The Captain and The Petal.

47 Forty-fifth Chapter. - The fault always falls on someone: the weakest.


Notas iniciais
Ois! Esse capítulo também vai entra para a lista dos que eu chorei muito escrevendo. Não quero me demorar muito nas notas, então... Boa leitura!

A culpa sempre recai sobre alguém: os mais fracos.

Não demorou muito, até que o aeroporto de Leipzig se enchesse de sirenes. Veículos de diversos tamanhos invadiram a pista de voo, avançando para onde ela, Wanda, Hanna, Pietro, Sam, Clint e Scott estavam sentados no concreto, sob os olhares atentos do resto dos Vingadores e pelo Garoto Aranha, que meio que tinha medo dela, por conta dos vários olhares estreitos que ela havia lhe dado.

Ela odiava aranhas.

Thunderbolt Ross saiu de uma das SUVs, com um sorriso arrogante na cara de arrombado que ele tinha. Ele carregava um par de algemas grossas em suas mãos, e ela soube instantaneamente que eram para ela. Claro, ele não iria poupar o showzinho, não é mesmo?

De maneira sincronizada, seu time se levantou. Cada um tinha seu queixo erguido e o resto da dignidade pelo menos estava intacta.

Ross aproximou-se dela primeiro, parando dramaticamente à sua frente.

— Viu a confusão que causou, Angianova? — aquela era uma pergunta retórica. — Onde estão Rogers e Barnes? — aquela era a pergunta que ela mais teria prazer em responder.

— Eles conseguiram fugir. — sua voz saiu no tom mais petulante que ela conseguiu. — Parece que não se pode ter tudo, não é mesmo senhor Secretário? — arqueou a sobrancelha. — Bem, antes de irmos à prisão, eu tenho uma dúvida para tirar...

O homem arqueou a sobrancelha.

— Fique à vontade. — disse-lhe.

Ela sorriu ampla e sarcasticamente.

— Levando em consideração o fato de que, sendo uma deusa, eu não envelheço, e que ficarei presa até que vocês fiquem entediados com a minha presença... quantos anos a mais de pena eu receberei por desacato à autoridade? — perguntou-lhe num tom muito sério.

— Lynna... — Natasha tentou fazê-la parar qualquer ideia que ela tinha em mente.

Ross fez um gesto para a outra ruiva se calar.

— Tudo bem, agente Romanoff. Eu farei questão de respondê-la. — ele aproximou-se ainda mais dela, um movimento bem burro da parte dele, levando em conta a raiva que Lynna estava sentindo do indivíduo agora. — Eu diria que haveria um acúmulo de seis meses a dez anos em seus anos de reclusão.

Ela arqueou a sobrancelha.

— Só isso? — sorriu como uma criança travessa. — Ah, dez anos são como dez dias para alguém como eu. — então, ela deu um soco bem dado na mandíbula do Secretário de Estado, fazendo cada ser naquela pista prender a respiração quando o rosto do homem virou bruscamente para o lado. — Seu cuzão do caralho! — disparou.

— Você está completamente louca, Angianova! — ele disse, limpando o sangue do canto de sua boca.

Ela deu-lhe um sorriso borbulhante.

— Fique feliz por não ter sido o seu pinto. — todo mundo arregalou os olhos. — Eu poderia arrancá-lo com minhas próprias mãos. Acha que eu estou brincando? — perguntou retoricamente, para depois estender as mãos. — Nos vemos no tribunal.

O homem prendeu seus pulsos com certa violência, para depois seus homens começarem a algemar seus amigos.

Seu corpo foi forçado a andar até a aeronave do governo, que havia pousado próxima ao cenário de destruição que eles deixaram para trás.

A ruiva tinha seu corpo implorando por descanso, sua ferida sangrava em abundância, mas ela se manteve firme, como uma vadia fria. Quando estava saindo, ela mostrou o dedo do meio para Tony, que a encarava como se ela tivesse ficado louca.

Tipo, ele esperava que ela fizesse coraçãozinho para as atitudes dele?

Antes que as portas do jato se fechassem, ela viu o modo como Nat a olhou, como ela parecia desolada, mesmo que seu rosto não mostrasse. Lynna sorriu para ela ternamente e deu de ombros, como se dissesse “foi inevitável, e você sabe disso”.

A ruiva mais velha foi colocada entre Sam e Clint, que seguraram suas mãos de maneira apertada, quando ela ameaçou desmaiar na poltrona.

— Ei! — o Falcão chamou a atenção de uma soldado, que encarou-o rapidamente. — Ela está muito debilitada, precisa de um médico urgentemente, senão ela pode morrer!

— Eu sou médica. — Hanna disparou rapidamente, com a respiração acelerada. — Ela foi ferida em batalha, eu posso cuidar dela!

— Eu não posso fazer nada até o Secretário Ross dar seu aval. — a mulher disse rapidamente.

— Se ela morrer... — Wanda começou, estreitando os olhos ameaçadoramente. — Você vai ter que lidar com um exército alienígena batendo na sua porta, ou acha que o pai dela, o rei de Skylar e um dos príncipes herdeiros de Asgard vai ficar feliz em saber o tratamento que sua filha teve quando ele retornar à Terra?

A forma com que a castanha disse aquilo a fez mesmo acreditar que eles mantinham qualquer espécie de contato com seu pai exilado.

A única coisa que Lynna sabia era que ele estava vivo e .

Para atestar a fala de Wan, a ruiva caiu em seus joelhos, começando a vomitar sangue. Sua cabeça girava tanto por causa do esforço que ela fez em batalha, que ela caiu por cima da bagunça que havia feito.

Imediatamente, a soldado libertou Hanna, que correu até ela, imediatamente abrindo o zíper de seu traje, expondo o seu top esportivo preto. Ela retirou as mangas até onde deu puxando tudo para que a ferida com os pontos explodidos fosse também exposta.

Lutando para se manter consciente, Angianova viu sua amiga limpar o ferimento e utilizar o gás que ela produzia para induzir a cura acelerada.

Após isso, sua visão turvou-se e ela apagou.

*

— O que vai acontecer com seus amigos... com Lya... com Hanna? — Bucky perguntou, enquanto eles sobrevoavam uma área com muito verde.

Steve olhou para frente, esforçando-se para não perder o controle. Tudo o que ele se lembrava era do olhar de puro ódio que sua princesse havia lhe dado. Ela o acusou de coisas que ele não fez, que ele jamais faria. Era como se ela tivesse sido substituída por alguém totalmente diferente, ou fora induzida a odiá-lo gratuitamente.

Ela havia acusado-o de ter beijado Sharon, coisa que ele jamais faria. Ele pensava que tivesse deixado claro que não gostava da romanticamente loira. Ele não conseguia entender o motivo da raiva dela.

Quando ele a tocou... ela se afastou dele como se ele tivesse algum tipo de doença contagiosa, e senhor Deus, aquilo doeu, como se alguém tivesse arrancado seu coração a cru e apertado-o com força.

— Não importa o que aconteça. — ele finalmente respondeu seu amigo de infância, cada palavra saiu como se ele estivesse lavando sua boca com ácido. — Nós estamos fazendo isso.

— Eu não sei se sou merecedor de tudo isso, Steve. — o moreno voltou a falar, em autopiedade.

Ele fechou os olhos com força.

— O que você fez durante todos esses anos, não foi você. Você não estava no controle. — disse-lhe. — Você não teve escolha.

— Eu sei. — ele respondeu. — Mas eu fiz tudo aquilo.

Houve um silêncio ensurdecedor na aeronave, até que Bucky voltasse a falar outra vez.

— Então... desde quando? — aquilo o fez corar, apesar do amigo não poder vê-lo, uma vez que ele estava de costas. — Vocês dois...

— Fazem quase quatro anos agora. — ele respondeu, sua voz saiu mais dolorida do que ele queria. — Estávamos bem... até hoje...

O amigo tomou um suspiro.

— Bem, você tem que entender que ela funciona através de sua própria lógica. — disse-lhe num tom amigável. — Se ela está brava com você, é melhor esperar o seu tempo, uma hora ou outra ela acaba cedendo, mas acho que já deu para perceber que ela é bastante...

— Teimosa. — o loiro completou a fala de Barnes, que encarou-o com a sobrancelha arqueada e um sorriso travesso no rosto.

Ah, como ele havia sentido falta daquilo!

— Bem, exatamente igual a alguém que eu conheço... — ele balançou as sobrancelhas, fazendo-o corar. — O par perfeito. — riu-se. — É tão irônico que os dois tenham se dado tão bem. Chega a ser cômico, sabe? Se eu tivesse calculado, jamais poderia ter dado tão certo... — ambos riram. — Ela já atirou em você?

Steve franziu o cenho para Bucky, encarando-o momentaneamente.

— Sim. — murmurou corando mais. Era estranho conversar sobre Anna com seu amigo. Ele a conhecia a mais tempo que ele, sabia quase tudo sobre ela... — Uma vez ela descarregou uma pistola no meu escudo. Natasha disse que ela estava com ciúmes.

Banes riu. Aquilo quase o remeteu aos velhos tempos, onde eles eram simplesmente os garotos do Brooklyn, se metendo em muitas roubadas antes da Segunda Guerra.

— Você tem sorte. — disse-lhe depois de um tempo. — Uma vez ela descarregou uma metralhadora em mim. Eu estaria morto, senão fosse pelo braço... — ele ficou reticente por um tempo, antes de rir baixinho. — Ela tinha apenas dez anos quando me deu isso... — o loiro virou-se para trás para ver a cicatriz que seu amigo estava expondo. Ela era bem feia, tomava uma boa parte do pescoço dele, e parecia ser bem profunda. Ele fez uma careta. — A faca fincou em minha carne devido à cura acelerada. — a careta de Steve se aprofundou. — Uma maldita faca de manteiga!

— Acho que todos têm um ponto em temê-la. — murmurou.

Bucky fez um gesto de descaso.

— Isso é fachada. — ele disse. — Ela faz isso para se proteger, mas a verdade é que jamais conseguiria ferir alguém que ela ama.

— Eu sei disso... — o loiro refletiu, lembrando-se de sua amada. — Isso é o que a torna tão especial.

De repente, seu coração se apertou fortemente. Alguma coisa estava errado com ela.

Ele quase nunca sentia isso. O mais próximo que teve de uma intuição ruim sobre Lynna foi quando ela se jogou na frente do quinjet e teve seu coração paralisado por três minutos na ala cirúrgica do Helicarrier.

O loiro esperava que sua violeta estivesse bem.

Ele iria voltar para buscá-la. Ela e aos outros.

Ele só esperava que ela estivesse viva, e que qualquer coisa que ela tivesse sentindo sobre os dois, que eles pudessem sentar e conversar.

Ele não queria perdê-la.

Então, porque parece que é exatamente o que está acontecendo?

*

Ela voltou a acordar e ainda estavam na aeronave. Seu traje fora rasgado para que não interferisse no ferimento, que fora devidamente coberto. Apenas Scott estava acordado. Eles não conversaram, mas a aura entre os dois era pacífica. Ela teve medo de que o moreno fosse culpá-la por alguma coisa.

Chegaram à prisão subaquática de madrugada.

Em fila indiana, os prisioneiros marcharam pelos corredores frios, cada um com um kit, contendo um uniforme azul-claro, pantufas e meias.

Quando finalmente se vestiram, cada um teve um tratamento especial.

Pietro, Wanda, Hanna e ela, que possuíam habilidades mutantes, ganharam dispositivos que repeliam seus poderes.

O do Mercúrio foi uma tornozeleira prateada. Hanna ganhou uma veste à prova de fogo e um bracelete prateado. Isso a fez tentar bater na mulher que colocava o dispositivo nela, lembrando-se do transtorno que ela havia passado com um dispositivo igual, mas foi logo contida por dois brutamontes. Wanda teve o pior de todos. Nela foi colocada uma camisa de força. Todos eles protestaram. Pietro levou seis choques com intensidades diferentes, por tentar correr para salvar sua gêmea. Lynna chorou copiosamente, tendo seus braços imobilizados pelos soldados e a sua energia estava drenada demais para conseguir intervir.

Por fim, o próprio Ross colocou uma coleira nela.

— Eu disse que as consequências seriam severas, agente Angianova. — ele disse. A ruiva cuspiu na cara dele. Sem dizer uma palavra, ela fora colocada em uma cela. — Seu sangue real conta algo por aqui. — o homem voltou a falar, em tom de escárnio, limpando a sua saliva. — Você terá direito a dois travesseiros a mais que seus amigos, e um cobertor mais quente. Quando eles estiverem passando por dificuldades, quero que se lembre de que foi você quem exigiu isso.

Ela bateu na estrutura da cela com força.

— Foda-se Ross. — rosnou. — Isso te dá prazer, não é? Ver-me trancafiada? Foi tudo o que você sempre quis, só foi preciso uma desculpa. — o homem cerrou os olhos, mas havia sim um brilho de deleite em seu olhar. — Oh, você vai se masturbar muito hoje? — todos prenderam a respiração, mas para ela tanto fazia, ela já estava fodida mesmo, o que custava um copinho de verdade? — Parabéns! Você conseguiu, querido! — sorriu sarcasticamente para ele. — Quer biscoito?

Seus amigos seguraram o riso.

Fechando a cara, ela sentou-se na cama fria, sentindo a atmosfera da cela que seria sua casa por um tempo bastante longo.

Como tudo tomou essa proporção em um curto espaço de tempo, meu Deus?, perguntou-se

*

Quanto tempo havia passado desde que ela fora parar ali?

Lynna não saberia dizer. Ela estava cada vez mais fraca, de uma maneira muito estranha. Segundo o que lembrava, Hanna havia lhe dito que sua ferida infeccionou. Ela tentou o máximo que pôde, mas não conseguiu.

A infecção foi supervisionada por outro médico, que lhe prescreveu uma medicação que seria suficiente para que ela não começasse a definhar até a morte mais cedo do que o esperado. Ela ainda precisava ir à julgamento, não?

As palmas de Clint acordaram-na de seu sono.

Ele dizia algo sobre um visionário, um homem que podia ver o futuro, ou coisa parecida.

Ela não prestou atenção, até que começou a distinguir as vozes que brigavam como uma sendo a de Tony.

— Você parece bem ruim. — ele disse, encarando-a. Lynna continuou deitada, feliz por ter escolhido ficar com os pés voltados para a porta da cela, isso lhe dava uma economia de energia, ajudando-a a encarar qualquer pessoa que aparecesse para visitá-la, o que não se resumia a muita gente. — Eu não deveria estar conversando com você após ter me dado seu dedo do meio, sabia? Mas eu sou um cara legal.

A ruiva gemeu de dor ao tentar se mover.

— O que você quer, Stark? — sua voz saiu rouca.

Ele franziu o cenho.

— Eu vim te ver, não posso?

— Veio ver a minha desgraça? — ela arqueou a sobrancelha, tossindo um pouco antes de vomitar no balde outra vez, comprimindo seu ventre dolorido da infecção.

Limpou a sujeira na toalha descartável, para depois jogá-la no lixo, repetindo o processo de lavar a boca com a água da pia, então finalmente se arrastou de volta à cama dura e gelada.

— Você está grávida? — Stark perguntou, como os olhos arregalados por trás dos óculos da indiferença.

Ela riu com gosto, como não tinha feito em pelo menos umas duas semanas, não é? Sua noção de tempo já havia sido perdida ali.

— Não seja ridículo, Tony. — disse seu apelido de maneira ácida. — Eu fui uma Viúva Negra, isso significa que eu não posso ter filhos. — arqueou a sobrancelha para o choque dele. — Agora me diga: você não veio aqui apenas para tripudiar em cima de nós ou especular sobre possíveis frutos de minha antiga vida amorosa, não foi? O que exatamente você quer?

Ele respirou fundo.

— Você tem exatos trinta segundos, começando agora. — disse olhando em seu relógio. A imagem de um homem morto apareceu flutuando da tela de seu dispositivo. — Eu bloqueei o áudio deles e não vai demorar muito para restaurarem. — ele arrumou seus óculos. — Este era o homem que deveria ter interrogado Barnes. Claramente eu cometi um erro, Lynna. Eu sinto muito.

Ela arqueou a sobrancelha, abrindo um sorriso sarcástico.

— Eu te avisei. — disse-lhe com toda a sua fúria reservada em dias? Horas? Ela não saberia dizer. — Eu disse que aquele homem era um impostor, caralho! — ela levantou-se abruptamente, ignorando a dor filha da puta em seu quadril. — Eu disse que o que ele queria era despertar o Soldado Invernal, mas você não acreditou!

— Eu sei...

— Eu sei? — ela o cortou. — É tudo isso o que você tem a me dizer: eu sei? Meu melhor amigo, um prisioneiro de guerra, foi acusado de algo que ele não cometeu! Meus amigos, seus amigos, estão presos numa prisão destinada a psicopatas, Wanda, uma criança! Está numa camisa de forças, e tudo o que você pode me dizer é um “eu sei” murcho, Anthony Stark?! Tenha culhões homem!— seus olhos deveriam brilhar em fúria. Eles estariam vermelhos, se ela não estivesse com o inibidor. — Tudo isso foi culpa desse seu ego, que não permite que você admita que estava errado!

— EU SEI! — ele gritou. — Eu sei disso. — suavizou a fala. — Eu sei que eu estou errado, ok? Nós não temos tempo. Se quiser ajudar Rogers e Barnes, você precisa me dizer para onde eles foram. Eu sinto muito, Lynna.

— Eu vou dizer. — Sam se pronunciou. — Mas se você está indo lá, é melhor ir sozinho, e como amigo.

— Bem, isso é fácil de providenciar. — o moreno disse voltando-se para Falcão.

*

Merda! Quantos dias se levam para colocar uma base abaixo?

No terceiro dia contado desde que Tony aparecera na Jangada – a prisão de segurança máxima em que ela e seus amigos eram mantidos –, Lynna absurdamente parou de contar o tempo.

Sua infecção piorou. Ela teve outra visita do médico, que lhe disse que devido ao estresse que ela havia passado, seus genes estavam tendo um tempo difícil em curá-la, como normalmente fariam.

Isso lhe trouxe dores de cabeça irritantes, enjoos loucos, tonturas, devido à fraqueza e a perda de sangue, e incontáveis crises de vômito.

Foram feitos pelo menos doze testes nela. A ruiva podia apostar que era algo relacionado a testes de gravidez, porque na cabeça deles, uma mulher não podia vomitar por apenas se sentir mal, que já pensavam que era um bebê, só porque ela costumava permitir que um certo traidor estrelado enfiasse seu pintinho traidor dentro dela.

Ok, ela também pensou nessa possibilidade, mas não havia como.

A Hydra havia lhe esterilizado quando ela tinha cerca de vinte e seis anos. Isso foi devido à relação que ela tinha com o Soldado, que apenas foi crescendo cada vez mais forte. Eles dormiam um na cela do outro, da maneira mais fraternal possível. Eles jamais se tocaram de maneira sexual, mas a Hydra não precisava saber disso. A única coisa que ultrapassou barreiras para ela e Bucky foi o beijo que eles trocaram quando ambos tiveram que fingir serem casados para se infiltrarem numa organização russa que era a rival da Hydra naquela época.

Aquele beijo poderia ser considerado o pior beijo de sua lista, se ela tivesse beijado muitos caras para poder fazer essa comparação sendo justa.

Não, não havia possibilidades viáveis de Lyanna Angianova estar esperando um filho. Seria uma piada muito cruel do destino se ela estivesse.

Que futuro essa criança hipotética teria?

Dois pais criminosos, sua mãe brigada com seu pai, com incontáveis problemas mentais, a Hydra ainda em sua cola, os governos de 117 países também.

Seria um banho de sangue.

Sem falar que ela jamais poderia criá-la. Ela seria enviada para um laboratório e se tornaria o ratinho de testes do governo no momento em que saísse de dentro de si.

A ruiva colocou-se em posição fetal e rezou para que isso não acontecesse. Ela não teria estrutura para tal. Ela não teria condições mentais de parir um bebê, fruto do amor que ela tinha vivido – por mais que tivesse sido ilusório –, para depois perdê-lo.

*

Alguém bateu fortemente nas estruturas de sua cela, acordando-a de seu sono perturbado, fazendo-a pular para fora da cama, quase derrubando o conteúdo nojento do balde prateado ao seu lado.

Lynna olhou para cima e viu um Anthony Stark muito, mas muito perturbado.

— Você é mesmo uma megera cruel, não é, Lyanna Angianova?! — a ruiva franziu o cenho e até mesmo se beliscou, tentando acordar de um possível sonho.

Mas não, aquilo não era um sonho.

— Tony, do que você está falando? — perguntou-lhe, arrastando-se até as grades para vê-lo melhor.

— Você sabia, não é? Todo esse tempo... — ele disparou uma pergunta sem pé nem cabeça. O que ela sabia? — É claro que sabia! Você era a parceira dele! — o homem riu sem humor. — E eu fui burro o suficiente para te dar abrigo na minha casa! Sua megera!

— Ei, Stark. — Sam interveio. — Seja lá o que você tem em mente, pare. Ela já está sofrendo o suficiente para você vir aqui e xingá-la. Tenha um pouco de empatia.

— Empatia? Empatia?! — o moreno questionou sarcasticamente. — Diga-me Wilson, você sabe o que é abrigar uma mentirosa em sua casa durante quase seis anos? Sabe o que é criar uma cobra que estava apenas esperando para dar o bote? Você, Angianova, teve um treinamento brilhante! Todo mundo caiu na sua mentira.

Meu Deus, o que foi que eu fiz agora?

Seu corpo tremeu violentamente, assim como suas pálpebras, atraindo lágrimas para seus olhos doloridos.

— Eu não sei do que você está falando. — sua voz tremeu.

— Ah, não? — ele veio todo sarcástico para ela. — Então deixe-me refrescar sua memória: 16 de dezembro de 1991, isso te faz lembrar de alguma coisa?!

16 de dezembro de 1991...

16 de dezembro de 1991?!

Ela não conseguia lembrar nada sobre essa data. Seu coração se agitou em agonia. Ela não sabia nada sobre esse dia e Tony parecia furioso com ela por algo que sua mente debilitada não conseguia lembrar.

O que ela havia feito de errado naquele dia?

Era algo que ela devia lembrar?

— Eu não sei do que você está falando. — repetiu. — Eu não me lembro desse dia.

O Homem de Ferro bateu com força no vidro da cela, assustando-a, que tremeu ainda mais.

— Mentirosa! Você lembra sim! Deve estar rindo de mim por dentro! Eu fui idiota quando te dei abrigo e assegurei sua segurança. Eu te tratei como alguém da família! Tudo o que você tinha que ter feito era ter me contado!

— Como eu poderia ter te contado alguma coisa que eu não sei?! — ela gritou desesperada, à beira do choro.

— VOCÊ SABE SIM! — ele berrou, chorando. — Ele matou meus pais! O maldito Soldado Invernal matou os meus pais! Você sabia disso! Era por isso que não queria me mandar até lá? Por que eu poderia descobrir que minha amiga me traiu? Megera!

Lynna tremeu e começou a soluçar. O frio da cela intensificou suas dores.

— Tony, para. — Clint veio ao seu socorro. — Ela claramente não tem culpa disso. Veja a situação dela! Vá embora, homem! Você não vai ganhar nada tripudiando em cima da dor dela. Deixe-a em paz, se você ainda tem um pingo de empatia em seu corpo.

O moreno encarou-a com um olhar de desprezo, fazendo-a chorar copiosamente.

Ela estava sendo odiada por algo que sequer teve culpa?

Por quê?

Você destrói tudo o que toca, ainda está surpresa com isso?

Eu acho pouco. Você merece muito mais ódio. Você merece muito mais discórdia.

— Eu não tive culpa. — ela murmurou, escorregando até o chão, sem saber se disse isso para Tony, ou para a Pétala. — Eu não sei de nada, eu juro.

Ele riu secamente.

— Acha que eu acredito nesse seu teatrinho? — disse friamente. — Você pode até convencer Romanoff, que é sua amiguinha, e definitivamente pode derreter o coração velho de Rogers, mas eu sei quem você é. — ele espalmou as mãos no vidro, como se tentasse ficar ainda mais intimidante do que ele já estava. — Você é uma cadela fria e sem coração, que não tem problema nenhum em passar por cima dos outros para se beneficiar...

A porta da cela de Hanna explodiu, lançando estilhaços para tudo quanto era canto.

— JÁ CHEGA! Dê o fora daqui, Stark! — a pequena se aproximou dele, suas mãos se incendiaram, fazendo com que o homem se assustasse. — Você não vai mais dizer nenhuma palavra a ela! Seu idiota inconsequente!Vá embora daqui e não olhe para trás, senão eu sou capaz de queimar a sua bunda de lata! SOME!

Ele ainda deu uma olhadela fria para trás e colocou seus óculos da indiferença.

Lynna estendeu a mão para tentar argumentar, para tentar dizê-lo que ela não havia feito nada, que ela não sabia sobre a morte dos pais dele, mas não havia como. Ele não olhou mais para trás quando passou pela porta.

Quando os guardas invadiram a ala das celas e puxaram Hanna de volta para a dela, a pequena não fez nenhum esforço. Ela não lutou, apenas olhou para si. Ela chorava.

Seu choro estava misturado com muco, ela deveria parecer muito penosa, mas não ligava.

Havia perdido um amigo porque o seu passado lhe condenou.

Seu corpo pendeu para o chão e ela abraçou-se, continuando a chorar, porque não havia nada mais que ela pudesse fazer.

Eu não fiz nada, eu não sabia. Eu não tive culpa. — era o que ela murmurava.

*

O jato wakandano finalmente sobrevoou a Jangada. O coração de Steve, ainda muito apertado, se agitou quando chegou a sua hora de pular. Ele ativou as contas de Kimoyo que a princesa Shuri havia lhe dado, utilizando aquela que lhe dava a funcionalidade de respirar debaixo d’água, algo bem aprimorado pela tecnologia de Wakanda.

Ao seu lado, Natasha assentiu, então eles finalmente começaram a se esgueirar até a entrada.

Alguns soldados desavisados pereceram nas mãos da Viúva Negra. Eles não estavam preocupados com baixas, apenas em salvar seus amigos. Isso foi algo que Nat havia negociado com ele. A vida de seus amigos, ou as deles? Seria assim por agora, por mais que toda essa situação lhe deixasse mal do estômago.

Finalmente eles conseguiram chegar até à sala de comando.

As sete celas tinham movimentos calmos. O que mais lhe preocupou, foi a cela onde Anna estava. Ele mal via a cor de seus cabelos mostrando-se através do grosso cobertor e havia um balde prateado ao lado da cama onde ela estava enroscada.

A ruiva menor o encarou, ele ouviu o coração dela se agitar.

— Precisamos sair daqui o mais rápido que conseguirmos. — ela disse, rapidamente digitando alguns códigos. — Vamos rezar para que Ross não seja contatado. Precisamos manter o perfil baixo.

Seus olhos treinados identificaram um movimento suspeito próximo a porta da sala de comando.

— Há mais guardas. — sussurrou. — É agora ou nunca, Nat.

Ela colocou a máscara do traje.

— Agora ou nunca.

Então eles saíram.

Cada soldado derrubado, era a certeza de que ele estava a um passo de sua princesse. Ele iria tirá-la desse lugar asqueroso, ele iria levá-la para a segurança, e quem sabe ela conversaria com ele e eles poderiam ficar juntos de novo.

Imediatamente Steve abriu a cela de Sam, que pulou em cima dele, agarrando seus braços em urgência.

— Seja o que for que você vai falar, pare! Você apenas tem que tirar ela daqui. — ele apontou para a cela ao lado. — Ela não está nada bem, está fraca. Uma infecção poderosa a tem definhando. Os agentes vieram e tiraram litros de sangue de seu corpo e a cereja no topo do bolo foi Anthony Stark vir aqui culpá-la pela morte dos pais dele! — o loiro ficou chocado. — Por favor, salva a vida dela!

A raiva e a urgência cegaram-no tanto, que ele não saberia dizer como conseguiu abrir aquela cela sem ter que colocar o código que Nat havia decifrado.

Anna era uma pequena bolinha encolhida numa cama reta e fria. A sala cheirava a angústia pura, e aquilo teve seu coração afundando.

— Eu não fiz nada, eu não sabia. Eu não tive culpa. — ouviu-a murmurar. — Eu não fiz nada, eu não sabia, eu não tive culpa...

Oh céus! O que fizeram com a minha Anna?

Ela batia o queixo de frio. Quando ele segurou seu corpo contra o dele, notou como ela ardia em febre. Estava delirando! Os olhinhos dela se abriram, trêmulos para ele. A ruiva deu-lhe um sorriso débil.

Krasivyy. — murmurou alegremente.

Ele beijou sua testa, sorrindo.

— Eu estou aqui, princesse. Você não vai sofrer mais. Estamos juntos agora.

Contudo, ele não poderia estar tão desesperadamente errado...

Notas finais
Então... mais alguém com vontade de dar um bombão na cara do Homem de Ferro? Agora sim! Um beijo na bunda e até segunda! PS: boa ressaca de Endgame!