The Captain and The Petal.
63 Sixty-first Chapter. - Liquid courage.
Notas iniciais

Coragem líquida.
Aquilo tinha tudo para ser a maior e mais perigosa ideia que seu amigo já havia lhe dado.
Mas, sinceramente, ela não estava dando a mínima.
Eles atravessaram o corredor para o quarto das meninas, então ela abriu a porta do apartamento de Hanna, onde elas estavam fazendo coisas suspeitas, assustando-as com a sua cara de animação.
— Se arrumem, eu tive uma ideia! — Lynna disse dando pulinhos.
— Ei, fui eu que te dei a ideia! — Tony protestou do corredor, colocando parcialmente a cabeça para dentro do apartamento de Han, dando um bufo fingidamente decepcionado ao encarar a sala minimalista que ela possuía. — Nossa, eu imaginava que você tinha um santuário de Thor aqui, Miss Katana. Você decepcionou o meu coração de fã.
A pequena fechou a cara para ele, então cruzou os braços.
— Que ideia suicida vocês dois têm em mente? — questionou-os, ignorando o que Tony havia insinuado.
Um sorriso se desenrolou de seus lábios.
— Que tal sairmos para a balada? — balançou as sobrancelhas, bufando logo após ver a cara de cú das meninas. — Qual é, gente?! Eu estou presa aqui desde que a minha depressão afundou, tudo o que eu tenho feito é andar de lá para cá, comer como uma porca e dar amor para o meu cachorrinho. Eu preciso ver gente nova, pessoas que não sejam membros de um grupo de heróis chatos e sisudos. Por favorzinho!
— Lyanna... minha querida, razão da minha existência, princesa do trono de porcelana no meu apartamento... você sabe que está tomando remédio controlado, não sabe? — Mary perguntou calmamente, como se estivesse tentando ensinar raiz quadrada a um bebê de dois anos. Pera aí, ela acabou de chamá-la de princesa da privada?! Que quenga!
A mais velha soltou um suspiro alto.
— Sim, DeLavega, eu sei que estou tomando remédio controlado, mas o que é que custa sair da rotina apenas hoje? — questionou-a, suplicantemente. — Seria uma noite só das garotas, naquela boate onde os agentes da SHIELD frequentam, com aquele gatinho que vive te paquerando...
— Você está falando de Declan Holmes? — Nat perguntou-lhe conspiratoriamente. — Aquele com o piercing no septo? — Lynna assentiu veementemente. — Você vai! — a Viúva bateu palminhas.
Mary, a que se considerava a mais “sensata” do grupo olhou para sua amiga como se ela fosse louca.
— Não, vocês só podem estar loucas! Aquele cara é um chernoboy! — resmungou. — E isso tem tudo para ser uma má ideia!
— Qual é? Lynna está certa. — Wanda saiu em sua defesa, fazendo todo mundo encará-la de uma vez só. — Ela realmente precisa sair. E se ela quer, então quem somos nós para impedi-la?
A mais velha sorriu convencidamente para as três conspiradoras.
Revirando os olhos, Marnie assentiu.
— Massa, agora eu vou ter que tomar banho. — resmungou. — Não se esqueçam de mim!
Então ela saiu pela porta da frente, correndo para seu apartamento.
As quatro que ficaram olharam para o intruso ali, que sorria psicopatamente para elas.
— O que você ainda está fazendo aqui, Stark? — Hanna arqueou a sobrancelha. — Vasa!
Ele levantou as mãos em sinal de rendição, então se dirigiu à entrada.
— Divirtam-se meninas, não façam nada que eu não faria! — gritou do corredor. — Ah, e Happy estará disponível para vocês. Não traumatizem ele, pelo amor de Deus!
Elas fizeram um barulho alto de concordância.
Rapidamente, todas as meninas já estavam prontas para a noite, usando vestidos mais justos que as calças que Bucky usava – porque não havia nada mais justo do que aquela bunda de frango assado no treino –, e com maquiagens maravilhosas.
Antes de saírem, Lynna parou Han no meio do caminho, com um sorriso malicioso na cara.
— Antes de irmos... que tal darmos uma passadinha no apartamento das Barbies alienígenas para roubarmos algum armamento pesado para a nossa guerra? — perguntou à pequena, que imitou o seu sorriso.
— Eu gosto dessa sua mente do mal. — ampliou o sorriso.
— Bem, alguém aqui está cansada de ser uma boa garota. — disse para Han, que assentiu conspiratoriamente.
*
O celular de Stevie tocou enquanto ele preparava o quinjet para pousar. Eles estavam voltando de uma das “bases secretas” da SHIELD, onde Nick Fury estava dando-lhes algumas instruções sobre próximas missões que ele tinha para os supersoldados.
— O QUÊ?! — o quase grito histérico de seu amigo lhe assustou. — Marnie, onde vocês estão?!
O coração dele acelerou ao ouvir o nome da garota irritante, porque isso significava que ela estava com Lya, o que significava que o grito que Steve deu foi porque alguma merda aconteceu.
Algo gelado desceu pela sua espinha.
Será que ela se matou?
Ele rapidamente pousou a aeronave no pátio, levantando-se da poltrona na velocidade da luz.
— O que está acontecendo, cara? — perguntou ao amigo que tinha os olhos arregalados.
— Marnie disse que elas estavam numa boate aqui perto. — o alívio percorreu pelo seu corpo. Ela estava viva, afinal. — Ela disse que Hanna, Nat, Wanda e Anna estão bêbadas. — ai merda. Ele nunca quis rir tanto, porque Lya bêbada era a coisa mais engraçada, mas ele estava com medo de levar um cascudo de seu amigo miseravelmente dramático, que já estava cagando tijolos com a notícia. — Ela disse que Stark foi quem deu a ideia.
Ok, agora sua diversão passou.
Os dois supersoldados caminharam pela entrada do Complexo, onde Stark os esperava empoleirado no balcão da cozinha, com um copo de uísque na mão.
— Você ficou louco, Tony?! — Stevie voltou a falar, num tom duro. — Você sabe que ela está em um tratamento sério, então a incentiva a beber?!
Ele sequer se abalou.
— Ela estava afundando, Steve. Eu simplesmente não aguentei vê-la assim. — defendeu-se. — Acredite em mim, vai fazer bem a ela.
O loiro levantou o dedo para argumentar com o amigo, mas o toque insistente de seu telefone o interrompeu. Era uma música brasileira esquisita que DeLavega havia colocado no celular de seu amigo para ser o toque específico dela.
Era uma mulher que ela havia chamado de Pabllo Vittar, que falava algo sobre ser vadia, ou alguma coisa do gênero. Aquela garota não batia bem.
— Rogers, eu seu que você e Stark estão trocando testosterona desnecessária, mas me escuta: Han está quase arrancando o que resta dos cabelos de Lya. Elas estão brigando por porra nenhuma, e Natasha está num estado meio lésbico com Wanda, então vem cá, porque eu e Happy não damos conta sozinhos! — a voz de DeLavega encheu a sala após Stevie colocá-la no autofalante. — E pelo amor da bad Gal Riri, não surta! Não tem nada de errado, eu só quero ir para casa antes que essas quatro me matem de vergonha. E eu sou muito nova para morrer de vergonha dessas loucas!
Então ela desligou.
— Sam, Bucky, Pietro, vamos pegar a minivan. — o loiro disse rapidamente, colocando o aparelho no bolso da calça jeans. — E quanto a você, Tony... — ele apontou o dedo para o moreno de olhos castanhos. — ...nós teremos uma conversa muito longa sobre isso.
Tudo o que Stark fez foi revirar os olhos, então eles saíram para a garagem, onde a minivan preta os esperava.
DeLavega foi a primeira coisa que eles viram ao chegar à porta de entrada do local. Ela usava um vestido azul-royal que parava no meio de suas coxas, com um decote exagerado, acompanhado de um par de sapatos roxos, que poderia deixar seu visual estranho, mas que casava bem com ela, que era estranha igual.
Mas ele não era nenhum especialista, e também não queria passar mais tempo – admirando – encarando ela.
— Finalmente! — a garota disse ao vê-los. — Pensei que eu tivesse que ir buscá-los!
— A coisa é tão ruim assim? — Bucky finalmente se pronunciou, franzindo o cenho para a senhorita relativamente menor que ele.
— Veja por si só.
Sem nenhum preâmbulo, DeLavega o carregou pela mão. Ele meio que tentou não colapsar com isso.
O que eles encontraram dentro daquele ambiente escuro e barulhento foi algo de aterrorizar criancinhas à noite.
Havia um aglomerado de pessoas ao redor de duas mulheres que dançavam num poste. E para acabar de arrebentar com o seu psicológico, as duas eram ruivas, e as duas eram as espiãs mais famosas do mundo.
— Você só pode estar de brincadeira. — gemeu alto, ao ver Lya descer a mão esquerda pela perna de Romanoff num movimento exagerado.
— Elas estão me envergonhando por horas! E ainda tem Maximoff e Nuri, que continuam incentivando-as, colocando dólares em seus sapatos! — DeLavega resmungou de volta, num tom manhoso, que não deveria ter mexido com ele, mas... a vida é uma coisa estranha...
Barnes respirou fundo e se afastou dos dois, disposto a colocar um fim a esse show de bizarrice, porque ele sabia que o idiota loiro estava aproveitando aquilo, a contar pelo tamanho de seus olhos, aproximou-se do aglomerado sacudindo os ombros para abrir a passagem.
Quando Hanna o avistou, o sorriso safado dela sumiu, tomando uma carranca de raiva.
— Estraga prazeres! — ela resmungou em coreano, se encolhendo em uma bolinha.
Era estranho se ele dissesse que dava vontade de morder as bochechas dessa criatura assassina?
Sim, era. Ela provavelmente bateria a merda fora dele por causa disso.
Ele separou Wanda dos pés de Natasha, segurando a mão da Viúva no ar quando ela ia aproximá-la do corpo de sua irmãzinha. Ela arregalou os olhos e bufou, mas aceitou de bom-grado quando ele colocou-a por cima do seu ombro de carne.
A história não foi tão bonita com Lyanna.
Mas ele não estava esperando que ela fosse um doce.
A filha da mãe arranhou suas costas, na tentativa de se soltar dele.
Bucky olhou para as meninas no chão com um olhar severo.
— Para casa, agora! — disse-lhes de maneira autoritária.
— Eu não gosto dele! — Han cruzou os braços, fazendo bico ao lado de Wanda, que sorria até para o vento, puxando os cabelos das garotas em seus braços. — Você arruinou minha vida, Barnes!
Ele revirou os olhos.
— Tá, sei, agora andem. E na minha frente! — irritada, Hanna arrastou Maximoff pelo corredor que as pessoas abriram até Stevie e DeLavega, que auxiliaram-nas a sair do local.
— TCHAU GALERA! — Lya gritou, agitando-se em seu ombro de metal. O pessoal da boate, já bastante bêbados, gritaram de volta. — FOI ÓTIMO FAZER ESSE SHOW PARA VOCÊS!
Natalia riu dela.
— CALA A BOCA, EU FUI A MELHOR! — gritou, fazendo todos gritarem.
Lya resmungou alguma coisa numa língua que ele não entendia, então parou de se remexer.
Ou foi isso o que ele achou, porque não deu cinco segundos e ela já estava lhe cutucando.
As mãozinhas dela desceram pelas suas costas, então seu tiro foi certeiro.
— AI LYANNA, LARGA A MINHA BUNDA! — ele gritou, assustando DeLavega e o motorista de Stark, que os acompanhava, mortificado.
Bem, ele não podia culpá-lo. Essas meninas faziam vergonha até a mais depravada das pessoas.
— Não dá! — ela rebateu, ainda lhe apalpando. — Eu gosto de bundas. — disse-lhe como se falasse do tempo. — E a sua bunda é muito gostosa de amassar. — ele podia jurar que corou ao ouvir isso. — DeLavega é burra de não apertar ela logo.
— Me inclua fora dessa, sua coisa. — a garota resmungou de trás dele.
— Ah, vai me dizer que você não quer? — uma Natasha Romanoff muito, mas muito bêbada perguntou. — Até eu gostaria.
Agora deu.
Ele colocou as duas ruivas no chão de uma vez só, quase se arrependendo ao vê-las cambalearem em seus saltos.
— Nenhuma das três vão pegar na minha bunda! — ele rosnou, apontando o dedo para as amigas.
Mas é aquela coisa... para quê tentar argumentar com bêbados?
Lya deu-lhe um sorriso filho da puta, então o apalpou de novo.
— Eu peguei. — balançou as sobrancelhas. — Vai me bater, Buck?
Ele fechou a cara para ela.
— Eu deveria. — resmungou.
— Mas não vai. — a filha de uma mãe rebateu, caminhando na direção errada da minivan. Ele a guiou para o lado certo, fazendo-a acompanhar Maximoff e Nuri, que estavam “menos pior” que as mais velhas. — E não se preocupe, eu gosto de bundas, mas eu não gosto da sua. — ela olhou para trás com um sorriso amplo e sonhador em seus lábios vermelhos, que apesar de ter bebido tanto, ainda continuavam impecáveis. — Eu prefiro a do seu amigo. — Bucky teve que ter muito autocontrole para não soltar uma gargalhada alta ao ouvir isso. Ele provavelmente apanharia, então era melhor ficar quietinho. — Mas shii, não conta isso para ele. Eu quero manter minha dignidade intacta.
Então saiu cambaleando.
— Deu errado para ti, flor. — DeLavega provocou em sua língua materna.
Ele fingiu olhar para ela confusamente, como sempre fingia quando ela o xingava em português.
Seria engraçado ver a sua reação ao descobrir que ele entendia tudo o que ela vivia falando dele pelos cantos, mas isso era para outro dia.
— Sabe, ela é tão redondinha, né? É muito boa de apertar. A pele macia... — sua amiga voltou a falar, quando ele achava que ela já tinha esquecido o assunto. Parece que a idiota não percebeu que ele estava li, escondido atrás de uma anã de jardim. — Já viram ela no traje furtivo? Aquela merda é o meu favorito! Toda vez que ele passa da vontade dar um tapa gostoso naqueles globos da perdição. — ele e DeLavega olharam para seu amigo, que estava mais vermelho que os cabelos da mulher meio cega à sua frente, quando ela fez o gesto de dar um tapa no traseiro dele. — Sabe... aquela bunda deveria ser tombada pelo Patrimônio Histórico! É injusto! Eu só quero pegar naquela carne macia... sabiam que eu já mordi? É simplesmente tão tenra... e ela é toda minha!
— Pensei que fosse do meu amigo. — Bucky provocou.
Lya virou rapidamente para trás, arriscando ver Stevie ao seu lado, mas como a bebida lhe cegara, ela só riu debilmente.
— É dele, mas é minha. Toda minha. — os únicos lúcidos olharam provocativamente para o loiro, que se possível, corou ainda mais. — Porque eu marquei. E ninguém mais pode ter.
Então voltou a andar, chegando ao lado de Natasha na minivan.
Hanna ampliou o seu bico.
— Eu não quero voltar! — disse como uma menina mimada.
— Mas vai! — DeLavega disse como uma mãe severa.
Os olhos de Han brilharam em violência.
— Foi ela! — disse para as outras três. — Foi essa biscate que nos dedurou! Eu vou bater na cara dela!
Rapidamente, Buck ficou entre elas, impedindo DeLavega de levar uns tapas de uma Hanna bêbada. Ele nunca a tinha visto assim, então ele não saberia o quão violenta ela poderia ser.
— Me solta Barnes! — a pequena gritou. — Ela vai apanhar.
— E você vai me bater como, com os seus gravetos de galinha? — a outra provocou, fazendo-o encará-la com um olhar de ‘você não tá ajudando’, fazendo-a cruzar os braços, o que não foi uma boa ideia, porque aquilo acentuou o seu decote e...
Ainda bem que ela não consegue me ler.
Hanna tentou batê-la através dele, mas claramente não conseguiu. Porque seus bracinhos eram curtos demais.
— Já chega! — por que ele era o único que estava sendo o pai daquelas quatro? Cadê Steven e sua severidade de Capitão América agora?! Tudo isso foi por água abaixo por causa de três elogios? — Você vai entrar agora!
— Eu não vou no mesmo carro que essa biscate! — Nuri esperneou.
Merda, que pessoa mimada!
E aquilo era meio que culpa dele.
Ele as mimou enquanto estavam na Hydra, e agora estava lidando com as consequências.
— Eu a levo, Sargento Barnes. — ele ouviu Stevie guinchar ao perceber que Happy tinha ouvido tudo o que sua amiga havia dito.
Bucky, sendo o paizão da turma assentiu.
— Certo. — disse. — DeLavega, Romanoff, Maximoff e Angianova, entrem nessa minivan. Agora!
As quatro que sobraram suspiraram alto.
— Eu vou com Hanna! — Wanda protestou ao ver Pietro colocar a cabeça para fora do carro, uma vez que ele e o Passarinho eram inseparáveis.
E com isso, a configuração da minivan ficou em: Natasha, DeLavega e Stevie no banco de trás, Lya e ele no banco da frente – que ficava atrás do banco do motorista, para os leigos.
Uma vez que Romanoff se sentou, ela apoiou a cabeça no vidro e ficou vegetando lá, com os olhos focados no couro do carro, refletindo sobre sabe-se Deus o quê.
Quando todos estavam prontos para ir, e a conversa de Lya elogiando Stevie já estava praticamente “esquecida”, ela se volta para ele com um sorriso malicioso.
— Você sabia que ele é grande? — Bucky e DeLavega prenderam a respiração, arregalando os olhos ao ouvir o muxoxo que o loiro deu. A ruiva ao seu lado, que ainda não havia prestado atenção que ele estava ali, soltou uma risadinha, encolhendo-se encostada ao vidro do carro. — Ele é maior que você.
Wilson arregalou os olhos, olhando para eles através do espelho.
— Ela não está falando sobre o que eu acho que ela está falando, está? — perguntou-lhes, fazendo a ruiva atrás dele soltar uma gargalhada sem dó nenhum.
— Sim. — ela disse abafada pelo riso.
Lya levantou os olhos para ela, que provavelmente escondia a cabeça de Stevie em seu colo. Até mesmo Romanoff, que estava em outro mundo, riu baixinho.
— Para de rir de mim! Você viu! — resmungou.
Wilson freou um pouco ao ouvir isso.
— Você viu, Marnie? — questionou-a.
— Bem, alguém precisava cuidar do moribundo! — ela rebateu. — Agora, sua pervertida, pare de falar de quem não está aqui para se defender!
Sua irmãzinha cruzou os braços e fez bico.
— Mas eu quero falar dele! — resmungou. — Ele é tão lindo, sabia? E quando vem, porra! É uma pintura! Eu gosto de ouvir os gemidos dele.
— Eu acho que nós não precisávamos saber desses detalhes! — Bucky protestou, tentando ajudar o moribundo atrás dele, que estava choramingando de vergonha.
A outra deu de ombros.
— E ele fala palavrão. — disse casualmente, arrancando severas gargalhadas de seus amigos, exceto Romanoff, que estava “alombrando”, como DeLavega sempre citava. Se ele não se enganava, isso falava algo sobre estar chapado. — Muitos. Tudo culpa minha.
Ele não ia aguentar de tanto rir depois que essa merda passasse.
— Bem, disso agente sabe. — rebateu-lhe.
Lya deu de ombros e afundou na poltrona.
— Eu sinto falta dele, sabe? — murmurou, quase que melancolicamente. — Eu já estou cansada de usar aquela merda que Romanoff me deu! É difícil ficar sozinha! E agora eu nem tenho mais privacidade para fazer as coisas que eu quero! — porra, ele só queria sair do carro para rir, porque senão ele iria explodir. — Eu só queria poder beliscar seus mamilos sensíveis mais uma vezinha...
Bucky fechou os olhos com força, pedindo para não apanhar.
Já Wilson e o outro Maximoff... bem, eles não se importavam com isso.
— A é? — DeLavega rebateu. — Então por que a senhora ainda não fez isso? Ta esperando o quê, um convite formal?
Ela encarou-a.
— Eu não posso! — murmurou em seu tom de bêbada. Era meio difícil de entender o inglês dela quando ela estava nesse estado de embriaguez, porque o sotaque dela se acentuava ainda mais. — Porque eu fui terrível com ele. Eu machuquei o coraçãozinho do meu príncipe. Ele jamais vai me perdoar por isso. — fungou. — Mas eu ainda posso me aproveitar do corpo dele, né? Isso é ser cruel?
Pra cacete, ele quis dizer, mas a risadinha de seu amigo lhe fez cerrar os olhos.
Hm... o filho da mãe estava gostando de ser elogiado...
— Bem, eu acho que não. — ela se respondeu dando de ombros e sorrindo, uma vez que todo mundo estava praticamente se segurando para não rir. — Então eu vou fazer isso, quando ninguém tiver olhando.
Ai meu Deus, me dá paciência com essa louca.
— Não, você não vai. — ele disse monotonamente, fazendo-a encará-lo com uma carranca. — Porque antes, você tem que lhe pedir desculpas. Vocês têm que conversar seriamente sobre isso. Nem tudo é resolvido automaticamente na cama.
Ela fez bico.
— Não. — disse manhosamente, cruzando os braços.
— Sim. — ele rebateu, encarando-a seriamente.
— Não! — ela ampliou o seu bico, achando que isso iria dobrá-lo.
— Sim, e não se fala mais nisso! — ele resmungou alto, fazendo-a aumentar a carranca. — Agora fique quietinha e pare de falar!
Ele conseguiu o silêncio maravilhoso na van, até que sua irmãzinha meio insana começasse a rir sozinha, então olhou para ele.
— Sabia que eu escondi a figura nova de papelão dos Vingadores no meu armário? — perguntou-lhe descaradamente, fazendo-o arregalar os olhos. — Antes eu usava ela para jogar dardos na cara do seu amigo, mas agora, eu uso para admirá-lo. — tem doido para tudo nesse mundo. — Eu amo versões em tamanho real, sabia? Elas mostram tudo. E eu gosto de ver as coxas dele naquele traje. Já imaginou se ele usa o traje furtivo com aqueles pedaços injustos de carne? C A R A L H O! Eu acho que preciso de ar. — então abriu a janelinha, ignorando o ar-condicionado. — É tudo como Sam diz: as coxas são o caminho para o céu.
Wilson engasgou no volante.
— Eu acho que te disse para ficar caladinha. — Bucky resmungou com sua amiga, tentando preservar a dignidade dos dois, mas parece que alguém não queria ajudar.
— Qual é, Barnes?! — Lya resmungou. — Eu já não posso ter nenhum contato com o meu krasivyy, aí agora eu não posso mais dizer o que eu quero fazer com ele? Vocês são tão caretas, sabiam? — afundou-se ainda mais na poltrona, então Bucky começou a se perguntar se Wilson não estava tomando um caminho mais longo de propósito. — Pois eu vou falar! — quando ela voltasse à lucidez ela iria ficar com tanta vergonha. Ele iria fazer questão disso.
Ele estava feliz que ela cortou a besteira e voltou a falar com ele. Isso estava o matando.
Eventualmente, eles tiveram uma conversa sobre o pesadelo que ela teve.
Naquele dia, quando ela o chamou de assassino, se não fosse pelo ser atrás dele, ele teria acreditado nisso, mas DeLavega lhe contou o que viu, ela lhe contou o quanto as emoções de tudo fragmentaram os sentidos de Lya e ela não conseguiu distinguir a realidade da ficção.
Ele a entendeu, por que ele sabia que ela não suportaria perder ninguém, ainda mais para o Soldado, como no dia em que o Comandante lhe mandou matar Romanoff e ela atirou no ombro da Viúva para não ter que matá-la verdadeiramente. Ela preferiu quebrar o coração da mais nova, do que matá-la.
Foi também naquele dia que ele descobriu o encantamento que ele sentia pela “filha” de sua amiga, algo que estava além dos poderes dela, algo que ele não sabia dizer ao certo... algo que ele sentia como se estivesse encontrando alguma coisa nela...
Sua mente voltou à realidade quando a vozinha de sua irmã soou em seus ouvidos.
— Eu queria cavalgar aquelas coxas. — mas que merda?! Será que essa peste não vai calar a porra da boca?! — Como elas podem ser tão grossas, cara? Isso desestabiliza uma garota! — resmungou. — A vida é totalmente injusta! Se não fosse a desgraçada da Pétala eu estaria agora mesmo...
— Ok, eu realmente não preciso saber dos detalhes, Lyanna! — Buck praticamente gritou, desesperado. — Eu não quero vomitar!
— E por que você vomitaria? — ela resmungou. — Não há nada de errado com coito/fornicação/fondue/reprodução humana/carne batendo na carne, Buck. Na verdade, isso é algo que você deveria estar fazendo, ao invés de meter o bedelho onde não foi chamado. Por isso você é tão irritantemente mal-humorado. Você não sabe o que é bom!
DeLavega rachou o bico atrás dele, fazendo a cabeça de sua irmãzinha ricochetear para ela.
— Você acha isso engraçado, Marnie? — perguntou-lhe, aborrecida. — Pensei que você fosse me apoiar!
A outra ruiva arregalou os olhos.
— Não, foi só Wilson que passou por cima de uma pedra e minha bunda doeu com o solavanco. — cara, ela era boa com mentiras.
— Ah... — Lya assentiu. — Você tem uma bunda bonita, né Buck? Ela não tem uma bunda bonita e redondinha? — Senhor, por que comigo? Ele ia responder, mas o Complexo finalmente apareceu em seu campo de visão, fazendo-o soltar um suspiro aliviado, virando-se avidamente para a porta da van. — Não fuja de mim, Barnes! Eu sei que você gosta da Marnie e que ela gosta de você de volta. Vocês dois são dois idiotas que combinam juntos! E que precisam fazer fondue URGENTEMENTE!
— Você só pode ter ficado louca. — ele respondeu rápido demais, abrindo a porta da minivan ao chegarem à garagem.
Ela pulou em cima dele, estapeando-o de maneira pouco efetiva.
— Não me chama de louca! — disse, arrastado.
DeLavega passou correndo com Stevie em seu encalço, no momento em que Bucky tentava se separar de Lya, que estava tão distraída estapeando-o, que não prestou atenção ao fato do loiro estar ali.
O coração dele afundou um pouco ao ver olhar de indiferença vindo da anã.
Viu? Ele estava melhor negando esse encantamento.
Quando entraram, Rogers veio até eles, como se ele jamais tivesse tido noção de que fora elogiado pela mulher ao seu lado, por mais que ainda houvesse um resquício de rubor em suas bochechas.
— Rogers! — Lya o saudou, sorrindo o melhor que sua embriaguez lhe permitiu. — Estávamos falando mal de você.
Ele arregalou levemente os olhos, enquanto Wilson, Maximoff e DeLavega se seguravam para não rir.
— Eu deveria dizer obrigado? — o loiro conseguiu rebater. — Você não deveria ter saído!
Ela o silenciou, tocando seus lábios com o dedo indicador da mão direita, fazendo-o arregalar levemente os olhos, como um bobo hipnotizado.
— Deixa de ser careta, bebê. — disse-lhe arrastadamente, cutucando-o em seu peito. — Eu tô linda e gostosa na sua frente, não? — ele não respondeu, distraído em ser idiota. — Então não teve nenhum dano.
— Porque eu não deixei. — o moreno de olhos azuis resmungou.
Ela fez um gesto de descaso, caminhando para a sala de estar, onde estavam Hanna, Wanda, Stark, Visão e a senhorita Potts, que arregalou os olhos para as duas ruivas completamente bêbadas – uma cambaleando e cantando uma musica russa obsena sobre montar coxas alheias, e a outra em seus braços, ainda vegetando.
Lya jogou-se no sofá ao lado dela, sorrindo amplamente para a mulher.
— Oi Pep. — ela disse sorridentemente. — Você me deixa dar um beijinho no Tony?
A senhorita Potts arregalou os olhos.
— Uh... — deu de ombros.
A ruiva mais velha levantou-se e arrastou-se até Stark, beijando audivelmente sua bochecha.
— Obrigado, Tony. — disse-lhe. — Foi a melhor distração que eu já tive! Você é um gênio, precioso.
— Falando de distrações, a melhor foi a nossa. — Wilson provocou, fazendo Stevie olhar para ele em alerta. — Temos muitas coisas para falar sobre!
DeLavega riu.
— Idiotas. — ela negou com a cabeça, acompanhando o balançado torpe de Lya até a cozinha. — Ei, mocinha! Você não vai beber mais nada!
Ela fez um gesto de descaso e continuou a dançar sua música tosca, fazendo Bucky revirar os olhos.
— O que elas beberam para ficar assim? — Stark se pronunciou, encarando a ruiva anã.
— Hidromel asgardiano misturado com vodka russa, que elas tiraram sabe-se Deus de onde. — respondeu-lhe. Todo mundo arregalou os olhos. — Ela e Hanna se aproveitaram que Thor e Loki estão fora para resolver o assunto dos asgardianos na Terra, então roubaram duas garrafas desse negócio. Eu cheguei a tomar um gole, mas a minha consciência estava me dizendo que eu não deveria e eu estava certa.
Bucky pulou da cadeira ao ver Lya virar metade de uma garrafa de vodka que estava no bar de Stark. De uma só vez!
— Lyanna! — rosnou, puxando a garrafa dela. Pelo menos, seu grito acordou Romanoff, que piscou para eles, sorriu debilmente, levantou-se e caminhou para sabe-se Deus onde. Ele deveria investigar, mas ela parecia bem comportada, então ele deixou-a para lá. — Você não vai beber mais nada!
Ela fez bico, cruzando os braços.
— Mas eu quero! — rebateu.
— Você já está completamente bêbada! Será que já não está bom?
— Não. — ela rebateu petulantemente, beliscando fortemente suas costelas, e um de seus mamilos, na tentativa de fazê-lo soltar a garrafa. Quando o objeto estava indo para a sua mão, DeLavega puxou-o com seus recém-descobertos poderes. — Peste! Eu te dou meus marshmallows! — resmungou para a anã, arrastando-se de volta ao sofá, sentando-se ao lado da amiga, sorridentemente, que olhou para ela de maneira desconfiada. — Gente, eu quero fazer uma tatuagem...
— Não! — DeLavega a repreendeu. — Você vai se arrepender depois.
Lya sorriu ampla e encantadoramente para ela.
— Mas não é em mim, linda. — então ela se levantou outra vez, caminhou até Stark, pegou o marcador que estava atrás de sua orelha, e sentou-se descaradamente no colo de Stevie, que prendeu a respiração, fazendo todas as pessoas lúcidas prenderem a respiração também.
O que essa doida iria fazer?
Sua pergunta foi respondida quando ela rasgou em dois a blusa de fina de manga comprida que ele usava, sem cerimônia alguma. Destampou o marcador e escreveu algo no peito dele, apesar dos pelos corporais do loiro impedirem um pouco a sua escrita.
— Prontinho. A partir de hoje, ninguém mais vai esquecer que você é meu. — disse-lhe, tampando a caneta. — Agora eu vou ter que voltar ao meu quarto... e eu não quero que ninguém me siga! Porque eu vou fazer o que eu vou fazer, e eu não quero plateia! Deem-me privacidade!
Uma vez que ela saiu de cima do loiro, Barnes finalmente gargalhou alto, jogando-se no sofá com gosto.
Ela havia escrito seu nome em letras garrafais no peito de seu amigo.
— Cara, vocês não vão me contar o “rolê”? — Stark perguntou ansiosamente, olhando de um para o outro, enquanto as duas bêbadas ao seu lado se levantavam para voltar aos seus respectivos apartamentos, sob a supervisão de Visão, que havia brotado DO NADA.
— Ah, mano... você não vai acreditar no que temos para dizer! — DeLavega disparou antes que Stevie tivesse tempo de se defender.
— Bem, já que inevitavelmente vocês irão falar de mim, eu vou para o meu lugar, porque eu não preciso ouvir isso outra vez. — ele levantou-se. — Mas fiquem sabendo que vocês serão punidos se contarem!
A ruiva anã deu-lhe um sorriso amplo.
— Há certas coisas que valem a pena na vida, Steven. — disse-lhe. — E o que a nossa querida amiga bêbada nos contou, é algo que vale muito a pena ser compartilhado. — bufando, o loiro sumiu no elevador. — Então...
*
Assim que chegou em seu quarto, Lynna não conseguiu responder o porquê de estar sem sapatos, mas isso não importava agora. Ela era uma mulher em uma missão, e agora que seus amigos chatos saíram de seu pé, ela finalmente poderia fazer o que estava se coçando para fazer há muito tempo.
Abriu o fecho do vestido roxo e o fez deslizar pelo seu corpo, sorrindo para a lingerie que ela havia escolhido para a noite. Pelo menos dava para impressionar. Retocou seu batom e beliscou as bochechas.
Ignorando a matryoshka em sua cômoda, ela retirou o robe vermelho do chapeleiro e foi para a porta da frente do seu apartamento, trancando-o atrás de si, para depois começar a caminhar lentamente pelo corredor, até o apartamento de um certo loiro bonitão que estava lhe tirando do sério.
Ela finalmente estava disposta a seguir o conselho de Marnie.
*
Steve não saberia mais onde enfiar a cara depois da noite de hoje.
Por mais que ele gostasse de ser elogiado por Anna, ele não esperava que ela revelasse coisas tão íntimas sobre eles.
Bêbados realmente falam a verdade, não é?
Rindo para si mesmo, ele retirou suas roupas e rumou para um banho frio.
Seus passos pararam imediatamente ao ouvir a campainha.
Seu coração disparou forte pelo susto e ele saiu vestindo sua boxer, resmungando por Tony ter insistido em colocar campainhas nos apartamentos, porque isso lhe perturbava os ouvidos sensíveis.
Sua respiração travou na garganta ao vê-la parada em sua porta, com um sorriso amplo e um olhar predatório para o nome dela escrito em seu peito.
— Você precisa de alguma coisa? — ele perguntou-lhe, inocentemente.
O sorriso dela tornou-se malicioso.
— Sim, eu preciso... — respondeu-lhe numa voz arrastada, mas ainda assim, sensual. Seus lábios ainda estavam impecavelmente encarnados, apesar da noite agitada que ela teve. — Eu preciso de você, krasivyy.
Os olhos dele se arregalaram, quando Anna utilizou sua força para empurrá-lo contra a parede mais próxima, chutando sua porta fechada. As mãozinhas dela se detiveram em seu quadril.
— Erm... — ele tentou formular alguma desculpa para impedi-la de fazer coisas que ela iria se arrepender, mas uma de suas mãos circulara seu membro semiereto e ele se perdeu em sua fala.
— Você não sabe o que eu quero fazer com você, querido. — ah, ele tinha uma noção. — Você me deixou perturbada desde que voltou de Wakanda, com essa barba... ah essa barba. Te deixa tão mais maduro... — sua outra mão arrastou-se para seu peito, que subia e descia diante de sua carícia firme lá embaixo. — E esse peito... — um gemido teimoso saiu de seus lábios sem a sua permissão quando ela beliscou um de seus mamilos. — Merda! Eu não sabia que você poderia crescer pelos. — arrastou a mão de seu contorno endurecido para a parte interna de suas coxas. — Isso é tão quente... desde quando você se tornou tão grande? Sinto que você poderia me partir em duas e eu permitiria que isso acontecesse. — merda, ele tinha que agradecer a Marnie por sua ideia louca. Porque funcionou. Ela pulou em seu colo, fazendo-o segurá-la imediatamente, com medo que ela caísse no chão. O rosto dela serpenteou o seu pescoço, então seus lábios tomaram o lóbulo de sua orelha esquerda. — Garoto, eu vou comer você vivo.
Droga, ele não queria se sentir como estava se sentindo, mas era inevitável.
Ficou imóvel na sala, apenas segurando o corpo da ruiva em seus braços, até que ela se irritou e desceu, para empurrá-lo até o seu quarto.
— Anna... eu não acho que isso seja uma boa ideia... — tentou argumentar, mas quem disse que ela o ouviu?
— É claro que é. — ela disse predatoriamente, empurrando-o para a cama, fazendo-o cair deitado, mas ele logo se levantou, tentando contornar a situação. — Você não me quer? — é claro! Mas não desse jeito. Ela fez bico. — Eu te quero tanto... — suas mãos percorreram seus braços de baixo para cima, enquanto ela sentava-se exatamente em seu comprimento, fazendo-o senti-la escorrendo em cima dele.
SOCORRO!
Merda, o que ele poderia fazer para que ela não cometesse um erro?
Ele sabia que eles estavam bem. Um bem entre aspas? Sim, mas eles já haviam conversado, ela sabia a verdade agora, eles estavam começando lentamente, tentando se curar das feridas causadas pelo parasita, e isso significava que eles ainda não estavam prontos para avançar as coisas outra vez.
Além de ser estupro, para começar.
Ele jamais faria algo com ela, estando ela inconsciente.
Merda!
Ele precisava para-la imediatamente.
— Hm... eu aprecio isso, mas... — tentou tirá-la de cima dele, mas ela ancorou-se ainda mais em seus quadris.
— Mas...? — ela arqueou a sobrancelha.
— Mas eu acho que nós não deveríamos ir com tanta pressa. — sussurrou, carinhosamente colocando uma mecha de seu cabelo deslumbrante para trás da orelha. — Nós temos muito tempo para isso.
Ela bufou, remexendo-se em seu colo, fazendo-o engasgar, porque apenas fazia tanto tempo desde que eles foram íntimos...
— Eu não quero esperar. Eu já esperei muito, muito tempo. — disse-lhe arrastando as unhas por suas costas, fazendo-o se arrepiar, mas tudo aquilo era tão demasiadamente errado. — Tudo o que eu quero agora é o seu corpo bonito, dentro e fora do meu, me queimando com a sua fornalha.
Então, pela primeira vez em muito tempo, ela o beijou.
Merda!
Isso teve tudo de seu autocontrole para não ceder. Ele não devia ceder, porque isso era errado. Era totalmente errado que ele se permitisse sentir o gosto de frutas vermelhas que parecia estar eternamente atrelado a ela, era errado que ela estivesse pressionando-o apenas do jeito certo, era extremamente errado que ele sentisse falta dela do jeito que ele sentia.
Rapidamente, impedindo-se de prosseguir ainda mais com isso, ele virou-os na cama, colocando-a no meio dos lençóis.
Anna deu-lhe um sorriso malicioso, como se lhe dissesse ‘finalmente alguma atitude’, então, ele pressionou seu polegar no ponto sensível em seu corpo, fazendo-a apagar um tanto quanto rapidamente, por causa da bebida, que a deixara tonta.
Assim que ele viu sua cabecinha escorregar para o lado e seus cabelos se espalharem pelo seu travesseiro, um suspiro de quase alívio saiu de seu corpo.
Mary invadiu o quarto treze segundos depois.
— Eu senti o seu pânico e pensei que ela estivesse tentando te matar. — ela disse, colocando a cabeça para dentro, engasgando-se com a cena. — Cara, eu amo a versão bêbada dela, porque pelo menos, essa me ouve. — Steve olhou para ela com sua expressão de ‘sério?’, fazendo-a rir. — Vai lá, procura um banheiro para desarmar essa tenda. Você não quer que seus amigos bocudos vejam isso, quer?
Ele corou.
— Eu não vou te agradecer por isso.
Ela revirou os olhos, então ele saiu, rumo aos banheiros da academia privada, o único lugar onde ele teria sossego para ter algum alívio.
*
Sua cabeça parecia ter sido amassada por um mamute, enquanto três elefantes fizeram o trabalho duro de macetar seus músculos. Ela se esticou na cama fofinha e enfiou o nariz no travesseiro ao seu lado, sentindo um cheirinho familiar vindo dele.
Seus olhos se arregalaram. Aquele cheiro era o cheiro de Steve. E a “fila” da noite não era ele!
Rapidamente, ela sentou-se na cama, olhando ao seu redor.
Merda!
Ela bebeu e veio parar no lugar dele, de novo.
Bem, agora ela não podia culpar Thor por isso...
Olhou para as suas roupas e gemeu. Ela usava um moletom cinza que pertencia ao loiro, combinando com uma boxer larga que ele quase sempre usava por baixo da calça de seu traje.
— Caso esteja imaginando, não. Você e eu não dormimos juntos. — uma voz lhe assustou. Steve estava empoleirado no limiar da porta, encarando-a com uma caneca de café na mão. — Tome isso.
Ele aproximou-se de si com aspirinas. Ela pegou de bom grado, bebendo um gole da água que estava em cima do criado-mudo, para depois pegar a caneca das mãos dele e tomar um gole considerável da bebida extremamente amarga.
— Isso é terrível! — reclamou, lutando para não colocar tudo para fora.
— Bem, isso é o resultado de uma noite de bebedeira. — ele simplesmente acabou de repreendê-la? — Agora tome tudo, é bom para curar a ressaca.
Resmungando, Lynna bebeu a xícara café inteira.
— Obrigada. — murmurou corando.
Ele sorriu suavemente.
— Não por isso. — respondeu-lhe. — Agora... eu não queria lhe expulsar... na verdade, você pode continuar por aqui, não tem problema... é só que eu estou saindo com Bucky para uma missão, e Marnie está na “fila”, uma vez que Hanna, Natasha e Wanda estão de ressaca também. — sorriu-lhe em desculpas.
Ela sorriu de volta.
— Tudo bem, Steve. — disse-lhe, levantando-se da cama para dar-lhe um beijo em sua bochecha direita. — Boa sorte na missão.
Então, ela deixou o quarto, levando a caneca consigo para lavá-la lá embaixo, onde ela teria mais opções para comer.
Encontrou Mary sentada do outro lado da mesa, assim como Sam e Tony, que racharam o bico ao vê-la. Talvez por que ela poderia estar com a maquiagem da festa ainda.
Deu de ombros e caminhou até a geladeira, retirando de lá ingredientes para fazer sanduiches.
Ela fez uns quatro deles, dando de ombros para a quantidade de comida.
Mike veio saudá-la ao lado de Lya, que estava cada dia maior e mais fofinha. Agora ela tinha as unhas pintadas de vinho. A coisa mais neném.
Sentou-se de frente para Mary, que fulminava Tony e Sam com os olhos.
Seus amigos esquisitos saíram da cozinha em questão de segundos, deixando-a apenas com a ruiva anã, que tinha os ombros encolhidos para a sua expressão curiosa.
— Eu fiz merda, não foi? — murmurou para a amiga, que assentiu com os olhos fechados.
— Sim, minha amiga. Você fez. — respondeu-lhe.
Lynna bateu com a cabeça no mármore — FIGURATIVAMENTE.
— E foi muito ruim? — perguntou-lhe.
— Bem... por que não começamos pelo começo, sim? — Mary iniciou a sua divagação. — Você e Hanna roubaram duas garrafinhas de hidromel asgardiano. Natasha, sendo Natasha, misturou isso com vodka, mas não qualquer vodka, e sim a famigerada vodka russa. Você, ela, Han e Wanda beberam todas. Eu tentei beber, mas não me dei muito bem com a mistura, então meio que desisti. Em algum ponto da noite, Hanna passou a desafiá-la a dançar no poste, então você e Nat dançaram sensualmente para a boate toda ver.
Ela levantou a cabeça, com os olhos arregalados.
— Senhor! — murmurou.
Marnie levantou sua mão, em sinal de ‘espera que ainda não acabou’.
— Isso não foi nem ponta do iceberg. — disse-lhe misteriosamente. — Eu estava MORRENDO de vergonha de vocês, então inventei de ligar para Steve, que trouxe Barnes, Sam e Pietro com ele para dar suporte a mim e a Happy, que coitado, não sabia o que fazer com vocês quatro. Barnes foi todo paizão para cima de vocês, carregou você em seu ombro de metal para fora da boate e tudo. Quando a gente estava saindo, você pegou na bunda dele. Ele ficou puto, mas você disse a ele para ficar seguro, porque você não gostava da bunda dele e sim da...
— Da de Rogers. — resmungou, querendo bater em si mesma. — Eu não acredito que disse isso!
Marnie riu solidariamente.
— Mas o negócio só vai ladeira abaixo. — nossa, que jeito de confortar a amiga, DeLavega! — Você passou a elogiar nosso supersoldado loiro, de uma maneira muito, mas muito +18, com direito a comparar o tamanho do Brad Pinto dele com o de Barnes e tudo mais. E detalhe: Rogers estava ouvindo tudo, com a cabeça enfiada nas pernas de tanta vergonha.
Lynna gemeu, enfiando a cabeça no meio dos braços.
— Já acabou? — perguntou espreitando-a.
— Não. — Marnie disse “solidariamente”. — Só vai ficando pior. — tocou sua mão, passando-lhe sentimentos positivos. — Você começou a dizer que sentia falta dele, daquele jeito, e que queria cavalgar em suas coxas... e quando chegou aqui no Complexo, você “tatuou” o seu nome no peito dele com o marcador permanente de Tony. Na frente de toda a galera.
Revoltada consigo mesma, ela levantou-se.
— Como ninguém me impediu?! — praticamente gritou, vermelha como um pimentão.
— E tem como te impedir? — Marnie arqueou a sobrancelha. — Você já é teimosa como uma mula sem estar com uma gota de álcool no sangue, imagina completamente bêbada? É impossível! Sem falar que você invadiu o apartamento de Steve e o atacou com seu corpinho lindo, seguindo os meus conselhos, mas de uma maneira bem errada. Ele me chamou através de suas emoções e eu consegui impedir que uma desgraça maior acontecesse.
Suas bochechas e pescoço pegaram fogo.
— Eu não acredito que fiz isso! — resmungou.
A ruiva anã lhe sorriu carinhosamente.
— O seu subconsciente só fez tudo o que o seu consciente queria, querida. Você não pode lutar contra a corrente, Lya. — deu de ombros. — Não tente negar o que você quer tão desesperadamente. Um sempre vai correr para o outro, é inevitável.
Ela tomou um suspiro profundo, quase rindo da reação de Mary quando ela assentiu.
— Você está certa. Eu acho que fui teimosa por tempo demais. — murmurou. Foi como se um peso estivesse saindo de cima de seus ombros.
— Então... isso quer dizer que você está admitindo que quer conversar? — ela rebateu, surpresa.
— Sim. — sorriu-lhe. — Eu quero conversar.
Marnie jogou dramaticamente as mãos para o teto, levantando a cabeça para gritar um ‘glória’ mudo.
Lynna revirou os olhos para o drama dela.
— Bem, então eu posso arranjar isso, fazer com que nossos amigos intrometidos saiam do caminho... então, vocês podem.... — ela sacudiu as sobrancelhas, fazendo-a corar.
— Eu já entendi, Marnie! — resmungou, fazendo-a rir conspiratoriamente.
— É bom ter entendido mesmo, porque você disse aos sete ventos o que queria fazer com aquela criatura, então...
— Argh! — ela enfiou o rosto nas mãos. — Eu sou um desastre ambulante! E as piores pestes foram as que ouviram! Eu sofrerei bullying pelo resto da minha vida!
— Uh... não. — ela ouviu Tony dizer ao entrar na cozinha de novo, fazendo-a arregalar os olhos. — Não se preocupe, Lady Tóxica, eu só escutei a última parte, eu juro. DeLavega pode me confirmar isso. — ele disparou, fazendo Marnie assentir. — Nós não vamos fazer bullying com você, porque temos medo dela. — apontou para a anã, que sorriu angelical/ameaçadoramente. — Ela nos fez prometer isso.
Com um sorriso em seu rosto, a ruiva mais velha assentiu.
— Obrigada.
— Nada. — os dois responderam juntos.
*
Demorou mais ou menos uma semana para os dois supersoldados voltarem, e ela começou a ficar ansiosa com isso, porque uma vez que ela havia admitido a Mary que queria sentar e conversar e resolver a sua história com Steve, seu coração sempre estava disparado, querendo que o dia chegasse logo.
Então, já dá para imaginar a sua reação ao ouvir SEXTA-FEIRA dizer que o quinjet estava pousando, não é?
Mary sorriu amplamente e saiu saltitante para a pista, dizendo-lhe que ela iria preparar o terreno, então viria buscá-la.
Só que, ela não veio.
Trinta minutos e nada de Marnie.
Então, um Rogers esbaforido apareceu na porta do apartamento de Nat, onde ela estava com as meninas, assistindo a algum filme bobo que ela não estava prestando atenção.
No primeiro momento, ela pensou que ele tivesse vindo para levá-la sem nenhuma conversa necessária, pegá-la em seus braços para algum lugar onde eles pudessem ficar só...
Mas seus desejos sórdidos caíram por terra quando ele abriu a boca e pronunciou aquelas sete palavras que atrofiaram o seu coração.
— Bucky trancou-se com Marnie em uma sala. — ele despejou tudo de uma vez, fazendo com que todas elas se levantassem num pulo. Algo gelado desceu por sua espinha.
— Ele teve outra recaída? — Hanna perguntou, desesperada.
— Eu não sei. — Steve respondeu, tão desesperado quanto ela. — Marnie esperava por nós na pista, nós descemos do quinjet. Desde que saímos do local da missão, que era uma base da Hydra, ele estava meio distante, então, quando ele a avistou... eu não sei dizer, ele simplesmente pegou-a pela cintura e jogou-a em seus braços. Eu tentei para-lo, mas ele não me ouviu e trancou-se numa sala com ela. Thor e Loki estão do lado de fora, prontos para arrombar a qualquer momento, mas eu acho que só há uma pessoa que pode tirar Marnie em segurança de lá de dentro.
Lynna assentiu.
— Tudo bem, eu vou. — disse-lhe.
Ele estendeu a mão para ela e tirou sua pulseira.
Houve uma sensação estranha em sua pele quando seus poderes retornaram a si. Era estranho se sentir poderosa outra vez. Ela sentiu-se um pouco ansiosa com esse fato, mas jogou isso para um canto escuro de sua mente, dizendo a si mesma que se o Soldado tivesse voltado à superfície, ela precisava salvar Mary das garras dele.
Seu grupo correu atrás do loiro, através do labirinto de corredores, chegando até onde Thor, Loki, Sam e Tony estavam empoleirados do lado de fora. Este último estava com sua armadura completa, apontando a luva direita para a placa de madeira.
Com um aceno de cabeça, Wanda destrancou a porta com seus poderes, abrindo uma fresta dela, que foi o suficiente para fazer com que seu corpo quase fino passasse por lá.
Quando adentrou a sala, Lynna esperava ver todo tipo de cena.
A pior delas, sendo ela encontrar o corpo morto de sua amiga ali, ou encontrar Bucky enforcando-a, ou até mesmo encontrá-los fazendo coisas no chão do local, mas não aquilo.
Seu amigo hiperventilava, segurando a parede mais próxima com sua mão de metal, perfurando um buraco na estrutura, enquanto olhava para Marnie com um certo brilho de reconhecimento, dor e angústia, combinando com o semblante que a empata tinha ao olhar para ele.
Os dois mal a notaram até que ela se aproximou.
Buck puxou-a para seus braços e chorou em seu peito, manchando a blusa de seu pijama com suas lágrimas.
Ele não disse nada enquanto chorava, então a ruiva mais velha olhou para a pequena, que tremia, olhando para seu irmão com dor, muita dor.
— Vai, Marnie. — disse-lhe suavemente, com a voz embargada pelo sofrimento de Barnes. — Eu cuido dele, vai.
Imediatamente, sua amiga encontrou o movimento das pernas, saindo da sala, alimentando uma onda de suspiros aliviados.
Bucky tremeu em seus braços, então ela achou que já estava na hora de pôr um fim ao sofrimento dele, pelo menos por agora.
Suas mãos se incendiaram com o seu gás. Ela aproximou-as do rosto do moreno, fazendo com que o supersoldado inalasse o seu veneno, o que acarretou nele tombando para frente quando desmaiou.
Steve entrou na sala alguns segundos depois, pegou Bucky nos braços e levou-o para que ele fosse tratado na enfermaria por Hanna e os seus enfermeiros.
Uma coisa martelava em sua cabeça, talvez a mesma coisa que martelava na cabeça de todos os seus amigos também...
O que aconteceu com Buck para que ele tomasse Mary de assalto desse jeito?
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