The Captain and The Petal.

50 Forty-eighth Chapter. - Honesty gives you the right to a second chance.


Notas iniciais
Ois! Depois de uma semana punk, finalmente chegamos à sexta-feira outra vez! Espero que a conversa entre Lynna e Tony não saia confusa, eu tentei o meu melhor. Boa leitura!

A honestidade lhe dá o direito de uma segunda chance.

O quinjet havia estacionado na pista de pouso da fortificação onde eles estavam hospedados às 13hrs da tarde, logo após o almoço. Steve ficou plantado lá, ao lado de Mary, Sam, Wanda e Pietro, enquanto Hanna acompanhava Bucky numa de suas muitas seções no laboratório de Shuri, e Anna estava passeando pela floresta, segundo prescrições médicas.

Tony foi o primeiro a descer, seguido de Rhodes e Natasha. Visão foi o último. Este não havia assumido a sua forma normal. Ele caminhou para o quarteto quase parecendo um humano. Seus cabelos eram loiro-trigo, seus olhos eram meio esverdeados e ele era bem alto, como de costume.

Os dois lados retesaram os músculos e ele segurou sutilmente na mão de Marnie, quando ela começou a sintonizar seus poderes com os sentimentos tensos de todos ali, passando-lhe segurança.

Fury havia chegado ontem à noite e estava alojado no palácio, como convidado de honra do rei T'Challa.

Não que eles também não fossem convidados de honra... mas Fury não era um fugitivo dos governos de 117 países.

— Como esta ela? — foi a primeira coisa que Nat perguntou, sem nem ao menos pensar em algum tipo de cumprimento. Steve entendia isso.

— Está passeando na floresta. A doutora disse que ela precisava limpar a mente. — Mary respondeu em seu lugar. — É bom ver vocês outra vez... Nat, Vis, Rhodey... você não, Anthony, você é um cuzão vacilão. — ela virou as costas para o grupo. — Espero que você não a atormente em sua estadia aqui. Ela já passou por bastante coisa e eu sou capaz de vir para cima de você virada no Jiraya!

Então saiu andando pesadamente até a sala de reuniões, onde o diretor da SHIELD os esperava pra que eles finalmente começassem a deliberar sobre a reunião do time.

Se eles estavam ali, significava que pelo menos eles queriam tentar.

Juntos, caminharam na direção que Mary havia ido, encontrando-a sentada ao lado de Fury, que encaravam alguns vídeos dispostos na tela.

Quando todos estavam acomodados, a garota se levantou, após receber a confirmação de cabeça do diretor.

— Bem... — ela começou, forçadamente atraindo a atenção de todos. — Antes de iniciarmos a conversa que atualiza os termos de reunião dos Vingadores, eu queria atualizá-los sobre um assunto desconfortável para alguns. — suspirou. — O perdão oficial que os governos associados ao Acordo de Sokovia terão que dar a Lyanna Angianova, Hanna Nuri e James Barnes, reconhecendo que os crimes cometidos por eles não foram sua culpa. Que eles foram prisioneiros de guerra e subtraídos de seus respectivos lares. — Tony se remexeu inquietamente e Mary olhou para ele com uma expressão transitando entre a severidade e a culpa. — Você pode não gostar, Stark, mas é preciso reconhecer a verdade: eles foram vítimas de pessoas cruéis. E eles são inocentes de seus atos.

Stark arqueou a sobrancelha.

— Você quer que eu acredite nisso gratuitamente? — questionou-a, fazendo-a encará-lo com raiva.

E olha que para fazer Marnie sentir raiva, é preciso ser algo muito sério.

— Eu vou lhe provar, Stark. Pode sossegar a sua periquita de ferro. — então ela pegou o controle remoto. — Eu possuo total consentimento de ambas as partes para mostrar esses vídeos a vocês. — a pequena começou a informar, estreitando os olhos. — Eles foram encontrados no meio da maçaroca de criptografias dos files que Ultron havia vazado para a internet e foi recuperado pelo esquadrão mais foda da SHIELD. Desculpe pela minha linguagem Steve. — ele revirou os olhos pela provocação e ela continuou. — Antes de mostrá-los, eu quero ter certeza de que todos na sala vão ter estômago para vê-los. São coisas sérias, é pura tortura. E se alguém vomitar no carpete do rei de Wakanda e me fazer pagar mico, eu juro que vou dar um cascudo em vocês, menos em Nat e Wanda, porque elas têm mais bolas que todos vocês juntos. — nenhum dos caras se pronunciou, então a garota suspirou. — Bem, já que todo mudo tem bastante gás, vamos começar... essa é a compilação de vídeos de Hanna. Ela não está nessa sala, assim como nenhum dos dois envolvidos, por conta do teor traumático que eles os trazem. Isso já foi negociado anteriormente.

A garota apertou o play, então um vídeo em preto e branco se iniciou. Ele não possuía áudio, mas dava para perceber que a menina que estava sendo examinada era ela.

Os homens de jaleco branco tocavam seu corpo de maneira ofensiva, mas eles não chegaram a macular seu corpo de maneira sexual. Ela usava um conjunto de shorts e blusa, provavelmente pretos.

De repente, a imagem mudou para ela sendo colocada dentro de uma capsula, que logo foi coberta por algum líquido espesso e claro, então, finalmente, ele pôde ouvir o áudio do vídeo.

Uma espécie de máquina de choque foi ligada, e Hanna soltou um grito agourento.

Ele segurou na cadeira, tentando sobreviver ao resto da compilação de dez minutos, onde havia vídeos da sua pequena amiga sendo puxada de um lado para o outro e sendo manuseada como uma boneca de pano. Ninguém naquela sala ousou dizer absolutamente nada, até que o vídeo terminou.

— Eu nunca pude imaginar que por trás daquela energia toda ela tivesse passado por tudo isso. — lhe surpreendeu ouvir a voz de Tony tão embargada.

— Ninguém imagina. — Mary respondeu-o, de maneira mais suave. Ela suspirou e encarou Steve intensamente. — O próximo vídeo é o de Lynna. É um dos maiores... por favor, não surte.

Ele engoliu em seco, então as imagens de uma garotinha de longos cabelos cacheados apareceu na tela, ela gritava, enquanto agulhas intrusivas sondavam sua pele muito pálida. Havia uma legião de cientistas cercando-a, enquanto ela gritava por um nome que ele conhecia: babushka, que significava avó em russo. Era uma das poucas palavras que ele entendia.

Depois o vídeo mudou, agora ela já era uma mocinha de pelo menos treze anos, seus cabelos ainda pareciam uma nuvem bonita de cachos e ela estava na classe de balé, depois, ela lutava contra homens três vezes maiores que ela, derrubando todos eles com uma maestria assustadora, enquanto uma bancada de jurados observava-a. A garota pousou a mão no chão, encarando as pessoas de maneira dramática.

Contudo, o pior estava por vir.

Cenas dela sendo torturada na mesma cadeira de choque que ele havia visto na base da Hydra na Sibéria tomaram conta da tela. Uma vontade insana de quebrar o pescoço das pessoas que faziam isso com ela se apossou de si. Ela não passava de uma menina, e já tinha seu cérebro sendo fritado por eles.

Ele a viu ser jogada num tanque enorme, viu cientistas injetarem coisas terríveis nela, a viu praticamente quebrar suas mãos esmurrando uma parede de vidro, viu-a quase sendo estuprada por três agentes e também viu sua interação com Bucky.

Ele jurou que tentou segurar o ciúme, mas era impossível, quando seu amigo a segurava daquela maneira e eles sumiam em sua cela...

Respirou fundo, tentando se acalmar, porque ainda havia mais.

Inevitavelmente, a cadeira em que ele estava sentado voou contra a parede, espatifando-se. Ele não literalmente surtou, mas sua expressão devia ser muito ruim, para ter o olhar de todo mundo em cima dele, enquanto o vídeo dela sendo chicoteada por Rumlow apareceu na tela. Seus gritos não eram tão terríveis, quanto a sua expressão facial.

Marnie pausou o vídeo.

Acalme-se. — ela pediu. Ele queria rebatê-la, mas a pequena foi forte o suficiente para jogar seus poderes em cima dele, como um manto. — Por favor.

Ele respirou fundo e ficou quieto.

— Acho que já vimos o bastante. — Natasha murmurou, dolorida, desviando o olhar da tela. — Podemos prosseguir, sim?

O loiro assentiu.

Marnie pigarreou.

— O próximo é Barnes.

E ele achava que ver sua amada sofrer foi difícil.

Seus olhos não pararam de lacrimejar, vendo a tortura aplicada ao seu amigo, ao irmão que lhe acolheu quando ele não passava de um menino raquítico e doente, com um monte de problemas em suas costas e que não sabia fugir de uma briga, ou bater em alguém...

Ele não merecia aquilo. Ele não merecia ter tido sua vida destroçada daquela maneira...

Quando toda a compilação terminou, Tony levantou-se de sua cadeira, encarando-o de maneira estranha.

Steve tomou um suspiro, tomando coragem para falar.

— Howard era amigo de Bucky também, Tony. — o moreno encarou-o, pela primeira vez na vida, sem o seu habitual desdém. — Ele jamais o mataria. A lembrança disto o destroçou, como todos os outros assassinatos que ele foi obrigado a cometer.

Stark balançou a cabeça e Marnie deu-lhe um sorriso encorajador.

— Eu sei disso agora. — sussurrou quase que inaudivelmente. — E eu sinto muito... — soltou um suspirou. — De verdade.

Pela primeira vez desde toda aquela confusão, o loiro sorriu. Um sorriso cansado, mas espontâneo.

A ruiva anã suspirou.

— Bem, Anthony... acho que é chegada a hora de algumas retratações... não é mesmo? — o moreno engoliu em seco. — E eu sinto lhe informar que a sua bunda de ferro não será perdoada. — sorriu-lhe “meigamente”. — Espero que tenha uma boa sorte. E não deixe que Barnes ou Hanna o veja, senão...

Steve suspirou, esfregando as mãos, mais controlado.

— Eu vou com ele. — Marnie gargalhou. — Que foi? Eu estou falando sério.

Ela deu-lhe uma expressão de ‘o primeiro a se ferrar’ e desligou o telão.

— Ok, já que está tudo pronto, vamos voltar ao que viemos aqui para falar. — suspirou. — Mas antes, há algo que precisamos falar sobre a saúde mental de Lynna. Já que você está aqui e você é o melhor engenheiro que nós conhecemos, sem querer aumentar o seu ego... — ela disse para Stark, assentindo para o loiro e para Wanda. — Algo não esta certo e nós precisaremos de toda a ajuda possível para salvá-la, antes que seja tarde demais.

*

— Lynna... eu... eu fui um completo idiota.

Ela tomou um suspiro, arqueando a sobrancelha para o Homem de Ferro, que tinha lágrimas nos olhos.

— Você jura? — questionou-o hostilmente, por mais que seu coração lhe dissesse que era errado pagá-lo na mesma moeda. — Olha, Anthony, eu só queria lhe dizer, antes que você venha aqui me interromper com mais uma onda de seus gritos, que eu jamais soube sobre os seus pais. Eu estava no gelo naquela época.

Ele assentiu.

— Eu sei disso. — murmurou. — Eu estava errado. — sim, caras pessoas, Anthony Stark proferiu mesmo essas palavras. O mundo está se acabando mesmo, restam poucos minutos de vida na Terra. Vamos fugir para Skylar! — Eu sinto muito, de verdade. Eu fui um completo idiota com você, eu não pensei em nada além do meu ego. Deus! As coisas que fizeram com vocês duas... — ele se aproximou dela, e ela não se afastou. — Eu fui um babaca, um tirano, e você tem todo o direito de me odiar, eu sei disso, mas é por isso que eu estou aqui. Eu estou aqui para lhe pedir perdão. — ele literalmente se ajoelhou. — Quando eu a aceitei na Torre, eu não imaginava que estava ganhando um membro importante da minha família. Eu nunca tive uma família. Uma família de verdade. E eu não posso perdê-la, porque você já se tornou parte de mim também. Eu me arrependo tanto...

Cara, ter o dono do maior ego do mundo ajoelhado ao seus pés, dizendo-lhe que havia errado e que se arrependia... era muito surreal!

Ela mesma estava chorando!

Fungou.

— Levante-se, Stark. — ele arregalou os olhos para voz dela e corou. — Você se arrepende mesmo do que fez, ou apenas está assim porque teve pena de mim ao ver a minha desgraça?

— Eu não estou fazendo isso por pena... — ele respondeu, parecendo verdadeiramente ruim. — Eu estou fazendo isso, porque me dei conta da besteira que eu fiz, do erro que eu cometi, porque eu perdi todo mundo, e eu não posso perdê-los, porque... — ele fechou os olhos com força, tentando se controlar. — Porque eu não teria mais ninguém para implicar, e aquele lugar se tornou vazio sem todos vocês...

Sem espera por mais palavras, Lynna o abraçou apertado, fazendo-o imitar o seu gesto.

— Você é o maior babaca da face da terra, Anthony Stark! — ela resmungou, soltando-o.

— Eu sei disso. — ele murmurou, olhando para ela, então ela bateu em sua bochecha esquerda com certa força, fazendo-o esfregá-la. — Ok, eu mereci isso. — então, ela revidou na direita. — Ok, eu mereci essa também.

Ela riu baixinho.

— Foi só para uma não sentir ciúmes da outra. — murmurou, sorrindo de lado, para depois suspirar. — Você é um idiota, Tony, mas você foi honesto comigo, e eu prezo pela honestidade. — sim, aquilo foi uma indireta para o loiro que estava com os braços cruzados e com o quadril encostado no limiar da porta, encarando-os com certa dor. F O D A – S E. — Eu perdoo você.

Ele fora um cuzão com ela, não teve empatia quando ela estava sofrendo, mas pelo olhar daquele ser, ela podia ver que ele também estava sofrendo. Era tudo tão fodido...

Mas se havia uma alma, que verdadeiramente havia se arrependido, por que não lhe dar uma segunda chance, se até mesmo o Senhor dá uma segunda chance àqueles que cometeram pecados considerados terríveis?

No lugar onde ela nasceu, ela pode até ser considerada uma “deusa”, por mais que ela não se sinta assim, mas de uma coisa Lynna sabe: ela não tem o poder de determinar a redenção de ninguém. Ela não tem esse direito.

Stark a abraçou apertado outra vez.

— Mas... — ela soltou-se dele. — Você sabe que eu não sou a pessoa que mais sofreu com isso, não é? — arqueou a sobrancelha, no timing perfeito da aparição de Bucky e Hanna na porta. Rogers segurou o peito de seu amigo, que olhava com raiva para Tony. — Vai lá e conversa com ele. Eu sei que você não é obrigado a perdoá-lo pelo que aconteceu, mas tente entendê-lo... ele jamais cometeria um ato desse se estivesse no controle de sua mente. — Bucky retesou os músculos. — Ele não é um assassino, mas o obrigaram a ser.

O Homem de Ferro encarou o ex-Soldado Invernal, que o encarava com o cenho franzido e o semblante culpado, dolorido, daquela forma que a fazia ficar com o coração apertado.

— Acho que precisamos resolver nossas diferenças, Barnes. — ele disse de maneira enrijecida, mas não havia hostilidade em seu tom. — Eu estou disposto a ouvir o seu lado se você estiver disposto a falar.

Seu amigo assentiu, então virou-se, esperando que o outro o seguisse.

Assim ele o fez.

Eles caminharam até uma sala próxima a eles, uma que era completamente envolta em paredes de vidro, à disposição da observação dos outros, que estavam apreensivos.

*

A conversa entre Tony e Bucky durou vinte minutos inteiros, então, eles apertaram suas mãos. Simplesmente. Não houve um abraço, ou coisa parecida, mas também, quando saíram de lá, a aura deles não era pesada.

Ela não esperava que Stark tivesse perdoado seu amigo. Não, isso não seria coerente. Mas ela esperava que ele entendesse um pouco o lado dele, que ele não teve culpa, porque ele foi obrigado a fazer aquilo, que ele não teve controle de si, que ele era uma marionete nas mãos dos poderosos...

— Ele disse que quer me dar um braço novo... — Bucky disse para ela, deitando-se em seu balanço de palha, que ficava na sua varanda, aconchegando-se nela.

— E você aceitou? — ela perguntou para ele, encarando seus bonitos olhos azuis.

— Não. — ele murmurou, um pouco indefeso. Esse era o seu dom, desarmá-lo. — Eu lhe disse que não queria ser uma arma outra vez.

Ela suspirou.

— Mas você sabe que...

Ele suspirou também, meio que lhe interrompendo.

— Eu não sou burro, Lya. Eu sei que quando uma luta vier, eu precisarei ter dois braços se quiser sobreviver... mas antes, eu só quero permanecer assim... enquanto eu tento tirar as malditas palavras da minha cabeça... — murmurou, para depois sorrir. — Vai ser melhor para todo mundo se eu tiver um braço só... e ainda melhor se...

Ela bufou.

— Você não vai entra no gelo! Eu te proíbo! — exclamou, afastando-se dele alguns centímetros, para poder cruzar seus braços, numa expressão enfezada. — Você não pode me deixar sozinha! Com quem eu vou conversar quando estiver entediada?!

Ele riu baixinho.

— Você atormentou o juízo de Romanoff por uns seis? Acho que uns seis anos... acho que você consegue perturbá-la por mais um ano se fizer um esforço... Ai, sua hostil! — ele gritou, esfregando a costela que ela havia beliscado. — Eu estou falando sério, Lya!

Ela bufou outra vez, como a uma criança mimada que ela sabia que era. E a culpa era inteiramente dele.

— Você não pode me deixar! Você prometeu!

Barnes revirou os olhos.

— Eu sei que sim. — murmurou. — E eu cumpro as minhas promessas. Mas tudo o que estou dizendo, é que seria mais seguro.

— Eu gosto do perigo. — ela balançou as sobrancelhas para ele. — Eu como perigo no café da manhã.

Ele riu.

Vocês dois são iguaizinhos. — ele comentou e ela se permitiu não ficar irritada, apenas um pouco magoada. — Desculpa, eu sei que você não quer mais falar sobre isso, e eu vou respeitar o que você quer.

Ele encarou-a com um olhar estranho, mas não se aprofundou no assunto, então ela deixou para lá.

— Você bateu nele. — ela murmurou depois de um tempo.

— Ele magoou você. — Bucky respondeu, dando de ombros. — Eu disse a ele que o aconteceria, ele tem sorte de ter aquela coisa do lado dele, senão...

Por mais que ela sentisse um orgulho culpado de seu irmão, ela ficou aterrorizada.

— Não! — afastou-se dele outra vez. — Você não pode matá-lo por minha culpa, Buckie! Antes de ser meu amigo, você era amigo dele, seu idiota! Eu não posso permitir que você viva com essa culpa! E tem outra... nós somos adultos, acho que podemos lidar com isso sozinhos.

Ele arqueou a sobrancelha para ela.

— Você ainda gosta dele, não é? — perguntou-lhe, fazendo-a fechar a cara, mas suas bochechas lhe traíram.

— Não. — respondeu irritada.

— Sério? — balançou as sobrancelhas.

— Sim. — ela aprofundou sua careta.

— Oh, você está vermelha! — o filho de uma mãe riu.

Lynna estapeou-o.

— Eu já disse que não! — Barnes fez uma careta irritante para ela, que bufou e desviou o olhar. — É irrelevante agora.

Ele colocou a única mão para apoiar seu queixo em seu joelho, fingindo uma careta irritantemente fofa para ela.

— Awn, vocês... isso é tão fofinho...

— O quê? — ela perguntou rudemente.

— Você com raiva. — respondeu-lhe. — É fofinho quando você não tem uma faca...

Ela arqueou a sobrancelha, sacando um canivete do nada.

— E quem disse que eu não tenho? — perguntou-lhe, acionando a lâmina.

— Bem sádica... — Bucky riu, balançando as sobrancelhas, porque ele sabia que isso a irritava. — Gosto assim.

Revirou os olhos.

— Você não veio aqui apenas para me irritar, não foi, Barnes? — cruzou os braços depois que sumiu com o canivete. — O que você quer?

Ele suspirou.

— Eu não vou com vocês para o Complexo dos Vingadores. — disse de uma vez só, aguardando a sua reação, que foi a mais histérica possível.

— Por que não? Alguma coisa errada com a decisão do Acordo? Está com medo de não ser bem-vindo? Tem alguma dúvida sobre a conversa que teve com Tony? É por minha culpa? Você vai entrar no gelo assim que sairmos? Então eu não vou!

Ele simplesmente revirou os olhos para ela e se encolheu quando a mesma ameaçou bater nele.

— Não, sua maluca! — estreitou os olhos. — Eu só estou dizendo que não vou, mas não é por nenhuma dessas razões! — suspirou. — Eu não estou indo, porque Shuri quer fazer algumas inovações no meu tratamento e eu preciso ficar, para testarmos as possibilidades, mas isso é coisa de algumas semanas. Você vai voltar com Hanna, Natalia e Wanda. A irritante e Stevie vão ficar para acompanhar o processo.

Lynna cruzou os braços, fazendo uma careta insatisfeita.

— Por que ele pode ficar, mas eu não? — arqueou a sobrancelha.

— Por que... — ele estreitou os olhos, para depois sorrir. — Você está com ciúmes de mim, Lyanna?

Ela olhou para ele com raiva.

— Eu tenho meus direitos! — resmungou.

Ele riu.

— É muito bom saber. — disse-lhe, levando uma bordoada na costela outra vez. — Ai, sua hostil!

— Pare de... — ela ia continuar, mas viu o contorno da figura de Rogers e de repente, uma ideia macabra e filha da puta se apossou de sua mente. Ela iria dar o seu troco.

Pelo canto do olho, ela o viu parar na parede de transição que ficava no corredor, e a mesma era toda de vidro temperado.

Num movimento amplo, sem dar tempo para a defesa de Bucky, Lynna pulou em seu colo, como se estivesse “montando-o”, levando em conta que o seu sorriso malicioso foi muito bem visto, então, deu uma lambida da base do pescoço do moreno, até a orelha, fazendo questão de que o loiro visse.

Barnes literalmente jogou-a no chão, indignado.

— Mas que porra foi essa?! — perguntou-lhe muito assustado. Ela arqueou a sobrancelha, feliz que Rogers já havia vazado. A clareza se apossou das faces de Barnes. — Você não fez isso! — praticamente rugiu e ela deu de ombros, levantando-se e limpando a sujeira imaginaria de seu vestido largo e confortável rosa com laranja. — Lyanna, se eu morrer com um frisbee gigante atravessado na minha garganta, eu juro que vou voltar para te buscar pelos cabelos, sua mulher insana!

Ela parou no limiar da porta de seu quarto.

— Abra os ouvidos Einstein. Ele não possui mais o escudo. E eu não me importo. — deu de ombros.

— Ah, mas eu me importo, porque não é o seu pescoço que está em cheque! — rosnou.

— Ah, então ele pode trair, mas eu não posso? — arqueou a sobrancelha, cruzando os braços. — Pare de ser machista, Barnes!

Bucky bufou e passou a mão na cara, frustrado.

— Escuta aqui: você quer da o troco? Ótimo! Mas não faça isso comigo! Procure outro cara, gênia! — ele disse apontando seu dedo indicador para ela. — Porque eu não vou ajudá-la nos seus planinhos sórdidos de dominação mundial!

Então saiu porta fora, deixando-a com um ponto de interrogação na cara, mas com uma intenção no coração.

*

Bucky estava andando pelo corredor, de volta para os seus aposentos, quando dois ganchos lhe ancoram contra a parede. Ele teve que revirar seus olhos dramaticamente para a cara irritada de Stevie, que arqueou a sobrancelha para ele.

— Eu pensei que você estava sondado sobre a Pétala, Barnes, e não colocando a sua mão cheia de dedos sobre ela! — resmungou.

— Cara, vocês dois têm que trabalhar esse negócio de ciúmes, sabia? — ele perguntou ironicamente, arqueando a sobrancelha. — Andou esquecendo da higiene do ouvido, Rogers? Eu já disse mil vezes que eu não sinto nada por ela além de amor fraternal! A maldita viu você caminhando pelo corredor e pulou em cima de mim antes que eu pudesse pensar. E ainda babou na camisa que eu acabei de trocar!

— Ele esta certo, sabia? — a garota irritante disse, fazendo-o soltá-lo. — Mas você sabe que ela vai tentar “dar o troco” com outra pessoa, não sabe? É da natureza dela não dar o braço a torcer...

— Marnie está certa. — Romanoff disse, estendendo seu copo de vodka russa. — Eu conheço a peça. — então piscou.

— Mas não se preocupe, Rogérios, eu vou te dar um help. Eu tenho um plano infalível! — a garota irritante sorriu.

Steve olhou para Bucky, que apenas deu de ombros.

— Eu tenho medo dos seus planos, eles nunca são favoráveis para mim. — ele disse para a garota.

Ela gargalhou maleficamente.

— E você deveria ter mesmo. — piscou e saiu da sala, balançando elegantemente seus quadris, mas não que ele estivesse olhando...

Soltou um suspiro.

— Então... — ele encarou o amigo, que já havia se acalmado de seu surto de ciúmes desnecessário. — Como daremos início ao plano de extração do parasita?

*

Uma semana após ela e Tony, assim como o resto que faltava do time ter se reconciliado, eles já estavam prontos para voltar à sede, uma vez que o Acordo foi anulado, e os 117 países estavam prestes a assinarem o pedido de perdão judicial para ela, Bucky e Hanna.

Agora, ela se despedia de seu irmão, que ficaria em Wakanda para continuar seu tratamento.

Mary foi a segurança dela, de que Barnes não iria entrar no gelo outra vez. Senão ela mesma quebraria a capsula e a cara dele, então seria expulsa de lá e ainda sairia arrastando Barnes pelos cabelos.

Ela o abraçou com força, ficando com lágrimas nos olhos.

Você não vai demorar, vai? — perguntou baixinho com a voz embargada, na língua que apenas eles saberiam responder. Ok, e Nat, e Wanda, e Pietro, e Hanna... mas só ele era o supersolado que entendia russo. — Eu demorei para tê-lo de volta e não irei mais largá-lo!

Ele riu baixinho.

Você não vai me perder, boneca. — sussurrou para que só ela escutasse. — Eu sempre vou voltar para você.

Ela sorriu, limpando as lágrimas que conseguiram descer.

Cuidado, não vá beber, e não me dê sobrinhos. — disse-lhe, enquanto subia a rampa do quinjet.

Barnes revirou os olhos.

Você não é minha mãe. — resmungou.

Ela sorriu.

Deus me livre de ser sua mãe, eu já teria perdido todos os meus cabelinhos laranja da cabeça. — piscou. — Vejo você em um mês.

Ele acenou para ela, que entrou definitivamente no jato e se acomodou numa poltrona confortável. Eles haviam mudado o estofado dessa coisa? Estava fantástico!

Encostou a cabeça na poltrona e fechou os olhos, feliz que tudo tenha se resolvido de maneira amigável.

*

Assim que o quinjet ganhou altitude, Marnie sorriu maliciosamente para Steve, agarrando seu antebraço direito, que era o que estava ao seu alcance.

— Rogers, meu amor... se prepare! — ela saltitou na sua frente. — Pois eu tenho uma ideia que vai te ajudar e muito!

Ele arqueou a sobrancelha.

— E que ideia seria essa?

— Eu vou te fazer ser seduzente. — Marnie respondeu, balançando as sobrancelhas.

— Sedu... o quê? — franziu o cenho, sendo o velhinho desinformado com as gírias modernas que ele sempre era.

A ruiva anã sorriu.

Seduzente, Rogers. Significa sedutor. — disse-lhe, fazendo-o querer revirar os olhos. — Eu tenho uma teoria e preciso testá-la, e você vai ser a minha cobaia!

Ótimo, eu estou ferrado!

Notas finais
Então... será que o plano de Mary vai dar certo? Até domingo!* PS: como eu normalmente programo os capítulos no Nyah! antes de postar no Spirit, eu não pude compartilhar o meu descontentamento (sim, muito dramática). Eu vi Ultimato na segunda-feira e meu Deus, eu estou revoltada com esse filme. Ele foi épico? Foi. Teve alívios cômicos maravilhosos? Teve. Mas eu estou com o coração no chão com o que aconteceu com os personagens que eu amo. Eu queria que as coisas tivessem sido de outro jeito. Maass... já que no universo das Fanfics quem manda é o autor, no meu universo, Ultimato jamais existiu (e na minha mente também). PS2: domingo eu postarei os respectivos capítulos de segunda e quarta, porque eu estarei viajando e não sei se haverá internet e se eu poderei levar o computador para fazer a postagem. Na sexta-feira tudo volta ao normal, espero! Bjs!