The Captain and The Petal.

2 First Chapter. - Shelter.


Notas iniciais
Ois! Obrigada por comentar :))) Boa leitura!

Abrigo.

Ela chiou um pouco antes de revirar os olhos. Apesar do massivo treinamento que tiveram, o modo ridiculamente fácil de como ela havia encontrado-a fez com que Lynna duvidasse das habilidades de espionagem de Natasha Romanoff. Ou talvez isso podia dar-se ao fato de que ela conhecia-a bem o suficiente para poder encontrá-la se quisesse, mas também indicava que se a Pétala fosse enviada para matá-la, a Viúva Negra pereceria facilmente.

Ao deslizar pela janela de emergência, ela sentiu a ruiva mais baixa se deslocar pela sala do apartamento sombrio.

Ela deslizou os files antes que a mesma pudesse engatilhar o revólver.

Eu vim porque preciso de sua ajuda. — Lynna resmungou alto o suficiente para que a outra escutasse.

Quanto tempo faz desde a última vez que nos vimos? — Romanoff arqueou a sobrancelha, seus olhos verdes cintilavam à luz superficial da cidade. — Não terminou de um jeito bom, não foi? Onde está o seu parceiro de lata?

A ruiva mais alta chiou outra vez, fechando os olhos, ignorando a arma apontada para a sua cabeça, ela era totalmente irrelevante para alguém como ela.

Ele me ajudou a escapar. — ela resmungou, permitindo que sua voz ficasse carregada a cada sentença. — Sinto muito pelo que aconteceu. Era isso, ou matá-la de verdade.

Lentamente, Natasha se agachou até ficar na altura da mesa de centro, para depois abrir o documento que possuía a foto da mais alta, que trocava o peso das pernas, enquanto aguardava o julgamento da mais nova.

A Hydra te capturou? — Natasha olhou para cima, vendo Lynna confirmar. — Após a missão no ártico?

Eu sempre estive em posse da Hydra, eles me mandaram para a Sala Vermelha quando eu representei uma ameaça contra o Soldado, eles fizeram isso para me “domesticar”, isso é tudo o que eu me lembro. — suspirou audivelmente. — Preciso de abrigo, Natalia. Eu não lhe procuraria se não soubesse que você pode me ajudar.

A outra mulher suspirou, fechando o documento grosso.

Eu sei de um lugar onde você pode ficar segura. — ela disse por fim, guardando a arma. — Mas não posso prometer que você será aceita.

E onde fica isso? — Lyanna questionou, finalmente tomando a liberdade de sentar-se na poltrona atrás de si.

Nova York. A Torre dos Vingadores.

Lynna arqueou a sobrancelha.

Vi sobre eles na televisão. Eles são heróis, definitivamente não estão à procura de uma assassina sem cérebro.

A outra mulher abriu um sorriso presunçoso.

Não seja tão dura. Eles vão te aceitar sim. Qualquer um merece uma segunda chance e eu estou disposta a te ajudar. Pelos velhos tempos.

Lynna devolveu-lhe um sorriso aliviado.

Pelos velhos tempos. — ecoou.

Agora levante-se. — a Viúva Negra jogou as pernas para fora do sofá. — Você precisa de roupas novas. E precisa urgentemente colocar seu inglês em prática.

*

Apesar de toda a discussão com Natasha, Lynna resolveu que não iria cortar os cabelos. Ela gostava da forma com que eles a envolviam como um cobertor, isso a fazia se sentir mais segura. E sem falar que ela era muito apegada às madeixas para deixá-las ir.

Ela vestia uma das calças apertadas da Viúva Negra, assim como uma regata preta e uma jaqueta de couro acompanhada de um par de botas, que a fazia parecer mais letal do que ela desejava, um contraste gritante com o pijama roxo que ela havia roubado de uma mulher na Rússia antes de fugir para os Estados Unidos.

A Romanoff adentrou um prédio na parte rica da cidade de Nova York, uma torre enorme que ela disse pertencer ao grupo de heróis com quem ela trabalhava.

O sangue da garota gelou, enquanto suas mãos suavam. Ela só precisava de um abrigo para se esconder da Hydra. Não precisava ser algo tão espalhafatoso quanto aquilo.

— Tem certeza? — se comunicar em outra língua que não fosse a sua era um pouco estranho, uma vez que ela só tinha se comunicado com agentes soviéticos durante toda a sua vida. Bucky era uma exceção.

Natasha revirou os olhos.

— Sim, Lyanna. Eu tenho plena certeza do que estou fazendo. — disse monotonamente.

— Eu ficaria satisfeita de ficar escondida no apartamento que invadi, apesar de ele ser tão óbvio. — murmurou, saindo do carro ao mesmo tempo em que a mais nova.

Natasha arqueou a sobrancelha.

— Apesar de eu me sentir ofendida com isso, devo dizer que está certa. O apartamento é muito óbvio, mas não sou eu quem estou me escondendo de uma organização soviética do mal. A Torre é o lugar mais seguro que eu conheço. Não se preocupe, você vai ficar bem. — piscou.

Elas entraram num saguão parcialmente vazio. Uma mulher estava atrás de um balcão revestido em mármore, onde o nome Indústrias Stark estava requintadamente escrito. Ela acenou a cabeça para as duas, que acenaram de volta, antes de adentrarem o elevador.

— Sala de estar. — Natasha disse, então a caixa metálica começou a se mover.

Bom dia, senhorita Romanoff. — uma voz surgiu do nada, assustando-a parcialmente. Era uma voz masculina com um sotaque britânico.

— O que é isso? — Lynna questionou com os olhos arregalados.

Isso é JARVIS, uma inteligência artificial criada por Tony Stark. — a outra ruiva respondeu.

Lynna assentiu, suspirando aliviada.

— A tecnologia ainda me parece coisa de outro mundo. — resmungou.

A mais baixa riu.

— Isso se dá ao fato de que você é quase uma anciã? — arqueou a sobrancelha.

— Você não é tão jovem quanto aparenta, Romanoff. — Lynna retribuiu o veneno. — A Hydra não se importou de atualizar seus Ativos, apenas o estritamente necessário.

A porta se abriu antes que Romanoff pudesse retrucar, dando a visão de cinco pessoas, que estavam parcialmente enfileiradas, como se estivessem à sua espera, o que a deixou ainda mais nervosa do que ela já estava. Lynna podia sentir seus poderes se arrastando freneticamente em sua corrente sanguínea e ela teve que tomar todo o cuidado do mundo para não sufocar todos ali dentro com seu gás.

Das pessoas ali, a única que ela praticamente conhecia – por mais que ela nunca tivesse visto – era Clint Barton, por causa da foto no apartamento de Natasha. Eles tinham uma amizade forte. Ela não calava a boca sobre ele.

— Bom dia, garotos. — Natasha saudou as cinco pessoas espalhadas na sala de estar.

— Bom dia, Romanoff. — o homem mais baixo de cabelos castanho-escuro encaracolados com olhos aguçados respondeu, ele vestia uma camisa temática e tomava uma xícara de café que ela podia sentir a temperatura de onde estava, de tão quente que a bebida deveria ser. — Vejo que trouxe visitas.

O modo com que os olhos do homem lhe inspecionaram lhe deixou alerta, mas não era nada igual ao dos homens com quem ela convivia na Hydra.

— Esta é Lyanna Angianova. — a ruiva mais baixa voltou a falar. — Ela é uma... amiga minha. A garota de quem eu falei. — Lynna podia sentir os olhos de todos em cima dela e isso a fez querer retroceder e se mandar dali. Foi uma péssima ideia vir até a Torre. — Ela precisa de abrigo e a Torre é o lugar mais seguro para ela.

O homem de cabelos castanhos abriu um sorriso espalhafatoso.

— Você é a tal Pétala Amaldiçoada? — ele perguntou.

Lynna arregalou os olhos.

Ferrou, eu serei expulsa agora! Ainda dá tempo de correr, ainda dá tempo!

— Tony! — um homem loiro que estava ao lado de Clint ralhou com o castanho. — Isso não é jeito de tratar as visitas! — ele se levantou, vindo até onde as duas estavam. — Sinto muito, senhorita. Ele às vezes não tem filtro. Sou Steve Rogers. Seja bem-vinda a Torre dos Vingadores.

É claro que ela conhecia ele, o inimigo numero 1 da Hydra, o namoradinho da América.

O loiro de olhos azuis cristalinos estendeu-lhe a mão. Ele parecia o anjo, com seus cabelos dourados caindo suavemente em sua testa e com a luz do sol vinda da janela fazendo uma auréola ao redor de sua cabeça.

Quando suas peles se encontram, ouve um choque, então ela sentiu um puxão em seu umbigo. Era como se algo tivesse sido desbloqueado dentro de si, como se algo tivesse se iluminado. O mundo havia se tornado mais claro do que aparentava por baixo da sua desconfiança traumatizada.

Lynna sentia-se estranha, e esperava que o aperto de mão não tivesse durado muito tempo, ou seria extremamente constrangedor.

— Obrigada, senhor. — murmurou recolhendo a mão.

O castanho, agora parcialmente encoberto pela grande estrutura do loiro, encolheu os ombros.

— Desculpe-me os modos. — ele disse. — Seja bem-vinda, senhorita Angianova.

Ela parou de encarar o loiro, percebendo que não conseguiu tirar os olhos dele apesar de suas mãos já estarem de volta ao lado de seu corpo e se voltou para o dono da Torre com as bochechas pinicando e o pescoço quente.

— Obrigada, senhor Stark. — ela disse, seu sotaque acentuando cada palavra por ela estar extremamente nervosa.

Natasha soltou um suspiro ao seu lado.

— Bem, agora eu vou te apresentar ao resto do pessoal. — ela disse, puxando-a um pouco para longe do loiro, fazendo-a sentir-se estranha outra vez, como se sentisse falta de algo. — Este é Clint, mas você já ouviu falar sobre ele. — Romanoff apontou para o homem de cabelos castanho-dourados das suas antigas fotos, que acenou para ela com um sorriso. — Este é Bruce. — ela indicou um homem de cabelos ainda mais encaracolados de os de Tony, ele vestia um jaleco branco e seus óculos escorregavam pela ponte do nariz. Ele lhe deu um sorriso tímido. — E por fim, este é Thor. — Natasha indicou o outro homem loiro que estava ao lado de Rogers há minutos atrás.

Ele conseguia ser ainda mais forte que o Capitão. Seus longos cabelos estavam meio presos, com algumas tranças finas adornando o penteado. Ela não sabia dizer, mas havia algo sobre ele que não lhe era estranho.

De longe, Thor parecia ser o mais caloroso de todos.

— Lynna ficará conosco por algum tempo. — Natasha voltou a falar. — Agora, se não se importam, eu vou mostrá-la o seu quarto.

Dito isso, a ruiva mais baixa a rebocou para fora da sala de estar, de volta para o elevador, enquanto ela arregalava os olhos.

— Isso foi constrangedor. — Lynna resmungou. — Eu nunca me senti tão envergonhada em toda a minha vida. Isso foi uma péssima ideia.

Romanoff revirou os olhos, mas sorriu.

— Agora já foi. — disse dando de ombros. — O pior já passou.

Bufando, Lynna acompanhou-a pelo corredor quando as portas se abriram novamente. Elas pararam numa porta branca que ficava ao lado de uma enorme janela de vidro, cuja vista dava para a movimentada Nova York.

Natasha foi a primeira a entrar.

O quarto era estéril, a maioria da decoração era neutra, mas isso era bem melhor do que os albergues e esconderijos que Lynna havia enfrentado da Rússia até aqui.

— O quarto não é muita coisa, mas você sempre pode modificar... — Romanoff ia continuar, mas Lynna a interrompeu com um abraço.

Obrigada. — a outra ruiva disse com a voz carregada de alívio e carinho. — Você não tinha obrigação de me ajudar, mas mesmo assim o fez.

O braço de Romanoff se apertou um pouco contra ela, antes que as duas pudessem se soltar.

Bem, é para isso que servem os amigos. — ela disse com um sorriso ladino. — Você cuidou de mim, agora chegou a minha vez de retribuir. — com mais um sorriso, Natasha se esgueirou para a porta. — Curta o seu quarto. Tem roupas novas no armário, se precisar de alguma coisa pode me chamar, é só pedir a JARVIS. — ela já ia em direção ao elevador, quando aparentemente se lembrou de algo. — Ah! O meu quarto fica no início do corredor. E o do Cap fica à sua frente.

Pela forma que Romanoff piscou, Lynna soube que ela havia demorado tempo demais no aperto de mão com o Garoto da América.

Antes que a ruiva insolente se virasse para voltar à sala de estar, Lynna mostrou-lhe o dedo do meio, arrancando uma gargalhada sarcástica da mais nova, que levantou a sobrancelha sugestivamente antes das portas se fecharem.

Angianova cerrou a porta, encostando as costas na madeira enquanto encarava o quarto estéril.

Ela tinha um abrigo, agora precisava colocar suas memórias em linha reta se quisesse salvar a vida de seu parceiro, assim como a outra Pétala que sobreviveu ao experimento.

Então talvez, apenas talvez, ter vindo parar no meio dos Vingadores não tivesse sido uma má ideia.

Para salvar seus amigos, um deles precisava estar fora.

Ela tinha que ser forte o suficiente para conseguir isso, ou o sacrifício de Bucky seria em vão.

Assentindo para o nada, Lynna decidiu que deveria investigar a vida dele antes de mais nada, assim como os possíveis lugares onde a Hydra tivesse escondendo-o, uma vez que ela havia fugido da maior fortaleza deles na cara dura, com certeza eles iriam tratar de relocar seu Ativo para um complexo ainda mais seguro.

Da próxima vez que ela o visse, ele iria ser resgatado, mas para isso ela precisaria de ajuda, coisa que uma garota sozinha não poderia fazer, por mais que ela tivesse poderes assassinos.

Escorregou para a cama macia, abrindo a bolsa que ela carregava consigo, abrindo o fichário incompleto.

Esta seria uma boa maneira de começar.

Notas finais
A conversa entre Natasha e Lynna no começo e no finalzinho do capítulo que está em itálico é em russo, para caso de confusão. Há muitas delas ao longo dos demais capítulos.