The Captain and The Petal.

78 Seventy-sixth Chapter. - In the name of love.


Notas iniciais
E aê gente, tudo bacana? Eu sei que eu me atrasei, eu deveria ter postado esse capítulo na quarta, então deixei para ontem, porquê foi o aniversário de Steve, maaas, eu não consegui terminá-lo a tempo! Porque ele ficou tão longo que simplesmente não deu! Ele tem mais de dezesseis mil palavras, e infelizmente não vai dar para dividi-lo, eu tentei, mas achei que ficaria muito confuso, então vai ter que ir com tudo mesmo hehe. Isso me redime, né? Uma sugestão: leiam o cap escutando In the name of love de Martin Garrix feat. Bebe Rexha, e Unstoppable da Sia. Estas foram as músicas que mais me deram inspiração. Boa leitura! PS: me perdoem se houver algum erro, o negócio foi tão grande, que eu sinto que devo ter deixado algum passar. PS2: a Marinha do Brasil não sequestra pessoas inocentes para fazer coisas ruins com elas! Este é um trabalho de FICÇÃO! Tudo neste capítulo foi meramente inventado, bjs.

Em nome do amor.

— Se eu te dissesse que isso só iria machucar?

Se eu te avisasse que o fogo iria queimar?

Você andaria nele? Você deixaria eu ir primeiro?

Faria tudo em nome do amor?

Você me deixaria te guiar mesmo quando for cego,

No escuro, no meio da noite,

No silêncio, quando não há ninguém ao seu lado

Você apelaria em nome do amor? —

Mary estava morta.

Esta frase rodopiou sua mente enquanto a Pétala evaporava, devido a algo que ela não teve como ver o que era. Algo que ela não queria ver o que era, mas que tentara puxá-la de onde ela estava.

Lynna se lembra de que ela resistiu àquilo.

Ela não queria deixar a Pétala, porque seria a sua vez de infernizá-la. Sua amiga morreu por isso, e ela iria se vingar da maldita. E uma vez que ela não poderia espancar e matar a si mesma, ela faria isso do jeito mais delicioso.

Num rompante, ela dobrou de tamanho, esmagando a parede que lhe mantinha presa dentro do subconsciente da vadia.

O que você está fazendo?!, a voz dela parecia muito irritada, porém com um leve toque de medo, o que era algo incomum para ela.

— JÁ CHEGA! — berrou, sentindo seus olhos formigarem, provavelmente vermelhos. — EU ESTOU CANSADA DE ME SUBMETER A VOCÊ, ESTOU CANSADA DE TÊ-LA DENTRO DE MIM! MINHA AMIGA MORREU POR CULPA SUA! VOCÊ MEXEU COM A MINHA FAMÍLIA, E VAI PAGAR O SEU PREÇO!

E com isso, as paredes explodiram com a força de seus poderes.

PARE, AGORA!, Pétala gritou.

— NUNCA! — rosnou, sorrindo triunfantemente, incendiando suas mãos, vendo seus raios vermelho-sangue exterminarem as teias dela.

Pétala soltou um grito de mau agouro, contorcendo-se, tentando vencê-la, mas ela não conseguiria. Não agora, não quando ela estava completamente irritada por ter visto sua amiga ser jogada contra uma árvore e ter seu pescoço quebrado.

A floresta era fechada. Ela estava numa estrada de terra. Havia mais agentes da Hydra do que ela podia contar. Aquilo era um comboio, eles estavam arrastando alguma carga preciosa e instável demais para se carregar por ar, o que significa que ela estaria viajando de navio, o que era excelente, uma vez que a Hydra havia obrigado-a a nadar quando não passava de uma menina...

Você não vai conseguir escapar!, a Pétala rangeu, fazendo-a gargalhar mentalmente, assombrando-a em sua nova jaula de metal. A ilusão era dela, e a desgraçada estava aprisionada por baixo de grossas grades de vibranium, de onde ela jamais poderia sair.

Apenas cale a boca, vadia, disse para ela, sorrindo triunfantemente ao vê-la perder a pose. Você não manda mais em mim, e com certeza jamais terá espaço para si neste corpo. Você não sabe com quem mexeu.

Pela primeira vez, ela viu sua inimiga dar-lhe um olhar amedrontado, vacilante.

Cara, que ela fosse amaldiçoada agora mesmo se não foi prazeroso! Vê-la perder sua pose...

Olhou ao redor, vendo-se sozinha.

Esta era a sua maior chance.

Correu para dentro, aguçando seus ouvidos para tentar captar algum tipo de som. Seu coração correu mais rápido quando ela ouviu o barulho dos motores do quinjet.

Tentando pronunciar-se mais alto que aquele barulho, ela gritou o mais forte que conseguiu.

— STEVE! — nada, o barulho estava cada vez mais distante. — STEVE! GALERA, EU ESTOU AQUI!

Começando a se desesperar, ela tentou voar, para tentar bater na lataria da aeronave, mas a maldita estava com o sistema furtivo de Tony. Seria como dar um tiro no escuro.

Tentou tirar aquilo com seus poderes, mas antes que ela pudesse chegar a atingi-la em cheio, cinco grupos de agentes brotaram do éter, atirando dardos tranquilizantes para impedi-la.

Apesar da quantidade, ela não havia dormido, apenas teve seu corpo “adormecido”, como se tivessem anestesiado-a para uma cirurgia dental, na melhor das comparações.

Se olhar pudesse matar, Igor Priekov estaria derretido no chão.

Como eu disse, seus amigos jamais virão buscá-la. — ele disse compassivamente, quando ela foi colocada em cima de uma maca. — Mas não se preocupe, você verá seu Capitão em breve. Dependendo de como as coisas correrão em nossa viagem para a América do Sul.

Não, ela não queria vê-lo desse jeito.

Ela sabia o que iria acontecer quando eles capturassem Steve.

Provavelmente, seria uma chance melhor dos dois escaparem juntos, mas na mais aterrorizante das hipóteses, eles jamais sairiam da Hydra. E se saíssem, seria em dois caixões.

Mover-se era inútil, mas ela ainda podia forçar seu corpo a derreter os tranquilizantes deles, enquanto Priekov tagarelava sobre o seu exército mutante. Como sempre, os vilões fazem um monólogo sobre seu plano de merda, daí o mocinho descobre um jeito de fugir e ele se fode.

— Para... onde... estamos... indo? — conseguiu engasgar.

Interagir com ele sempre lhe era favorável.

O albino sorriu-lhe amplamente.

— Alguma vez você já esteve no Brasil? — ela fez um som concordante. Ela esteve lá para um evento beneficente manipulado pela “filial” que a SHIELD tem no Rio de Janeiro. Foi quando ela e Steve resgataram Mary. Aquela foi a primeira vez que ela falou na mente de alguém. Sua pequena... ela não queria imaginar como seu irmão estava se sentindo agora... ele tentou matar a Pétala após ver “sua filha” morta. Ela sentiu isso. Ela permitiria que ele o fizesse... — Que pergunta a minha! — Lynna quase esqueceu-se de Priekov tagarelando. — É claro que você já esteve lá. Na época em que você retirou o Anjo de sua base natal. Que coisa feia, Pétala. — ela rangeu os dentes, odiando ser chamada pelo nome da vadia que matou sua amiga. — Um agente me disse que a outra matou-a, é verdade? — seu olhar vibrou de raiva para ele, que sorriu amplamente, tomando isso como uma resposta positiva. — É um desperdício. Eu disse para a outra que jamais encontraríamos outra empata tão boa quanto à garota Monteiro... mas o que eu posso fazer...? Negócios são negócios. Eu prometi a cabeça da garota do Soldado, ela retirou...

JÁ CHEGA!

Mais rápido do que ele pôde calcular, seu punho acertou-o em cheio no meio da cara. Ela rosnou, sentando-se, enquanto amarrava suas pernas ao redor da cintura dele, utilizando sua força sobrenatural para quebrar alguns de seus ossos, fazendo-o gritar de dor.

A Pétala matou minha amiga. Ela mexeu em algo que não deveria ser mexido, e agora, meu querido, eu vou me vingar, marque minhas palavras. — o medo lentamente assumiu as feições do albino, que gritou, tentando chamar seus homens, mas a sala fora fechada com seus poderes, fazendo-a sorrir sadicamente para ele. — Está com medo, querido? Você deve estar mesmo. Porque a partir de hoje, a sua preciosa outra jamais voltará à superfície.

A parede lateral explodiu e ela se deixou ser retirada de cima de Priekov, que mais parecia um pedaço de bosta molhada, caindo no chão com mil pragas em seus lábios sujos.

A rapariga da Rachel apareceu no meio do corredor, arregalando os olhos com o sorriso demoníaco que recebeu. Um sorriso cheio de promessas. Porque agora que um membro de sua família havia perecido para a Hydra, eles iriam ver com quantos paus se fazia uma fortaleza.

Alguém colocou-a numa das cadeiras que eles costumavam usar no Soldado Invernal, prendendo-a com a braçadeiras, que ficavam um pouco folgadas em seus braços finos, apesar de sua rotina incessante de exercícios.

Ela estava há pelo menos uns seis meses na Hydra e seu corpo havia ficado musculoso outra vez, coisa que não era ruim, mas ela já havia se acostumado com seu corpo suave dos anos passados na Torre/Complexo. Seu novo físico era bom. Isso significava que ela poderia resistir mais, e resistência era tudo o que ela precisava agora.

Acontecesse o que acontecesse, ela não poderia quebrar. Não agora.

Encarou os cientistas com certo deboche, vendo-os abrirem o caderno rosa com uma estrela vermelha no centro. Um deles passou a ler suas palavras-chave.

Perda, sessenta e dois, família, pureza, tortura, explosão, casa de fazenda, vovó, princesa, tanque de veneno.

Ela sentiu que poderia rir da cara deles.

O código não funcionaria mais. Ela não era mais aquela garotinha assustada, com medo do que a Pétala poderia fazer consigo. Não. A Pétala estava presa agora. Ninguém consegue entortar vibranium.

Pétala? — um deles chamou.

Não... a Pétala não está em casa, tente outra vez mais tarde. — disse insolentemente, fazendo-o arregalar os olhos. Oh, isso vai ser divertido.

Perda, sessenta e dois, família, pureza, tortura, explosão, casa de fazenda, vovó, princesa, tanque de veneno.

Lynna gargalhou, arqueando a sobrancelha, fazendo uma pose na cadeira.

Vocês acham mesmo que ela irá voltar? Não. Cansei de brincar. Agora sou eu quem mando aqui. — voltou a falar, sorrindo sadicamente ao ver Rachel entrar pela porta lateral do laboratório. Ela usava uma armadura preta com o símbolo da Hydra no peito esquerdo. — Oi querida. — a desgraçada deu uma estremecida ao ouvi-la. Disse algo para os cientistas, mas ela não pôde ouvir porque infelizmente não era um supersoldado. — Você deve estar se perguntando o porquê da Pétala se recusar a dar as caras, não é? — Rachel encarou-a, carregando uma seringa enorme consigo. Eu não vou quebrar. Eu não vou ter medo. — Ela tirou férias. Vai passar um tempinho no inferno. De onde ela jamais deveria ter saído. Mas não se preocupe, você também vai dar um passeio por lá em breve. Não fique com ciúmes...

Cale a boca. — sibilou, procurando sua veia para descarregar o soro.

O líquido entrou fervendo, mas logo ele foi absorvido por seus poderes.

Nada quebra o vibranium, forçou sua mente a entender isso, fortificando a prisão da vadia.

Pétala? — o mesmo cara voltou a falar.

Não, é Lyanna mesmo. Quer deixar recado? — arqueou a sobrancelha, fazendo Rachel rosnar de raiva, preparando um soco que nunca veio, porque ela quebrou sua mão direita graças ao escudo vermelho que se formou ao seu redor. — Sabe, eu sempre gostei de escudos. Eles são muito uteis. Eu nunca contei a ninguém, mas meu sonho de princesa e escorregar pelas escadas do Complexo com o escudo do meu noivo. Acho que farei isso quando voltar.

Você não vai voltar! — Rachel rangeu os dentes, segurando sua mão ferida.

Ela abriu um sorriso filho da puta.

Eu não teria tanta certeza. — piscou. — Como eu havia dito ao seu irmãozinho, vocês não sabem com quem mexeram. Eu vou destruí-los.

Corte uma cabeça, duas nasceram no mesmo lugar! — a Priekov fêmea rebateu triunfantemente.

Segundo a lenda, Hercules matou a hidra de dentro para fora e com fogo. — respondeu-lhe petulantemente. — E em Percy Jackson, eles destruíram a hidra deles com o olhar de Medusa. Nunca se sabe quando vocês serão reduzidos a meras estatuas de pedra no jardim dela...

JÁ CHEGA! ACIONEM A CADEIRA PARA ESSA VADIA. FAÇA ESQUECER-SE DE TUDO. UTILIZEM A MESMA FREQUÊNCIA DO SOLDADO! — Rachel berrou.

Caralho.

Ela não ia ceder, mas teve um certo medinho.

Bucky era um supersoldado, ele podia aguentar frequências altas, alta voltagem.

Ela não.

Ela nunca havia passado por coisas assim por causa do soro.

Cedendo tão cedo?

Nunca!

A cadeira foi retirada de sua posição, deitando-a o melhor possível. As braçadeiras apertaram-se um pouco mais, ajustando-se ao seu corpo. Um dos homens espalhados pela sala colocou o mordedor de borracha entre seus dentes, recuando quando ela mordeu seus dedos.

Enquanto Lynna via os pinos de metal descerem lentamente para que eles fossem anatomicamente grudados em sua face, ela pensou em algo que a mantivesse segura na Terra, algo pelo qual ela devia lutar. Alguém cujo ela jamais deveria esquecer.

Pensou nos olhos azuis de Steve, e em como eles brilhavam quando eles estavam juntos. Pensou nos sentimentos bons que ele lhe trazia quando eram só os dois num quarto escuro, enrolados no edredom, trocando carinhos à meia-noite.

Ela pensou nas noites ardentes, no contato de sua pele com a dele, e de como ela sentia falta de senti-lo tão perto.

Quando o metal frio tocou sua pele, ela focou no beijo dele. De como ele era carinhoso e cuidadoso com ela, de como ele a beijava como se ela fosse o ser mais precioso desse muito.

Pensar nisso, era quase como tê-lo perto de si.

Sendo mais ousada, ela poderia criar uma ilusão dele em sua cabeça, vestindo aquele pijama de dinossauros que ela o obrigou a comprar numa ida às compras na 5a Avenida. Ele segurava sua mão firmemente e encarava-a com aquele olhar de ‘eu jamais te deixarei cair, princesse’.

Ela não gritou quando a eletricidade machucou seu corpo.

Thor já havia eletrocutado-a sem querer uma vez enquanto eles treinavam. Ela já havia experimentado esse tipo de descarga, ela tinha que estar preparada para a dor.

Finalmente, os pinos levantaram-se.

Ela jogou o mordedor de borracha longe.

A cadeira foi colocada de volta à sua “posição natural”.

Pétala? — o homem voltou a perguntar, aproximando-se burramente dela.

Por causa dos choques, Lynna ainda se sentia um pouco aérea, mas eles não haviam feito nada com a mente dela, o que era maravilhoso.

Você não deveria ter chegado tão perto. — disse-lhe, antes de arremessar seu corpo para longe, quebrando o pescoço dele da mesma forma que a Pétala havia quebrado o pescoço de Marnie. — Quantas vezes eu terei que repetir que ela não vai voltar? — citou a frase da Pétala, quebrando a outra braçadeira com sua força natural.

ALGUÉM FAÇA ELA PARAR! — Rachel gritou.

Lynna sorriu triunfantemente, sentindo-se extremamente poderosa agora.

Seus poderes envolveram-na como um manto, concentrando-se em sua mão direita, de onde saiu uma espada de lâmina vermelha, que brilhava fortemente, cegando-os. Ela era longa o suficiente para arrastar-se assustadoramente pelo chão, arrancando engasgos de medo dos cientistas na sala.

A Priekov fêmea correu para as portas, que foram travadas com um aceno de suas mãos. Ela não possuía poderes telecinéticos como Wanda, mas as leis da física não se aplicavam a si, devido à sua exposição à Joia da Realidade quando era criança.

Oh, pequena Rachel, olhe o que você me fez fazer. — disse com falsa pena, decapitando o primeiro cientista ao seu alcance, fazendo o sangue dele espirrar em cima de si, mas isso não tinha importância nenhuma agora. Foda-se a sua lista de mortes também. Eles mexeram com a sua família. Eles despertaram o monstro fulo de vingança dentro dela. — Está vendo isso? — os três últimos deles foram para o saco, enquanto a miserável tentava abrir a porta, quebrar o vidro, ou fazer com que os outros soldados lá fora lhe ajudassem, mas eles não iriam vir ao seu socorro. — Este é o sangue da minha avó. Este é o sangue de Mary. E em breve, será o seu. — agarrou seu pescoço com força, trancando sua entrada de ar. — Porque sangue de buceta tem poder, vadia. — citou a frase de Hanna, engasgando-a. — Mas não se preocupe, querida eu não irei matá-la. Ainda. Você vai me ser útil.

As portas deslizaram.

Vários agentes se agruparam à sua frente, armados até os dentes. Eles pararam quando viram a “primeira dama” da Hydra presa contra seu corpo banhado no sangue dos cientistas, com sua milagrosa espada vermelha contra o pescoço alvo dela.

IGOR... — cantarolou. — IGOR, QUERIDO, ONDE ESTÁ VOCÊ?

O filho da puta mostrou-se no final do corredor, cercado por agentes, enrolado em bandagens. Uma risada fria escapuliu dela, que apertou ainda mais os cabelos avermelhados de Rachel, fazendo-a engasgar-se para não gritar, porque se ela gritasse...

Parece que eu tenho sua vadia comigo. — disse-lhe cinicamente, caminhando por entre os vários soldados, protegendo-se de possíveis dardos com seus poderes disparando atrás de si. — Eu irei matá-la, Igor. A menos que você faça o que eu quero.

Ele fez um gesto de descaso.

Mate-a. Ela já não serve mais aos meus propósitos. — disse-lhe tentando parecer displicente, mas ela sabia que ele só estava fazendo isso para jogar-lhe um blefe.

Coitado.

Ouviu isso, querida? — questionou-a colando seus lábios em sua bochecha direita, fazendo-a sentir o sangue quente espalhado em seu corpo. — Nem mesmo seu amante te quer. É penoso... — ela se estrebuchou tentando sair de seu aperto, apenas para ter seus cabelos puxados com violência. — Ele quer sua morte. — sorriu amplamente. — Eu não posso negar nada ao meu comandante, posso?

Pare! — o Priekov macho gritou quando a lâmina se aprofundou um pouco na carne dela. — O que você quer?

Ela sorriu outra vez.

Agora estamos fazendo negócios. — observou, obrigando Rachel a caminhar com ela. — Eu sairei deste navio. É simples. Tudo o que eu preciso é que não tentem nada engraçado. Ou ela morre, eu sairei de qualquer forma.

O albino ficou quieto, mas permitiu que ela passasse por ele, arrastando a puta dele. Ela virou-se de costas, utilizando seus reflexos para observar a área, rapidamente encontrando a proa, onde um grande polvo com cabeça de caveira estava entalhado no metal.

Lynna carregou Rachel com ela até a ponta, sentando-se calmamente na borda com o auxílio de seus poderes. Antes de pular, ela cortou os cabelos da desgraçada, porque foi ela quem havia dado a ordem para Rollins fazer o mesmo com suas madeixas avermelhadas.

Seu corpo não chegou a atingir a água.

Algo como um campo de forças a trouxe de volta para o convés, onde o Priekov macho sorria como se tivesse ganhado alguma coisa. Ela poderia não ter conseguido fugir agora, mas nada lhe impediria de tentar outra vez.

Ela poderia fazer isso o dia inteiro.

Eu realmente aprecio a sua teimosia, Lyanna. — ele disse aproximando-se dela, segurando seu pulso direito, “restringindo” seus poderes. — Mas você tem que entender que nem mesmo seus poderes podem parar o progresso de acontecer.

Ela sorriu-lhe, arqueando a sobrancelha.

Quase que surdamente, a ruiva sentiu o sutil formigamento do patch em sua nuca.

Veremos. — disse-lhe petulantemente.

E com isso, permitiu-se ser levada para dentro, mas não sem antes piscar para Rachel, que tentava limpar o sangue do corte que ela havia feito em sua garganta. Uma pena que ele havia sido superficial. A vadia sequer teria uma cicatriz para lembrar-se de si. Ela deveria ter usado seu veneno naquilo.

Mas agora não adiantava chorar pelo leite derramado.

Ela seria levada para a sala de tortura agora, porque ela foi uma menina muito má.

Sentaram-na numa cadeira de metal, prendendo-a com algemas de titânio.

Segundos depois, um jato de água fervente misturado com tenebrys sakura foi jogado em cima de si. Mas ela sequer sentiu.

Eles repetiram o processo por mais três vezes, antes de alguém gritar “ela está muito forte, é impossível torturá-la desta forma”.

Os agentes tentaram de tudo.

Levaram-na para a sala de choques, mas ao invés das barras atingi-la, ela quem atingiu os agentes com as armas. Fora retirada da sala após enfiar uma barra dessas na vagina de uma das filhas da puta que lhe seguravam.

Era como se ela tivesse incorporado o próprio Soldado Invernal. As pessoas passavam perto dela morrendo de medo de serem quebradas ao meio. Ela faria isso, porque foda-se. Ela já estava cansada de ser “boazinha” com quem só havia fodido-a sem cuspe.

Jogaram-na em sua cela.

Assim que as portas se fecharam, Lynna tocou o patch, quase não sentindo-o.

Um sorriso tomou-a involuntariamente.

Eles iriam encontrá-la. Ela ajudaria para que isso aconteça.

*

— Se eu lhe dissesse que poderíamos nos banhar em todas as luzes,

Você se levantaria e viria me encontrar no céu?

Você confiaria em mim quando você está pulando das alturas?

Você cairia em nome do amor?

Quando há loucura, quando há veneno em sua cabeça,

Quando a tristeza deixa você quebrado em sua cama

Vou te abraçar nas profundezas do seu desespero

E é tudo em nome do amor —

Ele estava ao lado de Mary, encarando o painel que a SHIELD havia feito com todas as bases pertencentes à Marinha do Brasil que foram registradas em território nacional. A força militar estava presente em quase todos os estados, incluindo aqueles que não ficavam próximos ao mar.

— Por que eles perderiam seu tempo criando bases assim? — Wanda perguntou, franzindo o cenho. — Eu não entendo muito dessas coisas...

Ele sorriu-lhe tranquilamente.

— Apesar de não serem ladeados pelo mar, sua principal fonte, um país precisa de todas as forças militares trabalhando em conjunto e quanto mais bases existirem, mais fortes eles são. — respondeu-lhe, fazendo-a assentir. — A atividade deles não precisa ser totalmente marinha. Pelo que eu sei, eles podem realizar operações em terra também.

— Mas a quantidade de bases cercando o pantanal me assusta. — Marnie murmurou. — Estava sempre tão na cara que eles estavam fazendo alguma atividade suspeita... mas quem é que se oporia a um presidente militar com todo um aparato ao seu redor? Eles não querem voltar à 1964, à ditadura, mas é exatamente isso o que está acontecendo! As pessoas estão sendo mais uma vez oprimidos pelas forças armadas!

Steve parou para refletir, observando o quadro com as luzes piscantes.

— Eu te prometo que daremos um jeito nisso. — ela sorriu. — Mas agora, temos que nos concentrar no local onde a Hydra pode ter escondido Anna.

Marnie tomou um suspiro, mexendo em algumas teclas, antes de abrir a imagem da base onde eles a encontraram há poucos anos atrás.

— Esta base é a principal deles, uma das primeiras a ser criada, na época do Brasil Colônia. — disse, ampliando a imagem do local. — Fica aqui no Rio de Janeiro, bem na cara dos turistas. Parece óbvio demais, mas vindo da Hydra, que estava infiltrada na SHIELD como se não fosse nada, pode ser que eles tenham levado-a para lá. Tem todo um aparato, e... eu estava lá. Eu conheço essa base com a palma da minha mão. É o meu melhor palpite.

Seus amigos ficaram quietos, até que Nat atravessasse a sala, inclinando sua cabeça para o monitor.

— Além desta base, há mais alguma que nós deveríamos conhecer...? Só para o caso dessa não ser a certa. — perguntou à ruiva anã, que mordeu o lábio inferior, pensativa.

— Acho que tem a de Salvador, na Bahia. — murmurou, encarando-a. — A cidade foi a primeira capital do Brasil e possui uma base considerável. Eu estive lá durante o meu ano realmente trabalhando para a Marinha, quando a guerra na Argentina explodiu sob nossas cabeças. É uma opção a ser considerada...

Eles assentiram.

— E quando partimos? — Sam olhou para ele, que tomou um suspiro.

— O mais rápido que conseguirmos. — respondeu. — Segundo Fury, nós já estamos sobrevoando a cidade do Rio de Janeiro. Será uma questão de tempo até conseguirmos adentrar o complexo deles. Mary e Wanda estarão infiltradas. Elas podem segurar a Pétala caso ela esteja de volta à superfície. Iremos surpreendê-los e apagar suas memórias depois.

— Parece fácil. — Bucky se esticou, preso na cadeira que Mary havia feito-o sentar. Ele estava interferindo em seus movimentos desde que ela havia chegado da ala médica pela terceira vez naquela semana.

Steve não tirava a razão de seu amigo. Ele viu sua esposa morta. Tê-la de volta era um milagre surpreendente, se tal coisa acontecesse com ele, o loiro não poderia parar de certificar a si mesmo de que não estava vivendo uma mentira.

— É estranho que o sinal dela esteja enfraquecendo? — Tony resmungou do fundo da sala. — Pelo que podemos ver, ela ainda está no Rio. Mas o sinal fica enfraquecendo. Eu tenho certeza de que projetei essa merda para não ser tão manipulada!

— Calma! — Mary voltou a falar. — Nós ainda temos tempo, nós ainda temos sinal. Se ela estiver mesmo na base principal da Hydra BR, nós iremos encontrá-la e tirá-la de lá.

Algo piscou na tela.

Era uma chamada de vídeo de Hanna.

Todos se reuniram ao redor da tela para cumprimentá-la. Estranhamente, ela e Thor dividiam o mesmo sofá – mesmo que ele estivesse despreocupadamente de costas – e ele estava com sua cabeça presa em seus ombros, o que era um milagre colossal.

— Oi seus feios, como vão? — saudou-os. — Não precisam responder, eu não me importo. Só liguei para saber o que vocês sabem sobre o paradeiro de Lya.

Quase nada. — Mary respondeu-lhe. — Estamos saindo agora para investigar em campo.

— Steve, você vai com esses trajes? — Han perguntou-lhe, apontando para seu uniforme de Capitão América preso em seus braços. Ele já estava indo vesti-lo num dos banheiros.

— Sim, por quê? — franziu o cenho, olhando para o traje, depois de volta à Hanna.

Stark, quantas vezes eu te disse para fazer um upgrade no uniforme do nosso idoso loiro?! — reclamou, cruzando os braços.

— O que é que vocês têm contra o meu uniforme?! — Steve disparou, ofendido.

TODAS as meninas presentes na sala seguraram o riso.

— Nós morreríamos se te disséssemos a verdade. — Wanda suspirou.

— Mas como eu não tenho medo, nem vergonha na cara, eu digo. — Steve não perdeu o modo como Mary e Natasha arregalaram os olhos, alarmadas. — Cap, meu querido, amor da minha vida, lenhador das minhas madeiras, TEM UM ROMBO NO MEIO DO SEU FIOFÓ! Você não sente quando veste não? — o loiro checou o traseiro de seu traje, corando fortemente ao se dar conta do buraco que havia ali. — Você nunca notou que seus inimigos riem da sua cara? Se sim, é por causa do buraco que tem no meio do seu c...

— Olha a língua! — Bucky disparou, fazendo todo mundo rir, enquanto Steve ficava ainda mais vermelho.

— Por que ninguém me contou isso antes?! — resmungou. — Foi o único traje que eu trouxe!

Mary abriu um sorriso.

— Foi pensando nisso, que eu surrupiei o traje furtivo que estava escondido no seu quarto e o coloquei em sua gaveta no arsenal. Você me mandou lá para pegar algumas roupas de Lya, lembra? — ele ainda estava decidindo se dava um sermão ou um beijo naquela criatura.

— Ok. — resmungou, caminhando ofendidamente para fora da sala.

— Você quer que eu chuleie isso para você? — Mary perguntou, fazendo-o voltar-se para seu sorrisinho ladino.

Ele estreitou os olhos quando seus raios roxos retiraram seu traje de si sem sua permissão.

— Se eu ver uma mancha! — apontou o dedo para ela, que riu sem vergonha nenhuma, sabendo que ele sabia o que ela realmente faria com o seu precioso traje. — E Hanna, obrigado pela sua sinceridade.

Antes de sair da sala, sua amiga deu-lhe um sorriso “angelical”, acenando.

Então, ela falou:

Qual o problema em falar de “cú”? Todo mundo tem um!

Negando com a cabeça, ele desceu para o arsenal, de onde tirou seu equipamento furtivo, vestindo-o rapidamente para voltar à sala de comando.

Todos já estavam devidamente vestidos também.

Mary e Wanda usavam os uniformes brancos da força naval brasileira. Ele sacou o celular e tirou uma foto delas, salvando-a para planos futuros. O loiro ganhou um par de línguas apontadas para si.

— Tão lindas com esse cabelo lambido, mãe. — Sam provocou, alisando o cabelo de Mary para os lados, ganhando um olhar enfezado dela.

— James, Samuel está me incomodando! — ela resmungou como uma criança pequena.

— Se vira. — Bucky respondeu-lhe divertidamente, fazendo-a olhá-lo de maneira indignada. — Eu não posso me mexer, o que você quer que eu faça?

Soltando algumas pragas, ela passou na frente, fazendo-os rir baixinho, por mais que ela soubesse que eles estavam rindo.

— Levante sua bunda da cadeira, Barnes. Precisamos sair agora. — Steve disse dando meia volta, enquanto colocava seu escudo nas costas.

Também resmungado, Bucky o seguiu, assim como o resto de seus amigos.

O quinjet deles partiu cinco minutos depois, sobrevoando a cidade em seu modo furtivo.

— Galera, vocês viram que uma das peças decorativas do jato meio que “explodiu”? — Natasha perguntou do nada, caminhando pelo arsenal da aeronave, escolhendo suas pistolas para ela, enquanto jogava mais duas para Bucky.

Ao seu lado, Mary fechou os olhos e estremeceu, pulando do lugar como se algo tivesse queimado-a.

— Foi ela! — praticamente gritou em suas orelhas. — FOI ELA!

— Ela quem, criatura histérica? — Pietro resmungou, também esfregando suas orelhas. — Quer me matar do coração?!

— Lembra que eu disse a vocês que antes da Pétala me jogar eu falei com a Lya no subconsciente do parasita? — a ruiva anã disparou, ignorando o sokoviano. Todo mundo assentiu diante de sua fala. — Eu disse a ela que ela tinha que lutar, e tal. Acho que ela me ouviu. Talvez tenha sido ela que tentou parar a aeronave!

O coração de Steve freou uma batida.

— Merda! — disparou. — Se foi mesmo ela... — ele não conseguiu terminar a frase, porque ele não tinha palavras para explicar a si mesmo que sua noiva esteve metros abaixo dele, prestes a para-los. Eles quase a tiveram para si!

— Isso pode nos dizer que a Pétala não está mais sob a superfície! — sua amiga disse, como se estivesse “terminando” sua fala.

— E que nós estivemos a poucos metros de tê-la de volta. — ele murmurou amargurado.

— Nós não poderíamos adivinhar, Steve. — Nat tocou seu ombro. — Pelo menos podemos fazer disso uma boa notícia. Ela está lutando.

— E outra. — Bucky pigarreou. — Se Natasha e Anya estiverem mesmo certas, ela pode tentar fugir, o que será ainda mais fácil. Estaremos aqui fora para facilitar tudo.

Ele assentiu, sentindo a aeronave abaixar-se para pousar.

— Eu não sabia que as coisas eram tão perto por aqui. — Clint se pronunciou, capturando seu arco. — Então, dona Mary... quais são as suas recomendações sobre o Rio de Janeiro?

Ela limpou a garganta, franzindo o cenho.

— Não denunciem logo de cara que são estrangeiros. Nós não somos xenofóbicos com americanos, mas as coisas se tornam infernalmente caras se algum espertinho descobre que estão falando com “gringos”. — eles assentiram. — Se forem andar pela orla, tomem cuidado! Mãos nos bolsos sempre, cuidado com as crianças pequenas, alguns deles só te cercam para roubar, e os adultos, eles também vão te roubar. Se ouvirem algum som parecido com tiro, é porque é tiro, então abaixa. Eu não tomaria banho na Baía de Guanabara e vocês também não. Acho que não consigo pensar em mais recomendações agora, então os manterei atualizados.

— Você tem algo de positivo para dizer sobre a sua cidade natal? — Sam perguntou com os olhos arregalados.

— Eu não nasci no Rio, gênio. — ela respondeu-o pulando para fora da aeronave, quase sujando seus imaculados sapatos brancos na lama. Seus poderes ajudaram-na a flutuar. Wanda seguiu seus passos para não arruinar o disfarce. — O que posso dizer de bom? Faz muito tempo desde que eu morei aqui. — deu de ombros. — A coxinha é mais barata, pelo menos.

— Isso é música para os meus ouvidos. — seu amigo voltou a falar, seguindo-o para suas posições ao redor da base.

— O que é coxenha? — Clint perguntou confuso.

— Um pedaço dourado do céu. — Marnie respondeu flutuando para longe deles. — Eu prometo que te compro uma quando sairmos daqui. Se o tempo estiver do nosso lado.

Ele assentiu, começando a escalar uma árvore.

Alguns minutos de reconhecimento da área se passaram.

Ele, Clint e Natasha haviam se escondido próximos à entrada por onde as meninas entraram. Bucky havia assumido o posto de um dos marinheiros ao redor dos muros grossos, enquanto Sam, Tony, Pietro e Peter haviam se escondido na entrada posterior.

— Ok meninas, o que vocês estão vendo? — Steve perguntou, mergulhando o dedo no ouvido para ativar o comunicador delas.

Além da guarda normal, a base está vazia. — Wanda respondeu. Ele ficou um pouco preocupado ao ouvir um soluço. — Pelo que posso ver, ela foi esvaziada há pouco tempo. Ela esteve aqui.

Seu coração disparou com força contra seu peito.

Anya, fale alguma coisa. — Bucky disse, também captando os soluços baixos. — Deixe-nos saber que você está bem.

Ele não deveria tê-la deixado entrar ali outra vez. Aquele lugar trouxe muitas desgraças para sua amiga, mas ela insistiu tanto, vencendo-o no argumento de que ela e Wanda seriam as melhores chances que eles tinham de capturar Anna de volta...

Tem um mapa na sala de comando. Eu tirei foto dele. — a voz dela estava parcialmente embargada. — Estamos voltando.

Doze minutos depois, as duas estavam ao seu lado, preparando-se para subir no quinjet. Ele percebeu a sombra que sua amiga carregava nos olhos ao passar por ele. Ela acomodou-se nos braços de Wanda, esperando os outros voltarem.

Uma vez que a aeronave estava lotada, eles partiram de volta ao Helicarrier.

Maria os encontrou na pista de pouso.

— E então? — eles negaram com a cabeça, incapazes de formular qualquer palavra. Ela estava perto, mas ainda tão longe...

— Nós temos uma pista. — Marnie falou, arrastando-se para entregá-la seu celular. — Eu encontrei isso na base onde acabamos de invadir. Pode ser que nos ajude...

*

E Marnie estava certa, o mapa os ajudaria bastante.

Eram as bases onde a Hydra estava infiltrada.

Segundo o outro mapa que Fury havia lhes disponibilizado, a organização não havia tomado conta apenas da Marinha. O Exército e a Aeronáutica também estavam envolvidas nos planos deles, o que já era de se esperar.

Agora que eles haviam filtrado suas opções, ficaria mais fácil encontrá-la, levando em conta que o software de Tony apontava que ela não havia deixado o país.

Sua maior interrogação era: o que a Hydra queria trazendo Anna até aqui?

Apesar de sua vasta economia à custa do sofrimento de sua amiga, o Brasil não tinha muito a oferecer à Hydra. Eles não possuíam a mesma tecnologia que as bases da Europa tinham, segundo as várias fotos tiradas por Asa Vermelha de algumas bases das qual eles desconfiavam.

— Tem que ser algo que eles só encontrem por aqui. — Natasha refletiu, como se lesse sua mente. — Algum tipo de planta, seiva ou soro.

Mary estremeceu e se levantou.

— Eu sei quem pode nos ajudar a encontrar Lya. — falou, apoiando-se no painel de controle, atraindo a atenção de seus amigos para ela. A pequena digitou algo na tela, mostrando a imagem de um rapaz de mais ou menos vinte e sete ou trinta anos de idade. Os cabelos dele eram castanhos e encaracolados, emoldurando sua testa. Os traços dele lembravam um pouco os de Mary. — Este é Roberto Monteiro. — disse-lhes, fazendo-os encarar fixamente a foto do dito cujo. — Ele é um dos melhores cientistas da Hydra BR. Se há alguém nessa bagunça de país que pode abrir o bico sobre o paradeiro dela é ele.

*

A partir do que ela havia dito, todos eles passaram a monitorar a vida deste cara, segundo as impressões que ela ainda tinha dele.

— Depois de me juntar à SHIELD, eu precisei monitorá-lo para poder encontrar o paradeiro de minha mãe e das minhas irmãs. — Mary falou. — Ele é meio sem graça. Faz compras no mesmo local e não possui família. Acho que cientistas da Hydra nem sempre podem ter alguém fora, não é? — deu de ombros. — Uma coisa que eu sei, é que ele sempre vem neste mesmo supermercado sempre. — passou pelo outro corredor, ao lado dele e de Sam. — Ele está atrasado e... Sam, o que você está fazendo?

O Falcão havia parado no meio do corredor de shampoo, observando uma senhorita ruiva na propaganda.

— Caramba Mary! Por que você não nos contou que fazia campanha para a Pantene no Brasil? — perguntou alarmado, fazendo sua amiga franzir o cenho.

Ela e Steve avançaram para onde estava parado, observando a foto da moça. Olhando por um certo ângulo, ela se parecia sim com Mary, mas conhecendo sua amiga, ela ficaria fula com a comparação.

Como assim a Mary faz campanha para a Pantene e nunca me deu nada? É por isso que os cabelos de Floquinho são tão brilhantes? Este é o grande segredo? — Tony colocou lenha na fogueira.

Steve franziu o cenho.

— Esta não é aquela atriz que fazia uma novela com um gato preto? — perguntou a Marnie, que bateu com a palma na testa. — Ela não estava envolvida com uma fofoca com um colega?

— Sim. — ela murmurou. — Mas isso não vem ao caso agora! E Anthony e Samuel, pelo bem da nossa amizade, calaboquitos! — resmungou, cruzando os braços para a propaganda de shampoo. — Ela não se parece comigo! — o Falcão abriu a boca para retrucar, quando ela arregalou os olhos. — Gente, é ele.

Steve levantou a cabeça para ver o rapaz de cabelos encaracolados passar de um corredor para outro. Ele escondeu a cabeça de Mary em seu peito quando ele olhou para os dois. O loiro teve a consciência de baixar sua própria cabeça como se estivesse tentando beijá-la, porque ele se lembrava da lição de Nat de que demonstrações públicas de afeto constrangiam as pessoas.

— Alvo à vista pelo corredor sete. — murmurou contra seu com.

Copiado. — Nat murmurou de volta. Uns dez minutos de silêncio de rádio se passaram, antes que ela voltasse a falar. — Cap, nós temos nosso cara atrás da loja.

Os três assentiram um para o outro e caminharam para o caixa.

Sam quase apanhou por ter levado o conjunto de shampoo e condicionador com a imagem da atriz ruiva para casa. Ele lutou para não rir, mas era impossível com esses dois brigando como cão e gato.

Ana? — foi a primeira coisa que Roberto Monteiro disse quando os avistou. — Eu pensei que você estava morta!

Olá irmãozinho, sentiu minha falta? Parece que notícia ruim se espalha rápido mesmo. Vocês da Hydra são completamente fofoqueiros! — Marnie disse sorridentemente, aproximando-se dele, fazendo-o estremecer com seus poderes invadindo o cerne dele. — Que tal darmos um rolê?

Antes que o cara respondesse o que quer que fosse que ela tinha perguntado, Natasha e Bucky arrastaram-no para dentro do quinjet estacionado estrategicamente numa rua fechada.

Eles adentraram a pista do Helicarrier outra vez.

Seu melhor amigo arrastou o cunhado pela pista sem nenhuma piedade, fazendo o desgraçado esfolar seu pé direito no asfalto, deixando um rastro de sangue para trás, assim como os gritos de dor vindos dele.

O homem foi trancado numa das salas de interrogação na ala cinza. Tudo estava pronto, eles só precisavam impedir que Natasha socasse a cara de Mary, que insistia em interrogá-lo.

— Você é irmã dele! Os dois possuem laços emocionais, seja para o bem ou para o mal. — sua amiga argumentou. — Ele vai tentar manipulá-la!

— Mas eu posso fazer isso! Tenho poderes mais fortes agora, eu posso impedi-lo de sequer tentar! — Marnie pediu sussurradamente, piscando seus grandes olhos para ela, tentando manipular uma manipuladora. — Esse cara fodeu a minha vida. Por favor, não tira isso de mim!

Nat suspirou, cruzando os braços.

— Tudo bem. — resmungou. — Mas... — ela parou o passo que a outra ruiva ia dar para a sala. — Eu entrarei na sala com você. Não quero saber de birra. Nós duas entramos, você o interroga. Se ele tentar alguma gracinha, você sai e eu termino o trabalho, estamos entendidas?!

A pequena assentiu a contra gosto, então as duas sumiram no corredor.

*

— Em nome do amor, nome do amor

Em nome do amor, nome do amor —

Mary adentrou a sala um pouco mais segura com a presença de Nat.

Ela sentou-se na cadeira à frente de onde Roberto estava, enquanto sua amiga acomodou-se no fundo da sala, displicentemente brincando com uma das facas de James. Ele queria entrar também, mas ela sabia que ele apenas iria para o lado emocional e partiria para cima do seu irmão, e isso era a última coisa que eles queriam agora, porque ele era o único que podia lhe dar as respostas desejadas.

— O que você sabe sobre o paradeiro da Pétala? — perguntou-lhe firmemente, encarando-o em seus olhos castanhos.

Roberto arqueou a sobrancelha, dando um sorriso ladino.

Eu não sabia que você estava com os Vingadores. Isso é um baita avanço. — retrucou. — Você mudou bastante, Ana.

Marnie estremeceu. Ela não era mais aquela garota. Analuiza havia morrido no dia em que decapitaram o filho dela.

— Para começo de conversa, meu nome é Mary. — disse com uma voz neutra e um semblante impenetrável, como a mulher atrás dela havia lhe ensinado. — Segundo, as escolhas que faço para a minha vida não te dizem respeito, e terceiro, está conversa será em inglês, então bote suas aulas da Fisk para jogo. — ela apertou sua dominância sob o subconsciente dele, fazendo-o sentir dor. Ele era bom em não demonstrá-la, como todo cachorrinho da Hydra, mas ela ainda não havia começado com a verdadeira tortura. — Comece a falar!

Ele engoliu em seco, sentindo o desconforto que ela estava criando na boca de seu estômago.

— Onde está a Pétala? — voltou a perguntar.

— Por que eu deveria saber sobre ela? — perguntou-lhe, tentando contornar seus poderes, mas ele deveria saber bem que não podia lutar contra a maré.

— Por que nós temos pistas de que ela está escondida aqui no Brasil, podendo estar em qualquer base existente na Europa. — começou. — E você é o único cientista decente, se é que posso te chamar assim, que eles possuem neste chiqueiro. Você tem que estar relacionado ao que eles querem fazer com ela aqui.

Ele sorriu sarcasticamente.

— Demorou pouco para você voltar com o rabinho entre as pernas para me pedir... ARGH! — seu sorriso sarcástico morreu quando ela apertou o ponto doce que o fazia se contorcer de dor.

— Não tente ser engraçado comigo, seu desgraçado! — ela rosnou, sequer movendo-se do lugar. — Você me deve! Se o seu pescoço está grudado em seus ombros, é por minha causa, porque se dependesse de mim, não seria eu ou a Viúva Negra a te interrogar nesta sala. Seria a porra do Soldado Invernal, porque eu faria questão de fazê-lo voltar à superfície, e você não iria gostar, iria? — ele engoliu em seco. — RESPONDA!

— Não. — foi um sussurro. — De verdade, eu não sei onde ela está. Tudo o que eu sei é que Priekov quer consertar um erro. Ele quer que eu injete essência do anjo na Pétala. Esse é o único trabalho que me interessa desde mais novo...

— Por que ele quer fazer isso? Ela já não possui poderes suficientes? — arqueou a sobrancelha, ao passo que Roberto riu, abanando as mãos com descaso.

— Você não sabe o que significa essência do anjo, não é, Mary? — rebateu sarcasticamente. — Coloque seu latim para funcionar: flos fecunditas.

Flor da fertilidade.

— Mary? — Natasha desencostou-se da parede, arqueando a sobrancelha para ela.

— Por que a Hydra iria querer injetar algo chamado “flor da fertilidade” na Pétala? Não tem sentido algum! — disparou. — Se eu souber que você está tentando fazer alguma gracinha...

Ele arregalou os olhos.

— Não! Eu não estou brincando! — disparou de volta. — Igor Priekov me pediu para criar um soro baseado na flos fecunditas, como o que eu fiz para você, mas sem a parte do gene X que ampliou os seus poderes. Ele estava interessado na história dos índios flora. — Marnie arqueou a sobrancelha, cobrando uma resposta dele. — Esta flor foi primariamente encontrada num dos sítios arqueológicos espalhados pela Amazônia. Segundo a lenda, uma índia utilizou o chá da planta para trazer de volta a saúde de sua única filha, que não podia dar à luz. Esta lenda passou-se de geração a geração, e todas as índias tomam esse chá assim que menstruam, para manter a saúde uterina. — PUTA. QUE. PARIU! Natasha finalmente afastou-se da parede, alarmada. — É um efeito colateral do seu soro...

— Continue. — rosnou para ele quando o mesmo tornou-se reticente demais para o seu gosto.

— Seu pequeno monstro morreu porque a Hydra te entupiu de remédios quando você estava grávida. Não havia nenhum registro de sua condição até que a barriga começasse a aparecer. — respondeu-lhe, encolhendo-se ao sentir uma pancada em seu cerne. — Mas isso não te impede de ter outros filhos. Você é extremamente fértil por causa da planta.

Que doce você me dar esse tapinha nas costas, eu já sei disso. — disse-lhe sarcasticamente, endurecendo sua expressão. — Seria credível se você não soubesse sobre o meu filho. E não minta para mim! Eu sei que você sabia sobre ele!

Ele riu. Uma risada cruel, que a fez tremer e quase retirar seu domínio sobre ele.

Ah... eu estive esperando por esse momento. Quando você estaria sozinha para ouvir tudo o que estava entalado em minha garganta... — disse triunfantemente.

— Limpe a vista, idiota. — Natasha jogou uma de suas facas na direção dele, cravando-a na parede. — Ela não está sozinha.

Ele tremeu um pouco, mas voltou a falar como se ela não tivesse incomodado-o.

— Eu sabia sim sobre o seu filho, mas eu quis que você soubesse o que a minha mãe sentiu quando perdeu o meu irmão. — disse-lhe, fazendo-a arregalar os olhos, confusa, hiperventilando quando sentiu a verdade emanar dele. — Eu queria que você pagasse pelo que causou à minha família, sua bastarda desgraçada!

Mary levantou-se rapidamente, tão confusa quanto enfurecida.

— Como assim?! Rosália é minha mãe também! — disse alto.

— Não. — ele respondeu-lhe triunfantemente. — Você não é filha da minha mãe. Nunca foi! — ele arrastou a cadeira para ficar mais próximo dela. — Nunca te passou pela cabeça que a vovó Rosa jamais foi ruiva? — riu-se. — Você é mais burra do que eu imaginava! — gargalhou, contorcendo-se quando ela voltou a prejudicá-lo com dor. — Nosso pai teve um caso com uma cientista da Hydra. O nome dela era Milla Dubrov, eu acho. Ela era russa, se eu não me engano... mamãe perdeu o bebê que ela esperava quando descobriu sobre o caso deles. Meu irmão nasceu natimorto. Isso não é poético? — Marnie começou a sentir-se enjoada com a fala dele. Com os sentimentos que ele emanava... — E quando você nasceu, ela só te aceitou para preencher o vazio que o bebê morto deixou. Só eu sei o quão mal ela se sentiu. As noites que ela passou em claro contigo chorando, dando do leite que pertencia ao meu irmão, alimentando o fruto da traição do meu pai para que você não morresse também, porque a tua mãe te rejeitou. Ela teve pena de você. E sabe o que me dá mais prazer além de ter arrancado a cabeça do monstro que o Ativo colocou dentro da sua barriga? É saber que as gêmeas jamais foram suas irmãs. Elas também foram fruto de uma traição, mas Ronaldo já estava morto, então eu não posso dizer algo assim... — sua cabeça girava. Ela sentia como se pudesse desmaiar a qualquer momento. — Toda a minha vida acadêmica, todos os meus dias, eu contei os segundos para poder arruinar você. Desde que eu descobri que você era uma mutante como a sua mãezinha, este foi o meu deleite. Eu nunca me arrependi de ter te arruinado. Eu teria feito mais se a Pétala e o maldito Capitão América não tivessem te tirado da base. Se ele não tivesse me batido para passar pelo laboratório... acho que ele nem se lembra disso, mas não importa. Tudo o que importa é que agora você sabe. Sabe que está sozinha no mundo e que jamais terá um colo de mãe para voltar, porque ela não te quer. E duvido que a minha mãe irá te querer também quando souber de como você se tornou uma vadia fácil.

Mary assentiu, lutando contra as lágrimas. Ela não daria esse gostinho a ele.

Aproximou-se de seu irmão, agarrando-o pelo pescoço do mesmo modo como James havia lhe ensinado, cortando imediatamente o seu fluxo de ar.

— Tudo bem, você já deu o seu showzinho, agora... — ele ficou arroxeado, os olhos saltando. — Onde está a Pétala?

Ele engasgou-se de medo quando ela soltou-o.

— Eu não sei. Fui vendado todo o... — ela bateu em seu rosto, fazendo questão que ele sentisse o dobro de dor que era para sentir. — EU NÃO SEI!

— Fale. A. verdade! — segurou sua bochecha com força, fazendo-o sentir ainda mais medo dela, o que não era muito difícil. Ele sempre foi covarde.

— A descrição do local onde ela foi armazenada está no meu laboratório. — disse por fim. — Fica próximo à orla de Ipanema. O resto das doses está guardado lá, numa caixa roxa. Eu não levei todas as ampolas quando me tiraram de casa e me levaram para longe quando me vendaram. Tudo que eu me lembro é que a base fica num lugar úmido e cheio de mosquitos e próximo à fonte da planta. A Pétala quebrou minhas três ampolas que eu levei. Se Priekov descobre o resto, o seu tempo acabou. Ele vai sequestrar o Capitão logo em seguida. E vai fazer com a sua amiguinha o mesmo que o tio Carlos fez com a cachorrinha dele: a sua mina de dinheiro, uma vaca reprodutora. O que é um tremendo desperdício com aquele corpo delicioso que ela...

Um soco explodiu no meio da cara dele, fazendo-o colapsar.

Natasha estalou os dedos da mão logo após recuá-la.

O que você vai fazer comigo agora? — perguntou-lhe em português quando as duas estavam saindo da sala. — Eu te dei o que você precisava.

Não sei, estou com preguiça. — ela respondeu-lhe. — E Deus te proteja se um dos supersoldados invadirem esta sala, porque eu não irei impedi-los de desfigurar a sua cara.

Então fechou a porta com força, tremendo.

Ela chorou baixinho quando Nat amarrou seus braços ao seu redor, beijando sua cabeça.

— Não pense nisso agora. — murmurou. — Não deixe que as palavras dele te envenenem. Nós te amamos, e eu tenho certeza de que a sua mãe também te ama. Não permita que ele te deixe mal, porque é isso o que ele quer.

Ela assentiu.

— Obrigada Nat. — murmurou de volta, se recompondo. — Vamos, eu aposto cem dólares que Steve está arrancando o que resta de seus cabelos.

E dito e feito. Lá estava seu amigo, andando de um lado para o outro com sangue nos olhos, passando as mãos pelos seus cabelos. Marnie até se encolheu quando ele a encarou, por causa das palavras de seu irmão.

— O que ele disse é possível? — perguntou-lhe suavemente, apesar de sua raiva. Não era endereçada a ela.

— Liga para Hanna. — disparou antes de tudo. Imediatamente, James acionou a tela. Todo mundo estava tenso, também quem não estaria num momento desse? A pequena coreana apareceu na tela, já sendo bombardeada pelas suas palavras. — Han, vai buscar o exame mais recente que você tem de Lya, pelo amor de Deus. É urgente!

Arregalando os olhos, Hanna correu sem perguntar, voltando dez minutos depois com uma pasta cinza.

O que tem a ver com...? Dá para vocês me explicarem o que está acontecendo?! — disparou confusa.

Mary respirou fundo, assentindo para Nat, porque ela sabia que não teria voz para repetir o que seu irmão havia lhe dito.

— Roberto Monteiro nos disse que o plano sujo que a Hydra tem para a nossa Lya é bem mais sujo do que nós imaginávamos. — a Viúva começou a falar. — Ele quer injetar nela algo chamado flos fecunditas, a flor que dá origem aos poderes de Mary, altamente fertilizante segundo uma lenda nativa. — Hanna arregalou os olhos. — O plano deles é fazer de nossa amiga uma vaca reprodutora, obrigando-a a ter filhos repetidamente, combinando o DNA dela com o de Steve. Para fins nefastos que nós ainda não temos conhecimento.

E é um plano “bem arquitetado”. — a pequena comentou horrorizada, folheando a pasta de exames. — Eu andei pesquisando como quem não quer nada, porque essa foi uma das minhas opções para tese de mestrado. É claro que eu jamais publicaria nada sem a autorização de vocês. — olhou para Steve, que assentiu, permitindo-a prosseguir. — Eu cheguei à conclusão que se algum dia fosse possível vocês dois terem filhos próprios, eles inevitavelmente nasceriam como mutantes, por conta da poderosa mistura de seus genes.

Marnie sentiu o loiro tombar emocionalmente. Ele disfarçou isso agarrando-se à mesa.

— Se aproveitar do corpo dela desse jeito é o cúmulo da crueldade! — James sussurrou cheio de ódio. — Han, isso é possível?

Ela parou de folhear a pasta, dobrando-a antes de mostrá-los a imagem de ultrassonografia.

Eu não tenho cem por cento de certeza, mas sim, há alguma possibilidade. — cara, ela não queria ouvir aquilo. — Pelos exames que nós fazíamos semanalmente, dá para ver que ela ainda tem seu útero praticamente intacto. — Mary fechou os olhos com força. — Mas não há óvulos nele. É impossível dizer se essa coisa vai funcionar ou não. É como dar um tiro no escuro. Isso pode dar algum tipo de câncer nela se for feito do jeito errado...

— Eu não quero ter que voltar lá embaixo para perguntar àquele desgraçado, mas... — Marnie começou.

— Você não vai. — Steve disse tocando sua mão. — Ele já deu o seu show cruel. E tem alguém que vai interrogá-lo, esse alguém sou eu. — ela ficou com medo da expressão de puro ódio que ele tinha. Ele iria machucar a praga do seu irmão, e por mais que ela o odiasse, ela não queria que ele fosse machucado, isso era tão...

— Ele disse que havia mais ampolas do soro na casa dele. — Bruce (santo Bruce!) veio ao seu socorro, atraindo o olhar de todos para cima dele, que corou. — Se trouxerem as ampolas para mim, eu posso examiná-las. São as únicas que existem, então precisamos chegar lá antes da Hydra.

O loiro assentiu.

— Você tem razão. Devemos nos apressar. Monteiro disse que Anna estragou as únicas ampolas que ele havia levado... — ele limpou a garganta. — Se você não estiver pronta para sair, podemos testar as câmeras... — olhou para ela.

— Eu vou. — Mary ergueu o queixo, mostrando-lhe que estava bem. — Eu sei onde fica, vocês não. E mais: está rolando uma prévia carnavalesca lá embaixo, as coisas vão ficar confusas. Vocês nunca andaram pela cidade do Rio de Janeiro desta maneira...

Estamos indo hoje para nos juntar a vocês. — Hanna voltou a falar, soltando um rosnado quando todo mundo abriu a boca para contra argumentar. — Eu não quero saber de conversa! Estou tomando o primeiro quinjet para o Rio de Janeiro, vou enfiar Thor e Loki dentro dele e é melhor vocês me darem as coordenadas, senão eu sou capaz de forçar meu novo amigo a enfiar um raio na bunda de vocês, então me poupem da fadiga, porque eu nem sei por onde começar a ameaça-lo.

Que tal começar por uma greve de leves?, sua mente não prestava...

Eu sei. — Loki gritou da cozinha, fazendo Mary rir, negando com a cabeça.

— Tudo bem. — Steve voltou a falar. — Mas você ficará dentro do laboratório o tempo todo, e isso é uma ordem! — ele atropelou quando ela abriu a boca para rebater. — Você definitivamente não está indo confrontar a Hydra conosco. Agora, eu mesmo mandarei as coordenadas. Venha imediatamente, ok? Precisaremos de todos os exames dela.

Han assentiu e correu.

Thor corre aqui, a gente vai viajar! Bote a sua bunda asgardiana para funcionar, querido! — ela gritou do corredor. — Loki para de comer os doces da sua prima, quando ela souber vai enfiar seus chifres no seu rabo sem cuspe e eu irei ajudá-la! Cuidem logo, vadias, eu sou impaciente!

— Ok, é aqui que nós desligamos. — Marnie apertou o botão antes que Hanna dissesse algo que comprometesse o seu segredo. — Vamos nos vestir? — arqueou a sobrancelha. — Precisamos arrumar fantasias suficientes para um batalhão. Eu preciso começar a providenciar isso o quanto antes...

Correu para fora da sala.

— Ei! O que você quer dizer com “fantasias”? — Steve gritou para ela.

— Vamos para um bloquinho, Cap! Tá calor e você não sabe como vai cozinhar dentro do seu traje. — respondeu-lhe. — É quase carnaval, então relaxa. Eu sei o que estou fazendo.

E com isso, ela sumiu no corredor.

*

— Eu quero testemunhar

Gritar na luz santa

Você me traz de volta à vida

E é tudo em nome do amor —

Ela parou de sentir seu pescoço formigar quando chegaram à nova base.

Lynna tentou não entrar em pânico, mas era inevitável. Ela não sabia como aquela tecnologia funcionava. Ela tinha que ajudar seus amigos a encontrarem o seu paradeiro, pois não havia como sair dessa selva sozinha.

Surpreendentemente, ela não recebeu uma venda quando foi deslocada, por mais que tivessem algemado-a.

Há muito, eles já haviam desistido de tentar despertar a Pétala, o que era bom, pois isso já estava cansando a sua beleza. E a sua energia, que foi drenada após sua última seção de tortura. Eles jogaram-na numa sala repleta de viúvas negras porque ela quebrou nariz do irmão de Marnie e quase o matou. Ela também havia lhe dito que sua irmã estava morta e tudo o que o desgraçado fez foi rir e dizer um ‘já foi tarde’.

Filho da puta esse cara!

Mas ela não foi castigada apenas por isso.

Igor enfiou-a numa sala cheia do seu pior medo porque ela quebrou as ampolas que o cientista havia trago consigo.

Fosse lá o que elas fossem, seu ato de rebeldia causou um colapso no albino, que surtou legal, tentando batê-la, mas quebrando sua mão ao tentar tocar nela, como havia acontecido com sua amante, coisa que o enfureceu ainda mais.

Ela ainda podia sentir as picadas das aranhas, enquanto se sentava na cama de armar de sua cela, após ter roubado um dos comunicadores com fio da Hydra, esperando que eles não desconfiassem de nada...

Depois de muito bater, ela conseguiu conectá-los com algum custo para suas mãos escorregadias de suor. Os pernilongos também não lhe ajudaram, aqueles pequenos bastardos.

Por que é que Noé colocou-os na arca? Ela jamais o perdoaria por isso!

Tem alguém me ouvindo?”, perguntou num sussurro inaudível. “Eu estou bem, estou na superfície e como Marnie me disse antes de partir, eu sou fuderosa. Mas não posso fazer isso sozinha. Eu preciso da ajuda de vocês”. Tomou um longo suspiro. “Espero que acreditem que sou eu. Eu sei sobre o patch e arranjei uma forma de me comunicar... eu acho... observei Tony por tempo suficiente para saber como mexer nessas bugigangas...” riu baixinho. “Steve, se estiver ouvindo isso, saiba que sua bunda continua sendo mais bonita que a de Bucky, e que você tem um rombo no traseiro do seu traje principal, foi por isso que nós não parávamos de rir...” fungou. “Bucky, eu sinto muito pelo que aconteceu com Mary. De verdade. Ela era como uma filha que eu nunca tive, e que jamais terei... eu a amava, quero que você saiba disso. Eu não tive forças para lutar contra a Pétala até que eu a visse morta. Eu não aguentei a dor, como disse que não aguentaria... a única razão para eu estar viva é vontade de me vingar” fungou, aproximando ainda mais o com da boca. “Quero que saibam que eu estou numa cidade chamada Manaus. Fica na Amazônia, eu acho. Eles me trouxeram para cá faz pouco tempo. A base fica profundamente na floresta. Vocês têm pouco tempo. Eu não sei até quando minha resistência aguentará... amo todos vocês”.

Então desligou.

Longos minutos se passaram, enquanto Lynna olhava para as paredes, recobrando suas forças, tentando não imaginar as picadas daqueles animais peçonhentos, tentando não imaginar que elas poderiam estar escondidas debaixo do colchão dela...

Irritada, ela levantou-se um salto longo, fazendo sua camisola bege balançar contra seu corpo nu por baixo do tecido.

Ela não podia esperar que seus amigos fizessem tudo.

Se ela quisesse sair, ela teria que facilitar o caminho primeiro.

Tomando coragem, ela armou-se para escapar para o corredor.

Contudo...

Seu sangue gelou ao ver Ergor Priekov em sua frente, encarando-a com um olhar doentio em seus olhos claros.

Indo a algum lugar, minha Pétala? — perguntou-lhe, arqueando a sobrancelha grisalha.

Ela engoliu em seco.

Lynna não sabia o que dizer, mas havia algo sobre este homem que ela simplesmente não tinha forças para lutar contra. Era como se ela voltasse a ter dezesseis anos, voltasse a ser aquela menina assustada outra vez, sem poderes para revidar nada do que ele fizesse contra si...

Sem que ela dissesse uma palavra, o homem agarrou seu quadril, com a mão esquerda, enquanto serpenteava a mão direita pelo seu corpo, fazendo-a sentir-se suja e com frio.

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Eu mal pude esperar para que meu filho tirasse suas mãos de você. — disse-lhe perto demais. Ela ainda conseguiu colocar suas mãos no peito dele para tentar fazê-lo afastar-se de si, mas agora aquele cretino havia assumido toda a força. — Você cresceu bastante desde a última vez... — sua mão esquerda arrastou-se para sua bunda, agarrando um pedaço considerável dela. — Parece-se mais com a bezerra que eu adoraria criar, para me dar bonitos garrotes de cabelos vermelhos. — ela quis vomitar com a fala dele.

Solte-me! — rosnou, tentando empurrá-lo para longe.

Eu não posso, minha Pétala. Você e eu temos assuntos inacabados... — ela foi jogada contra a cama de armar, quase colapsando ao tê-lo em cima de si.

SOCORRO! — berrou. — SOCORRO!

Caralho!

Igor pelo menos tiraria seu pai de cima dela, não podia?!

O homem riu, sentando-se literalmente em cima de seus quadris.

Grite, grite mais alto! — ele colocou suas duas mãos ao redor do decote modesto de sua camisola, rasgando-a em duas metades num piscar de olhos. — Nós ainda nem começamos e eu a farei molhada para mim.

Ela estava totalmente o oposto de molhada.

Tentou cobrir sua nudez com as mãos, mas Ergor foi mais rápido e segurou seus braços um de cada lado de sua cabeça, descendo seu rosto para tentar marcá-la com a boca.

Ele não chegou muito longe.

De repente, sua consciência voltou a si e Lynna chutou-o nos ovos, fazendo-o urrar de dor e sair de cima de seu corpo, cambaleando.

Não ouse tocar em mim! — berrou, tentando evocar seus poderes, conseguindo uma lâmina sutil.

O homem riu sadicamente, aproximando-se dela com uma mão segurando sua virilha.

O que foi, querida? Eu não sou patriótico o suficiente? — aproximou-se de si, soltando um grito quando teve a lâmina cravada em seu ombro, numa posição onde ele não poderia alcançá-la para tirar a coisa de si e atacá-la com ela. — Sua puta! Vou ensiná-la a obedecer seus comandantes!

E com isso, ele avançou outra vez, abrindo suas pernas com uma mão e esmagando seu seio esquerdo com a outra, provavelmente deixando uma marca.

Antes que ele chegasse à Ophelia, Lynna esmagou a mão dele com os músculos e os ossos das coxas.

Ele gritou de dor, mas sua determinação não cedeu. Ele estava vindo com tudo para cima dela, fazendo-a sentir sua ereção doentia e microscópica contra sua barriga.

Num último recurso, a ruiva mordeu o nariz dele, grunhindo ao puxar de volta, praticamente arrancando-o, se fosse possível.

O homem soltou um urro e sua cabeça explodiu contra a parede, fazendo seu mundo girar com o empurrão que ele havia lhe dado.

Vadia! — berrou com a voz embargada pelo seu sangue escorrendo. — Você vai me pagar! Eu irei esfolar a sua boceta!

Antes que ele chegasse a qualquer lugar perto dela, algo o puxou violentamente pra longe, fazendo-o bater como um pedaço de merda no chão.

Sua cabeça girava, latejava e doía tanto, que ela achou que estivesse sonhando ao ver Steve diante de si, com um olhar de preocupação em seus olhinhos azuis.

— Anna! — ele murmurou entre aliviado e extremamente preocupado. — Droga, você está sangrando!

Ela riu suavemente.

— Eu mordi o nariz de um filho da puta, só isso. — murmurou de volta, esticando a mão para ele. — Você veio me buscar! — sorriu debilmente, tocando seu rosto como se fosse pela primeira vez, fazendo-o sorrir também. — Olha, tem um urso feio atrás de tu.

Rapidamente, Stevie esmurrou a pessoa, que caiu no chão outra vez. Ela gargalhou, tossindo ao sentir sua cabeça doer.

— Steve! — ela ouviu a voz de alguém, então passar a olhar para essa pessoa. — Meu Deus!

— Marnie! — disparou feliz. — Você está viva, sua peste! Eu juro que te vi morrer! Você deve ser tão irritante que a morte não te quis, o que é bom para nós, mas se você comeu meus doces...

Ela ajoelhou-se ao seu lado, checando algo atrás de sua cabeça. Os dedos dela voltaram ensanguentados, fazendo-a arregalar os olhos e rir.

— Isso é mal! — a pequena sibilou. — Eu acho que ela tem uma concussão...

O urso feio disse alguma que fez Stevie retesar seus músculos.

— Bucky, leve-a para o Helicarrier. — ele disse seriamente. — Eu tenho alguns assuntos inacabados com esse filho da puta.

— Ui! — ela comentou quando sentiu a mão gelada de Buck circular suas costas. — Alguém já te disse o quanto você é sexy quando fica bravo? — o loiro tinha uma expressão preocupada. — Fica assim não, chuchu! Eu estou bem!

Ele aproximou-se dela, beijando seus lábios suavemente.

— Não deixe que ela durma, Buck!

Assentindo, seu irmão levou-a para fora.

— Buckie... eu tô pelada? — perguntou-lhe com a voz embargada, como se estivesse bêbada, sentindo o vento arrepiar sua pele enquanto ele caminhava com ela pela base.

Várias pessoas pararam para ver a cena dela sendo levada no colo.

— Sim, você está. — ele respondeu-lhe calmamente.

— E você acha que todo mundo está vendo? — voltou a perguntar, fazendo-o rir baixinho.

— Sim, Lya, todos estão vendo a sua bunda branca. — ele murmurou contra seus cabelos, cheirando-os.

— Me cobre! — exigiu. — Eles não podem me ver assim! Eu sou uma moça de família! — ele riu, então ela bocejou. — Eu estou com soninho, será que eu posso tirar uma soneca...?

— NÃO! — berro dele a assustou, fazendo-a abrir as pestanas rapidamente. — Você não pode dormir! — rapidamente ele a colocou com as pernas escarranchadas em sua cintura, para que a mão de carne dele cobrisse sua bunda com um tecido, enquanto a mão de metal tocava sua testa, tentando fazer o seu soninho ir embora. — Converse comigo, Lya! Vamos! Fale sobre qualquer coisa!

Ela riu baixinho, acariciando seu rosto suavemente.

— Eu quero maquiar você. — murmurou. — Eu tenho um shampoo em casa que vai fazer os seus cabelos ficarem macios para eu poder cacheá-los. — tagarelou, passando os dedos pelos fios castanhos dele. — Nunca corte os seus cabelos! Eu quero fazer penteados neles!

— Ok. — ele murmurou, arrumando-a em seu colo, enquanto ele subia em uma rampa. — Mais alguma recomendação?

Ela riu.

— Posso dormir? — perguntou manhosamente. — Eu estou com soninho Buckie! Não seja cruel com a sua irmãzinha! Deixe que eu tire um cochilo, eu prometo que ficarei quietinha!

— Você pode fazer tudo menos dormir! — ele resmungou, fazendo-a chorar.

Ela soluçou alto, então aumentou o volume ao ver o seu loiro cruzar a entrada do local que eles haviam adentrado, porque ela sabia que fazer chantagem emocional com ele sempre funcionava.

— STEVIE! BUCKY É MUITO MAL E ELE NÃO QUER ME DEIXAR DORMIR! — berrou na orelha do moreno, chorando alto.

Stevie rapidamente passou seus braços ao redor de seu corpo, protegendo-a com o seu tamanho, enquanto Bucky ia pegar o urso feio que ele Marnie carregavam.

— Ele está certo, amor. — sussurrou carinhosamente em seu ouvido. — Você não pode dormir, porque isso lhe fará mal, mas eu prometo que te deixarei dormir o quanto você quiser se vier comigo a um lugar.

Seus olhos piscaram de curiosidade.

— Que lugar? — perguntou-lhe, ansiosa.

Ele riu baixinho.

— Venha comigo, sim? — ela assentiu, permitindo-o caminhar consigo pelo espaço.

Lynna foi deitada numa maca, onde alguém parecido com Bruce Banner cobriu-a com um lençol azul.

— Oi Bruce. — ela balbuciou esticando seus braços para ele, fazendo-o franzir o cenho para Stevie. — Eu estou pelada!

— Encontramos Priekov tentando estuprá-la. — a voz do loiro cobriu-a como um manto, mas ele estava com raiva. — Ela bateu com a cabeça na parede violentamente. Mary disse que pode haver uma concussão...

— Eu chutei as bolinhas dele. — Lynna balbuciou inconscientemente quando Stevie ajoelhou-se ao seu lado. — Ele sentiu dor.

Ele riu baixinho, tirando os cabelos de sua testa.

— Eu estou muito orgulhoso de você, meu amor. — murmurou. — Agora, você pode fazer algo por mim? — ela resmungou positivamente, tentando mandar-lhe um sorriso angelical. — Não durma! Nós vamos tirar a Pétala de dentro de você.

*

— Eu quero testemunhar

Gritar na luz santa

Você me traz de volta à vida

E é tudo em nome do amor —

— Você só fez isso porque me odeia! — ele ouviu Sam gritar, enquanto terminava de arrumar sua fantasia de marinheiro sexy que Mary lhe arrumou. Quando ele chegou à sala de comando, ele tentou, de verdade, Steve tentou não rir da fantasia de pintinho que seu amigo usava, mas foi impossível! — Steven! Até tu Brutus?!

— Gostei dos shorts. — Mary provocou, balançando as sobrancelhas para a peça de roupa que mal cobria seu bumbum. — E Sam, eu não te odeio, meu pintinho feio! — beijou sua cabeça, fazendo-o se contorcer.

Ela estava vestida de diabinho, enquanto Nat estava vestida de anjo. Wanda tinha uma fantasia de enfermeira, Pietro de unicórnio, Peter estava emburrado com sua fantasia de bebê, Tony estava vestido de bailarina, Clint era o seu parceiro e Bucky estava quase nu em sua fantasia de garçom.

Ele sabia que iria queimar brutalmente no sol, não sabia?

De qualquer forma, sob todos os protestos de Sam vestido de pintinho amarelinho, eles utilizaram a plataforma do Helicarrier atracado no porto para irem de carro, porque nem sempre dava para levar o quinjet ao redor, como Mary havia observado. Não havia lugar para colocar a aeronave.

Eles deixaram o veículo numa rua onde havia vários tipos estacionamentos supercaros.

Clint e Marnie ficaram namorando uma pilha de coxinhas, que eles acabaram comprando e comendo quase tudo sem dividir com ninguém, sob protestos ainda mais fortes do Falcão, que fez bico o tempo todo da viagem.

— Sammy, você não pode comer coxinha, porque você não pode comer a sua própria mãe! Tenha compaixão, homem, ou eu deveria dizer pinto?! — a ruiva anã disse depois que ele tentou roubar um salgado dela.

Ele acabou ganhado um saco delas, eventualmente.

Caminhar pela cidade do Rio de Janeiro foi refrescante para ele. Seria maravilhoso se eles estivessem ali para fazer algo turístico, mas não. Aquela era uma missão de resgate, e o seu coração sentia-se cada vez mais próximo de sua noiva.

Quando eles atravessaram o famoso calçadão de Ipanema, Mary acionou seu com, dando-lhes as coordenadas de uma casa escondida num beco, ele nem havia percebido esse beco antes!

As ruas estavam lotadas, pessoas estavam bêbadas, alguém seriamente havia lhe apalpado na bunda, por mais que ele soubesse quem havia sido... era o álibi perfeito para eles invadirem o laboratório, ao mesmo tempo sendo o maior impedimento deles.

Gente, eu acho que Sam está passando mal. — Pietro falou em seu com.

Ao seu lado, Mary arregalou os olhos.

— Foi a coxinha ou foi o Corote? — perguntou, encostando sua mão na boca levemente. — Eu disse que não era para ele tomar tantos goles, ele tem estômago fraco para bebida! E começar com cachaça não foi uma boa...

Não foi isso, seus idiotas! Eu “passei mal” para despistar um cara que eu vi. Eu acho que ele é da Hydra. Está indo para o mesmo beco que nós estamos tentando entrar. Ele tem um perfil baixo e... — ele parou de falar quando a ruiva anã o interrompeu.

— Ele pertence à divisão brasileira da SHIELD. Cara, eu sabia que a Hydra havia conseguido se infiltrar aqui também! — murmurou alarmada, arregalando os olhos para ele, apontando para um cara vestido de jaqueta preta nesse sol de rachar. Ele tinha cabelos e olhos castanhos, com uma pele queimada do sol. Seu porte era atlético, apesar de ele não passar do tamanho de Peter. — Temos que tirá-lo do caminho.

Eu cuido disso. — Natasha disse, sua voz saiu um pouco vingativa demais.

— Eu disse cuidar, e não matar. Se ele morre, a Hydra saberá que nós estamos perto. — sua amiga voltou a falar, arrumando o arco de chifres em sua cabeça. — Sam e Pietro podem tirá-lo do caminho... ele é gay...

Eu não vou seduzir ninguém! — Sam protestou.

Tudo bem, eu vou! — Pietro disse com a voz arrastada, em resignação.

Você não vai! — o Falcão argumentou.

— Não é para ninguém seduzir ninguém, Sam! É só para distraí-lo! — Steve argumentou, pacificando-os.

— Ele é um voyeur, o que significa que ele não se importará com uma demonstração pública de afeto... — Marnie voltou a falar, fazendo Steve engasgar com o olhar malicioso que ela havia dado a seus pobres amigos. — Agora... distraiam ele.

De onde eles estavam, puderam ver o modo como Sam praticamente rodopiou para procurá-los na multidão.

— Mas... mas... — ele tentou argumentar.

Suga logo a alma do meu irmão com um beijo, Sam! — Wanda comentou, sendo sutil como uma patada de cavalo.

Eles viram Pietro puxar Sam, agarrando-o sem pudores.

O homem que Mary havia apontado passou a tirar os olhos do beco, dirigindo-os na direção dos dois, que tinham bastante fogo para dar, fazendo-os assoviar pelo com.

Quem foi que disse que a Hanna era a vingadora que pegava fogo? — Tony colocou lenha na fogueira. Ele estava do outro lado, no calçadão. — Ah o amor jovem... como é que eu vou conseguir explicar sem rir para os meus filhos, que eu vi um pintinho beijar um unicórnio e eu sequer estava bêbado?

Bando de filhos da... — Sam resmungou quando eles começaram a gargalhar alto, sendo abafados pelo som do trio elétrico alguns metros de distância deles.

— Olha a língua. — ok, agora foi a sua vez de brincar com isso. — Mary, por onde devemos seguir já que a calçada está impossível de transitar?

— Empurrando. — ela respondeu-lhe. — Só há uma regra além do não é não nos bloquinhos: dance, ou você se fode.

Arregalando os olhos, Steve imitou o seu gesto, balançando-se precariamente por entre as pessoas, conseguindo atravessar o mar de gente quase sem levar uma dedada, o que significava que fora Mary esse tempo todo.

— Eu não estava te dedando Steven! — ela resmungou ao lê-lo. Ele havia esquecido que aquela criatura havia se tornado mais poderosa do que antes. — Samuel, Pietro, eu não mandei vocês pararem! O cara voltou a olhar para nós.

Vocês só queriam ver nós nos pegando, é isso. — Sam resmungou, logo em seguida fazendo o que Mary havia dito.

Pelo que pareceu uma eternidade, eles finalmente conseguiram encontrar a calçada sem cair de cara no chão. Bucky e Peter, que não haviam falado nada durante esse tempo todo em que eles estavam caminhando pela avenida, se juntaram a eles, por serem os mais próximos possíveis.

Os outros ficariam lá fora para ser o backup deles.

Steve não queria ser obrigado a trazer Loki, Thor, Visão, e todo um aparato da SHIELD para a briga, porque ele esperava que não houvesse briga.

A casa de Roberto Monteiro possuía vários recortes de jornais com a foto de sua amiga. Ele tentou não se sentir enraivecido pela forma como aquele cara a tratou, porque ele não queria incomodá-la, mas o jeito com que ele falou aquilo sobre a mãe e o filhinho dela...

Steve o bateria, se não fosse pelo olhar racional de Nat. Ela sabia como sua amiga se sentiria ao ver o bastardo ser desfigurado pelo seu punho. Foi essa a razão o impediu de não fazê-lo engolir as palavras que ele havia dito sobre Anna, e razão pela qual ele também não havia permitido que Bucky entrasse lá.

— O que devemos pegar, senhor Cap? — Peter perguntou, fazendo-o levantar a cabeça para longe dos papéis que cercavam a bagunça de Monteiro.

Ele sorriu para o Homem Aranha, pelo seu “apelido”.

— Você sabe que não precisa me chamar de “senhor”, não sabe? Me faz perceber que eu tenho mesmo cem anos. — respondeu-lhe calmamente, fazendo o rapazinho corar. — Pode colocar tudo na mala. Bruce examinará com cuidado.

— Além do mais, ele não precisará destas coisas para o lugar onde está indo... — Marnie se pronunciou, observando as ampolas guardadas numa caixa roxa. — Esta é a essência do anjo. — mostrou-lhes um líquido azulado dentro de uma ampola de vidro. — Vocês acharam alguma coisa?

Steve ia responder que não, mas Bucky o cortou.

— Aqui! — todo mundo correu até ele, que tinha um papel oficial da Hydra em suas mãos. Segundo o que ele já estava acostumado a ver no Complexo, eram alguns resultados dos exames de Anna. Numa marca d’água ao lado do símbolo da Hydra, havia um escudo pertencente a um estado brasileiro. — É do estado do Amazonas, não é?

Marnie franziu o cenho.

— Sim. — respondeu. — Como você sabe sobre isso?

— Vamos voltar ao Helicarrier, lá eu explico. — o moreno respondeu, colocando o papel dentro da mala/mochila de Peter. — Tem certeza de que pode aguentar isso?

O garoto assentiu.

— Sim, eu posso aguentar mais peso do que você imagina, Bucky. — disse-lhe, então saiu.

Dando de ombros, os outros três foram embora, trancando o lugar como se nada tivesse acontecido.

— O bebê está em movimento. — ele disse para seus amigos. — Ele tem as mamadeiras consigo... Mary, que tipo de código é esse?!

É, que tipo de código é esse?! Eu não sou um bebê! — Peter resmungou. — Galera, o cara está me seguindo.

— Merda. — Bucky resmungou, cortando a resposta de sua esposa. — Agora vamos ter que dar um jeito nele. De verdade.

— Levem-no para o Helicarrier, não queremos deixar suspeitas. — Steve comunicou, dançando para atravessar a avenida. — Mary, agora é sério! Para de me dedar!

Ela riu.

— Não fui eu besta. — ela brincou, vendo Nat imobilizar o cara que tentava capturar a mochila de Peter. — Foi um par de dedos. — ele estreitou os olhos. — Mas sério, não fui eu. Foi um carinha que tava te marcando. — ela ergueu o queixo para um homem fortão e loiro, que piscou para ele, fazendo-o arregalar os olhos. — Se uma certa deusa souber disso, é capaz daquele cara perder os dedos, mas como eu sou boazinha, eu vou manter minha boca fechada.

— Mas eu não. — Tony apareceu do nada com uma garrafa de Corote na mão. — Eu já te disse que gostei dessa bebida?

Marnie arregalou os olhos.

— Meu Deus! Pepper vai me matar quando descobrir que eu te viciei em cachaça! — disparou. — É melhor você jogar a evidência no lixo.

Seu amigo deu-lhe um sorriso amarelo.

— Tarde demais, eu já encomendei algumas garrafas dessa preciosidade para SEXTA-FEIRA. — disse.

— Se eu morrer, eu juro que volto só para te carregar comigo! — ela rosnou, caminhando para Sam e Pietro, que ajudavam a carregar o cara “casualmente”.

— Pelo menos, e irei para o céu, né? — disse alto, fazendo-a mostrar-lhe o dedo do meio.

Dando de ombros, o Homem de Ferro caminhou para o carro.

Repetindo o seu gesto, Steve arrastou Bucky atrás dele para “protegê-lo” do cara que estava dedando sua bunda.

— Esta foi a minha pior experiência no Brasil. — reclamou, sentando-se no banco do carona.

— Poderia ter sido pior. — Mary provocou. — Alguém poderia ter de dado uma dedada.

Seus amigos racharam enquanto ele revirava os olhos.

— Ah, as experiências da juventude... — Tony estava bêbado? — Alguém quer Corote?

— Alguém tem coxinha? — Sam disparou, ignorando Tony. — Cara, eu nunca pensei que fosse tão quente aqui!

— Você está no Hell de Janeiro, amor. O que queria? — a ruiva anã disparou, virando-se para encará-lo. — Mas o que coxinha tem a ver com o calor?

— É que eu sei que você e Clint fizeram um estoque delas! — seu amigo rebateu. — E eu estou com fome!

— Eu não vou difidir com ninguém! — o Gavião Arqueiro falou com a boca cheia. — Tire suas patinhas, Wanda!

A Feiticeira gargalhou, roubando o salgado da caixa dele.

— Não coloquei minhas mãos em nada! — ela disse inocentemente.

— Será que as minhas crianças podem calar a boca? — Bucky retrucou, dirigindo a minivan.

— Use o seu passe livre de mais velho enquanto pode, Barnes. — Nat resmungou estreitando os olhos. — Eu estou te marcando.

Ele fez um gesto de descaso para ela.

— Vocês sabem como retirar a coisa do modo furtivo? Eu estou com medo de enfiar essa banheira na água. — o moreno de olhos azuis perguntou, estreitando os olhos para os navios atracados.

— Biru-biru, biru-biru. — Tony colocou a cabeça para fora. — Fury, abre a portinha!

— Porque nenhum vingador é uma pessoa normal? — Steve enfiou o rosto nas mãos.

— Ei! — seus amigos protestaram. — Eu sou a pessoa mais normal que existe. — todo mundo arqueou a sobrancelha para Mary, que fingiu espanto.

O próprio Fury apareceu na frente deles.

— Olha o meu segundo pirata favorito! — Tony gritou. — Quer Corote?

— O que diabos é Corote? — Fury franziu o cenho.

— É uma marca de cachaça. — Marnie respondeu saindo do carro. — Tony bebeu mais do que o esperado. Coitados dos moradores de rua. Ele acabou com o estoque deles e agora os pobrezinhos terão que comprar a cachaça deles pelos olhos da cara.

O diretor da SHIELD olhou bem para o Homem de Ferro cambaleando, depois para Mary que tinha um sorriso de ‘ninguém segura ele’, então deu de ombros, porque Steve poderia apostar que ele já estava acostumado com as bizarrices do time.

Peter era o único normal da turma.

Caminharam para dentro, colocando a mochila do bebê em cima da mesa.

Cada um foi tomar banho para tentar tirar o glitter que Mary e Natasha haviam jogado em cima deles. Steve havia se queimado bastante, apesar do protetor solar.

Quando ele voltou à sala de comando, as duas ruivas já estavam debruçadas sob a mesa, observando os papéis coletados no laboratório.

— Nós falamos com Monteiro. — Nat comunicou-o assim que o avistou. — Na verdade, Bucky falou com ele. — Steve arregalou os olhos e encarou seu amigo, que tinha um semblante contrariado. — Ele não fez nada, mas conseguiu fazer o desgraçado abrir o bico sobre a cidade. A base fica na capital do estado que está gravado em todas as marcas d’água.

— Agora nós só precisamos descobrir qual base é a certa. — Marnie completou. — Já mudamos nosso curso para lá e...

Tem alguém me ouvindo?

Steve piscou, quase gritando quando Tony gritou assustado porque uma voz sussurrada saiu de seu tablet.

Eu estou bem, estou na superfície e como Marnie me disse antes de partir, eu sou fuderosa. Mas não posso fazer isso sozinha. Eu preciso da ajuda de vocês”.

Seu coração praticamente parou ao ouvir a voz de Anna vindo do dispositivo. Ele teve piscar algumas vezes e se beliscar para saber se aquilo era real ou não.

— É possível que ela esteja mesmo se comunicando conosco? — perguntou para ninguém em específico.

— Eu tenho certeza que foi ela. — Mary respondeu. — Eu falei mesmo que ela era fuderosa. Não menti.

Um sorriso apossou-se de si, foi inevitável.

Espero que acreditem que sou eu. Eu sei sobre o patch e arranjei uma forma de me comunicar... eu acho... observei Tony por tempo suficiente para saber como mexer nessas bugigangas...”.

— Filha de uma mãe russa! — seu amigo resmungou. — Quem diria que aquele interrogatório todo iria nos ajudar, afinal de contas?

Ele ria, mais controlado da bebida. Tony só podia ser mutante! Ninguém ficava “sóbrio” com tanta rapidez assim!

Steve, se estiver ouvindo isso, saiba que sua bunda continua sendo mais bonita que a de Bucky, e que você tem um rombo no traseiro do seu traje principal, foi por isso que nós não parávamos de rir...”.

— Viu que eu não estava errada?! — Hanna disparou, estranhamente com as pernas enroladas em Loki, que comia dos marshmallows rosas de Anna. Ele sabia que iria apanhar, não sabia? Steve só ficaria calado, porque ele queria vê-la batendo nele. — Você tem um bundão, Cap!

Ele fez um gesto de descaso.

. “Bucky, eu sinto muito pelo que aconteceu com Mary. De verdade. Ela era como uma filha que eu nunca tive, e que jamais terei... eu a amava, quero que você saiba disso. Eu não tive forças para lutar contra a Pétala até que eu a visse morta. Eu não aguentei a dor, como disse que não aguentaria... a única razão para eu estar viva é vontade de me vingar”.

A ruiva anã ficou com o os olhos cheios d’água com o que sua noiva disse, apertando as mãos em cima da mesa.

— Eu não acredito que a Hydra a fez acreditar que eu estou morta! — resmungou.

— Vai ver eles também acham isso. — Nat apontou.

— Vindo deles, tudo é possível. — Wanda também falou. — Finalmente conseguimos ficar um passo à frente da Hydra.

— Isso merece comemoração com Corote! — Tony gritou.

— Fica quieto, pinguço! — Marnie rosnou. — A gente tem que escutar o resto!

Tony fez bico.

Quero que saibam que eu estou numa cidade chamada Manaus. Fica na Amazônia, eu acho. Eles me trouxeram para cá faz pouco tempo. A base fica profundamente na floresta. Vocês têm pouco tempo. Eu não sei até quando minha resistência aguentará... amo todos vocês”.

— FURY CORRE AQUI! — Hanna gritou, levantando-se das pernas de Loki.

— Que baderna é essa? — o careca perguntou severamente.

— Lynna mandou-nos uma mensagem! — Tony respondeu, soltando o áudio dela outra vez. — Precisamos mudar o nosso curso para aquele museu que Mary havia visto, o que fica numa comunidade ribeirinha.

— Eu disse a vocês que os militares não se importam com a própria história! — a ruiva anã retrucou. — E outra, Roberto disse que ficava na fonte da flos fecunditas, e a fonte dela é um sítio arqueológico, aquele que estava destacado de azul! Não tinha como eles fazerem um museu daquele tamanho no meio do mato, ainda mais maculando aquele pedaço de terra!

Rapidamente, o diretor da SHIELD gritou uma ordem para seu com.

Steve pôde sentir a aeronave fazer a volta.

Ele não podia acreditar que sua violeta havia os ajudado tanto. Faltavam poucos minutos para eles se reencontrarem. Seu coração estava a mil agora.

*

— Mary, Tony, Sam? Vocês podem ver algum sinal dela? — ele perguntou para sem com, escondido atrás de uma árvore, o mais perto possível da entrada da base, que era para ser um museu de história.

Espera... calculando.... — o Falcão resmungou, controlando Asa Vermelha.

Ela está no décimo terceiro andar, Cap! — Mary disparou, acima de sua cabeça. — É melhor nos apressarmos. Ergor Priekov está se aproximando do quarto dela e ele não possui boas intenções.

— Então... — ele disse quase como um rosnado. Seu sangue ferveu com a ideia daquele homem asqueroso colocar as mãos em sua Anna. — Eu irei bater à porta!

Sem esperar o aval de ninguém, Steve colocou seu escudo protegendo o rosto e correu com toda a sua raiva para as portas grossas, derrubando-as num baque estrondoso, assustando os agentes que trabalhavam despreocupadamente em algum projeto asqueroso.

— Mas que...? — o albino começou a falar, mas parou quando quase perdeu seu pescoço com um movimento de seu escudo, que ficou preso na parede mais próxima a ele.

— Você perdeu, Priekov. A base está cercada. Eu irei levá-la, e me certificarei de que você jamais encoste num fio de cabelo dela. — disse-lhe em tom ameaçador, fazendo-o engolir em seco. Era bom que ele o temesse, porque o loiro não estava ali para brincadeiras.

Steve! — Marnie disparou com uma voz agoniada, arrancando o ar dos pulmões do homem abaixo dele. — Você precisa ir até ela, agora!

Assentindo, o supersoldado abandonou o corpo de Priekov no chão e correu para o elevador, quase gelando ao ouvir o grito desesperado que sua noiva havia dado.

POMOGITE! — ela gritava em russo, mas ele não precisava de tradução para saber que ela estava clamando por ajuda. — POMOGITE!

Steve se desesperou também, apurando os ouvidos para descobrir de onde vinha o som.

Krichi, krichi gromche! My yeshche dazhe ne nachali, i ya sdelayu eto dlya menya vlazhnym.

As vozes estavam se aproximando, ele abriu todos os quartos possíveis, mas ainda não havia lhe encontrado. Ele teve medo de chegar atrasado e ser tarde demais. Ele teve medo de que sua pequena tivesse mais traumas para enfrentar graças àquele filho da puta desgraçado.

Ne smey menya trogat'! — o berro dela foi o que o guiou. Ela estava na última porta do corredor.

Chto eto, moya dorogaya? YA ne dostatochno patriotichen?— o loiro assustou-se ao ouvir um grito, mas logo acalmou seu coração ao constatar que vinha do homem, e não dela. — Vy suka! YA nauchu tebya podchinyat'sya svoim komandiram!

Agora, Steve estava em frente à porta.

Ele tentou abri-la três vezes, mas a maldita estrutura era feita de algum tipo de metal poderoso, e infelizmente este idiota havia esquecido seu escudo lá embaixo.

A parede explodiu no segundo em que o Priekov pai avançou para cima de Anna, que estava completamente nua e jogada contra a parede, onde uma mancha preocupante de sangue escorria para o piso de cimento queimado.

O loiro viu vermelho. Ele iria cometer uma loucura se isso o permitisse salvar a vida de sua amada.

Suka! — o cara berrou com um grunhido doentio. — Vy sobirayetes' zaplatit' mne! YA skinu tvoyu pizdu!

Ele puxou-o para longe, não se importando onde aquele miserável iria cair. Tudo o que importava agora era o bem estar de sua pequena, que colapsava. Seus olhos saltavam das órbitas, confusos.

— Anna! — o alívio tomou conta de si. Finalmente, depois de tantos meses, ele a tinha em seus braços outra vez! — Droga, você está sangrando! — ele rangeu os dentes, vendo seu belo cabelo ruivo banhado no líquido quente.

A risada dela preencheu seus ouvidos. Ela estava com ele de novo, sua vida estava de volta aos seus eixos.

— Eu mordi o nariz de um filho da puta, só isso. — ela disse como se estivesse bêbada. Merda! Ela bateu muito forte com a cabeça. Aquele filho da puta vai pagar por isso! — Você veio me buscar! — seu rosto esquentou sob o toque dela. — Olha, tem um urso feio atrás de tu.

Utilizando-se de seu reflexo, Steve deu um murro na lateral da cabeça do russo enfurecido e cambaleante, que caiu como um pedaço de bosta no chão. Logo, logo, os passos de alguém lhe atingiram, fazendo-o ficar em alerta. Ninguém tiraria sua Anna de si outra vez. Ninguém!

— Steve! — seu coração se aliviou ao ouvir a voz de sua amiga. — Meu Deus! — ela parou alarmada atrás dele, vendo a faixa de sangue que escorria pela parede.

— Marnie! — ver o sorriso na face de sua amada foi a melhor coisa que ele veria em toda a sua vida, mesmo que bêbado. — Você está viva, sua peste! Eu juro que te vi morrer! Você deve ser tão irritante que a morte não te quis, o que é bom para nós, mas se você comeu meus doces...

Ele quis rir, mas a expressão tensa de sua amiga o preocupou.

A ruiva anã ajoelhou-se em frente à Anna, colocando sua mão atrás da cabeça dela para examiná-la. Steve poderia perder sua merda a qualquer momento, e ele teve que se segurar para não desfigurar o rosto daquele estuprador desgraçado, porque ele não queria estressá-la ainda mais.

Sua violeta riu, talvez pela pressão do toque dela de Marnie. Seus olhinhos estavam tão confusos...

— Isso é mal! Eu acho que ela tem uma concussão... — aquilo o drenou.

Merda! Isso era mesmo mau! A situação dela poderia interferir na cirurgia!

Se tivesse sido em outro contexto, eles poderiam fazer o procedimento calmamente. Mas agora... eles teriam que ser rápidos, pois uma concussão significava problema. Ela corria sérios riscos! Sua memória seria afetada, a vida dela estaria em risco, caramba!

— Eu deveria ter matado essa vadia quando tive a chance. — Priekov disse com a voz engasgada.

O loiro teve que ter bastante paciência nessa hora.

— Bucky, leve-a para o Helicarrier. — disse urgentemente para seu amigo, impedindo-o de bater no russo no lugar dele. — Eu tenho alguns assuntos inacabados com esse filho da puta.

O moreno atravessou o quarto, com uma expressão tão preocupada quanto à dele.

— Ui! Alguém já te disse o quanto você é sexy quando fica bravo? — Anna balbuciou enquanto era levantada. Ele queria rir ou esboçar qualquer reação sobre o seu comentário, mas ele simplesmente não tinha humor para isso. — Fica assim não, chuchu! Eu estou bem!

Levantou-se também, selando seus lábios, mesmo que fosse só por alguns segundos. Ele precisava senti-la outra vez.

— Não deixe que ela durma, Buck! — pediu suplicantemente para seu amigo, que assentiu e a levou para longe de si. — Agora... o assunto é entre nós dois.

— Steve. — Mary pediu em alerta.

— Está tudo bem, querida. — ele sorriu para sua amiga, que assentiu, provavelmente lendo o que ele queria fazer com aquele verme. — Eu não irei judiar muito do nosso prisioneiro. Ele pode ser uma testemunha importante... — e com isso, ele levantou-o pelo colarinho, jogando-o contra a cama de armar, que rangeu com o seu peso. — Eu deveria fazer o mesmo que você tentou fazer com ela, seu desgraçado. — o Priekov pai arregalou os olhos com o seus sorriso cruel. — Mas eu não desceria tão baixo. Acho que algum corretivo vai fazê-lo refletir por alguns dias...

Então, o loiro esmurrou a cara do russo, que engasgou-se com o seu próprio sangue. Ele sentiu como se pudesse matá-lo, mas não iria. Porque ele ainda era uma testemunha da SHIELD.

Ainda bem que a aparência dele não interessava à agência.

— Amigo, já chega. — Mary pediu tocando seu ombro, parando o seu soco no meio do caminho. — Você não quer sujar suas mãos desse jeito. — murmurou, tentando convencê-lo. — Ele não vale a pena. Você deve lutar para salvar a vida da sua princesa agora. Ela é precisa de você. — terminou em francês, fazendo-o derrubar seu braço.

— Você jamais irá encostar em minha noiva outra vez. — rugiu para o homem, que parecia uma bagunça sangrenta. — Ou em qualquer outra dama.

E com isso, ele o arrastou para fora da base, para o Helicarrier, onde ele seria mantido numa cela temporária até chegar a uma das prisões de segurança máxima da SHIELD.

— STEVIE! BUCKY É MUITO MAL E ELE NÃO QUER ME DEIXAR DORMIR! — ele arregalou os olhos ao ver Anna berrar nas orelhas de seu amigo. Ela estava chorando e isso o deixou agoniado.

Largou a carcaça de Priekov no meio do caminho e tirou-a dos braços do moreno, que caminhou resignadamente de volta à entrada da aeronave para trazer o comandante da Hydra para dentro.

— Ele está certo, amor. — tentou acalmá-la. — Você não pode dormir, porque isso lhe fará mal, mas eu prometo que te deixarei dormir o quanto você quiser se vier comigo a um lugar.

— Que lugar? — perguntou-lhe, olhando curiosamente para ele.

Ela nunca iria mudar... ah como ele amava esse seu jeito...

— Venha comigo, sim? — ele quase não a viu assentir, enquanto caminhava a todo vapor pela aeronave, infelizmente ignorando os olhares aterrorizados de seus amigos, que viam o sangue escorrendo do corte na nuca de sua pequena.

Steve deitou-a na maca cirúrgica, no timing perfeito para que Bruce pudesse cobrir a sua nudez com um lençol fino.

— Oi Bruce. — a voz embargada de Anna fez seu amigo encará-lo com uma interrogação. — Eu estou pelada! — ele quis rir da afirmação dela, mas simplesmente não encontrava forças para fazê-lo.

— Encontramos Priekov tentando estuprá-la. — respondeu enraivecido à sua pergunta silenciosa. — Ela bateu com a cabeça na parede violentamente. Mary disse que pode haver uma concussão...

Os olhos do cientista se arregalaram.

No mesmo instante, Nat, Hanna e Mary adentraram a sala, todas elas perfeitamente vestidas, mas a ruiva de cabelos curtos não usava luvas cirúrgicas como as outras duas. Ela vestia uma das luvas com os ferrões da Viúva. Ele sabia para que ela seria útil, mas rezava para que eles não chegassem a precisar.

— Eu chutei as bolinhas dele. Ele sentiu dor. — a voz de Anna o fez voltar à realidade.

Ele finalmente riu, varrendo os cabelos dela para auxiliar Marnie a colocá-los numa touca, enquanto Hanna examinava o tamanho do corte quando ele se ajoelhou à sua frente. A morena não podia fazer cirurgias como essa ainda, por isso iria auxiliar Bruce e a doutora Cho desta vez.

Os três já estavam prontos. Era só uma questão de tempo para que eles finalmente pudessem acabar com o sofrimento da sua pequena violeta.

Tudo o que eles precisavam era que ela ficasse acordada o tempo todo.

— Eu estou muito orgulhoso de você, meu amor. — encorajou-a, observando seus belos traços, memorizando este momento. A primeira vez em seis meses que eles se tocavam de novo... — Agora, você pode fazer algo por mim? — seu sorriso era a coisa mais linda... ele simplesmente não podia perder isso. — Não durma! Nós vamos tirar a Pétala de dentro de você.

Os olhinhos dela piscaram, fazendo-a encará-lo com curiosidade.

— Como? — perguntou-lhe, incrédula. — Eu a prendi com grades no meu cérebro. Ninguém pode tirá-la de lá. Eu tenho que dar na cara dela por ter matado a minha amiga!

— Ela não me matou, gênia! — Marnie retrucou-a, como se elas estivessem tendo uma conversa normal, e não tentando mantê-la acordada para salvar a sua vida. — Ela sequer chegou perto disso. E é claro que nós podemos tirá-la de lá, confie no nosso taco!

Um sorriso débil tomou conta do rostinho dela.

— Mary está viva! — murmurou alegremente, fazendo-o rir, mas seu semblante tornou-se tenso quando ele viu Hanna chegando até Cho com uma seringa enorme. Ele odiava seringas. — Que foi? Você não está feliz que ela está viva?

Ele sorriu outra vez, acariciando o rosto dela.

— Steve, deite-se na cama, por favor. — Bruce interrompeu a sua resposta. — Fique numa posição que permita-a envergar o pescoço para que possamos enxergar melhor o corte.

O loiro assentiu, imediatamente fazendo o que o homem disse, colocando seu queixo no vale dos seios de Anna, tomando cuidado para não expô-la ainda mais para o público, por mais que todo mundo ali já estivesse mais que acostumado a vê-la nua.

— Podemos dormir agora? — sua pequena perguntou, esticando os dedinhos para acariciar sua barba. — Você vai contar carneirinhos para mim?

Ele negou.

— Agora não, amor. O procedimento está apenas começando. — respondeu-lhe, desviando milimetricamente o olhar para o que a equipe médica estava fazendo, vendo Bruce ampliar o corte que Anna já tinha em sua nuca. — Logo, logo você estará livre. Não durma ainda.

Ela fez um biquinho de luxo.

— Mas Stevie! Eu estou com muito sono! Eu quero dormir! — pediu manhosamente, tentando ganhá-lo com um carinho de seu joelho no meio de suas pernas.

— Comporte-se mocinha! — ele disse mais severamente do que queria, corando fortemente quando foi obrigado a prender o joelho dela com suas coxas. Ela não tinha noção de que estava em público, o que o faria ficar mais envergonhado do que normalmente. — Você terá o que quiser quando tudo estiver terminado, agora, por favor, espere.

Ela emburrou-se, recusando-se a falar com ele por alguns segundos.

— Eu vou queimar suas cuecas! — rebelou-se, fazendo-o rir. — Não ria, eu estou falando sério!

— Eu comprarei outras. — brincou, apoiando-se melhor na maca, empurrando-se contra ela para aquecê-la, uma vez que ela não poderia se mover bruscamente e estava tremendo.

— Eu queimarei essas também. — resmungou, sonolenta.

— Não importa, eu posso conviver sem cuecas. — ele rebateu, beliscando seu quadril suavemente para fazê-la acordar. — Não durma!

Ela bufou, batendo em seu ombro.

— Eu estou entediada! Dá para começar logo?! — disse ranzinzamente.

— Encontramos o parasita! — Bruce comunicou-o de maneira triunfante. — Agora só temos que saber como extraí-lo sem machucá-la.

Steve assentiu, encolhendo-se um pouco com o barulho da máquina sendo acionada. Ele pôde ver pela primeira vez o time inteiro por detrás do vidro, observando expectativamente o procedimento.

Um gemido desconfortável deixou os lábios secos de Anna, que apertou-o em seus bíceps quando Bruce fez um corte profundo, atingindo o ponto onde a maldita Pétala estava entranhada dentro dela.

A criatura deu um grito de mal agouro ao começar a ser sugada para dentro do cilindro de vibranium que Shuri havia projetado para que essa coisa fosse armazenada lá sem deixar danos, porque nada poderia entortar o vibranium, caso ela tentasse sair.

— Não seja cruel! — Anna voltou a falar, suplicantemente. — Nós vamos voltar a nos encontrar outra vez... — sussurrou para ele, como se estivesse lendo seus pensamentos. — É necessário, Steve. — encarou-o seriamente, mas ainda distante, como se estivesse tendo algum tipo de visão estando completamente acordada. — Deixe-me dormir, ou o sofrimento será dobrado!

— Anna, não! — ele também suplicou. — Falta pouco! Você pode aguentar isso por mim? — ela não respondeu-o, encarando-o com os olhos perdidos, desfocados. — ANNA! — gritou, sacudindo-a para tentar reanimá-la. Pelo som dos aparelhos, ela ainda estava viva. — BRUCE, FAZ ALGUMA COISA!

Em pânico, o cientista checou o pulso dela e tentou acordá-la com leves tapinhas em sua face, mas de nada adiantou.

Rapidamente, Nat acionou seus ferrões, disparando um contra a coxa coberta de dela, e outro contra seu peito. Os dois zumbiram em seu corpo, mas nada aconteceu.

— Ela está mais resistente aos choques! — a russa disse agoniada, puxando os dardos para fora do corpo de sua amiga.

— Chame Thor! — ele pediu desesperado, tentando fazê-la acordar.

— Não dá mais tempo, Steve. — Hanna tocou o seu ombro. — A Pétala já foi extraída, agora tudo o que podemos fazer é esperar, rezar para que nada de ruim tenha acontecido com o cérebro dela... — balbuciou, tocando a ferida que o aparelho de Nat havia deixado em seu corpo. — Ela dormiu no momento crucial da cirurgia, quando o parasita estava sendo desconectado de si. Nós não temos notícias de operações como, então estamos totalmente no escuro. — sua sinceridade o feriu, mas ela parecia tão ferida quanto ele, o que o fez se acalmar. Um pouco. — Mas ela sobreviveu à Pétala durante todos esses anos. Ela é uma guerreira, amigo. Tenho certeza de que ela irá vencer mais essa batalha.

Ele assentiu, entre lagrimas, observando os olhinhos dela se fecharem lentamente.

E se ela perdeu a memória?

E se ela não lembrar mais de mim? De tudo o que nós vivemos...? Como é que encontrarei forças para conviver com isso?

— Em nome do amor, nome do amor

Em nome do amor, nome do amor. —

Notas finais
Mais uma vez, eu sinto muito pela demora, espero que tenham gostado do cap. Nossa garota está de volta! E agora, qual será o seu rumo? Até breve (porque eu já estou com medo de prometer alguma coisa e não conseguir cumprir hehe)!