontando uma de suas mãos para o loiro e a outra para Bucky, assim como a sua metralhadora que ficava em seu ombro esquerdo. Ela engoliu em seco.

— Fiquem parados, agora. — ele disse. Todas as armas estavam apontadas para o trio. Steve segurou o ombro de Buck, que hiperventilava, ainda encarando-a. — Parabéns Cap, você é um criminoso.

Ela caminhou na direção do melhor amigo, contornando Máquina de Combate e ignorando as armas de Rhodes e dos alemães que estavam com eles.

— Você fez uma coisa errada, Bucky. — eu sinto muito, traduziu. Aquela era uma conversa em código. Ele entendeu isso instantaneamente, seus olhos se suavizaram. — Você sabe que deve ser punido, não sabe? — eu não tive escolha.

— Lynna. — Steve falou, mas ela não olhava para ele. Sequer com o canto do olho. — Não faça isso.

— Você está diferente. — Bucky finalmente falou, ignorando o amigo. Ah como sentia falta daquela voz... Eu entendo.

Ela ergueu o queixo, respirando fundo, mas sabendo que seus olhos estavam marejados. Ninguém ousou interromper a sua conversa.

— Eu me sinto diferente. — me perdoe.

Ele assentiu.

— Vai fazer isso do jeito difícil? — sempre, boneca.

Ela lambeu os lábios rachados.

— Só se você quiser. — murmurou, um pouco ferida.

Ele aproximou-se, ignorando a mão e os protestos do loiro.

— Eu vou com você, boneca. — sussurrou, estendendo suas mãos.

Lynna atirou a mão para um dos agentes, que lhe entregou uma algema grossa de vibranium. Ela colocou as mãos de Bucky para trás, controlando-se para não chorar.

“Eu espero que entenda que não é o que eu quero fazer” ela disse extremamente baixo em russo, sabendo que apenas ele e seu amigo iriam escutá-la.

Saiu de trás dele, que assentiu milimetricamente, quase imperceptível. Ela suspirou e agarrou seu bíceps de metal, instruindo-o a começar a andar.

Não olhou para trás, mas ouviu os chamados de Steve, o que piorou ainda mais sua dor.

Oito agentes lhe ladeavam, como se o moreno fosse atentar contra a sua vida.

Bem, era o que seria aparente, mas ela sabia que as coisas não funcionavam assim. Eles estavam acompanhando-a porque não confiavam nela. Porque sabiam que se ela tivesse chance, os dois fugiriam.

Pois se havia alguém aqui que conhecia James Buchanan Barnes muito bem, esse alguém era ela. Ela também havia visto o seu lado mais nefasto, ela havia visto ele ser torturado, revirado do avesso, ter sua identidade completamente removida. Só ela sabia pelo inferno que ele passou, e só ela teria a capacidade de entendê-lo, algo bem mais avançado do que sua amizade de infância. Ela salvaria a bunda branca e redonda dele na primeira oportunidade, sem nem piscar.

Seu amigo fora colocado num caminhão forte, dentro de uma literal jaula.

Ela não protestou.

Lágrimas corriam pelo seu rosto.

Arriscou-se olhar para o Cap, que olhava para si de maneira magoada, até que percebeu o corrimento em seus olhos. Ele abriu a boca para chamá-la, mas ela o ignorou, subindo numa das SUVs pretas, que logo partiu.

O motorista imediatamente subiu a repartição, dando-lhe privacidade para chorar o quanto ela quisesse. A viagem de volta seria longa.

*

Quando chegou à base, ela escutava música, porque não queria ouvir o mundo exterior, ela não queria quebrar por culpa daquele filho da puta sem pinto do Ross.

Bem, ela não sabia se ele era eunuco ou não, mas ele seria se continuasse a provocá-la. E ela faria isso com as próprias mãos se pudesse.

Caminhou para longe do carro, numa distância segura do grupo de Steve, que encontrava-se com Everett Ross. Para variar, Salsisharon estava com eles. Ela ouviu na transição de músicas Sam dizer algo sobre voar com seu equipamento. Ela sentiu dois pares de olhos queimando em suas costas.

Se eu olhar para trás, estou perdida, se eu olhar para trás, estou perdida!

Respirou fundo três vezes, caminhando à frente do grupo, dirigindo-se até a sala reservada aos Vingadores, rezando para todos os santos que conhecia, para que o loiro não ficasse na mesma sala que ela.

Uns quarenta minutos depois, Tony adentrou a sala, usando seus óculos escuros da indiferença.

— Ele não assinou. — respondeu à pergunta silenciosa de Natasha. — Harry Potter... gostei. Sempre achei que você tinha inclinação para ser impulsiva como um grifinório. — Tony comentou, referindo-se à blusa vermelha e dourada com o leão imponente de uma das casas de Hogwarts, que ela escondia por baixo de sua jaqueta preta.

Lynna meramente assentiu.

Um time de seis pessoas adentrou a sala, e com eles, alguém adivinha?

Sim, o Secretário Ross. Ele carregava consigo um bracelete de metal. O mesmo não se preocupou em falar nada, quando pegou seu pulso direito e enrolou a coisa nele.

Seus olhos se arregalaram e Nat pôs-se em posição de ataque.

— O que é isso?! — questionou-lhe, um tanto quanto assustada.

— Uma garantia de que você não vai sair arrombando o prédio para salvar seu amigo. — ele disse simplesmente.

— Isso não está em nenhum termo, senhor Secretário. — Nat disse, aproximando-se da amiga. — Lynna é uma aliada, ela é a favor do Acordo, ela lhe trouxe Barnes, o que mais é preciso para atestar a sua lealdade?

— Tem que haver um meio. — Tony se aproximou delas. — Lynna não é uma inimiga. Ela não pode ser tratada assim.

O homem crispou os lábios.

— É para assegurar a proteção deste Complexo, que eu preciso fazer isso. — disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Sem mais perguntas.

Ela encarou-o com raiva.

Filho de uma cadela. — rosnou em russo, fazendo Nat engasgar-se. — Tudo bem, senhor Secretário, acho que já deixou bem claro que me odeia, não precisa fingir que quer proteger esse Complexo. — suspirou. — Afinal de contas, eu poderia derrotá-lo com as mãos nas costas, levando em conta esse seu físico de atendente de telefone.

Agora, alguns agentes se engasgaram.

Ele encarou-a com os olhos cerrados.

— Isso foi uma ameaça? — questionou-a, com severidade.

Ela riu, arqueando a sobrancelha.

Claro que não. — jogou-se numa cadeira estofada, que rangeu com os seu peso. — Se eu tivesse verdadeiramente lhe ameaçado, você não estaria respirando. Mas como eu venho dizendo, eu sou leal à causa.

Há controvérsias.

Ele cerrou a mandíbula.

— Eu tomaria cuidado, agente Angianova. — aproximou-se de si. — Há uma linha tênue entre estar sob a legislação das Nações Unidas e a prisão, e você esta ultrapassando-a.

Ela fez uma careta surpresa.

— Oh, eu pensei que quando tudo isso acabasse eu estaria na prisão de qualquer maneira. — sorriu-lhe, colocando os pés em cima da mesa. — Afinal de contas, admita Ross, nunca foi apenas sobre o Acordo, não é? O governo me quer presa porque eu sou a porra Pétala Amaldiçoada, não é? Eles não suportam que eu “maculei” o Garoto de Ouro deles, e que por causa da SHIELD, eles nunca me tocaram, mas os Vingadores não pertencem mais à SHIELD, pertencem? Era tudo uma maldita manobra. E agora vocês tem o Soldado e a Pétala bem debaixo da sua asa... — ele ficou calado, mas ela sabia que era a verdade. — É tão lindo quando você, mesmo calado, admite isso. — Nat e Tony estavam boquiabertos. — Já que eu vou ser presa mesmo, eu só tenho uma coisa a dizer. Sossegue essa sua periquita e me permita observar meu amigo uma última vez, antes de compartilharmos uma prisão de segurança máxima nos confins da Terra. É o meu direito como prisioneira. Você já me deu a sua algema. — levantou o pulso. — Espero que seja gentil e me dê um quartinho confortável.

Doeu, sabia?

Ela ter a plena certeza de que jamais deixaria aquele Complexo ao lado de Nat. Saber que ela jamais iria ver Hanna, ir à sua formatura como médica... ver o seu loiro outra vez, talvez até mesmo beijá-lo, tocar sua bela carne...

Lynna quis chorar, mas ela tinha que ser a vadia fria que ela foi treinada para ser.

Sua amiga a encarou com lágrimas nos olhos e seus lábios se moveram num “eu sinto tanto”. Ela sabia disso, acreditava que ela estava sendo verdadeira.

As câmeras da sala em que Bucky fora mantido mostravam imagens dele completamente desconfortável dentro da cápsula em que fora colocado. Ele não era um animal, ela queria gritar isso, mas ficou quieta, balançando os pés em cima da mesa.

O exame psicológico dele começou.

— Seu nome primeiro nome é James? — ouviu a voz do doutor, então franziu o cenho. Se havia alguma coisa no mundo que ela era expert, era em sotaques. A Hydra obrigou-a a aprender umas dezessete línguas que ela podia contar, ou mais, levando em conta que ela era fluente em praticamente todas as línguas eslavas, então poderia ser mais que isso. E ainda haviam os vários dialetos. Ela precisava ser perfeita. Aparentemente, aquele cara tinha um sotaque alemão. Mas ela sabia melhor. Havia algo disfarçado em sua voz que a deixou alerta. Ela ouviu quando o moreno disse que o nome dele era Bucky. — Eu não vim aqui para julgá-lo... apenas para fazer algumas perguntas. — ele tomou ar. — A garota que você viu no túnel, a que te capturou. Ela é a Pétala Amaldiçoada, ela foi sua parceira...

— Eu não quero falar sobre ela. — Bucky disse, fazendo seu coração se apertar. — Ela não tem nada a ver com isso...

O cara voltou a falar, então algo clicou.

Aquele homem não era alemão, ele era sokoviano, seu sotaque era a mistura de alemão e russo, que formava a língua de Sokovia. Aquele cara era um impostor.

Seus olhos bateram na mesa em que o homem estava, reparando em algo muito, mas muito bizarro, que ela imaginava ter se perdido há muito tempo.

Seu coração parecia que iria explodir em suas costelas.

— Você está bem? — Natasha perguntou, ao seu lado. Ela também parecia alerta.

— Amplie a imagem, por favor. — disse para um agente ao seu lado, um que estava por trás do computador.

Ele fez o que ela pediu, dando-lhe a imagem pixelada do caderno vermelho dentro da bolsa que o suposto médico carregava. Ela engoliu em seco. Aquele era o caderno do Soldado Invernal, que era usado para controlar Bucky desde que ela era criança.

Caralho.

— Lyanna, você está bem? — Natasha voltou a perguntar, agora segurando seu pulso.

Aproveitando a deixa, Lynna puxou a amiga para fora da sala, hiperventilando.

— Nat, aquele homem que está fazendo o exame psicológico de Bucky é um impostor! — disse-lhe, ainda ofegante. — Ele planeja despertar o Soldado Invernal! Eu sabia que isso iria dar merda, o tempo todo!

Jogou a cabeça contra a parede.

— Eu preciso avisar os outros. — a ruiva menor disse urgentemente. — Você...?

— Vai, eu preciso de ar, eu ficarei bem aqui. — sussurrou, levantando a cabeça para tentar purificar seu ar. Suas narinas ardiam por causa do ar-condicionado.

Ela ficou alguns minutos ali, apenas tentando se acalmar.

Então ela olhou para cima, congelando ao ver a cena.

De onde estava, dava para ver o escritório onde Steve fora mantido, graças aos vidros.

Ela engasgou, sentindo o resto que havia sobrado de seu coração terminar de ruir em cacos muito miúdos.

Ele estava segurando Sharon Carter pela cintura. Eles estavam muito, muito próximos. Seus olhos se encontraram. Ele diminuiu ainda mais o espaço entre eles, beijando-a apaixonadamente, como ele fazia com ela, só que havia ainda mais sentimento naquilo.

Não. Isso não pode ser real!

Isso não é real!

Ela esfregou os olhos, mas quando os abriu, eles ainda estavam lá, eles ainda estavam se beijando, eles ainda... ela...

Ai. — sentiu uma pontada no peito.

A dor a sufocou.

Ela chorou desesperadamente.

Como eu havia dito. Ele apenas teve tudo o que podia de você e te descartou.

Ou achava mesmo que há gente boa nesse mundo?

Ele teve tudo o que aqueles homens morreram tentando.

Devemos dizer que ele soube aproveitar bem. Agora não faz mais sentido ter você. Ele já tem o amiguinho dele de volta, porque deveria ficar com uma garota fraca e instável, se ele já se divertiu do jeito que ele queria?

Ela riu sarcasticamente.

Sabe o que é engraçado? É que você realmente acreditou nas declarações dele.

Garota burra.

Acho que você mereceu mesmo ser traída dessa forma.

Todo esse tempo, e a Pétala estava mesmo certa.

Ele lhe usou, teve tudo de si, teve seu coração em suas mãos e agora acabou de pisar nele.

Meu Deus, como eu pude ser tão cega?

Caught up in your show

Yeah, at least now I know

It wasn't love, it wasn't love

It was a perfect illusion (Perfect illusion)

Mistaken for love, it wasn't love

It was a perfect illusion (Perfect illusion)

You were a perfect illusion

(IMAGEM)

Notas finais
Fica um questionamento... Rolou mesmo o beijo? Até quarta!