The Captain and The Petal.

62 Fifty-ninth Chapter. - Russian Roulette.


Notas iniciais
ATENÇÃO! ESTE CAPÍTULO CONTÉM CENAS INAPROPRIADAS PARA MENORES! De verdade, se você possui gatilho com mutilação e tentativa de suicídio, pule este capítulo! Acho que não posso dizer "boa leitura", né?

Roleta russa.

Alguém invadiu as instalações do Complexo.

O frio sondou as partes mais sombrias de seu corpo quando o batalhão de operações da Hydra arrombou a porta de seu apartamento. Foi preciso quatro homens para tirá-la de cima da cama, com a força dos seus golpes, com a intensidade da sua luta.

Ela não queria voltar para as garras deles, mas não adiantava, era impossível lutar contra maré.

Lynna foi arrastada pelo corredor acarpetado que separava as instalações dos Vingadores das instalações dos convidados. Pelo chão, havia as marcas da destruição que os soldados causaram. Havia muito sangue espalhado.

Seu coração martelava em seu peito, o medo corroia a sua alma e a lavava como um maremoto. Sua cabeça tentava mentalizar o que estava acontecendo, enquanto o seu corpo acordava do sono cansado que ela estava tendo.

Onde estão os outros? Onde estão seus amigos? Eles ainda não chegaram do baile?

Seu corpo foi tomado pelo pânico.

Marnie! Onde está Marnie?!

Sua pergunta foi respondida quando os soldados que a agarravam começaram a descer os níveis, até as salas de interrogação.

Sua amiga estava amordaçada num canto. O rosto dela estava vermelho de tanto chorar e gritar, suas mãos estavam em carne viva, de tanto que ela as puxava do par de algemas prendendo seus pulsos.

— NÃO! — Lynna gritou. — SOLTEM-NA! NÃO FAÇAM MAL A ELA! VOCÊS JÁ TÊM A MIM! NÃO FAÇAM NADA COM ELA!

Mas ninguém lhe ouviu. Os homens apenas carregaram-na pelo corredor abaixo, seguindo para a fileira de salas de interrogação do Complexo, jogando-a dentro da última sala do corredor.

Seu corpo praticamente desnudo com o seu pijama de verão sofreu com o choque térmico.

Levante-se, Pétala. — ouviu a voz dele, do albino. O homem fez a volta na cadeira e puxou-a para cima, fazendo-a engasgar ao ver a cena: Steve amarrado à uma cadeira de ferro, com algemas de vibranium presas ao redor de seus pulsos esgarçados, com cortes espalhados por seu rosto devido ao soquete. Os olhos dele se arregalaram ao vê-la. Ele tentou sair da cadeira, mas era impossível. — Veja, Capitão. Sua namoradinha resolveu se juntar à nossa festinha.

Ele soltou alguns palavrões indignos do seu manto.

— Deixe-a ir. — disse-lhes em tom de súplica, ainda tentando sair da cadeira. — Deixe-a ir. Eu darei tudo o que vocês querem... não a machuquem!

O albino riu.

— Meu caro Capitão... infelizmente, você não possui os meios de me dar o que eu quero. — disse-lhe divertidamente. — Mas ela sim. E você vai me dar o que eu quero, Pétala. — o homem circulou a mesa, capturando o seu rosto com a mão gelada, fazendo-a sentir repulsa. — Agora que eu já extraí o que precisava do seu namoradinho... — voltou a comunicar-se com ela em russo. — Você vai ter o prazer de matá-lo, como você queria alguns meses atrás... ele te traiu, lembra?

Ele não me traiu. — ela rosnou. — É tudo mentira. Tudo mentira.

O homem albino riu com mais vontade.

Você acha que eu ligo, Pétala? — disparou com desprezo. — Você vai atirar no meio da testa dele. Vai matar o seu Capitão. E eu não dou a mínima se ele te traiu ou não. Esse idiota não sairá dessa sala vivo. E se você não fizer isso, o Soldado irá finalizar o serviço para você.

Não!

O coração dela parecia que ia sair pela boca.

Aquela foi a mesma ordem que lhe deram quando ela era mais nova. A de que ela deveria matar Nat, senão o Soldado iria finalizar a sua missão, pois ela não deveria se manter ligada a ninguém no campo. Porque o amor era uma fraqueza.

Não! — ela chorou. — Por favor, senhor. Eu faço qualquer coisa. Eu aceito toda a punição que você tem para mim, mas não mate ele. Não me faça matá-lo.

— Anna... — Steve falou. — Está tudo bem, anjo. Eu estou tranquilo. Atire.

— NÃO! — ela gritou, tentando levantar-se da cadeira, quando a arma de fogo foi colocada em seu colo. — EU NÃO VOU FAZER ISSO!

— Faça uma escolha, Pétala. Ou você, ou o Soldado. O Capitão não sairá dessa sala vivo. — o albino disse-lhe com o rosto muito próximo do dela. — Atire.

— Não!

— Anna...

— Não, eu não vou! — chorou desesperadamente. — Eu não posso matá-lo! Ele não. Eu não posso matá-lo. Eu o amo!

— Atire, meu amor. Só você pode fazer isso. Só você pode acabar com tudo. — ele pediu, chorando também. — Você vai sofrer se não finalizar a missão. Eles vão te machucar muito. Finalize!

— NÃO!

Anna?

O albino assentiu para alguém, então uma mão de metal surgiu em seu ombro, nela estava uma arma de fogo. Seus olhos se arregalaram e ela tentou sair da cadeira e se colocar na trajetória da bala, mas alguém segurava os seus braços violentamente forte.

— NÃO, SOLDADO, NÃO! NÃO FAÇA ISSO! ELE É SEU AMIGO! JAMES, POR FAVOR! — gritou desesperadamente, mas não obteve sucesso.

Uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez.

Dez tiros.

O corpo sem vida de Steve pendeu para frente, sangrando violentamente por seus buracos abertos.

STEVE!

Ela berrou, pulando dos braços de quem a segurava, jogando-se contra o corpo do loiro, que sangrava em suas mãos. A cadeira em que ele estava amarrado caiu para trás, fazendo com que ela caísse praticamente montada em seu corpo mole pós-morte.

Com seus poderes, ela desfez o lacre das algemas, segurando o corpo dele contra o seu peito, abraçando-o enquanto as lágrimas caíam sem nenhum pudor.

Um grito agourento escapuliu de si.

Alguém tentou agarrá-la para longe, mas ela lutou contra essa pessoa. Ela tinha que segurá-lo mais uma vez. Uma última vez.

— NÃO! NÃO! NÃO! VOCÊ NÃO MORREU! VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR! EU ODEIO TODOS VOCÊS! — ela gritou para os homens na sala. — Meu amor, não me deixa! Não, eu não posso continuar sem você. Não vai. Por favor.

Anna!, alguém a chamou no fundo de sua mente, tentando puxá-la para longe do corpo do loiro, que estava sumindo aos poucos.

— NÃO! — ela bateu na pessoa que a levantou do chão. — ME SOLTA! EU NÃO POSSO PERDÊ-LO! ME SOLTA! EU TENHO O DIREITO DE ME DESPEDIR DELE! EU NÃO... ME SOLTA!

Eu estou aqui, anjo!, a pessoa tentou argumentar. Os braços desse indivíduo eram mais fortes do que ela imaginou. Livrar-se deles era uma tarefa difícil.

Lynna se debateu quando o cadáver de Steve sumiu, gritando e espancando a pessoa que lhe segurava, sujando a camisa imaculadamente branca que ela usava com as suas mãos sujas de sangue. O sangue do seu loiro, o sangue do seu amor. O sangue que o maldito Soldado Invernal havia derramado.

Ela soltou um lamento alto.

Shii... eu estou aqui, amor.

Pela primeira vez na ladainha, ela reconheceu a voz que lhe puxava de volta à realidade.

*

Steve chegou esbaforido no Complexo, assim que Bucky e Nat chegaram até ele. A Viúva contou-lhe o que havia dito a Anna e isso o fez disparar para casa, porque ele sabia que ela estaria confusa e provavelmente precisaria de ajuda.

Marnie os recebeu do baile.

Storm fez seu caminho para o seu próprio apartamento, deixando os Vingadores sozinhos na sala de TV.

— Como ela está? — Tony tomou a frente, perguntando a Marnie, enquanto ia para o bar colocar um copo de uísque.

— Confusa. — sua amiga murmurou com a voz rouca. Ela havia chorado. — Eu contei a ela sobre o vídeo, sobre o que a Pétala está fazendo com a sua mente... eu pedi a ela para conversar com você. — disse para o loiro, que travou no meio da sala. — Ela vai refletir sobre isso.

Ele assentiu lentamente, indo para o seu apartamento.

— Alguém precisa ficar de olho nela. — Marnie voltou a falar. — Eu não confio nela sozinha.

Assentindo outra vez, Steve retirou o paletó.

— Eu farei isso. — disse-lhe.

Então, ele pegou o elevador até o andar dos apartamentos, sentando-se ao lado da porta de Anna, para depois encostar a cabeça na parede, respirando fundo.

Com sua audição aprimorada, ele podia ouvi-la chorar, mas sabia que não podia entrar lá se ela não o chamasse, se ela não quisesse verdadeiramente que ele a ajudasse.

Ele pode ter dormido sendo embalado pelo choro dela, pois tudo o que ele se lembra é de saltar quando ela começou a gritar coisas desconexas dentro de seu quarto. Era por volta das duas da madrugada.

— Anna? — tentou chamá-la, para o caso de ter alguém ali dentro, por mais bizarra que essa ideia fosse...

Tudo piorou quando ela gritou o seu nome.

STEVE!

Não, não foi um grito. Aquilo soou como algo de mau agouro. Ele sentiu um gelo subir e descer por sua espinha, então, a porta de Anna se quebrou em duas quando ele adentrou o local sem ao menos pensar duas vezes.

Quando ele entrou no quarto, ela estava no chão, abraçada a um travesseiro e chorando compulsivamente, num estado bizarro de sonambulismo. Ele nunca a tinha visto assim, nesse estado crítico após um pesadelo.

Suas mãos se incendiaram em vermelho, espalhando-se pelo quarto e atingindo-o de leve, mas sem lhe causar danos.

Ele ouviu passos se aproximando. Seus amigos obviamente haviam escutado o barulho da madeira se quebrando e caindo no chão, assim como os gritos de sua princesse, que não parava de chorar.

Algo lhe dizia que o travesseiro que ela segurava era o corpo dele.

Quando ela gritou outra vez, ele abraçou-a fortemente, mas isso foi um erro. Ela começou a se debater, tentando se livrar de seus braços e isso o aterrorizou ainda mais.

— NÃO! NÃO! NÃO! VOCÊ NÃO MORREU! VOCÊ NÃO PODE ME DEIXAR! EU ODEIO TODOS VOCÊS! — ele não sabia com quem ela estava falando. Isso tinha que ser outra dissociação que ela estava tendo. — Meu amor, não me deixa! Não, eu não posso continuar sem você. Não vai. Por favor.

Ele não sabia que estava chorando junto com ela, até que ele chamou-a pelo seu apelido carinhoso.

— Anna. — pediu baixinho, com a voz embargada, alisando seus cabelos pegajosos.

Ele levantou-a do chão, fazendo-a soltar o travesseiro.

— NÃO! — Anna bateu nele, tentando recuperar o travesseiro de volta. Ela parecia parcialmente acordada agora. — ME SOLTA! EU NÃO POSSO PERDÊ-LO! ME SOLTA! EU TENHO O DIREITO DE ME DESPEDIR DELE! EU NÃO... ME SOLTA!

— Eu estou aqui, anjo! — murmurou outra vez, carinhosamente embalando-a no calor de seu corpo. Geralmente, isso a ajudava a acordar.

Devagar, Bucky chegou até eles, puxando o travesseiro do chão, jogando-o em cima da cama em que ele estava sentado com ela, ninando-a como se ela fosse um bebê.

A reação de Anna foi a pior possível.

Ela esmurrou o seu peito com força, chorando compulsivamente, murmurando coisas desconexas contra o tecido de sua camisa.

Delicadamente, Steve segurou seus pulsos, impedindo-a de se machucar.

Ela soltou um lamento alto, e isso quebrou seu coração ainda mais.

Ele odiava o fato de não poder salvá-la das trevas dentro de si. Ele não podia ver a inimiga que massacrava a sua pequenina e isso era terrível. Ele prometeu que iria protegê-la de tudo...

Como ele poderia protegê-la de si mesma?

— Shii... eu estou aqui, amor. — ele murmurou carinhosamente, com a voz embargada. — Eu estou aqui com você, pequena. Foi só um sonho. Acorde...

Lentamente, ela abriu os olhos, demorando alguns segundos para finalmente focá-los em sua figura. O escuro também não ajudava.

Steve?! — ela disse num sussurro, com os olhos embaçados. — É você?

Ele tocou seu rosto, que sumiu um pouco embaixo de sua mão enorme.

— Sou eu, meu amor. Eu estou aqui com você. — murmurou limpando sua cascata de lágrimas, olhando de relance para cima, vendo Bucky, Mary e Nat encostados na soleira, também chorando. — Eu estou aqui, princesse.

Ela apertou-se contra ele, enfiando sua cabeça no vão de seu pescoço, sentindo o seu cheiro enquanto o molhava com suas lágrimas.

— Foi tão real. — murmurou contra sua pele, babando sua camisa. Mas ele não se importava. Apertou-a ainda mais contra si. — Eu vi o seu sangue. Eu o senti escorrer pelos meus dedos... eu... eu ouvi os tiros. Eu senti sua pele...

— Não foi real, princesa. — Steve levantou seu rosto para que ela pudesse olhar para ele. — Eu nunca estive tão vivo. Estou aqui com você.

— Você não pode me deixar! — seus amigos soluçaram, então ela se voltou para eles, endurecendo em seus braços. — SAIA DAQUI! — ela gritou para Bucky, que o arregalou os olhos, engatando sua respiração. Ele não esperava por essa reação dela. — TIREM ELE DAQUI! ELE NÃO VAI MATÁ-LO! EU NÃO VOU DEIXAR! SEU ASSASSINO!

Marnie empurrou um Buck chocado para fora, que se permitiu ser levado pelas mãozinhas da pequena. Nat os seguiu para dar apoio a ele.

— Ei, você não pode falar assim com ele! — murmurou para ela, que soluçou alto.

— Ele o matou! — rebateu.

— Estou vivo, Anna! — ele sacudiu-a suavemente. — Bucky jamais faria isso!

— Você não pode me deixar! Você não pode me deixar aqui sozinha. — ela ignorou o que ele disse, enrolando-se nele com força. — Você prometeu. Você não pode me deixar sozinha. Eu preciso de você.

Ele beijou sua cabeça, levantando-se de sua cama bagunçada indo até o seu apartamento, onde ele podia aconchegá-la melhor, livrá-la da atmosfera do pesadelo. Isso costumava funcionar todas as vezes que ela caía.

Mas nenhuma das outras vezes foi como agora.

Ela jamais havia sido violenta com as pessoas ao redor dela.

Sentou-se em sua poltrona, enrolando-a como um bebê no cobertor que ele sempre deixava ali largado, por mais que ela pudesse estar suando pela luta.

Isso também a ajudava a superar o pesadelo.

*

Steve não está morto, isso foi o que ela tentou dizer à sua mente em conflito. O ataque não foi real.

Mas vai ser, a Pétala disse no fundo de sua mente. Ele vai morrer, e você não vai fazer nada para impedir isso.

Um soluço escapuliu de si, fazendo com que o loiro lhe apertasse mais um pouco, fazendo o seu tremor passar aos poucos.

Lynna ainda podia sentir o sangue quente dele em suas mãos. Ela ainda podia ver a mão de metal de Barnes atirar dez vezes contra ele, matando-o sem nenhum pingo de piedade.

Aquela foi uma visão. O seu Steve vai morrer na frente dela e ela não poderá fazer nada sobre isso.

Apertou-se contra o seu corpo, sentindo o calor que emanava dele.

Ela não queria ver isso. Ela não queria ter essa merda de poderes. Ela não queria isso. Ela não queria não saber distinguir o que era pesadelo e o que era real. Ela não queria perder as pessoas que ela amava, ela não queria estar viva para ver isso.

Porque iria acontecer.

E ela não tinha poder para impedir nada disso.

Chorou contra o peito do loiro, que esfregava as suas costas, acalentando-a.

Por que comigo? Por que o destino tinha que me escolher para possuir algo tão terrível quanto isso? Por quê?!

Durante toda a sua vida, ela jamais pôde ter um pingo de felicidade, que isso era automaticamente tirado dela.

Sua avó, sua liberdade, sua andorinha, sua vontade, seu irmão, seus filhos, seu amor.

Tudo, tudo estava sendo tirado dela.

E ela já estava cansada disso.

Ela já estava farta de sofrer.

— Eu quero tomar banho. — murmurou depois de alguns segundos. Sua voz estava fanha por causa do nariz entupido. — Vai ajudar, não vai?

— Claro. — Steve disse imediatamente, levantando-a em seus braços.

Ele ajudou-a a se despir e preparou uma banheira para ela, com a água bem morna. Colocou-a lá dentro, ajoelhou-se ao seu lado, colocou um pouco de sabonete, então finalmente pegou a esponja.

Quando seus dedos grossos iam se mover para limpá-la, ela o parou.

— Você pode me fazer um favor? — ele levantou os olhos para ela. Ele também esteve chorando. Por causa dela.

— Sim. — murmurou, tentando sorrir para ela.

Oh Senhor. Eu machuquei uma pessoa tão inocente.

Eu sou um monstro!

Eu nunca o mereci.

— Eu gostaria de ter a minha essência de verbena. — murmurou perturbando a água. — Isso me fará acalmar. — olhou para ele outra vez, incerta se sua mentira ia colar ou não. — Eu a levei para o meu banheiro quando... quando tirei minhas coisas daqui. Você nunca gostou dela...

Ele tocou seu rosto.

— Você tem certeza de que pode ficar aqui sozinha por alguns minutos? — perguntou-lhe preocupadamente.

Você não deve se preocupar comigo, querido.

— Sim. — mentiu. — Eu posso.

Ele assentiu e fez menção de se levantar.

Antes que ele fizesse isso, ela o beijou.

Não foi algo profundo, foi apenas um roçar de lábios.

E era tudo isso o que ela precisava antes de partir.

Quando ela viu o loiro passar pela porta do banheiro... quando seus passos pesados não foram mais ouvidos pelo apartamento... ela trancou tudo usando seus poderes, usando o que lhe restava de energia em seu corpo cansado.

Com um estalo de seus dedos, uma lâmina vermelha surgiu em sua mão.

Eu nunca mais vou ferir ninguém. Eles não precisarão sentir medo de mim. Eu não serei mais uma ameaça.

Ela amava todos eles e não queria que ninguém que ela amasse morresse por sua culpa.

Estendeu o braço esquerdo.

O primeiro corte profundo foi porque ela havia culpado o seu irmão por algo que ele não teve controle. Ela o chamou de assassino. Ela quebrou o coraçãozinho frágil dele.

O segundo, foi por não poder salvar Nat da morte. Ela não tinha forças para isso e seria obrigada a velar o seu corpo. E isso era a última coisa que ela queria.

A dor lhe picava, mas ela aceitou. Toda a dor precisava ser sentida, e a Hydra lhe ensinou isso muito bem. Ela já não ligava mais para nada, enquanto marcava o que faltava de seu braço esquerdo, para depois passar para o direito.

Chorando baixinho, ela passou a lâmina no alto de suas coxas, soltando um silvo alto quando sua mão machucada tremeu a linha, descendo mais do que o necessário em sua carne.

Não, toda a dor é necessária. Eu mereço isso.

Quando seu castigo não parecia ter sido suficiente, Lynna estendeu suas mãos tremulas para a barriga, o lugar que jamais poderia crescer uma vida, porque ela é podre. Ela não pode parir nada puro. Porque ela jamais foi pura.

Uma vez terminado seu serviço, ela depositou a lâmina na borda da banheira e afundou na água suja de sangue, para acelerar o processo. Para ela descer imediatamente.

*

O coração de Steve se apertou no momento em que ele saiu de seu apartamento aberto. Ele sabia que não deveria deixá-la sozinha, mas ela parecia tão calma. Ela já tinha chorado o suficiente, e agora precisava de descanso. Então ele faria tudo o que ela lhe pedisse.

Correu no banheiro dela e pegou a essência, esbarrando com Marnie em sua porta. Ela tinha os olhos arregalados.

— Steven! Você não podia tê-la deixado só! — ela disse histericamente.

O loiro ia rebater, quando olhou para a sua porta.

Ele não havia fechado-a quando passou para o apartamento de Anna.

O vidro de essência escorregou de sua mão quando ele sentiu um cheiro forte de sangue vindo de lá.

Imediatamente, ele correu para a porta, derrubando-a em um pedaço perfeito para fora das dobradiças, arrombando a do banheiro também.

Um grito rouco escapou de si quando ele viu a cena.

A água da banheira estava completamente vermelha. Uma lâmina vermelha jazia em sua borda, pingando sangue em seu tapete felpudo extremamente branco. O corpo de Anna estava mergulhado lá dentro.

Ele correu para a banheira, pegando-a no colo.

Encostou sua cabeça em seu peito, ouvindo o batimento fraco dela.

— Ela ainda está viva. — sussurrou para sabe Deus quem.

Marnie jogou um lençol de sua cama em cima do corpo da outra ruiva, preservando sua nudez. Este pano foi imediatamente inundado com o sangue dela, que jorrava das feridas que ela havia feito em si mesma.

Ele devia ter previsto isso.

Correu para a sala, onde seus amigos ainda estavam.

— HANNA! HANNA! — praticamente berrou, atraindo a atenção de todos, que se levantaram num pulo ao vê-lo. — Hanna! Faça alguma coisa! Por favor, salve-a!

Imediatamente, Pietro pegou Han no colo e levou-a para o laboratório, enquanto ele corria atrás dos dois, com seus amigos em seus flancos.

Quando o loiro chegou lá, ele depositou o corpo de sua princesa na maca. Ela estava lentamente perdendo sua cor, conforme o sangue se esvaía de seu corpo delicado.

Eu devia ter estado lá! Eu devia ter estado lá para impedi-la!

Alguém o puxou para fora da sala, então seu corpo foi abraçado contra um lençol quentinho, mas ele não queria sentir conforto. Ele queria quebrar. Ele queria gritar de dor, ele queria bater em si mesmo por ter caído na mentira dela. Ele queria quebrar alguma coisa.

É tudo minha culpa. Eu devia ter estado lá com ela. Ela...

Eu não posso perdê-la.

Isso não está acontecendo de novo!

Seu corpo cedeu a qualquer tipo de forças que haviam desabado em cima dele, fazendo-o desmaiar com tudo no chão frio.

Notas finais
Lembre-se, esta é uma obra de ficção. Nada reproduzido neste capítulo deve ser feito em casa. Se você possui algum tipo de problema, saiba que você não está sozinho! Procure ajuda! Você é forte! Até sexta!