The Captain and The Petal.

77 Seventy-fifth Chapter. - I saw an angel.


Notas iniciais
Ois, volteeei! Já estou quase de férias, por mais que ainda ajam algumas provas finais para fazer (hehe) e o meu pc refletiu e agora ele está sendo bonzinho comigo, entããão, isso significa que nós temos capítulo novo! Galgamos mais um degrau. Boa leitura! Ps: o cap será na perspectiva de Marnie e Bucky, mas não é um bônus paralelo, ele realmente segue o enredo, eu o fiz porque não haveria outro jeito de narrar os acontecimentos a seguir na perpectiva de Hanna ou de Steve :))

Eu vi um anjo.

— Eu não quero ir. — Hanna gemeu, esticando seus membros deliciosamente doloridos.

— Nós precisamos ir. — a voz de Thor atingiu-a do banheiro. — Nossos amigos estão preocupados com a sua segurança, e nós passamos mais dias que o necessário aqui!

— Meus pés ainda doem das feridas! — ela protestou, enfiando-se dentro dos cobertores achados no quinjet, os únicos que não estavam tão chamuscados. — Eu sinto que não posso sair da cama agora...

Uma risada estrondosa a fez rir baixinho também.

— Sua pequena encrenqueira, eu sei que seus pés já estão melhores! — o loiro colocou a cabeça para dentro do quarto, com um sorriso enorme em seu rosto bonito. — Uma semana já se passou, e por mais que eu adore a ideia de ficarmos trancados nessa cabana pelo resto de nossas vidas, precisamos voltar.

Ela gemeu outra vez, enrolando-se numa bolinha.

— Mas está frio! — resmungou, esfregando seus pés para que eles se aquecessem melhor.

— Bem, isso é meio que nossa culpa. — ele deu de ombros.

As bochechas de Han esquentaram-se com suas palavras. Eles não tinham dado trégua para o clima nesses dias em que passaram juntos, mal saindo da cabana, mal podendo dar um passo longe um do outro sem que a necessidade de copular atingisse o seu pico. Hanna aprendeu mais sobre seu corpo em uma semana, do que em toda a sua vida! Quem diria que ela sentiria prazer tendo apenas seu namorado beijando seus pés? Isso era surreal!

— Vamos, minha flor, nós realmente precisamos ir. — insistiu, enrolando seus braços grossos ao redor dela, que deu um gritinho ao ser levantada sem esforço nenhum.

— Mas eu estou com fome! — tentou argumentar, espremendo-se para sair dos braços dele, coisa que ela percebeu ser impossível logo assim que eles ficaram juntos. — Você não me deu o que comer ainda!

Thor riu. Hanna sentiu-se tremer diante de seu riso contagiante.

— Sei disso, portanto já arrumei tudo no jato enquanto você dormia. — respondeu dando beijinhos desleais em seu pescoço coberto pelo moletom de gola alta que Brunnhilde havia conseguido para ela. — Vamos, meu amor, logo, logo você verá nossos amigos, isso não é bom?

— Não. — ela resmungou, fazendo birra. O loiro simplesmente ignorou seu gesto infantil e caminhou com ela para fora da cabana. Loki os esperava lá fora, com uma careta impaciente. Esse cara precisava de um doce, na moral. — Você não vem? — perguntou para seu cunhado, que fez um gesto de descaso.

— Eu prefiro evitar a empata por mais alguns dias. Eu não mereço ser obrigado a conviver com ela gritando no meu ouvido por culpa de vocês dois. — ele respondeu dramaticamente. — A tal SEXTA-FEIRA enviará uma mensagem para mim quando encontrarem o paradeiro da minha criança, então até lá... não destruam o Complexo como quase destruíram a minha cabana!

Han se encolheu, escondendo-se atrás do ombro do mais alto, que riu vigorosamente.

— Não sei do que está falando, irmão. — disse-lhe. — Cuide bem da nossa casa, não quebre o meu videogame e não arranje confusão.

Loki praguejou algo na língua nórdica e bateu a porta na cara deles.

— Que amor! Deve ser a maldição de Lya para quem rouba os doces dela. — a morena refletiu, observando a porta enquanto ela era carregada para o quinjet. — Nós não nos despedimos de Brunnhilde...

— Ela está em alto mar em sua atividade de pesca. — Thor prontamente respondeu, minando sua tentativa de adiar a partida deles.

— Eu ainda não me despedi da menina que me emprestou suas roupas! — o loiro revirou seu olho, colocando-a sentadinha numa das poltronas. — Eu quero ficar... — fez sua carinha de luxo, aquela que sempre fazia Bucky ceder e lhe dar o que ela queria. Porque ela era fofa e usaria isso como sua arma contra os homens de sua vida. — Por favor...

Ela deve dizer que ele quase cedeu, antes de soltar um suspiro forte, para depois sorrir travessamente.

— Se quer tanto ficar, então case-se comigo. — disse-lhe divertidamente.

— Você vai me chantagear agora? — arqueou a sobrancelha, bufando.

Ele riu.

— Na verdade não. — respondeu, arrumando sabe-se Deus o quê dentro do jato. — Você pode vir aqui sempre que quiser. Meu lar sempre estará aberto. Mas... você não gostaria de rever nossos amigos? Eles estão preocupados com você. Você não gostaria de rever Mary Elizabeth e brigar com ela pela atenção de James?

Hanna bufou.

— Você fala como se a única coisa que eu fizesse na vida fosse implicar com Marnie por culpa de Bucky. — ele arqueou a sobrancelha, fazendo-a dar de ombros. — Eu quero ver os meus amigos, mas eu também não queria abandonar esse lugar, o tempo que nós tivemos para nós dois...

Ele riu baixinho, colocando a aeronave em modo de voo, antes de ajoelhar-se em frente a ela.

— Como eu disse, você sempre poderá voltar aqui. — disse-lhe carinhosamente, beijando suas mãos.

— Eu sei. — sorriu-lhe. — Tudo o que eu queria era poder ter mais tempo para nós. Sozinhos. Você sabe como os nossos amigos são bisbilhoteiros... não que eu seja, ou qualquer coisa do tipo... — os dois gargalharam, antes de Hanna voltar a falar: — Nós podemos manter o que temos em segredo por um tempo? Sabe... todo mundo está tenso com o que a Hydra está causando, eles não precisam de uma distração maior, e... — ela corou. — Eu queria mantê-lo só para mim, porque só eu posso tê-lo, como um segredo que só eu sei...

Ele apertou seu corpo contra o dele, fazendo-a encarar o brilho intenso de seu olhar.

— E quanto à minha proposta? — sua voz era tranquila. Era como se ele estivesse fazendo uma pergunta casual, sem pressões. Eles não se perguntaram sobre o futuro nesses dias que passaram juntos.

— Pergunte-me de novo em seis meses. — ela ajustou sua postura, sorrindo ao ver a hesitação em seu olhar. — Minha resposta sempre será positiva, mas nós não precisamos apressar as coisas, certo?

— Certo. — beijou sua mão outra vez. — Iremos devagar.

Ela estendeu seus dedos para tocá-lo.

— Mas não tão devagar. — murmurou, fazendo-o sorrir e concordar com ela.

Então, Thor levantou, circulando pelo quinjet. Ele voltou para si com uma espécie de garrafa térmica cilíndrica, entregando-a em suas mãos.

— Isso me faz lembrar de algo muito importante. — respondeu sua pergunta silenciosa. — Eu não estarei por perto todo sempre, e seus poderes podem não se apresentar da maneira mais rápida... — ele abriu a garrafa e estendeu a mão para ela, que se iluminou com seus raios. — Isto pode manter seus inimigos afastados. — por fim, os raios em sua mão foram parar dentro da garrafa. — Stark fez isso como uma espécie de teste, e agora veio à calhar.

Hanna olhou maravilhada para o cilindro, sorrindo amplamente.

— Acho que você vai precisar repor isso sempre... — murmurou cheia de planos.

Hanna! — ela arregalou suavemente os olhos. Thor quase nunca lhe chamava pelo nome, então tinha que ser algo sério, por mais que ela estivesse sendo um anjinho inocente... — É para utilizá-los em seus inimigos, não nos nossos amigos, quando eles te chateiam.

Ela assentiu, sorrindo “angelicalmente”.

— Eu sei disso. — respondeu-o. — Mas quando eles me chateiam, eles se tornam meus inimigos.

Ele estreitou os olhos.

— Eu sinto que não deveria ter te dado isso... — resmungou, levantando-se.

— Nada a ver! — Han reclamou, cruzando os braços. — Eu juro que vou me comportar! Agora, senhor, coloque essa banheira para funcionar, eu quero chegar em casa logo.

Ele praguejou algo em nórdico e fez o que ela disse, sempre olhando por cima do ombro quando ela parava de tagarelar, sempre a encontrando admirando o seu gesto de carinho: entregá-la um punhado de seus poderes para protegê-la quando ele estivesse longe, por mais que ela pudesse se defender sozinha...

Hanna não iria machucar seus amigos com isso... muito, porque ela não queria desperdiçar um pedaço do seu trovão com aqueles ingratos.

Sorrindo, ela dormiu, abraçada à garrafa.

*

Uma semana e três dias se passaram desde que Thor havia fugido do Complexo e roubado o quinjet que Sam estava esvaziando. Desde então, eles só tinham tido um maldito sinal de vida daquele alienígena cabeça dura. UM! E anônimo, ainda mais! Eles não tinham a mínima ideia de onde aquela Barbie do Espaço estava, e se Hanna estava com ele!

Às vezes, Mary desejava que a Hydra tivesse feito-a ainda mais poderosa, sabe? Que seus poderes pudessem tocar pessoas há longas distâncias, mas não, ela não tinha como realizar essa façanha, infelizmente.

— Eu juro que vou fazer espetinho de Pikachu se ele não trouxer a minha Hanna sã e salva para casa! — resmungou em voz alta, atraindo o olhar de Nat, que concordou com ela e esfregou seu joelho.

— Eu prometo que te ajudarei a pegá-lo, mas até lá, precisamos ser pacientes. — disse-lhe com um sorriso triste.

Paciência não era a sua maior virtude, assim como não era a do seu capitão. Ela podia ver sua estrutura racional ruindo a cada dia que passava. Eles estavam três passos atrás da Hydra agora. Se Thor realmente conseguiu resgatar Han, eles ficariam um pouco mais perto e teriam desarmado os filhos da puta completamente.

Tudo o que eles precisavam fazer era esperar, e isso era cansativo, desgastante...

— Ele tem que estar com ela. — Steve se pronunciou, fazendo-a encará-lo. — A base da Itália estava vazia. A única opção além da Ucrânia era a Sibéria, mas...

— Nos destruímos os tanques de tenebrys sakura que existiam lá. Eles precisam dos tanques para usar como armas contra as meninas. É como se os tanques fossem a minha cadeira. — James continuou a fala dele, que assentiu.

— Vocês acham que é possível que a Hanna...

Mary parou de escutar a pergunta de Sam no minuto em que ela sentiu. Fora inconfundível.

Gatinhos, conforto, estou em casa, alívio, dor, alegria, estou protegida...

— Anya, você está bem? — o moreno perguntou, avaliando-a quando ela levantou-se abruptamente, com as lágrimas lutando para cair.

Marnie não podia falar agora. Ela não saberia como colocar em palavras o que ela estava sentindo. Wanda parece ter sentido a mesma coisa, porque ela também tinha o mesmo olhar em seu rosto.

Sem esperar por algo ou alguém, a ruiva correu para fora da sala de reuniões, descendo as escadas, enquanto um coro de gritos vinha atrás dela, mas isso não importava. Esta era uma caça ao tesouro, e todo mundo ganharia o prêmio.

Abriu desesperadamente a porta de correr que dava para a pista de decolagem, onde todos os quinjets que eles dispunham estavam lá. Todos eles.

Um sorriso enorme se apossou de sua face ao ver o embrulho rosa levemente chamuscado caminhando para ela. Seus cabelos estavam enrolados num nó no topo de sua cabeça e ela agora tinha uma franja cobrindo sua testa, obra da Hydra, provavelmente, mas nada disso importava.

Quando seus braços se apertaram em torno da criatura amavelmente irritante, ela chorou, como nunca havia chorado nesses últimos dias, tentando se manter firme para tentar ser a âncora de todo mundo.

— Você está viva! — murmurou, apertando-a com tudo o que ela tinha, sentindo Hanna apertá-la de volta. — Eu não acredito que você está aqui!

— Eu estou aqui sim, Marnie, mas se você continuar me apertando desse jeito, eu irei sumir! — resmungou com a voz entalada.

A ruiva finalmente a soltou, encarando-a fixamente, antes que James aparecesse e girasse a morena em seus braços, distribuindo beijos em seus cabelos. Logo, todos os seus amigos fizeram uma rodinha em volta dela, cada um abraçando-a fortemente.

— Playboyzinho, você demorou! Por acaso queria sequestrar a nossa Hanna também? — Tony disparou para Thor,que abaixou um pouco a cabeça, envergonhado, mas não respondeu.

Mary ia dizer alguma coisa para complementar a fala do amigo, mas então, ela sentiu.

Na verdade, era quase como se ela pudesse ver. Havia uma conexão entre os dois, e ela não falava apenas da conexão que normalmente existia, aquela coisa que chamava um para o outro indiretamente, como o loiro asgardiano tinha lhe explicado enquanto eles falavam sobre verdadeiros companheiros/companheiros de alma. Não. A conexão entre eles era bem mais íntima que isso, forte nas bases e praticamente impenetrável, coisa que – segundo o próprio Pikachu –, só era ativado através de vínculos físicos.

CARALHO! — ela não conseguiu segurar a boca, arregalando os olhos.

James, que estava um pouco separado da roda, olhou para ela, buscando saber o motivo de seu desconforto.

Eles bagunçaram os lençóis! Thor e Hanna fizeram fondue!

Meu Thornna é real, poha!

Ela teve pena de seu marido, que tentava controlar a vontade de rir enquanto a galera arrastava Hanna para dentro. Thor contornou-a facilmente quando seus olhos divertidos o escanearam, mas não sem antes dar-lhe um beijo em seus cabelos, então ele correu para longe.

Ele sabia que não dava para esconder coisas dela, não sabia?

Levando em consideração o rubor evidente em seu rosto, ele sabia sim e fugiu dela para não levar a merda.

Assim que – depois de rirem para cacete – ela e James chegaram à sala de estar, onde Hanna era paparicada por Tony e Nat com sorvete e cookies, Mary pigarreou, atraindo a atenção da morena, que arregalou os olhos ao ver seu olhar conhecedor.

— Puta merda, como é que você pode fazer essas coisas? — perguntou enigmaticamente. Eles estavam escondendo o relacionamento por hora, ela entendia isso.

Deu de ombros.

— Não sei do que você está falando. — respondeu inocentemente, com um contido sorriso provocador. — Agora... podemos saber onde a senhorita esteve esse tempo todo?

— Bem... para responder a sua pergunta, eu terei começar do zero. — ela suspirou, ignorando seu olhar. — Como todos sabem, alguém da Hydra que estava infiltrado aqui pronunciou as palavras de comando, desligando o cérebro de Lya para que a Pétala pudesse voltar à superfície. — seus amigos assentiram. — Ela recebeu um comando para me levar junto. Na mesma hora, Wanda e Nat tentaram para-la, mas já era tarde. A Pétala quebrou a janela e pulou comigo. Lá fora, ela pediu para que eu retirasse a pulseira e foi o que eu fiz. Ela derreteu o metal para que não tentassem rastreá-la e nós fomos levadas para a base ucraniana. — Han soltou um suspiro trêmulo de dor e Mary abriu caminho para poder sentar-se ao seu lado, envolvendo-a com seus braços, puxando-a para seu peito. — Eu... eu sinto muito Steve. Eu não sei onde ela está. Eles nos separaram... — o loiro americano tocou seu joelho, confortando-a.

— Nós sabemos disso Han. Não é culpa sua. — ele disse numa voz carinhosa.

Pela primeira vez em semanas, seu amigo parecia mais leve. Todo mundo estava nesse patamar. Eles tinham Hanna de volta, e seria uma questão de tempo até eles chegarem à Lya. Um degrau foi galgado com sucesso, graças a Thor e sua corajosa estupidez.

— Thor me encontrou na Ucrânia. — a pequena voltou a falar. — Ele conseguiu me tirar de lá, mas... nós achamos que seria uma boa ideia recalcular a rota. Querendo ou não, eu era a arma que a Hydra estava usando mais. A Pétala era somente uma distração, então era óbvio que eles viriam atrás de mim. Por isso, ele me levou para Nova Asgard. Mas esse não foi o único motivo... — Mary mordeu a vontade de cutucá-la, porque a situação era séria agora. — Eu não tenho um parasita dentro de mim, então consigo me lembrar com facilidade das merdas que a “Pyra” andou fazendo a mando da Hydra. E eu lembro do porquê incendiei o corpo de Thor. Ele usou água para apagar o meu fogo. — se ele apenas soubesse que deveria ter usado o martelo dele... ok, ela parou. — Na verdade, me apagar não é a melhor escolha. É doloroso. — Han estremeceu outra vez, então enrolou-se nos edredons. — A Hydra fazia isso para me torturar. E antes de eu ser resgatada, quando eles nos separaram pela última vez, eu queimei a mão do homem que me criou. Eles me puniram por isso, incendiado o meu corpo e me jogando no gelo para “esfriar”.

Filhos da puta! — pelo seu limitado conhecimento de russo, parecia ter sido isso que Nat sibilou.

— O gelo é pior do que a água. Ele tira minhas forças completamente. Por isso que logo quando vocês me encontraram em Sokovia, eu estava muito fraca... — ela fungou, afogando sua cabeça no peito de Marnie, que acariciou seus cabelos macios, cheirando a chuva. — Eu fiquei com queimaduras pelo meu corpo, então precisei ficar em Nova Asgard por mais um tempo, para que eu pudesse me curar melhor, uma vez que meus pés foram a principal área prejudicada.

James soltou um rosnado baixo.

— Quem fez?! — perguntou à Han, que se encolheu.

— Não importa mais, Buckie! — ela murmurou. — Eu estou em casa, eles não poderão me atingir com vocês aqui para me proteger.

Ele se ajoelhou à sua frente, com lágrimas nos olhos. Ninguém ousou respirar. James jamais permitia ser tão emocional em público.

— Eu deveria ter te protegido. Eu não estava lá quando vocês duas mais precisaram de mim. Eu fui um péssimo irmão mais velho. — murmurou de volta, segurando as mãozinhas dela, que estremeceu um pouco por causa da frieza do metal.

Ela tirou uma de suas mãos de seu aperto e tocou o seu rosto carinhosamente.

— Não fale isso. Você não é um péssimo irmão. Ninguém podia para-los, todo mundo sabe disso. Agora temos que focar em trazer a Lya de volta, o que me faz lembrar que o cara que levou ela, Igor Priekov, ele trabalhava aqui. No laboratório de Helen. Eu nunca o encontrei pelos corredores, o que foi a sorte dele. Este cara é sádico e ele planeja fazer alguma coisa com o corpo de Lya. Eu o ouvi dizer que ela era defeituosa, mas que o defeito dela era reversível. Eu não sei o que isso pode significar, mas não deve ser nada de bom, vindo da Hydra. — disse num só fôlego.

— Vamos manter isso em mente. Passaremos a investigar mais sobre esse homem. — Steve falou, balançando a cabeça.

— Agora... que tal deixarmos Hanna descasar, sim? — Tony se levantou do sofá. — Querida, eu isolei todas as caixas de som. Você não precisa se preocupar com nada, mesmo que não tenha palavras ativadoras, ok? — Han assentiu. — Há algo mais que você precisa...?

Ela sorriu docemente, negando.

— Eu vou ficar bem com Marnie e Bucky aqui. Vão fazer suas coisas. Se concentrem nela, por favor. Eu realmente estou bem. — disse-lhe, passando segurança. O moreno assentiu e logo todo mundo saiu da sala. — Um pio, e vocês morrem. — rosnou ao ver os sorrisos de merda que os dois tinham na cara.

— Eu fico em dúvida... — James começou, circulando pela cozinha. — Eu serei envenenado, derretido ou eletrocutado?

Mary não aguentou, gargalhando.

— Ai Hanna! — resmungou ao sentir o beliscão dela em suas costelas. — Isso dói, cacete! Eu só estou feliz pelos meus amigos, eu não posso ficar feliz pelos meus amigos?

Han gemeu, frustrada.

— Eu jamais terei paz nessa vida! — disse dramaticamente.

— Ah, qual é! Nós somos anjinhos. — o moreno de olhos azuis brincou. — Seu segredo esta a salvo conosco, Han. De verdade.

Ela sorriu amplamente, em agradecimento.

— Então... — Mary iniciou. — Como foi?

Balançou as sobrancelhas, fazendo-a corar.

— Intenso. — Hanna respondeu, corando fortemente. — Mas eu não posso ter paradigmas... eu nunca fiz isso antes...

— Ok, é nessa parte que eu fujo. Eu não quero saber os detalhes. — James fez careta, então parou na porta. — Só uma perguntinha... você sabe que pega fogo quando tem emoções intensas, não é? — a pequena assentiu. — Então você sabe que vai ter que tomar cuidado aqui, não é? O Complexo é forte, mas não é capaz de aguentar o seu fogo...

A morena revirou os olhos.

— Criança idiota. — resmungou. — Eu sei o que estou fazendo. — estreitou os olhos até ver o moreno ir embora.

— Mas precisa de controle... — Mary se intrometeu. — E nada melhor do que a prática para chegar à perfeição, não é mesmo? — sua amiga corou profundamente. — Agora... como ele é? E eu não estou falando fisicamente.

Han sorriu sonhadoramente, fazendo-a derreter um pouco.

— Como um urso de pelúcia enorme. — segredou. — Eu nunca me senti tão... tão em casa, sabe? Porque nós somos companheiros de alma, mas eu acho que você sabe disso, não é?

Marnie teve que sorrir amplamente.

— Desde que ele voltou de Asgard, A Velha, eu soube que vocês dois tinham uma conexão. Ele estava cabisbaixo por suas birras e acabou me contando sobre o laço entre os dois, que tudo mudou quando você levantou o martelo dele, o de metal, não o de carne. — as duas riram. — Eu percebi que vocês tinham a mesma ligação que Steve e Lynna, mas, é claro, não era madura o suficiente porque vocês precisavam de... você sabe. Estou feliz que os dois se acertaram, mesmo que tenha sido numa situação como essa...

Hanna soltou um suspiro, aprumando-se no sofá, para depois jogar seus gravetos translúcidos em cima de suas pernas.

— Cara, eu achava que tudo estava perdido. — ela voltou a falar. — Eu tinha acabado de voltar do gelo, estava tremendo de frio, e eu não tinha nenhum tipo de conforto. Eu morri de medo quando comecei a ouvir os trovões, porque eu tenho medo de trovões. Então, a parede da minha cela explodiu e BUM, ele estava lá, me consolando com três palavras em coreano que ele havia aprendido no Google Tradutor.

— Awn! — Mary exclamou. — Como você pode ter ignorado esse rolinho de canela, Hanna Nuri?!

Ela se encolheu um pouco.

— Você sabe... eu não... eu não me sentia digna de ter alguém como ele aos meus pés...

— E o que te fez mudar de ideia?

O sorriso que Hanna lhe deu foi tão fofo...

Ah esses idiotas apaixonados!

— Ele se declarou para mim, Marnie. Disse-me que eu era boa demais para esse mundo, e me disse que quer fazer de mim sua rainha. É claro que eu fiquei em choque, mas nós prometemos ir com calma. E nós iríamos com calma nessa, mas... — riu baixinho. — Não deu. Contudo, os meus fantasmas pessoais não foram o único motivo para eu querer distância de Thor... — Mary franziu o cenho para ela, em uma pergunta silenciosa. — Você já viu o tamanho dele? Eu sou uma formiguinha perto daquele ser!

— Eu não acredito que esse foi o motivo para você não ter abraçado essa oportunidade, Hanna Lee Nuri! — reclamou, cruzando os braços.

Han riu.

— Qual é?! Eu achei que não iria caber! — ela resmungou.

— E coube?

A pequena corou fortemente.

Sim, mas ainda dói um pouco...

Agora Mary não conseguiu mais segurar a crise de riso. Quando terminou, limpou suas lágrimas e respirou fundo, quase voltando a rir da cara que Hanna fez para ela.

— Amiga, nós precisamos discutir sobre alguns truques infalíveis que você vai amar descobrir! — disse, vendo-a estreitar os olhos. — É sério, tudo o que eu vou te contar é verídico e funciona comigo, então você não terá mais medo do Mjolnir. E ae, vamo fecha?

*

Três meses e meio depois...

Ela fechou o chiqueirinho onde Lya e Mike estavam, logo após ter dado comida a eles. O pequenino mal comia. Ele sentia falta de sua mãe. Pobre filhotinho... era tão pequenino e já tinha passado por tanta coisa...

Ele só se movimentou por causa da cabritinha, que cutucou-o com o focinho.

A cena era de cortar o coração.

— Já se passou tanto tempo... — Nat comentou ao seu lado, observando o cachorrinho comer lentamente o seu sachê. Já fazia um tempo que ele havia desistido da ração seca, por mais suave que ela fosse. A única alternativa de mantê-lo vivo foi essa. E parecia que todo mundo ali se sentia um pouco como aquele pequeno ser. — Eu sinto tanta falta dela...

— Eu também. — Mary disse de volta, limpando a lágrima. — Onde está ele...?

— Está com Bucky. Eles estão treinando. — respondeu-lhe com a voz embargada. — Você acha que vamos encontrá-la?

— Claro que sim! — respondeu-lhe com convicção. — Estamos na cola desse albino filho da puta há mais de três meses desde que Hanna chegou. Ele tem que estar com nossa Lya.

Wanda apareceu no corredor antes que Nat pudesse responder.

— Encontramos o paradeiro da Pétala! — disse ofegantemente, fazendo-as arregalarem os olhos. — Na verdade, Sam encontrou. Vamos, explicações só lá!

As três correram para a sala de reuniões, onde toda a galera já estava esperando, incluindo o cara chamado Scott Lang, aquele que meteu o cacete em Sam e o deixou comendo poeira com o seu traje que encolhia.

— Bem, nos contem as novas! — Mary pediu sentando-se na cadeira ao lado da de James, que apertou sua mão com um pouco de força em baixo da mesa.

— Segundo o rastreador da SHIELD, a Hydra está fazendo a transferência de uma arma poderosa e eles estão indo por terra, devido à instabilidade da máquina. — Tony respondeu, acendendo a tela, mostrando-os desenhos complicadíssimos de uma caixa enorme. — Segundo o doutor Reed, esta arma se parece bastante com sua invenção roubada, mas este não é o ponto. O ponto é que o maravilhoso do Wilson conseguiu uma imagem do local com Asa Vermelha, e nós temos 99% de certeza de que a Pétala estará envolvida nessa transferência, porque segundo Floquinho, esse trabalho pertencia aos dois.

— Olha Tony, eu só vou te dizer uma coisa: compra um café para mim primeiro antes de me chamar de maravilhoso, porque eu não quero ser assediado à toa. E o meu chuchu é muito ciumento. — Sam disparou, fazendo-os rir. Todos mesmo. Até Steve deu uma risadinha.

— Bem, agora só precisamos discutir quem colocará o patch na Pétala. — Nat comentou depois da crise de riso. — Mary e Wanda são as únicas com poderes fortes o suficiente para interceptá-la. Uma das duas a segura, enquanto a outra coloca. Porque pode ser que nós não consigamos capturá-la...

— Você também sente cheiro de armadilha? — James perguntou a ela, que assentiu. — Se colocarmos o patch estamos garantidos de que ela não sairá do nosso radar, então poderemos nos unir para extraí-la.

— Então, o melhor jeito de salvar Anna é permitindo que ela seja levada embora outra vez...? — Steve perguntou incrédulo. Era estranho ouvi-lo chamar sua amiga pelo apelido dele, porque geralmente ele só fazia isso quando os dois estavam sozinhos, mas ao mesmo tempo era muito fofo.

— É assim que a Hydra funciona. Eles não permitiriam perder sua “melhor agente” de mão beijada. Se aquela arma está sendo extraída por terra, e a Pétala está ajudando a coordenar o processo, significa que há mais agentes do que nós podemos lidar, mais armas e mais complicações, talvez até alguma bugiganga secreta. Eles não a deixariam ao ar livre assim, Stevie. — seu marido explicou calmamente. Foi triste ver a esperança do loirinho ceder um pouco. — Dói, mas essa é a nossa melhor chance. Com o patch, teremos a nossa arma secreta. Nós os invadiremos facilmente, e eles não terão chance de se defender, mas precisamos causar uma grande distração para que isso aconteça, tirá-la do seu esconderijo e atacá-la com tudo o que temos.

Steve assentiu, acariciando a bússola com a foto de Lya.

— Certo, então, qual das duas vai fazer o quê? — perguntou para ela e para Wanda, que engoliu em seco.

— Eu tenho mais treinamento, já consegui segurar seus poderes antes, então eu sei que posso fazer isso outra vez. — Wan respondeu. — Grudaremos o velcro do patch na mão de Mary. Ela possui mais poderes empáticos do que telecinéticos, então fica mais fácil para ela conseguir um local onde ninguém possa desconfiar.

Eles assentiram.

— Sendo assim, vistam-se. — Steve falou, levantando-se. — O quinjet sairá em trinta minutos.

Então, eles se levantaram, cada um indo para seu canto.

Em menos de quinze minutos, Mary já atava suas luvas sem dedo, para depois checar se suas botas estavam mesmo afiveladas.

Alguém chiou atrás dela.

— Se você for reclamar do meu traje maravilhoso, você e eu teremos problemas, mocinho! — ela resmungou, erguendo-se.

— Sua pele está desprotegida, sua criatura teimosa! — James resmungou, afivelando seu coldre. Ela cruzou os braços. — Estamos indo a uma luta onde haverá muitas armas de fogo. Alguma bala pode alojar-se em seu corpo!

— Eu sei disso, e eu prometi ficar longe da linha de tiro. — suspirou. — E outra, eu posso fazê-los mudar de ideia sobre atirar em mim, não posso? Confie na minha pessoa, Sr. Barnes, eu sei o que estou fazendo.

Ele revirou os olhos, puxando-a para si.

— É bom que saiba, porque eu sou muito jovem para ficar viúvo.

Um arrepio que não tinha nada a ver com a voz rouca dele em seu ouvido fez com que sua pele se arrepiasse por completo. Ela ignorou isso quando ele puxou-a para si, beijando-a castamente nos lábios.

— Eu não posso errar. — murmurou apreensiva.

— Você não vai errar. Eu acredito em você. — James murmurou contra seu cabelo. — Agora vamos, ou estouraremos o tempo.

Assentindo, os dois caminharam pelo corredor, chegando a tempo de acompanhar uma briga explícita entre Steve e uma Hanna muito vermelha.

— Não, você não vai! — ele disse autoritariamente, fazendo-a cruzar os braços e fazer um bico birrento.

— Eu preciso ir, vocês não entendem! É a minha irmã! — ela gritou.

— Hanna, nós sabemos disso, mas não podemos confiar você perto da Hydra outra vez. — Nat tentou intervir. — Eu prometo que te manterei atualizada sobre...

— Eu não quero atualizações, porque eu estou indo! — ela insistiu.

Quando Thor himself ia partir para acalmá-la, James passou à sua frente, tocando seu ombro, fazendo-a encará-lo.

— Não faz assim, pequena. — ele pediu naquela voz de cachorrinho que caiu da mudança que fazia a maioria das pessoas caírem de amores por ele. Ela pelo menos sempre caía. — Me escuta: é uma missão arriscada, qualquer deslize e nós jamais teremos uma oportunidade dessas. Todos nós estaremos ocupados e não poderemos cuidar de você, por mais que você saiba se cuidar sozinha. — disparou quando ela abriu a boca para revidá-lo. — Meu amor, eu sei que você está preocupada com Lya, mas se você for, nossa preocupação irá se dividir, e nenhum de nós está disposto a arriscar ter você tão perto dos manipuladores da Hydra não sabendo se você também tem palavras de ativação ou não, então estaremos dando um tiro no escuro, e ninguém aguentará perder as duas ao mesmo tempo outra vez, você está me ouvindo?

Ela fez bico, mas assentiu, então o moreno puxou-a para seus braços, fazendo-a enterrar sua cabeça no peito dele.

— Tudo bem. — disse com a voz embargada, fazendo todo mundo olhar para ela com tristeza. — Mas se Steven se machucar ele vai se curar sozinho, porque se ele aparecer na minha frente outra vez eu vou machucar a cara de lagartixa albina dele. — essa declaração fez o loiro americano sorrir com carinho para ela. — Assim como Natasha.

— Certo, eu me certificarei disso. — James prometeu. — Agora, por favor, me ouça.

Então, ele abaixou-se para ficar do tamanho dela, sussurrando alguma coisa em seu ouvido, que a fez assentir veementemente, sorrindo suavemente para ele, que sorriu de volta. O que quer que ele tenha dito deve ter sido em russo ou em coreano, porque pela cara de Steve, ele não havia entendido nada, o que significa que deve ter sido algo em relação a Thor.

— Tudo bem, eu fico. — murmurou.

— Thor vai ficar também, então vocês podem assistir alguma coisa, sei lá. — ele deu de ombros. — Só não destruam o Complexo, por favor.

Ela teve o controle de não corar, porque a bicha tremeu de vergonha.

— Nós somos amigos agora. Pode ir tranquilo.

Com um beijo em sua testa, James adentrou o quinjet.

Marnie olhou para a pequena com uma cara de “lembre-se dos truques”, então adentrou a aeroave antes de receber um dedo do meio.

*

Ela lutaria três mil batalhas, mas JAMAIS admitiria que James estava certo.

A estrada por onde o comboio da Hydra passaria ficava numa descida íngreme repleta de cascalhos que facilmente ralariam suas pernas desnudas, sem falar na fina camada de neve que os cercavam, porque parece que era só o que existia na Europa. Mas ela não podia reclamar tanto, uma vez que o inverno estava chegando outra vez, o que significa que ela teria que lidar com o frio, o que era o de menos.

Mary estava atrás de uma árvore ao lado de Wanda e Bruce quando tudo começou. Os três só podiam ouvir o barulho da luta e rezar para que o que quer que estivesse rolando lá fora, fizesse com que o plano deles desse certo, porque esta chance era única, não haveria nenhuma outra tão cedo.

O maior medo de todos, aquele impronunciável, era que a Hydra colocasse Lya no gelo. James disse que a probabilidade deles conseguirem encontrá-la era muito pequena.

Se a missão desse errado, era isso o que poderia acontecer.

Então eles teriam que voltar a viver suas vidas acostumando-se sem a presença dela...

A Pétala foi avistada. — a voz de Tony se pronunciou no comunicador deles, tirando-a de seus devaneios mórbidos. — Ela está lutando com Nat e Steve. Nos avisem quando vocês estiverem prontas.

Wanda olhou para ela, que assentiu.

Precisaremos de uma grande distração para amontoar os agentes da Hydra num lugar só. — James falou.

Bruce olhou para ela, assentindo.

— Estou pronto. — suspirou alto. — Mas tem um pequeno problema. Desde que voltamos de Asgard, eu sinto que não consigo me transformar mais no Hulk. Eu não sei o que está acontecendo...

Mary aproximou-se dele, tomando cuidado para não ser vista pelos batedores da Hydra.

— Eu posso tentar... falar com ele? — murmurou, estendendo a mão lentamente.

Quando Bruce assentiu para ela de novo, a ruiva estendeu completamente sua palma para encostar na testa do cientista, que fechou os olhos, enquanto ela utilizava seus poderes para adentrar o núcleo dele, encontrando o Hulk ali, do outro lado do véu fino em seu subconsciente. Ele olhou para a figura dela e se assustou, levantando-se rapidamente da espécie de rocha em que ele estava sentado.

“O que você quer aqui?”, perguntou-lhe de maneira hostil, mas ela não ficou com medo dele. Ele parecia ferido, de alguma forma.

“Hulk, nós precisamos de você. Os Vingadores, eu digo”, ela murmurou, tentando cautelosamente aproximando-se dele, adentrando o véu.

“Eles não precisam do Hulk. Eles ‘ter’ medo do Hulk!”, resmungou, quase se borrando ao vê-la sentada em frente a ele.

“É claro que não!” argumentou, sorrindo vitoriosamente ao conseguir segurar uma de suas mãos. “Nat não tem medo de você. Ela sente sua falta, sabia?” ele pareceu se animar ao ouvir falar da Viúva, pelo modo que ele havia apertado sua mão. Mas Mary não poderia dizer ao certo, ela ainda não tinha habilidade suficiente para poder distinguir os sentimentos de Bruce e de Hulk ao mesmo tempo, estando eles no mesmo corpo. “Mas eu não vim aqui por causa dela” ele encarou-a fixadamente, franzindo o cenho. “Alguém muito ruim roubou a nossa Lynna. Nós precisamos de você para nos ajudar a impedi-los. Hulk, você vem?”

Ele apertou sua mão, com os olhos arregalados.

“Banner quer que eu vá?”

Ela sorriu, passando-lhe segurança.

“Sim, ele quer que você venha comigo”.

O gigante abriu um sorriso hesitante e permitiu-a puxá-lo para fora do véu. Foi rápido, indolor, quase como no dia em que ela havia começado a exercer essa habilidade com James. Ele jamais permitiria que ela chegasse um passo perto do Soldado Invernal se ela não tivesse o controle total de seus poderes. Ela conseguiu tirá-lo do véu e colocá-lo de volta facilmente, o que a fez se orgulhar de si mesma.

Quando abriu os olhos outra vez, o semblante de Bruce parecia confuso. Ela não tinha certeza se ele sabia o que havia acontecido em sua mente, mas pelo olhar que ele lhe deu, ela entendeu que ele devia ter alguma noção.

— Como... como você fez isso? — murmurou, assustado.

Ela sorriu.

— Prometo que te explico depois, agora vai lá e arrasem, garotos. — respondeu, dando-lhe um tapinha amigável em seu ombro, fazendo-o sorrir timidamente, antes que ele saísse de trás das árvores, imediatamente se transformando no gigante verde, que com um rugido alto, tomou velocidade para onde o confronto estava instalado. Rapidamente, Mary mergulhou a mão no ouvido esquerdo, ativando seu com. — O Hulk está em movimento. — anunciou.

Ela olhou para Wanda outra vez, que respirava fundo, inseguramente.

— Mantenham Pietro à postos, precisaremos dele para caso de algo dar errado. — a castanha pronunciou.

Certo. — Tony voltou a falar. — Estamos trazendo a festa para vocês duas, estão prontas?

Mary olhou para Wanda, que assentiu para ela, colocando o patch em sua mão direita com o auxílio de seus poderes.

Estamos. — Wan respondeu. — É agora ou nunca. Eu vou segurá-la, você coloca. Não permita que ela te engane.

A ruiva assentiu.

— Eu não vou. — murmurou.

Assentindo outra vez, elas utilizaram seus poderes para flutuar, mostrando-se apenas quando a Pétala apareceu na parte isolada da estrada, onde elas já haviam se livrado dos agentes da Hydra nos tanques.

A coisa estava vestindo um uniforme de couro preto com a caveira da Hydra bordado em seu ombro esquerdo. Ela possuía várias facas em seus coldres, enquanto que apenas uma arma de fogo.

Os raios escarlates de Wanda retiraram-nas de seu corpo, fazendo a Pétala virar-se em duas para procurar a fonte dos poderes. Ela soltou um rosnado de raiva por não encontrá-las.

Com um aceno de cabeça, Mary desceu da árvore na frente da filha da puta, que tinha um olhar assassino em sua face. Ela usava uma pintura de guerra em um de seus olhos na cor preta, delineando-os, fazendo o rosa doentio ressaltar-se ainda mais.

Você. — ela ressoou, caminhando ameacadoramente para cima de si. — Sempre se intrometendo nos meus negócios.

— É um defeito chato que eu tenho, devo admitir. — Marnie revidou, caminhando displicentemente pelo local, incitando a raiva dela como ela e Wan haviam previamente planejado. — Mas o que eu posso fazer...? É o meu jeitinho! — sorriu-lhe. — Devo admitir que você fica bem de preto. — a Pétala pendeu a cabeça para o lado, calculando seus passos. — Gostei da maquiagem. Mas devo dizer que seu maquiador é meio ruim, eu poderia consertar os erros facilmente.

— Não é maquiagem. — respondeu-lhe. — É pintura de guerra.

A outra ruiva fez uma cara de surpresa.

— Uau, que falta de gosto! — riu baixinho.

— Mas você e os seus amiguinhos não vieram até aqui para discutir sobre a minha pintura de guerra, não é? — ela avançou para si, ainda cercando-a, procurando uma brecha para atacar, porque a desgraçada sabia que Marnie não seria páreo para ela numa luta corpo a corpo. Nem Natasha que era uma das mulheres mais fodas que ela conhecia, tinha como derrotá-la. — Bem, eu acho que você se lembra do dia em que eu disse que eu simplesmente odeio me repetir. Lutar contra mim é burrice, mas como todo mundo sabe, errar é humano, contudo persistir no erro é estupidez! Desista, empata. Leve sua corja de idiotas para longe enquanto ainda dá tempo, senão...

Um sorriso amplo se apossou de sua face quando Mary avançou dois passos para cima de Pétala.

— Você tem medo de mim. — cara, nada lhe deu mais prazer do que dizer essa frase na cara daquela quenga. — Você tem medo de mim porque sabe do que eu sou capaz.

A outra ficou um pouco abalada, mas não demonstrou fisicamente.

— Você só pode estar delirando, sua vadia. Como pode achar que eu teria medo de um ser insignificante como você, hm? — disparou. A voz dela estava um pouco trêmula.

— Eu fui criada para controlá-la. Tanto a você, quanto ao Soldado Invernal. Parece que alguém lá dentro não confia totalmente no seu taco, não é? — riu-se. — Dê um pouco de poder para uma ameaça, e veja no que dá... você pode destruí-los facilmente, e foi por esse motivo que injetaram todos os tipos de soro dentro de mim, para que eu pudesse derrotar você. — avançou mais. — Porque eu sou a única que teria poderes para tirar o seu domínio sob Lya.

Um grito raivoso de entrega escapo dos lábios de Pétala, que avançou inteiramente para ela, com seus poderes estalando em suas mãos, tudo o que ela e sua amiga mais queriam que acontecesse.

Num gesto rápido, Wanda envolveu-a com seu próprio gás, formando uma cortina ao redor da vadia, que gritou outra vez, colapsando um pouco, antes de paralisar.

— É a sua chance! — Wan gritou.

Imediatamente, Marnie avançou para a Pétala, agarrando seu pescoço com firmeza, depositando o patch em sua nuca, fazendo-o fixar-se em sua pele de maneira harmônica, imperceptível.

Quando ela estava prestes a soltá-la, algo puxou-a, impedindo-a de retirar suas mãos do corpo de Lya.

— MARY! — Wanda gritou outra vez.

— EU NÃO CONSIGO SOLTÁ-LA, WANDA! — gritou de volta, soltando um lamento quando foi puxada contra sua vontade para dentro do subconsciente da megera.

A mente da Pétala era um lixo, como era de se esperar. Era basicamente um amontoado de teias de aranha em espiral. Seu corpo foi obrigado a descer muito baixo, antes que ela pudesse encontrar o seu véu, onde uma menininha de mais ou menos dez anos de idade estava do outro lado, com as mãos no que parecia ser uma parede grossa de vidro.

Ela tinha longas tranças avermelhadas.

Mary não saberia decidir se foi o sorriso enorme que ela havia lhe dado, ou o modo como os olhos dela haviam brilhado quando a viu que denunciou quem ela era.

“Lya!” sussurrou emocionadamente, aproximando-se do véu. Seu coração ficou em agonia quando ela percebeu que não conseguia avançar mais. Suas mãos se alinharam no ‘vidro’, a pequena Lya chorou. “Eu não acredito que você veio me buscar!” disse de volta, emocionadamente. “Eu sempre soube que você viria me buscar, mas eu não posso ir agora. Ela é muito forte. Me transformou em criança dentro de sua mente, para que eu não pudesse sair, para que eu não tivesse forças contra ela...”

Ela não é poderosa. Você é que é. Todos os poderes vindos da Pétala são seus, é por isso que ela te quer viva, porque ela não é nada sem a sua força, sem os seus poderes. Lute contra ela, lute!”

“De onde arranjarei forças para lutar?! Como eu posso confrontá-la?!”

Marnie apertou as mãos contra o véu da Pétala, na tentativa de aproximar-se ainda mais do corpinho frágil de Lya.

“Steve te ama” ela apelou. “Ele está lá fora, lutando para te salvar. Ele não dorme à noite, e não para de revisar todos os papéis que a Hydra tem para chegar até você” o lábio inferior da pequena tremeu. “Ele está aqui?” murmurou, arregalando os olhos, observando ao redor, como se ela estivesse tentando vê-lo. “Sim” Mary respondeu. “Hanna está à salvo. Está no Complexo, com Thor. Eles são amigos agora. Ele salvou a vida dela” sorriu, lutando contra as lágrimas. “Todos nós estamos esperando por você aqui fora, querida. Lute contra a Pétala, você é fuderosa perto desta puta. Lute contra ela. Eu acredito em você”.

Então, seus dedos da mão se uniram aos dela.

Mary deixou escapar um muxoxo feliz ao sentir a textura de sua pele outra vez.

Com toda sua força, ela puxou o corpinho de Lya, que gritou ao ser removida das raízes grosas que cresceram do nada, tentando afastá-la para baixo. Sem abalar a sua perseverança, as duas trabalharam juntas para conseguir trazê-la de volta à superfície.

Foi quando algo pareceu despertar no subconsciente da Pétala. As paredes de teias começaram a se afunilar.

“Mary, não me solta!” Lynna gritou, apertando suas mãos ao ponto de feri-la fisicamente. “Ela está despertando, nós não temos muito tempo!” gritou de volta, apoiando-se no salto de sua bota para puxá-la com mais força.

Algo muito forte puxou-a para longe da pequena, que gritou, rasgando a manga de seu traje com sua força de deusa, na tentativa de não perder a conexão.

“MARNIE!” ela berrou, sendo engolida pelo vidro.

Mary não saberia dizer quem foi que gritou o seu nome. Tudo o que ela sabe, é que foi lançada para longe, depois disso, tudo se apagou.

*

— Daqui a trinta minutos, o comboio passará por esta estrada. É a principal que leva para o cais. — Stevie falou, arrumando suas luvas sem dedo. — Nós só teremos uma chance. Distração é o nosso principal objetivo. Precisamos fazer a Pétala deixar a sua toca para que ela possa ser levada às meninas. — todos assentiram. — Vocês duas e Bruce serão nossos elementos surpresa, nosso maior trunfo. Deverão se esconder na floresta até o momento certo. — disse para Anya e Wanda, que assentiram. — Vão agora, o resto de nós deverá se espalhar. Somos muitos, podemos cuidar das ameaças, impedir que alguém toque nas duas.

Bucky segurou o braço de Anya com firmeza, puxando-a para si, antes que ela seguisse Wanda e o doutor Banner para o esconderijo.

— Cuide-se, por favor. — sussurrou contra sua testa, beijando-a logo em seguida. — Fique longe da linha de tiro. E tome cuidado com a Pétala, ela é traiçoeira.

Sua esposa assentiu, apertando-o em um abraço.

— Eu prometo que me cuidarei. — sussurrou de volta.

Satisfeito com sua resposta, ele beijou-a, permitindo que ela se afastasse dele, deixando-o com um sentimento de vazio para trás. Ele não era clarividente como Lya, mas era quase como se ele pudesse sentir que alguma merda iria acontecer.

Seguiu Steve para dentro da floresta, agachando-se para esperar o comboio.

Eles apareceram no horizonte pouco mais cedo do que o esperado.

Um carro preto de luxo guiava a fila. Nele deveria estar o cientista albino de quem Hanna havia falado. Por mais que Bucky estivesse louco para bater o ranho fora dele, seu foco era outro. Ele tinha que trazer sua irmãzinha de volta primeiro. A prioridade era ela hoje.

Assentindo para seu melhor amigo, os dois dispararam para interceptar o primeiro caminhão de carga que havia passado, arrancando alguns gritos quando o mesmo virou, causando a interrupção total da estrada.

Imediatamente, uma saraivada de balas choveu sob eles, que estavam mais do que protegidos.

Ele sacou duas pistolas e ao lado de Natasha, derrubou o segundo caminhão, que tombou contra uma árvore.

Pelo menos três grupos de agentes desceram dos carros.

Eles foram derrubados por Pietro, o Garoto Aranha e Sharon Carter, que havia sido adicionada à lista deles em sua busca pelo paradeiro de Lya.

Quando suas balas haviam acabado, ele imediatamente tirou seu rifle das costas, disparando habilmente nos pescoços dos homens da Hydra, rivalizando com as flechas de Barton.

De repente, a estrada empestou-se de soldados, como ele havia imaginado.

— Precisamos de algo a mais para tirar a maldita do esconderijo. — Natasha sussurrou ao seu lado. — Alguma ideia?

— Poderíamos chamá-la. — ela encarou-o com incredulidade. — De verdade, eu sei como fazer isso. — sorriu-lhe, colocando o rifle de volta às costas. — Se a Hydra ainda não retirou os comandos de sua mente, há um jeito de “evocá-la”.

— Soa como um ritual pagão. — Stark se pronunciou ao seu lado. — Gostei. — ele deu de ombros, avançando pelo mar de agentes, enquanto o Homem de Ferro seguia-o por cima, ajudando-o a ultrapassar as pessoas. — Ela está dentro do décimo quarto caminhão, junto com a carga que eles estão transportando.

— Steve, jogue seu escudo! — Bucky gritou para seu amigo, que o seguia do outro lado da via. O capacete de seu traje havia sido jogado em um canto aleatório e agora seus longos cabelos balançavam com violência. No momento exato, o moreno abaixou-se, sentindo seus próprios cabelos oscilarem quando o disco de vibranium passou zunindo por ele, destruindo a cabine do motorista, que paralisou o veículo imediatamente. — Irmã de sangue, eu solicito sua presença junto ao coro. — alguns minutos sem resposta se passaram. Ele riu alto, zombeteiramente. — Não seja covarde, Pétala. Está com medo de mim, irmãzinha?

Finalmente, a porta do caminhão se abriu com violência, arrancando um sorriso arrogante de suas feições.

— Eu não tenho medo de ninguém, Soldado. — ela finalmente apareceu, usando seu cabelo num rabo de cavalo com a mesma pintura de guerra que ela usava em suas missões. — Você deveria saber disso.

— Eu não teria tanta certeza, vadia. — Nat disse aparecendo do nada, montando as costas de Pétala, eletrocutando-a com seus ferrões, fazendo-a travar o maxilar antes de gritar alto. — Todo mundo tem medo de alguma coisa. Nós só precisamos descobrir qual é o seu.

Stark aparou a queda da Viúva quando a mesma foi jogada para longe de sua antiga parceira, que voou em seu pescoço logo em seguida, conforme ele havia previsto.

Ela não encontrou nenhuma gentileza em seus golpes. Ao contrário de todos ali, Bucky sabia que não iria aliviar para ela só porque era o corpo de sua irmãzinha. Não. Ele já estava acostumado a ela, aos seus truques sujos e às suas falsas carinhas de luxo.

O moreno permitiu-se ser nocauteado para que Steve conseguisse guiá-la para fora do comboio, tendo o apoio de Natasha, que já havia se recuperado do choque.

A Pétala foi avistada. — Stark anunciou para as meninas na outra extremidade da estrada. Ele sobrevoava as linhas, disparando contra os tanques hostis. — Ela está lutando com Nat e Steve. Nos avisem quando vocês estiverem prontas.

— Precisaremos de uma grande distração para amontoar os agentes da Hydra num lugar só. — Bucky observou, percebendo que o numero de agentes havia aumentado drasticamente.

O Hulk está em movimento. — ele ouviu a voz de Anya depois de terem se passado alguns minutos de silêncio de rádio.

Mantenham Pietro à postos, precisaremos dele para caso de algo dar errado. — agora foi Wanda quem havia falado.

Certo. — Stark disse de algum lugar acima dele. — Estamos trazendo a festa para vocês duas, estão prontas?

Estamos. — a castanha voltou a falar, e Bucky só rezou para que tudo desse certo.

Ele foi atingido pelo corpo de Sharon quando ela foi jogada pela Pétala, que tinha um sorriso sádico em sua cara de bolacha.

— Carter! — ele disse alto, tocando na pulsação da mulher. — Carter, você pode me ouvir? Você está bem?!

A sobrinha de Peggy tossiu compulsivamente, dobrando seu estômago, antes de gemer alto de dor.

— Acho que minha perna quebrou. — rangeu os dentes. — Desgraçada! O meu braço direito também!

Ele viu o ângulo em que o braço dela estava e engoliu em seco.

— Fique aqui. — sussurrou, colocando-a gentilmente apoiada numa raiz de árvore. Ela não fez nada além de assentir, trincando os dentes. — Wilson, Carter está ferida. Traga alguém aqui para cobri-la. Seu braço direito e sua perna esquerda estão quebrados.

Certificando-se de que a barra estava limpa, Bucky correu de volta à luta, arregalando os olhos ao ver uma enorme criatura verde destruindo completamente um caminham cheio de agentes da Hydra.

Caralho, esse era o Hulk?

— Contemple nossa arma secreta, floquinho. — star se pronunciou, pousando ao seu lado, como se tivesse lido sua mente. — Uma unidade resgate virá em busca de Sharon.

Ele assentiu, observando maravilhado a forma com que o Hulk se deslocava entre os soldados, que pareciam formigas perto dele.

Buck, ela está à caminho do fim da estrada. — a voz de Steve alimentou a pressa nele.

Cortando caminho pelas árvores, o moreno seguiu para o local onde Anya e Wanda estavam, para acompanhar Pietro e ser o backup dele.

Contudo, ele foi distraído por um grupo de soldados idiotas que achavam que podiam derrotá-lo.

— MARY, NÃO! — seu sangue gelou ao ouvir o grito agourento da garota Maximoff.

Ele perdeu sua merda quando o zumbido natural de sua conexão com Anya foi cortado.

Foi como se o Soldado tivesse sido reativado, ele destruiu algumas gargantas e atirou aleatoriamente nos homens para que pudesse abrir caminho, finalmente chegando à clareira onde as meninas deveriam estar.

Seu coração parou no instante em que ele viu sua esposa jogada contra uma árvore.

Havia sangue fresco saindo de uma ferida em sua testa quando ele rolou seu corpo para encará-la. Ele tocou seu pescoço para procurar pulsação, mas não encontrou.

ELE NÃO SENTIU O BATIMENTO DE SEU CORAÇÃO!

— Anya, amor, por favor, você não está morta! — murmurou, tentando reanimá-la. Nenhum sinal. — Anya, não faz assim! Você não pode me deixar! Você não pode me deixar sozinho, Anjo!

Sua respiração tremulou ao ver seus olhos verdes encararem o vazio, sem aquela luz travessa a qual ele estava acostumado a ver.

Wanda escorregou ao seu lado, chorando.

— Eu tentei segurá-la, mas a Pétala era tão forte. — murmurou ao seu lado, tocando a testa de Anya. — Ela ficou presa no núcleo do parasita. Eu não sei o que aconteceu, tudo saiu do controle... eu sinto tanto, Bucky.

Ele segurou a mão trêmula dela com a sua de carne.

— Você fez o possível. — disse com a voz embargada, ainda não acreditando que seu Anjo havia morrido. — Obrigado.

Ela não podia estar morta. Ele se recusava a acreditar nisso!

É uma pena, não é? — seu sangue começou a ferver lentamente quando ele ouviu a voz da Pétala enchendo seus sentidos. — Ela até que era bonitinha.

Levantou-se rapidamente, jogando o rifle nos pés de sua esposa falecida.

Apareça, sua cadela! — gritou enfurecidamente, caminhando para o campo aberto.

Oh irmãozinho... eu quebrei o seu brinquedo favorito? — a cadela surgiu de trás de uma árvore, seu sorriso era de puro deleite. Ele iria matá-la. Foda-se tudo, ele iria arrancar a cabeça dela fora. Ele iria bater nela até que Lya surgisse de volta à superfície. Oh garoto, ele iria cometer uma loucura. — Está tudo bem, não está? Não vai ser difícil para você arranjar outra. Com seu par de olhos, você consegue a boneca inflável que...

Ela não terminou sua frase. Sua mão de metal agarrou-se à garganta dela, cortando seu fluxo de ar imediatamente. Tamanha era sua fúria, que a terra afundou abaixo dela quando eles foram ao chão.

— BUCK, NÃO! — Stevie gritou, mas ele não o ouviria. Não agora, não quando sua Anya estava jogada no chão sem vida.

— Steve, pare! — Wanda gritou para ele, parando-o com os raios vermelhos de seus poderes. Sua outra mão mergulhou em seu com. — A Pétala matou Marnie!

— Como...? — pela sua visão periférica, Bucky viu-o aproximar-se do corpo de seu Anjo, ajoelhando-se próximo aos gêmeos, perplexo.

Você não vai me matar. — Pétala disse com dificuldade, sugando o ar, atraindo sua atenção de volta a ela.

Eu não teria tanta certeza. — apertou um pouco mais sua garganta, sorrindo ao vê-la arroxear. — Você matou minha esposa. Achava mesmo que eu deixaria isso passar? Ao contrário de todos, eu não tenho medo de batê-la. Talvez, se eu matá-la, Lya possa assumir seu corpo.

Pela primeira vez, ele viu o medo estampado em suas feições. Por um segundo, ele imaginou ter vislumbrado o olhar castanho de sua irmãzinha por baixo das íris róseas de Pétala, que sufocava cada vez mais.

Ele trocou de mão, mas não afrouxou seu aperto, ajoelhando-se sob o corpo da ruiva, que tinha os olhos avermelhados de seu sangue se acumulando.

Ergueu seu punho de metal para encontrar-se com o rosto dela.

Contudo, o soco jamais encontrou o destinatário.

Algo o segurou para trás, como se fosse a própria gravidade, impedindo-o de matar a filha da puta que matou o amor de sua vida. Ele tentou lutar contra esta força, mas foi puxado para longe da Pétala, que tentou fugir daquilo, arregalando os olhos para o que quer que estivesse puxando-o.

De repente, algo semelhante a um anjo sobrevoou sua cabeça, flutuando diante de sua antiga parceira, que gritou pragas em algumas línguas que ele não conhecia, cega pela luz roxa que emanava do anjo.

— Você deveria estar morta! — ela gritou, arrastando-se para trás, fugindo dos poderes do anjo.

— Que pena, não é mesmo? Parece que eu sou tão irritante que nem a morte me quer. — por todos os santos, esta pertence à...?

Desesperado, Bucky olhou para trás, vendo o espaço onde o corpo de Anya deveria estar, completamente vazio. Seus amigos tinham olhos tão arregalados quanto os dele.

— Você não pode fazer nada por ela! Ela jamais voltará à superfície! — Pétala gritou outra vez, desesperada. Ele nunca havia visto-a desse jeito.

— Eu aposto cem dólares que eu consigo. — Anya disparou.

Ele só podia estar sonhando. Não havia como sua mulher morta estar diante deles com asas roxas, poderia?

Que tipo de milagre era esse?

Os raios dela atingiram a testa da outra ruiva, que rangeu os dentes e tentou não tombar para trás com a potência. Ela torceu um pouco suas mãos, encarando os olhos de Pétala como se estivesse em outra dimensão. Anya fez um gesto de puxar algo, então ele percebeu: Ela estava tentando puxar Lya de volta.

Contudo, em sua última cartada, a Pétala evaporou, fazendo o lugar onde ela estava explodir por conta da energia roxo/violeta que se dissipava.

O local foi tomado por um silêncio confuso.

— Galera, eu não sei como parar isso! Eu estou com medo de cair, eu nunca voei antes! — Anya disse alto, fazendo-o levantar.

Ele não conseguiria alcançá-la se esticasse seus braços, sua pequena pairava a mais de dois metros acima de sua cabeça.

Um pouco perplexo, Stark moveu-se para o céu, ficando na mesma altura que Anya, então seu capacete sumiu.

— É melhor se segurar. — ela apertou seus antebraços inferiores, encarando-o com os olhos arregalados. — Pare de bater as asas. — com esforço, as belas asas roxas pararam de se mexer, fazendo-a cair um pouco. Um grito escapou de sua garganta, fazendo-o preparar-se para pegá-la.

Cuidadosamente, os dois pousaram.

A primeira coisa que ele fez foi puxá-la para si. Ele precisava se certificar de que aquilo era mesmo real. E era. Ele estava escutando o zumbido da mente dela conectando-se à sua outra vez, agora formando algo ainda mais forte.

Eu pensei que tinha te perdido para sempre, disse através do vínculo, encostando sua testa na dela.

Você jamais se livrará de mim. É uma promessa, ela disse de volta, acariciando sua nuca.

— Você morreu... como pode estar diante de nós desse jeito? — Steve, sendo o estraga prazeres que ele era, disparou essa pergunta.

Anya separou a cabeça da dele, encarando seus amigos, automaticamente fazendo as penas de suas asas roçarem seu nariz, que formigou, como se ele estivesse prestes a espirrar.

— Eu realmente não tenho uma resposta para você, amigo. — respondeu. — Tudo que eu sei é que eu apaguei, então, de repente, algo dentro de mim estalou e eu meio que “voltei à vida”... é difícil de explicar. — ele ouviu-a rir baixinho. — Agora eu posso dizer ao mundo que sou um anjinho.

Seus amigos riam, então seus semblantes escureceram.

— A Pétala sumiu. — Nat refletiu.

— De fato. — Anya concordou. — Mas eu consegui colocar o patch nela, antes que eu ficasse presa na teia do seu subconsciente, encontrasse com Lya, que está bem viva, by the way.

Isso causou uma reação em seu amigo, que agarrou a SUA esposa e girou-a no ar, gargalhando.

— Marnie, você é um anjo! — disse beijando o topo de sua cabeça.

— Eu sei disso, Cap. — ela murmurou divertidamente, balançando suas novas asas.

— Cara, eu não acredito que agora teremos que lidar com esse ser voando! Como se ela já não fosse insuportável o suficiente... — Wilson chiou.

— Que foi, ficou com invejinha? — sua pequena disparou, jogando seus cabelos para trás. — Cara, eu bem que estava adivinhando quando coloquei o vestido que eu obriguei Tony a fazer para mim! Ele tem uma fenda nas costas e eu não me feri tanto quando as asas cresceram...

Ele sentia-se tão abençoado de tê-la tagarelando em seus ouvidos outra vez...

— Precisamos voltar para o Helicarrier. — Natasha aproximou-se deles, apertando Anya em seus braços. — Eu não sei como você está viva, mas isso não importa. Temos a de volta e logo, logo saberemos em qual buraco a Hydra enfia nossa bocuda irritante. Nada poderia ser melhor.

Eles sorriram, então se prepararam para fazer o caminho de volta pela floresta. O Hulk foi à frente deles, carregando Sharon em seus braços. Ela parecia não estar gostando da viagem, mas era o que eles tinham para hoje, então...

Mais uma vez, Bucky puxou Anya para seus braços, segurando seu rosto firmemente, demorando um tempo admirando o brilho de seus olhos, não ousando imaginá-los opacos outra vez.

— Jamais me assuste assim! — murmurou com a voz embargada. — Eu não conseguiria viver num mundo onde você não estivesse. Eu não aguentaria viver sem a sua presença. Você é a minha luz.

A respiração dela tremeu.

— Não era a minha intenção. Eu subestimei a Pétala. Ela tem lá sua força, mas há algo sobre ela que todos devem saber. Ela tem medo, medo de perder o controle. Ela tem medo de mim, porque eu posso chegar até o seu núcleo, eu vi Lya, James! Ela falou comigo. Está presa no subconsciente daquela peste. Eu disse a ela para lutar. Nós quase conseguimos sair, mas a desgraçada acordou e me jogou para longe. Então eu bati numa árvore, eu acho. — disparou rapidamente, mal recordando-se das virgulas, surpreendentemente não atropelando suas falas. Nem sempre ela dominava a língua inglesa.

— vamos investigar isso. Lya é forte, ela vai conseguir dominá-la. Eu tenho fé nela. — disse-lhe colocando uma mecha de seu cabelo para trás da orelha, concertando sua franja na testa. — Eu não consigo colocar em palavras como me senti quando não te ouvi em minha mente, quando o vínculo desligou. No instante em que não senti seu coração batendo, eu achei que podia matá-la. Eu mataria minha irmãzinha... — chorou, permitindo que suas lágrimas caíssem no topo das bochechas de Anya, que empurrou seu cobertor de conforto sob ele. Desta vez, ele podia sentir o quanto seus poderes estavam mais fortes.

— Por isso eu o afastei dela. Você não conseguiria conviver consigo mesmo se a tivesse matado. — ela disse suavemente, correndo sua mão pelo rosto dele, fazendo-o fechar os olhos apenas para poder sentir melhor o toque dela.

— Eu te amo. Não me deixe. — murmurou, mergulhando seu rosto para beijá-la.

— Nunca. — ela afirmou. — Estamos ligados. Eu te infernizarei para sempre.

Ele riu, puxando-a pela cintura, provando a textura suave dos lábios dela contra os dele, massageando-os com um beijo suave, que lentamente foi consumindo-os como se estivessem atiçando o fogo de uma lareira.

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— Eu segurei suas asas. — gemeu suavemente, levantando-a para circular sua cintura com as pernas. — Acho que literalmente, desta vez. — tagarelou correndo os dedos pelas penas suaves que saíam das costas dela.

Os dois riram, embolando-se em mais um beijo sujo.

— E eu segurei seu coração, e não pretendo soltá-lo tão cedo. — ela murmurou.

Para todos as santidades que estavam ouvindo, ele só queria dizer que se sentia agradecido, por ter sua fonte de luz de volta aos seus braços, de onde ela jamais poderá sair.

*

Algumas horas depois...

Suas asas haviam se “retraído” assim que eles chegaram ao Helicarrier, depois de terem feito amor contra uma das árvores que os cercavam, sem se importarem com quem os veriam.

Assim que ela pôs os pés na aeronave, uma legião de enfermeiros da SHIELD rebocaram-na para a ala médica a mando de Fury para investigar aprofundadamente a sua experiência de “quase” morte.

Ela teve seu braço perfurado tantas vezes, que James quase matou um dos enfermeiros por perfurá-la ainda mais em sua área sensível. Mesmo um pouco drenada pela quantidade exorbitante de seu sangue que foi retirado, Mary teve forças para impedi-lo. Ela sentia-se ainda mais poderosa agora.

Sua cabeça estava apoiada no ombro de carne do seu soldado, que não havia soltado-a desde que eles chegaram, como que para ter certeza de que ela estava mesmo viva, e também para assegurar-se de que seu corpo não seria “violado” pelos procedimentos médicos outra vez.

Ela tinha suas pernas enroladas na cintura dele, que segurava-a firmemente enquanto ela controlava aleatoriamente o software que Tony havia criado especificamente para controlar o patch.

Um ruído assustado escapuliu de sua garganta, então ela pulou do colo do moreno, que se alarmou, assim como seus amigos, que estavam distraídos, dispostos ao redor da sala de estar da ala que os Vingadores haviam ganhado no Helicarrier.

— Galera, vocês têm seus passaportes em dia? — perguntou-lhes, fazendo-os franzirem o cenho em confusão.

— Posso saber o porquê da pergunta? — Nat disparou, esticando sua perna da posição de borboleta.

— Estaremos visitando as terras tupiniquins em breve. — respondeu-a, deixando todo mundo mais confuso ainda. — Lya está no Brasil.

Notas finais
Ufa! Mais de dez mil palavras! Tem alguém cansado aqui? Inhaê, ansiosos para as presepadas que os 'Vinga irão aprontar no BRASEL? Aqui vão alguns links: Hanna sendo fofa: https://66.media.tumblr.com/13494dcae1783b1f849edfb97830df02/tumblr_psuptiD9hy1thj513o9_r1_540.gif A reação de Mary e Bucky quando descobriram que Hanna e Thor fizeram fondue: https://66.media.tumblr.com/d131e30f7e6b5def11cb8cd766f64802/tumblr_psuptiD9hy1thj513o8_r1_500.gif Angel Mary: https://66.media.tumblr.com/485e011d64f55957c81d65479b2e0ac6/tumblr_psuptiD9hy1thj513o7_r1_540.jpg Até quarta (espero hehe)! Ps: matei alguém do coração?