The Captain and The Petal.
60 Fifty-eighth Chapter. - Endgame.
Notas iniciais

Ultimato.
Após a chegada de seus primos ao Complexo, a semana se passou extremamente rápido. Logo o maldito baile de Tony batia na porta, e como a pessoa preguiçosa que ela era, deixou tudo para a última hora, o que significa que a maioria dos vestidos legais haviam sido pegos pelas dondocas da sociedade americana que estariam fazendo presença lá.
Sério, como um vestido branco ou um vestido preto podem simplesmente sumir do mapa desse jeito?!
Sem nenhuma opção, ela decidiu que iria simplesmente ignorar a regra e fazer algo surpreendente. Mais porque não havia nenhum vestido legal que lhe chamou a atenção, do que pelo simples fato de querer causar um burburinho.
E agora, lá estava ela, correndo de um lado para o outro de seu apartamento, perguntando-se se estava mesmo certo ela usar algo tão gritantemente diferente do dress code baile ou não, enquanto se maquiava e se fazia apresentável.
Foi quando percebeu.
Ela já havia abotoado todos os botões de pérolas do vestido, antes de ter calçado as sandálias. O que foi uma ideia errada. Agora ela teria que importunar alguém para calçá-las, porque o vestido estava muito apertado ao seu torso – coisa que lhe incomodava um pouco por conta do decote, que estava bastante proeminente – e ela estava com preguiça de desabotoar e abotoar tudo de novo.
Abriu uma fresta da porta, enxergando o corredor.
A pessoa que ela menos queria encontrar apareceu em seu campo de visão.
— Rogers! — ela sibilou, tentando chamar a sua atenção, mas o loiro não notou de primeira. Ele era meio lento. — Steven! — chamou mais alto, atraindo os olhos arregalados dele.
— Ãn... aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, aproximando-se dela, mas sem ter nenhum vislumbre de seu vestido, porque ela teve a inteligência de colocar um robe por cima antes.
— Eu gostaria que você colocasse minhas sandálias, por favor... — pediu-lhe, corando. — É que eu já fechei o vestido e me esqueci delas...
Ele riu baixinho.
— Tudo bem. — estendeu-lhe a mão.
Ela lhe passou o pé direito primeiro, antes de lhe estender sua perna, tomando cuidado para que o tecido do vestido não fosse revelado. Ele não falou nada sobre suas sandálias vermelhas.
Seu autocontrole teve que ser muito forte, pois coisas aconteceram com o seu corpo quando as mãos calejadas do loiro tocaram sua pele incansavelmente massageada com óleos.
Ele atou sua sandália e seus dedos ainda roçaram sua pele, dando-lhe arrepios.
Imediatamente, antes que seu corpo avançasse e puxasse-o para dentro de seu apartamento, ignorando todas as regras do mundo e as da Dua Lipa, coisa que ela estava realmente pensando em fazer quando ele tocou o seu outro tornozelo, roçando quase que sem querer o seu ponto doce na perna, tirando o seu fôlego... ela apertou a mão direita em um punho, tentando manter o foco.
— Pronto. — ele disse após colocar seu pé para baixo.
— Obrigada. — ela murmurou engasgada, depois sorriu. — Uh...
Convida ele para entrar! Puxa ele! Me usa, pelo amor de Deus!
— Sim...? — ele parecia esperançoso.
Ela quase, quase o puxou para dentro, mas de ultima hora ela resolveu não fazer. Engolindo em seco.
— Eu preciso terminar de me arrumar. — sorriu em desculpa, voltando para dentro, escondendo-se. — Obrigada outra vez.
Ela não permitiu que ele dissesse outra coisa, então adentrou o apartamento, voltando para o quarto, para terminar sua maquiagem.
Uma vez pronta, ela checou seu telefone, vendo uma mensagem de Storm que dizia que ele já estava à sua espera no hall do Complexo, porque ela havia pedido para ele não subir.
*
— Ela fez o quê? — Marnie perguntou com os olhos arregalados, enquanto ele e Bucky adentravam a limusine onde uma Hanna muito brilhosa os esperava.
— Eu estou dizendo. Ela me pediu para atar as sandálias dela. — ele repetiu sua fala. — E eu posso dizer com todas as letras, que ela estava ponderando se me convidava para entrar ou não.
— Eu me perdi aqui... — Bucky falou. — Estamos falando da mesma Lyanna? Por que eu acho que isso não é muito possível...
Ele gostava de provocar...
Mary sorriu, arqueando a sobrancelha.
— Querido, você deveria confiar mais no taco do seu amigo. Ele não é pequeno e ela sabe disso. Talvez a saudade tenha batido... — começou, ela tinha que jogar algo sobre sexo no meio.
— Dá para não falarmos sobre minhas partes genitais durante nosso caminho? — ele resmungou, franzindo o cenho para ela.
Seus amigos riram.
— Mas eu não estou falando do seu supersoldado, Steven! — ela rebateu divertidamente. — Você só pensa naquilo. Que coisa mais feia, mocinho. O taco do qual eu estou falando, é o seu carisma, a sua seduzência, e a carência que também fala alto.
Ele corou suavemente.
— Mas com você, sempre há um duplo sentido nas coisas. — ela balançou as sobrancelhas, provocando-o, fazendo-o revirar os olhos. — Onde fica esse lugar mesmo? — franziu o cenho.
— Tony disse que é num hotel famoso de Manhattan. — Hanna respondeu, checando em seu celular. — SEXTA-FEIRA acabou de anunciar que o pouco fogo e a MINHA amiga saíram do Complexo agora.
— Você está stalkeando Lya? — Bucky perguntou, franzindo o cenho.
— Sim, e eu não me arrependo. — bem, Hanna... não adiantava para-la. Ela era um ser indomável e meio amedrontadora, mas ele sabia que tudo o que ela queria era o melhor para a sua amiga teimosa. — Eu não vou deixar que aquele coisa, que é bem pior do que O Coisa literal, que é muito legal, chegue a avançar o sinal com ela.
Marnie segurou sua mão sutilmente, quando sentiu o seu ciúme.
— Ele não é doido. — ela disse. — Só é muito afoito. Mas ele sabe que estará dando um tiro no próprio pé, confrontando os heróis mais poderosos da terra, e dois deuses literais. Cara, esse menino não tem noção do perigo?
Depois do que ela disse, eles ficaram calados, até que chegaram ao local do baile.
Bucky desceu acompanhado de Hanna e ele levou Mary pelo braço.
Levou tudo de seu autocontrole para não dizer algo atravessado aos repórteres, que estavam em todo lugar, cegando-os com seus flashes. Eles lhe perguntavam constantemente sobre o seu relacionamento com Anna, e se Marnie era sua nova namorada, se ele traiu sua princesse com ela... um banho de sangue.
Passado o caos da entrada, eles adentraram o baile. O mar de pessoas vestidas de preto e branco o deixou um pouco tonto. Levou um tempo para ele encontrar seus amigos reunidos numa espécie de camarote.
— Vocês são tão sem graça. — Natasha resmungou para ele e Buck. — É sério que não havia nenhum outro terno com um corte mais ousado?
Steve cruzou os braços, enfezado.
— Nat, você está querendo demais de dois velhos caretas. — Marnie disse, sentando-se ao seu lado e pegando uma taça de champanhe.
— Eu não sou careta, DeLavega. — Bucky se defendeu, estreitando os olhos para a sua amiga.
Ela sorriu cinicamente para ele.
— Ah, não? Então porque não prova? — ai não. Eles não iriam começar a discutir de novo, iriam?
Bucky ia responder algo, quando Natasha quase cuspiu sua bebida fora, olhando para a entrada, que convenientemente estava em suas costas.
— Oh. Meu. Deus. — disse pausadamente. — Virem-se agora mesmo!
Sem questionar a Viúva, Steve se voltou para trás, arregalando os olhos ao ver a cena: Anna caminhava maravilhosamente bela, usando um vestido vermelho-escuro com fendas e um bonito decote. Seus cabelos estavam amarrados num penteado intricado e ela usava algumas joias para complementar o seu visual.
Agora ele entendia o sentido da sandália vermelha que ele havia atado.
— Você já parou para notar que ela tem raiva de você, mas usa o colar que você deu a ela? — Marnie perguntou, fazendo-o olhá-la momentaneamente, para depois voltar seu olhar para Anna, sorrindo idiotamente com isso.
— Tão linda, mas a companhia destoa. — Hanna murmurou, ajustando seu vestido branco brilhante. Ela parecia uma fadinha. Uma fadinha psicopatamente fofa.
Seus amigos riram baixinho, então ela se aproximou deles.
— Olá crianças! — saudou-os alegremente.
— Você sabe que Tony vai ficar puto com você, não sabe? — Marnie disparou. — Era para ser preto e branco, cara. — ela alisou seu vestido preto de tule.
Anna abriu um sorriso deslumbrante.
— Eu simplesmente não tinha o que vestir. Em todas as lojas que eu ia não encontrei nada. Estava em cima da hora e eu não quis ter que fazer muito esforço, então comprei o primeiro vestido que eu vi. — deu de ombros.
— Uh... que tal irmos para a pista? Você pode jogar sua bolsa aqui, os velhos não dançam. — Nat disparou, rebocando a amiga para baixo do camarote. — Eu estava te esperando para fazermos algo juntas.
Com um sorriso, Anna a seguiu, deixando Storm sozinho no covil dos lobos.
Engolindo em seco por causa de cada olhar estreito para ele, o loiro-mel afrouxou a gravata.
— Eu vou... pegar uma bebida... — disse tremulamente.
— Eu vou também. — Hanna disparou, seguindo o rapaz.
— Aquele vestido... — Bucky perguntou meio que retoricamente, pendendo a cabeça para o lado ao observar sua amiga. — Ele...?
— Possui fendas? — Wanda completou o seu raciocínio, fazendo seu amigo assentir. — Ah, sim ele possui. Duas.
— Mas mostra muita pele. Lya está usando daquelas calcinhas beges, não está? — ele perguntou com o cenho franzido.
Marnie engasgou-se com o champanhe.
— Barnes, primeiro de tudo: para usar calcinhas beges, você tem que ser bege. Até onde eu sei, Lyanna é translúcida. Como é que ela poderia usar uma calcinha bege sem ficar horrível? Segundo: com aquela fenda até na pepeka, não há no mundo como usar uma calcinha. — disse-lhe rapidamente, um pouco embriagada.
Steve arregalou os olhos, olhando na direção em que Nat e ela dançavam, vendo-as descerem lentamente ao som da música, percebendo as fendas que Marnie havia apontado.
— Você quer dizer que...
— A coleguinha está tomando uma brisa? — Marnie disparou, tomando seu champanhe. — Sim, ela está.
Ele bufou, negando com a cabeça.
— Hm... ok, né? — murmurou, corando.
Marnie deu-lhe um sorriso idiota.
— Agora eu quero ver como você vai passar a noite sabendo essa informação. — disse para Steve, então, ela bebeu o resto da bebida e se levantou. — Eu vou lá impedir que Hanna mate Storm. Se comporte. — sim, essa frase foi totalmente direta para ele.
*
Mary caminhou rapidamente até o bar, onde Hanna se aproximava de Johnny Storm, com más intenções em sua cabecinha de K-POP. Ela sentou-se um pouco afastada dos dois, mas numa posição que dava para ver e ouvir o que eles estavam fazendo.
— Então... eu finalmente pude ter um tempo para poder falar com o garoto que pega fogo... você é quase uma estrela rock, sabia rapaz?! — Han começou, num tom de voz fingidamente amigável.
O loiro-mel riu. Havia uma desconfiança dentro dele de estar conversando com Hanna. Porque ele meio que sabia que ela não era flor que se cheirasse, e ele tinha total razão em ter medo. Ele havia mexido num vespeiro, cuja rainha daquele cabaré era aquele pequeno ser, meio que literalmente.
— Uh... eu deveria dizer obrigado? — ele rebateu, tentando dar-lhe um sorriso galanteador.
Ah se ele soubesse que ela prefere os alienígenas loiros...
— Não realmente... — Hanna passou o dedo indicador pela borda de sua taça. — O Tocha Humana... — ela refletiu, fingidamente admirada. — Você tem algum outro tipo de variação dos seus poderes além de pegar fogo pelo corpo inteiro?
O loiro-mel engasgou-se, meio que ofendidinho pela pergunta de Han.
— Eu posso fazer a supernova. O calor do sol, sabe? — caralho, ele tinha um ego muito grande.
Hanna riu debochadamente.
— Só isso? — perguntou-lhe insolentemente, arqueando a sobrancelha. — Acho que você vai precisar de mais que apenas uma supernova para se defender, garoto. Porque se você pode pegar fogo, eu posso envenenar pessoas. — cara, Storm parecia um cervo nos faróis ao ver o gás róseo que saiu das pontas dos dedos da coreana. — Agora... você está vendo aquela mocinha ali? — ela apontou para onde Lynna e Nat dançavam na pista, ignorando um Tony muito puto pela cor da roupa dela. — A de vermelho...? Ela é bonita, não é? — Storm assentiu em reflexo, por conta da pequena intimidadora em seu encalço. De repente, até Mary prendeu a respiração ao ver Han sacar a faca e posicioná-la bem no meio dos dedos do loiro-mel, sem ao menos piscar. — Mas não é para o seu bico. — disse-lhe em tom sombrio de ameaça. — Ela é minha, e você não vai tocar num fio de cabelo dela, pois se isso acontecer... ai de você, querido. Eu vou enfiar essa faca no seu orifício anal. Sem anestesia, sem medo, até o osso. E isso será apenas o começo. Você vai implorar por um soco de Rogers no meio da sua cara para acabar logo com o seu sofrimento, acredite em mim. — Mary teve que admitir que teve pena do desgraçado. Hanna iria comer o cú dele sem dó. O de quem está lendo, provavelmente. — Toque num fio de cabelo da minha amiga, e não haverá supersoldado no mundo que supere a minha fúria. Lembre-se de uma coisa, Storm. Ela não é uma de suas conquistas. Não haja como se isso fosse um desafio.
Então, após o seu recado dado, Hanna levantou-se, escondeu a faca e saiu polidamente, como se nada.
Marnie foi logo atrás dela, segurando o seu braço.
— Hanna, de um jeito estranho, eu te venero. — disse para a pequena, que arqueou a sobrancelha para ela, antes de rir. — Você deixou uma marca naquele guri. Ele vai ter pesadelos com você!
Ela deu de ombros.
— Meu recado foi dado. — disse-lhe. — Eu só espero que ele entenda.
— Ah, não se preocupe. — Marnie piscou para ela. — Ele vai.
Então, elas foram para os seus amigos, porque Marnie precisava contar para eles esse causo.
*
Em algum ponto da noite, depois de rir e ter medo de Hanna por ela ter ameaçado Storm, Steve sentiu seu coração afundar ao ver Anna dançar com o garoto que pega fogo, que vez ou outra olhava para onde eles estavam sentados e arregalava os olhos para Han, que sempre sorria ampla e angelicalmente para ele, fazendo-o tentar manter o máximo possível suas mãos longe da ruiva, mas ela meio que não permitia tal ato...
— Que tal dançarmos? — Marnie perguntou para ele, estendendo-lhe a mão, tentando fazê-lo mudar seu humor enfezado.
Ele sorriu e pegou, guiando-a para a pista de dança.
— Você acha mesmo que eu posso continuar mantendo a esperança? — perguntou-lhe baixinho, inseguro. — Eu não sei se pode dar certo, sabe? Tudo isso...
Ela tocou seu ombro com um pouco mais de força.
— É claro que você deve, querido! — disse-lhe carinhosamente. — Lembre-se que a raiva não vem dela. Quando ela finalmente enxergar a verdade, ela vai voltar, confie em mim.
— Eu confio, acredite. — assegurou-a. — Mas não sei... se ela realmente estiver feliz com ele? Se for ele quem ela procura? Eu não poderia impedi-la e privá-la disso...
Marnie bufou.
— Rogers! — sibilou, batendo em seu peito. — Escute o que você está dizendo, donzelo! Ela te ama, você a ama, tudo o que vocês estão fazendo agora é puro cú doce, que provavelmente vai acabar na cama! Isso é idiota, sabia? Não há competição para vocês dois. Nunca houve, porque ninguém pode separar uma alma gêmea da outra, entende? É algo muito forte para se brincar. E inevitavelmente, um vai sempre voltar para o outro.
Ele sorriu para a sua amiga, que sorriu de volta.
— Então, porque tudo tem que ser complicado? — murmurou, seu sorriso morrendo aos poucos, ao ver a interação dela com Storm.
— Nada na vida é fácil, amigo. — Mary murmurou carinhosamente. — Você precisa lutar por tudo. E de um jeito estranho, eu meio que me simpatizo com isso. Parece que eu sempre estou lutando por algo que desconheço...
Ele suspirou.
Seria mais fácil deixá-la seguir em frente... ele poderia tentar buscar sua paz com outra pessoa... ele poderia buscar o consolo com outra pessoa, enquanto a permitia ser feliz do jeito que ela queria...
Ele poderia amar alguém como Mary. Compreensiva, doce, divertida. Não haveria tantas lutas para ele ao seu lado...
— Pare. — ela pediu. — Você não gosta de mim desse jeito. Não desista, por favor. Eu não quero perder vocês dois de uma vez só. Não faça isso. Não desista sem que tenha lutado até o final.
Ele encostou a cabeça na testa dela, sentindo uma lágrima rolar pelo seu rosto.
— Eu não sei se consigo lutar mais. — murmurou quebrado. — Eu não sei se aguento perder mais uma vez.
— Que isso... o que aconteceu com o ‘eu posso fazer isso o dia inteiro’? — ela imitou sua voz, fazendo-o rir. — Quer um conselho de alguém que sofreu muito nessa vida? — ele assentiu. — Não abandone suas chances de ser feliz. Agarre isso com unhas e dentes, porque não haverá outra chance como essa. Lute pelo amor da sua princesse, porque vocês dois ainda têm muito a viver. E eu não preciso ser uma mãe Dinah para dizer isso.
Ele sorriu.
— Obrigado Marnie. Acho que eu estava precisando um pouco do seu puxão de orelha.
Ela soltou uma gargalhada moderada.
— À vontade, soldado. — piscou.
— Hm... e por falar em soldado... — ele começou, fazendo Marnie revirar os olhos.
— Rogers, calaboquitos! — rosnou. — Agora, coloque sua bunda injustamente grande e bonita para dançar, eu quero sair daqui sem pés!
Ele riu.
— Você vai conseguir ter seu desejo realizado. — brincou. — Eu não sei dançar e vou pisar em você.
— Tem vergonha, Steven! — ela brincou de volta. — Você namorou com uma bailarina por anos e nunca aprendeu a dançar?!
Ele sacudiu os ombros divertidamente, rindo em seguida.
— O que posso fazer? Existiam coisas mais interessantes para se fazer do que dançar.
— Nojento. — ela fez uma careta. — Eu não precisava saber dos detalhes sórdidos, seu pervertido.
Rindo, eles começaram outra música.
*
Ela dançou com Storm por um momento, mas não era exatamente o que ela queria.
Sua conversa com a insistente da Natasha, sua conversa com Tony, suas divagações do início da semana... tudo isso estava girando em sua mente. Ela só queria voltar para casa, para a sua cama, para chorar em posição fetal.
Sua cabeça estava em parafuso, porque tudo o que ela fazia era se questionar sobre o fato dela poder confiar em sua própria mente ou não.
Era tudo tão confuso...
Seus olhos se voltaram para onde Steve dançava com Mary.
Eles formavam um bonito casal... sorriam em sincronia... ele parecia bem mais feliz com ela do que consigo. Ela só trouxe tristeza para o coração dele. E se ele for mesmo inocente das acusações dela... ela acabou de machucar o coração da única pessoa que ela amou romanticamente.
Afastou-se de Storm.
— Desculpe-me. — murmurou, tentando controlar a voz embargada. — Eu preciso ir... eu não posso mais fazer isso...
Então ela correu para algum lugar, passando entre as pessoas, as lágrimas desciam sem a sua permissão.
Entrou no banheiro, a fim de lavar a sua tristeza, apesar de estar maquiada.
Natasha trancou a porta atrás dela.
— Você está se dando conta, não é? — questionou-a, caminhando até ela. — Estava demorando para cacete... — Lynna ia abrir a boca para falar, mas Nat a cortou. — Primeiro de tudo, eu só quero dizer que você está sendo injusta. Como você pode ver, eu desconfiaria da minha mente primeiro, antes de vir atacar a pessoa que é capaz de arrancar o coração fora por você. — suspirou. — Lyanna! Existe um maldito parasita dentro de você! Quando você planejava nos contar sobre isso? Se não fosse Mary a descobrir sobre ela, nós só iríamos saber quando tudo estivesse perdido, não é? — os olhos da ruiva mais nova se suavizaram. Aquela foi uma das raras vezes em que ela via Nat com lágrimas nos olhos. — Minha amiga, você tem danos irreparáveis em sua mente. Você tem um ser doente que está te envenenando aos poucos! Como você pode pensar que a mesma pessoa que não sabe a diferença entre a sutileza e a burrice iria te trair? Nós não estamos falando do mesmo Steve.
— Eu sei o que eu vi... — ela tentou rebater, mas Nat a cortou outra vez.
— Não, você sabe que não sabe! Mas você é orgulhosa demais para admitir isso. Você não vai admitir que errou, que sua mente lhe deu a volta. — ela aproximou-se de si, segurando seus braços. — Quando você vai perceber isso, Lyanna? Quando você perdê-lo? Quando se perder? — ela virou o seu corpo para o vidro que dava para ver a festa. De lá ela podia avistar Steve e Mary dançando. Eles pareciam tão íntimos... — Isso o machuca também, sabia? Ele finge que é forte, mas não é. Vocês dois são dois idiotas um pelo outro. Se amam, e eu nunca vi algo tão forte... agora me diga, foi esta a pessoa que te traiu? — apontou para o sorriso triste que ele dava a Marnie. Os ombros dele estavam caídos, como se a luta tivesse sido perdida. — Acorda, Angianova! Você está machucando um inocente.
Ela soluçou. Não era isso o que ela queria.
— Eu... eu... — ela não tinha palavras sua mente era um carrossel confuso.
— Eu só vou te dizer uma vez. — ela murmurou em seu ouvido. — Você tem duas escolhas: ou você desiste do seu orgulho e pula logo nesse supersoldado idiota que te ama, ou você deixa o caminho livre para ele ser feliz. Porque eu não quero ver os meus amigos sofrendo. E se você machucá-lo ainda mais, do mesmo jeito que eu rasgaria a cara dele por tê-la feito sofrer, eu farei o mesmo com você, porque essa é a minha natureza. E você sabe disso, você é a única que sabe. Eu já estou cansada de vê-lo sofrer pelos cantos por culpa de uma menina mimada que não quer enxergar a verdade sobre si mesma. — suspirou, permitindo que Lynna encontrasse seus olhos verdes. — Não é apenas sobre sua saúde mental Lya. É sobre tudo. Admita isso para si mesma, lute contra esse parasita. Você é mais forte. Eu não posso perdê-la também.
Ela assentiu minimamente, sentindo-se pequena.
Eu machuquei ele, sua mente murmurou em pânico. Eu destruo tudo o que eu toco.
— Está bem, Tasha. — murmurou. — Então eu vou embora. Eu abro mão de tudo...
E com isso, ela destrancou a porta do banheiro e saiu correndo, indo na direção dos carros que trouxeram seus amigos até ali, que agora provavelmente estariam no estacionamento...
Ela mudou de ideia quando percebeu que teria que passar por Steve para chegar até lá.
Correu na direção oposta, para pegar um táxi. Ela só precisava voltar...
*
Mary se assustou quando Natasha puxou-a para longe de Steve sem mais nem menos. Os sentimentos dela estavam em parafuso. Desde a raiva, ao pânico completo.
— Eu acho que cometi o pior erro da minha vida! — ela sussurrou com lágrimas em seus olhos. A Viúva Negra jamais chorava! — Eu joguei as verdades na cara dela. Eu lhe dei um ultimato e ela... eu disse a ela que ou ela se jogava em Steve, ou ela deixava o caminho livre e...
— E ela negou aquele corpinho lindo. — Mary resmungou, resignada. — Para onde ela foi?
— Eu não queria ver mais os meus amigos sofrendo desse jeito! — Nat ignorou a sua pergunta. Cara, ela estava chorando de verdade. Isso apertou o coração de Marnie. — Ela... ela disse que ia embora. Vai atrás dela, Mary! Impeça-a de fazer algo estúpido que pode acabar com a sua vida, porque ela não vai mais me ouvir... eu só tenho ela. Eu não posso perdê-la.
Chorando, Marnie se afastou um pouco da outra ruiva.
— Você...?
Ela fez um gesto positivo, então Marnie saiu correndo, esbarrando em Barnes no meio do caminho.
— Cuida de Romanoff. — ela disparou para ele, antes que o mesmo abrisse a boca. — Ela não está bem.
— E para onde você está indo? — ele perguntou, preocupado.
— Atrás de Angianova, o que mais? Ela vai fazer besteira outra vez!
*
Ela nunca chegou ao Complexo em tempo tão recorde.
O motorista indiano falador parecia já estar familiarizado com o caminho, pois saiu cortando vários caminhos pela cidade de Nova York, o que significava que Marnie podia ter a esperança de chegar lá e pegar sua amiga louca ainda arrumando seus mijados.
Como esperado, ela encontrou Lynna arrastando uma mala enorme pelo hall vazio do Complexo.
— O que você pensa que está fazendo? — perguntou-lhe, esbaforida pela corrida.
A ruiva mais velha arregalou os olhos.
— O que você está fazendo aqui? — rebateu. — Você e Rogers não deveriam...?
Marnie revirou os olhos.
— É sério, mulher, tu é lerda para um excelentíssimo senhor caralho! — rosnou. — Tudo o que eu sinto por Steve é meramente um carinho de irmão! A nossa relação é extremamente igual à sua com Barnes!
— Mas... mas... você vive falando e elogiando ele sempre que pode! — ela retrucou.
— Como eu faço com todo mundo! Eu vivo elogiando irritando todo mundo, porque esse é o meu jeitinho. — deu de ombros. — Mas eu não sinto nada por ele, porque além dele só ter olhos para você, sua idiota, eu gosto de outra pessoa. De uma pessoa que me odeia!
Sua amiga paralisou por um tempo.
— E o que você quer que eu faça?! — disparou, desesperada. — Eu o machuquei, Marnie! Eu machuquei o único cara que eu amei de verdade! Eu não posso conviver com isso.
— Você não teve culpa de nada, Lya! A Pétala teve! Foi ela quem danificou sua mente, foi ela quem quis te ver para baixo, te debilitar. Eu vi o cerne dela. E ela é podre. — ela rebateu. — Vem comigo, eu preciso te mostrar uma coisa.
Sem esperar por uma resposta, Mary arrastou Lyanna para o apartamento dela, pedindo a SEXTA-FEIRA para colocar o vídeo que ela havia mostrado aos Vingadores em Wakanda.
Ela explicou pacientemente cada parte do vídeo, pontuando a exatidão da data e da hora em que as câmeras de Berlim captaram as duas cenas divergentes.
Quando a projeção acabou, sua amiga estava boquiaberta em seu sofá.
— Eu...
— Você não precisa falar nada, querida. — disse carinhosamente, acariciando seus cabelos suaves, que há essa hora, já haviam caído do bonito penteado. — Reflita sobre isso e converse com Steve, pelo amor de Deus. Dê uma chance à sua felicidade. Não se prive disso. Vocês dois foram feitos um para o outro, não desista disso, flor. — beijou carinhosamente a sua cabeça. — Eu te darei privacidade, mas se precisar de mim, é só chamar.
Lya assentiu, então Marnie a deixou só, com seus sentimentos conflitantes.
Ela esperava que sua amiga chegasse a uma conclusão feliz, apesar de seu coração apertar, dando-lhe um mal pressentimento, porque ela não devia, de maneira nenhuma, deixar aquela criatura sozinha.
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