The Best Job
39 A semente da discussão

— Grávida?
Sabo arregalou os olhos ao ver a moça em sua frente com a barriga grande.
— É. — ela suspirou, como se estivesse cansada de ouvir aquilo. — grávida.
Sabo engoliu o seco, um tanto preocupado.
— Padomi, você não acha que dois bebês é um pouco demais?
Ele acabara de chegar com Koala de uma missão longa, então não via Padomi desde que deixara o QG. No entanto, tinha quase certeza de que ela deveria estar em missão também naquele exato momento, inclusive era uma missão em que Marion a acompanharia. E ele estava ali também, no QG, ao lado dela, segurando um rifle.
— E-E-E-Ela d-d-descobriu e-e-e v-v-voltamos l-logo – disse Marion, que agora estava com 7 anos. — é-é-é p-p-perigoso p-pra ela.
Sabo sorriu, afagando os cabelos do menino – e fazendo com que suas orelhas de coelho se abaixassem. Ele estava falando muito melhor depois do tratamento.
Já se passara um pouco mais de dois anos desde que, finalmente, assumira um relacionamento sério com Koala. Era de conhecimento público que estavam juntos, e todos ficaram bem felizes, sempre comentando que apoiavam o casal desde o início e que Sabo devia tratá-la muito bem. – como se já não o fizesse! — Iam em missões, faziam seu trabalho adequadamente e, quando tinham um tempo disponível, aproveitavam para curtir um ao outro sem preocupações.
Ao longo desses desse tempo, o relacionamento dos dois fora muito agradável. Não eram o casal mais perfeito do mundo: brigavam e discutiam às vezes, porém, apesar disso, sempre acabavam fazendo as pazes de um jeito ou de outro, finalizando com os dois dormindo de conchinha. Essa era a parte que Sabo mais gostava de um relacionamento: adorava dormir com ela, sentia falta disso desde que deixaram de dormir no mesmo quarto, quando foram para Baltigo.
Mas então, de uns tempos para cá estava tudo desandando para os dois, e não conseguia entender bem o porquê.
Voltou o olhar para Padomi, que estava sentada à sua frente. O primeiro bebê de Padomi e Rokka nascera forte e saudável, apesar de um parto complicado feito por Iennifer. Viera um menino, que, como a própria Padomi dissera antes, fora batizado de Lupus. Ele tinha cabelos pretos e olhos castanhos, além de orelhas de lobo herdadas de Padomi. Agora, com um ano e meio, estava a cara do pai, que o mimava assim como fazia com todas as demais crianças.
E agora faria de novo, com mais um bebê.
Que Deus os ajudasse quando Dragon descobrisse.
— Demorou pra descobrir, porque meu período é desregulado e costumo ficar meses sem ele. Se soubesse que estava grávida, nem mesmo teria ido. A viagem de volta demorou muito, foi difícil para mim e para o Marion sozinhos. — ela retrucou, pegando uma caneca de suco e virando.
— Está grávida de quantos meses?
— Vinte e três semanas.
— Por que vocês grávidas têm mania de dizer as coisas em semanas? — ele indagou mal humorado. — seria muito mais fácil responder em meses, como eu perguntei.
— São quase seis meses, Sabo-san. — ela respondeu, em seguida, encarando-o com um olhar avaliador. — você está chato hoje, aconteceu alguma coisa?
— Não. — o loiro desviou o olhar, encarando o copo de sakê que bebia. — eu só estou um pouco estressado da missão, cheguei hoje, pela madrugada.
— Entendo.
Mas Sabo sabia que ela só dizia aquilo porque achava melhor não forçar o assunto. Padomi era doidinha, mas não era burra, e sabia muito bem quando ele não estava à vontade para discutir alguma coisa.
Na verdade, algo o incomodava.
Mas naquele momento, a última coisa que queria fazer era discuti-lo com uma mulher
(…)
— Koibito-chaaaaaan~!
Koala despertou de sua soneca sabendo bem quem invadia seu quarto: Nina. Com um cabelo levemente bagunçado e ainda coçando os olhos, ela se sentou na cama procurando a dona da voz. Surpreendeu-se ao ver todas as demais crianças ali, com seus olhos ansiosos e animados por vê-la. Eles haviam crescido muito nos meses em que estivera fora.
— Você chegou! Você chegou! — Nina pulou em cima da cama, aproximando-se dela. Estava um pouco mais alta e seus cabelos haviam crescido um pouco, ultrapassando os ombros. — sabia que eu tenho nove anos agora?
— É claro que ela sabe, Nina. — Rock, com 11 anos, revirou os olhos.
— E eu tenho quase oito! — Aurora foi no embalo.
— E o Lupus fez um ano. — Tora declarou com sua calma habitual.
— Oi! — Shin levantou a mãozinha do pequeno, como se ele estivesse dizendo “oi”.
Koala arrastou o olho até o bebê, que estava no colo de Shin. O rapaz que o segurava era o que mais mudara de todos; agora estava alto, forte e sua pele morena contrastava com seu cabelo loiro natural e lhe dava um ar ainda mais jovial. Se Koala estivesse cerca em seus cálculos, ele estaria prestes a fazer 14 anos.
— Olá crianças, vocês todos cresceram muito. — elogiou ela. — principalmente vocês dois. — olhou para Shin e Lupus. — bebês e adolescentes crescem muito rápido.
— O Marion também cresceu, ele ficou mais alto que a Nina. — Rock provocou, sorrindo satisfeito ao vê-la fazer um bico.
— Ainda não o vi, mas tenho certeza de que é verdade. — Koala sorriu. — você também vai crescer, Nina, não precisa se preocupar.
A conversa entre eles continuou, e Koala reparou que Nina parou de falar, ficando apenas encarando-a com seus olhos róseos. O que as crianças queriam era apenas voltar a ter aulas com ela, sua professora preferida – Hack a substituía quando saía, mas nem de longe era tão carismático quanto ela, pela opinião das próprias crianças – e assim que souberam de sua chegada, naquela manhã, foram atrás dela.
Por fim, mandou que todos fossem ao dojô e se preparassem, pois logo ela iria lá e começaria a aula. Tora e Aurora até brincaram sobre a possibilidade de ensinar o bebê também, mas Koala logo retrucou que teria que esperar ele ao menos sair das fraudas. Rokka a mataria se visse-a colocando seu bebê para lutar.
Então, como lhe foi instruído, todos saíram.
Menos Nina, que continuou encarando-a de baixo para cima, sentada na cama, sem expressão nenhuma.
— Não vai se aprontar, Nina? — Koala estranhou a permanência dela ali.
— Há algo estranho com você, Koala-san.
Koala arregalou os olhos. Não sabia exatamente se era porque ela a chamara pelo nome pela primeira vez em todos os anos que se conheciam, ou se era pelo fato de ela parecer enxergar sua alma. Ela estava, de fato, estressada com problemas pessoas, mas como poderia a pequena Nina perceber isso?
— C-Comigo? — ela amaldiçoou-se por gaguejar, pois não passou confiança nenhuma.
— É. — a menina assentiu. — você tá com um sorriso esquisito.
Será que ela queria dizer que seu sorriso não estava natural? Se esforçara ao máximo para parecer ótima para as crianças, e, a não ser que fossem ótimos atores, nenhum deles parecia ter percebido nada. Apenas Nina a estranhava.
— Você tá com aquele sorriso que a gente faz quando tá triste. — a menina pôs as duas mãozinhas nas bochechas de Koala. — quando não quer preocupar os amiguinhos.
Engoliu o seco, tentando fazer a vontade de chorar que surgira desaparecer.
— Eu… — ela começou, mas precisou de alguns segundos para se recompor. — às vezes, os adultos têm problemas maiores do que desavenças com amigos, Nina.
— Eu sei. — a rosada tirou as mãos da bochecha de Koala, sorrindo triste. — sou uma revolucionária, sei bem disso.
Nina e os outros passaram por poucas e boas, mesmo ainda sendo crianças. Já estiveram em missões e vários outros membros que viam em seu cotidiano já haviam morrido. Estavam em uma época difícil, então nem ela e nem Sabo ficavam muito tempo do base. Logo, até ali, Koala nem percebera como ela tinha crescido. Falava mais claramente, demonstrava seus sentimentos, estava…
— Madura. — Koala disse, piscando para disfarçar o ardor nos olhos. — você… Está mais madura, Nina.
— Isso é bom?
— Não sei. — respondeu sinceramente. — mas obrigada por tentar me ajudar.
— Eu sou sua amiga, não sou? — Nina deu seu sorriso infantil. — é isso que as amigas fazem.
Foi a ver de Koala sorrir.
— Posso te dar um abraço? — a mais nova perguntou abrindo os braços.
Ah, um abraço…
Naquele momento, era tudo o que ela mais precisava.
(…)
— Ele nunca arrota! — Sabo pestanejou irritado.
Shin passara na cozinha para devolver o Lupus a Rokka, mas o cozinheiro estava ocupado e, aproveitando a presença de Sabo ali, pediu para que o loiro desse mamadeira a ele e o fizesse arrotar. E Sabo o fez, mesmo que com muito receio.
— Continue balançando. — Rokka instruiu enquanto mexia em algo na panela. — ele vai arrotar, pode confiar.
E ele confiava. Rokka criara quatro bebês, se não fosse ele o especialista, não sabia quem era.
— Não sei como você consegue cuidar das outras crianças, do Lu e ainda cuidar das refeições. — Sabo comentou.
— É tudo uma questão de organização. E as crianças não são mais bebês, eles estão bem mais independentes, caso não saiba.
— É mesmo? — Sabo pensou por um instante. — me sinto velho.
— Você não tem vinte e quatro?
— Me sinto com trinta e nove.
Sabo pensou ter visto Rokka dar uma mini risada pelo nariz.
— Onde eles estão? Até agora só vi Marion. — Sabo questionou.
— A essa hora eles devem estar praticando karatê lá fora. Inclusive já devem ter ido atrás daquela mulher para treiná-los.
Sabo suspirou, sabendo bem quem Rokka queria dizer com “aquela mulher”.
— Rokka, você… — o conselheiro hesitou em perguntar. — você e a Padomi brigam muito?
O cozinheiro parou se mexer por um instante, como se refletisse sobre aquilo.
— Sim. — respondeu cru. — mas não dura muito tempo. Logo tudo se resolve.
“Logo tudo se resolve”. Sabo costumava pensar assim sobre sua situação com Koala. Uma vez, havia discutido por uma coisa boba, mas ainda assim, os dois viraram de costas bufando um para o outro. Porém, foi só se encararem de novo que começaram a rir e se abraçaram. Era um acontecimento ridículo, mas aquilo sempre o fizera achar que não dava para ficar realmente irritado com Koala, e pensava que ela pensava o mesmo sobre ele.
— Ele já arrotou, não precisa mais balançar. — Rokka avisou.
Olhou para baixo, vendo o bebê meio-mink encará-lo com as orelhas levantadas. Estava tão pensativo que nem reparara o tão desejado arroto do bebê.
Rokka tinha uma vida completa demais. Mesmo tendo sofrido muito, agora tinha um filho – logo dois – e uma esposa que o completava. Amava o amigo, mas não era uma pessoa com muita experiência e nem sabia bem como aconselhar sobre relacionamentos. Se queria um conselho, deveria pedir para alguém mais velho.
— Sabo! — ouviram uma terceira voz aparecer na porta. Era Liam, aparecendo como sempre no lugar em que precisavam dele. — não sabia que já tinha voltado.
— Cheguei durante a madrugada. — explicou sorrindo.
— Entendo. Oi pra você também, rapazinho! — ele foi até o loiro e pegou Lupus no colo, brincando de levantá-lo no ar.
— Não faça isso, ele acabou de comer. — Rokka advertiu-o sem retirar o olho da panela.
— Oh, desculpe. — Liam riu de canto, depois reparando no olhar distante do segundo em comando. — vamos lá para fora, Sabo? Assim o Cook-san consegue trabalhar tranquilamente.
— Hm? Ah, sim, pode ser.
(…)
— Tora, levante mais o braço! — Koala gritou de longe, enquanto as crianças faziam as repetições diárias dos golpes. — Aurora, atenção à posição dos pés! Mantém a base!
— Rígida como sempre, Koala-sensei. — Padomi brincou ao seu lado, sentando-se em um tronco improvisado como banco.
— Tenho que ser. Se não ensiná-los direito, não saberão se autodefender. — respondeu, olhando de canto para a amiga.
— Você parece estar canalizando alguma frustração sua no treino deles.
— Eu não estou com raiva. — retrucou imediatamente, virando completamente o rosto para a outra. Surpreendeu-se ao olhar bem. Tinham se encontrado um pouco mais cedo, mas Koala não reparara… Padomi estava mais gordinha, ou…?
— Eu tô grávida, não gorda, se é o que está pensando.
Koala não sabia se ficava surpresa pela notícia ou por ela ter adivinhado os seus pensamentos.
— Você tá… Mas… O que? — ela precisou sentar-se ao lado dela, para digerir a notícia. — Isso… Como?
— Ah, tenho certeza de que você sabe bem como. Fui pra guerra sem colete. — Padomi brincou, mantendo o tom irônico de sempre.
— É por isso que voltou mais cedo da missão? — indagou ainda em estado de choque. A outra assentiu. — não tem medo do que Dragon-san vai achar disso?! Padomi, mais um bebê é um fardo muito grande para se carregar!
Padomi ficou com a expressão mais dura, e a professora percebeu que havia magoado-a chamando o novo bebê de fardo. Além de tudo, agora sentia-se culpada. Não queria chatear uma de suas novas melhores amigas.
— Me desculpe.
— Tudo bem. — Padomi suspirou, ficando mais serena. — eu já enviei uma carta para Dragon-san, mas não sei se vai chegar. Provavelmente ele não está mais na última ilha em que deu notícia. E, sim, eu tenho medo do que o líder dirá. Tenho medo que ele sugirará uma adoção.
— Adoção? Mas não pode dar uma criança meio mink para a adoção!
— Se o bebê nascer sem orelhas de lobo, parecerá um humano completo, e não haverá motivo para não haver uma adoção. — Padomi parou de encarar o chão e olhou-a tristemente. — é difícil ser mãe, Koala.
Era impensável para Koala sequer imaginar a dor de ter um bebê tomado de seus braços.
— Eu imagino. — assentiu, virando-se novamente para as crianças. — imagino… — repetiu para si mesma, perdida em pensamentos.
(…)
— Oi.
Sabo travou quando viu Koala se aproximar de sua mesa com o prato em mãos. Era hora do jantar, e todos conversavam e bebiam à vontade, comemorando como sempre a volta do segundo chefe com bastante animação e fartura. O loiro era respeitado, além de ser amigo de todos ali, por isso sua volta em segurança sempre gerava todo aquele furdunço. Fora que, com Dragon-san longe dali, todos se sentiam mais à vontade para fazerem sua algazarra.
Porém, mesmo com a música e o clima de festa, Sabo ainda sentia que a tensão entre ele e sua namorada se mantinha a mesma.
— Oi. — ele riu de canto, sem jeito. Como ela continuou de pé, notou que ela esperasse uma permissão dele para se sentar na cadeira vaga ao seu lado. — ah! Pode sentar, à vontade.
— Obrigada. — ela sorriu, sentando-se com o prato cheio e começando a comer rapidamente.
Enquanto a observava comer, Sabo repensou sobre Liam lhe falara.
“— Não force demais. — Liam advertiu-o. — Koala deve estar com algum conflito em sua mente, mas certamente não é nada com que você tenha que se preocupar. Às vezes, sem querer, as mulheres se estressam e isso afeta o relacionamento, é normal. Além disso, a fase das “flores” de início de relacionamento de vocês dois já passou há um tempo, não é? “
Se o que Liam dissera estivesse certo, a solução era dar espaço à Koala e dar tempo ao tempo. Qualquer homem diria que mais fácil que isso era impossível.
Mas não ele. Ele a amava demais. Ele estava se matando por causa daquilo, e o pior de tudo é que não fazia ideio do porquê daquela situação. Queria tocá-la como antes, abraçá-la até que ela reclamasse de seu calor e falar de besteiras à noite até caírem no sono.
Sentia falta de tudo.
E ficar longe era sua maior tortura.
— Como foi seu dia? — o rapaz perguntou sutilmente, girando o vinho em sua taça.
— Dormi até tarde, e dei aulas o resto do dia. — deu um sorriso forçado, dando uma pausa rápida de sua comilança.
— Entendi. — Sabo estranhou a fome de Koala. Nossa, que apetite voraz. Era perigoso que ela se engasgasse.
Pegou a garrafa de vinho e uma taça, e estendeu na direção dela.
— Quer?
— Ah, não. — ela engoliu tudo de uma vez, recusando com um sorriso amarelo. — estou evitando bebida.
Evitando bebida? Como assim? Koala amava vinho tanto quanto ele.
— Não quer vinho? — ele perguntou novamente, apenas para garantir que não ouvira errado. Mas ela assentiu, mantendo-o confuso. — tem certeza?
— Tenho. — ela largou os talheres, já um tanto irritada. Por que ele tinha que ficar insistindo? Ela já dissera que não queria, oras!
— Tem certeza? — ele repetiu, então aproximando sua mão para ficar com a sua em cima dela. — eu estou achando muito estranho esse…
— Não tem nada de estranho! — ela recolheu a mão antes que ele a tocasse, soando como um animal ferido, e se levantou. — eu já vou dormir. — Koala saiu antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, dando os passos mais largos que já dera.
Sabo ficou lá, estático, ainda com a mão pendendo no ar.
O que diabos acabara de acontecer?
(…)
Depois de dez minutos, o revolucionário resolveu ignorar o conselho de Liam. Ele estava com Iennifer há bastante tempo, mesmo excluindo os anos “divorciados”, e ele certamente era uma pessoa com bons conselhos, mas não para Sabo. Ele não deixaria as coisas como estão nem pagando, e estava determinado a resolver quaisquer que fossem seus problemas com Koala ainda aquela noite.
Ela fizera algo errado? Ele a perdoaria. Ele fizera algo errado? Ela só precisava dizer o que era, que ele pediria desculpas eternamente, até que ela conseguisse perdoá-lo, mas deixar tudo como estava, jamais.
Abriu a porta de seu quarto que dividia com Koala – que fora apenas dela na noite anterior – sem bater, com o corpo ereto de determinação em procurar sua namorada. Para sua surpresa, ela não estava deitada. Olhou em volta, percebendo que ela não estava no quarto. Um som chamou sua atenção, vindo do banheiro. Tentando reprimir o medo que crescia dentro de si, Sabo voou até a porta, encontrando uma cena inesperada.
Koala estava com o corpo debruçado sob o vaso, ofegante, e vomitando todo o conteúdo que acabara de comer.
— Koala! — ele se lançou até ela, ajoelhando-se ao seu lado e limpando um pouco de vômito que tinha no canto de sua boca com a manga do casaco. — v-você tá bem?! Quer que eu chame a Iennifer?!
— … — ela olhou para ele como se estivesse processando sua presença ali, e, de repente, tivesse acordado. — não! Não! Não! Sai daqui! — ela o afastou com os braços, virando o rosto. — eu não quero que você me veja!
— Não quer o que?! Olha o seu estado!! — gritou com raiva, dando uma breve olhada no vaso. Fez uma careta. Não estava nada bonito. — você podia ter dito que não estava se sentindo bem!
— Isso não é da sua conta! — ela retrucou cobrindo o rosto com as mãos, deixando-o ainda mais zangado.
— Não é da minha conta?! — ele rangeu os dentes, começando a tremer. Como ela ousava dizer aquilo?! Era pra eles serem parceiros, tanto na vida quanto no amor. Depois de tudo o que eles passaram, ela começara a ficar brava e enjoada e agora queria botar tudo a perder?! — você tá doente? — ele perguntou ainda com raiva, mas dando maior prioridade para a preocupação.
— Te garanto que não é doença. — ela respondeu rapidamente, mas ele pôde perceber que ela estava chorando. Por isso tapava o rosto.
Se não era doença…
Ah
Não.
Não. Não. Aquilo não era possível.
— Você… — murmurou, com a voz falhando. — você tá grávida?
Ela não respondeu nada. Nem respirou.
— Koala. — ele disse em tom mais forte. — você está grávida?
Mais uma vez sem resposta. Era o suficiente para encarar como “sim”.
— De quantos meses? — ele se virou de costas para ela.
— Três.
— Três?! — ele se virou irado de novo. — Mas que… Arrggh! — ele puxou o cabelo com as mãos. — que droga, Koala, por que você não me contou?! — ele esbravejou angustiado. — era pra sermos um casal, parceiros. Você engravida e aí esconde de mim por dois meses? Que tipo de confiança é essa que você tem em mim?
— Eu não sabia como te contar! — ela levantou-se também com raiva para encará-lo, recuperando a força em um instante. — acha que é fácil estar na minha situação?! Tendo que lidar com isso sozinha?!
— Não, eu não sei!! Por que você não me disse, esqueceu?! Você simplesmente tomou a decisão de me deixar de fora disso enquanto continuava a me tratar super estranho e me fez ficar esse tempo todo em dúvida achando que não me amava mais!
— É claro que eu te amo! É por isso que isso está sendo tão difícil! — ela cerrou os punhos, sentindo as lágrimas quentes descendo de seu rosto.
— Nem vem! Não adianta fazer chantagem emocional! — ele continuou, ainda com raiva.
— Eu não tô fazendo chantagem emocional! — ela tentava secar as lágrimas, em vão.
— Então me conta como que voc-
— Sabo-san?
Os dois olharam para a porta, ainda processando a informação de que alguém havia aparecido na porta do banheiro. Era Tamura, ofegante, e sem uma pilha de papéis em mãos.
— Está tudo bem aqui? — o esverdiado perguntou analisando a situação, meio confuso.
— Tamura, não é uma boa hora. — o loiro virou a cara, ainda com o sangue quente.
— Eu imagino, mas é que…
— Tamura, eu não estou de brincadeira, será que você-
— Inferno! Deixa logo ele falar! — Koala gritou, interrompendo o namorado.
— Bem. — Tamura pigarreou, louco para sair logo daquela situação. — Dragon-san acaba de retornar, e junto dele está Robin-san. Ela disse que veio com uma carta… Uma mensagem para o senhor, do seu irmão.
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