The Captain and The Petal.

48 Forty-sixth Chapter. - Two broken hearts.


Notas iniciais
Ois! Voltamos com mais um capítulo dessa treta! Havemos uma personagem nova! Eu estava meio que em debate sobre essa personagem em si, porque a existência dela muda toda a estrutura da segunda temporada (que ainda é uma possibilidade). Mas eu vi que ela é uma criatura muito necessária, porque além de manter o humor da história, as descobertas dela serão muito importantes. Boa leitura!

Dois corações partidos.

Bip, bip, bip.

Merda, isso de novo?

Bip, bip, bip.

Ela abriu os olhos, encarando um teto branco e estéril. Um movimento brusco foi detectado pelo seu canto do olho, fazendo-a pular de susto, acalmando-se apenas quando percebeu que a pessoa que estava ao seu lado era Bucky.

Ele parecia quase bem. Usava uma camiseta branca e caças moletom cinza, combinando com seus olhos. Ele tinha algumas feridas curadas, mas parecia bem...

Seus olhos se arregalaram e ela sentou-se abruptamente na cama, gemendo de dor ao provocar sua ferida recente.

— O que aconteceu com seu braço? — perguntou-lhe rouca.

O braço de metal dele – ou o que havia restado dele – possuía uma bandagem preta que cobria a estrela vermelha pintada em seu ombro. Em toda a sua vida, ela jamais o tinha visto com um braço só, e aquela visão era algo bem difícil de se acostumar.

— Foi um acidente. — ele respondeu suavemente, mas ela sabia que ele estava escondendo algo, contudo, ela não queria se aprofundar. Ainda não. — Como você está, Lya? Você nos deu um susto...

Ela engoliu em seco, tateando seu corpo para ver o que estava acontecendo consigo.

— Os enjoos passaram. — murmurou. — Acho que a dor da ferida também. Só dói mais quando eu me mexo muito rápido.

Ele assentiu.

— A doutora Kota disse que isso poderia acontecer. Ao que parece, você pegou uma bactéria e ela estava afetando o seu sistema imunológico. Juntando isso e o estresse que você teve, suas células foram impedidas de fazê-la se curar. — o moreno fez uma careta fofa. — Ao menos foi isso que eu ouvi. Esse negócio me deixa um pouco confuso. — riu baixinho. — Ela disse que mais um dia na cela, e você poderia ter morrido, sabia? Eu disse a ela que você não podia morrer, porque vaso ruim não quebra.

Lynna fez uma careta ofendida.

— Como assim, Barnes? Você está dizendo isso da sua irmã?!

Ele riu baixinho.

— Você sabe que não é a pessoa mais carinhosa do mundo, boneca. — balançou a sobrancelha.

Ela riu também, até que algo clicou em sua mente.

Todos os eventos ruins que ocorreram até aqui invadiram o seu cérebro sem sua permissão. Ela estava revivendo tudo outra vez. A confusão em Lagos, o Acordo de Sokovia, a traição de Steve, a batalha no aeroporto, as acusações de Tony, e depois de volta para o beijo que o loiro havia dado em Carter.

Ela soluçou alto, começando a chorar.

Rapidamente, Bucky correu até si, apertando-a contra o seu peito. Ela aproveitou a deixa e enrolou seus braços ao redor dele, independente se ela tinha agulhas de soro ligadas a ela ou não.

— Eu pensei que nós iríamos ficar juntos depois que a poeira abaixasse. — balbuciou. — Mas ele me traiu Buck. Ele partiu o meu coração. Aí teve Tony... ele me culpou pela morte dos pais dele. Ele me acusou de mentirosa, disse que eu escondi a verdade dele... oh Buckie... eu perdi tudo, não foi? Eu amei o seu amigo, eu não me arrependo disso. Eu o amei e ele quebrou o meu coração. — ela soltou-se dele, apenas para encará-lo nos olhos, enquanto chorava. — Por favor, não me deixa sozinha. Não quebra o meu coração também!

Ele a apertou contra seu corpo, beijando sua cabeça.

— Jamais. — afirmou.

*

Pela primeira vez em toda a sua vida, Bucky não sabia o que deveria fazer.

Seu sangue estava quente e vibrava em seu corpo. As palavras de Lya ainda estavam rondando em sua mente.

“Eu amei o seu amigo, eu o amei e ele quebrou o meu coração”.

Fechou os olhos com força, enquanto embalava sua irmãzinha chorosa em seu único braço. Ele beijou o cabelo dela outra vez, sentindo seu cheirinho suave de flor de cerejeira. Ele odiava vê-la sofrer. Esse foi um dos motivos mais fortes para ele ter arriscado o pescoço salvando a vida dela.

Se ela disse que seu amigo de infância havia feito mal a ela, ele iria em busca de sua vingança. Não lhe importava a história que os dois haviam dividido. Aquela garotinha quebrada abraçada a si fora a família que ele havia adotado. Ele mataria por ela, como já tinha feito uma dezena de vezes.

Quando a pequena finalmente havia dormido, exausta pelo choro, ele, ainda com a camisa molhada pelas lágrimas dela, caminhou pesadamente até a sala de espera, de onde ouvia a voz de Rogers conversando com os amiguinhos que ele havia salvado da prisão.

Mesmo com uma mão, Bucky ainda era temível.

Os olhos do loiro se arregalaram quando o viu fervilhando de ódio. Era inteligente da parte dele temê-lo. Ele não iria partir o coração da sua irmãzinha e ficar por isso mesmo.

Agarrou-lhe pelo pescoço e o levantou contra a parede, derrubando um quadro de decoração qualquer.

— Eu tenho que deixar as coisas bem claras aqui, Stevie. — o supersoldado moreno disse de maneira baixa e completamente ameaçadora. — Eu sou seu melhor amigo, tenho plena noção da história que vivemos no passado, antes da Hydra e o escambau. Mas meu amor e respeito por você têm limites. — ele apertou a garganta dele um pouco mais, apenas para alertá-lo.

— Do que você está falando, Buck? — o loiro perguntou, assustado.

— Você partiu o coração dela, seu tratante! — todos na sala prenderam a respiração. — Eu avisei a você, que se quebrasse o coração dela, eu esqueceria todo o nosso passado e te mataria. Eu estaria escolhendo ela ao invés de você, e mesmo assim, você escondeu isso de mim, não foi covarde?!

— James Barnes. — a voz dela, da garota que Stevie o apresentou lhe atingiu, como uma canção de ninar calmante. — Pare. — ele não olhou, mas sentiu-a movimentar-se pela sala. Seu cheiro de ameixas flutuou no ar. Ele se obrigou a não fechar os olhos pela sensação de prazer que o mesmo trazia. — Você está machucando-o também. — finalmente ele olhou para trás, encarando a ruiva de franja. Os olhos verdes dela refletiam um brilho que ele não entendia. Era quase como se ele a conhecesse, mas não saberia dizer se estava certo ou errado. A voz dela, apesar de possuir um inglês bem articulado, ainda era acentuada. Ele não conseguia deduzir a língua, mas poderia ser espanhol ou italiano... não, definitivamente era outra língua derivada do latim, que ele não conseguia lembrar agora. Estava mais do que claro que ela não era uma americana nativa. — Ele é inocente, eu posso sentir isso. — ela ergueu o queixo. — Solte-o.

Por mais que ele não quisesse, sentiu-se induzido a fazê-lo, ainda olhando para o olhar intenso dela, foi quando ouviu um choro quebrado.

Pelo que ele se lembrava, foram raras as vezes que ele vira Stevie chorar. Seu amigo, assim como a mulher que dormia num quarto/enfermaria a três salas dali, era um ser completamente teimoso. Ele carregava o peso do mundo em suas costas, mas ele nunca desabava.

Contudo, naquele momento, ele desabou.

Steve colocou a cabeça entre as mãos e chorou compulsivamente, de soluçar.

— Eu não fiz nada. — ele sussurrou a mesma coisa que sua irmã sussurrava quando ele adentrou correndo a enfermaria geral do palácio de Wakanda aproximadamente três semanas atrás. — Eu juro, Buck. — o loiro olhou para cima, encontrando seus olhos, que possuíam um brilho doentio de dor. — Eu não fiz nada para quebrar o coração dela. Eu preferiria arrancar o meu fora a cru antes que algo acontecesse a ela.

O moreno encarou a moça. Ela também chorava.

Aquilo tudo era muito bizarro. Ele sabia que a garota podia sentir as emoções de todos na sala – exceto as dele, bizarramente –, mas aquilo ainda não entrava em sua natureza.

Ela caminhou até seu amigo, tocando-o nos cabelos dourados.

— Acalme-se. — sussurrou para ele. — Isso só vai te fazer mal.

— Como eu posso me acalmar, Marnie? — questionou-a. — Eu a perdi para sempre!

A mulher, mulher não, garota. Na verdade, ela parecia ser uma criança petulante... Bem, ela começou a cantarolar uma música, e logo a sala encheu-se de uma aura calma. Ele não podia dizer que aquilo era artificial, como sua mente teimosa queria condicionar-se a pensar...

Não. Aquilo parecia ser algo vindo dos anjos.

Mas ele jamais admitiria isso em voz alta.

— Eu acredito em você, Steven. — ela voltou a falar. — Eu acredito em você. — o loiro parou de soluçar. Seus olhos estavam inchados. Lhe surpreendeu que ele tivesse quebrado na frente de seus amigos. Parecia algo impossível de acontecer.

— Mas ela não. — ele sussurrou, depois de um tempo. — Ela nunca irá. Eu não tenho como provar isso. Ela jamais acreditará em qualquer coisa que eu diga...

— Eu sei. — a tal Marnie disse pacificamente. Sua paciência lhe irritava. E isso era bom de sentir, uma vez que ela não podia lê-lo como fazia com qualquer um naquela sala. — Mas se desesperar não é o caminho, querido. Você precisa ser forte. Eu sei que é difícil, contudo, agora não é a hora de quebrar. Nós não poderemos lidar com dois corações quebrados ao mesmo tempo.

Stevie assentiu.

— Sinto muito. — Bucky acreditou. Vendo o olhar devastado que ele lhe deu, ele acreditou que o amigo estivesse falando a verdade.

Então, porque Lya tem tanta convicção de que ele lhe traiu?

Ele remoeu isso, confuso com o casal.

Uma afirmava veementemente a traição, mas o outro claramente era inocente do fato... tinha que haver algo errado.

Ele sabia que nesses casos, ele e todos os presentes acreditariam em Lya. Ela era a vítima da questão, mas ver o loiro quebrado daquele jeito... nem o mais treinado dos espiões conseguiria um feito desse, mentir com tamanha maestria.

O modo desesperado como ele entrou na enfermaria acusou tudo também.

Ele não saiu de trás do vidro por um segundo, enquanto a ruiva russa – ou asgardiana, como ele havia aprendido – estava passando por cirurgia, como se ela fosse sumir ou algo do tipo. Ele lembra a maneira fria como seu amigo tratou Stark, quando o mesmo entrou na sala para visitar Lya. Ele achou que o loiro iria bater nele outra vez, expulsando-o do quarto. Bem, ele mesmo bateria em Stark por culpar sua pequena por algo que ela sequer teve culpa. Ela estava dormindo, caralho! Ele jamais a colocaria em cheque com os problemas dele!

Não, Steve Rogers, ou pelo menos o garoto do Brooklyn que ele conhecia desde pequeno, aquele que entrava numa briga para defender aqueles que não possuíam chance de defesa não seria capaz de ferir o coração de ninguém, muito menos o da dama que ele amava.

Contudo, se aquilo fosse um teatro... – por mais impossível de ser bem arranjado... –, ele jurava que tinha coragem de matá-lo lentamente.

Porque ninguém jamais machucaria a sua irmãzinha e ficaria vivo para contar a história.

*

Quando abriu os olhos outra vez, Lynna não estava mais no quarto de hospital, e sim num lugar amplo e bonito, com vista para uma floresta densa, que fazia sombra para si, formando a mais bela pintura que ela já tinha visto.

Havia alguém no quarto, mas não era Buckie, e sim, a última pessoa que ela imaginava ver na face da Terra.

Então quer dizer que a bonita resolveu dar o ar da graça? — ela resmungou em seu português enferrujado. Pelo menos ela não o sotaque muito carregado.

A ruiva-alaranjada sorriu, fechando o livro que estava lendo.

Estava tão distraída que não percebi que você acordou. — respondeu na mesma língua.

— Você engordou desde a última vez que te vi. — ela disse isso como um elogio desistindo do português, simplesmente estava enferrujada na prática.

A garota riu, negando com a cabeça.

— Acho que qualquer grama que eu tivesse crescido, seria mais gorda do que eu era quando nos conhecemos. — ela deu de ombros.

Lynna tentou não pensar em como ela havia encontrado Marnie. Toda suja e raquítica, presa no fundo de uma base naval nos arredores do local onde ela e... bem, aquele que não deve ser nomeado, mas não é o Voldemort tinham ido a uma festa beneficente... ela não pensou duas vezes antes de nocautear os soldados e levá-la para longe dali. Para longe do sofrimento.

— É bom te ver, Mary Elizabeth. — a ruiva-avermelhada disse sorrindo debilmente. Ganhou um sorriso de agradecimento da ruiva menor, que podia ler o que ela estava sentindo. Ela soltou um silvo ao sentar-se na cama. — Onde estou?

— Wakanda. — a outra respondeu, fazendo-a arregalar os olhos.

— Como assim, Wakanda? Ficou maluca? E como assim, do nada, Bucky está comigo? Foi uma alucinação, não foi, eu disse tudo o que eu disse para ele num sonho, não foi? — ela perguntou tudo num fôlego só.

Será que ele matou Rogers pelo que eu disse?

Ela não queria se sentir culpada, mas infelizmente ela não possuía controle sob seus sentimentos.

Mary soltou um suspiro, colocando uma mecha de seu cabelo alaranjado para trás da orelha, enviando uma onda de calma para ela.

— Vamos por partes, sim? — Lynna assentiu. — Você está em Wakanda, porque Steven e Natasha tiraram você e os outros da Jangada há pelo menos umas três semanas, se não me engano. — ela abriu a boca para perguntar alguma coisa, mas Marnie deu-lhe um olhar de ‘cala a boca enquanto eu falo’, que ela literalmente sentiu em seus ossos. — Aconteceu um acidente na Sibéria. Helmut Zemo armou uma emboscada. Ele não queria exatamente liberar os Soldados Invernais. Ele queria que Tony fosse obrigado a ir até lá ao lado de Barnes e Stevie para revelar a Stark quem matou seus pais. Relatório da missão: 16 de dezembro de 1991. O dia em que os pais dele morreram. O império que ele disse que queria ver cair foi o império que os Vingadores construíram durante todos esses anos de existência. Ele queria vingança pelo que aconteceu com sua família em Sokovia, e ele causou tanto dano... isso não traria sua família de volta, eu não consigo entender completamente sua revolta, por mais que eu realmente entenda... — a ruiva anã posicionou-se mais para frente, divagando. — Olha, o que eu estou te dizendo agora, é algo que os supersoldados idiotas não querem que eu te diga, mas você tem todo direito de saber, porque foi acusada injustamente pelo pouco pinto do Anthony, por mais que eu também entenda a revolta dele. — suspirou. — Por conta dos relatórios roubados da Hydra, Steve sabia que seu amigo havia matado Maria e Howard Stark e escondeu isso dele, tentando evitar um problema, que apenas ficou gigantesco! Tony ficou puto e eles lutaram. Rogers tentou afirmar que seu amigo era inocente, que ele havia sofrido lavagem cerebral, mas Stark não quis entender isso. Barnes perdeu seu braço de metal na luta. Ele tentou desligar o reator de Tony, soltou um raio e levou seu braço junto. — a ruiva mais velha tentou falar alguma coisa, mas Marnie arqueou a sobrancelha dela num olhar que dizia ‘ainda não acabei’. Era irritante como ela conseguia ser uma pequena merda. — O rei T'Challa seguiu-os até a Sibéria, depois de Nat tê-lo imobilizado com seus ferrões. Ele descobriu quem foi o verdadeiro assassino de seu pai, reconheceu o seu erro e cedeu abrigo para o Capitão e seu time. Ele também disponibilizou uma equipe de médicos para lidarem com a sua infecção. Ele é uma boa alma, afinal de contas, ele amava seu pai e faria qualquer coisa por ele. Deu a Barnes uma nova oportunidade. Ele iniciou um tratamento para tentar tirar as palavras-chave que a Hydra colocou em sua cabeça, e também lhe deu a possibilidade de uma nova prótese, mas seu amigo esta estudando-a...

Parece que ela finalmente havia acabado a sua narrativa, ou pelo menos permitiu-a respirar e processar as informações dadas.

Primeiro de tudo, o doutor se chamava Helmut Zemo, e ele armou para incriminar Bucky de algo que ele não teve controle. Ela estava certa sobre ele. O império eram os Vingadores – fazia sentido –, e ele literalmente conseguiu destruí-los. Tony lutou contra seu melhor amigo e ele perdeu seu braço. Por causa da descoberta que Zemo o forçou a fazer, ele culpou-a, porque Lynna era a parceira de Bucky, mas ela não estava acordada naquela época, e mesmo se estivesse, a Hydra não permitiria que ela chegasse sequer a ver aqueles soldados, quanto mais saber sobre a existência deles, que provavelmente tinha a ver com a morte dos pais de Stark. Eles eram instáveis e ela era preciosa para a organização.

Que viagem louca, não?

E tudo isso, porque aquele homem queria vingança. Sua família morreu em Sokovia e ele culpou ela e seus amigos por isso. Bem, de alguma forma, ele não parecia de todo errado.

— Além disso, ainda há mais alguma novidade? — perguntou.

Mary engoliu em seco.

— Então... você quer isso do jeito fácil, ou do difícil? — a mais velha arqueou a sobrancelha. — Até o prezado momento, Steve desistiu de seu manto. Ele não é mais o Capitão América.

Lynna arregalou os olhos.

O balanço do mundo foi alterado.

— Explica isso direito! — pediu, sentando-se em posição de fofoca, como a outra vivia dizendo.

Ela riu baixinho.

— Bem, ele desistiu do manto quando Tony o confrontou na Sibéria. — disse. — Ele fez birra quando Steve salvou Barnes. Disse que ele não merecia o escudo, que foi o pai dele que o havia feito... — Marnie levantou-se e aproximou-se de onde ela estava deitada. — Foi uma decisão difícil, mas eu nunca o vi com tanta convicção.

A mais velha assentiu.

— É entendível. — murmurou.

— Mas eu espero que isso não dure por muito tempo. Esse é o motivo pelo qual eu estou aqui. Fury está furioso. — sim, aquela criatura fez um trocadilho com o nome do diretor da SHIELD*. — Ele teve uma longa conversa com Stark e Rogers e ele pediu a anulação do Acordo de Sokovia, uma vez que Ross é suspeito de corrupção.

— Oi?

— Pois é... — ela balançou as sobrancelhas. — Ele participava de um esquema muito macabro. E o pior: ele estava aliado a um político que tinha ligações com uma certa organização, cujo seu emblema é uma caveira de tentáculos...

— Oh meu Deus, Ross é Hydra? — os olhos de Angianova deveriam estar praticamente saltando para fora. Ela sabia que deveria haver algo de errado com aquele miserável. — Eu sabia que ele era um filho da puta, mas não que ele desceria tão baixo.

— E tem mais... minha coleguinha Skye, a melhor hacker que você respeita, descobriu que ele tem interesses bem peculiares com o nosso amigo Banner. Ele tinha interesse de fazer do Hulk uma arma. Isso prejudicou muito Bruce no passado, e a esposa dele... — ela começou a tagarelar.

— A coisa só melhora. — Lynna murmurou.

— Bem, vai ficar bem melhor agora. — DeLavega disparou. — Fury tem a ordem de prendê-lo, mas o desgraçado está foragido. — deu de ombros. — Não se pode ter tudo.

— E você está aqui como conciliadora? — a mais velha perguntou, agora com um sorriso amplo.

— Em partes. — suspirou. — Nick me enviou para tentar controlar os ânimos de Tony e Stevie. O Cap quase o esmurrou quando o viu. Sam contou para a ele o que Stark fez na prisão... com você...

A mais velha riu secamente.

— Como se ele se importasse. — resmungou, amargamente.

Marnie tremeu.

— Ele se importa, sim, querida. — ela murmurou.

— Eu não quero falar sobre isso. — resmungou. — Vamos falar mais sobre...

Então, a porta do quarto se abriu, revelando um James Buchanan Barnes empilhando alguma coisa em seu único braço, enquanto Hanna Lee Nuri tinha a mão na maçaneta. O olhar do moreno se estreitou para Mary, que recolheu a mão, cujo ela não sabia que estava apoiada em seu joelho.

Buck. — talvez a sua fala tenha denunciado ainda mais o comportamento estranhamente hostil que ele teve para com a anã.

— Eu sabia que não deveria confiar em você. — ele disse com uma expressão dura. Hanna segurou a bandeja que ele segurava, para que ela não se espatifasse no chão. — Um dia. Um maldito dia. Você não poderia ter esperado até que um de nós contasse a ela com calma?

Mary levantou-se, irritada.

Porra, para ela estar verdadeiramente irritada, algo de muito sério estava acontecendo. Ela era a RAINHA da calma. Seus poderes a condicionaram a isso.

— Com calma? E como planejava fazer isso, Barnes?! Eu sou uma empata, eu sou a pessoa mais qualificada possível para tratar de assuntos delicados, e Lya tem todo o direito de saber a verdade. Ela também foi envolvida nesse rolo! — ela rosnou.

— Ela está se recuperando de uma cirurgia! — Bucky disse alto. — E não a chame de Lya! Apenas eu e Hanna estamos autorizados!

Isso é sério?

As cabeças dela e de Hanna foram de Mary para Bucky, e depois de volta para Mary.

— Ah, foi você quem patenteou? — ela arqueou a sobrancelha. — Cuzão.

Lynna deveria dizer para Mary que ele entendia português?

Não, deixa a treta rolar...

Quem perdoa é papai do céu, ela não.

Pigarreou.

Bem... eu estou aqui, dá para focarem em mim? Eu sou um pouco egoísta. — eles lhe encararam. — E Bucky, você não patenteou o meu apelido. Qualquer um pode me chamar de Lya. — ele franziu o cenho para ela, aborrecido. Ele cruzaria os braços, se não fosse... o olhar dela ficou triste, mas ela não quis incomodar Mary, então suspirou, controlando suas emoções. — Pelo visto, você foi apresentado à minha filha antes de mim.

Os olhos do supersoldado moreno se arregalaram e ele ficou branco.

— O quê? Como assim? Gestação de supersoldado é mais rápido? Há quanto tempo vocês estavam juntos? O bebê se desenvolve mais rápido, como naquele filme que Hanna me mostrou que as pessoas brilhavam feito diamantes? — ele atropelou muitas perguntas.

Era impressão dela, ou Barnes havia ficado mexido por Marnie? Ele parecia um pouco decepcionado de saber que ela era a sua “filha”.

A U G E!

A ruiva alaranjada bufou.

— Primeiro de tudo, um casal só pode ter filhos se for biologicamente? Hello! Nós estamos no século XXI! Existe adoção! — ela colocou as mãos na cintura. — Segundo, não, isso não é Crepúsculo, Barnes, uma gestação ainda é demorada. Isso aqui ainda não virou bagunça!

Bucky fez uma cara feia.

— Você pode se explicar MINHA Lya? — voltou a encará-la.

Lynna olhou para Mary, que assentiu para ela, autorizando-o a contá-lo sua história. Ela sentou-se propriamente na cama, encostando-se na cabeceira fofinha.

— Rogers e eu estávamos em uma missão diplomática no Brasil, quando a encontramos. — o moreno olhou meio estranho para Marnie, mas logo retirou a vista, como se ela pudesse fazer algo com ele. — Ela foi presa numa base militar deles e alguns cientistas faziam experimentos nela. Para conseguirmos retirá-la do país, foi preciso dar um jeito de fazê-la passar pela alfândega primeiro, sem ser notada pela inteligência deles, que diga-se de passagem, é bem fraca. Então, eu e seu amigo tivemos a ideia de adotá-la, mudando seu nome em sua nova certidão de nascimento. Mary Elizabeth Rogers. — seu amigo piscou.

— História meio confusa... — ele franziu o cenho depois. — Bem, isso faz de você minha família também.

Marnie colocou os ombros para trás, endireitando a postura. Teimosa do jeito que ela era, seria muito difícil que ela aceitasse, tendo claramente um problema com Bucky. Agora... por quê?

— Talvez. — ela deu de ombros. — Mas eu fui “desadotada”, então eu acho que não conta mais. Assim que me estabeleci nos Estados Unidos, eu troquei de sobrenome, então... isso não faz de você minha mãe, Lyanna. Acho que me livrei de você.

A mais velha deu de ombros, revirando os olhos.

— Ainda me sinto como se fosse. Você ainda parece precisar da supervisão de um adulto. — disse simplesmente, vendo Marnie encará-la com seu melhor olhar de ‘e você é a pessoa mais qualificada para isso?’. — Bem — ela bateu suas palmas —, agora que todo mundo já foi devidamente apresentado, que tal tomarmos um café da manhã civilizadamente?

Então, Han, Bucky e Marnie se sentaram ao seu redor, espalhando as coisas que os morenos trouxeram consigo. Sua filha e seu amigo ficaram separados um de calda lado de seu corpo, enquanto Hanna sentara em seus pés. Eles começaram a comer, tentando conversar, mas havia uma aura estranha ao redor de seus amigos. Não era hostil, mas era estranha. Era como se... ah, era tão complicado de pescar... infelizmente, a Hydra também não fez dela uma empata. Era uma habilidade legal, saber o que as pessoas estavam sentindo... não era?

Dando de ombros, ela apenas comeu, um pouco tranquila por ter sua família por perto, apesar de seu mundo estar desabando por fora da porta daquele refúgio.

— Eu estou feliz de ter vocês aqui. — ela disse, depois de um tempo de mastigação. — Queria poder ficar assim para sempre...

Marnie sorriu, para depois franzir o cenho.

— Mas você sabe que não pode se esconder, não é? Uma hora ou outra você terá que enfrentar o mundo, ou ele virá enfrentá-la. — merda, como ela conseguia ser tão intensa?

Suspirou, finalmente se resignando.

Era chegada a hora de obter algumas respostas, não era?

*

Apesar de estar descalça, era como se seus passos ecoassem pelo corredor acarpetado. Ela ainda não estava disposta a enfrentar o mundo, que segundo a concepção de Marnie, só podia significar um certo loiro que hoje em dia não era mais o Sentinela da Liberdade...

Cara, por que isso soou tão estranho e tão... triste?

A imagem do grande Capitão América sempre esteve atrelada a Rogers, tipo, quase como se ele tivesse nascido para sê-lo. Ele quase morreu num experimento suicida para se tornar o ícone americano, e agora, ele simplesmente havia desistido completamente dele...

Tudo por causa de uma consequência de problemas...

Bufou um pouco alto de mais.

Pare de pensar nele! Pare de ter pena dele!

Ergueu a cabeça e caminhou para cozinha, a fim de pegar uma água, contudo, se arrependeu do fundo de sua alma, quando viu aquela bunda redondinha deliciosamente debruçada para fora da bonita geladeira do apartamento que T'Challa havia lhes disponibilizado. Em outros tempos, ela iria na ponta dos pés até ele e lhe bateria, mas agora...

Merda, merda, merda e merda!

Corre, corre!

— Eu posso ouvir o som do seu coração. — ele disse numa voz rouca pela falta de uso. — Mas eu posso continuar de costas e fingir que não estou ouvindo, se você quiser voltar para o quarto.

Por que ela havia ficado mexida ao ouvir o timbre triste de sua voz? Que merda era aquela?! Ele havia lhe traído, isso não era algo que ela fosse capaz de perdoar! Nunca!

— Sinto muito por você ter desistido do seu escudo. — ela disse finalmente, ignorando a fala anterior dele. — Deve ter sido triste.

Ele soltou um suspiro, fechando a geladeira, mas não a encarando, o que a deixou um pouco magoada, porque ela esperava AO MENOS que ele tivesse a dignidade de encará-la enquanto eles tentavam conversar.

— Não foi tão complicado. Eu precisava proteger Bucky, ele foi uma vítima da maldade das pessoas, assim como você... Tony pode dizer o quanto quiser, eu faria tudo outra vez. — então, ele finalmente a encarou, e aquilo a chocou. Havia olheiras profundas maculando seu belo rosto, seus olhos estavam um pouco inchados e ele parecia ter sido golpeado recentemente por algo em sua garganta, pois sua pele, que normalmente transitava entre o bronzeado suave e o pálido estava com alguns hematomas roxos. Ela não ousou sentir pena dele outra vez, mas no fundo, não podia negar que havia se preocupado. Sua mente era um carrossel tão confuso... — Nós... — ele esfregou a mão direita no rosto. — Nós precisamos conversar.

Ela ergueu o queixo.

— Eu estou ouvindo. — disse simplesmente, travando seu corpo na entrada da cozinha, estrategicamente. Ele a encarou por um tempo, como se não acreditasse que ela havia dito aquilo. Ela arqueou a sobrancelha, revirando os olhos em seguida. — Eu não tenho o tempo todo, Rogers, se você quer tentar se explicar, sua chance é agora.

Ele suspirou.

— Eu não beijei a Sharon.

Ela soltou um suspiro de desdém e soltou uma gargalhada, limpando as lágrimas imaginárias, para depois assumir uma expressão de raiva.

— Isso é tudo? — questionou-o, involuntariamente caminhando até ele. — Eu te dou uma chance para me explicar, por mais que eu tenha visto tudo explicitamente, e é apenas isso que você me dá? “Eu não beijei a outra”, e blá, blá, blá...?! Eu estou te dando uma chance tentar de concertar o que está que está ruim entre nós e isso é tudo?! — ela não teve medo de elevar a voz e acordar seus amigos, na verdade, ela não se importava com uma plateia. Não mais.

— O que você quer que eu faça?! — ele questionou, também falando alto, com seu tom de voz fingidamente ferido.

— Seja homem e assuma que errou! — ela vociferou, fazendo-o tremer de leve.

— Eu não fiz nada! Eu jamais a toquei! Jamais! — ele rebateu, com os olhos arregalados, doloridos, ao ponto de derramar lágrimas. — Eu já lhe disse um milhão de vezes que eu preferiria machucar a mim mesmo, do que machucá-la! Eu provei a você que não havia mais ninguém na minha vida além de você, Anna!

Veja só, ele é um bom aprendiz. A mentira dele é quase convincente.

Sua mão formigante encontrou seu caminho certeiro para a bochecha esquerda do loiro, quase como se ela não tivesse controle dela. Viu o formato perfeito de seus cinco dedos em sua pele alva, para depois vê-la sumir rapidamente graças ao soro, ele teve a dignidade de abaixar a cabeça.

— Eu pensei que eu merecesse mais do que uma simples desculpa esfarrapada. — disse amargamente. — É só isso que você tem para dar? Você jurou me amar!

— Eu nunca menti. — ele sussurrou, literalmente chorando. Então ele segurou o seu pulso. — Eu sou incapaz de mentir para você.

Havia algo no fundo de si, que queria realmente acreditar nele, mas era difícil. Dolorosamente difícil. A Pétala continuava sussurrando coisas como ‘vai acreditar?’, ‘vai ser burra a esse ponto?’, ‘tem certeza de que ele verdadeiramente já te amou?’, então ela não conseguiu ter pena do olhar humilhado dele.

— Me solte. — disse entre dentes.

— Por favor, princesse, não faça isso. — pediu, soluçando. — Não faça isso com nós.

— Eu vou gritar. — ela disse enfurecida.

Ele não a soltou, e ela já não queria mais ouvir nenhuma de suas desculpas, tendo sua mente já feita sobre o tamanho da culpa dele.

Para se livrar de seu aperto, Lynna fincou seus dentes no bíceps esquerdo dele, fazendo-o soltá-la imediatamente, para tocar o lugar, que sangrava. Ela limpou o canto da boca e começou a caminhar para fora da cozinha.

— Seria bem mais bonito se você fosse corajoso o suficiente para assumir o que fez. — ela disse por cima do ombro. — Posso tirar uma dúvida...? — ele encarou-a, levemente esperançoso. — Valeu a pena? Você teve o seu buraco quente para foder depois da merda do gelo... então eu te pergunto... valeu a pena?

Fosse qual fosse a sua resposta, ela não ficou para ouvi-la.

Bateu a porta do quarto e encostou-se nela, fechando os olhos com força.

Foi uma péssima ideia ter saído dali.

*

Mary alcançou o seu corpo, ou coisa parecida. Ele não sentia nada além da tapa que recebeu em sua bochecha esquerda e o ódio cru de sua última afirmação. Esta doía no fundo de sua alma. Ele já não sabia mais o que fazer. Havia perdido sua única alegria no mundo, o centro de seu universo, e não havia como ele não ficar sem chão.

— Vai atrás dela! — Marnie sussurrou para alguém que estava à sua frente, mas ele não viu quem era, porque ele não conseguia parar de encarar o chão, sentindo as lágrimas descerem. Pelo menos havia só ele e a ruiva anã na sala. Seus amigos não precisavam vê-lo chorando como uma criancinha outra vez, por mais que ele não se importasse com isso. Não mais. — Ei, você tem que respirar, Steve.

Seguindo a sugestão suave de sua amiga, ele soltou um suspiro.

— Eu a perdi, não foi, Marnie? Eu a perdi para sempre? — encarou os olhos verdes dela, que mais uma vez, pareciam refletir a sua dor. — E eu não fiz nada. E não tenho como provar isso.

O rosto dela tomou uma expressão determinada.

Ainda. — disse enfaticamente. — Eu vou acionar o meu contato. Temos que explorar todas as provas possíveis. Eu não vou desistir de vocês dois, e você?

Ele soltou-se dela, limpando suas lágrimas.

— Jamais. — respondeu-lhe.

(MARY ELIZABETH)

Notas finais
A trama está se desenrolando, logo a verdade sobre a traição aparecerá... Então, quais são as suas apostas. Até quarta! PS: no momento do agendamento deste capítulo, eu estou literalmente correndo das redes sociais, porque á internet é escura e cheia de spoilers.