— Chegamos.

Não era nem necessário que o cavalariço dissesse aquilo. A enorme construção que chamada de “casa” mais parecia um castelo, de forma que era impossível não notar a quilômetros de distância dali.

— Como vamos entrar? — Sabo perguntou ao homem enquanto ele amarrava os cavalos.

— Fiz um buraco perto daqui. — ele respondeu – vamos nos rastejar por debaixo dele.

Sabo fez uma tocha de fogo com a mão. Já era de madrugada, estava bem escuro e difícil de enxergar.

— Se me permite perguntar… — Koala quebrou o silêncio, virando para o homem. — por que mesmo que você está fazendo isso?

Ela e Sabo haviam chegado na ilha algumas horas mais cedo, e não tiveram muito tempo para descansar da viagem de duas semanas. Assim que desembarcaram, foram para a parte comercial do vilarejo coletar mais informações sobre o funcionamento do condado e sobre os próprios Conde e Condessa.

Foi quando um rapaz aparentando ter por volta de vinte e cinco anos, de cabelos curtos e pele bronzeada, abordou-os dizendo-se empregado da família e cúmplice de “Srta. Meldish”. Koala não pensava que a própria moça fosse aparecer, mas não imaginou que mandaria um simples cavalariço para contribuir em uma missão tão importante como aquela. Mas, de qualquer forma, acreditou no rapaz, que provou-lhes estar ao seu lado com uma carta assinada pela jovem.

Logo, quando a madrugada começou, montaram nos cavalos e começaram a cavalgada em direção a mansão.

— Sou fiel à Srta. Meldish. — afirmou convicto, sem tirar os olhos do caminho. — sou empregado da casa, mas fiel, apenas a ela. E, se ela diz que isso é o certo, eu confio nela.

— Imagino que ela seja uma boa patroa para você. — Sabo comentou com um sorriso camarada, conseguindo arrancar um sorriso de canto do rapaz que antes se mostrara uma rocha.

— Ela é sim. — afirmou. — fez o pai me comprar em um leilão.

As palavras dele chamaram atenção do casal, que passou a fitá-lo com mais interesse.

— Você também era um escravo, Deni-kun? — Koala pôs a mão no coração.

— Não cheguei a ser. Eu era um ladrão desde criança, então fui capturado, preso e vendido em um leilão de escravos no arquipélago Sabaody. O Conde me comprou e me deu o emprego de cavalariço. Tive sorte, diferente dos demais que passaram por lá.

Isso fez Koala lembrar de Shin, Aurora e as demais crianças. Assim que como ele, eles eram pequenos ladrões, e pensar nos pestinhas sendo presos e vendidos como escravos fez seu coração apertar. Era difícil imaginar qualquer criança passando pelo mesmo sofrimento que passara.

— Planejávamos acabar com aquilo há bastante tempo. — o loiro cerrou os punhos só de lembrar. — era uma tarefa difícil, por causa de toda a influência dos tenryuubitos naquele lugar.

— Eu entendo, tudo bem. — Deni recusou justificativas. Ele não devia nada a ele. — pelo que eu soube, o lugar foi destruído pelos piratas dos Chapéu de Palha. Há outras por aí, mas é um alívio saber que existe uma a menos no mundo.

— É verdade. — Sabo sorriu ao ver o bando do irmão sendo citado. — é um alívio mesmo.

O loiro olhou para Koala, que estava calada há algum tempo. Estava escuro e não conseguia ver bem o rosto dela por causa da sombra da boina, mas ela estava abraçando os próprios braços e sentia que estava com uma expressão triste.

— Ko? — ele aproximou dela, afastando-se um pouco de Deni. — tá tudo bem?

— Não é nada. — ela forçou um sorriso. — é que toda essa história de escravos ainda mexe comigo. É imaturo, eu sei, mas…

— Ei. — interrompeu-a colocando a mão em seu braço, olhando-a nos olhos. — não é imaturo, é totalmente normal. Traumas às vezes duram a vida toda, acontece. — ele sorriu para confortá-la. — eu sempre vou estar aqui para te ajudar a superar.

Koala se sentiu mais calma com as palavras dele. Sabo não era o tipo de homem que sabia sempre o que dizer e o momento certo de dizer, mas quando as palavras saíram de seu coração, sempre fazia com que se sentisse bem e feliz onde quer que estivesse.

— Desculpe interrompê-los. — Deni chamou atenção deles falando um pouco mais alto. — mas chegamos, aqui está a passagem.

Eles voltaram a se concentrar e observaram bem a passagem. Era um buraco cavado debaixo de um enorme muro, que demarcava os arredores da cara. Os deixaria bem sujos, mas vaidade não era um dos pontos fortes dos revolucionários, então apenas colocaram os respectivos chapéus nas mãos e se arrastaram por debaixo.

— Há guardas por aqui? — Sabo sussurrou para o homem, enquanto andavam encostados à parede em passos de pena.

— Não. — respondeu. — é apenas por cautela. Nunca sabemos se Lady Applefield muda a posição da guarda. — explicou. — como sou apenas o cavalariço, não me informam nada que não tenha a ver com os cavalos.

Koala ponderou sobre o homem. Por que um empregado agiria daquela forma? Arriscando-se e colaborando com revolucionários para praticamente roubar documentos importantes de sua patroa? Caso a missão viesse a falhar e a Condessa descobrisse, certamente a sentença do homem seria a forca. Sua devoção para com a filha do conde era, decerto, mais valiosa que sua própria vida.

Esperava que a filha do lorde valorizasse isso.

(…)

Dentro da enorme construção, uma jovem de dezoito anos recém-completos terminava de escrever em seu diário, sentada à cama. Seus cabelos arroxeados, geralmente presos em um coque, estavam soltos e devidamente penteados, e já usava suas vestes de dormir. A vela estava no final, logo se apagaria, mas tinha tanta coisa a ser escrita naquele dia que mal conseguia se conter..

— Meldish? — a porta foi aberta bruscamente, e, como sempre, sem bater. Não precisou ao menos levantar o rosto para saber que se tratava de sua madrasta, Lady Cordélia Applefield. A mulher de traços rígidos e cruéis levantou o queixo para ela, escolhendo a bronca que daria. — uma dama já deveria estar dormindo. Não lhe ensinaram nada naquela escola? Ou nem mesmo um colégio tão conceituado é capaz de fazê-la educar-se como a dama que não é?

— Ora, Cordélia. — a mais nova sorriu irônica, fechando o diário. — se for assim, a senhora também não é uma dama, já que também está acordada a esta hora interrompendo meu momento de privacidade.

— Não seja insolente, fedelha. — disparou perdendo a paciência. — mal posso esperar para enxotá-la daqui e deixá-la na mais brava pobreza.

— Eu e todos os cidadãos de Applefield. — murmurou o que, por sorte, a mulher não escutou. — e eu mal posso esperar para me ver longe da visão dos seus pés de galinha. — a menina deu língua para a mulher, que cerrou os punhos e parecia certa de adentrar o quarto e puxá-la pelos cabelos. Mas, o que fez, na verdade, foi dar seu sorriso mais materno e dizer:

— Mel, querida, dormir tarde fará mal para sua saúde. O ideal é ir descansar logo e… Ah! — ela fingiu surpresa, sorrindo para o marido, que se materializou ao lado dela. — não o vi aí, querido.

— Vim procurá-la, não a achei em lugar algum. — ele sorriu para a esposa. — já deveria estar dormindo, não acha, Mel? — dirigiu-se com um ar paternal à filha, que deu seu sorriso mais amável.

— Tem razão, papai. Já vou dormir.

Assim que o Conde e a Condessa se retiraram e a porta foi fechada, a menina contou até dez.

Era a hora dela fazer sua parte do plano.

(…)

Deni parou de andar, indicando a janela pela qual deveriam escalar.

— Ela mantém as escrituras guardadas num cofre. — Deni explicou. — a entrada por dentro da casa é guardada, por isso é necessária escalar esta janela.

— Então eu devo queimar o cofre inteiro. — Sabo concluiu criando uma chama na mão esquerda.

— Claro que não! — Koala elevou mais o tom. — se fizermos isso, as escrituras também queimarão e não teremos como provar ao conde o que sua mulher planeja fazer. O ideal é abrir o cofre. — ela esclareceu com o olhar confiante. — eu consigo fazer isso.

Sabo havia se esquecido, por alguns segundos, que Koala era uma das espiãs mais esplêndidas da organização. Não era atoa que havia se apaixonado por ela.

— E como planeja fazer isso? — Deni indagou-lhe.

— Sempre trago um estetoscópio comigo.

A conversa foi interrompida por um den den mushi que estava na bolsa do homem. Sabo e Koala observaram-no atender e, em seguida, desligar, sem trocar uma palavra. Isso só poderia significar uma coisa: Meldish estava executando sua parte do plano.

Uma corda desceu pela janela em seguida, e, sem dificuldades, os três subiram. Koala achou intrigante; não esperava que a janela desse em um escritório. Achava que entrariam em algum quarto usado como armazém ou coisa do tipo, e não num belo cômodo aconchegante.

— Devem ser Sabo e Koala. — a moça disse fazendo reverência como uma bela nobre educada. — é um prazer conhecê-los. — ela esticou a mão para que Sabo pudesse beijá-la. O loiro pareceu não ter entendido muito bem o que ela queria, e, após alguns segundos, finalmente percebeu e beijou-lhe a mão.

Mas afinal, por que aquilo havia incomodado Koala? Era apenas um beijo. Um beijo na mão. Não era como um beijo no rosto ou um beijo na boca. Não passava de um cumprimento, como etiqueta de uma jovem nobre. Estava convencida disso, mas…

Por que ele tinha que ficar corado? Maldito Sabo!

Aquilo não era hora de se incomodar com a proximidade de seu parceiro com outra mulher. Tinha que se concentrar na missão, afinal, era para isso que estavam ali.

— Em quanto tempo acha que conseguiremos acesso aos escritório de sua madrasta, decifrar o código e desmascarar Cordélia? — Meldish perguntou à dupla, que a encarou por alguns segundos.

— Acho que… — Sabo virou-se para Koala, como se falassem sobre um assunto interno. — uma hora?

— Não. — Koala negou sorrindo. — trinta minutos.

(…)

Trinta minutos depois, a missão havia sido um sucesso.

Os documentos revelavam com detalhes tudo que Cordélia Applefield planejava para o condado, assim como todo o planejamento para fazer com que Meldish fosse deflorada e obrigada a se casar com um homem bem mais velho e morar longe dali. Ao descobrir os planos da esposa, lorde Matthew ficou enojado e pediu suas sinceras desculpas à filha por deixar-se manipular.

Sabo ficou feliz. Apesar do homem ser um nobre, ele parecia ser uma boa pessoa e um bom pai, que apenas não percebeu que estava sendo controlado por uma mulher hedionda. Meldish parecia uma boa menina, não era convencida e tinha fama de visitar e conversar com os moradores da vila, sem fazer qualquer distinção de classe.

Enfim, ainda naquela mesma madrugada, a menina ofereceu-lhes camas para dormir e a dupla aceitou de bom grado. Estavam exaustos, mesmo que não soubessem exatamente do que. Provavelmente, a longe viagem havia cansado seus corpos, que só conseguiram realmente relaxar ao ver as luxuosas e enormes camas, feitas para fazer até o indivíduo com a mais severa insônia dormir como um bebê.

(…)

— Sabo-kun? — o loiro ouviu uma leve batida na porta do quarto em que estava hospedado, já na manhã seguinte. Reconheceu no mesmo instante a voz, dizendo para que Koala entrasse, e assim ela o fez. — oh, já está pronto. — ela percebeu.

— Sim, acordei bem disposto essa manhã. — ele estava sentado na cama, calçando as botas. Assim que acordara tomara uma ducha, de forma que seu cabelo loiro ainda estava molhado e um tanto desalinhado. De qualquer forma, ele sentia-se esquisito quando ficava devidamente arrumado e sem ter nada nos pés, tratando de colocá-las em primeiro plano.

— Como sempre, não está cuidando do cabelo direito. — Koala foi até a penteadeira do quarto, e pegou a primeira escova que viu pela frente. — fique parado. — ela pediu levantando o rosto dele, para que pudesse escovar o cabelo da forma correta.

A mestra estava de frente para ele, porém mesmo que ele fosse bem mais alto que ela, estava sentado, de forma que os seios da parceira ficassem bem de frente para ele. Koala parecia não notar, mas não havia como ele não notar. Eram grandes e gloriosos, e, certamente, eram macios e…

Não, não. Ainda era de manhã cedo, e tinha que afastar tais pensamentos antes que ficasse excitado e ela percebesse.

— Prontinho, agora está bom. — a outra declarou com orgulho, se afastando dele e contemplando o cabelo escovado. — já reparou que seu cabelo fica mais escuro quando está molhado?

— Já… — ele concordou, mesmo que seus pensamentos não estivessem exatamente em seus cabelos.

— O meu fica da mesma cor, que estranho.

Só mesmo Koala para notar algo assim, riu pensando consigo mesmo.

— O café da manhã já vai começar, temos que ir logo. — lembrou ela, e ele se levantou, seguindo-a.

(…)

— ...Portanto, gostaria que apreciassem o baile desta noite, que será em comemoração ao noivado de Meldish. Como bem sabem, serão nossos ilustres convidados, uma vez que foram os responsáveis por fazer isto tudo acontecer.

Koala respondeu com um sorriso sem graça aos cumprimentos do lorde, que tinha um linguajar bastante pomposo. Olhou para Sabo, sentado ao seu lado, como se perguntasse a ele sua opinião sobre ficar.

Só não imaginava que o parceiro estaria em tamanha excitação sobre a festa.

— Vamos ficar, sim, muito obrigado pelo convite! — respondeu com mais entusiasmo que o normal, sorrindo ao ponto de corar as bochechas. — mas não imaginava que noivariam assim tão rápido, de um dia para o outro.

Mel e Deni se entreolharam, vermelhos de vergonha. Assim que se livrara da madrasta, Meldish fora bem clara com o pai sobre seus sentimentos pelo cavalariço, que eram claramente recíprocos. O rapaz, apesar de pobre, era uma boa pessoa, e muito querida pelo conde. Àquele ponto, Sabo se convenceu de que Lorde Matthew era um homem honrado, pois mesmo que fosse um nobre, permitiria que a filha de casasse com o plebeu que amava.

Seu pai jamais permitiria uma coisa dessas. O que diria ele, agora, então? Estava apaixonado por uma ex-escrava, que não tinha um pingo de sangue nobre. Mesmo que já não desse a mínima para essa parte de seu passado, coisas assim sempre lhe vinham à mente.

Observou Koala conversar com a outra moça, falando sobre algum assunto que ele mal prestava atenção. Era interessante como encarar os lábios róseos dela o faziam querer beijá-la, ali mesmo, no meio daquelas pessoas que eram quase estranhos para ele. Nunca sentira isso por mulher nenhuma, nem o desejo carnal, e muito menos a paixão arrebatadora.

Se é que isso podia ser chamado de paixão.

(…)

Era amor.

Sabo soube, no instante que a viu, naquele salão de baile, que era amor o que sentia.

A música tocava e os convidados todos conversaram alegremente na festa, de forma que era impossível escutar sequer um segundo de silêncio naquele cômodo. Teria que ter uma determinação muito grande se quisesse achar algum cômodo completamente silencioso, afinal, algo assim só poderia ser encontrado na outra extremidade da casa.

Mas quando ele a viu ali, parada junto à mesa, com um ponche na mão, percebeu – ou melhor, convenceu-se de uma vez por todas – que a amava por completo.

Seu vestido era azul, tão azul quanto as águas claras do oceano. Aquela era a cor preferida dele, mas havia como uma cor se tornar mais preferida? Pois era o que ela havia se tornado para ele. Não sabia muita coisa sobre vestidos de festa femininos, logo, não sabia detalhar exatamente o que o havia deixado tão extasiado. Talvez se fosse como Liam, se fosse um romancista, ele soubesse descrevê-lo de uma forma clara, mas naquele instante… Só sabia apreciá-lo.

Teria sido Srta. Meldish a emprestá-lo? Fora isso que acontecera com ele. O Conde o dera sua roupa de quando era mais novo, como um presente, que coubera tão bem em Sabo quanto se fosse feito sob medida. Era bem chique, mas os outros rapazes no recinto também estavam igualmente bem-vestidos, de forma que não atraísse atenção. Isso era bom: não gostava mesmo de chamar atenção.

Koala olhava de um lado para o outro, parecendo nervosa. Será que estava procurando por ele? A única pessoa o qual conhecia bem ali era apenas ele, então havia uma boa chance de ser. Não iria torturá-la por mais tempo: foi até ela, como um perfeito cavalheiro.

— A senhoria está muitíssimo bela esta noite. — ele tomou a mão enluvada dela, e beijou-a.

— O senhor também está muito elegante. — ela entrou na brincadeira.

— Agradeço pelo elogio. Apreciando a festa?

— Estava esperando meu parceiro chegar para fazer-me companhia, mas quando o senhor chegou conseguiu substituí-lo muito bem.

— Fico lisonjeado. Como seria seu parceiro?

— Ele é meio bobo e imprudente, mas é uma ótima pessoa. — sorriu calorosa, olhando-o nos olhos. — é o meu melhor amigo.

Tentou não demonstrar a decepção de ouvi-la dizer “melhor amigo”. Apreciava a posição, ser o melhor amigo de uma garota incrível como Koala era uma honra, mas ele… Queria mais. Não queria ser o melhor amigo.

— Aqui está bem quente, não acha? — ela comentou do nada, abanando-se com a mão. — tentei me refrescar com ponche, mas não adiantou muita coisa.

Ele estava sentindo calor sim, mas nem repara até que ela comentara.

— Vamos pro jardim dos fundos.

Ela puxou a mão dele e fizera segui-la. Logo, estavam em um jardim perfeitamente decorado, mas um pouco escuro pela falta de iluminação. Dava para perceber que era belo, no entanto, pela iluminação da lua, que estava cheia aquela noite.

— A lua está linda. — Koala comentou dando uns passos à frente, ficando de costas para ele.

— Você está mais.

O comentário ousado dele fez com que ela se virasse, com as bochechas rosadas – ou ele achava que estavam, não era possível ver direito. O conselheiro não podia ficar escondendo os pensamentos. Não aquele dia.

Ele escutou outra música começar.

— A valsa vai começar. — ele avisou-a, e ela ficou em silêncio por alguns segundos.

— Quer voltar? — perguntou.

— Não. — ele andou até ela, puxando-a pela cintura, e ficando em posição para valsar. — vamos dançar aqui.

Koala ficou sem palavras enquanto valsava com ele. O que estava acontecendo com Sabo? Por que estava tão irresistivelmente encantador aquele dia? Dizendo aquelas coisas, fazendo o que fazia, causava nela sensações que achava ter deixado no passado, enterrada, dois anos atrás.

Seu coração estava a mil, seu estômago se revirava e mal conseguia escutar a música. Não estava de fato interessada em dançar, estava interessada em ficar ali, junto dele, naquele momento perfeito.

Só queria… Por céus.

Queria beijá-lo.

Já o beijara antes. Às vezes, em momentos oportunos, seus lábios se tocavam por alguns instantes bem quentes e logo se separavam, retornando às atividades cotidianas. Mas naquele momento… Era como se fosse morrer se não selasse seus lábios.

— Eu posso… — ele murmurou, parando de dançar lentamente, e encostando sua testa na dela.

Ele a olhava fundo em seus olhos azuis, e, por uns segundos, é como se ele tivesse se perdido em meio a tanto azul.

— Pode… O que? — ela encorajou, uma vez que ele não concluíra a frase.

— Beijá-la.

Sentiu as pernas bambas quando ele se aproximou, e finalmente beijou-a. Não esperou que ela confirmasse: não era necessário. Era claro em seu olhar que ela o queria tanto quanto ele.

Ou até mais do que ele.

Achava que seria calmo e simples. E, no primeiro momento, o beijo fora realmente assim, mas com o tempo Sabo foi intensificando-o ao mesmo tempo em que sua mão descia sorrateiramente para… Sua bunda?

— Ah! — deu um gemido de surpresa quando ele apertou-a ali, e Sabo pareceu orgulhoso.

— Assustei? — ele deu um sorriso provocativo, recuperando o fôlego

— M-Me pegou desprevenida. — ela corrigiu, também ofegante, reparando que ele ainda mantinha a mão no mesmo lugar. — mas não podemos ficar aqui assim… Alguém vai nos ver.

— Minha querida… — ele sorriu mais uma vez. — isso é um problema fácil de se resolver.

(…)

Quando ele jogou-a na cama de seu quarto e ficou por cima dela, Koala não sabia o que dizer. E como dizer? Ele a beijava tão fervorosamente, como se o mundo fosse acabar, que achar uma brecha para falar ou sequer respirar parecia impossível.

Sentiu a mão dele – grande e calejada – tatear suas costas, em busca de algo que ela pensou que só podia ser as amarras do vestido.

— Sabo-kun? — ela murmurou quando ele se separou e começou a beijá-la em fases: primeiro nas bochechas, em seguida no pescoço, na clavícula, até que desceu para os…

Ele fez uma pausa.

— Koala. — ele desviou o olhar e passou a fitá-la nos olhos. Parecia cheio de desejo, e, ao mesmo tempo, preocupado com alguma coisa. Notou que ele já havia afrouxado o vestido, e seria fácil despi-la a partir dali. — você quer mesmo... Ahn…

Ele gesticulou com as mãos, e Koala não pôde deixar de notar a fofura que era Sabo envergonhado.

— O que… Sabo-kun? — ela fingiu inocência, torturando-o um pouco mais.

— Fazer… Ahn…

Ela achou que ele diria sexo.

— Amor. — ele disse, por fim, decidido. — fazer amor.

Aquilo a pegou. De todas as flechadas que Sabo conseguira desferir, aquela era, simplesmente, a maior e mais poderosa de todas.

Ela o amava.

Simples assim.

— Sim. — ela sussurrou, passando o polegar de leve por cima de sua cicatriz. — sou toda sua.

As palavras permissivas dela agiram como um raio no corpo dele. Antes já estava rijo, mas agora estava duro como pedra. Sem demorar, ele desceu o corpete dela, revelando o par de seios mais lindos que já vira.

— N-Não fique encarando. — ela corou, e fez menção de se cobrir com as mãos, mas ele foi mais rápido e segurou seus braços.

— Só estou apreciando.

Ele tomou o esquerdo com a boca, lambendo e mordiscando-o. Seus mamilos rosados estavam duros, e se divertia com seio o direito. Por Deus, eram tão grandes, mas de alguma forma, era como se tivessem sido feitos para ele: encaixavam perfeitamente em suas mãos.

Enquanto gemia tomada pelo prazer, Koala reparou que ele estava bem excitado. Na verdade, defini-lo como um homem excitado parecia-lhe uma descrição banal. Era mais como se ele estivesse louco de desejo, louco…

Por ela.

Sentia-se poderosa. Ela o deixara assim.

Nem reparara que já estava praticamente nua, se não fosse pela calcinha que usava. Remexeu as pernas, sentindo um calor lá em baixo quando Sabo começou a deslizar a mão para dentro da calcinha e senti-la.

— Já está tão molhada. — ofegou, pendendo ao descontrole. — tão pronta…

— Eu… — ela hesitou por um segundo sobre o que dizer. — eu também quero ver.

— Ver… O que? — ele parecia confuso.

— Também quero vê-lo. — ela se sentou na cama. — não é justo.

Diferente dela, Sabo estava inteiramente vestido, – tirara apenas as botas ao subir na cama. — e logo começou a tirar as roupas, peça por peça, sendo atentamente observado por ela.

Quando estava só de calças, parou aos mãos ao pegar no zíper. Koala olhava para aquele lugar com ansiedade, como se fosse descobrir algo novo.

— Você… — abaixou o zíper devagar, deixando a excitação bem clara, mesmo por dentro da cueca. — nunca viu, né?

— Nunca. — ela confirmou, mordendo o lábio.

Sentada de frente para ele na cama, ela o observou liberar o membro lentamente, e quando já estava totalmente à mostra, ela se aproximou mais, curiosa.

— C-Caramba… — ela riu nervosa. — é tão… — ele rezou para que ela não dissesse “pequeno”. — grande e… vigoroso. — ela aproximou a mão, mas parou antes de tocá-lo. — posso?

Ele assentiu. Ela o tocou com apenas um dedo pela glande, depois descendo como estivesse fazendo um experimento. Em seguida, envolveu-o com a mão, começando a fazer movimento de vai e vem. Lembrava-se de ter ouvido Padomi comentar que os homens gostavam daquilo.

Sabo virou a cabeça para trás, envolto em prazer. Aquela mulher ainda iria acabar com ele.

— N-Não. — ele colocou a mão sobre a dela, fazendo-a parar.

— Eu o machuquei? — ela tirou a mão temendo ter apertado demais.

— Não é isso, eu apenas… Não vou aguentar se você fizer isso.

Ela não entendeu muito bem, mas assentiu. Tinha coisas que apenas se aprendia com o tempo.

Sabo a colocou deitada de novo, retirou a calcinha e passou os dedos em seu sexo, para se assegurar que ela já estivesse pronta, logo em seguida se posicionando.

— Koala, eu tenho que te avisar que… — ele engoliu o seco, confuso sobre como explicar aquilo. — você sabe que vai doer um pouco, não sabe?

— Sei. — ela assentiu.

— Mas é só você relaxar. — ele depositou um selinho em seus lábios, a fim de tranquilizá-la. — relaxe e… Confie em mim.

— A minha vida. — ela sorriu.

Confiava nele. Sabia que ele seria gentil.

Por que aquele… Era Sabo. Era seu Sabo.

Logo começou a sentir uma pontadinha de dor, mas nada que não pudesse aguentar. Já Sabo estava invado por uma sensação estranhamente boa. Ela era apertada – bem apertada, na verdade – mas também era quente, úmida e tão macia… Será que eram detalhes que apenas homens virgens reparavam?

Depois de arrematar tudo, ele esperou uns segundos para que ela se acostumasse.

— Vou começar a me mover. — ele avisou, lentamente, começando a se movimentar.

A dor que ela sentira no início, agora, dera lugar a uma sensação de prazer desconhecida, que apenas se intensificava a cada vez que ele aumentava mais e mais a velocidade, até chegar uma hora em que ela já estava começando a ficar louca.

— Isso é… — ele grunhiu de prazer, enquanto estocava. — ...incrível.

Ela assentiu, sentindo que estava perto, e logo arqueou as costas, sentindo a mais completa sensação de prazer.

Não muito depois dela, ele dera mais duas ou três estocadas até, enfim, jorrar todo seu líquido quente dentro dela.

Exausto, ele despencou ao lado dela, ofegando. Ambos encaravam o teto.

— Koala… — ele olhou para ela, puxando-a para mais perto, de forma que usasse seu braço de travesseiro e ficassem com os corpos unidos. — eu a machuquei?

— Não. — ela sorriu, gostando do calor que ele emanava. — foi… Ótimo.

— Dizem que a primeira vez nunca é a melhor. — ele sorriu, e ela riu.

— Talvez tenham razão.

Depois de rirem, Sabo de repente ficou sério.

— Koala.

— Sim?

Ele olhou-a nos olhos.

— Eu te amo.

Ela esqueceu-se como respirava.

— Eu te amo. — ele repetiu. — te amo como nunca amei nenhuma mulher em minha vida inteira, te amo como se pudesse morrer por você aqui mesmo, te amo tanto que iria até o fim do mundo para matar qualquer um que lhe fizesse mal, te amo tanto, tanto…

Sabo parou de falar ao vê-la chorando. Rapidamente ele se sentou, desesperado.

— K-Koala? P-Por que está chorando?

— Eu só… — ela se sentou também, fungando e passando as costas da mão no nariz. — não achei que fosse ficar tão feliz. — ela riu em meio as lágrimas.

— Feliz? — ele piscou. — então você ainda me ama? Eu tinha medo que você não me amasse mais, por causa de tudo aquilo…

— Esqueça isso. — ela pegou a mão direita dele e colocou sobre seu peito nu, em um gesto muito íntimo. — desde sempre… Isso aqui sempre foi seu. Independente de tudo o que eu disse, eu sempre te amei.

— Então, você… — ele mal podia acreditar da felicidade que se agitava em seu peito. — você quer namorar comigo?

— Quero. — ela sorriu. — isso, claro, se você também quiser.

— Eu não poderia querer outra coisa.

Por fim, eles apenas se deitaram e foram dormir, sentindo o calor de seus corpos tão próximos como nunca antes.

Ele a amava.

Ela o amava.

Estava tudo perfeito.

Não tinha como ficar melhor do que aquilo.

Ou será que tinha?