The Big Four - A Nova Geração

30 Como Entrar em COntato com o "Seguro-Guardião"


— Essa droga desse lugar amaldiçoado. — Concluí dando de ombros, jogando uma bolinha de tênis para o alto e a pegando de novo.

— Certo, chegamos à uma encruzilhada. — Soluço disse ignorando meu comentário. — Alguém pode estar mudando os Centros paramos confundir e induzir a algo, ou os Centros estão se revelando.

— Acho que pode ser os dois. — Jack afirmou ainda deitado no chão, brincando com seu cajado. — Alguns Centros estão se revelando, então para camuflar, alguém está tentando mudar vários.

— Acho que essa foi a coisa mais inteligente que já te ouvi dizer. — Falei jogando a bolinha novamente para cima, me ajeitando na poltrona que eu estava antes de arremessa-lá mais uma vez.

— Eu acho isso tudo muito estranho. — Punzie rompeu seu silêncio de quase uma hora. — A boneca de Norte foi claramente quase roubada. E se algumas bonecas foram transformadas, já que o Centro não se muda?

— Quer dizer que você acha que essa não é a boneca verdadeira de Norte? — Jack questionou ela, se sentando e franzindo as sobrancelhas.

— Eu acho que vocês tão viajando muito. — Falei jogando a bolinha na cabeça de Jack. — Quem garante que Centros não se mudam?

— Eu garanto. — Ele disse me encarando sério e isolando a bola do outro lado da sala. — Sou Guardião há muito tempo, nunca vi isso acontecer.

— Quem faz as bonecas, Jack? — Soluço perguntou, se mostrando o mais inteligente de nós. Pelo visto sua pergunta pegou o albino de surpresa, pois ele não soube responder.

— Ótimo, agora é só descobrir quem faz essas porcarias, aí vamos atrás e arrumamos as respostas. — Falei olhando para os outros três e me levantando.

— Espera, e quanto às bonecas em branco que achamos na oficina de Norte? — Punzie fez outra pergunta, colocando uma mecha do seu gigantesco cabelo atrás da orelha. — Será que Norte que faz?

— Com certeza não. — Jack disse negando com a cabeça. — Mas talvez seja bom irmos falar com ele.

— Eu não piso naquele castelo nem que me arrastem, prefiro ir atrás do maluco que faz as bonecas. — Afirmei mexendo na minha roupa e apoiando as mãos na cintura. — Quem vêm comigo?

— Prefiro ir com Jack conversar com os Guardiões. — Punzie declarou me encarando cheia de coragem. Acabei soltando um suspiro alto e desviei o olhar para Jack, que deu de ombros.

— Não quero ir lá, mas acho que devemos. — Ele disse pegando seu cajado. — Onde quero ir mesmo é atrás da Ceifadora, ela teve respostas da última vez.

— Eu acho que temos que ir até o Castelo da Fada, como ela é Guardiã das memórias, talvez tenha algo das bonecas. — Soluço propôs folheando o livro que trouxe de lá pela milésima vez. As palavras estavam em outra língua, desconexas.

— Vamos nos separar então. — Falei levantando os braços. — Eu procuro quem fez as bonecas, Soluço vai até a Fada, Punzie procura os Guardiões e Jack desce pro Submundo. Simples.

— Não acho que devemos nos separar de novo. — Jack contra-argumentou, passando a mão no cabelo. — Foi ruim da última vez.

— Ótimo, alguém tem alguma ideia melhor? — Perguntei me jogando de volta na poltrona e soprando as mechas que caíram no meu rosto para longe.

— Você pode vir comigo, damos uma olhada no Castelo da Fada e qualquer pista que encontrarmos das bonecas será bem vinda. — Soluço disse atraindo a atenção para si, ainda focado no livro. Era estranho vê-lo tão sério.

— Não quero ir no Mundo Inferior. — Punzie rapidamente disse, antes que alguém propusesse algo.

— Relaxa, o Albino tá com você. — Eu a acalmei. — Qualquer coisa empurra ele e corre.

Agora foi a minha vez de ter algo arremessado na cabeça. Um cotoco de vela voou pelos ares e acertou em cheio a minha testa.

Franzi a testa e encarei Jack brava, que tinha um sorriso vitorioso nos lábios. Eu podia quebrar a cara dele em dois tempos. Bom, isso se não tivéssemos outras prioridades.

— Isso está pesado? — Soluço perguntou pela quinta vez, se referindo ao enorme saco de bonecas russas que eu levava nas costas.

— Se perguntar de novo, eu te derrubo daqui. — O ameacei, desviando o olhar um pouco para baixo. Banguela voava alto, seria uma bela queda.

— Não tá mais aqui quem perguntou. — Ele disse se virando um pouco para trás e sorrindo. Idiota.

O portal que Jack nos deu acabou abrindo muito alto, então não conseguíamos ver nada diferente de nuvens abaixo de nós.

— Será que foi seguro voltarmos sem saber se a tempestade maluca já foi embora? — Perguntei meio que pra mim mesma. Pelo visto Soluço reparou, pois não me respondeu.

Com uma guinada para baixo, Banguela foi pouco a pouco atravessando as espessas nuvens, e logo o Castelo da Fada entrou em nossa visão.

As cores felizes e animadas estavam borradas, e as longas e delicadas torres estavam rachadas, assim como as suas telhas, que em alguns lugares nem estavam mais presentes.

— Olha pelo lado bom. — Soluço comentou dando de ombros. — Agora ela pode ter uma reforma pelo "Seguro-Guardião".

Eu dei uma cotovelada nele, mas me esforcei ao máximo para não sorrir. Agora sim era o Soluço que eu conhecia.

Do lado de dentro o papel de parede tinha sido arrancado, como se garras tivessem o feito. O tapete estava desfiado, como se alguém tivesse gastado dias e dias puxando cada fio. E por fim, os espelhos e quadros estavam quebrados pelos cantos, mostrando a ira da natureza.

Uma hipótese passou pela minha cabeça assim que vi essa cena. Se só a Lua e o Sol escolhiam Guardiões, poderia a força da natureza estar reclamando de alguma conduta tomada pelos mesmos? Mas do mesmo jeito que ela surgiu, logo desapareceu.

— Merida. — Soluço chamou já só outro lado do corredor. — Acho que você deveria ver isso aqui.

Apressei o passo e fiquei boquiaberta ao encontrar vários dentes espalhados pelo chão do salão principal. Os cilindros se encontravam abertos, mas o número era tão pequeno, que certamente uns tinham desaparecido.

— Por que alguém roubaria cilindros e bonecas? — Perguntei dando uns passos para frente, tentando evitar os dentes pelo chão.

— Talvez porque não são as bonecas que estão sendo alteradas. — Ele comentou baixo, levantando os olhos até mim.

— As memórias que estão. — Falamos juntos, ainda sem quebrar o contato visual.