Notas iniciais
ALGUNS MINUTOS ANTES
O grupo que acompanhava o conde estava parado perto da bancada do júri. Ciel estava sentindo um arrepio na espinha, por perceber que certo médico pomposo estava na bancada do júri.

ALGUNS MINUTOS ANTES


O grupo que acompanhava o conde estava parado perto da bancada do júri. Ciel estava sentindo um arrepio na espinha, por perceber que certo médico pomposo estava na bancada do júri.

– Este médico de novo- pensou consigo

– Algum problema Ciel?- perguntou Lizzi preocupada

– Não... Não é nada- falou desviando o olhar

Depois da entrada de vossa majestade, e de terem cantado o hino. Foi começada a premiação. O júri havia decidido entre cinco das diversas barracas que havia ali naquele local. Os finalistas eram: As rosas Blueshade, as tulipas Luchesi, os girassóis L’Espanaye, as petúnias Deluc e as violetas Legrand. Quem começou a falar foi o Primeiro ministro.

– As rosas azuis são realmente belas. Nunca havia visto algo tão maravilhoso

O segundo foi o jardineiro:

– Sua pétalas são muito sedosas. Com certeza elas foram tratadas de uma maneira muito especial. Terra especial, adubo especial. São flores únicas.

Por último o médico:

– OHHHH... As pétalas dessas rosas são como a mais delicada dama da corte inglesa. E o tom de azul é como a luz da noite que ilumina os olhos dessa dama....

Ciel olhava enojado com aquela cena. Tinha tanta repulsa por aquele homem, que podia mandar Sebastian matá-lo ali naquela hora. Percebeu uma coisa, isso fez esquecer o seu ódio pelo médico pomposo. Algo estava errado. Olhou para suas mãos e percebeu que o anel com a pedra azul, que havia pertencido a seu pai, havia sumido. Lembrou que havia esbarrado em alguém minutos antes. O anel era um pouco maior que seu dedo, por isso saia facilmente. Depois de um tempo avaliando as flores o veredicto foi de que as rosas Blueshade haviam ganhado o concurso. A palavra final havia sido dada pela rainha. Foi entregar em mãos ao representante da família a medalha de ouro com fita de prata.

– O que foi Ciel?- perguntou Lizzi

– Boccham, aconteceu algo?- perguntou Sebastian, vendo que seu mestre estava preocupado

– O meu anel... Meu anel foi roubado.

– O anel do Ciel... – Lizzi estava preocupada com seu noivo

– Paula, fique com Elisabeth e a leve para casa. Vamos Sebastian

– Yes!

– CIEL!! Esse anel... É muito importante– disse Elizabeth — Eu nem entreguei a muda para ele.

– Pode entregar mais tarde. Quem sabe ele não sorri ao vê-la!Vamos senhorita!- Paula tentou animar a menina

Mas podia ver no rosto da pequena que ela estava preocupada com o conde. Ciel empurrava a multidão olhando para baixo, procurando o seu precioso objeto. Quando saiu da multidão eufórica, viu uma moça usando trajes velhos, cabelos castanhos ondulados até os ombros, e olhos mel, segurando o seu anel. Pensou que havia sido ela que o havia roubado. Sua raiva cresceu que não pensou duas vezes:

–SEBASTIAN EU TE ORDENO! PEGUE A LADRA!

YES, MY LORD!!

Meryl colocou o anel no avental e saiu correndo para fora do festival. O mordomo foi atrás da menina. Havia começado ali um jogo de gato e rato. Caçador e caça. A menina era bem ágil, rápida e esguia. Havia fugido muitas vezes dos guardas que queriam prende-la por furtar comida. Havia fugido de um orfanato. Havia aprendido a lutar para se defender. Mas era diferente dessa vez: ao olhar para trás, percebia que estava sendo caçada por um... MORDOMO! Corria por uma rua repleta de gente. Causando muita confusão por onde quer que fosse.

– LICENSA!- disse derrubando uma barraca de legumes que estava no seu caminho-

– VOLTA AQUI MENINA! QUEM VAI PAGAR PELOS MEUS LEGUMES!!! – gritava o dono da banca

–PÕE NA CONTA DO MORDOMO ALI!!!- ela gritou em plenos pulmões

Ao perceber que um mordomo estava perseguindo a moça. O homem dos legumes foi tirar satisfações sobre o que havia acontecido. Parou Sebastian e começou a falar com muita raiva.

– Quem vai pagar por isso? Vai ser você? VAI SER VOCÊ? ME DIZ QUEM VAI? Toda a mercadoria foi perdida. E agora!!!!

Sebastian não podia perder tempo. Com uma grande habilidade, graça e rapidez, reconstruiu a barraca do vendedor. Este ficou boquiaberto com o que vira.

– Desculpe pelo incomodo. Espero que tenha ficado bom!

Esse ainda estava muito impressionado com o que vira, mas quando voltou a si, voltou a gritar:

– QUEM VAI PAGAR PELOS MEUS LEGUMES!!!!!!!!!

A distração fez com que Meryl despistasse o mordomo Phantonhive. Ela entrou em um beco, e pulou dentro do canal de águas subterrâneas da cidade. Conhecia muito bem aqueles locais. Conhecia muito bem Londres inteira. Havia desbravado tudo aquilo como uma criança desbrava o quintal de sua casa. Já usou os canais como rota de fuga várias vezes. Encarava como a carta na manga para seu sucesso. Ficou em silencio por alguns instantes. Na parte de cima, o mordomo a procurava, havia perdido a moça com uma simples distração. Olhou em seu relógio de bolso, e pensou “Voltarei a tempo para a hora do chá” e continuou seu caminho. Ela olhou pelo bueiro, e viu alguém ali parado. Não era o mordomo, mas sim uma criança. Observou e viu que era o menino que mandara caçá-la. Não estava muito longe da feira. Ele podia ter seguido o mordomo. Mas era perigoso para uma criança ficar ali. Enquanto observava, viu dois ladrões se aproximarem.

– Olha, temos um “nobrezinho” perdido!

– Se afaste! Afaste! AFASTE!- gritava Ciel, que em uma tentativa de se defender, deu uma bengalada em um dos ladrões.

O homem se afastou, mas pegou Ciel e empurrando-o contra a parede, começou a enforcá-lo. Meryl, não podia ficar ali onde estava vendo o menino quase ser morto por aqueles homens. Por mais ódio que possuía do mundo, odiava mais quem era covarde para bater em pessoas que não podiam se defender. Estava com ódio. Sentia seus punhos trincarem. Sentia a adrenalina correndo pelas suas veias.. Mas se perguntava: onde estava o fiel mordomo? Bem... Sebastian havia se distraído... Com gatos. O menino estava ficando pálido como cera. Mais um pouco, poderia ser tarde. Tomando coragem, saiu de onde estava.

– EI VOÇÊS!

Eles olharam a mendiga e começaram a rir. Sem se esquecer do menino que estava sendo enforcado.

– O que você quer moça! Veio salvar esse moleque?- disse o ladrão que enforcava Ciel.

Este podia ter ordenado seu mordomo negro. Mas estava tão sufocado que não podia balbuciar palavra alguma.

– Sim...

Os dois começaram a rir mais da cara da menina. O que estava livre, a encarou com uma cara de fúria. O que estava com Ciel, o tirou da parede e deu uma chave de braço no garoto, o imobilizando. Este deu um sinal, fazendo com que seu parceiro fosse atacá-la. Era um animal. Um bicho que não tinha nada em mente a não ser a vontade de sangue. Ele veio com o punho cheio de vontade de socá-la. Ela encarou homem com uma cara de demônio, e finalmente falou:

– Ordene que solte o menino!

– NÃO!- disse correndo em direção a garota

– Foi você quem pediu.

Não julgue nunca alguém apenas pela aparência. Esse é um ditado popular mais banal que você possa imaginar. Ele veio com o punho para cima dela, mas ela o segurou. Então, ele tentou socá-la com punho que estava livre. Mas ela também o segurou. Ele olhou para ela, e ela deu sorriso de canto de boca bem malicioso. Sem delongas, chutou com toda a sua força as partes intimas do homem. Este caiu de tanta dor. Sem pena, ela chutou as costelas do homem. E sentiu que as havia quebrado. O outro homem que estava com o conde Phantonhive, tirou-o da imobilidade que este se encontrava, socou seu estomago e largou no chão. Ciel faltou vomitar por causa da intensidade da força do soco. Ele se virou para a menina e foi em sua direção, assim como o seu companheiro. Ela olhou para a tampa do bueiro, depois para homem em fúria. Ele se aproximava, mas não estava muito longe de onde havia saído. Quando ele se aproximou o suficiente, ela rapidamente lhe deu uma rasteira, fazendo-o cair. Quando o bandido se levantou, teve uma surpresa. Ela lhe deu uma pancada na cabeça com a tampa do bueiro, que o fez cair inconsciente no chão. Estavam sangrado, e se continuasse, morreria.

– Obrigada pela dança. Foi divertido.

Correndo em direção a Ciel, foi ver se o menino estava bem. Ao chegar perto, se ajoelhou, e colocou as mãos em seu pequeno rosto. Ele fitou-a nos olhos. Será que ela era igual à Sebastian? Mas um demônio não defenderia uma criança. Estava muito confuso. Meryl pegou uma das mãos de Ciel, tirou o anel do bolso do avental e colocou-o em seu dedo. Mas depois de um tempo sentiu uma presença muito forte se aproximando. Não sabia o que era. Quando se deu conta, o mordomo negro estava se aproximando. Era intimidador.

– BOCCHAM!

– Adeus!- disse Meryl se despedindo

– ESPERA!!! AHRG!- Ciel havia recobrado o fôlego mais sentia muita dor.

– BOCCHAM!

Mas a garota estava com muito medo. Saiu correndo em direção do bueiro, de onde havia saído. Com graça, ela arremessou a tampa caída para cima, fazendo-a girar como uma moeda. Deu um salto igual ao de uma bailarina, e entrou no bueiro. Assim que entrou, a tampa o fechou. Sebastian havia chegado guiado pelo som dos gritos e gemidos de um dos homens, pois o outro estava inconsciente. O seu amo não havia feito aquilo, então quem fora?

– Foi aquela garota que roubou o meu anel... AHRG!!

– Ela que fez isso com você?

– Não... Ela me defendeu!

– O que?!

– Eu fui abordado por aqueles ali. Ela apenas me defendeu. AO CONTRARIO DE VOCÊ!!!

– Me perdoe... Boccham.

Sebastian segurava Ciel em seu colo, o menino não estava sangrando. Aos poucos recuperava o fôlego que havia perdido. Depois de alguns minutos de descanso, olhou para seu mordomo.

– Eu quero aquela garota.

– Como?

– Isso mesmo. Tê-la como um dos meus peões me será muito útil. Não possui só força, mas agilidade, esperteza. Sem falar que não teme a morte. Poderá ser uma boa empregada.

– Tem certeza? Boccham!

Retirando o tapa-olho, e deixando o contrato amostra, disse:

– Sebastian, minha ordem ainda está de pé! PEGUE AQUELA LADRA!

– YES, MY LORD!!