The Captain and The Petal.
53 Fifty-first Chapter. - If regret could kill...
Notas iniciais

Se arrependimento matasse...
Quando acordou, ela vestia seu pijama das varinhas de Harry Potter, que provavelmente suas amigas haviam vestido em si. O calor da batalha ainda estava em seu corpo, assim como o sangue de Rollins. Elas não haviam tido forças para lhe dar um banho, depois de terem cortado seus cabelos.
Levantou-se para o banheiro e arrancou suas roupas, tomando uma ducha rápida para retirar o cheiro ruim.
Vestiu outro pijama e foi para a cozinha, tentando não pensar no que aconteceu.
Ela literalmente surtou, bateu na cara de um agente da Hydra, que pode ser uma testemunha importante. Perdeu seu cabelo, mordeu seu líder, xingou ele de todos os palavrões possíveis, bateu nele e provavelmente o deixou infértil.
Bem, ela fodeu com tudo.
Fechou os olhos com força, apertando as mãos no mármore da pia.
Rapidamente, ela encheu uma garrafa de metal com gelo, vestiu outro moletom por cima do que estava usando, colocou o capuz para cobrir metade do seu rosto e depois colocou os óculos escuros que estavam ao seu alcance, finalmente caminhando até a cozinha, onde provavelmente todos estariam, recuperando-se do calor da missão, que não era para ter sido tão difícil.
Peter Parker foi o primeiro a vê-la, congelando no meio do cômodo, com os olhos arregalados.
Todos se armaram, mas logo retrocederam, quando ela passou por seus amigos, caminhando na direção de Steve, que estava parado do outro lado do balcão. Ela corou fortemente, mas ficou feliz que apenas Mary sentiria a sua vergonha.
— Erm... — pigarreou, tocando no mármore com a ponta dos dedos. — Eu... — fechou os olhos com força, tentando controlar sua vergonha. — Eu sinto muito Steve. Eu me descontrolei, não foi a minha intenção causar algum tipo de ferimento em você... eu estava com tanta raiva... eu... sinto que não posso controlar isso... — ela teve que se controlar para não chorar. — Me perdoe. — suspirou. — Eu irei ter as consultas com a doutora Jones, e irei me afastar, mas por favor, não me expulse daqui.
Ele tocou seus dedos suavemente, quase como se estivesse com medo de que ela fosse tirá-los do seu alcance.
— Está tudo bem querida. — disse suavemente. — Eu perdoo você.
Ela corou ainda mais, tanto, que deixou a ponta de seu nariz, a única coisa exposta, vermelha.
— Eu... eu... eu trouxe isso... para ajudar com o inchaço... — murmurou.
Então ela colocou a garrafa em cima da pia e virou de costas, pronta para correr de volta ao elevador.
— Bom dia para você também, serial killer de Piu-Piu com as calças de Harry Potter! — Tony disse alto, fazendo-a mostrar o dedo do meio para ele, antes de adentrar a caixa metálica.
█*█*█*█
Durante uma semana e meia, Lynna conseguiu que todos lhe deixassem em paz, por mais que Natasha e Bucky viessem rotineiramente checá-la, o que lhe dava nos nervos.
Ela também ia para as consultas com a psicóloga, por mais que não gostasse dela e passasse a maioria do tempo muda.
Os dias de suspensão eram muito entediantes, mas ela estava conseguindo passar...
Até que os pesadelos lhe atingiram.
Era fácil não pensar em pesadelos quando se tinha aulas para planejar, missões para ir e coisas a mais para fazer com o time, mas quando isso lhe era tirado...
Os cabelos dela estavam na altura da cintura agora. O vermelho se mesclava com o castanho-escuro, formando uma mescla bonita que descia em cascata por suas costas. Agora, ela era a expectadora de seu pesadelo. Havia uma enorme estrutura montada no meio do pátio do Complexo, que estava vazio de trabalhadores. Clint olhava para a outra figura dela, com os olhos tristes e distantes. Seu coração afundou.
— Onde está ela? — seu ‘eu do pesadelo’ perguntou-lhe, avançando alguns passos para chegar até ele, que parecia catatônico. Lynna o agarrou pelas correias do traje branco e vermelho que ele usava, e que era idêntico ao dela. — Onde está Nat?! — praticamente gritou no ouvido dele.
Ele não falou nada, apenas chorou.
Um grito rouco escapuliu da garganta da mulher, que resolveu chamá-la de ‘clone’. O seu próprio coração afundou ao ver o seu clone se afastar de Clint. O semblante dela parecia dolorido ao contemplar o entendimento.
Não. Não, isso não pode ser uma visão! Por favor, que isso não seja uma visão!
— Eu sinto muito. — ele sussurrou, caminhando até ela, que recusou o toque de suas mãos e correu para a base, apertando um botão aleatório.
— Anna, não! Não há mais nada a ser feito. — o clone de Steve disse, avançando para ela.
O clone dela olhou para ele com raiva, mas não com a mesma raiva que ela havia olhado para ele quando o mesmo a impediu de matar Rollins. A raiva que ela transmitia era algo muito magoado, dolorido, incrédula com a ação dele de tentar para-la.
— Como não há nada? — questionou-o. — Como não há nada?!
— Ela escolheu isso. — Clint murmurou, atraindo a sua atenção. Ele chorava, e o seu ‘eu expectador’ também chorava. — Ela escolheu se sacrificar, não há como reverter.
Não, não, não, NÃO!
Isso não pode ser verdade.
Essa merda não pode ser verdade!
Ela tentou se beliscar para acordar, mas não conseguiu.
— Isso não era para estar acontecendo! — o seu clone sussurrou, fechando os olhos com força, enquanto todos ao seu redor pareciam chocados e tristes demais para refutá-la. — Eu vi isso! Eu sabia que isso poderia acontecer e não impedi nada!
O clone de Steve tentou se aproximar dela, mas ela recuou.
— Amor... pense bem no que você vai fazer...
O seu clone abriu os olhos.
— Só resta uma coisa a se fazer. — ela disse sombriamente.
Sem dar tempo de alguém protestar, o seu clone literalmente abriu um portal no meio daquela construção enorme.
A própria Lynna não ouviu os gritos de seus amigos, apenas sentiu um puxão em seu umbigo, então ela foi parar em outro plano, algo que ela não sabia que era possível de fazer, algo totalmente impossível de se controlar.
Era como se ela tivesse sido condicionada a ver tudo. Era como se o seu clone quisesse que ela visse aquilo tudo.
Um ser vermelho flutuava ao redor dela, encarando-a com pena nos olhos turvos.
— Lyanna, filha de Scar. É inevitável lutar por ela. Esse é o seu futuro. — ele disse. — Você não pode mudar o destino das pessoas.
Ignorando o olhar indignado do seu clone, Lynna avançou para a borda do precipício no qual ela foi parar, soltando um soluço alto ao ver o que estava lá embaixo, por detrás da névoa.
Era o corpo de sua amiga. Ela estava largada no chão, com uma poça de seu sangue rodeando sua cabeça.
Não... Nat não, por favor, não!
— Não. — o seu clone sussurrou, ajoelhando-se à beira do abismo, bem do seu lado, mas ignorando a sua presença. — Eu vou mudar isso!
O ser encarou-a, assim como o seu ‘eu expectadora’.
— Fique à vontade. — disse-lhe de maneira estranha. — Eu não acredito que conseguirá. O Desafio não é algo fácil de se vencer, garota tola.
— Me diga o que eu preciso fazer. — sua voz saiu desesperada. — Me diga o que eu devo fazer e eu farei, eu farei qualquer coisa. Eu faria qualquer coisa por ela.
O homem riu.
— Você precisa das Joias, menina. — disse-lhe. — Precisa reunir e controlar todas elas. Coisa que uma deusa comum não é capaz. Para obter as Joias e salvar a vida da sua amiga, é preciso um sacrifício de alma, algo que você não possui tamanho poder.
Seu corpo tremeu de desespero, sabendo que aquela merda a cada minuto se tornava cada vez mais real.
— Você não pode afirmar isso! — seu clone levantou-se, disparando um olhar de raiva para o ser.
Aquilo poderia ter arqueado a sobrancelha para ela, se ele tivesse alguma.
— Você teve a chance de salvá-la, de salvar a todos, mas não conseguiu. Teve todas as Joias ao seu alcance, mas não foi forte o suficiente, você viu o que iria acontecer, mas preferiu ignorar, então eu lhe pergunto... o que te faz crer que podes vencer-me, filha de Scar? — ele se aproximou de seu clone, que tinha o queixo tremendo pelo choro de arrependimento, o mesmo arrependimento que corria por suas veias, como se elas fossem uma só (o que não deixava de ser verdade), como se ela já tivesse passado por isso, estendendo sua mão gélida, tocou o seu rosto, virando-o na direção em que o corpo de Nat estava jogado. — Tente o quanto quiser, o destino de sua amiga jamais poderá ser alterado.
— Você a sobestima. — uma voz feminina disse, mas Lynna não conseguiu vê-la através da névoa que assumiu a borda de seus olhos. O seu coração estava muito, muito ferido.
Usando seus poderes, o seu clone pulou em direção ao abismo, literalmente puxando o seu corpo consigo. Ela tocou a testa fria de Nat, como se pudesse fazê-la acordar. Sem sucesso.
Ela queria que aquilo não fosse real.
Orou para todos os deuses que ela conhecia para que aquela mulher caída ali não fosse a sua andorinha, que isso fosse apenas um pesadelo, pois por mais que o seu coração soubesse que isso era real, ela não queria aceitar.
Contudo, ela simplesmente não podia mentir para o que estava diante de seus olhos.
— Não, não! Você não pode fazer isso comigo! — seu clone gritou, enlutada, tentando acordá-la. — Você não pode me deixar aqui, sua vadia! Vamos, levanta! Eu não posso deixá-la morrer! Você não pode me deixar sozinha quando prometeu que caminharíamos juntas!
Silêncio.
Nada além do puro silêncio, tão nefasto e tão agoniante.
Um grito de mau agouro escapuliu dos lábios de seu clone, assim como poderia ter escapado dos dela e ela não saberia, de tão entorpecida que ela estava. A base intricada de pedra onde o corpo de sua melhor amiga jazia explodiu em vermelho, mas nada mudou, ela ainda tinha seus olhos – um dia verde-musgo, como a copa das árvores de Ivenorra – olhando de volta para ela, sem brilho algum. Sem a constante ironia que eles carregavam, sem a provocação em seu meio sorriso cadavérico.
Foi então que ela se deu conta de que elas não iriam mais se esconder no teto do Complexo para fofocar sobre coisas idiotas e provocar as meninas com besteiras. Ela também não iria mais roubar as suas coisas e fugir para que a mesma não soubesse e viesse furiosa atrás dela. Ou gritar com ela quando a mesma estivesse sendo inconsequente demais para a sua idade.
Ela jamais a veria outra vez, e isso doía para caralho.
Não, por favor, isso precisa ser um pesadelo!
Eu não posso perdê-la.
Eu não aguentaria perder ninguém que eu amo!
Eu não sou forte o bastante para isso!
Isso tinha que ser um pesadelo. Ela não podia perder uma das pessoas mais importantes da sua vida!
Tente o quanto quiser, o destino de sua amiga jamais poderá ser alterado, a criatura havia dito, e essas palavras rondaram a sua cabeça como um redemoinho mórbido.
Esticou a mão, automaticamente tocando o ombro de seu clone, que encarou-a.
Lynna nunca sentiu uma energia tão conflitante, como a que ela estava sentindo agora. Era como se aquilo fosse mesmo real, e isso lhe assustava até os ossos.
— Me ouça, você só tem essa chance! — o clone disse. — Você não pode ignorar isso. O futuro dela depende de uma escolha sua. — ela assentiu, então o seu clone suspirou. — Não importa a circunstância, você deve impedir o estalo. Você pode. Você é mais forte do que eu. Há apenas uma maneira disso ser feito, e você sabe qual é. Você se sacrifica. Você pega as Joias e conclui o Desafio. Não importa o que aconteça, não importa quem tentará te impedir. Vidas serão poupadas. Você me entende? Pare ele. Pare o Titã. Você pode fazer isso. Você é mais forte do que pensa.
Ela se afastou do seu clone, vendo-a ainda encará-la com suplica nos olhos castanhos exatamente idênticos aos dela.
— Eu não sou forte. — sussurrou, negando com a cabeça. — Eu não sou forte. Eu nunca fui.
— É claro que...
— CALA A BOCA! EU NÃO SOU A PESSOA DE QUEM VOCÊ PRECISA! EU SOU UM MONSTRO! EU NÃO SALVO AS PESSOAS! EU AS MATO! VOCÊ NÃO PODE COLOCAR ESSE PESO EM CIMA DE MIM, VOCÊ NÃO TEM ESSE DIREITO! — gritou, tendo suas mãos em punho para a versão falsificada de si mesma.
O seu clone levantou-se, encarando-a com raiva.
— Pare de autopiedade! Você não vê que não há outra saída?! É o seu dever! É o seu destino! Muitas vidas serão poupadas, nossa Tasha será poupada, e tudo o que você tem que fazer é uma escolha. — avançou para cima dela, capturando seus braços. O olhar de desespero no rosto dela lhe aterrorizou até o osso, dando-lhe calafrios. Aquela mulher tinha visto pessoas que ela amava morrer em frente aos seus olhos. E aquela mulher era ela, e isso era ainda mais preocupante. — Faça uma escolha, Lyanna!
— NÃO! — berrou assustada, levantando-se abruptamente.
Uma mão fria enrolou-se em seu braço esquerdo, fazendo-a pular estapear a pessoa sem muita força, foi quando ela viu sua amiga ali, com os olhos verde-escuros arregalados para ela, que possuía uma força vermelha ao seu redor.
Lynna imediatamente a puxou para os seus braços, chorando alto, prendendo-a contra si com tanta força, que ela temia quebrar os ossos da outra, que a apertou também, permitindo que ela fizesse de si o seu urso de pelúcia.
— Não vai embora. — sussurrou.
— Eu não vou. — a outra disse.
— Não, eu não vou deixar. Eu não vou deixar. — apertou-a contra si, tremendo. — Eu não vou deixar! Eu não vou deixar você ir! Você não pode me deixar sozinha. Eu não posso ficar sozinha!
Aquele homem estava errado, e ela iria provar isso. Ela não iria permitir que alguém da sua família morresse. Não. Isso seria como matá-la também. Ela iria cumprir essa merda, fosse isso real ou não.
Elas ficaram ali, quietas, apenas uma abraçando a outra, enquanto Lynna tentava se acalmar, mas tudo estava tão fresco em sua memória. O sangue dela espalhado, seus olhos sem vida, a frieza de seu corpo.
Não.
Ela preferia morrer do que deixar que essa merda tomasse proporções gigantescas. Para matar a sua andorinha, eles teriam que passar por cima dela.
Porque ela preferia morrer, a ver um dos seus morrer.
As palavras do seu clone refletiam em sua mente.
Faça uma escolha, Lyanna!
Colocou a cabeça da mais nova em seu peito, alisando os seus cabelos. Tentando controlar a respiração.
— O que você viu? — Tasha perguntou, depois de um tempo de silêncio.
A mais velha tremeu.
— Foi um pesadelo. — mentiu. Ela aprendeu a fazer isso muito bem, depois da décima quarta noite de pesadelos seguidos... — Não se preocupe, nós vamos ficar bem.
A mais nova assentiu, permitindo-se ser abraçada, por mais que fosse a outra quem precisasse de colo.
Em alguma hora da madrugada, elas acabaram dormindo abraçadas, como nos velhos tempos, como se fossem as crianças quebradas que a Hydra as fizeram ser.
Bucky sentou nos pés dela alguns minutos depois, vendo como o laço delas era muito forte. Ele tocou o pé de Lya, sorrindo. Ele só queria coisas boas para ela, mas lhe assustava o que a Pétala estava fazendo com a sua mente.
— Você acha que foi uma visão... o que ela teve...? — perguntou baixinho a DeLavega, que sentou-se ao seu lado, encarando as duas, que dormiam graças aos poderes dela.
A garota limpou uma lágrima solitária.
— Eu espero que não, Barnes. — murmurou, dolorida. Estranhamente, ele sentiu vontade de apertá-la contra o seu peito. — Eu pude ver o que ela viu. Não tudo, mas... o principal. Suas emoções eram tão fortes... — ela chorou baixinho. — Eu não quero que isso aconteça. Acho que ninguém quer. Eu não sei o que poderia acontecer com ela se isso acontecesse. Ela não tem saúde emocional suficiente...
Ele olhou para as duas, então entendeu. Não precisava ser um vidente para saber que sua irmãzinha viu a amiga ser morta. Esse era o maior medo dela. Perder as pessoas que amava. Ainda mais se fosse de uma forma brutal.
Ela já tinha perdido muita coisa na vida, mas ele não saberia dizer como ela reagiria se algo terrível acontecesse com as pessoas ao redor dela, as pessoas que ela havia adotado como sua família, enquanto ele ainda continuava destruído pela Hydra.
— Isso é a maldita. — murmurou. Ele queria acreditar tanto em sua frase... — Foi só um pesadelo. Ela sabe os maiores medos de Lya. Ela sabe como mexer com a sua mente. — levantou-se. — Vamos. Vamos deixá-las dormir.
A ruiva anã assentiu, levantando-se também e saindo à sua frente.
Quando o moreno fechou a porta, ele fez uma promessa silenciosa de proteger Romanoff também, apenas porque ela deixava Lya feliz. E deixá-la feliz era uma de suas missões aqui.
*█*█*█*
Percebendo-a debilitada demais para se manter no quarto, Marnie com a ajuda de Nat rebocaram-na para a cozinha, onde ela passou o dia rindo das besteiras que Sam e Pietro puxavam, coisa que provavelmente era apenas para distraí-la. Bucky também estava lá, sendo bem mais social que ela, que tinha apenas um sorriso distante no rosto.
Quando Marnie sentia a sua angustia, ela sempre tentava fazê-la rir.
Lá pelo final da tarde, Wanda e Hanna rebocaram-na para fazerem lasanha, em comemoração à reunião do time. Ate Rhodes, que vivia ocupado com assuntos diplomáticos, estava lá.
Ela havia ficado feliz que ele quase não teve sequela. Sua queda teria sido bem ruim se não fosse por ela ter deslocado aquele lote de terra. Sua ação rápida salvou a vida dele.
O pesadelo que ela teve logo foi esquecido, porque ela agora tinha que se preocupar com seis pessoas irritantes – lê-se Bucky, Sam, Pietro, Wanda, Hanna e Mary –, que sempre tentavam roubar alguma coisa dela, enquanto a mesma montava a lasanha.
Durante o jantar, Steven chamou a atenção de Mary e Natasha, que estavam reunidas no sofá com o SEU notebook, rindo de alguma coisa idiota que elas estavam vendo, o que a deixou um pouco com medo da mente pervertida das duas trabalhando juntas.
A ruiva do meio levantou-se, limpando as lágrimas imaginarias, enquanto sentava-se em seu lugar habitual.
— Nós... e por nós eu digo, eu, Mary, Hanna e Wanda, tivemos uma ideia maravilhosa, para estreitar os nossos laços de amizade. — Nat disse, com um sorriso que a fez temê-la ainda mais.
— Pois é. — Mary arreganhou os dentes, quicando na cadeira. — E nada melhor do que estreitar os laços de amizade de alguém... do que uma brincadeira entre amigos, não acham?
Os outros se entreolharam.
— Nós deveríamos temê-las? — Tony perguntou, estreitando os olhos.
— Com toda a certeza. — Wanda respondeu, piscando.
— Por que eu acho que essa será a melhor ideia, mas não para mim? — Sam perguntou, arrastando a cadeira para sentar-se ao lado de seu namorado.
— Você nunca esteve tão errado, Wilson! — Hanna se pronunciou, sentando ao lado de Lynna, completando o quinteto. — Nós não somos as megeras que você está pintando! A brincadeira será boa para todo mundo!
Nat balançou as sobrancelhas.
— Pois é. — falou. — E se chama aminimigo secreto.
Tirando o quarteto, todos os outros chiaram.
— Que tipo de brincadeira é essa? — Buck perguntou, confuso.
— Ah Barnes, eu me esqueci que você não sabe o que é isso, obrigada por perguntar. — sua amiga brincou, dando um daqueles sorrisos maliciosos que era especialmente dela. — A brincadeira funciona da seguinte maneira: nós colocaremos o nome de todo mundo numa folha de papel, embrulharemos e cada um deve tirá-lo. Você deve dar um presente a pessoa que você tirou, como num amigo secreto tradicional. O presente do seu aminimigo será de sua escolha, baseado no que você acha que essa pessoa vá gostar. — riu junto com Mary, de alguma piada interna, que ela estava curiosíssima para saber. — Contudo, há regras...
— Lá vem. — Rhodes resmungou por todos, encostando-se na cadeira.
— E quais são as regras, Nat? — Rogers perguntou.
A maldita Viúva Negra deu um sorriso tão filha da puta para ele...
— Primeira regra: todos os presentes devem ser essencialmente produtos de sexshop. Segunda regra: independente do presente, usá-lo é obrigatório, não é preciso usar todos, se houver mais de um, ok? Mas se quiser... não sou eu quem vai impedir.Terceira regra: caso o participante se recuse a usar qualquer um dos presentes, é obrigatório mostrar ao time o que ganhou, independente de ser vergonhoso ou não. Quarta regra: não há mais regras até o fechamento desta edição. — ela disse tudo rapidamente.
— Alguém pode me dizer o que diabos é “aminimigo”? — Bucky perguntou por fim, fazendo uma careta.
— Amigo/inimigo. — Lynna lhe respondeu, respirando fundo antes de encarar as outras ruivas. — E eu não quero fazer parte disso.
— Quarta regra: todos serão obrigados a participar. — Mary disparou, fazendo-a arregalar os olhos.
Algo não estava bom.
Ela simplesmente achava que iria se ferrar nesse jogo.
— E nós estamos em um numero par? — Rogers, por que você quer nos ver sofrer?
— Temos eu, Wanda, Nat, Hanna, Steve, Lynna, Barnes, Tony, Rhodes, Visão, Sam, Pietro, e Peter não pode participar, porque ele ainda é kids. — Mary disse num fôlego só. — Acho que temos...
— 12 integrantes. — o filho da mãe do Tony disse com um sorrisinho. — Estou interessado nesse jogo.
Wanda pulou da mesa e correu para pegar um bloquinho. Ela escreveu os nomes deles, cortou-os em pedaços iguais e dobrou-os com os seus poderes, para depois colocá-los numa caixinha avulsa que fora deixada ali por alguém.
— Bem, como ninguém, exceto Pietro e eu, possui o mesmo sobrenome, eu decidi colocá-los desse jeito: por sobrenome, para os mais lerdos, e o meu nome e o de Pietro, porque temos o mesmo sobrenome, sacaram? — ela disse saltitante, chegando até a cabeceira da mesa, onde Nat estava sentada, não dando tempo de ninguém respondê-la. — Vou começar por aqui.
A Viúva retirou um papelzinho, abriu-o e começou a rir alto, se debatendo. A filha da mãe começou a ter um ataque nada digno do seu perfil.
— Ah, eu não acredito na minha sorte! — ela disse com um sorriso amplo.
— Por que eu estou com medo da pessoa que ela tirou? — Tony teve a bondade de perguntar.
Bucky coçou a nuca.
— Por que não se pode confiar na mente poluída dela? — ele perguntou, quase que inocentemente, fazendo Tony concordar com ele.
Inocente... sei. Quando ele pegou o papelzinho dele, havia um sorrisinho malicioso ali também.
Lynna começou a rezar para que Visão pegasse o seu papel, porque pelo menos ele não teria coragem de lhe dar algo muito constrangedor.
Tony abriu um sorriso malicioso quando viu o seu, o que também a fez temê-lo.
O último papelzinho foi o dela, que pegou a última pessoa que ela queria pegar, por mais que ela realmente quisesse pegar essa pessoa.
Rogers.
Merda, o que ela daria a ele?
Eu não preciso responder, preciso?
Você poderia me dar, que tava sussa.
Cala. A. Boca!
E olha que nem precisa ser de verdade, por mais que eu queira. Nudes ainda é uma opção viável.
Eu mereço!
*
Depois do jantar, depois da atmosfera boa que lhe cercou, voltar para o seu apartamento, para a escuridão do seu quarto... foi muito difícil.
O pesadelo continuava a voltar para assombrá-la.
Então, Bucky bateu em sua porta.
— Podemos entrar? — ele perguntou, com a cabrita Lya embaixo de seu braço.
Ela sorriu agradecidamente para ele.
— Claro. — afastou-se para deixá-los passar.
— Você sabe... nós poderíamos dormir juntos, se você quiser... — ele murmurou. — Seria como nos velhos tempos... — sorriu-lhe. — E você não teria que passar pelos pesadelos sozinha.
Tomando cuidado com a cabritinha, Lynna o abraçou apertado.
— Você ouviu quando eu gritei, não foi? — sussurrou.
Ele assentiu contra o seu cabelo.
— Shii. — sussurrou quando ela começou a querer soluçar. — Você não precisa relembrar isso. Vem, vamos assistir e comer até ficarmos empanturrados?
Ela arregalou os olhos, as lágrimas literalmente nadaram de volta para os seus olhos, porque elas também ficaram chocadas.
— Você possui um saco sem fundo no lugar do estômago? — questionou-o.
Ele riu.
— Sim. Eu já estou com fome e você possui aqueles negócios chamados marshmallows. Eu gosto deles.
Ownt. Ele era o ser mais fofo com aquela cabritinha de pijama debaixo de seu braço!
A ruiva capturou-o pela mão de metal, jogando-se ao seu lado na cama.
Eles assistiram filmes até que ela dormisse, abraçada à cabritinha, rezando para que seus pesadelos não se tornassem realidade.
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