Notas iniciais
*Indiferente* Hello Guys! Postando no meio da semana o que eu fiquei de postar domingo, então não tô tão atrasada assim. Os próximo capítulos estarão incríveis!!! Quero agradecer, a quem está acompanhando e dizer que passamos das 1000V e estou sentindo falta de algumas leitoras que sempre comentavam. Cadê vocês? Boa leitura nenes ♥

Alguns Dias Depois…

Angeles Saramego.

Estacionei o carro em frente ao Cocu Boulangerie, olhando fixamente para frente enquanto tocava uma música qualquer na rádio, por algum motivo desconhecido por mim hoje me sentia muito bem diferente de quando cheguei aqui. Há duas semanas havia posto meus pés em Buenos Aires depois de seis anos, e uma porção de coisas tinham acontecido desde então, coisas que eu não sabia se estaria preparada para lidar, como o German ter me pedido perdão há alguns dias. Todos os dias, meu pensamento remoía a mesma cena fazendo questão de me recordar o quanto eu fui dura ao ter falado com ele daquele modo, a partir daí quase não tínhamos nos visto e isso era algo que eu evitava constantemente pois não saberia como agir quando o visse.

Balancei a cabeça afugentando esses pensamentos que me envolviam, agora teria algo muito importante pra me preocupar como a situação financeira do Studio, algo que me afetava além da conta. Sentia que era minha responsabilidade fazer algo pra resolver. Desci do carro pegando minha bolsa, caminhei para dentro do estabelecimento e meu estômago roncou ansiando por um croissant quentinho, mas isso logo mudou quando vi Pablo sentado de costas para mim. Sorri passiva caminhando até ele, pus a mão em seu ombro e ele sorriu me olhando enquanto se levantava para me cumprimentar.

— Bom dia, minha linda. — Pablo me abraçou.

Retribui seu abraço forte, era impressionante como mesmo depois de anos nossa amizade ainda era mesma. Bem, havia voltado ao normal há alguns dias.

— Bom dia. — Beijei sua bochecha e nós separamos.

Ele me analisou e nós nos sentamos frente a frente.

— Você me parece melhor. — Disse segurando minha mão com seu sorriso. – Quer algo?

— Eu estou. — Ri e ele me acompanhou. – Nada ainda, obrigada.

— Fico feliz por você, de verdade.

Rimos. Pablo me olhava um pouco mais do que eu gostaria, deixando minhas bochechas vermelhas.

— Por que me olha assim?

Ele inala forte o ar, me preocupando.

— Não sei, eu te olho e me pergunto se você já considerou contar para o German que ele é o pai da Alice.

Travei na cadeira com a respiração se acelerando, esse era um assunto muito delicado e complexo para tomar uma decisão tão rapidamente.

— A verdade é sempre o melhor caminho Angie, você não é mais uma criança pra te explicar o certo a se fazer. — Continuou firme. Iniciar o dia discutindo a paternidade de Alice era algo que não precisava ser feito agora.

— Pra mim é difícil, contar para ele seria aceitar tê-lo na nossa vida constantemente e isso eu não sei se consigo. Depois de tudo o que houve, não consigo o perdoar e muito menos quero ter qualquer contato com ele.

— Já se passou muito tempo Angie, e ele mudou bastante depois que você mudou pra França. Será que não é melhor falar a verdade? Você tem uma filha maravilhosa que merece saber que tem um pai para amá-la, apoiá-la e várias coisas mais .

— Eu não quero falar sobre isso, por favor podemos ficar em paz?

Cruzei meus braços abaixo do peito como uma criança birrenta, Pablo ficou sério.

— Desculpa, porém você sabe não pode esconder Alice do German pra sempre! E você sabe perfeitamente o que tem que fazer, isso pode virar uma bola de neve interminável onde no final só quem vai se magoar é você.

— Você tem razão… Por que sempre tem razão? — Perguntei num suspiro.

— Porque te conheço, é minha melhor amiga e não quero te ver sofrendo. Lembra o que aconteceu com a Violetta e o quanto vocês sofreram por uma mentira? Não quero que aconteça novamente.

Pablo me fitou sério, por mim era fora de cogitação contar pra German sobre Alice, por dois motivos: Ele não merecia e ele nunca soube que estava grávida.

Mas era sobre minha filha de quem estávamos falando, apesar de ter Leonardo ao seu lado eu sabia o quanto sentia falta de um pai e não queria privá-la disso por puro egoísmo da minha parte.

— Tem razão, eu vou contar pra ele. Só preciso achar o momento certo pra falar.

Ele concordou calmo, ficamos tão envolvidos nesse assunto que por um instante esqueci o verdadeiro motivo de está ali, arregalei os olhos espantada ao ver Ramallo aproximar-se segurando um envelope grande em mãos, não queria que soubesse sobre German. Acenei para ele, que quando nos viu sorriu levantando a mão e vindo até nós.

— Ramallo, que bom que veio! — Me levantei o cumprimentando com um rápido beijo na bochecha.

— Oi Ramallo. — Pablo o saudou reservado.

— Angie! Pablo! — Nos cumprimentou de volta.

Pablo apertou a mão de Ramallo mais sucinto, sentamo-nos já prevendo a aura de tensão.

— Quer algo Ramallo?

Indaguei ajeitando-me na cadeira. Ramallo sorriu educado.

— Não, obrigado Angie. Na verdade eu trouxe os números em vermelho do Studio, e algo tem que ser feito rapidamente.

Murchei na cadeira ao ouvir aquilo.

— A dívida aumenta a cada dia, e se demorarmos mais ou o Studio decretará falência ou precisarão de alguém que o compre e pague as dívidas.

— E se alguém comprar…

— Não saberemos se a pessoa manterá o Studio. — Pablo completou minha frase.

Todo meu corpo entrou em alerta se mortificando na cadeira, mesmo aflita com a informação que recebi há pouco preferi acreditar que a arrecadação seria um sucesso para saldar boa parte das dívidas.

— Não precisamos nos preocupar agora, vamos ver o dinheiro da arrecadação de hoje e depois o que acho impossível, nos preocuparemos. – Pedi olhando no fundo dos olhos castanhos de Pablo.

Sabia que estava triste, amava o Studio tanto ou mais que eu. Era quase impossível não se abalar.

— Tem razão.

Ele me lançou seu mínimo sorriso.

— Bom, deixarei a pasta financeira com vocês e vou indo, tenho muito o que fazer.

Assentimos, Ramallo se levantou e me levantei também.

— Obrigada por ter vindo Ramallo. — Mencionei grata pegando em sua mão.

— É sempre um prazer ajudá-los, quando precisar pode me ligar. — Balancei a cabeça concordando, Ramallo me fitou por alguns segundos, me pondo curiosa. – Angie, não quero ser intrometido mas se me permite, por que não fala com German?

O que era isso? Dia de tentar pôr bom-senso em mim? Soltei sua mão amarga, com uma expressão pesada e bochechas coradas.

— German te pediu isso?

Olhei pra Pablo que ia abrir a boca, entretanto o lancei um olhar ameaçador e ele fechou a boca rapidamente. Ramallo arrumou sua gravata travando o rosto numa careta.

— Não, German não me pediu. Só que até cego ver que vocês precisam conversar, não acha?

Suspirei contendo meus olhos que queriam revirar ao falar de German, eu ia sempre me sentir enojada assim ao mencionar ele?

— Não, não acho. Eu e German não temos mais nada o que conversar. — Respondi dura. Pude sentir o olhar de Pablo me perfurar numa repreensão contida.

— Como é difícil convencê-la! — Brincou, me permiti sorrir fraco. – Um dia eu acredito que mudará de opinião. Agora, eu preciso mesmo ir, até logo!

Ramallo beijou minha bochecha, acenou para Pablo que devolveu o gesto, e saiu.

— O que foi?

Pablo segurou o riso me observando.

— Ele está certo. — Apontou pra onde Ramallo estava há pouco, ri lhe dando um tapinha leve na palma de sua mão mordendo meus lábios e balançando a cabeça em claro sinal de negação.

— Você é um bobão Galindo. — Brinquei e ele me mostrou sua língua. – Temos que ir pra ajudar o pessoal na organização do baile.

Pablo arregalou os olhos, deixando uma gorjeta na mesa enquanto levantava-se abruptamente.

— Está certa, vamos.

German Castillo.

— German?

Balancei a cabeça ao ouvir pela milésima vez a voz de Ramallo me trazendo para a realidade no meio da nossa reunião, o olhei sério colocando minhas mãos no queixo o apoiando.

— Me desculpe meu amigo, mas não dá pra ter um planejamento de negócios se você está com a cabeça no mundo da lua. — Ele me analisou por alguns instantes e tirou seu óculos, sorrindo maroto. – Já sei, estava com a cabeça na Angie.

Arquejei incerto, minha cabeça doía por ter que voltar ao mesmo assunto de sempre. Sim, eu pensava em Angeles a cada hora do meu dia. Me preocupava como estava, se precisava de algo ou até mesmo se em algum momento havia pensado em mim. Ela era meu ponto fraco, mesmo depois de anos, não poderia esquecê-la… Era impossível.

— Sim, não posso deixar de pensar nela Ramallo. Angie retornou muito fria, o modo áspero que me tratou… Por algum motivo tudo que ela me disse fica ecoando na minha cabeça todos os dias.

Ramallo se ajeitou na cadeira, me escutando atentamente.

— Angeles ainda está muito magoada, German. Depois de tudo o que aconteceu, eu acredito que vocês precisam conversar.

Meu maxilar ficou rijo, como fazer isso se ela deixou claro que não queria nem me ver? Cometi muitos erros com Angie, necessito me desculpar, implorar pelo seu perdão.

— Ela não quer me ver nem pintado de ouro Ramallo, e tem toda razão depois que eu praticamente a expulsei e a acusei de um roubo. Eu a deixei ir, não tem nenhuma forma de recuperá-la.

— Angie pode está magoada, porém nunca foi má pessoa. Só precisa de um tempo pra discernir as coisas, vê-las com clareza.

Cedi num suspiro cansado, encostando minhas costas na poltrona. Fitei sua foto no porta-retratos junto de Vilu e sorri fraco.

— É melhor dar um tempo, além de que não consigo nem vê-la ao lado daquele tal Leonardo!

Ao falar seu nome afinei a voz irritado, fazendo Ramallo rir. Só de imaginar que ela dormia com ele todas as noites, que ele era dono dos melhores sorrisos e melhores lembranças, me subia um fogo misturado com uma raiva me engolfando lento. Angie era minha, só minha.

— Isso se chama ciúmes. — Brincou, fechei minha cara aborrecido.

— É óbvio que não, é a tia da minha filha Ramallo!

— E o amor da sua vida, não se engane German.

Processei aquelas palavras, nunca conseguiria amar outra mulher como amei Angeles. Ela era o amor da minha vida, até meu último suspiro.

— Eles estão juntos há bastante tempo, parecem se gostar.

Olhei mortalmente para meu assistente, Angie podia gostar dele, mas não o amava. Nunca ia o amar e isso eu senti de longe, ele nunca ia levá-la as nuvens como eu fiz.

— Ramallo, se não tem nada interessante pra falar é melhor cancelarmos aqui. Continuamos depois.

Expressei rude, me levantei amargo saindo do escritório em passos rápidos. Fiquei ali parado no meio da sala sendo bombardeado por um turbilhão de lembranças, lembrei do modo que Angie sorria logo que entrou na sala com Vilu e seu sorriso morreu assim que eu falei do roubo, meu coração parecia está se quebrando pela enésima vez e jurei que se ficasse quieto poderia ouvir o som dele se partindo. Pedaços tão pequenos e doloridos tomavam conta de cada poro meu, desde que descobri a verdade desejei intensamente não tê-la a acusado e fazer tudo diferente, ou talvez não tê-la deixado ir no dia do aeroporto.

Angie queria ficar, eu queria que ela ficasse e fui covarde demais ao ponto de perder a mulher que amo por não conseguir dizer nada. Imaginei várias vezes como poderíamos estar desde o dia do aeroporto, provavelmente já casados e quem sabe com filhos. Tão lindos quanto ela, pude sentir uma lágrima rolando pelo meu rosto ao pensar no tamanho da nossa felicidade. Angie tinha toda razão em não querer me perdoar e nunca mais querer me ver, entretanto eu sentia uma necessidade enorme de tentar consertar tudo.

Quando me dei conta me encontrava em frente ao piano, alisei a borda travando a mandíbula ao tentar conter a respiração falha, ofeguei sentando-me na banqueta e meus dedos automaticamente fizeram a sequência comum das notas. Posicionei minhas mãos nas teclas, com uma música em mente.

— Aunque lo intente ya no puedo mas, verte de lejos. Mis ojos ya no pueden ocultar, este misterio. — Cantei com verdade em cada palavra, não sei por quanto tempo mais poderia aguentar ficar de fora da vida de Angie, nem nos bastidores para a acompanhar e a apoiar.
— Me abraza el cielo y vuelo sin parar, hacia tu encuentro. Llego a tiempo ya no estas, alguien ha ocupado mi lugar.

Terminei de cantar tocando a última nota, olhei para o piano atordoado recordando das palavras duras de Angie dizendo como ela ficou nos primeiros anos, e por minha culpa. Certamente merecia alguém melhor que eu, e se estava feliz, eu ia tentar ficar feliz também sem me transtornar.

— Está tudo bem, pai?

A voz de Vilu tirou-me dos pensamentos absortos, forcei um sorriso. Violetta era a última pessoa que eu queria que soubesse o quanto estou mal pela sua tia.

— Está sim meu amor, te acordei?

Vilu pareceu me analisar nada convencida da resposta.

— Não, eu estava descendo quando te ouvir tocar. Fiquei surpresa, há tanto tempo não toca.

Ela se aproximou, continuei sustentando o sorriso. Era minha filha, precisava que estivesse bem.

— As coisas mudam Vilu.

Violetta suspirou.

— Sua voz era triste na melodia, tem certeza que tá tudo bem? — Indagou curiosa, com certeza essa característica havia puxado da tia que era tão curiosa quanto.

— Sim filha, tenho.

Levantei indo em sua direção e depositando um beijo em sua testa. A analisei.

— Pra onde vai?

Ela pigarreou, dando-me um sorriso lindo.

— Tenho que ir no Buffet perto do Studio onde vai ser o baile de máscaras para ajudar na organização.

— Você sabe me dizer se o Studio está precisando de algo…? — Questionei sorrateiro, eu sabia da crise instável que o Studio se encontrava e faria o possível pra ajudar no que pudesse.

Violetta pareceu pensar alguns instantes.

— Agora, na verdade, o Antônio está tentando encontrar um contador para lidar com todas as finanças, organizar as dívidas e reduzir gastos.

Concordei interessado, era a minha área. Sempre fui muito bom com os números e gostaria muito de ajudar.

— Bom, tenho que ir. Tchau pai, te amo.

Vilu deu um beijo na minha bochecha.

— Tchau meu amor, também te amo. — Sorri sozinho, Violetta saiu apressada acenando.

Como Violetta cresceu rápido demais, sentia falta daquela garotinha indefesa que sempre me pedia ajuda ou corria pro meu colo quando achava que tinha monstros no armário. Peguei o telefone checando as horas, tamborilei ele na minha mão com uma ideia perambulando na mente. Fui lépido até a cozinha encontrando Olga e Ramallo conversando, lancei um olhar rígido pros dois que pararam de conversar no mesmo segundo.

— Precisa de algo, sr. German?

— Na verdade eu só vim avisar que não precisa me esperar pro almoço, vou resolver umas coisas e chego mais tarde.

Olga assentiu, não esperei resposta e retirei-me da cozinha caminhando em passos largos até a porta, sabia exatamente onde deveria ir.

…

Parei em frente a entrada do Studio, saí do carro convicto do que faria e caminhei em direção a entrada que se encontrava vazia. Onde estão os alunos daqui? Entrei vendo que o local permanecia em silêncio exceto por algumas vozes na sala do Antônio, dei três batidas na porta azul ouvindo um entre sutil. Abri a porta colocando a cabeça pra dentro, Antônio sorriu me chamando com um aceno, retribui adentrando na sala e sentando-me de frente para ele.

— Que surpresa vê-lo aqui German!

Concordei, a não ser porque eu já tivesse vindo aqui duas vezes.

— É bom revê-lo também Antônio. — Declarei sincero, havia muito tempo desde que voltei com Violetta do Qatar que não o via. – Hoje está tão silencioso por aqui.

Ele riu pelo nariz me olhando.

— É que hoje daremos um baile, então como todos os professores estarão na organização do evento os dispensamos por hoje. — Afirmou calmo, confesso que me deu uma ponta de vontade de comparecer pra ver Angie. Logo afugentei esse pensamento. – Então, veio aqui por causa da Violetta?

Neguei com a cabeça, minha boca ficou em linha reta e confesso que me mortifiquei por alguns instantes.

— Na verdade não, eu soube pela crise que o Studio está passando e de que precisam de um contador para cuidar de todas as finanças. — Antônio tirou seu óculos, atento. – Eu quero ajudar Antônio, além de ser minha área, posso fazer isso sem cobrar nada.

Vi o sorriso dele aumentar. Meu coração aqueceu dizendo que fazia o certo, o Studio era muito importante para Violetta e mesmo que não quisesse admitir, também procedia por Angie, sabia qual era o significado que tinha pra ela.

— E então?

— Achei uma ótima ideia filho, fico muito agradecido que pense assim. — Estendeu a mão para mim, levantando-se. – Quando pode começar?

— Agora mesmo, se possível.

Apertei sua mão, num negócio feito. Por fim, sentia satisfação em poder ajudar o Studio.

— Muito bom! Vamos até a sala dos professores, vou te entregar todo seu material.

Concordei, saímos da sala indo até a sala dos professores, Antônio abriu a porta e para minha surpresa Angie estava sentada na cadeira mexendo concentrada no notebook desviando o olhar para alguns papéis ao seu lado. Ao me ver percebi que todo seu corpo se carregou de tensão.

— Não sabia que ainda estava aqui, Angie. — Antônio beijou sua testa. Ela sorriu fraco ignorando minha presença.

— Sim, estou só checando o preço de alguns arranjos para hoje mas já vou indo. — Disse voltando a atenção para o notebook a sua frente.

— Angie.

A cumprimentei sério, meu corpo não poderia conter a necessidade de ter sua atenção nem que fosse só por alguns segundos.

— German. — Sua voz áspera mesurou-me indiferente, num suspiro sem realmente me olhar.

Antônio procurou por alguma coisa nos armários, puxando a atenção de Angie.

— Precisa de algo?

Ele sorriu para ela, tão carinhosamente que ela retribuiu, há quanto tempo eu não via esse sorriso caloroso em seu rosto. Quase tive ímpetos de sorrir também, porém o contive.

— Estou atrás do livro contábil do Studio, você viu?

Angie se levantou, e se aproximou evitando me olhar. Notei que queria passar, movi meu corpo pro lado para que passasse sentindo a calor de seu corpo atravessar o meu por um milésimo de segundo. O que eu queria era a abraçar e nunca mais a soltar, pedir desculpas quantas mil vezes mais fosse preciso.

— Aqui está, tinha guardado na bolsa. — Respondeu o entregando para Antônio que deu uma rápida olhada, entregando para mim. Angie mantéu os olhos verdes atentos. – Desculpa perguntar, mas por que precisa?

— German vai ser o novo contador do Studio. — Alegou calmo.

Angie arregalou os olhos surpresa, mortificando o corpo ali paralisada e pálida. A incomodava tano assim que eu tivesse por perto?

— Tá tudo bem por você?

Antônio questionou confuso ao ver sua reação, Angie balançou a cabeça desnorteada concordando num pequeno sorriso lânguido. Apertei meus dedos contra o livro, abalado.

— Sim… Está sim. — Mentiu desconcertada, apertou os olhos verdes intensos fingindo não ter lhe afetado. – Tenho que ir pro Buffet, até logo Antônio.

Angie pegou sua bolsa e deu um beijo rápido na testa de Antônio saindo ágil, sem nem ao menos falar comigo.

— Algum problema entre vocês?

Neguei com a cabeça rapidamente, cada vez ficava mais claro que devia seguir em frente como ela já fez.

— Nenhum, se não se importar vou começar agora a revisar os números. — Justifiquei sentando-me onde ela estava há alguns minutos. Ele concordou sorrindo.

— É claro, vou deixá-lo. Se precisar de algo estarei na sala em frente.

Sem me dar tempo de responder ele saiu, deixando-me ali sozinha e inundados em pensamentos. Tamborilei a caneta no notebook impaciente, o que precisava ser feito pra ela me perdoar? Espantei esses devaneios, isso era algo que evidentemente não aconteceria tão cedo se dependesse dela. O melhor a fazer era mergulhar fundo no trabalho, agora.

Violetta Castillo.

Caminhava em direção ao Platinum com o coração cheio de expectativas boas para o baile dessa noite, a organização do lugar tinha ficado incrível, e eu esperava que o dinheiro da arrecadação pudesse soldar boa parte das dívidas imensas do Studio. Fui distraída pelo toque do telefone na bolsa, o peguei desbloqueando e sorri ao ver a mensagem que Angie tinha me mandado.

“Todas as entradas se esgotaram!”

“Estou muito feliz tia!”

Respondi rapidamente sem deixar o sorriso escapar do meu rosto, eu tinha certeza que o Studio se reergueria da melhor forma possível.

“Por favor, antes de vir pra cá passe no Studio e busca um cartão com o número do decorador pra vir deixar os arranjos.”

Mandei um ok bloqueando o celular e mudando a direção, durante o caminho uma ideia boba vagou pela minha cabeça, será que Leon aceitaria me fazer companhia no baile de hoje? Seria fantástico se aceitasse, e ainda poderíamos conversar como num encontro de dois amigos que não se veem há muito tempo. Isso, amigos! Nada mais que amigos. Com pressa desbloqueei o telefone novamente, meu dedo ávido foi direto no contato de Leon abrindo a aba de mensagens.

Parei no meio da calçada pensando no que poderia dizer, como o chamaria. E se tivesse ocupado? E se já tivesse com alguém ou algum compromisso importante? Sem dúvidas eu ia parecer uma pateta quando dissesse que não poderia ir, precisava tentar. Por que não? Éramos adultos, se dissesse que não, eu ia entender e me conformar. Todo meu corpo vibrava de felicidade só por imaginar vê-lo bem sexy com uma máscara cobrindo parte de seu rosto o deixando com um ar de mistério. Ri sozinha com o pensamento absurdo, parecia uma completa depravada desse modo.

Respirei fundo tentando ficar confiante, fitei seu nome na barra de mensagens. Era melhor mandar, vai que eu me arrependa por não tê-la mandado. Com firmeza comecei a digitar.

“Hey! Se não estiver ocupado, que tal me acompanhar ao baile de máscaras do Studio? Hoje, no Platinum. Espero muito que você vá.”

Toquei no balão que dizia enviar, e quase quis me matar por isso. Ele com certeza ia me achar uma boba, fiquei alguns segundos com os pés cravados no mesmo lugar esperando sua resposta, cerrei os olhos impaciente ao perceber que tinha visualizado e não tinha dado nenhuma resposta. Droga, talvez essa fosse a resposta, Leon não queria ou não podia ir. Quase quis enterrar minha cara em algum canto de tamanha vergonha que fiquei, decidi ignorar colocando no modo não perturbe e guardei o celular na bolsa grossa mesmo sabendo que não tinham culpa.

Segui meu caminho até o Studio atrás do bendito cartão, assim que entrei na sala dos professores me surpreendi ao ver meu pai sentado ali mexendo tranquilamente no notebook.

— Pai?

O chamei boquiaberta. Como chegou aqui tão rápido? Ignorei minha cabeça contestadora o observando confusa. Ele levantou a cabeça e sorriu ao me ver.

— Oi filha.

— O que está fazendo aqui com o notebook dos professores? — Indaguei curiosa me aproximando.

— É que agora eu sou o novo contador do Studio. — Afirmou orgulhoso, sorri com a ideia. Era perfeito, principalmente porque faria o possível pra ajudar.

— É sério?

Pulei em seu colo animada.

— É sim princesa, quero fazer o possível e impossível pra ajudar o Studio a sair dessa.

O abracei emocionada, era justamente o que precisávamos nessa época de crise. Meu pai beijou minha testa e me levantei arrumando meu vestido, rimos.

— E a senhorita faz o que aqui?

— Só vim pegar um cartão que Angie pediu, e já tô indo pro Buffet.

Percebi que meu pai murchou na cadeira quando falei o nome da minha tia, eu sabia que as coisas entre eles não estavam boas. Me doía vê-los afastados assim, e até tentaria fazer algo porém Angie continua inabalável quando o assunto é meu pai. Sentei na cadeira ao seu lado.

— As coisas não vão muito bem entre vocês, não é?

— Sim. – Admitiu com uma ponta de frustração. – Não sei o que fazer para sua tia me perdoar, parece impossível.

— Dê um tempo pra ela. Angie precisa pensar com clareza antes de conversar com o senhor, pra ela não é fácil está aqui em Buenos Aires depois de tudo o que aconteceu.

— Tem toda razão, o que eu posso fazer é esperar. — Explicou firme, o apoiei dando sinal positivo com a cabeça. – De quem puxou essa inteligência toda?

— A você. — Brinquei e ele sorriu, pegando minha mão.

— E todo o resto? — Fingiu indignação.

— A minha tia.

Ri ainda mais, meu pai concordou. Antes que falasse algo, o telefone toca. O peguei vendo a foto e o nome de Angie no visor.

— Falando nela… — Mostrei o celular pra ele. – Melhor ir.

Tateei por entre os papéis achando o cartão de Arturo, o decorador de arranjos, guardei dentro da bolsa junto com o celular e me levantei dando um rápido beijo em sua testa.

— Até mais tarde, pai

— Até Vilu.

Nos despedimos e saí da sala com pressa, por sorte o Platinum ficava a duas quadras do Studio, então não chegaria tão atrasada se andasse rápido. Ao chegar no local Angie me esperava do lado de fora, observando a faxada do Buffet, quando me viu sorriu abrindo os braços.

— Enfim Vilu, que demora por um cartãozinho. — Me abraçou. Retribui seu abraço animada.

Era um dos abraços que me sentia mais segura, na verdade.

— Acho que deveria ser, obrigada sobrinha linda por ter ido no Studio e buscado o cartão. — Tentei imitar sua voz, Angie beijou minha testa.

— Sim, obrigada querida.

Nos soltamos, entreguei o cartão para ela.

— Vamos entrar?

Assenti, Angie segurou minha mão e fomos até o hall principal. A decoração tinha ficado extraordinária, do jeito que eu havia pensado que seria.

— Gostou?

— Ficou incrível, sério. Vocês arrasaram.

Pablo se aproximou da gente com um sorriso.

— Gostou Vilu?

— Sim, muito. Tenho certeza que vai ser um sucesso.

— Não posso mentir que sua tia deu uma grande ajuda.

Entreolhei para eles, Angie ficou ruborizada e Pablo ficou com aquele mesmo olhar bobão de quando namoravam. Será que ele ainda tinha esperanças? Me livrei rápida dessa ideia, afinal são grandes amigos.

— Sim, agora se me dão licença, preciso ir ver o que Gregório e Beto estão fazendo. — Angie ia saindo, porém volta um passo e fita Pablo. – Pode ligar pro decorador? Obrigada, amigo.

Ela o entregou o cartão e saiu, notei como Pablo se contraiu quando minha tia o chamou de amigo.

— Posso te perguntar uma coisa?

Droga, saiu antes que pudesse conter. Pablo virou pra mim curioso.

— Claro Vilu.

— Sente algo pela Angie?

Droga de novo, eu tenho que pensar mais antes de falar. Só que foi tão automático e nada sutil.

— O que? Violetta claro que não. Somos apenas melhores amigos e eu a admiro muito. De onde tirou isso?

Vi que Pablo falava sério, possivelmente tinha razão e eu que já estava imaginando coisas.

— Eu só não quero que minha tia se magoe, Pablo. Desculpa pela pergunta.

Ruborizei forte, isso não era assunto meu.

— Te entendo, não precisa se preocupar comigo. Acho que agora é dever do namorado cuidar dela, e não magoá-la, falo na forma romântica.

— Sei, não sei de onde tirei essa ideia Me desculpa mesmo Pablo. — Quase supliquei de tão envergonhada. – Com licença.

Que mico! Apesar de querer cuidar da Angie assim como ela cuida de mim, certamente não deveria ter me metido. É evidente que me equivoquei pois os dois só são amigos de longas datas, e ela está com Leonardo, não devia ter me metido. É só que as perguntas saíram antes que pudesse conter.

Desvencilhei-me dali andando por entre as mesas envergonhada, e procurando o que fazer. Meu telefone vibrou e o peguei veloz imaginando que fosse o Leon dando uma resposta de preferência que sim ao meu pedido, logo meu sorriso se desfez ao ver que era Olga perguntando se estava tudo bem. Respondi que sim e pedi para que buscasse meu vestido na lavanderia, guardei o celular de mau humor imaginado que Leon não queria mais sair comigo e o motivo. Será que tinha feito algo errado?

Como disse, era só um palpite. Eu sentia que essa noite ia ser perfeita, de algum modo.

Notas finais
AAAAAAAAAAAAAA e ai? Sim gente eu sei, o capítulo tá mais focado em Germangie, principalmente na Angie porque eu quero focar neles dois pra explicar como a Angie se sente com todo mundo pedindo pra ela falar com German e vice-versa. Achei fofo a Vilu querendo cuidar da Angie!! Mal posso esperar pelos próximos capítulos, tô tão ansiosa que já vou escrever para postar domingo. Comentem! Não sou de colocar metas, mas esse eu só posto com 5 comentários. KKKK que iludida. Tchau amores, até domingo. ♥