The Captain and The Petal.

52 Fiftieth Chapter. - Isn't just about the hair!


Notas iniciais
Ois! SENHORA E SENHORES, CHEGAMOS AO CAPÍTULO CINQUENTA COM GRANDE ESTILO!!! Foi mal o surto, mas é que esse é de longe o meu capítulo do coração, o que eu estava com muita, mas muita vontade de escrever logo, por causa dos eventos eletrizantes dele! Haverá um pouco de spoiler sobre Agentes da S.H.I.E.L.D, mas eu juro que é bem light. Como eu havia dito, eu não saí da primeira temporada, então não há muita coisa que mostrar, eles só serão mencionados. Boa leitura! PS: nova fase, com Steve barbudo, pq Chris Evans barbudo é mt meu bb ♥

Não é apenas sobre o cabelo!

Passaram-se alguns dias desde que Bucky, Marnie e Rogers voltaram de Wakanda e ela estava conseguindo evitá-lo com sucesso, até que...

— Agente Angianova. — ela teve que fechar os olhos com força, antes de encará-lo. — Preciso que esteja na sala de reuniões em dez minutos. Vista-se.

Então ele se voltou na direção contrária, sem esperar por uma resposta. E o filho de uma mãe loira parecia ainda melhor com o traje furtivo, o que fazia sua vida ainda mais injusta.

É só pular. Não precisa pensar duas vezes!, sabe... as vezes, ela não gostava dessa vozinha lhe induzindo a fazer coisas que ela não queria.

Ok, sim, ela queria. Ela queria pular naquele ser e escalá-lo como uma árvore...

Bufando alto, Lynna voltou para o seu apartamento e desempacotou o novo traje que Tony havia lhe dado logo assim que eles pousaram. Ele era roxo quase violeta, com algumas manchas rosadas, quase igual ao outro, mas mais moderno e com ainda mais aderência ao seu corpo, facilitando suas manobras. Em sua gola, ele possuía uma minúscula coroa vermelha, o jeito de seu amigo provocador chamá-la de realeza.

Ela atou tudo o que tinha para atar e calçou as botas, para depois sair do apartamento, fechando o velcro das luvas com os dentes, enquanto colocava as armas e facas roxas em seus coldres.

Quase todo o time, exceto Tony estava lá.

O dito cujo chegou logo atrás dela.

— Estávamos esperando vocês. — Nat disse com um sorriso suspeito na cara.

— Ok... já que estamos todos aqui... — Rogers começou, antes que ela tivesse a oportunidade de responder a amiga. — Vamos dar início ao briefing.

*

O único barulho que ela ouvia era o do seu mastigado, que ecoava através da floresta silenciosa. A fruta que ela estava comendo chegou até o caroço, então, ela finalmente a jogou na pilha que havia se formado no pé da árvore em que ela e Mary estavam de tocaia.

Logo, Lynna retirou outra do saco e voltou a morder.

A coisa aí em baixo está boa, não acha mocinha? — Sam provocou. — Desde hoje eu ouço você mastigando... tá roendo os ossos de DeLavega?

Ela riu.

— Eu peguei umas ameixas na feira hoje de tarde. — respondeu-lhe. Rogers olhou para ela com o seu semblante de ‘o Cap está decepcionado com você’, que a fez arquear a sobrancelha. — Eu paguei por elas, kapitan. Eu não sou uma garota má. — revirou os olhos e levou um de seus dedos livres ao ouvido direito. — E quanto aos ossos de DeLavega, não sou eu que quero roê-los.

Natasha soltou uma gargalhada gostosa, seguida de Hanna. Esta última soltou um chiado de dor, provavelmente vindo da pessoa alvo do planinho sórdido delas de uni-lo à fadinha.

E quem seria esta pessoa que não bate bem da cabeça? — o Falcão disparou, fazendo o trio rir.

— Eu estou bem aqui, será que vocês poderiam parar de falar da minha vida? — Mary resmungou, catando uma ameixa do seu saco.

— Eu acho que é aquele carinha que fica por trás do balcão do Complexo. — a ruiva mais velha respondeu Wilson, ignorando o comentário de Marnie, que revirou os olhos dramaticamente.

Aquele do piercing no septo?

— Ele mesmo.

Mary bufou.

— Aquele cara é horrível. — fez uma caretinha.

— Vocês poderiam parar de fofocar e focar no que temos que fazer? — Steven resmungou, aproximando-se delas com o dedo no ouvido.

Lynna arqueou a sobrancelha.

— Como Romanoff diz, nós somos multitarefas. Agora... deseja uma ameixa para relaxar? — estendeu-lhe o saco.

Estranhamente, ele olhou para Mary antes de pegar uma ameixa da embalagem marrom. Esta era uma das maiores. Ele levou-a à boca e mordeu-a até a semente de uma vez só, como se estivesse obstinado a alguma coisa.

Ela ficou muda quando viu o suco da fruta descendo pela lateral de sua boca, sujando sua barba. E ficou ainda mais muda quando ele limpou isso com as costas da mão.

Seu corpo ficou quente, em contraste com o frio glacial da Rússia nesta época do ano. Ele não tirou os olhos dela nem um segundo, enquanto comia a fruta, e isso a fez desconfortável onde o sol não batia.

Quando terminou, o maldito sugou audivelmente o caroço, antes de jogá-lo na pilha que ela havia feito.

— Obrigado. — disse simplesmente e se afastou dela.

Marnie riu do seu lado, provavelmente sentindo as suas emoções conflitantes.

Rapidamente, Lynna catou um punhado de neve de um galho e tacou na cara dela, que a encarou indignada, mas ainda tinha um sorriso presunçoso consigo, o que a fez revirar os olhos.

Eu não acredito que você tem ameixas, Lya! — a voz de Bucky lhe chamou a atenção. Ele estava em algum lugar acima da sua cabeça. — Ainda tem uma para mim?

— Sim. — ela respondeu, olhando para cima, procurando por uma pista de onde ele estaria, foi quando ela viu o solado de sua bota de combate alguns metros acima da cabeça de Mary. — Eu guardei uma para você. Porque você gosta de ameixas.

Ele soltou uma espécie de rosnado baixo.

Ela vinha provocando-o desde que secretamente o ouviu chamar Mary de Sliva, na presença de seu amigo chato. Sliva é ameixa em russo, e ela só conhecia uma pessoa dentro daquele Complexo que usava perfume de ameixa, então...

— Até porque... ameixas são suculentas. — Nat provocou, duas árvores atrás dela.

Vocês duas são pequenas merdas. — Barnes resmungou. — Onde está a minha ameixa?

Revirando os olhos, ela catou uma fruta do saco e arremessou para ele, que agarrou-a com a mão de metal.

Mary encarou-a com os olhos arregalados e ela apenas deu de ombros.

— Anos e anos de prática. Eu não sou uma amadora, DeLavega. — então piscou.

O nosso alvo está se mexendo. — a voz de Tony soou em seus ouvidos. — Ei, tem alguma ameixa para mim?

Ela revirou os olhos outra vez e tacou uma ameixa para ele, que pegou-a no ar e retirou a viseira para comê-la.

Ei SEXTA-FEIRA, eu quero um caixote dessas ameixas. — disse para a IA, que respondeu-o positivamente.

Ela ia dizer algo a ele, então o barulho característico da sniper de Bucky os fizeram ficar alerta. O corpo do primeiro homem caiu de cima da base com um baque surdo na neve.

É melhor você sair de debaixo de mim, DeLavega. Aquele homem tinha a arma apontada para você. — seu amigo disse, fazendo Mary pular para o seu lado, enquanto ele descia da árvore e colocava a semente na sua pilha. — Esta está tão docinha, onde você conseguiu?

— Naquela barraca com a moça hippie que queria me vender piercings no mamilo. — respondeu-lhe dando de ombros. — Eu não aceitei os piercings, mas estava morrendo de fome, então comprei. — ele meteu a mão de metal em seu saco e tirou duas, deixando-a com apenas uma, e completamente indignada. — Ei!

Retirou a última ameixa e mordeu-a.

— Bem, eu não acho que você pareceria ruim com piercings no mamilo, mas isso não dói para caramba? — Bucky perguntou, franzindo o cenho para ela, que deu de ombros outra vez.

— Não sei, mas isso não me faz indisposta a tentar. — respondeu-lhe.

Marnie começou a rir do nada, fazendo com que os dois a encarassem. Lynna perdeu o olhar divertido que Bucky tinha no rosto, porque ele sabia o motivo da risada dela.

Parece que um certo supersoldado loiro ficou afetado com essa declaração.

Suspirando, enquanto tentava não chamar a sua amiga de louca, a ruiva mais velha deu um sorrisinho brincalhão.

— Então, Barney... — ela chamou-lhe do apelido que Marnie vivia o chamando, porque sabia que isso o deixava irritadiço. — Você está de volta ao seu habitat natural...

Ele franziu o cenho.

— À Rússia? — perguntou-lhe, confuso.

— A neve. — balançou as sobrancelhas, retirando algumas gargalhadas de seus amigos, que estavam muito longe da linha de tiro dele.

Bucky revirou os olhos.

Nossa, que piada legal, Angianova. — resmungou. — Já limpou o veneno das suas presas hoje? Porque é melhor fazer isso, antes que morda a língua e morra, sua cobra.

Ela sorriu-lhe amplamente e beijou a sua bochecha.

— Awn. Tão preocupado comigo, meu abominável homem do inverno. — então ninguém conseguiu segurar mais o riso. Até mesmo ele riu.

Precisamos ir. — Rogers falou, se recuperando. — Precisamos recuperar o artefato que os agentes da Hydra roubaram da SHIELD. Antes que seja tarde demais. Eles já descobriram que um deles foi abatido.

Lynna assentiu para seus amigos, que assentiram de volta.

— Estamos prontos. — Bucky respondeu, colocando a máscara azul de seu traje.

Quero que os dois adentrem a fortaleza. — o Capitão disse. — Tomem cuidado.

Assentindo mais uma vez, Bucky se agachou, colocando a mão esquerda para fazer de escada para que Lynna pudesse montar suas costas com segurança, como eles faziam quando estavam juntos do outro lado da moeda.

Ela ancorou suas mãos nas fivelas do traje do moreno e olhou para Mary com uma expressão de ‘fique segura, só haja quando for solicitada, não faça besteira’. A outra ruiva apenas assentiu, então ela colocou a máscara que Tony fez para ela, batendo duas vezes no ombro de Buck para que ele pudesse caminhar até o bunker.

Os dois guardas da entrada arregalaram os olhos para eles, então disseram algo em seus comunicadores. Apenas o moreno deve ter ouvido, mas não era muito difícil de imaginar que eles estavam avisando que eram o Soldado e a Pétala que estavam batendo à porta.

Rollins, o antigo parceiro de Rumlow apareceu, encarando-os dos pés à cabeça.

— Qual a sua destinação, Soldado? — perguntou-lhe pobremente em inglês.

Ela quis revirar os olhos.

Eu cumpri minha missão. Resgatei a Pétala das mãos dos Vingadores. — Bucky respondeu em russo, retirando-a de suas costas, para depois segurar os braços dela com as mãos de metal. Ela tentou se soltar, mas ele prendeu-lhe com mais força. — Esta foi a primeira base que me veio à mente.

Cara, não é que ele é um bom ator? — Sam provocou.

Ele é um espião russo, gênio. — Hanna revidou. — Meu Buckinho é incrível.

Não fala assim que Lyanna fica com ciúmes. — Nat provocou também. — Você sabe que ela não gosta de dividir.

Elas riram, fazendo-a querer revirar os olhos.

Rollins deu-lhes um sorriso asqueroso, que conseguia ser tão ruim quanto o de seu antigo parceiro.

Sejam bem-vindos de volta. — ele abriu a passagem para que Bucky entrasse arrastando o seu corpo. Aquelas criaturas eram tão lerdas, que não questionaram que a aparência do “Soldado Invernal” havia mudado. Logo, um cheiro forte de formol rebateu em suas narinas, irritando seus pelinhos sensíveis. O que essa gente estava tramando por aqui? — Sabe, achávamos que não iria concluir a sua missão. — ele disse para o moreno, que apenas manteve-se estoico o caminho inteiro, enquanto ela passava a observar tudo o que podia absorver, assim como o fato de que cada homem ali estava com uma seringa no coldre, como se estivessem esperando que eles fossem aparecer por ali para colocar o soro em suas veias. Ou vai ver fosse um novo protocolo, sabe-se lá, não é mesmo? — Como eles reagiram? Os Vingadores, eu digo. Eles têm laços fortes com a Pétala.

É serio que esse filhote de cruz credo estava falando dela como se ela não estivesse bem ali? E ainda mais: ele estava sendo camarada do Soldado! Nunca na Rússia, bebê.

Ok, ela tinha que parar de andar com Mary. A loucura dela estava passando para si.

Bucky bufou.

— Eles são idiotas. — respondeu em inglês.

Ei, isso doeu, Floquinho de Neve. — Tony se pronunciou. — O artefato que procuramos está no subsolo, em um laboratório secreto. Wilson, você vê?

Sim. — Sam respondeu. — Ele está a umas três portas de onde vocês estão. Vou mandar Asa Vermelha para auxiliá-los no trabalho.

Eu estou bem atrás dos dois. — Rogers falou. — No três.

Rollins continuou falando com Bucky sobre algumas coisas do funcionamento da base, ao mesmo tempo em que ele liberava suavemente o domínio sobre o corpo dela. Os homens de Rollins começaram a se reunir ao redor dele, o que a deixou um pouco aliviada.

Três. — o Capitão falou.

Imediatamente, Bucky a impulsionou para cima, como eles sempre faziam em missão, ajudando o seu corpo – que era gritantemente bem mais leve que o dele –, a nocautear pelo menos três homens de uma vez só. Os outros deles sacaram suas armas, mas isso apenas a fez sorrir. Ok, eles não veriam, mas isso não importava muito.

— Oh, acham mesmo que podem me derrotar com essas coisinhas? — arqueou a sobrancelha, reduzindo as armas nas mãos deles à pérolas, com um agito de sua mão.

Os homens arregalaram os olhos e deram alguns passos para trás.

Rollins ia fazer algo, mas o frisbee gigante o interrompeu, então Nat, Marnie e Hanna apareceram atrás dele. Esta última estava literalmente pegando fogo.

O agente da Hydra arregalou os olhos.

Pyra... — murmurou com os olhos brilhantes, fazendo-a franzir o cenho.

Com um agito de sua mão, ela prendeu os homens com algemas vermelho-sangue, ajudando Bucky a colocá-los sentados. Nat e Rogers desceram ate o laboratório, enquanto Marnie revistava as emoções de cada um dos cativos com uma expressão vazia.

Ela, Bucky e Hanna cercaram a ruiva anã, que estava sendo hostilizada por aqueles pedaços de merda.

— Por um momento... — Rollins se pronunciou, finalmente falando com ela. — Eu realmente achei que tivéssemos te recuperado.

Lynna pendeu a cabeça para o lado, fazendo com que sua trança vermelho-alaranjada imitasse o seu movimento. Estranhamente, ela pegou Rollins olhando para os seus cabelos.

— Oh... — murmurou, agachando-se na altura dele. — Parece que o nosso querido Rollins gosta de se iludir, Buck. — olhou para o moreno, que apenas assentiu para ela, mas ela sabia que ele estava sorrindo por trás da máscara. Ela pegou o rosto dele, seus olhos faiscando. — Coitado.

Alguns minutos depois, Rogers e Nat voltaram com um cilindro em mãos. Ela não sabia o que havia ali, mas deve ser algo de suma importância para a SHIELD, então ela não questionou.

Cada um levantou seu respectivo bandido, encontrando-se com Sam e Tony na entrada da base, enquanto uma nave da SHIELD os esperava para colocar os prisioneiros lá.

Na verdade, era o avião de Coulson.

Ela não sabia que os seus amigos já haviam sido autorizados a saber que ele estava vivo.

A bem da verdade, ela já havia se esquecido disso.

Sorriu-lhe quando o viu parado na rampa de carga, ao lado do seu time, cuja única pessoa que ela havia decorado o nome foi Skye. Ela e seus parceiros desceram para pegar os bandidos e ajudá-los a colocá-los no avião.

— Olá, vossa alteza. — Coulson disse formalmente, fazendo-a sorrir, enquanto repassava o bandido que ela segurava para uma mulher de traços asiáticos.

— Olá Phill, como vai? — disse-lhe amigavelmente. — Você sabe que não precisa de tanta formalidade, não é? Pode me chamar apenas de Lynna.

Ele sorriu.

— Eu manterei isso em mente. — disse-lhe.

Natasha passou por ela, resmungando um ‘agente fala sobre isso mais tarde’ e adentrou a aeronave do homem à sua frente, carregando um bandido consigo.

Você sabe que não tem cura, não sabe? — ouviu Rollins gritar em seu russo de índio. Rogers estava segurando e arrastando ele para a aeronave. — Ela vai fazê-la definhar até a morte.

Lynna voltou seu torso para ele, que tinha um brilho cruel em seus olhos, enquanto o supersoldado loiro tentava o empurrar para a aeronave.

Do que está falando? — ela resmungou.

— Não dê ouvidos a ele. — Natasha lhe alertou, mas ela a ignorou, indo até onde o homem estava, pegando em sua beca, ignorando também o aperto de Rogers contra ele.

Do. Que. Você. Está. Falando? — rosnou, retirando-o do aperto do loiro, que tentou segurá-lo de volta, mas ela foi mais rápida e o impediu.

Rollins soltou uma gargalhada zombeteira.

Eu estava lá. Em Lagos, quando Rumlow injetou aquela substância em seu corpo. — Lynna arqueou a sobrancelha para as palavras dele. — Era para você ter obedecido às palavras. Mas de alguma forma, você está mais forte, imune ao soro... mas até quando? — riu-se. — A cada doze do soro, sua resistência à ela diminui... mas já faz tanto tempo... contudo, não precisaremos esperar muito, logo a equação ficará pronta, e você vai morrer.

— Já chega. — Bucky disse, segurando o seu braço. — Não dê ouvidos a ele, ele só quer provocá-la. Vamos, deixe Stevie levá-lo para dentro.

Lynna assentiu e soltou a beca de Rollins, mas isso foi o seu primeiro erro.

Ela não viu que ele pegou a sua faca roxa do coldre.

Ela também não viu que quando ele se levantou, o mesmo estava sem algemas, pois graças ao seu nervosismo, a ela as fez se dissiparem.

Ela só sentiu o barulho do vento cruzando suas orelhas e o roçar suave da ponta da faca em sua nuca.

— Lya! — Hanna gritou, fazendo seus músculos retesarem e todos olharem para ela, que olhou para trás.

Seu cenho franziu ao sentir uma mecha grossa de seu cabelo cair irregularmente em seu ombro, fazendo-a arregalar os olhos.

Havia poucas coisas no mundo que Lynna tinha muito, mas muito ciúme. E seu cabelo era estava no topo da lista, então, dá para imaginar a reação furiosa dela ao ver a grossa trança ruiva jogada no chão, ao lado de sua própria faca.

Rollins soltou um risinho.

— Fudeu. — Bucky sussurrou, fechando os olhos, para depois beliscar a ponte do nariz.

E esse foi o seu gatilho para ela atacar o agente da Hydra com um grunhido de raiva. Ela derrubou o corpo dele no chão e atou seus braços ao solo e escarranchou suas pernas na cintura dele, socando sua cara com ódio puro nos olhos, agora vermelhos. O sangue dele começou a espirrar em seu rosto, e ela só pararia quando ele estivesse morto debaixo dela.

Alguém gritou consigo, mas ela ignorou essa pessoa.

Até que ganchos lhe tiraram de cima de Rollins, impedindo-a de matá-lo. Ela estava com ódio dessa pessoa.

— Solte-me! — gritou, esmurrando as costas da pessoa, que sequer se dignou a sentir dor.

— Já chega. — era a voz de Rogers que soava abaixo de si.

— Ele cortou o meu cabelo! — gritou outra vez. — Eu vou arrancar os olhos dele!

— Não, você não vai. — ele gritou de volta, caminhando consigo até o quinjet.

— ME SOLTE! — esmurrou suas costas com os dois punhos, mas como aquela peste era um supersoldado, ela sequer havia feito cócegas.

Ok, já que ele não iria soltá-la por bem...

Com o apoio de suas pernas, Lynna impulsionou-se, forçando seu corpo a rodear o corpo do loiro, tendo acesso ao pedaço exposto de seu pescoço alvo, mordendo-o logo em seguida, com toda a força que conseguiu, retirando sangue dele, que gritou de dor, derrubando-a no chão para tocar a ferida com a mão.

Isso ajudou-lhe a correr de volta para Rollins, que era rebocado por Bucky agora.

Contudo, Natasha jogou um ferrão nela, fazendo-a gritar quando foi eletrocutada.

Alguém sem amor no coração arrastou-a de volta ao quinjet e colocou-a sentada numa das poltronas. Esse foi Tony, vestido em sua armadura e apontando uma de suas mãos para ela, para o caso dela tentar atacá-lo. Sam segurou um de seus braços, mas não a prendeu definitivamente na cadeira, foi apenas para mantê-la quieta, dando tempo de Marnie adentrar a aeronave, ao lado de Rogers, que agora estava sem o capacete e com a mão na ferida que ela havia feito.

Ele olhou para ela, que ainda grunhia de raiva, então, ela limpou o sangue dele de sua boca com a ponta da língua, arqueando a sobrancelha para ele, que sentou-se quieto na outra extremidade da aeronave.

Hanna sentou-se do seu outro lado, trazendo consigo o pedaço que faltava de seus longos cabelos, assim como a sua faca perdida.

— Posso... — murmurou, estendendo para ela a mão que Sam não segurava, que assentiu, passando para si o cabelo e escondendo a faca embaixo de sua coxa, fazendo a outra revirar os olhos. — Por favor, se eu quisesse enfiar a faca nele eu não precisaria retirá-la do meu bolso. — resmungou, fazendo Sam apertar um pouco a sua mão, em alerta, o que a deixou ainda mais irritada.

— Vamos. — Nat adentrou a aeronave ao lado de Bucky, que ao invés de sentar-se perto dela, escolheu o seu amigo.

Ela tentou não ligar, mas tinha um olhar ressentido nos olhos, começando a alisar a trança que estava em seu colo, enquanto o que restou de seu cabelo caiu por seus ombros, em pedaços desiguais.

Marnie agachou-se à sua frente, retirando Tony de sua posição, fazendo-o ir pilotar o quinjet ao lado da Viúva.

— Você está bem? — perguntou-lhe acariciando seu joelho. Ela também fez Sam soltá-la, mandando-o sentar-se.

Lynna não respondeu, olhando furiosamente para o Capitão, que tinha uma expressão dolorida e assustada para lhe dar.

— Por quê? — perguntou num sussurro. — POR QUÊ?! POR QUE NÃO ME DEIXOU TERMINAR O QUE EU JÁ TINHA COMEÇADO? — gritou, assustando Mary, mas ela não saiu da sua posição, tentando passar-lhe sentimentos calmantes, mas ela não queria ficar calma. Ela queria ficar muito, muito emputecida.

— Você não precisa ter o sangue dele em suas mãos. — o loiro respondeu. Sua voz saiu um pouco estranha, talvez por causa do ferimento. Ele estava recheado do seu veneno, então ela sabia que não iria cicatrizar com tanta facilidade, o que lhe dava uma satisfação doentia.

O quinjet começou a voar.

— Você vê, Rogers, eu não preciso da sua proteção para isso. Eu queria o sangue dele em minhas mãos. — ela disse acidamente, fazendo todos encará-la como se ela estivesse ficado louca.

— Essa não é você. Você não sabe o que diz. — ele rebateu rapidamente. — Você está com raiva, e quando essa raiva passar, o arrependimento virá, e este será apenas mais um nome numa lista interminável.

Ela levantou-se rapidamente, assustando verdadeiramente Mary, que levantou-se ao seu lado.

— DeLavega, eu sugiro que se afaste de mim, eu não quero machucá-la. — o próprio Bucky levantou-se para puxar a ruiva anã pelos ombros, sentando-a ao lado de Sam.

— Você não vai machucar ninguém. — ele disse, encarando-a cautelosamente.

Hanna catou o seu cabelo que havia escorregado para o chão, colocando-o em cima da poltrona ao seu lado.

— Você tem quais garantias, Barnes? — arqueou a sobrancelha.

— É apenas cabelo, Lya! Vai crescer outra vez!

Apenas cabelo?! Ele era o meu único escudo! Agora o seu amiguinho me impediu de me vingar do homem que fodeu a minha vida durante muito, muito tempo, do homem que retirou o meu escudo de mim, e o que você quer que eu faça? Fique aqui e bata palminhas como a mocinha indefesa que vocês querem que eu seja?!

— Pare. — Natasha lhe alertou.

— E por que eu deveria parar, Natalia? Por que eu deveria parar? Será que eu não tenho esse direito? — gritou.

— Você não é assim! — Rogers gritou de volta, fazendo-a encará-lo com sarcasmo. — Você não é...

Ela endureceu sua expressão e deu um passo para frente, ao mesmo tempo em que Bucky deu um passo para o lado, cobrindo parcialmente a figura do filho da puta do amigo dele, que estava se escondendo por trás dele para impedi-la de quebrar a sua cara pastel americano.

E ela estava louca para fazer purê de Homem Estrelado com um plano. Se ele soubesse, não teria insinuado tal coisa.

— Eu não sou o quê, Rogers? Vamos! Diga! — avançou mais um passo. — Pela primeira vez na vida, não seja o covarde que você é e diga! Seja um homem e diga na minha cara!

— Uma louca. — sim, meus caros, ele teve coragem.

Com um grito, ela avançou para bater nele, mas foi impedida pelo braço de carne de Barnes, que a puxou para longe, enquanto ela tentava atingir o rostinho bonito do melhor amigo dele. Ela ainda conseguiu chutar o joelho ele, quando Natasha saltou do banco do copiloto e prendeu-a na cadeira com uma algema.

Ela tinha um olhar assustado para si, que começou a xingar a porra do líder do time com todos os palavrões que ela conhecia, em todas as línguas que ela conhecia, o que lhe renderam muitos, mas muitos xingamentos diferentes.

*

A viagem tensa durou pelo menos umas quatro? Quatro horas.

Ou sabe-se lá o quanto foi, ela também não estava contando.

A única que dormiu foi Mary, porque Bucky a fez desmaiar, para que ela não pudesse sentir toda a descarga de raiva que Lynna estava sentindo, isso sobrecarregou a pequena, que não parava de chorar baixinho.

Aquele foi o único momento em que ela se sentiu culpada, pois ela não queria ferir ninguém além do pateta que a impediu de cortar a garganta do filho da puta do Rollins.

— Você está suspensa de suas atividades com os Vingadores por tempo indeterminado. — ouviu Rogers dizer, enquanto Bucky carregava-a em estilo nupcial para dentro. — Isso significa que as suas aulas com as Bailarinas estarão incluídas. — ela o ignorou. — E definitivamente estará vendo a doutora Jones, a psicóloga do time.

Todo mundo, sem exceção, prendeu a respiração quando ela levantou a cabeça do ombro de metal de Buck, encarando o loiro com os olhos estreitados e literalmente vermelhos de raiva.

— Te dá prazer, não é? — perguntou-lhe num tom magoado e irritado. — Ter o poder de me chamar de louca e decidir o que vai fazer com a minha vida?

Ele olhou para ela com uma expressão dolorida, mas isso não a convenceu.

— Eu jamais disse isso. — falou com as mãos presas ao cinto de utilidades, sua expressão era séria agora. — Não me alegra que você esteja passando por essa situação. Não me alegra ver você assim.

Lynna chiou sarcasticamente.

— Corta essa, querido. — resmungou acidamente. — Você não se importa comigo. Na verdade, nunca se importou.

Ela deu duas batidinhas no ombro de Bucky, fazendo-o voltar a andar, então, voltou a esconder a cabeça entre os cabelos dele.

— Isso não é verdade. — ele insistiu em falar.

Ela voltou a encará-lo, com sarcasmo puro em seu olhar.

— Atá. — rebateu. — O seu perfil santinho não me convence mais. Tenta isso com as quegas que você visita.

Todo mundo olhou para ela com os olhos arregalados. Mary se encolheu, por causa da intensidade de emoções ao redor dela.

O rosto do loiro tornou-se ainda mais rígido.

— Entregue-me o seu distintivo. — ele disse, caminhando até onde Bucky havia parado. — Agora.

— Vai me colocar de castigo, Capitão? — questionou-o sarcasticamente, colocando a mão no bolso para capturar o seu distintivo. — Não gosta de ouvir a verdade?

Ele encarou-a com severidade.

— Essa não é a verdade, e você sabe disso. — estendeu a mão e pegou o distintivo dela, guardando-o em seu cinto. — Comunicarei isso ao diretor Fury.

— Eu odeio você. — ela rebateu-o, furiosa.

Ele encarou-a, havia uma certa dor no fundo de seus olhos, mas sua expressão era dura.

— Acho que posso viver com isso. — deu de ombros e virou-se de costas. — Seu tratamento começará depois de amanhã, quando a doutora Cho me der o relatório sobre o seu estado de saúde. E eu sugiro que não falte. De um jeito ou de outro, esse tratamento irá acontecer, então é melhor que você não lute contra.

Sua expressão endureceu.

Ele não iria dizê-la o que fazer. Mas nem fodendo.

Imediatamente, sua perna esquerda escorregou do aperto de Bucky e rodeou a cintura farta dele, dando-lhe impulso para virar seu corpo com rapidez, cruzando suas pernas ao redor da cabeça do moreno e levando-o ao chão antes que ele pudesse dizer ou fazer qualquer coisa.

Ela pulou e correu na direção do loiro, ignorando os gritos de seus amigos, que se tornavam cada vez mais distantes.

Com o peso de seu corpo, o impacto dos dois se chocando foi capaz de quebrar o vidro do parapeito, levando-os rapidamente para o chão, fazendo-a cair montada em cima da cintura de Rogers, que segurou suas mãos num movimento milimétrico, impedindo-a de socar a sua cara.

— Lyanna, você não quer fazer isso. — ele disse em tom de alerta.

Ela arqueou a sobrancelha, forçando suas mãos a saírem de seu aperto.

— Oh, não? — questionou-o. — Você não sabe o quanto eu só quero socar a sua cara.

Ele se assustou e tentou colocá-la de pé.

Isso lhe deu vantagem para chutar a canela dele, fazendo-o soltá-la, para que ela pudesse dar-lhe o soco que ela estava sonhando lhe dar.

Foi em cheio, atingindo sua bochecha esquerda, um belíssimo gancho de direita, que fez o rosto do supersoldado virar violentamente para o lado.

Anna, não faça isso. — ele pediu, se defendendo dos próximos golpes dela.

— Ah, não? Por que não? Por que você não bate em mulheres? — golpeou-o nas costelas, fazendo-o se encolher um pouco, em sua defesa. — Deus abençoe a América por isso.

Então, começou a lutar a sério com ele, e mesmo que ela não conseguisse vencer um supersoldado, ficava cada vez mais fácil lutar com um quando o mesmo continuava a apenas se defender, contorcendo-se, como se estivesse tentando pegar seu escudo para contê-la.

— Lya, pare! — Bucky gritou e pulou da sacada para tentar impedi-la.

Mas ninguém mais iria impedi-la de nada.

Com um agito de sua mão, ela jogou o amigo contra a parede e começou a disparar socos no loiro, como se ele fosse o seu saco de pancadas particular.

— Lute comigo, seu covarde! — gritou, batendo no peito dele. Ela não sabia que estava chorando, até que ela começou a fungar e o ar começou a ser tragado com dificuldade. — Lute. Comigo! — disparou irritada quando ele não fez nada além de se proteger de seus socos e chutes.

Por fim, Rogers conseguiu capturar os seus pulsos outra vez, apertando-os com um pouco mais de força.

Mas ele não capturou o elemento mais importante.

Para lá de puta, Lynna fez uso do ensino básico que aprendeu na Sala Vermelha. O golpe mais clichê e o mais fácil de se aprender, levando em conta a premissa de que para “destruir” o loiro à sua frente, ela deveria ir para as suas pernas.

E ela foi.

Para o meio exato delas, aproveitando a postura que ele tinha, com as coxas levemente separadas.

Seu joelho separou bem as suas bolinhas de ping-pong, apesar do traje apertado.

Imediatamente, Rogers a soltou, então ela foi embora dali, subindo as escadas enquanto rosnava de fúria.

*

Steve viu Lynna balançar o que sobrou de seu cabelo de mechas irregulares para trás, enquanto a nevoa entorpecida da dor que ele estava sentindo o nublava lentamente. Era uma dor bem física, mas também muito emocional.

— É, meu amigo... às vezes eu acho que você gosta de apanhar. — Bucky disse, colocando a mão em seu ombro.

Lentamente, Steve foi arriando para o chão, suas mãos cederam e ele finalmente segurou a zona machucada, formando uma concha para tentar proteger seu membro dolorido pelo joelho de sua violeta, para o caso dela voltar e tentar de novo.

Pelo canto do olho, ele viu seus amigos morderem os lábios, até que Mary não aguentou e soltou uma gargalhada alta, que contagiou a todos, fazendo-o revirar os olhos.

— Vocês querem ser castigados também? — chiou entre os dentes. — É feio rir da desgraça alheia!

Marnie tossiu, mas foi Hanna quem falou.

— Bem... quando a desgraça alheia é proveniente de um chute no saco, não há Cristo que aguente, Steve. Você tem que nos perdoar.

— Vocês são grandes amigos. — resmungou.

Ainda rindo, Bucky levantou-o pelo braço, fazendo-o chiar.

Ainda com as mãos em concha em sua virilha, ele foi caminhando irregularmente para qualquer que fosse o lugar para onde ele estava sendo levado.

Mary passou a sua frente.

— Eu sou enfermeira. Eu cuido de você. — ela disse ao ver o seu olhar confuso.

— Eu não quero que você me veja nu. — balbuciou, fazendo-a revirar os olhos.

— Ah, qual é Rogers? — resmungou. — Eu já vi muitos pintos na minha vida, e tenho certeza de que não vou ficar traumatizada se eu ver o seu passarinho roxo.

Seus amigos gargalharam atrás dele.

— É Steve. Chute de amor não dói. — Nat provocou, fazendo-o encará-la com os olhos estreitos.

— Vem. — Mary o arrastou para a enfermaria, enquanto Bucky carregava o máximo do peso.

— Eu vou ver como ela está. — Hanna passou por eles, subindo as escadas.

*

O que foi que eu fiz? — o entendimento bateu em si assim que a porta de seu apartamento bateu em suas costas.

Lágrimas de arrependimento e choque desceram pelo seu rosto. Seu cabelo, ou o que restou dele, correu para frente, encobrindo a sua visão. Suas mãos cobriram a pele quente, enquanto ela soluçava, engasgando-se com a própria saliva.

Alguém empurrou a porta atrás de si, fazendo-a se assustar, até que Hanna apareceu.

Lynna correu para abraça-la, escondendo seu rosto no pescoço dela.

— Eu não quis fazer isso! — chorou, tremendo. — Eu não quis... eu não sei o que deu em mim, Han! Eu não sei o que deu em mim!

Outro par de braços envolveu-a. Ela não precisava adivinhar que era Nat.

Ela sentia como se estivesse tendo um colapso nervoso.

Lentamente, suas narinas se sentiram irritadas com o tenebrys sakura, então, ela desmaiou.

Nat olhou para Hanna, que assentiu.

Wanda envolveu-a com seus poderes e colocou Lynna em segurança em sua cama.

— Vocês acham que...? — a castanha perguntou-lhes, encarando o semblante um tanto quanto perturbado da ruiva adormecida.

— Ela atacou Steve três vezes. Seus olhos estavam vermelhos. Eu nunca vi Lya tão irritada em toda a minha vida, nem mesmo como a própria Pétala. — Hanna sussurrou, fazendo-as refletirem.

— Ela parecia estar lúcida, mas era como se ela não estivesse no controle de suas emoções. — Nat falou, levantando as pernas da amiga para começar a tirar suas botas. Wanda entendeu o recado e partiu para tirar a outra, e Hanna foi para as suas luvas, deixando-as em cima do criado-mudo/geladeira dela. — Isso foi assustador. — sentou-se em sua cama, encarando a outra, que ressonava suavemente. — Eu não reconheci a minha amiga ali. Essa... coisa está matando-a de dentro para fora. Precisamos fazer um movimento, antes que... — fechou os olhos com força, lutando contra as lágrimas. — Antes que ela morra.

As outras ficaram caladas, mas cada uma passava o seu suporte, segurando cada uma em um de seus ombros.

— Nós vamos. — Wanda disse por fim.

*

— Barnes, tire a roupa dele. — Marnie falou, caminhando pela enfermaria, enquanto capturava a caixa de luvas esterilizadas, colocando-as, para depois se aproximar de si, encarando com um olhar clínico e crítico o seu amigo. — Minha nossa senhora! — ela disse algo em sua língua materna que ele não entendeu, encarando a sua lesão quando ele foi colocado na maca, para depois encará-lo com os olhos arregalados. — Qual a sua escala de dor?

O loiro gemeu.

— Onze. — disse dramaticamente, fazendo Bucky engasgar.

— Bem, é nisso que dá. Chamar uma assassina treinada e claramente furiosa de louca. — ele disse em tom de sermão. — Eu já te disse que ela odeia ser chamada de louca?

Steve rangeu os dentes.

— Acho que você esqueceu de mencionar isso. — resmungou sarcasticamente.

Marnie riu baixinho, indo até a sua pilha de coisas para buscar algum tipo de remédio.

— Ai, DeLavega! — ele rugiu, quando ela tocou em sua carne dolorida com o dedo frio, fazendo-o se encolher.

— Eu estou tentando ajudá-lo, seu homem tão ruim! — ela resmungou para ele. — E eu estou meio cega, então me ajude a te ajudar e não piore as suas coisas, porque isso aí está muito roxo. Barnes... você...

— Eu não vou tocar nele! — Bucky resmungou, olhando para cima.

Mary revirou os olhos.

— Eu não quero que você toque no pinto roxo de Rogers, eu só quero que você pegue os óculos pretos que estão em cima da prateleira azul ali no canto. — apontou para o local, enquanto seus dedos tocavam a área lesionada. — Obrigadinha. — ela disse quando ele trouxe o par e colocou na ponte de seu nariz. — Agora sim. — balançou as sobrancelhas. — Eu estou no lugar que toda a garota queria estar.

— Sendo traumatizada por essa visão do inferno? — seu amigo brincou, enquanto a ruiva anã passava alguma espécie de pomada em seus testículos.

Ela riu.

— Tocando o pintinho do Sentinela da Liberdade. — brincou. — Ei, você quer uma foto disso? — ela tirou a foto com o dispositivo acima da maca antes que ele pudesse protestar, mostrando-o como o chute de Anna deixou o seu órgão. Barnes sequer escondeu a gargalhada. O rosto de Steve se contorceu em uma careta assustada.

— Isso tudo foi... um chute? — perguntou, engolindo em seco.

Mary sorriu-lhe pacientemente, voltando a passar o bálsamo.

— Você tem sorte de ser um supersoldado. — ela comentou, terminando de passar a pomada. — Se fosse um homem normal, era bem capaz de ter morrido. Sabia que dá para morrer por causa de um chute no saco?

Ele se encolheu, então ela deu dois tapinhas em sua coxa, na parte que não estava dolorida, fazendo-o se levantar, mas ele voltou para a maca, por conta da dor.

— Você vai precisar de gelo até que suas células o ajudem a se curar. Acho que em mais ou menos dois dias você estará melhor. — ela se livrou das luvas e do aplicador da pomada, descartando-os no lixo. — Mas eu não sou nenhuma médica, então, não tenho muita certeza.

Bucky o puxou para cima, ajudando-o a colocar o short que ele sempre colocava antes de vestir a calça do traje. Pelo menos ele era bem arejado e não apertava o seu corpo.

— Eu farei a doutora Cho assinar o seu atestado, ok? — Marnie se voltou para ele, que assentiu e permitiu que o moreno lhe ajudasse a sair da enfermaria. — E Rogers... — ele parou e olhou para a ruiva anã, que tinha um sorrisinho travesso na face. — Se não fosse pela coloração roxa, eu diria que você possui um pintinho bonito. — ele estreitou os olhos para ela, que riu. — Mas você sabe... roxo é a cor favorita dela... — Steve mostrou-lhe o dedo do meio. — Coisa feia, mocinho! Eu contarei tudo para a mãe Nat e você estará muito ferrado.

Revirando os olhos, os dois supersoldados começaram a andar. Bucky colocou Steve sentado no sofá, enquanto ia até a geladeira e catava cubos de gelo para colocá-los dentro de uma bolsa térmica.

Entregou-lhe e o loiro colocou em cima da virilha, ignorando o olhar de todos em cima dele.

Então, ele mesmo começou a rir, coisa que se tornou uma gargalhada, e que contagiou todo mundo. Logo, todos estavam se contorcendo.

— Você tem sorte de eu ter tirado as armas dela assim que ela passou a correr para cima de você. — Wanda falou depois de um tempo. — Eu não sei o que ela seria capaz de fazer se pegasse uma de suas armas. Talvez nós não estivéssemos rindo disso agora...

A atmosfera da sala ficou pesada.

— O que nos leva ao que Rollins disse antes de ser espancado por Lya. — Bucky sussurrou. — Ele falou algo sobre a Pétala e sobre o soro dela. Sobre a Pétala ser irreversível...

— Ele também disse que o soro que Rumlow injetou nela está fazendo algo com o seu corpo. — Nat completou. — Precisamos saber o que é isso e como podemos revertê-lo.

— Se Bruce estivesse aqui... — Tony refletiu, rodeando o gelo dentro de seu copo de uísque.

— Mas ele não está, e nós precisamos fazer isso nós mesmos. Juntos. — a Viúva levantou-se, rodeando a sala.

— Você está certa. — Steve disse. — Mas será que dá para conversarmos quando eu não estiver com um saco de gelo em minha virilha?

Seus amigos riram, como os bons amigos que eles eram.

— Tudo bem. — ela disse. — Nós vamos deixá-lo curtir a sua miséria. E que isso fique de lição. Não chame uma garota perturbada que pode te matar com um grampo de cabelo de louca!

*

Em algum momento da madrugada, as meninas acharam que seria interessante que ela cortasse o seu cabelo, ou pelo menos igualasse as mechas, porque segundo Hanna, não dava para ela ficar com o cabelo assimétrico, por mais que ela não quisesse se livrar de mais nenhum pedaço.

Depois de muita briga, Mary a convenceu de que Wanda poderia cortar o cabelo dela, de modo que ele ficasse tão comprido quanto o possível.

A sokoviana deixou-o um pouco abaixo da altura dos ombros, num longbob assimétrico, onde a maior parte dele eram as mechas da frente, mas ela havia dito que logo quando o seu cabelo voltasse crescer, ela poderia igualar melhor tudo.

— Ele era tão vermelho... tão brilhante quanto fogo... — sussurrou, alisando o que havia sobrado de seu cabelo. — Tem certeza de que eu não posso fazer uma peruca com ele?

— NÃO! — as meninas gritaram. — Querida, às vezes, há certas coisas na vida, você só precisa se desapegar delas. Curta esse momento. Comece algo novo. — essa foi Mary e o seu discurso motivacional de empata.

Ela ficou calada por um tempo, até que finalmente fez a pergunta que não queria se calar.

— Ele está vivo? Rollins...?

— Sim. — Nat respondeu. — Um tanto quanto debilitado, eu diria. Mas está vivo.

Um brilho homicida se apossou dela.

— Mas você não vai fazer nada mocinha. — Mary a advertiu. — Steven está certo em um ponto, você precisa de tratamento. — Lynna olhou para ela, indignada. — Eu não estou lhe chamando de louca, pelo amor de Deus! Eu só estou dizendo que, assim como todo mundo, você precisa de alguma ajuda. Você não pode transportar esse peso sozinha e sabe disso! Deixe seu orgulho de lado, apenas uma vez na vida e procure ajuda! Ainda não é tarde.

Quando ela fora dormir outra vez, finalmente havia decidido que provavelmente precisava de terapia, e que iria consegui-la, apenas para calar a boca de seus amigos, porque ela sabia que não iria dar em nada.

(meme)

Notas finais
Desde que eu comecei a escrever essa estória, eu sabia que deveria haver uma cena dessas, da Lynna chutando as bolinhas reais. É tão surreal para mim que o enredo esteja indo tão longe, porque eu jamais imaginaria que conseguiria escrever uma long-fic como essa! A maior que eu tinha possui 22 capítulos e eu já acho enorme! No entanto, eu não tenho certeza de quantos capítulos ainda faltam para o final, porque ainda há tanta água para rolar... Até sexta, do cronograma norma, espero! PS: será que Mary pode apanhar por ter tocado nas bolinhas alheias?