The Captain and The Petal.
15 Fourteenth Chapter. - Running away, or at least trying.
Notas iniciais

Fugindo, ou pelo menos tentando.
— Eu não sabia que vocês dois eram os mais selvagens. — Natasha arqueou a sobrancelha para as filmagens do corredor que dava para o seu quarto, vendo a posição vergonhosa em que ela e Cap estavam: um enroscado no outro. — Ainda bem que não há como ouvirmos o áudio. Os quietos são sempre os piores.
— Vá à merda. — ela resmungou. — Tem como deletar?
Nat encarou-a.
— É isso mesmo que você quer? — a ruiva menor parecia um tanto quanto preocupada. — Sabe, essa é uma decisão para os dois tomarem. Não há apenas um envolvido, certo?
Lynna bufou. Nat tinha razão.
— Eu sei, mas... — murmurou.
— Você devia falar com ele. — Natasha disse, cruzando os braços.
— Com que cara, Nat? — questionou-a frustradamente. — Como acha que eu vou chegar no cara mais sério que eu conheço e falar com ele sobre a noite em que nos pegamos violentamente?
— Com as pernas! E gente, que pernas! Eu não sabia que você podia ser tão elástica. — ela arregalou os olhos. — Cara, você tem uma sorte! Sabe quantas garotas se matariam apenas para apalpar aquela bunda?
Lynna bufou, vermelha.
— Você não está ajudando! — resmungou.
Romanoff suspirou alto.
— Você tem que tentar, Lyanna. Não pode viver o tempo todo se escondendo de Steve! Um dia vocês irão precisar se olhar seriamente na cara, e então, o que você vai fazer? Correr de volta para o seu quarto/prisão e fugir de seus sentimentos? Vocês têm que conversar sobre o que foi a noite da festa e a importância que ela teve!
A mais velha enfiou o rosto entre as mãos, bufando frustradamente.
— Eu simplesmente não consigo. Não agora. Ainda é muito precoce.
— Então, enquanto você arranja coragem, eu irei colocar esses vídeos em segurança neste pendrive. — ela disse, mostrando-a o objeto. — Ok?
Lynna sorriu de lado.
— Ok. — levantou-se. — Você é a melhor. — bicou sua bochecha.
Então, Angianova deixou Nat sozinha, caminhando pelo corredor da sala de controle, quando encontrou a pessoa que menos queria ver, aquela que ela vinha evitando há três dias desde o incidente após a festa.
— Lynna... — Steve começou, meio que barrando a vista da porta com seu glorioso corpo, que ela havia marcado... — Precisamos conversar.
Ela gelou, seu estômago estava mais frio que o deserto da Sibéria.
Faz alguma coisa, faz alguma coisa!
Rapidamente, ela contornou-o, usando a alta estatura do loiro para passar por entre seus braços, caminhando rapidamente até a saída.
— Agora não dá. — ela disse enfaticamente. — Eu preciso resolver algumas coisas.
Nossa, que desculpa terrível!
Então, saiu praticamente correndo dali, deixando-o confuso para trás.
Quando suas costas bateram na placa de madeira de seu quarto, ela viu o rastro de gás que havia carregado consigo, praguejando alto por não conseguir ter mais controle sobre si mesma. A cada vez que quase se encontrava com o Cap, ela ficava tão nervosa que acabava inundando o cômodo em que estava com seus poderes, e isso não era nada bom.
Caminhou até o banheiro, se lavando para aprontar alguma coisa para jantar, mas para isso, ela teria que esperar até que todo mundo já tivesse jantado e estivesse se aconchegando em seus devidos quartos, ou na sala de TV, isso lhe daria liberdade de ir e vir sem ser notada.
Ela estava prestes a abrir um livro e esperar, quando Natasha irrompeu seu quarto, cruzando os braços como uma mãe severa que havia acabado de descobrir que sua filha havia feito algo desgostoso de se ver.
O que provavelmente era o que ela deveria ter feito.
— Você está descendo comigo, agora! — ela ralhou.
— Não. — Lynna disse firmemente, abrindo o livro onde parou.
— É claro que vai. — Nat jogou o livro do outro lado do quarto, ignorando a careta de protesto que a outra ruiva fez. — Vamos, eu não tenho tempo para as suas birras! É a noite do cinema, estamos prestes a encontrar Hanna e você não irá ficar aqui em cima! Não mesmo!
— Eu não vou! — ela cruzou os braços. — Eu sou mais velha que você, você não me dá ordens!
Revirando os olhos, Natasha rebocou Lynna contra a sua vontade até o elevador.
— Todos estão ficando preocupados com você. — ela disse assim que adentraram a caixa metálica. — E isso está dando mais bandeira do que você imagina.
Arregalando os olhos, ela colocou relutantemente o pé no andar da sala de TV, fazendo o caminho contrario até a cozinha, onde ela preparou alguns sanduiches sob o olhar vigilante de Natasha, o que a irritou.
— Eu não vou fugir! — resmungou.
— Sei. — ela disse sarcasticamente. — Você não me engana, fumacinha.
— É a minha bunda. — Lynna resmungou pegando o suco.
— Ainda bem roxa, por sinal.
Ela congelou.
— Ainda dá para ver? — questionou-a assustada.
Nat gargalhou.
— Está claro, mas ainda dá sim. — piscou. — Se você não tivesse se escondido em seu quarto, poderia ver que ele também ficou com manchas. Ele estava usando gola alta e tudo mais... — ela terminou maliciosamente. — Sem falar nas marcas de unhas em suas costas... a senhora é selvagem!
Lynna jogou o pano de prato na cara da Viúva, que o pegou habilmente no ar.
— Para! — ela disse, envergonhada. — Espero que eu não me arrependa.
Então, elas se colocaram em movimento até a sala de TV, onde todo o time estava lá, incluindo Sharon, que a fez querer revirar os olhos, mas ela tinha que agradecer, pois a presença dela diminuiu a tensão que ela tinha de estar ao redor de Steve depois de tudo o que havia acontecido.
— Lady Tóxica! — Tony a saudou pomposamente. — Está tudo bem? Pensamos que a festa tinha sido demais para você.
Ah, e como.
Ela arregalou os olhos, se segurando para não corar.
— Então... — ela sorriu envergonhadamente. — A festa foi ótima! Mas acho que bebi demais, ainda estava lidando com as consequências do álcool.
Ele sorriu amplamente e Nat deu-lhe uma piscadela discreta e sugestiva, enquanto ela se esgueirava para sentar-se ao lado de Clint no sofá de dois lugares, bem longe do Cap, que estava sentado com Sharon empoleirada nele.
Vaca.
Revirou os olhos mentalmente.
— Que filme estamos assistindo? — Lynna questionou, enquanto Tony zapeava os canais.
— Eu vou escolher Heróis, porque tem aquele ator que você gosta. Nós temos que nós temos que agradar a todos. — ele piscou, selecionando o filme. — Apesar do filme não ser lá essas coisas. Talvez isso possa aumentar o seu ânimo.
— Chris Evans? — ela franziu o cenho.
— Esse aí. — ele disse, enquanto o filme tocava.
Ela se aconchegou no sofá.
— Eu só disse que o achei bonitinho. — ela murmurou, picotando seu sanduiche, enquanto prestava atenção às imagens.
— Porque todos nós sabemos que Lynna possui uma quedinha por loiros.
Ela quis estrangular Natasha naquela mesma hora.
Tony fez um gesto de descaso.
— Claro que não, pelo jeito que ela fala do parceiro dela, é óbvio que ela tem uma queda por morenos. — Te amo, Tony! Então piscou sugestivamente, fazendo-a negar com a cabeça, rindo.
Do outro lado da sala, alguém se remexeu desconfortavelmente, coisa que não passou despercebido por ela, que preferiu colocar lentamente os pedaços de sanduiche na boca, assistindo o filme.
Em alguma parte, todos começaram a subir para os seus quartos, sobrando apenas ela, Thor, Natasha e Steve.
O filme já estava perto de acabar, então, Thor se levantou, assim como Nat, e eles saíram dizendo que trariam mais pipoca para o próximo filme, contudo foram abduzidos no meio do caminho, pois fazia mais de quinze minutos, os créditos já rolavam na tela, quando ela se levantou para ir dormir.
Seu pulso fora gentilmente preso quando ela inevitavelmente passou pelo loiro, forçando-a a manter contato com seus olhos azuis.
— Por favor. — sua voz saiu frágil, cansada de lutar. — Eu não posso agora. Eu ainda não estou pronta.
Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, mas ela saiu correndo antes que se machucasse ainda mais, batendo a testa no painel do elevador, apertando o número do seu andar.
Essa noite do cinema foi uma péssima ideia.
*
Após a catástrofe do cinema, Lynna, que já hibernava em seu quarto, passou a se esconder ainda mais, pedindo a JARVIS para trancá-lo sempre que Natasha ameaçava arrombá-lo, então, mais dois dias se passaram, e mesmo que ela estivesse se coçando de curiosidade para saber se Dashkov havia aberto o bico sobre Hanna ou não, Lynna não abriria a porta, por não querer voltar a encarar o capitão do time.
Pelo menos as manchas já haviam sumido, mas ela ainda podia sentir o fantasma da ardência em suas partes, ou pelo menos foi o que sua mente altamente pervertida foi condicionada a pensar.
Rolou entre as cobertas, sabendo que estava agindo como uma criança birrenta outra vez, mas era tudo o que ela sabia ser. Se esconder para não se machucar era tudo o que ela sabia fazer.
Entediada, ela fez uma bola sólida com seu gás, lançando-a contra a parede e vendo-a retornar para a sua mão, como ela fazia quando estava na Hydra, isso a ajudava a esquecer-se da metade dos problemas, mas a voz severa de Natasha, sobre como ela estava agindo imaturamente a sondava, então, alguém bateu na porta do quarto.
— Senhorita Angianova, o Capitão Rogers deseja falar com a senhorita. — JARVIS disse, atraindo sua atenção.
— Diga a ele que eu não estou disposta a conversar. — ela murmurou.
— Sinto muito, senhorita, mas ele disse que era urgente, sobre a sua amiga Hanna.
Merda.
Ela rapidamente pulou da cama, indo até a placa de madeira.
— Pode destrancar a minha porta, JARVIS, obrigada. — ela murmurou.
Um clique alto fora ouvido, então ela puxou a porta, revelando um Cap bastante preocupado do outro lado, vestido com seu traje vermelho, branco e azul, o que a assustou mais do que a deixou desconfortável por conta dos eventos passados.
— Aconteceu alguma coisa? — ela questionou-o, ajustando a postura.
— Dashkov finalmente falou. — ele respondeu, assumindo a seriedade de seu manto. — Ele realmente não sabe de muita coisa além de que o experimento não saiu como planejado. Ele nos disse que há informações sobre Hanna na base da Hydra em Seul.
Lynna franziu o cenho.
— Foi onde ela nasceu e foi criada. — disse-lhe. — Antes de submeterem-na aos tanques de veneno...
O loiro assentiu.
— Nat disse que você estaria pronta para ir em busca de informações sobre Hanna, então eu vim aqui para buscá-la. Estamos indo juntos à Coréia. — foi tudo o que disse. — Esteja pronta para me encontrar na sala de reuniões em dez minutos.
Assentindo uma vez, Lynna correu para capturar a caixa preta com seu uniforme, que estava embaixo da cama.
Ela correu para o banheiro, vestindo o collant roxo com algumas manchas sutis de rosa, para depois amarrar seus cabelos numa trança embutida. Calçou as luvas sem dedo, amarrou os coldres e o cinto, então, por fim, calçou as botas de salto médio.
Lynna chegou rapidamente à sala de reunião, onde apenas Steve e Natasha a aguardavam, com o telão ligado.
— Esta é a base, ela está escondida abaixo de uma antiga clínica de estética. — o loiro disse. — Você se lembra de ter vindo aqui?
Ela negou.
— Que eu me lembre, eu não saía muito da Europa. — respondeu-lhe. — Mas eu me lembro de que Bucky havia escoltado alguns cientistas para essa base antes.
— Ela está desativada. — Nat respondeu. — Dashkov era um dos responsáveis por ela, ele nos disse que tudo o que precisávamos saber estava lá. Ele também disse que não assinou o protocolo de interdição do projeto, por isso não sabe para onde levaram Hanna.
Lynna assentiu.
— E o que ele quis dizer com “interdição do projeto?” — perguntou.
— Ele não nos explicou nada disso. — Steve respondeu, encolhendo os ombros. Havia algo em seu olhar, um calorzinho estranho que ela preferiu ignorar.
— Certo. — murmurou. — Então é apenas alguma coleta de informações, certo?
Os dois assentiram.
— Sei que não está tão familiarizada com as tecnologias atuais, mas seria maravilhoso se você conseguisse extrair os dados do computador central. — Nat voltou a falar.
— E para onde você vai que não está indo conosco? — Lynna franziu o cenho, não querendo entrar em pânico.
A outra ruiva sorriu.
— Eu adoraria, mas tenho outra missão. — respondeu-lhe.
— Precisamos ir. — Steve levantou-se, forçando Lynna a repetir seu ato. — Tome. — ele entregou-lhe o pendrive enquanto eles caminhavam lado a lado.
Ela colocou-o no cinto de utilidades.
— Preciso ir ao arsenal antes, o encontrarei em dez minutos.
Sem esperar uma resposta, Lynna correu até o elevador, pedindo a JARVIS para levá-la até o andar desejado, correndo para capturar as melhores pistolas e algumas facas, então finalmente estava pronta para ir.
Steve a esperava no quinjet, pronto para levantar voo.
Sem mais alguma palavra, ela afivelou os cintos, colocando o comunicador no ouvido, respirando fundo, enquanto se preparava para a missão.
*
Como Nat havia dito – a vaca soviética havia ficado na Torre para guiá-los, coisa que ela mesma poderia fazer se lhe pedissem, mas nããão, Natasha amava lhe irritar – a base estava desativada, o que facilitou aos dois a entrarem sem problemas.
Lynna agitou o revolver em suas mãos, acionando a lanterna acoplada a ele, enquanto caminhava cautelosamente pelas escadarias da base, uma vez que usar o elevador seria inútil, por conta da falta de eletricidade.
Ela não era dotada de uma visão aprimorada de supersoldado, infelizmente.
— Há um laboratório aqui embaixo. — Steve disse, uma vez que ele havia ido à frente, à procura de ameaças. — Há eletricidade também.
Ao ouvir esta frase, ela agitou a arma outra vez, colocando-a no coldre, para depois abrir a porta de metal que a separava do laboratório ricamente mobiliado, mas seus equipamentos eram um tanto quanto ultrapassados, levando em consideração ao laboratório que ela via na Sibéria.
— Parece ter sido desativado recentemente. — ela disse, observando restos de comida espalhados pelo local. O cheiro quase insuportável... — Eu vou procurar alguma resposta no computador central.
— Ok, eu irei procurar nos arquivos.
Assentindo, eles se separaram, evitando o silêncio constrangedor que se instalaria entre os dois.
Não foi difícil para Lynna encontrar o que estava procurando, ela se dava bem com tecnologias ultrapassadas, e aquela parecia ter vindo da época em que o primeiro computador fora criado.
Resmungando por quase não conseguir encontrar uma abertura USB, ela fez a cópia dos arquivos para o pendrive, mas apenas para garantir, ela também capturou alguns disquetes espalhados pela sala, fazendo o seu possível para garantir as informações.
Quando ela se aproximou de Steve, ele tinha o rosto franzido para uma pasta marrom, com o nome PÉTALA AMALDIÇOADA escrito em coreano.
— É sobre nós. — ela murmurou, aproximando-se dele, posicionando-se à sua frente, lendo as suas descrições no fichário. — Olhe. Esta sou eu, aos dezesseis anos.
Nome: Angianova, Lyanna S.
Nascimento: 30 de junho de 1962.
Nacionalidade: russa.
Dados de filiação: Angianova, Amber-Rose (avó).
Aparência: 1,68 m. Cabelos naturalmente ruivos, olhos castanhos. Caucasiana.
Poderes: a paciente pode controlar a densidade do gás extraído da tenebrys sakura, dosar sua potência e se tornar parte dele.
Missões: vinte e duas. Doze delas sem o auxílio de seu parceiro, Soldado Invernal.
Situação: desaparecida/fora de operação.
Vê-la com os cabelos cacheados era tão estranho. O tenebrys sakura fez tantas mudanças em o seu corpo – a própria Hydra lhe modificou para se assemelhar à imagem de bonequinha perfeita deles –, que ela quase não podia se reconhecer. Seus olhos ficaram tristes. A garota da foto, apesar de ser tão jovem, já havia conhecido a maldade do mundo, já havia cometido seu primeiro assassinato a sangue frio... por mais que tivesse sido para salvar a vida de alguém. Ela desejava que essa garota jamais tivesse presenciado nada disso.
— Isso foi antes...? — ele murmurou.
— Antes do veneno. — ela baixou os olhos para o arquivo. — Nessa época eu já conhecia Nat. Eles me enviaram para a Sala Vermelha por tentar matar Bucky com uma faca de manteiga.
Ele encarou-a num misto de assombro e divertimento.
— Sei que ele não era alguém tão fácil de lidar, mas...
Ela riu.
— Eles nos forçavam a lutar. — ela encolheu os ombros. — Eu deduzi que ele fosse um deles, então invadi sorrateiramente seu quarto e o ataquei. Não que eu fosse ter sucesso... — chutou uma bolinha de papel, para depois virar as páginas, mostrando a foto de Hanna. Aquilo lhe deu um aperto no peito. — Esta é a Hanna. — ela disse. — Ela também tinha dezesseis quando foi brutalmente exposta ao veneno.
Nome: Nuri, Hanna L.
Nascimento: 24 de novembro de 1978.
Nacionalidade: coreana.
Dados de filiação: Nuri, Stephânia e Shang.
Aparência: 1,53m, cabelos pretos, olhos pretos. Caucasiana.
Poderes: o gás produzido do veneno da tenebrys sakura tem o efeito de combustão na paciente. Altamente perigosa. Incontrolável.
Missões: nenhuma.
Situação: interditada.
Eles observaram-na em silêncio por alguns instantes.
Seus traços asiáticos a deixavam com cara de criança. Ela possuía cabelos escuros como a noite, eles eram lisos como seda, pelo que ela se lembrava. Apesar da tortura sofrida, a garota jamais deixara de sorrir, pelo menos para ela. Era o ser mais puro que conhecia. Oh, como ela sentia falta da pequena!
— Uma criança... — Lynna refletiu, mais para ela que para Steve. — Ela não teve escolha de viver neste mundo. Ela não merecia essa vida.
Ele segurou sua mão, o primeiro contato amigável depois de tudo o que aconteceu.
— Vamos salvá-la, Lynna. — ele assegurou. — Vamos dá-la uma segunda chance para ser feliz.
Ela sorriu para ele.
— Galera? — Natasha chamou no comunicador. — Vocês acharam alguma coisa?
— Além dos arquivos normais? Não. — Lynna respondeu. — Eu copiei os arquivos para o pendrive, estamos levando algumas pastas para traduzir.
— Merda! — ela xingou alto. — Saiam daí agora! Há um míssil vindo. Dez segundos para a colisão.
— Droga. — Lynna rangeu os dentes, atravessando por baixo da mesa para chegar até Steve.
— Há uma saída de emergência aqui. — ele estendeu a mão, puxando-a para junto de seu corpo, enquanto levantava o escudo acima de suas cabeças com o braço direito.
Um segundo antes da colisão acontecer, eles pularam no buraco estreito, apertando-se um contra o outro enquanto a terra tremia. Ela fez o seu melhor para não gritar, enfiando a cabeça contra o peito do mais alto.
Ambos respiravam ofegantemente, fazendo o possível para manter uma distância descente entre eles, em busca de ar.
— Lynna, Cap, vocês estão bem? — Natasha questionou preocupadamente.
— Soterrados. — ela gemeu, tossindo.
Ouve um suspiro de alívio do outro lado da linha.
— Acho que dá para nos espremer para fora. — Steve resmungou, enquanto tentava se estabilizar no beco estreito. — A saída de emergência deve dar para os fundos da base, próximo aonde deixamos o jato.
Ela assentiu minimamente, se afastando um pouco mais de onde eles estavam, quase desmaiando de dor quando pisou fortemente com a perna esquerda no chão.
Os braços do loiro a envolveram, fazendo-a bater contra seu peito.
Merda, proximidade em excesso!
— Ei, calma. — ele murmurou, pegando-a no colo quando ela começou a se debater. — Tome, eu irei levá-la em segurança. — ele entregou-lhe o escudo, enquanto ela assentia.
— O que aconteceu? — por conta da proximidade, ela já havia se esquecido de Natasha.
— Lynna quebrou a perna esquerda. — Steve respondeu.
Praguejando baixinho, ela se permitiu ser levada pelo beco escuro, tentando o possível não intoxicá-lo com seus poderes, enquanto estava sendo intoxicada com o perfume que o loiro exalava.
Travou o maxilar.
Por que a Hydra não fez de mim um supersoldado?
Mesmo com toda a sua “graça e leveza”, ela ainda foi nocauteada e não queria olhar para a sua perna que estava em um ângulo levemente esquisito por baixo do traje.
Parecia que a luz jamais iria chegar, quando eles finalmente encontraram a saída, que assim como o Cap previra, dava para os fundos da base completamente destruída.
Eles seguiram para o jato, camuflado no meio da floresta, então ela foi seguramente colocada numa das poltronas, enquanto sua perna fora colocada numa posição que não pudesse incomodá-la.
Antes que Steve seguisse para pilotar a nave, ela segurou seu pulso.
— Você pode me dar os arquivos? — murmurou, envergonhada. — Eu posso ir traduzindo, enquanto voamos. Bruce irá gostar de vê-los.
O homem assentiu, capturando os arquivos empoeirados da bolsa-carteiro que eles haviam trazido.
Ela sacou o caderninho da bolsa, assim como a caneta, então se pôs a traduzir os arquivos para o inglês.
*
Quando chegou à Torre, ela foi recebida por uma doutora coreana chamada Hellen Cho. Ela era simpática e falava tranquilamente com ela sobre o procedimento que faria em sua perna, que tinha a ver com uma tecnologia nova que ela estava desenvolvendo.
Ela a lembrava de Hanna. Era tão inteligente quanto.
Um dia, Han havia lhe dito que enquanto ela morava na base de Seul, ela havia estudado sobre variados assuntos envolvidos à área da medicina, antes que a Hydra ferrasse de vez com a sua vida. Ela havia lhe contado que seu desejo era cursar esta área, e que seus pais apenas lhe permitiriam realizar essa vontade quando ela colaborasse com a organização.
Seu coração se apertou.
Hanna jamais pôde realizar esse sonho.
Então, Lynna jurou para si mesma que iria lutar para que ela conseguisse ter o que ela sempre quis.
Alguém bateu na porta, arrancando-a de seus devaneios.
— Como se sente? — era Natasha.
— Eu desejo poder voltar da maioria das minhas missões sem vir direto para o hospital. — ela gemeu dramaticamente. — Pelo menos eu não desmaiei dessa vez.
Nat negou com a cabeça, rindo.
— Acho que vou tomar isso como um “eu estou bem”. — disse-lhe, aproximando-se da cadeira. — A doutora Cho disse que você estaria pronta para outra missão nos próximos três dias.
Lynna sorriu de lado.
— Isso é confortante. — murmurou. — Conseguiu encontrar algo sobre Hanna?
— Ainda não. Estou trabalhando na criptografia do dispositivo e você me trouxe algo extremamente complicado de decifrar. — ela suspirou. — Fala sério Lyanna, um disquete?! Em que século acha que estamos?!
Lynna gargalhou.
— Ué, eu não tenho culpa se me dou melhor com tecnologia antiga. — encolheu os ombros.
Nat mandou-lhe um olhar sugestivamente malicioso, fazendo-a corar dos pés à raiz do cabelo.
— Donzela*. — ela resmungou.
— Ah. — a mais nova exclamou. — Eu quase ia me esquecendo. Você está de alta. A doutora disse que quanto mais você movimentasse a perna, melhor seria a recuperação. — Lynna praticamente pulou da cama. — Ei! Vai com calma! — ela segurou-a, ajudando-a a se movimentar. — E a propósito, Bruce quer vê-la no laboratório. É sobre os arquivos que você traduziu.
Lynna assentiu, caminhando com um pouco de dificuldade ao lado de Nat até o elevador.
— Você vem? — questionou-a.
Nat negou.
— Preciso voltar para a criptografia. — ela respondeu. — Hm! E outra coisa que pode alegrar o seu dia... a... como é que você chama mesmo...? Loira dos “infa”? É. A loira dos “infa” se foi.
A ruiva menor piscou, fazendo Lynna encará-la de olhos arregalados.
— Eu não tenho nada a ver com ela! — protestou.
Natasha riu sarcasticamente.
— Sei.
Com um bufo, as portas se fecharam.
— JARV, leve-me até Bruce, por favor. — ela pediu.
— Imediatamente, senhorita. — ele disse com seu típico sotaque britânico.
Demorou alguns segundos, então ela estava no andar dos laboratórios.
Lynna mancou até onde o laboratório de Bruce ficava, pigarreando antes de entrar, como sempre fazia.
A porta estava aberta.
— Ah, oi Lynna! — ele saudou-a animadamente. — Que bom que pôde vir.
Ela sorriu.
— Nat disse que você tinha algo importante para me dizer sobre os documentos.
Ele respirou fundo.
— Sim. — respondeu-lhe. — Quer se sentar? A explicação vai ser um pouco demorada, e provavelmente difícil de entender.
Ela assentiu, arrastando uma cadeira para onde ele interagia com uma mesa que refletia uma cadeia de DNA multidimensional.
— Estou pronta para ouvir tudo. — ela disse sorridentemente, colocando-se numa posição confortável para a sua perna dolorida.
Bruce sentou-se também, movimentando a imagem para mais próximo dos dois.
— Há uma similaridade entre os seus exames e os de Hanna. — ele disse. — Como eu havia lhe dito, Dashkov e os demais cientistas que trabalharam no caso dela injetaram o seu sangue em Hanna antes mesmo de ela nascer, assim, ela tornou-se mais resistente que as outras, e tudo isso por conta do DNA asgardiano presente dentro de você. — Lynna assentiu. — Eu não sei de onde ele veio, também não posso responder se você já nasceu com ele, mas veja: este é o seu DNA. — ela olhou para a imagem que ele refletia. — Este é o tenebrys sakura em seu organismo. Estas cadeias rosadas. — ela observou o quanto o veneno havia se apossado de seu corpo e a modificado. — E este é o gene asgardiano que você possui. — ele apontou para algo vermelho sangue. — É bem parecido com os que Thor carrega, apesar da cor ser diferente e um tanto quanto questionável. Talvez a Hydra deva ter injetado no seu corpo para testes.
Ela assentiu.
— Sim, eles testaram vários tipos de substâncias em meu corpo assim que eu fui capturada. — seus olhos ficaram tristes.
— Sinto muito. — ele deu-lhe um sorriso tímido.
Ela sorriu tranquilamente.
— Está tudo bem agora. — assegurou-lhe.
— Bem — ele suspirou. — Voltando ao que eu estava dizendo... sobre Hanna. Eles provavelmente descobriram o que te fez tão forte para sobreviver ao experimento e criaram um cronograma para controlar o crescimento dela. Os genes existentes no corpo dela são tão fortes, que ela adquiriu o poder de cura acelerada, como o que você possui. Isso responde à nossa pergunta, quando você enfrentou o seu parceiro após ter sofrido uma forte reação. Os genes asgardianos te fizeram mais forte do que nós imaginamos, mas você não podia e ainda não pode controlá-los, propriamente dizendo, por isso você entrou em “estado de coma”.
Ela engoliu em seco.
— E isso é bom ou ruim? — questionou-o.
Ele deu de ombros.
— Isso apenas o tempo dirá. — respondeu-a.
— Obrigada, Bruce. — Lynna levantou-se lentamente, tentando não muita colocar força na perna esquerda.
Ele sorriu timidamente.
— É para isso que servem os amigos.
Ela sorriu para ele, se despedindo com um aceno de cabeça.
Lentamente, Lynna voltou para seu quarto, preparando-se para dormir, quando Natasha praticamente arrombou a sua porta.
— Você não vai acreditar! — ela disse extremamente animada. — Eu achei a localização de Hanna!
Lynna, que estava sonolenta, sentiu o sono se esvair dela imediatamente, assim como a deliberação sobre o seu DNA.
— E onde ela está? — questionou-a energicamente.
— Sala de reuniões, agora. — ela correu para fora. — E chame Steve. Tony estava fazendo a manutenção de JARVIS e eu não consegui falar com ele. Preciso ir.
Arregalando os olhos, Lynna jogou os cobertores para fora, antes de gemer mentalmente, caminhando até o quarto da frente.
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