The Captain and The Petal.
79 Sixty-seventh Chapter. - Somehow, it seems Petal has won.
Notas iniciais

De alguma forma, parece que a Pétala venceu.
Apesar de tudo o que seus amigos tinham lhe dito, ele ficara ali, observando-a dormir pacificamente, vendo a cor lentamente voltar às maçãs de seu rosto, dando-a um ar totalmente angelical, mesmo naquela luz terrível.
Sendo mais ousado, Steven permitiu-se tocá-la, sentir a textura de sua pele, enquanto tentava não chorar e se lembrar de que ela poderia ter perdido a memória durante a cirurgia.
Ele não podia culpar Bruce por isso. Seu amigo havia lhe avisado sobre os riscos. Eles eram terríveis de lidar mesmo com ela lúcida, imagina com o problema que ela teve após Priekov tê-la jogado-a contra a parede violentamente?
Engoliu em seco, apertando a mão dela com um pouco mais de força.
Ele não queria perdê-la como perdeu Peggy. Seu primeiro amor esqueceu-se de quem ele era. Bucky esqueceu-se de quem ele era. Steve sentia seu chão sumir abaixo de seus pés com o fato de que Anna também poderia esquecer-se dele.
Apertou o ursinho azul que ele havia dado a ela em seu primeiro encontro, sustentando-o em seu colo com sua mão esquerda.
Lentamente, os olhos dela tremelicaram, então sua noiva tomou um suspiro que ele reconheceria em qualquer lugar. Ela estava acordando!
Por favor, permita que ela não tenha perdido a memória.
Permita que ela não tenha se esquecido de nós...
As belas órbitas marrons se abriram, encarando-o lentamente, antes que ela retesasse seus músculos e se afastasse dele.
— Quem é você?! — as palavras nunca tiveram o poder de lhe ferir antes. Não como agora, não vendo o olhar de pânico que sua noiva tinha. — O que quer de mim?! Eu juro que não fiz nada de errado! Por favor, não me jogue lá outra vez, eu não fiz nada! Não me toque outra vez, seu monstro!
— Eu não... — ele tentou argumentar, mas foi cortado pelos gritos dela.
Sua pequena gritava pragas altas em russo, coisas que ele não conseguia entender completamente, entorpecido demais para filtrar as palavras que ele conhecia.
Alguém invadiu a sala, arrancando-o de cima dela.
— Tirem-no daqui! — ouviu Nat gritar por cima do barulho.
Não! NÃO!
POR QUÊ?! POR QUE O DESTINO TINHA QUE FAZER ALGO ASSIM COMIGO?!
*
Sua cabeça zumbia, ela não conseguia se concentrar em nenhuma voz ao seu redor, tudo estava um caos, e ao mesmo tempo, parecia que algo tinha sido arrancado de dentro dela, como um curativo, expondo todas as suas feridas.
Ela sentiu como se pudesse desmaiar, então, uma mulher de cabelos alaranjados apareceu em sua frente, tocando a testa dela com a mão direita, fazendo-a sentir algo a envolvendo como um manto.
Fosse lá o que isso fosse, acalmou-a.
“Durma”. A mulher disse assombrosamente no fundo de sua mente, fazendo-a cair nos braços de alguém, vislumbrando um único olho azul antes de sua visão escurecer.
*
— QUEM FOI QUE FEZ ISSO COM ELA?! — Hanna explodiu na sala, caminhando ameaçadoramente para Bucky, que se encolheu, tanto pelo tom de voz dela, quanto pelo fato de que Steve estava recuado à parede, chorando, e Han odiava ver seu amigo tão triste assim, e provavelmente ele também. — ABRE O BICO, BARNES! QUEM MACHUCOU A MINHA IRMÃZINHA?!
— Hanna, acalme-se! — oh garoto, ela não queria ficar calma. Na verdade, ela queria queimar alguém vivo. E seria quem quer estivesse tentando para-la. — Foi uma fatalidade, nós não tivemos como chegar a tempo!
— QUEM FOI, BARNES?! — ela agarrou-o pelo colarinho, tão desesperada quanto estava.
— Ergor Priekov. Ele tentou estuprar Lya, mas ela lutou com ele e foi jogada contra a parede tentando se proteger do seu assédio. — ele finalmente cedeu, arrancando um grito irritado dela. — Han, não faça isso! — pediu, agarrando-a pelo meio, quando ela tentou correr de volta para a porta.
— Eu vou matá-lo! — gritou, não se importando de chorar em frente aos seus amigos. — Eu vou queimá-lo vivo!
— Você não pode fazer isso, pequena! — as palavras de Bucky entrariam por um ouvido, e sairiam pelo outro. — Ele é uma testemunha importante, ele sabe dos planos da Hydra...
— Foda-se! — ela se contorceu, tentando sair de seus braços. — Ele vai pagar pelo que ele fez!
— Meu amor, matá-lo não trará a memória de Lya de volta! — seu irmão murmurou, tentando fazê-la acalmar, mas como ela já havia dito: Ela. Não. Queria. Ficar. Calma!
— Me solte Barnes, ou eu irei queimá-lo também. — sibilou ameaçadoramente, quase arrancando a pele da pessoa que tirou-a do aperto do moreno. Pela ousadia, só podia ser Thor. Ele era o único que ela não poderia queimar, então fazia sentido. — Solte-me você também! — rosnou, tentando sair do aperto dele, mas ela sabia que era impossível.
— Lady Hanna, por favor, acalme-se. — seu namorado sussurrou, tentando acariciar sua costela, onde sua mão a segurava. — Sua instabilidade não fará nada bem para o time, assim como para os inocentes que tripulam esta embarcação.
Caralho, ele tinha razão.
Lentamente, Han encostou sua cabeça no bíceps do mais alto, choramingando, enquanto tentava controlar sua raiva, apenas para descobrir que sua raiva não podia ser controlada. Ela precisava queimar, senão poderia perder suas energias de vez.
Sua raiva só se atenuaria se ela fizesse algo contra aquele desgraçado.
Mais tranquila, Hanna olhou ao redor, percebendo que Mary não estava na sala, assim como Wanda. As duas possuíam maior sensibilidade às emoções, e uma vez que as emoções de todos estavam em disparada... o que era bom, pois sem ela ali, seus amigos idiotas não teriam como prever sua ração.
Quando sua respiração finalmente se estabilizou, ela sorriu por baixo de sua cortina de cabelos, mordendo com força o braço do loiro asgardiano, que berrou alto, soltando-a por impulso.
Aqui estava sua oportunidade.
— HANNA VOLTE JÁ AQUI! — Bucky gritou, correndo atrás dela, xingando o universo por colocar garotas teimosas na vida dele. — VOCÊ NÃO VAI MATAR AQUELE HOMEM!
Ela voltou-se para ele do meio do corredor, com um sorriso que o fez parar tudo o que ele estava fazendo para revirar os olhos e rir baixinho, na mesma hora em que todos saíram de milhares de buracos.
Han teve que se segurar para não rir ao ver Thor aparecer no corredor com uma expressão contrariada por ter sido mordido, coitado. Ela sentia muito, de verdade, mas precisava fazer algo, ou iria explodir, literalmente.
— Eu não vou matá-lo, Barnes! — resmungou, cruzando os braços. — Eu não estava pensando direito. Há outras maneiras de se fazer um filho da puta pagar.
Xingando alto, ele arrancou uma faca da bota e jogou-a para ela, que pegou-a graciosamente.
— Bucky, você enlouqueceu?! — Steve disparou. — Você não entrega uma faca para uma criatura nervosa que quer MATAR uma testemunha!
— Relaxa, de verdade, ela não vai matar. — Bucky disse calmamente. — Fury não me autorizaria a entregar nada a ela se eu não tivesse plena certeza de que ela não iria fazer nada que atentasse à vida daquele desgraçado.
O loiro arqueou a sobrancelha, então seu irmão apontou para o ouvido esquerdo.
— Além do mais, a porta ficará aberta o tempo inteiro. Vocês poderão entrar lá se acharem que eu passei dos limites. — a morena argumentou, brincando habilmente com a faca. — E quer saber? Vocês acharão fácil tirar respostas dele e...
— Hanna Nuri, entre logo naquela sala, antes que eu te jogue dentro de seu quarto de castigo! — Steve resmungou severamente, fazendo-a assentir em prontidão. Ela teria batido continência, mas isso só o faria enfezado e ele poderia cortar seu barato, então não.
Eles seguiram-na até a sala onde Priekov fora mantido. Foi fácil de achar.
Han abriu a porta com um sorriso “angelical”, brincando com a faca.
— Fiquei me perguntando quando iria vê-la. Você e seu amiguinho alienígena destruíram a minha base favorita. — o desgraçado falou displicentemente com ela, como se não tivesse acabado de foder de vez com a vida de sua irmã.
— Primeiramente... — a faca foi cravada na mesa, fazendo-o tomar um impulso quase que imperceptível para trás, retorcendo seu rosto desfigurado pelo punho de alguém. Provavelmente o de Steve. — Você vai falar comigo em inglês, seu filho da puta. — aproximou-se dele. — Segundo, você achou mesmo que iria tocar na minha família e sair impune? — oh garoto, ele estava com medo. — Acho que socar sua cara não teria o mesmo efeito, já está toda deformada... — ela arrastou seu dedinho pelo ombro dele, circulando a cadeira lentamente, antes de abaixar-se na altura de seu ouvido para poder sussurrar: — Você merece uma lição melhor do que essa.
O queixo de Priekov se ergueu.
— Você não pode me matar. — ele olhava para porta, como se esperasse que a galera por trás do vidro fosse entrar para impedi-la. — Eu sei de coisas sobre a Hydra! Eu negociei isso com o diretor de vocês!
— Ah, meu querido, e quem disse que eu irei te matar? — Hanna encostou sua bochecha na do desgraçado, puxando-o pelo cabelo, para que ele pendesse sua cabeça para trás. — Seria muito fácil, por mais que eu fosse amar arrancar sua pele lentamente. — ele engoliu em seco. — Não. Eu tenho uma ideia melhor.
Soltou-o, então caminhou de volta à faca, capturando-a num gesto fluido.
— Eles não podem ter te deixado entrar aqui. — disse-lhe, tentando contorná-la.
— Vamos realmente começar com esse assunto de permissão? — Han arqueou a sobrancelha, girando a faca de Bucky entre seus dedos. — Você não teve a permissão da minha irmã quando a tocou, teve? — ela apertou a mandíbula quebrada dele, que gritou de dor. — Não. Então eu me vejo no direito de vingar a dignidade dela, de um jeito mais cruel do que o punho do Capitão América. — e com isso, sua mão esquerda desceu serpenteando pelo corpo dele, parando no zíper de sua calça. De onde estava, Hanna pôde ouvir Thor perguntar “o que ela está fazendo?”. Rindo de sua pergunta, ela abriu o botão e deslizou o zíper de Priekov, que suou frio. — Vamos ver o que você esconde por baixo de todos esses panos? — a morena rasgou sua cueca com a faca quando ele não respondeu. — Nossa, toda essa pompa para não ter absolutamente nada de interessante sustentando-se entre essas pernas flácidas? — olhou de maneira “depressiva” para o pênis do russo, que se pudesse ficar vermelho pela ofensa, ele ficaria. — Devo lhe dizer que eu já vi maiores, e melhores. — sua mão desceu para tentar segurar sua base. Ela teve que lutar contra o asco, porque ela precisava fazê-lo pagar por ter quase matado Lya. Com movimentos lentos ela bombeou-o de volta à vida, para ter algo para segurar enquanto fazia a extração. — É penoso, cara. Como um homem sem dotes como você pode ser tão arrogante? — a humilhação estava expressa em seu rosto danificado. — Eu juro que vou bater na cara da sua esposa se ela nunca te traiu na vida. — bem, pelo que ela conhecia de Milla Priekov, era óbvio que aquela mulher cheia de curvas e bastante jovem, tinha traído esse nojento. O desgraçado GEMEU quando ela continuou tentando arranjar uma forma de segurar aquela coisa minúscula, para depois arregalar os olhos quando ela apertou- com força, fazendo-o ficar roxo. — Não se preocupe, Ergor, eu não irei sentar em você. Na verdade, ninguém mais vai.
E com isso, a faca fez um corte limpo na base do pênis dele, arrancando-o com bolas e tudo.
O grito de agonia daquele filho da puta lhe deu muito prazer. Hanna queria dar-se um tapinha nas costas por isso.
— SUA PUTA DESGRAÇADA! — ele berrou, tentando soltar-se para segurar a lesão, ou para bater na cara dela.
A pequena jogou a cabeça para trás, gargalhando, enquanto levantava o pedaço de carne para ele, que tinha o olhar ferido e raivoso. Se aquele cara pudesse atirar contra ela, ele com certeza atiraria mil vezes em seu coração.
Ah, o falocentrismo...
— Oh, coitadinho dele... — esfregou a lâmina no rosto do miserável, limpando seu sangue de pau. Ele tentou escapar, mas acabou sendo cortado pelo fio da faca. — Isso foi pela Lya, e por todas as garotas que você molestou, seu estuprador. — ela posicionou a arma no pescoço dele. — Mas como eu ainda estou sendo boazinha, não posso permitir que você morra de hemorragia, e também não quero ser obrigada a arranjar sangue para o seu procedimento, então... segura para mim? Se você deixá-lo cair no chão eu arrancarei cada dedinho seu, portanto é melhor fazer o que eu digo. — colocou o falo na mão direita dele, que rangeu os dentes, mas não o deixou cair. — Bom menino. — sua mão livre se incendiou, antes de direcionar a chama para a carne mutilada e sangrenta, arrancando um grito agourento do macho escroto abaixo dela. — Obrigada pela sua ajuda. Agora, algum enfermeiro virá limpar a bagunça.
— Você vai pagar por isso! — ele latiu em russo.
Em toda sua glória, Hanna olhou para ele, sorrindo “docemente”, enquanto pegava o falo de volta.
— Eu quero ver você tentar. — e com isso, ela saiu.
— Hanna, minha querida, você super ameaçou sem prometer. — Mary pronunciou em provocação, fazendo-a rir.
Seus amigos masculinos estavam pálidos e meio duvidosos dela segurando a faca e o pinto de Priekov em sua mão esquerda.
— O que eu posso fazer? — deu de ombros. — Eu tinha que vingar a minha irmã de alguma forma...
O time seguiu-a de perto até a enfermaria, onde Sharon estava fazendo trela em cima da cama com Mia. A criatura conseguiu sentar-se com as pernas para fora da maca e estava balançando-as enquanto conversava alegremente com sua esposa igualmente rebelde. Ambas arregalaram os olhos para a cena.
— O que é isso? — a Carter perguntou, avaliando a procissão que vinha atrás dela.
— Um pênis. — Han respondeu tranquilamente, como se falasse sobre o tempo, mostrando o falo ensanguentado em suas mãos. — Sam, já que você não está fazendo nada de interessante, você poderia pegar um pote de vidro para mim?
Seu amigo avançou a enfermaria, ignorando a expressão assustada que Sharon tinha em seu rosto. Ele abriu o armário de recipientes e retirou uma jarra consideravelmente grande com uma tampa amarela, entregando-a em milésimos de segundo, com suas mãos trêmulas.
— Como esse cara irá fazer suas necessidades agora? — perguntou horrorizado. O pobrezinho estava cinza.
— Sammy, eu cortei o pinto dele, não o canal urinário! Eu acho. — Hanna revirou os olhos, fazendo sinal para ele abrir o pote. — Aquele desgraçado ainda poderá mijar, depois de uma cirurgia de reconstrução, como se ele tivesse uma vagina.
— Você arrancou o pinto do Priekov? — Sharon arregalou os olhos.
— Como você sabia que era o pinto dele? — Marnie disparou, cruzando os braços, segurando-se para não rir da expressão aterrorizada de cinco Vingadores icônicos, tirando Bucky e Loki, que tinham sorrisos de merda em suas faces.
Eles também não tinham medo do perigo?
— Dedução. — a loira respondeu, observando Hanna colocar o falo dentro do pote e iniciar o processo de conservação do órgão. — Ele mereceu.
— Isso aí! Morte ao pinto! — suas amigas riram com a fala de Mia.
— Garotas, não encorajem a loucura de Hanna! — Steve gemeu, saindo de seu transe, o que foi só sair de sua posição assustada com as mãos paralisadas ao lado do corpo, para colocá-las em seus quadris estreitos, o que não fez muita diferença. — Por que você acha que ele irá nos dar todas as respostas agora?
Han riu levemente, lavando suas mãos na pia.
— Porque é assim que funciona o falocentrismo, Stevie. — respondeu-lhe carinhosamente. — Retire o pinto de um homem arrogante como ele, e veja o que acontece. Foi uma sentença melhor que a morte, se quer saber.
Ele soltou um suspiro pela boca.
— Agora, dona Hanna... podemos saber de onde você tirou essa comparação entre os pintos? — Natasha, sendo a pequena merda que ela é, perguntou isso, fazendo-a engasgar um pouco, e a desgraçada da Mary morder o lábio para não soltar uma gargalhada. — Onde foi que você viu pintos maiores e melhores?
— Que foi? — arqueou a sobrancelha, cruzando os braços, tentando parecer firme, enquanto ela queria corar, ou tremer com a lembrança de um certo loiro pirata... — Eu já vi muita coisa na aula de anatomia, e já remendei a bunda de dois supersoldados, eu tenho parâmetros.
A ruiva deu de ombros, encostando-se numa das bancadas. Se ela aceitou sua resposta ou não, só o tempo poderia lhe dizer.
— Cara, eu tenho até medo pela pessoa que um dia namorar você. — Loki disse isso, arrancando uma gargalhada alta de Bucky, que se inclinou na bancada oposta à de Nat, talvez ele tinha se tornado um pouco histérico por causa de algo que Mary tenha lhe contado através do vínculo, porque esses dois idiotas viviam para infernizá-la com isso.
— Se for um garoto, é bem capaz de ele perder seu precioso colega se te irritar muito. — seu irmãozinho filho da puta disse, agarrando o ombro de seu cunhado, que gargalhou alto, indiretamente tirando sarro da cara de seu namorado, que parecia estar colocando os bofes para fora, pobrezinho.
— Thor, você está bem, cara? — Pietro perguntou, tocando o ombro do mais alto, que tinha seu único olho arregalado, enquanto a cor havia se esvaído de suas bochechas. Ele estava pior do que os outros.
— Sim. — seu pirata respondeu, encarando-a com medo.
Hanna riu baixinho, colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.
— Meninos! Eu não vou arrancar o pintinho de vocês, seus tapados! — disse-lhes tranquilamente, tentando passar essa mensagem para o alienígena à sua frente. — Não há razão para vocês ficarem assim, a menos que tenham feito algo de mau ultimamente. — estreitou os olhos. — Vocês fizeram? — todos os meninos negaram rapidamente, então ela sorriu e piscou. — Ok, já que não... vocês não têm outro lugar para ir não? Eu estou cansando minha beleza com vocês e Sharon precisa descansar. Você quebrou um braço e uma perna, garota! Comporte-se!
Ela ia abrir a boca para retrucar, quando Wanda apareceu na porta, ofegante pela corrida.
— Ela acordou.
E com isso, todos correram para fora, exceto ela, Sharon, Mia e Bucky, que envolveu seus enormes braços ao seu redor, apertando um beijo em seus cabelos.
— Eu não posso ir lá, Buckie. — murmurou contra seu peito, choramingando. A descontração do momento evaporou-se num estalar de dedos. — Eu não aguentarei saber que a minha irmãzinha não se lembra de mim!
Ele afastou-se um pouco de si, segurando seu rosto com carinho.
— Eu me sinto tão impotente agora... — sussurrou. — Fique aqui, eu a manterei informada. As meninas lhe farão companhia, não é mesmo? — as garotas assentiram, então ele sorriu, beijando sua testa. — Voltarei logo.
Quando ele saiu, Hanna sentou na cama com Sharon e Mia, que abraçaram-na de lado, da melhor forma que elas puderam.
— Vai ficar tudo bem, Han. — a loira esfregou suas costas com o braço bom. — Eu sei que o doutor Banner já está trabalhando numa forma de consertar o cérebro de Lynna. Agora é só esperar. Pelo menos, ela não tem mais o parasita dentro de si. Isso é uma vitória, não é?
Do fundo de seu coração, a morena sorriu para ela.
— E como. — murmurou num tom mais calmo.
*
Aquilo era uma ilusão?
Claro que era! Não podia ser real...
Ela vestia um longo vestido rosa-claro, que chegava alguns centímetros abaixo de seus sapatos de seda. Seus cabelos eram sentidos baixos em suas costas, talvez amarrados em uma trança elaborada. Ela não podia se ver em algum espelho, mas sabia que havia uma fina camada de pó em seu rosto, delineador sutil em seus olhos, máscara em seus cílios, e suco de beterraba em suas bochechas e lábios.
A paisagem do local era incrível da janela onde ela estava apoiada. Dava para ver uma cidade dourada abaixo dela, com árvores frondosas, adornadas com folhas de ouro. As pessoas se divertiam lá em baixo, dançando em volta de uma das árvores, enquanto ela observava maravilhada o fluxo de uma cachoeira, que dava para um lago próximo de onde ela estava.
Alguém tocou suavemente sua mão, fazendo-a desviar o olhar.
— Gosta do que vê? — a voz tranquila de sua mãe preencheu o vazio que ecoava em seu coração, mas ela não sabia o porquê de ele estar vazio. — Algo te preocupa, meu anjo?
A garota suspirou, apertando a mão de sua genitora, tentando fazê-la ficar mais tempo consigo.
— Eu não consigo me lembrar. — respondeu-lhe agoniadamente, voltando a encarar as pessoas dançando. — Isso é normal, mama?
A mulher de lustrosos cabelos avermelhados sorriu, piscando seus olhos azul-esverdeados para sua única filha.
— É tudo uma questão de tempo, querida. — sussurrou, estendendo sua outra mão para tocar seu rosto, retirando a expressão de agonia de si. — Não se pressione, ainda há muito para você viver. Tudo o que precisa fazer agora é se curar. Permita isso.
— Porque eu não posso dormir, como você fez? — perguntou-lhe com o lábio tremendo.
— Por que não é assim que as coisas funcionam. — Aleksanna respondeu-a carinhosamente, lhe permitindo colocar sua cabeça em seu ombro, enquanto ela acariciava seus cabelos. — Nós só fingimos que somos capazes de decidir o nosso próprio destino, quando na verdade, ele está nos manipulando para seguir suas próprias vontades inevitáveis. — beijou-lhe suavemente. — Eu queria ter estado ao seu lado... mas infelizmente não tudo não pode ser assim tão simples.
Ela fungou, levantando a cabeça para encará-la.
— Eu queria que tudo tivesse sido diferente. — murmurou, encostando-se no peitoril.
— E quem não iria querer? — a mulher arqueou uma sobrancelha ruiva. — Mas se tivesse sido diferente, talvez você não o teria conhecido, independente do quão inevitavelmente seus caminhos estão ligados.
— O que eu vou fazer, mãe? — perguntou assustada, chorando. — Eu sequer lembro sua face!
A mulher segurou o rosto dela, tranquilizando-a ternamente com seus polegares.
— Na hora certa, você saberá. — respondeu-lhe sorrindo. — Agora abra os olhos, minha filha, porque uma Angianova jamais se curva.
Ela encarou o teto por alguns segundos, tentando se situar naquele ambiente.
Não parecia em nada com uma base da Hydra, o que a deixou parcialmente acalmada, mas ainda em alerta. Poderia ser uma base nova que ela não tinha conhecimento.
Sua mente era um carrossel confuso, onde nada fazia sentido com nada, e ela tinha medo de sua própria sombra.
Tentou pescar em suas memórias algo que pudesse fazê-la entender que porra estava acontecendo, mas ela simplesmente não conseguia, o que lhe deixou frustrada, fazendo com que seu coração acelerasse, acelerando também o dispositivo atado ao seu corpo.
Abaixando os olhos, percebeu a movimentação de várias pessoas vestidas de branco. Elas iam de um lado para o outro, revistando papéis e monitores, dizendo coisas praticamente ininteligíveis, deixando-a ainda mais confusa.
Irritada pelos barulhos da máquina, ela esticou sua mão esquerda e retirou o IV, jogando-o em cima da cama, para depois arrancar os eletrodos de seu peito, assim como o soro de sua mão direita.
Uma vez feito isso, ela sentou-se, sentindo seu cabelo alaranjado cair pela lateral de seus ombros.
Seus ouvidos captaram sons de conversa, que pararam imediatamente quando ela olhou para o grupo de pessoas cercando a redoma de vidro onde ela havia sido trancada.
Seu pescoço inclinou um pouco ao olhar para elas, que estavam vestidas com trajes táticos coloridos, nenhum deles se parece com alguém da Hydra.
As aparências enganam, sussurrou para si mesma em sua mente.
— Você pode me dizer seu nome? — uma voz feminina questionou-a em inglês. Havia um sutil sotaque russo mascarado em sua fala, quase imperceptível.
A garota levantou o olhar para ela, observando a curva que seus cabelos avermelhados fizeram quando ela se movimentou. A agente possuía um rosto ovalado, um nariz elegantemente arrebitado e olhos esverdeados de corça, harmonizados por seus lábios cheios.
Ela conhecia aquela mulher de algum lugar...
— Você pode me dizer seu nome? — a agente voltou a repetir, tranquilamente.
Isso a fez piscar, pescando em sua mente.
Qual é o meu nome, mesmo...?
— Ly... Lyanna? — murmurou, escondendo seu rosto com os fios de seus cabelos. — Meu nome é Lyanna. — olhou para a mulher, após pronunciar orgulhosamente seu título na mesma língua que ela, um pouco enferrujada pelos anos de desuso. A outra assentiu. — Eu... eu estou... onde eu estou?
— Você está à bordo do Helicarrier, a aeronave-base da SHIELD. — ela respondeu, fazendo-a assentir lentamente.
SHIELD.
A Hydra estava infiltrada aqui, não estava?
— Há agentes da Hydra infiltrados nessa base. — disse preocupadamente para a agente, que não alterou sua expressão neutra. Ela já não se importava tanto com o seu bem-estar físico...
— Nós sabemos disso. Identificamos e neutralizamos a ameaça. — respondeu-lhe. — O comandante Alexander Pierce foi morto em combate, assim como parte de seu grupo tático, a STRIKE.
Ela assentiu, colocando a mecha insistente de seu cabelo para longe de seu rosto.
— Isso é bom. — murmurou. Houve um minuto de silêncio, antes que sua respiração engatasse ao ver o homem que adentrava a sala. Seu braço poderia ser de outra cor agora, mas ela sempre saberia quem ele era. — MENTIROSOS! — gritou enfurecidamente, jogando a primeira máquina que estava ao seu alcance. Ela mal fez cócegas no vidro grosso. — ESTÃO ME MANIPULANDO! — jogou outra coisa, mas também não causou nenhum dano, apenas assustou as pessoas ao redor. A mesma mulher de cabelos avermelhados estava ao redor, os olhos dela estavam avermelhados. Ela havia chorado? Fosse como fosse, Lynna sentiu ela aproximar-se de sua mente. — Eu já disse que não fiz nada! Por favor, não me joguem no tanque outra vez!
Levantando-se para sua própria defesa, ela escorregou contra uma parede, colocando-se entre a maca e as pessoas que queriam feri-la.
Ela escondeu-se dentro de seus cabelos, foi quando alguém muito alto e muito forte apareceu, agachando-se perto do vidro.
— Você se lembra de mim, minha criança? — a voz da pessoa era grossa, grave, ela levantou lentamente os olhos, identificando-o rapidamente.
Seu cabelo estava curto, e seu bonito olho direito faltando, mas ela sempre o reconheceria.
— Thor! — murmurou estremecidamente, levantando-se até o vidro, tocando a superfície, como se pudesse tocá-lo. — Você veio para mim!
Ele sorriu, estendendo sua mão para “tocá-la”.
— Eu sempre viria. — disse-lhe. — Confie neles, eles são os meus amigos do trabalho. — ela encarou as pessoas atrás dele, vendo seus olhares tensos. — Todos eles.
Então, ela encarou de volta o Soldado Invernal, que tinha os olhos baixos e os ombros curvados. Ele parecia triste, desarmado, arrependido.
— O que são vocês? — perguntou para o grupo de pessoas, observando um homem com cavanhaque bem desenhado dar um passo para fora do centro. Ele estava do lado de um homem de cabelos loiros e barba dourada, que tinha um olhar triste em seu semblante.
— Somos os Vingadores. — o homem de cavanhaque respondeu-lhe. — Estamos aqui para protegê-la. Por ser prima de Thor, você já é praticamente da família, jamais encostaríamos um dedo em você. — tomou um suspiro quando ela assentiu lentamente, encarando Thor antes de tomar esta decisão. — Sou Tony Stark, mais conhecido como Homem de Ferro.
— Prazer em conhecê-lo. — murmurou, acanhada.
Ele deu-lhe um sorriso mínimo, beirando a tristeza (?), então assentiu.
— Acho que lhe devo uma apresentação apropriada, certo? — ele não esperou-a responder antes de voltar a falar. — Estes são os gêmeos Pietro e Wanda Maximoff. — mostrou-lhe um casal vestido em trajes vermelho (para a garota) e azul-acinzentado (para o garoto). Eles sorriram suavemente, fazendo-a dar um micro sorriso de volta. — Estes são Peter Parker e Scott Lang. — mostrou-lhe agora um rapazinho de mais ou menos quinze anos, ao lado de um homem de olhos azuis gentis, ambos sorriam para ela. — Bruce Banner e Clint Barton. — apontou para um homem de cabelos encaracolados que usava óculos arredondados na ponte de seu nariz, e um homem de cabelos cor de areia, que tinha um sorriso esperto em seu rosto. — A criatura sisuda flutuando é Visão. — ela viu o ser vermelho e prateado encará-la à distância. Ele tinha seu cenho franzido para ela. — A moça com cara de mafiosa ali no canto é Mary Barnes. — mostrou-lhe a ruiva que tocou sua testa. De todos eles, ela era a que tinha os olhos mais expressivos, como se pudesse sentir o que todo mundo estava sentindo. — E é claro, este atrás de mim é Steve Rogers.
Finalmente, ela voltou a olhar para cima, para o homem loiro de olhos tristes.
Pela primeira vez estando parada em frente ao vidro, ela percebeu que os olhos dele estavam levemente inchados e avermelhados, como se ele tivesse chorado muito recentemente. Havia algo naquele olhar que a fez tremer.
Ela sabia quem ele era, foi o homem que estava ao seu lado quando ela acordou. Ele é um amigo, certo?
Seu coração disparou, assim como sua cabeça começou a latejar dolorosamente, então ela desviou o olhar com rapidez, evitando mais desconfortos.
— Prazer em conhecê-los. — ela murmurou, sem graça.
— Loki também está aqui. — Thor voltou o olhar dela para seu rosto. — Ele queria vir, mas eu pedi para que ele ficasse, eu não queria assustá-la...
Assentiu.
— Como aconteceu...? — piscou, ainda abismada com tudo, então, arregalou os olhos. — Por que eu não estou sentindo a Pétala?! — perguntou desesperada com o repentino vazio em sua mente.
Afastou-se do vidro, sentindo o vazio em sua mente.
— Acalme-se. — a mulher chamada Mary murmurou, como se estivesse sintonizada em sua mente. Sua voz possuía um leve sotaque nasalado. — Está tudo bem. Nós a extraímos de você. Ela era um parasita que se alimentava de sua energia. Você está limpa agora.
Assentiu suavemente, tentando colocar isso em sua mente.
Estou limpa, estou bem, estou segura, eu tenho Thor e Loki de volta.
— Nós a resgatamos de uma base da Hydra. — a mulher com olhos de corsa voltou a falar. Ela ainda não foi apresentada. — Você sofreu uma lesão. Lembra-se disso? — Lynna negou, encolhendo-se com medo de desapontar alguém por não se lembrar de nada. — Tudo bem. Não foi sua culpa. — ela sorriu pela primeira vez, fazendo-a estreitar os olhos. — A lesão nos ajudou a remover o parasita, mas isso causou algum tipo de dano em seu cérebro...
Eu conheço esta mulher.
Ela olhou da agente ruiva para o Soldado Invernal, alternando lentamente, então, era como se a imagem dela tivesse mudado. Ela não estava diante da mulher com ar sarcástico. Ela estava diante da garotinha assustada de cinco anos...
A sua garotinha.
— Natalia? — perguntou com os olhos arregalados, movendo-se para a mulher, que agora tinha um sorriso mais amplo em seu rosto.
— Eu pensei que você não me reconheceria. — ela murmurou modestamente, levantando-se do painel. — Você perdeu a memória sobre bastante coisa.
Aquilo mexeu consigo, como se algo a incomodasse do fundo de seu peito, tentando rasgá-la para sair. Em um lugar muito louco de sua mente, ela sentia como se conhecesse todas aquelas pessoas.
— E eu pensei que você estava morta. — murmurou de volta, aproximando-se dela.
— Você não me matou. — Natalia tinha um sorriso ladino. — Você atirou no meu ombro, eu rolei pela grama e eles me tiraram de lá quase desacordada. Eu pensei que eles haviam te matado quando foi lançada para fora do avião.
— Eu me transformei em gás. — retribuiu-lhe o sorriso.
— Eu sei disso agora. — disse-lhe graciosamente.
Um minuto de silêncio se passou. Lynna franziu o cenho, um pouco incomodada com os olhares pesados em cima dela.
— Será que eu poderia sair da redoma? — murmurou timidamente, clicando sua unha no vidro. — Está ficando difícil de respirar ar fresco.
As pessoas presentes suspiraram, então Thor contornou todos eles, sumindo de sua vista, para depois abrir a lateral da redoma.
Imediatamente, ela correu para abraçá-lo, apertando seus gravetos ao redor de sua estrutura enorme. Já fazia tanto tempo! Mais de quarenta anos, se ela quisesse tentar ser exata. Ela não passava de uma criança quando ele e seu irmão vinham visitá-la na casa de sua avó, e eles passavam os dias brincando no quintal dela.
— Eu não acredito que você me encontrou! — disse contra seu ombro, ainda apertando-o contra si.
— O destino nos colocou no mesmo lugar, na mesma hora. — ele disse de maneira abafada. — E a partir de agora, nós jamais devemos nos separar. — afastou-se de si, encarando-a seriamente. — Loki enviou um sinal para seu pai. Nós não sabemos o quão rápido ele pode ser, mas podemos dizer que ele estará a caminho.
— Meu pai ainda está vivo? — franziu o cenho.
— Sim, ele está. — Thor respondeu-lhe. — E pelas informações que tive antes da destruição de Asgard, ele se casou outra vez, com uma mulher chamada Ellara. E eles tiveram uma filha chamada Cerella.
Ok, era coisa demais para processar.
Asgard, sua terra natal foi destruída, seu pai ainda estava vivo, ele havia se casado, e ela tinha uma irmã mais nova...
— Desculpe-me se lhe atingi de maneira muito forte. — seu primo voltou a falar, envergonhado. — Podemos ir devagar e...
— Tudo bem, Thor. — sorriu para ele, tocando seu braço. — Eu só estou um pouco confusa por acordar num mundo completamente diferente do que eu estava acostumada.
Ele deu-lhe um sorriso triste.
— Venha. — segurou sua mão com carinho. — Não mais jaulas para você.
Ela sorriu também, acompanhando-o para fora.
— O que aconteceu com o seu olho? — perguntou-lhe enquanto eles desciam os três degraus que os separavam das outras pessoas. — E com o seu cabelo? E meu Deus, o que aconteceu com Asgard?!
Ele riu baixinho.
— É uma longa história, mas eu prometo-a que contarei tudo quando tivermos mais tempo sozinhos. — assegurou. — Agora, devemos colocar proteínas em você, assim como fazer alguns exames, certo Banner?
O moreno de cabelos encaracolados assentiu, aprumando os óculos.
— Se você estiver confortável, senhorita Angianova, nós podemos fazer os exames agora à noite, no laboratório da doutora Nuri. — ele disse timidamente.
Ela sorriu, assentindo.
— Você pode me chamar apenas de Lynna, doutor Banner. — disse-lhe amigavelmente.
— E você pode me chamar apenas de Bruce. — ele rebateu, fazendo-a rir baixinho para depois assentir.
Houve uma leve comoção, então o loiro alto e com expressões bonitas chamado Steve Rogers se afastou do grupo de pessoas. Cada passo que ele deu fez seu coração balançar, fazendo crescer em seu peito uma estranha vontade de esmagar seu corpo contra o dele, beijá-lo...
Suas bochechas esquentaram e ela retirou o olhar de cima dele.
Ela não podia fazer isso, porque claramente aquele cavalheiro tinha uma relação com a pequena ruiva chamada Mary, pelo modo como ela apertava sua mão.
Estranhamente, isso lhe deu um golpe de ciúmes.
— Com licença, eu preciso sair. — e com isso, ele abriu a porta da enorme sala, deixando-a tristemente febril para trás.
Algo dentro dela quis correr atrás dele, mas se conteve, voltando a encarar Bruce, que tinha um sorriso tímido para lhe dar.
— Bruce, você se importaria de me levar para fazer os exames agora? — murmurou acanhadamente, usando a presença de Thor como uma âncora. — Eu estou sem fome e adoraria ser produtiva para vocês. Eu não quero incomodar...
— Você jamais nos incomodaria! — ele rebateu, então sorriu, assentindo para si. — Já que é o seu desejo... Mary, prepare o laboratório de Hanna, avise-a sobre os procedimentos, acredito que ela não irá se importar...
E com isso, a garota de cabelos alaranjados saiu da sala, estranhamente sendo escoltada pelo Soldado Invernal, que mal olhou para ela...
Por que eu deveria me importar com isso?!
Desde pequena, o Soldado Invernal sempre representou uma ameaça para ela. Ele sempre representou o domínio que a Hydra tinha sobre si. Então por que, por que agora ela deveria simplesmente sentir pena dele?
Wanda Maximoff aproximou-se dela, encarando-a como se pudesse sentir o que ela estava sentindo. Isso a deixou um pouco incomodada, para não dizer intimidada.
Lynna sabia que poderia confiar no julgamento de Thor, mas e se aquelas pessoas estivessem enganando-o? Pelo que se lembrava, seu primo era meio tapado demais para confiar na pessoa errada...
— Vamos? — perguntou para ele, que assentiu, segurando sua mão.
Assim, ela – sendo praticamente levada por Thor –, Bruce e a garota Maximoff deixaram a sala.
O corredor do Helicarrier era amplo e dava para um labirinto de corredores anexos, o que a confundiu ainda mais, mas isso não parecia ser um problema para Bruce, que caminhava à frente de todos, calmamente guiando-os para uma enfermaria enorme.
Eles avançaram para a última sala anexa ao canto, onde uma jovem asiática estava tendo uma conversa calorosa com Mary e o Ativo da Hydra. Isso a deixou um pouco preocupada, mas não deu tempo para voltar atrás, logo o moreno de cabelos encaracolados começou a deslizar o vidro, dando um fim à briga.
A doutora Nuri parecia ser jovem demais para ser médica.
Seus cabelos negros iam até o quadril. Ela usava um fofo vestido azul-marinho por baixo de seu jaleco, fazendo com que seus olhos castanho-escuros se destacassem, talvez fossem suas meias 3/4 com um sapato estilo boneca que lhe rejuvenescessem bastante. Ela era tão pálida que chegava a ser translúcida, mas isso não queria dizer que ela não possuía uma aparência saudável. A criatura era tão adorável, que ela queria morder suas bochechas, mas se conteve.
Seu semblante sério lhe deixou um pouco acanhada.
— Lynna, está é Hanna Nuri. — Bruce a apresentou. — Ela é a médica que acompanha os Vingadores. — a moça sorriu, colocando nervosamente uma mecha de seu cabelo para trás da orelha.
— É um prazer conhecê-la, senhorita. — estendeu-lhe a mão tensamente, sorrindo ao senti-la apertá-la suavemente.
Olhando bem para Hanna Nuri, parecia que ela já a tinha visto em algum lugar, mas não podia culpar a si mesma. Ela conhecera vários asiáticos em sua vida, e a maioria deles se parecia um com o outro, por isso, ela não se lembraria agora se já conhecia Hanna ou não.
— O prazer é meu também, vossa alteza. — a pequena se pronunciou pela primeira vez, fazendo com que seu coração se alterasse um pouco.
Havia tristeza claramente estampada no olhar da doutora, assim como decepção e raiva. Lentamente, Lynna pôde ver a sutil chama que saía dos dedinhos da doutora, fazendo-a ofegar.
— Você também é uma Pétala? — sussurrou chocada.
Ela pensava que só ela havia sobrevivido...
Nuri corou, afastando-se de si.
— Sim. — murmurou em resposta. Ela parecia muito ferida emocionalmente, e isso estranhamente fez com que seu primo endurecesse sua postura atrás dela. Imediatamente, Lynna quis bater nele por tentar assustar a pequena garota. — Eu sou a última delas. — tomou um suspiro. — Mas não foi para isso que você veio até aqui, não foi...? — por que ela parecia prestes a chorar? — Eu... — balbuciou, caminhando lentamente até seu estetoscópio. — Eu... — o triste soluço que ela soltou machucou seu coração. — Eu não posso fazer isso!
Então, a pequena correu para fora da sala, estilhaçando o suave vidro que era o coração da Pétala mais velha.
— Eu fiz alguma coisa de errado? — perguntou preocupadamente, vendo os longos cabelos da doutora Nuri flutuarem até a saída.
À sua frente, o Soldado Invernal empertigou-se. Ele parecia estar num dilema interno, suspirando quando parece ter se “decidido”. Ou foi pelo fato de que a garota ruiva olhou para ele como se os dois estivessem conversando mentalmente...?
Ele saiu sem dizer uma palavra, e mais uma vez, ela sentiu-se enfraquecida por não estar mais em sua presença.
Mary deu-lhe um sorriso amigável.
— Não se preocupe com Hanna. — disse-lhe pacificamente, fazendo um sinal para que ela pudesse se sentar numa das macas. Assim Lynna o fez, encarando os movimentos da outra. — Ela ainda é um pouco sensível sobre o que ela viveu na Hydra. Não foi nada fácil para ela, e ainda é uma barreira terrível para ela superar. Não foi culpa sua.
Então, porque eu me sinto como se fosse?
— Tudo bem. — mentiu. Não estava nada bem. Seu coração estava despedaçado, como se algo estivesse faltando. — Uh... agora que a doutora saiu... quem fará os meus exames? Eu terei que voltar outra hora...? Eu realmente não me importaria...
Bruce negou sorridentemente, limpando sua garganta.
— Já que Hanna está indisposta, tentaremos ao máximo preencher a lacuna. Pedirei ajuda a doutora Cho. Ela também é uma excelente profissional, você irá gostar dela. — respondeu-lhe.
Lynna assentiu, sentando-se confortavelmente no lugar.
Muitos minutos depois, o Soldado Invernal retornou à sala.
— Thor, sua presença é solicitada no quarto 3. — ele falou pela primeira vez, fazendo-a observá-lo apropriadamente.
Seus cabelos estavam maiores, assim como sua barba. Suas olheiras estavam mais profundas que o normal e agora ele possuía uma aliança em seu dedo anelar da mão direita, como se isso representasse um compromisso.
Ele parecia estar bem estabelecido agora, como se tivesse passado por um longo processo de reabilitação e tivesse tido seus crimes perdoados pelos amigos do trabalho de Thor.
E por falar em seu primo, o loiro saiu rapidamente de sua posição encostada numa das bancadas.
— Estou a caminho. — disse rapidamente para o Soldado, que assentiu. Ele caminhou até ela, beijando lentamente sua testa. — Eu precisarei me ausentar agora. — murmurou para si, segurando carinhosamente o seu rosto. — Você pode fazer isso sem mim?
A ruiva mais alta olhou no fundo dos olhos dele, então tomou um suspiro.
— Só se ele não estiver por perto. — indicou o Soldado Invernal, que já parecia esperar pelo seu pedido, mas isso não o deixou menos acanhado e triste, deixando-a muito triste também, o que era completamente sem sentido. — Eu não confio nele.
— Muito bem. — Mary assentiu, tentando “limpar” o ambiente. — James, vá ver se Steven precisa de alguma coisa, ele parecia um pouco confuso. — o moreno assentiu, saindo ao lado de Thor, que lhe deu um sorriso encorajador antes de fechar a porta. — Agora... você não se importa de ficar conosco, se importa? — apontou para ela e para Wanda, que abriu um sorriso tímido para ela, desarmando toda e qualquer desconfiança que ela tinha sobre a garota. — Nossos poderes serão essenciais para o processo...
— Poderes? Que tipo de poderes? — Lynna franziu o cenho.
A outra ruiva riu baixinho, aprumando sua franja.
— Teremos tempo para lhe explicar tudo antes dos procedimentos começarem. — lhe respondeu. — Você confia em mim?
Garoto, ela confiaria em qualquer um que tivesse coragem suficiente para tirar o Soldado Invernal de perto dela.
*
Hanna pensou que ela podia ser forte, mas no instante em que Lya olhou para ela como se ela fosse mais uma pessoa na multidão, aquilo a fez perder o chão. Ela fora uma das únicas pessoas que a fez esquecer a merda que era ser prisioneira da Hydra, e agora, o destino e Ergor Priekov a tiraram de si.
Ela simplesmente não conseguiu ficar no mesmo espaço que a outra. A angústia lhe venceu e ela não conseguiria controlar o choro, e fazer sua irmã se sentir culpada por algo que não era culpa dela era a coisa mais cruel do mundo a se fazer.
— Oh, minha pequena! — Bucky abraçou-a, permitindo que ela enfiasse a cabeça em seu peito, apertando-o como se ele fosse um urso de pelúcia, enquanto ela chorava. — Eu sinto muito. — ele também fungou, esfregando suas costas. — Sinto mesmo. Nós imaginávamos que você poderia... eu fui tão burro...
— Está tudo bem, Buckie. Eu disse que estava pronta, mas não estava. — Han sussurrou, apertando sua jaqueta de couro. — Só me leva para o quarto... aqui está fazendo muito frio...
Ele resmungou algo em concordância, pegando-a no colo como um pai faria com sua filhinha, carregando-a para fora do corredor milagrosamente vazio.
— Você quer ir para o quarto de Thor? — ele sabia que desde que havia chegado ao Helicarrier, Hanna não conseguia dormir sozinha, e uma vez que ele estava casado agora, ela não queria incomodar os pombinhos, então era lá onde ela dormia, por mais que ela tivesse a pachorra de incomodá-los de qualquer forma.
— Sim. — pediu soluçadamente, encostando a cabecinha em seu ombro. Enquanto caminhavam, Hanna tateou distraidamente um dos ilhoses da jaqueta do moreno. — Ela se lembra de você? — esta pergunta saiu como um bolo de sua garganta.
— Apenas da parte ruim. — seu irmão respondeu-lhe tristemente. — Não sei se isso é bom. — tomou um suspiro. — Na verdade, isso não é nada bom.
— Pelo menos, você não é olhado como se fosse um completo estranho pela mulher que salvou sua vida mais de uma vez. — Han disse amargamente, engolindo em seco ao relembrar o semblante que Lya tinha ao vê-la diante de si. Nada. Nenhuma chamazinha de reconhecimento. E elas passaram pelo inferno juntas! — É pior do que a rejeição.
Ele suspirou, acariciando suas costas.
— Sinto muito, pequena. — beijou seus cabelos outra vez, equilibrando-a em seu braço de metal quando chegaram à porta do apartamento de Thor e Loki. Este último estava fazendo vários nadas sentado na sala, ainda cavucando na caixa de doces de sua prima. — Eu gostaria que tivesse sido diferente...
Ela assentiu, levantando a cabeça para o moreno de olhos esverdeados, que olhou para os dois com o cenho franzido, mas mordeu seu comentário sarcástico ao vê-la com os olhos inchados.
— Sinto muito, Hanna. — ele disse suavemente, levantando-se rapidamente, com o cenho franzido. Esse seria o máximo de afeto que conseguiria arrancar daquela criatura.
— Eu sei. — ela deu-lhe um micro sorriso. Ele estendeu um pacote fechado de marshmallow rosa de Lya e ela imediatamente o pegou, dando de ombros para a sobrancelha arqueada de Bucky. — Que foi? Se Loki vai mesmo apanhar por causa disso, que tal fazer uma boa ação antes de ir para o ‘céu’ dos deuses?
Repetindo o seu gesto, Barnes caminhou com ela pelo corredor, parando na porta indicada. O quarto por trás dela estava devidamente arrumado, exceto pela cama, que era uma confusão de edredons cor-de-rosa seguido de travesseiros azuis. No meio, o Sr. Patinhas estava jogado, com um olho azul encarando-a na escuridão da noite na América do Sul. Eles ainda estavam sobrevoando aquela área porque queriam tomar seu tempo para adaptar Lya às coisas antes de levá-la de volta ao Complexo.
Buck colocou-a centralizada na cama, envolvendo-a com seu cobertor mais fofinho, enquanto ela abraçava sem vergonha alguma o urso roxo que ele havia lhe dado, cujo ela havia colocado um tapa-olho em seu lado direito para remetê-lo a seu namorado para tê-lo por perto durante sua ausência. Não era nada tão permanente. Ela ainda podia removê-lo sempre que quisesse, sem causar danos.
— Você quer alguma coisa? — perguntou-lhe, ternamente tocando sua testa para ver se ela não estava com febre outra vez. Estava sendo algo corriqueiro desde que chegou da Hydra. Ela ficava com febre, então passava a tremer de frio ao ponto de alucinar, e não havia nenhum antitérmico no mundo que a fizesse ceder. — Compressas de gelo? Chocolate...?
Ela sorriu, apertando carinhosamente sua mão de metal.
— Você poderia trazê-lo até mim? — perguntou-lhe de volta, corando profundamente ao ver seu sorriso ladino.
Hanna sabia que Thor estava ocupado com Lya, e que tirá-lo dela seria egoísta a esse ponto, porque talvez ele fosse a única coisa que lhe remetesse à sua casa, mas ela simplesmente não conseguia. Sua respiração começaria a acelerar, ela entraria em choque térmico outra vez e simplesmente não queria incomodar Bucky de novo com isso. Ele passara três dias na enfermaria com ela enquanto a mesma se curava de crise de febre.
Ele tocou seu rosto, afastando sua franja da testa para dar-lhe uma bicada.
— Tudo bem, eu o trarei. — murmurou carinhosamente, levantando-se da cama. — Você ficará bem? — arqueou a sobrancelha.
— Loki não é surdo. — ela divagou. — Qualquer coisa, eu posso gritar por ele se eu precisar. Não é como se fosse levar o dia todo... é?
Momentaneamente, ela ficou apreensiva que ele fosse colocá-la em segundo plano para cuidar de sua prima. Isso não era nada ruim, muito pelo contrário. Han não estava sendo uma egoísta mimada, jamais! Ela entendia tudo o que estava acontecendo, mas ela não sabia o que acontecia com ela, seu corpo simplesmente resolvia atormentá-la com toda a descarga de nervos que ela havia sofrido e ela se tornava mais frágil do que queria, e durante esses momento, ela só queria cheirar o pescoço da sua pessoa favorita.
Será que isso fazia sentido?
Mordeu o lábio.
— Do jeito que eu o conheço, não. — parece que o moreno sabia o que se passava em sua mente. — Han, eu conheço esse tipo de formigamento que vocês têm. Um sempre corre para o outro não importa o quê. Se você precisa do seu gigante loiro, ele sempre estará lá para você, eu vi isso quando você desmaiou por conta da febre. Eu achei que ele iria morrer do coração. — riu baixinho. — É fofo, mas é bem bizarrinho ao mesmo tempo. — bicou sua testa outra vez, indo para porta. — Vou buscá-lo, ok?
Ela assentiu, então parou-o com sua expressão indagadora.
— Buck... como Stevie está? — perguntou-lhe com o coração na mão, fazendo-o suspirar cansadamente.
— Destruído, eu acho. — murmurou agarrando a porta. — Ela quase o reconheceu, eu pude ver isso. Foi quase como aconteceu com Natasha. Stark passou a apresentar todo mundo e tal, dando-lhe tempo para explorar em sua mente se ela conhecia Stevie ou não. Quando ele anunciou o seu nome e ela olhou para ele, foi como se um milagre pudesse ter acontecido, mas não. Acho que ela precisa de tempo, só isso. Eu não sou nenhum médico, mas acredito que ainda haja uma solução... acredito que a mente dela possa voltar ao normal.
— Deus te ouça. — Hanna murmurou, e com isso, ele saiu do quarto.
Ela enfiou-se ainda mais em suas cobertas, colocando o pacote de marshmallow em cima do criado-mudo, com preguiça suficiente para estar com medo do escuro, mas não querer deixar o conforto de seu “ninho”. Cara, se essa estória de Alfa, Beta e Ômega existisse, ela seria um Ômega irritante com sérios problemas de criação de ninho, uma vez que sua cama parecia uma confusão de panos e travesseiros.
Depois de alguns minutos, a porta se abriu, revelando o pirata loiro vestido num suéter preto e calças de moletom. Han pulou da cama, abraçando-o com força, aceitando quando ele puxou-a para cima, fazendo-a encostar sua cabeça em seu ombro largo, enquanto ela tremia, já seca de tanto chorar.
— Eu não fui forte. — murmurou com a voz rouca. — Eu prometi que seria, mas eu não consegui.
— Não foi sua culpa, querida. — ele murmurou de volta, embalando-a em seu peito, enquanto caminhava de volta para a cama. Em seu costumeiro ritual, ela foi sentada na beirada e teve seu jaleco branco cuidadosamente retirado de seu corpo, enquanto suas mãos grandes tocavam seus pontos sensíveis à procura de alguma alteração em sua temperatura. — Nós sabíamos que não seria fácil. Banner nos deixou à par dos riscos. Mesmo com ela lúcida, seria preocupante. Eu sinto muito, pequena.
Hanna assentiu, puxando um cobertor da pilha.
— Eu deveria ter arrancado mais do que só o pinto e as bolas daquele desgraçado. — resmungou, enfiando sua cabeça no ombro do mais alto, sentindo seu cheiro calmante de chuva.
— Bem, isso não iria adiantar em nada. — ele tentou argumentar.
— Mas colocaria um sorriso em meu rosto. — rebateu, fazendo bico contra sua pele cheirosa.
— Mutilar alguém te faria feliz? — o loiro perguntou confuso, afastando-se dela para encará-la.
— Eu só machuco quem merece ser machucado, querido. — tocou seu rosto. — Fazê-lo ver tudo isso foi uma má ideia. — sorriu para ele. — Você está com medo de mim?
Ele riu baixinho.
— Você é uma criaturinha de um metro e meio, bastante habilidosa com facas e que pode matar um homem de medo apenas com um olhar. — respondeu-lhe divertidamente. — Eu seria louco se não tivesse medo. Mas não se preocupe, eu sei que você não machuca as pessoas ao seu redor. Você as protege. E isso a faz boa demais para esse mundo.
Ela cora, encostando sua testa na dele.
— Posso te pedir uma coisa? — encarou-o.
— Qualquer coisa. — ele respondeu, apoiando-se na cama para ficar do seu tamanho, o que era praticamente impossível, porquê até de joelhos aquela criatura conseguia ser mais alta do que ela. Um dia ele iria se arrepender de lhe responder isso sempre...
— Mostre-me um pouco chuva. — murmurou manhosamente, cutucando os músculos de seu pescoço. Ela não sabia que um pescoço poderia ser tão atraente, mas lá estava.
— Pequena, não seria uma boa ideia expô-la ao frio desse jeito... — tentou argumentar.
— Mas eu tenho você aqui. — retrucou, utilizando aquele tom de voz que o fazia pensar duas vezes antes de recusar algo a ela. — O seu calor vai me aquecer, meu pirata... eu só quero acalmar os meus nervos...
Ele suspirou.
— Tudo bem, mas se isso não funcionar, estaremos tomando um banho! — disse autoritariamente, não dando espaço para argumentação. — Não irei permitir que você desmaie outra vez.
Isso quase fez Hanna desistir da proposta da chuva, porque entrar num chuveiro com tudo aquilo não seria uma má ideia...
Riu baixinho quando teve seu corpo erguido para a janela. O loiro a colocou sentada num canto do sofá, enquanto ele puxava as cortinas, mostrando-a a luz do luar, que parecia estar bastante próximo deles. Seu corpo envolveu-a como um cobertor, fazendo-a encolher-se confortavelmente contra seu peito, apoiando suas costas na perna arqueada que ele tinha, para impedi-la de cair para trás.
Em questão de segundos, um raio atravessou o céu, deixando um bonito rastro de azul para trás, seguido do barulho estrondoso de um trovão, induzindo as nuvens carregadas a se chocarem, fazendo com que a chuva caísse.
Ela nunca o perguntou como ele fazia isso, e achava que jamais perguntaria, porque fazia parte da mágica.
— Eu quero me casar com você. — aquela frase fez o pobre deus do trovão se engasgar com a própria saliva.
— O quê?! — perguntou-lhe com os olhos arregalados, virando-a para encará-lo. Ele parecia assustado.
— Eu pensei que você queria! — merda! Será que ela se equivocou?
Thor tossiu algumas vezes, antes de respondê-la.
— É claro que eu quero! — murmurou carinhosamente, colocando uma mecha macia de seu cabelo para trás da orelha, acariciando seu rosto com o polegar áspero. — É tudo o que eu mais quero na vida! Mas isso não seria repentino de mais? Ainda estamos no prazo dos seis meses...
Ela sorriu, tocando seu rosto.
— Eu quero isso. — disse-lhe com convicção. — Eu quero tê-lo para mim de todas as maneiras.
— Eu sou seu. — ele rebateu, puxando-a carinhosamente para o seu peito.
— Eu sei. — retrucou. — Mas não completamente.
Ele suspirou, apoiando o queixo em sua cabeça, enquanto ambos viam a chuva bater contra a janela do Helicarrier, dando-lhes uma bonita visão dos dois através do reflexo.
— E quando nós devemos fazer isso? — perguntou-lhe, alisando os pelos de seus braços desnudos.
— O mais breve possível. — respondeu-lhe.
— Haveremos de viajar à Nova Asgard. — ele divagou. — Precisaremos que Heimdall celebre nossa união. Acho que não confio em nosso sacerdote.
Ela riu baixinho. Ele já havia lhe falado sobre isso.
— Tudo bem, ele pode vir também se for comportado. — brincou, olhando para sua única safira. Lentamente, Hanna ergueu sua mão para retirar o tapa-olho que cobria seu olho direito, expondo sua cicatriz rósea e o buraco esquisito que havia ficado no lugar. — Você sabe que eu posso costurar para você, não sabe?
Ele ficou calado por alguns instantes, sentindo seu toque suave na região mutilada por sua irmã do mal.
— Eu quero guardar isso de recordação. — ele murmurou de volta. — Para lembrar aos meus netos do dia em que salvei o povo Asgard da destruição de sua terra natal. Com a ajuda dos meus amigos, é claro...
Ela sorriu, beijando carinhosamente sua cicatriz.
— É um bonito gesto. — disse-lhe, ainda acariciando-o. — Eu só não posso lhe garantir que teremos netos.
Ele riu.
— Teremos tantos netos, que eles encherão um quarteirão! — rebateu.
Ela gargalhou, encostando a cabeça em seu braço.
— Não seja tão presunçoso sobre isso, garoto grande. — resmungou de brincadeira. — Para termos netos, precisaremos ter filhos primeiro, e esta realidade não se aplica a nós.
Ele afundou seu nariz nos cabelos dela, respirando profundamente, fazendo-a estremecer.
— Eu posso prová-la o contrário. — murmurou sensualmente, fazendo com que seus pelos se arrepiassem.
Han mordeu o lábio inferior, antes de falar.
— Então... que tal começar me provando com um banho quente? — mordiscou a pele de seu braço esquerdo.
Ela deu um gritinho quando seu corpo foi retirado do sofá, sendo colocada perfeitamente naqueles braços enormes, enquanto era levada até o banheiro.
— Desafio aceito. — o loiro disse quando colocou-a sentada na tampa do assento sanitário, ligando a banheira logo em seguida. — Vou fazê-la esquecer seu próprio nome.
Oh, garoto...
*
Quem é você?!
O que quer de mim?!
Eu juro que não fiz nada de errado! Por favor, não me jogue lá outra vez, eu não fiz nada!
Não me toque outra vez, seu monstro!
A cada vez que ele se lembrava destas frases, seu punho ia com mais raiva para o saco. Suas juntas já estavam arroxeadas e a pele queria se romper, por ele ter ferido seus vasos sanguíneos.
Ela. Não. Se. Lembra. Mais. De. Mim.
Ela. Me. Chamou. De. Monstro!
Cada palavra, um soluço.
Ele jamais se sentiu tão impotente quanto estava se sentindo agora. O Homem Com Um Plano não tinha estratégia nenhuma para tentar curar o mal que fizeram à sua amada. Ele não pôde protegê-la como deveria, ele não foi rápido o suficiente para impedir que aquele russo miserável tivesse feito o que fez com ela.
Ele deveria ter deixado Hanna acabar com a vida dele. Foda-se que ele fosse uma testemunha importante. Ele queria acabar com a vida daquele filho da puta com suas próprias mãos. Mas sabia que não iria fazê-lo, porque infelizmente, eles precisavam dele.
Parou de bater, encostando sua testa no couro liso de sangue e suor, tentando controlar a respiração. Era como se ele tivesse voltado a ser asmático outra vez, e isso lhe deixava ainda mais impotente do que irritado.
Quem é você?
A voz apavorada de Anna ainda o atormentava. Ela havia acabado de acordar, estava de volta, estava sadia, e por mais que ele continuasse dizendo a si mesmo que estava feliz por ela pelo menos estar viva, sua mente e seu coração entendiam o contrário.
Para ele, era como se a tivesse perdido para sempre.
— Como ela está? — perguntou a Bucky assim que ouviu a porta abrir, escutando a cadência de seus passos.
— Ainda está na sala de Hanna, preparando-se para fazer uma série de exames. — respondeu-lhe seriamente, sentando-se na base do equipamento de supino, encarando-o com seus olhos tristes. — Han não aguentou ficar lá.
— E onde ela está agora? Você a deixou sozinha mesmo depois de saber que ela tem sérias crises de ansiedade e que sua temperatura corporal fica desregulada quando ela está nervosa?! — disparou, saindo de perto do saco de pancadas para encarar o amigo, colocando suas mãos no quadril para enfatizar sua pergunta preocupada e urgente. Ele não queria que sua pequena amiga sofresse ainda mais do que já estava sofrendo. — Barnes, eu vou te bater se algo ruim acontecer com ela!
O moreno ergueu as mãos em sinal de rendição.
— Para o seu governo, Hanna está bem. Ela é muito cabeça dura e quis ficar só, mas Loki se candidatou para dar uma olhadinha nela, enquanto Anya me mandou aqui para vigiá-lo, porque agora, o seu potencial para fazer besteiras está lá nas alturas! — ele se defendeu.
— O fato de Loki querer ser babá da Hanna não me deixa menos preocupado! — retrucou bufando, ignorando a acusação dele.
— Vocês têm que dar um voto de confiança a ele, cara. — Bucky murmurou seriamente. — Eu não estava aqui quando ele fez toda aquela coisa em Nova York, mas eu posso ver que ele quer mudar. E se todos vocês me deram uma segunda chance, será que ele também não merece uma?
Steve ficou calado, refletindo as palavras de seu melhor amigo, para depois assentir.
— Você tem razão. — rebateu, tomando um suspiro alto antes de alcançar sua garrafa d’água num dos bancos da academia. — Ele tem se mostrado muito mudado ultimamente, talvez ele realmente mereça uma segunda chance.
Seu amigo sorriu, roubando sua outra garrafa para tomar um longo gole dela.
— Eu sei que pode ser difícil, cara. Mas há uma coisa da qual nós devemos nos apegar... — a atenção de Steve estava inteiramente em seu parceiro. — Ela está viva. E a Pétala não comanda mais sua mente. Ela está finalmente limpa.
— Acredite, é isso que estou tentando tão desesperadamente dizer a mim mesmo. — confessou, frustrado. — Mas em meu coração, é como se eu a tivesse perdido, Buck.
O moreno se levantou e deu-lhe um aperto em seu ombro.
— Bem, você ainda está num patamar melhor que o meu. — murmurou. — Ela ainda acha que eu sou o Soldado Invernal e que a qualquer momento a levarei de volta para Hydra. Ela ainda desconfia de todos, mas há algo que podemos deduzir disso. Ela quase o reconheceu, eu pude ver isso. — os olhos de Steve se arregalaram, seu coração bateu descompassadamente num lampejo de esperança. Como ele pôde ter deixado isso passar? — O olhar dela brilhou do mesmo jeito de quando ela olhou para Natasha, reconhecendo-a. Na minha cabeça, ela sabe quem nós somos, só não está conseguindo ter acesso a esta memória, o que segundo a minha teoria, pode ser que isso seja temporário.
— Você pode ter razão sobre isso. — rebateu quase sem fôlego. — Precisamos falar com Bruce sobre a sua teoria.
Assentindo um para o outro, os dois amigos deixaram a academia, rumo à enfermaria, onde ele encontrou Wanda e Mary cercando Anna, que tinha trocado sua camisola azul-clara por seu longo vestido rosa, que deixava seus cabelos ainda mais vibrantes.
Como se sentisse seu olhar sob ela, sua violeta virou-se para o vidro de duas faces, como se pudesse observá-lo adentrar o ambiente, deixando Bucky para trás, porque seu amigo estava preocupado com a reação dela caso eles entrassem juntos.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Ela conversou algo que não deu para ele ler com Wanda, que assentiu e sorriu, fazendo-a desviar o olhar de volta para si.
Ele desejou poder ver aquela chama que ele tinha visto em seus olhos quando sua pequena reconheceu Nat, mas quando ele mordeu o lábio e caminhou de cabeça erguida até o laboratório de Hanna, abrindo a porta de correr, finalmente podendo se dar ao luxo de ouvir a voz dela outra vez, fazendo-o sentir-se agradecido apenas por tê-la de volta parcialmente sã e salva, ele não enxergou nada. Não havia nenhum reconhecimento brilhante em suas belas avelãs. Absolutamente nada! Ele era um completo desconhecido para o amor de sua vida.
— Boa tarde Stevie. — Marnie cantarolou assim que o sentiu, perambulando pelo cômodo. — Precisa de alguma coisa?
Ele coçou a nuca, respirando fundo.
— Eu pensei que Bruce estaria por aqui... — mentiu, porque ele já tinha visto a cena através do vidro, mas usou isso como desculpa para estar perto de Anna outra vez, como se fosse um vício. — Eu precisava falar com ele...
De onde estava, atrás da outra ruiva, Mary arqueou a sobrancelha em provocação para ele, que apenas deu de ombros.
— Bem, ele já saiu para testar o sangue de Lynna no laboratório da doutora Cho. — ela voltou a falar. — Mas já que está aqui... poderíamos nos aproveitar dos seus bracinhos para algo?
Ele arqueou a sobrancelha, encarando-a insolentemente.
— Por que eu não posso entrar num cômodo sem tê-la querendo se aproveitar do meu corpo? — brincou, quase sorrindo como um pateta por fazer Anna corar.
Suas amigas riram, então Wanda limpou a garganta, depois de retirar os eletrodos da testa de sua pequena, que estremeceu um pouco.
— Você poderia, por favor, puxar aquela mesinha ali no canto? — ela apontou para o objeto, que realmente parecia pesado demais para elas carregarem manualmente, mas era quase inútil, porque aqueles seres conspiradores podiam puxá-la com sua mente. — Nós precisamos dela para colocar as próximas seringas.
— Há mais?! — sua Anna gemeu, enquanto ele jogava sua toalha no ombro, pegando o móvel sem esforço algum. — Eu pensei que já tivessem tirado o suficiente! Assim irei desidratar!
Ele quis rir do drama dela. Era doce, mas ele sabia melhor do que apanhar por nada.
— Pronto. — resmungou, colocando a mesa à frente das duas, momentaneamente cruzando seus olhos com os da senhorita sentada na maca. Ele a viu fisicamente estremecer e desviar o olhar, corando sutilmente logo em seguida. — Vou deixá-las à vontade para continuar seus procedimentos. — voltou seu olhar para sua noiva. — Senhorita...
E com isso, arrastou a porta de volta, deixando-a perplexa para trás.
— Steve! — Bruce o chamou do meio da enfermaria, retirando-o de seu devaneio idiota. — Eu estava mesmo procurando você. Acho que Mary fez uma descoberta incrível!
*
A porta do laboratório se abriu, e o loiro alto e bonito chamado Steve Rogers adentrou o cômodo, deixando-a um pouco abobada com sua figura. Ele a intrigava.
— Boa tarde Stevie. — ouviu Mary cantarolar, e isso lhe deixou um pouco ciumenta. Que merda é essa?! — Precisa de alguma coisa?
O loiro parecia bastante adorável quando estava confuso.
— Eu pensei que Bruce estaria por aqui... — sua voz mexeu em pontos diferentes dentro dela. — Eu precisava falar com ele...
— Bem, ele já saiu para testar o sangue de Lynna no laboratório da doutora Cho. — a enfermeira da doutora Nuri voltou a falar. — Mas já que está aqui... poderíamos nos aproveitar dos seus bracinhos para algo?
Ela o viu arquear a sobrancelha perfeita, enquanto tentava não olhar para os planos duros de seu peito refletidos naquela camiseta curta demais para sua estrutura, apertada demais para aquele corpo tão definido...
— Por que eu não posso entrar num cômodo sem tê-la querendo se aproveitar do meu corpo? — eu quero me aproveitar desse corpo...
O quê?!
Ela corou fortemente com seu pensamento indecente sobre um completo desconhecido, estremecendo quando Wanda retirou os eletrodos de sua testa.
— Você poderia, por favor, puxar aquela mesinha ali no canto? — sua mente estava um pouco aérea vendo o loiro se movimentar com propriedade pelo local. Será que ela havia batido a cabeça com muita força e por isso estava tendo essas alucinações pervertidas com o colega de trabalho de seu primo? — Nós precisamos dela para colocar as próximas seringas.
— Há mais?! — ela finalmente acordou do transe com a frase da garota sokoviana. — Eu pensei que já tivessem tirado o suficiente! Assim irei desidratar!
Lynna podia jurar que viu o lampejo de um sorriso nas faces bonitas do loiro, mas ele se virou rapidamente, não permitindo-a ter certeza.
— Pronto. — a mesa que ele havia pego parecia extremamente pesada, mas isso não foi um empecilho para seus braços enormes e cheios de músculos. Quando seus olhos azuis cruzaram com os dela, a ruiva poderia jurar que sentiu seu coração errar uma batida. Sua mente se esforçou para tentar “pesquisar” se ela já tinha visto alguém tão bonito assim, mas falhou. Ela baixou o olhar para baixo, mas não conseguiu fazer isso por muito tempo, logo ele a encarava outra vez, fazendo-a corar profundamente, misturando-se com a cor de seus cabelos. — Vou deixá-las à vontade para continuar seus procedimentos. Senhorita...
Havia algo sobre sua voz que simplesmente lhe deixava confusa, tanto mentalmente, quanto fisicamente. Muito fisicamente, e esta sensação não passou quando o mesmo foi embora.
Aquilo era um fato: Lynna sentia-se pessoalmente intimidada pela presença do loiro enorme chamado Steve Rogers.
Ela podia dizer que era no mínimo estranho que ela sentisse como se o conhecesse? Algo estava faltando, mas não era como se ela fosse descobrir isso num estalar de dedos...
Aquilo era tão frustrante!
Tentar acessar suas memórias era um caminho tortuoso e sem volta. Doía e lhe dava náuseas, mas ela queria lembrar dele.
— Você está bem? — Mary perguntou, provavelmente sentindo sua perturbação.
Lynna tinha que colocar em sua cabeça que ela era uma empata. Ela podia ler sentimentos, emoções, essas coisas... e que ficar pensando saliências sobre o namorado dela era impróprio em tantos níveis...
Ela não respondeu de imediato, olhando para a porta de vidro onde o loiro havia sumido.
— Estou... — murmurou, assustada com o fato de que sua voz saiu mais afetada do que o normal.
Se Wanda e Mary notaram alguma coisa, elas guardaram isso para si.
Então, depois da visita repentina daquela criatura gigantesca e intimidade, elas passaram o resto do dia fazendo exames elaborados, deixando-a momentaneamente tonta, mas feliz que pelo menos havia conseguido fazer duas amizades hoje. Três, se contar com a presença silenciosa de Bruce.
Estranhamente, já era manhã quando elas saíram para comer. Seu estômago começou a protestar quando as três saíram do laboratório da doutora Cho. Mary as guiou para o refeitório da “base flutuante”, conversando calorosamente sobre coisas aleatórias.
Seu coração avançou uma batida ao grudar seus olhos no fundo do local, identificando o loiro alto ao lado do Soldado Invernal.
Seu maxilar travou, então ela resolveu ignorá-los, não confiando naquela dupla. A decepção encheu um pouco o seu coração. Ela não esperava que o loiro galante fosse se misturar justo com ele.
As garotas sentaram-na com Natalia e o loiro chamado Clint, enquanto prometeram que colocariam algum tipo de comida em sua bandeja, seguindo as prescrições de sua médica, cujo ela ainda não havia conhecido.
— Então... como foi sua bateria de exames? — Nat perguntou, checando a expressão em sua face.
— Foi boa...? Eu deveria dizer isso? — riu baixinho, fazendo-os rirem também. — Eu tirei mais sangue do que necessário, mas estou bem. — sorriu. — Bruce disse que aparentemente eu estou limpa das coisas que a Hydra colocou em meu corpo.
Natalia sorriu também, comendo um punhado de sua granola.
— Isso é excelente! — exclamou.
Lynna balançou a cabeça sorridentemente, agradecendo Wanda de maneira silenciosa quando a mesma colocou uma bandeja repleta de frutas à sua frente.
— É mesmo. — murmurou, então olhou para cima, estreitando os olhos para o Soldado, enquanto ele conversava com Rogers e os dois riam. — Qual é a desses dois? — arqueou a sobrancelha, apontando para a última mesa com o queixo.
Mary, que havia sentado ao seu lado, seguiu o seu olhar, franzindo o cenho para ela.
— Eles são amigos. — ela murmurou, então se deu conta de algo errado que fez e tratou de se corrigir rapidamente, quando Lynna olhou para ela como se a mesma tivesse dito que a Terra era plana. — Oh querida, eu sinto muito! — o olhar dela parecia verdadeiramente sincero, fazendo-a acreditar em suas palavras. — Você não tem noção de quem o Soldado era antes de ser roubado pela Hydra, não é? — como assim? Aquele homem não era um agente voluntário de seus algozes?! — Você pode não saber da história toda, mas aquele homem é James Buchanan Barnes, ele foi o companheiro de guerra do...
Ela parou o que estava fazendo para olhar bem para os dois homens conversando do outro lado do refeitório, antes de completar a fala da ruiva menor.
— Oh meu Deus, o Soldado Invernal era o melhor amigo do Capitão América?! — arregalou os olhos, largando o morango antes de levá-lo a boca.
Ela já havia lido a história do Namoradinho dos EUA em algum lugar, mas nunca que ela chegaria à esta conclusão assim, na lata!
— Sim. — Natalia respondeu no lugar de Mary. — Mas não se preocupe com isso, nós não estamos culpando-a por não se lembrar. Você sofreu um acidente feio antes de ser resgatada.
Ela assentiu, olhando para a outra mesa.
— Isso significa que o Soldado é tão vítima quanto eu fui? — sussurrou, engolindo em seco.
As pessoas ao seu redor assentiram, com um olhar de compaixão para o dilema dela.
Caralho, eu também chamei um herói nacional de monstro?!
— Não fique nervosa, não seja tão dura consigo mesma. — Marnie (como ela encorajou-a a chamá-la) disse, segurando sua mão, sentindo seu desconforto. — Tudo é novidade, você terá bastante tempo para se adaptar, de verdade. Relaxe.
Era como se sua voz tivesse lhe dado um comando físico. Sua respiração imediatamente se regulou, então ela assentiu e começou a comer.
— Por falar em relaxar... algum de vocês viu Thor? — franziu o cenho, levantando a vista de sua tigela de morangos. — Ele me deixou no laboratório da doutora Nuri e nunca mais voltou.
Natalia franziu o cenho.
— Thor é meio tapado às vezes, se quer saber. — respondeu-lhe. — Eu não vou retirar o que eu disse. — isso a fez rir baixinho. Ela ainda continuava a mesma, apenas seu corpo havia evoluído, assim como o nível de tortura aplicada a ela... — Ele deve ter se distraído com Loki e...
A fala dela morreu quando a doutora Nuri apareceu na mesa. Os olhares delas se cruzaram e a pequena tratou de desviar-se imediatamente, caminhando até o balcão onde estava o bufê estava sendo servido. Ela encheu sua bandeja e ignorou todos sentados com Lynna, indo até onde James Barnes e Steve Rogers estavam sentados, passando a entrar na conversa deles.
Foi como se algo tivesse sido enfiado em seu coração.
Ela mal conhecia aquela mulher, mas sentia como se um pedaço dela tivesse sido arrancado brutalmente de si com a rejeição dela.
Seu humor mudou drasticamente quando Tony Stark se juntou a eles na mesa, iniciando uma conversa animada, como se ele quisesse fazê-la esquecer seu bode com a pequena asiática e a mesa do fundão.
Passado isso, seu “café da manhã” não foi tão ruim.
Antes de Natalia guiá-la para o quarto, Lynna ainda deu mais uma olhadela para a mesa, desistindo de tentar entender a confusão em sua cabeça, apenas querendo descansar seu corpo para a viagem.
Segundo Tony – como a criatura obrigou-a a chamá-lo depois do quinto “Sr. Stark” –, eles iriam voltar hoje para o Complexo dos Vingadores em Nova York, e lá, eles teriam uma base concreta para examinar as amostras retiradas de seu corpo, assim como teriam tempo suficiente para fazer tudo com calma, entendendo os efeitos que a Pétala havia causado em seu corpo ao longo de todos esses anos, e principalmente os danos causados em seu cérebro.
Pessoalmente, ela sentia-se ansiosa para sair dessa geringonça voadora. Ela não confiava muito que aquela base enorme poderia se manter calmamente no ar.
Quando entrou em seu quarto, a atmosfera dele parecia vazia, como se faltasse algo, mas ela não soubesse dizer o que era.
— Você precisa de mais alguma coisa, querida? — Nat perguntou, seguindo seu olhar pelo pequeno apartamento que lhe foi disponibilizado. — Qualquer coisa, meu alojamento fica no final do corredor. Você saberá em qual porta deve bater. Todos eles possuem símbolos identificáveis. — sorriu-lhe.
Imediatamente, Lynna puxou-a para seus braços, apertando-a.
— Eu estou tão feliz por ter você de volta! — disse emocionadamente, provavelmente chorando.
— Eu também querida. Você não imagina o quanto. — murmurou de volta, acariciando suas costas. — Eu quero que saiba que o pior já passou, e que não importa o que aconteça, tudo é uma questão de tempo.
E com isso, a ruiva mais velha permitiu que a última das Viúvas Negras a deixasse sozinha para descansar.
Mas... e quem disse que ela havia conseguido pregar o olho?!
A cama parecia ser macia demais, fria demais, possuía lençóis demais...
Faltava alguém ali!
Irritada, ela seguiu para a cozinha, apenas para descobrir que seu dispositivo de água havia paralisado.
Ainda mais irritada, ela saiu de seu alojamento, quase morrendo do coração por dar de cara com a figura imponente do homem de longos cabelos castanhos e seu assustador braço de metal. O punho da Hydra.
Ele encarou-a momentaneamente, desviando imediatamente o olhar para a janela.
— Eu não vou atacá-la, se é o que está pensando. — ele disse em russo, defendendo-se, encarando o vidro embaçado pela chuva.
— Bem, você não me deixa muito a pensar. — ela cruzou os braços, encarando-o com o queixo erguido. — Parado no meio do corredor, ao mesmo tempo em que sabe onde meu alojamento fica...
Ele voltou a encará-la, agora tinha uma sobrancelha arqueada em desafio.
— Eu te sequestro e então... como eu iria escapar? — seu coração gelou com essa pergunta, fazendo-a retroceder alguns passos, perdendo completamente a sede.
— Você daria um jeito. — ela retrucou. — A Hydra daria um jeito...
Ele riu amargamente, retorcendo algo.
— Eu jamais faria isso, boneca. — algo no nome de estimação lhe deixou confusa. Ele já havia lhe chamado assim antes... — Você pode não se lembrar do que vivemos agora, mas eu jamais lhe machucaria. Nem se eu fosse torturado a fazê-lo.
E com isso, ele adentrou o apartamento próximo à janela.
Caralho, eu namorava com o Soldado Invernal?
Se isso fosse verdade, ela estava lascada, tentando tirar uma casquinha do melhor amigo dele com seus olhos curiosos...
*
O Helicarrier em si não pousou no famigerado Complexo dos Vingadores. Eles tiveram que adentrar uma aeronave chamada quinjet para chegar até lá, aterrissando numa pista ampla, que dava para um lugar enorme de arquitetura sofisticada, coisa que nenhuma base da Hydra jamais teve.
Ela e Nat foram as primeiras a desembarcar, caminhando pelo campo verdinho, onde uma mulher alta com cabelos loiro-morango os esperava na porta de entrada. Ela usava um conjunto branco de blazer e saia lápis que contrastava com sua pele elegantemente bronzeada.
A senhora sorriu para as duas assim que as viu, revirando os olhos logo em seguida. Lynna olhou para trás e viu a carinha de cachorro maluco que Tony fez para ela, fazendo-a franzir o cenho.
— Seja bem-vinda ao Complexo, senhorita Angianova. — a mulher saudou-a. — Sou Pepper Potts, a líder das Indústrias Stark, e...
— Minha querida noiva. — o Homem de Ferro interrompeu a fala dela, bicando sua bochecha, fazendo-a franzir o cenho para ele, severamente. — Que foi? — ele se fingiu de inocente.
— Eu ia dizer que cuidava dos interesses públicos dos Vingadores antes que ele me interrompesse. — ela voltou a falar, com um sorriso de desculpas em sua face. — É um prazer tê-la aqui, vossa alteza.
Ela sorriu, apertando a mão que a loira lhe estendeu.
— Obrigada. — murmurou de maneira tímida.
Quando as portas se abriram, uma criatura de longos cabelos negros e olhos esverdeados apareceu, vestindo camisa e calça social preta, contrastando com as pantufas de coelho que ele tinha nos pés.
— Loki! — seus olhos se arregalaram, correndo para abraçar seu primo mais novo.
— Essa peste não estava no Helicarrier conosco? — ouviu Mary perguntar antes de se separar dele, que abraçou seus ombros.
— Eu decidi chegar antes para cumprimentar a minha pequena. — ele respondeu-a com um sorriso brilhante. — Queria fazer uma surpresa para ela. — Lynna sorriu de volta, abraçando-o de lado também, feliz por ter sua família de sangue de volta com ela. — Fiz sua sobremesa favorita, espero que goste.
— Como é que essa criatura chegou aqui tão rápido? Ele ‘tá mancomunando com o cão? Que tipo de feitiçaria é essa?! — a pequena ruiva balbuciou, fazendo-o gargalhar.
— Desista, querida. Os mortais jamais entenderão como um deus se locomove. — disse-lhe, guiando-a para dentro. — Vamos Lyanna. Há muito a ser explorado, mas começaremos pelo mais suave.
E com isso, ele a arrastou pelo amplo local, ganhando um xingamento vindo de Marnie numa língua estrangeira muito semelhante ao espanhol. A pequena ainda não havia lhe dito sua nacionalidade, então ela só podia adivinhar que era esta...?
Loki levou-a até um elevador, onde ele apertou um botão redondo para chamá-lo. Imediatamente, as portas de metal se abriram, quase fazendo-a enfartar ao ouvir uma voz robótica saudá-la pelo seu nome.
— Seja bem-vinda, senhorita Angianova.
— Quem disse isso? — perguntou com os olhos arregalados.
— Eu sou SEXTA-FEIRA, a inteligência artificial que controla as operações lógicas do Complexo dos Vingadores. — a voz respondeu em seu sotaque irlandês...? — Fui criada por Tony Stark.
— Hm... ok. — deu de ombros, sorrindo para a caixa de metal. — Prazer em conhecê-la, SEXTA-FEIRA.
— O prazer é todo meu, senhorita. — disse-lhe amigavelmente. — Qualquer coisa que precisar, pode contar comigo.
— Certo. — respondeu-lhe antes de adentrar uma cozinha enorme, onde uma taça de sorvete a esperava no balcão, com canudos de wafer e gotas de chocolate no topo. — Loki, isso é muito doce de você! Obrigada.
Sorriu emocionadamente para ele, que fez um gesto de descaso.
— Nada é demais para você querida. — disse-lhe com um sorriso, sentando-se ao seu lado. — Estou feliz que você esteja de volta, que nós tenhamos te reencontrado. Eu jamais a deixarei ir outra vez. Já cometi esse erro antes, agora não mais.
Ela tocou sua mão, apertando-a.
— O que aconteceu na fazenda... — ele abriu a boca para falar mas ela o cortou. — Deixe-me terminar! — o moreno assentiu. — A noite em que a Hydra invadiu Ivenorra deve ficar no passado. Não podemos mudar isso, Loki. Vovó iria gostar que nós seguíssemos em frente.
Ele assentiu outra vez.
— Certo. — murmurou. — Faremos isso por Amber-Rose.
Com um sorriso, ela começou a comer o sorvete, compartilhando-o com seu primo.
Foi no timing perfeito do time ir se aproximando para arranjar algo para comer também. Sam Wilson, o único vingador que não estava na sala quando ela havia acordado, sorriu para si, abrindo a geladeira para retirar um sanduiche de lá, enfiando-o no micro-ondas imediatamente.
Ele sentou-se ao seu lado da bancada, arregalando os olhos quando ela empurrou a enorme taça de sorvete, oferecendo-o.
Lynna estranhou a reação dele. Ele tinha medo dela, era isso? Ela fez alguma coisa de errado?
Seus temores logo se dissiparam quando o mesmo pegou uma colher limpa de uma das gavetas abaixo deles para tirar um pouco da sobremesa para ele também, juntando-se ao grupo, fazendo-a sorrir amplamente com isso, estranhamente sentindo-se quase em casa, por mais que ela tivesse conhecido a maioria dessas pessoas há menos de dois dias.
As horas se passaram, enquanto Sam a enrolava em suas conversas divertidas, fazendo-a perder a noção do tempo. Não que ela tivesse outra coisa para fazer, mas estava ansiosa para saber os resultados de seus exames, que ficariam prontos à tarde, segundo o próprio Bruce.
Thor se juntou a eles alguns minutos após o famigerado Falcão contar-lhe uma história engraçada sobre como ele e o Capitão Rogers se enfiaram numa fria e tiveram que usar fantasias de carnaval no Brasil. Ele acabou se fantasiando de pirata, enquanto o loiro patriota se fantasiou de pintinho amarelinho.
Ela simplesmente não conseguia imaginá-lo assim, mas confiou no que seu mais novo amigo havia dito.
Em algum ponto da conversa, ela viu a doutora Nuri caminhar para fora, depois de conversar baixinho com Mary. As duas pareciam estar discutindo. Mais uma vez, ela tentou lidar com a rejeição dela, conseguindo esquecer isso, até que se lembrou de algo importante.
Quando Steve Rogers escorregou para fora da cozinha, ela sabia que devia falar com ele.
— Capitão Rogers? — interceptou-o no meio do corredor, não esperando que ele fosse virar-se imediatamente para ela, depois do que a mesma havia feito...
— Aconteceu alguma coisa? A senhorita precisa de algo? — ele franziu o cenho, fazendo com que seus belos olhos azuis vibrassem estranhamente.
Ela negou, sorrindo.
— Na verdade, há algo que eu queria lhe dizer... — engoliu em seco, tentando tomar coragem. Parecia que suas ações, suas pernas e seus nervos se tornavam inúteis quando ela estava ao redor dele. — É sobre o que aconteceu quando eu despertei pela primeira vez no Helicarrier...
— Está tudo...
— Não! Por favor, deixe-me terminar! — interrompeu-o imediatamente, senão ela jamais teria outra chance como essa. Suspirou, tentando encará-lo nos olhos, mas era muito difícil. Aquelas duas safiras pareciam perfurar sua alma. — Eu sinto muito por tê-lo ofendido chamando-o de monstro. Naquele momento, eu não tinha conseguido distinguir a realidade do abuso que havia sofrido na Hydra, e me sinto muito envergonhada de ter feito aquilo, agido como uma completa desesperada...
Ele abriu um sorriso para ela, sorriso esse que fez suas pernas tremerem.
— Você não precisa se desculpar, senhora. — cara, aquele apelido não deveria mexer com ela do jeito que mexeu. Ela foi a namorada do Soldado Invernal em sua estadia na Hydra, não foi? Ela não deveria estar tão animadinha assim enquanto o cara circulava pelo mesmo ambiente... — O abuso que sofreu na mão daquela gente foi terrível o suficiente, sua dor não deve ser desmerecida. Eu fui tolo de acreditar que poderia...
— Que poderia...? — ela indagou, curiosa para saber o que ele tinha a dizer, mas antes que ele a respondesse, latidos irromperam pelo corredor, então uma bola dourada pulou em cima dela, levando-a ao chão. — Oh! Olá garotinho!
O filhote de golden retriever lambeu seu rosto compulsivamente, fazendo-a rir baixinho com as carícias dele, que era a criatura mais fofa do mundo.
— Mike, não! — o Capitão Rogers bradou, ajoelhando-se ao seu lado, tentando tirar a bola de pelo de cima dela. — Não faça isso, garoto mal! — o pequenino choramingou, custando a se afastar dela, mas prontamente obedeceu às ordens de seu “pai”. O loiro pegou firmemente em sua mão, fazendo-a sentir-se estranha. Seu corpo formigava em lugares que ela jamais imaginava sentir esse tipo de coisa, como em flor pulsante entre suas pernas, o que a deixou extremamente constrangida, tentando parecer polida em seu conjunto de shorts e blusa da SHIELD. — Você está bem? — ela assentiu, porque sabia que não conseguiria dizer nada. — Desculpe-me pelo ataque... Mike é um cachorrinho muito agitado e ele gosta de carinho...
Ela sorriu para o pequeno animal sentadinho no chão. Seu coração se encheu ao vê-lo. Imediatamente, ela queria levá-lo para si, se ele já não pertencesse ao loiro à sua frente.
— Tudo bem. — murmurou por fim, tentando parecer decente. — Eu gosto de filhotinhos agitados. — sorriu para ele, tocando sua cabecinha, fazendo-o colocar a língua para fora. — Então... eu queria perguntar...
— Se nós podemos passar uma borracha no que aconteceu e seguirmos em frente? — ele arqueou a sobrancelha, fazendo-a rir nervosamente.
— Sim. — ela respondeu.
— É claro, senhorita. — disse-lhe tranquilamente, brincando com Mike, que circundava as pernas deles.
— Bem... para que isso dê certo, você vai ter que parar de me chamar de ‘senhorita’. — ela observou, encarando seus belos olhos azuis. Lyanna, se comporta! Você já foi namorada do melhor amigo dele!
Ele sorriu outra vez, tornando ainda mais injusto o seu dilema.
— Tudo bem, contanto que você também pare de me chamar de ‘Capitão Rogers’. Parece alguém do governo tentando me cobrar algo. — ela riu.
— Certo. — assentiu. — Steve.
Ele sorriu.
— Lynna. — mandá-lo chamá-la por seu apelido foi uma péssima ideia, pois agora tudo o que ela tinha em sua mente, era ele chamando-a assim em outros contextos...
— Stevie! — a voz do Soldado atingiu-os do corredor. Ela corou fortemente ao vê-lo, por conta do que estava claramente sentindo por seu melhor amigo. Ela estava traindo-o! — O doutor Banner quer vê-lo.
— Eu também devo ir? — ela disparou.
Ele negou.
— Não é sobre seus exames. — respondeu-lhe tranquilamente, com sentimento. — É sobre um assunto confidencial.
Ela assentiu, vendo o loiro assentir também.
— Bem, Lynna. Nos vemos por aí. — disse-lhe antes de se aprumar para ir. — Vamos Mike!
O cachorrinho ainda passou alguns segundos encarando-a, mas logo cedeu à voz de seu dono, correndo ao seu lado, deixando-a sozinha com seu ex-namorado da Hydra.
— Erm... — ele começou a falar, mas ela o cortou.
— Seja o que for que aconteceu entre nós, está no passado. — disparou com o coração batendo fortemente. O rubor correu livremente de suas bochechas até seu peito. — Eu não sei se nós poderemos revivê-lo.
E com isso o deixou para trás para ir à procura de Natalia, que deveria dizer-lhe onde ela deveria ficar.
*
Bucky adentrou o laboratório de Bruce com os olhos arregalados, assustando-o, então, ele soltou uma gargalhada alta, encostando-se na parede, fazendo todo mundo olhar para ele como se o mesmo estivesse enlouquecendo. Até mesmo Marnie, que geralmente sabia o que se passava em sua mente, estranhou a reação exagerada dele.
— Barnes, você vai abrir o bico e nos contar o que é tão engraçado, ou eu vou ter que arrancar essa informação de você? — Hanna rosnou ao seu lado, cruzando os braços numa postura “intimidante”. Ela era tão fofinha, quanto era assustadora às vezes.
— Lya... — ele riu, limpando as lágrimas. — Lya acha que eu e ela namoramos enquanto estávamos na Hydra.
Todo mundo franziu o cenho para ele.
— Explica isso direito, seu acéfalo! — nossa, hoje Hanna estava revoltada com o mundo!
— Bem, tudo começou quando eu a encontrei no corredor dos dormitórios no Helicarrier. — ele começou, caminhando até o círculo formado ao redor da máquina de extração do parasita, que havia chegado primeiro com Loki e os técnicos do laboratório de Cho. — Eu disse a ela que não precisava me temer, e tentei lhe entregar o gatilho de uma frase que eu havia lhe dito enquanto estávamos sendo torturados, achando que ela iria pescar isso, mas parece que minha querida irmãzinha é muito tapada. — Steve ouviu Hanna murmurar um ‘é de família’, claramente alfinetando Thor, seu esporte favorito, que ele imaginava ter se abrandado um pouco... — Ela tomou conclusões erradas, e agora acha que eu e ela éramos namorados! Antes de ela sair para encontrar Natasha, a criatura havia me dito que não poderíamos “reviver o que tinha acontecido entre nós no passado”.
— Cara, ela não pegou a “referência” quando eu apresentei Marnie como Mary BARNES? — Tony perguntou com os olhos arregalados.
— A pobrezinha bateu com a cabeça, galera! — a ruiva anã saiu em sua defesa, cruzando os braços para as palavras de seu amigo. — Ela não iria lembrar de coisas assim do dia para a noite!
— Olhando por esse ângulo, você pode ter razão. — o bilionário voltou a falar, para depois apontar o dedo indicador para ela. — E não me diga que você sempre tem razão, ou eu vou bloquear seus poderes por uma semana!
Ela arqueou a sobrancelha para ele, então cruzou os braços.
— Você não faria isso, a menos que queira levar um murro de metal na cara! — ela olhou para Buck, que começou a assoviar, encarando todos menos ela. — Filho de uma mãe! — xingou ele em sua língua materna. — Ok, que tal irmos direto ao ponto?
Bruce pigarreou, atraindo toda a atenção para ele.
— Como eu já tinha dito a Steve assim que Lynna acordou... — começou. — Mary fez uma descoberta bastante importante adentrando o subconsciente dela. Esta mesma descoberta meio que foi confirmada nos exames neurológicos que fizemos nela durante estes dois dias a bordo do Helicarrier. A mancha escura em seu cérebro era um retrato do parasita. — mostrou-lhe um exame antigo de Anna, que exibia uma grande mancha negra no cérebro dela. — Agora, esta foi a imagem que obtivemos no exame mais recente. — a sombra havia desaparecido completamente. — Ao contrário do cérebro de Bucky, que parece ter sido bastante danificado com o processo da Hydra, o dela não. Está completamente saudável, o que não nos dá uma explicação lógica para a perda de memória que ela havia sofrido...
— O que nos fez chegar à conclusão de que talvez, os poderes de Lya tenham tentado protegê-la de danos piores, meio que “trancando” as memórias dela numa espécie de “lugar seguro”, enquanto ela se recupera. — Marnie terminou a fala do cientista, que assentiu brilhantemente para ela. — O que me levou à conclusão de que ela só pode possuir algum nível de poderes mentais. Nunca nenhum outro mutante que eu conheça, foi capaz de proteger sua mente tão bem quanto ela o fez. Porque não há exatamente nada em seu cérebro que pudesse ter sido danificado, apesar da pancada forte. É como dizem, Lyanna realmente é uma cabeça dura.
Ele riu um pouquinho, então passou a prestar atenção em Loki, que caminhou para o centro da roda.
— Faz sentido. — ele divagou, fazendo-os franzir o cenho outra vez. — A avó dela... seu marido saiu de casa ao descobrir que ela era uma mutante. Lady Aleksanna também era, herdou os poderes da mãe. Ela era uma empata, mas não tão poderosa quanto este ser irritante aqui. — apontou para Mary, que revirou os olhos. — Seus dons eram praticamente imperceptíveis, mas a mente dela era extremamente forte... talvez Lyanna tenha herdado parte de seus poderes também... ou talvez sua mãe os tenha passado na primeira e única vez em que suas peles se tocaram. Tudo o que eu me lembro era que ela amava muito a criança que estava esperando...
Marnie remexeu-se um pouco angustiada, encarando Loki, que encarava a todos, menos ela, o que foi um pouco estranho.
— Bem... — Steve pigarreou. — Agora que nós estamos chegando a uma conclusão concreta... podem me dizer o que tudo isso significa?
— Significa que é reversível, Stevie. — Mary lhe respondeu com um sorriso amplo, reavivando sua esperança. — A memória dela pode voltar a qualquer momento, nós só precisamos saber qual é o gatilho dela.
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