The Captain and The Petal.
10 Ninth Chapter. - Wake up, a storm is approaching.
Notas iniciais

Acorde-se, uma tempestade se aproxima.
Bip, bip, bip.
As imagens dela caindo na floresta se misturaram com as imagens dela sendo jogada no tanque de líquido viscoso que era o veneno que corria por suas veias.
Bip, bip, bip.
Lynna bufou audivelmente, irritada por ter morrido e vindo parar numa emergência hospitalar.
Bip, bip, bip...
— Ela está acordando. — ouviu a voz de Natasha numa penumbra distante.
— Eu estou viva? — ela gemeu, abrindo os olhos afrontosamente, apesar da luz forte em seu rosto. Isso arrancou algumas risadas. — Por que ninguém me deu uma cacetada para acabar logo com o serviço?
— Eu bem que tentei... — Natasha disse divertidamente. — Mas fui veementemente impedida.
Seus olhos castanhos se focaram nos visitantes, eles ainda estavam vestidos com a mesma roupa que usaram para invadir a base isca. Ela bateu a cabeça muito forte ou Steve parecia um pedaço de mal caminho naquele traje? Pera aí, aquele nem era o mesmo traje da missão anterior, será que a pancada danificou ainda mais o seu cérebro?
— Vão a algum lugar? — ela arqueou a sobrancelha.
— Na verdade... sim. — Steve suspirou. — Enquanto nós estávamos na base, os fugitivos da Hydra invadiram e tomaram o Triskelion, o que significa que eles estão prestes a reiniciar o projeto insight. Todas as nossas comunicações com a base foram cortadas, o caos foi instaurado. Estávamos esperando notícias suas antes que pudéssemos partir.
Ela sorriu preguiçosamente.
— Não se preocupem, eu estou bem. E estou indo. — disse se espreguiçando para se levantar.
— Nem pensar! — Natasha e Steve dispararam, o que a assustou. — Você quase se espatifou no chão, não está indo a lugar nenhum! — a outra ruiva resmungou.
— Mas eu estou ótima! — ela argumentou.
—Mesmo assim, você não vai. — o Cap elevou um pouco a voz, arqueando a sobrancelha. — Isso é uma ordem.
Ela arqueou ainda mais a sobrancelha – é mesmo? —, bufando em resignação, mas sua mente já trabalhava numa forma de burlar o que o Cap havia dito.
— Certo, seus bobos. — resmungou. — Podem ir, seus ingratos. Eu nem vou sentir saudades.
Com um olhar desconfiado, Natasha saiu rebocando os meninos para fora, deixando Lynna com um sorriso diabólico para trás.
Sentindo-se mais forte após a sua quase morte, ela se transformou em seu gás, se materializando apenas no compartimento do piloto, roubando o traje que a agente catatônica usava. Pelo menos ele era mais confortável do que o de Natasha, uma vez que a mulher era maior que ela.
Cuidadosamente, Lynna deixou-a desacordada na cadeira de copiloto, levantando voo assim que todos os Vingadores embarcaram na nave, traçando a rota para a capital dos EUA.
Para a felicidade geral da nação, ela era uma piloto melhor do que uma motorista.
— Deveríamos tê-la trazido. — Lynna ouviu Sam dizer. — Ela realmente parecia novinha em folha.
Sam, te amo!
— Ela quase morreu, Sam! — Steve ralhou. — Se eu não tivesse chegado a tempo, ela sequer estaria aqui. — ela estava imaginando, ou havia dor em sua voz?
— Por falar nisso... — Tony iniciou. — Você não nos contou o motivo de Clint tê-lo encontrado corado dos pés à cabeça atrás da árvore.
Ouve um silêncio, antes que Natasha gritasse em um sussurro.
— Ela te beijou? — o coração de Lynna se acelerou. Ela quase perdeu o controle do avião.
Eu beijei o Cap? Quando foi isso?!
Sua mente inconsciente fazia coisas terríveis!
— Foi mútuo. — ele disse num tom envergonhado, fazendo-a corar profundamente. — E ela sequer se lembrará disso. Foi no calor do momento. Ela estava em pânico, até que eu pudesse segurá-la, impedindo a sua queda.
— Droga Cap, você está apaixonado pela Lady Tóxica! — Tony disse.
Ouve uma pausa, antes de risos serem ouvidos. Seu coração retumbava em seus ouvidos e Lynna tinha medo de que ela fosse descoberta antes da hora.
— Não viaja, Tony. Não viaja. — foi o que ele disse, fazendo seu coração se afundar de desapontamento pela forma com que ele pronunciou aquelas palavras.
Talvez ele já tenha alguém e eu arruinei tudo...
Senhor, eu só faço merda!
— Droga. — Natasha se pronunciou depois de um tempo no silêncio constrangedor. — Eu realmente queria que aquele ser irritante estivesse aqui.
Lynna abriu um sorriso enorme, deslizando para fora da poltrona assim que colocou quinjet no piloto automático.
— Então... — disse abrindo a porta do cockpit, fazendo com que todos ofegassem de surpresa. — Seus problemas foram resolvidos.
Mais uma vez, os olhos de Steve estavam do tamanho de pires.
— O que você está fazendo aqui, Lyanna?! — Romanoff voltou a se pronunciar.
Lynna deu de ombros.
— Eu me escondi no compartimento do copiloto assim que vocês saíram. — ela respondeu. — Eu acabei de trocar de roupa e devo dizer que a piloto de vocês está desacordada, mas não se preocupem, ela não está morta. Eu apenas a fiz descansar, ela parecia exausta. — deu de ombros. — O quinjet atingirá o solo em dezessete minutos, não se preocupem, eu sou uma boa piloto. Eu tenho licença poética.
Todos a olhavam, boquiabertos.
— Essa mulher me assusta. — Tony observou, apontando para ela para dar ênfase ao seu drama. — Como você fez tudo isso sem ser vista?
— Eu disse que poderia ficar “invisível”, não disse? Vocês deveriam ouvir mais o que eu digo. — deu de ombros outra vez. — Agora, se me permitem, eu irei preparar o nosso pouso.
— Eu pensei que tivesse te dito para ficar na Central?! — Steve se pronunciou após abandonar o seu estado catatônico.
— E eu pensei que não fizesse parte dos Vingadores e muito menos da SHIELD. — ela disse exibindo seus trinta e seis dentes, pois ela não era um ser humano normal, ela tinha a licença poética de ter trinta e seis dentes. — Você não me dá ordens, Stivinho.
Ela ouviu o urro que Clint e Sam deram e quase gargalhou no compartimento, fazendo o procedimento para pousar. Não era tão difícil quanto parecia.
A descida foi esquisita. Havia um comitê de boas-vindas especial para eles.
Vários agentes da Hydra metralharam o avião.
Lynna foi a primeira a sair, em modo fantasma, à procura de seu parceiro, para acabar logo com a história.
Steve fora obrigado a lhe dar outro com, uma vez que ela havia perdido o dela durante a queda e parecia que ele sempre andava com um sobressalente. Ou talvez ele esperasse que ela o desobedecesse. Lynna nunca saberia.
Segundo seus fieis escudeiros – aka as aves –, o plano era substituir os chips da Hydra pelos da SHIELD que Fury havia desenvolvido nesse meio-tempo em que eles estavam para lá e para cá por conta das bases da caveirona tentaculosa, prevenindo-se de uma possível merda como essa.
Ela estava com um dos três chips, cada um para um aeroporta-aviões em específico.
Antes de chegarem à base, Nat trocou de aeronave para acompanhar Fury em qualquer que fosse a missão dele, o que a deixou momentaneamente preocupada, assim como ela estava preocupada que as balas das metralhadoras tivessem atingido a agente inocente que havia lhe cedido a sua roupa.
Os outros iriam cuidar de evacuar a base e retirar os agentes inocentes de lá, enquanto vários agentes da SHIELD cuidariam dos traidores remanescentes.
— Olá, Angie. Devo dizer que você fica bem melhor de preto. — ela ouviu a voz asquerosa de Rumlow, então se voltou para chutá-lo, mas ele segurou o seu tornozelo antes que ela pudesse fazer alguma coisa. — Que atitude feia, minha Pétala, quem te ensinou a ser assim?
Lynna rosnou de dor ao senti-lo apertar seu tornozelo ainda mais.
Ela ia fazer algo, quando ouviu um zumbido alto vindo de trás do agente da Hydra.
— Ela é minha. — ele estava sem máscara. — Vá atrás dos outros. — apesar de tudo, Rumlow assentiu duramente, largando-a sem danos. — Olá, irmã.
Jogo sujo.
— Soldado. — ela disse em russo, sendo idiota o suficiente para se aproximar dele. — Me escute. Esse não é você. Vamos para casa?
Ele arqueou a sobrancelha.
— E qual é a sua casa, Pétala? — ele atiçou o punho de metal para ela. — Você nos traiu.
— A Hydra não é a minha casa! — ela rangeu os dentes, esquivando-se de todos os golpes que ele investiu contra ela. Ele ainda não estava jogando para matar. E ela esperava que ele não chegasse a esse ponto. — Você é a minha casa. Ajude-me a escapar!
Ela viu a confusão em seus olhos acinzentados, antes que ele começasse a lutar contra ela outra vez.
— Sam! — Lynna gritou para o com. — Preciso da sua ajuda!
— Às ordens! — ela ouviu o Falcão falar.
Antes que o moreno pudesse fazer mais algo contra ela que mancharia a amizade deles para sempre, Lynna se jogou, sendo apanhada por Sam dois segundos depois.
— Você é bem leve, eu deveria me preocupar com isso? — ele questionou, fazendo-a rir.
— Isso é um problema? — ela rebateu.
— Espero que não, eu não quero ter minha bunda chutada. — se justificou. — Tome cuidado.
Ela assentiu.
Ele a levou até a abertura de uma das aeronaves, utilizando seus poderes para imobilizar vários agentes ao mesmo tempo, correndo até o painel de controle, digitando um código, para finalmente retirar um dos chips da Hydra e implantar o chip da SHIELD.
— Um já foi neutralizado. — ela disse ofegante para Hill, que comandava a operação sabe-se Deus de onde.
— Perfeito, Angianova. — ela ouviu a mulher dizer em tom urgente. — Agora saia daí.
Assentindo para o nada, Lynna escalou as bases de ferro, bem a tempo de ouvir a voz do Cap em seu ouvido esquerdo.
— O segundo também já foi neutralizado.
Quando ela finalmente chegou ao topo da aeronave, que tomava cada vez mais altitude, a ruiva viu uma cena que a deixou de olhos arregalados.
Sam e Bucky lutavam injustamente um contra o outro.
Ela tentou tirar o fodendo Soldado Invernal de cima do Falcão, conseguindo apenas após o moreno ter quebrado uma das asas de Sam, que estava bolado.
— Fique aqui. — ela disse urgentemente. — Eu irei segui-lo.
— Aquele Mané me deve um par de asas novas! — Sam disse injuriado. — Eu não tô nem contando com o volante do meu carro destruído!
Com um sorriso de desculpas, Lynna se impulsionou para a aeronave em que o seu parceiro havia entrado, ele ia em direção ao último aeroporta-aviões, onde Steve estava, para terminar de “engatilhar” a posição das três aeronaves, impedindo-as de destruírem inocentes em massa.
Ambos haviam chegado antes do loiro.
Lynna tentou ser furtiva o máximo que conseguiu, mas ela não soube dizer o que a denunciou. Talvez tivesse sido o cheiro de seu nervosismo. Ela sempre incendiava o local quando estava nervosa, o que era um problema que ela realmente precisava tratar.
Assim que ela pousou consideravelmente atrás de Bucky, foi surpreendida com o seu punho de metal aguardando para se prender em seu pescoço, refletindo o maldito pesadelo que ela tivera algumas semanas atrás.
— Como...? — sua voz saiu embargada.
— Acha mesmo que pode vencer o seu mentor? — ele questionou presuncosamente, arqueando a sobrancelha. — Eu te ensinei tudo o que você sabe, garota insolente.
Nem tudo!, ela quis gritar, mas sua mão se apertou ainda mais em seu pescoço, roubando seu ar cada vez mais rápido.
Então, antes que Lynna dissesse ou fizesse qualquer coisa, ele a lançou para longe.
Irmão foi a última coisa que ela pensou antes de bater fortemente com a cabeça numa quina de ferro.
Puta merda, Lyanna você só vive desmaiando!
*
Quando ela abriu os olhos, tudo tremia, parecia que o mundo estava prestes a desabar.
Lynna abriu os olhos, vendo os aeroporta-aviões dispararem uns contra os outros, como os garotos haviam descrito. Ela arregalou os olhos, por ainda estar dentro de um deles, despertando ainda mais do transe quando ouvira sons de luta.
Ela voou até uma das partes da ponte que não desabara, vendo Bucky socar Steve repetidas vezes com o punho de metal.
— Você é minha missão. — ele disse, enquanto socava o rosto do amigo. — VOCÊ. É. MINHA. MISSÃO!
Ele parou com o braço protético no ar, ofegante, os olhos da ruiva se encheram d’água, assustada com o rumo que as coisas estavam tomando. Ela não queria que as coisas tivessem chegado até esse ponto.
— Então a termine. — Rogers disse com dificuldade. — Porque eu estarei com você... até o final da linha.
— Não faça isso, Bucky! — ela pediu, gritando, derramando lágrimas de desespero. Tentou conectar seu comunicador, mas ele havia sido danificado, de alguma forma, o que era ótimo.
O piso cedeu, fazendo com que Steve caísse no lago.
Lynna gritou ainda mais assustada, pulando na direção de Bucky.
— O que você fez? — ela perguntou chorando, batendo em seu peito para ele encará-la.
Quando ele finalmente a encarou, não havia o ódio do Soldado naquele olhar. Ela podia ver a melancolia e a culpa tomarem conta da expressão do cara que adotou como irmão. Era o seu Buckie, ela tinha certeza.
— Lya... — ele murmurou, confuso.
— Vem. — ela estendeu a mão para ele. — Precisamos salvá-lo.
Eles pularam juntos, cada um procurando pelo corpo desacordado do Cap.
Bucky o puxou para fora da água, sendo seguido por Lynna, que nadou ao lado deles, vendo-o com uma expressão confusa e irritada. Ele não estava completamente em posse de sua consciência ainda. O Soldado ainda estava na superfície, mas mesmo assim ele carregava Steve até a margem.
Não houve um beijo ou abraço de despedida. Ele simplesmente olhou para os dois, caminhando na direção oposta.
Ela chorou, mas não poderia impedi-lo de escapar. Ela não era páreo para ele. Nunca seria, por mais que tentasse, ele sempre tinha um truque na manga contra ela, que a desarmaria, como sempre.
Voltou-se para o loiro, tomando seu pulso.
Ele estava vivo.
Lynna tentou fazer massagem para ele acordar, mas as pancadas deviam ter sido muito fortes. Ele estava desmaiado. Aproximou seu rosto do dele, para utilizar seu comunicador, uma vez que ela havia conseguido foder com mais um comunicador e enfiá-lo na bunda. Parecia que ela não conseguia durar com um daqueles aparelhos idiotas.
— Steve? — ouvira a voz de Fury. Ele parecia muito preocupado.
— Sou eu, Lynna. — ela respondeu. — Eu tenho o Cap comigo. Ele está desacordado. Caiu no rio.
— Mandarei uma unidade de resgate para o local. — ele disse.
— Certo. — ela murmurou, afastando-se do rosto do loiro o mais rápido possível, um tanto quanto mortificada, lembrando-se levemente da conversa no quinjet, e de que Tony havia deduzido que ela havia o beijado, e que ele não havia negado nada disso.
Mas ele também havia dito que foi por impulso e parecia culpado por.
Sentou-se ao lado dele, encarando o rio, ignorando seus pensamentos confusos sobre o loiro, perguntando-se se devia ir atrás de Bucky ou não. Ela havia visto a direção que ele havia ido, podia muito bem ir atrás do irmão e ajudá-lo a relembrar.
Mas olhando para o corpo desacordado de Steve... pareceu tão errado deixá-lo ali sozinho.
Lynna se viu apertando a mão do Capitão América, culpada por não ter conseguido parar Bucky antes que ele fizesse aquilo.
Não era culpa dele, se esforçou para pensar. A maldita Hydra, mesmo que tivesse sido aparentemente destruída, ainda estava vivíssima entre eles, impedindo suas vidas de seguirem em frente.
Decidiu que era o certo a se fazer. Deixá-lo ir. O caçaria mais tarde, mas agora, ela precisava cuidar de Steve. Ele fora bom para ela. Ela prometera ajudá-los. Não podia abandoná-lo neste estado. Era sacanagem de mais, até mesmo para a Pétala Amaldiçoada.
— Desculpe-me Steve. — ela murmurou, ainda segurando sua mão, com um olhar triste para seu rosto inchado e inflamado. — Eu precisei deixá-lo ir. — ela não sabia se ele a perdoaria ou não, mas deveria tentar. Seu coração disparou em seu peito, enquanto ela tocava o rosto dele, sentindo uma agonia em seu órgão vital. — Mas ele vai voltar. — disse com convicção. — Eventualmente.
*
Não sabia quanto tempo estava ali, nem por quantas crises de culpa passara – pelo menos ela não carregava a morte da assustada agente nas costas, pois graças aos céus ela estava viva –, mas Lynna esperara como uma sentinela pelo despertar do Capitão América. Agora ela fingia dormir, enquanto Sam estava numa poltrona ao lado do loiro, fazendo a mesma coisa que ela.
O som constante do maquinário era a única coisa que permitia a ela manter uma expressão neutra em seu sono fingido, enquanto procurava meditar e buscar coisas boas, inevitavelmente deixando o quarto cheirando a flor de cerejeira. Nada tóxico, mas bem doce.
— À sua esquerda. — ela ouviu a voz de Rogers, mas não abriu o olho, sabendo que deveria dar um pouco de privacidade a ele e a Sam, que imaginava que ela estava dormindo. — Ela está bem?
Quis sorrir com a preocupação em sua voz, mas ela se manteve neutra.
— Ela ficou acordada por um bom tempo, ao seu lado. — Sam respondeu, num tom insinuoso. — Foi ela quem te resgatou do lago quando você caiu. — ouve uma pausa. — Parece que o cansaço a venceu, mas foi difícil fazê-la dormir.
Os dois ainda cochicharam algumas coisas. A conversa não demorou muito, logo o Falcão anunciou que iria ao refeitório da base, pegar algo para comer.
Lynna abriu preguiçosamente os olhos, encontrando o oceano dos olhos do loiro. Sorriu, inevitavelmente.
— Oi. — esforçou-se para enrouquecer a voz, não precisando de tanto para isso, uma vez que falara muito pouco desde que resgataram Steve da beira do lago. — Como você está?
Aproximou-se dele, ocupando o lugar onde Sam estava minutos atrás.
— Bem. — ele respondeu, franzindo o cenho. — Não foi você que me tirou do lago... foi?
Ela não queria que ele chegasse a isso tão rapidamente.
Baixou a cabeça, sentindo as lágrimas virem à superfície.
— Foi ele. — respondeu sincera. Não havia o porquê omitir isso. — Ele o -salvou. — os olhos de Steve brilharam de esperança. Um sorriso ameaçou surgir em seus lábios rosados.
— Onde ele está? — perguntou imediatamente.
Ela baixou os ombros, culpada.
— Eu o deixei fugir.
O sorriso dele morreu, como ela imaginara.
— Você não conseguiria contê-lo, de qualquer forma. — ele murmurou, um pouco ressentido.
Ela soluçou.
— Era o meu dever Steve... — murmurou. — Eu devia ter capturado ele, mas fui incapaz...
Ele segurou sua mão.
— Não foi culpa sua, Lynna. — Steve murmurou de volta.
— Você está bravo comigo, não é? — questionou. — Deve estar.
Ele sorriu.
— Não consigo ficar bravo com você. — declarou, havia algo mais do que compaixão amistosa naquele tom, mas ela preferiu ignorar. — Você é tão vítima quanto ele.
Lynna deu um sorriso amarelo.
— Sinto muito. — ela murmurou. — Eu o deixei ir porque não pude lutar contra ele. Mesmo com todos os poderes que a Pétala Amaldiçoada tem, eu não sou páreo para o Soldat. — aquilo era uma verdade. — E eu não podia deixá-lo lá, sozinho.
Steve sorriu.
— Sam disse que você ficou ao meu lado o tempo inteiro. — ele disse num tom suave. — Deve estar muito cansada. — ela fez um gesto de descaso, ignorando seu comentário. — Obrigado.
Ela sorriu de volta.
— De nada. Quero que saiba que pode contar comigo sempre que precisar.
Ele assentiu.
— Vou ter isso em mente.
Então ela tocou seu braço, olhando em seus olhos. Seu coração bombeava tão rápido e alto, que ela tinha medo que ele a ouvisse. Algo dentro de si despertou.
Não era o seu gás. Ela sentia o veneno da tenebrys sakura em suas veias constantemente, o que ela despertara fazia parte de sua alma, como se ela já tivesse nascido com isso, como no dia em que se tocaram pela primeira vez na Torre, que parecia ter sido há eras atrás. Algo que havia destravado dentro dela. Então, seus olhos arderam, como se quisessem se tornar rosa. Ela sabia que estava assustadora pela expressão de Steve.
Ele não gritou, mas aparentava estar aterrorizado. Ela tentou soltá-lo, mas não conseguiu. Flashes invadiram sua mente sem o seu consentimento. Ela não sabia se eram verdadeiros ou falsos, apenas os tinha.
Tudo doía, ela mal conseguia respirar. As balas eram sentidas por toda a parte, cada respiração era um gemido agudo vindo do fundo de sua garganta, mas ela não podia dizer que não estava feliz com isso.
Por mais que achasse o garoto irritante, ela não queria a morte dele. Ela era uma heroína, e deveria agir como uma. Ela não tinha arrependimentos.
— Lynna! — ela nunca tinha ouvido a voz do loiro soar tão angustiada. — Lynna!
A ruiva sentiu seu corpo dolorido ser amparado pelos braços fortes de Steve, então abriu os olhos, encarando os cristais, que cintilavam tristemente para ela, ela viu ali um medo que não foi capaz de reconhecer, ou talvez estivesse grogue demais para reconhecer. Ele a olhava com medo de perdê-la, como se ele a amasse.
— Não é culpa dele. — murmurou. — A criança... eu precisava...
— Eu sei. — ele murmurou de volta, com pesar. — Você fez o que tinha que ser feito. Isso faz de você uma heroína. — terminou, levantando-a no colo. — Agora vamos, preciso te tirar daqui. Você tem que ser forte, tem que sobreviver... eu não posso perdê-la.
Apesar da dor, seu coração se agitou. Ela levantou a cabeça para encontrar o olhar desesperado do loiro, esticando sua mão ensanguentada para tocar seu rosto sujo de fuligem.
— Steve... — murmurou, acariciando sua face.
Havia uma determinação em seu olhar, algo que ela jamais havia experimentado antes. Suas testas se colaram, então seus lábios. Foi desesperador, foi urgente, foi apaixonado.
Ela já não podia mais negar o que há muito tempo sentia.
Então ela o soltou, respirando fundo, tentando controlar seus gases dentro de si. A máquina que estava conectada ao coração de Steve apitava loucamente, atraindo a presença de Sam e Natasha, que deviam estar no corredor, assim como vários enfermeiros.
Lynna estava com o rosto em chamas.
— Vocês estão bem? — Sam perguntou alarmado, olhando de um para o outro, vendo que Steve encontrava-se visivelmente vivo.
— Eu acho que sim. — Steve assegurou. — Lynna, você está bem? — ele a encarou como se soubesse de algo, algo que ela claramente queria esconder.
Será que ele viu?
Seu coração disparou ainda mais, então ela ficou ainda mais vermelha.
— Ei, fumacinha, se acalme. — Romanoff disse, em referência aos seus gases.
Ela estava mortificada demais para se sentir ofendida pelo pela alfinetada.
— Lynna, respire. — ouviu a voz de Steve chamá-la. Então respirou fundo, fechando os olhos. — O que aconteceu?
Respirou aliviada por ele não fazer nenhuma menção ao que ela viu.
— Eu não sei direito. — ela disse. — Foi uma ilusão.
Não estava errada quanto a isso.
Os enfermeiros deixaram o quarto, sobrando os quatro lá.
— Novos poderes? — a outra ruiva questionou.
Lynna encolheu-se, dando de ombros em resposta.
Eles suspiraram pesadamente.
— Foi um senhor susto. — Sam disse, arrancando risadas dos outros.
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