Notas iniciais
Mais um capítulo ♥

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Bella sentiu a brisa da manhã sobrar contra seu rosto e a dor de cabeça lhe incomodar, enquanto mantinha os olhos fechados, numa tentativa falha de fazer a dor passar. Desistindo, ela bufou e socou de leve o colchão, fazendo um esforço para lembrar o que havia ocorrido ontem. Nada além do que flashbacks apareceram em sua mente, deixando-a confusa. Mais ela sentia raiva de si mesma por não conseguir esquecer as malditas palavras de Justin.


Ela suspirou e se levantou, massageando as têmporas. Caminhou até a cozinha, sendo guiada pelo cheiro maravilhoso de alguma coisa sendo preparada. Assim que chegou ela viu Justin arrumando a mesa do café. O mesmo sentiu sua presença e se virou, sorrindo abertamente para ela.


-Como se sente? Sua cabeça ainda dói? – perguntou escorado na mesa. – Fiz um café caprichado.


-Não vamos fingir que está tudo bem entre a gente porque não está. – disse firme. Ele desviou o olhar e cruzou os braços, apertando os lábios. – Eu pensei e percebi que de nada vai adiantar ficar com magoas de você. – ela fez uma pausa e o encarou fixamente. – Eu perdoou você. – ele sorriu, mas ela não. – Mas eu não quero manter nenhum outro tipo de relacionamento com você, se este não for amizade! – o sorriso de Justin se desfez naquele instante e ele sentiu seu mundo desmoronar. – Eu prometi estar sempre ao seu lado e estarei, mas nós vamos voltar à estaca zero. – ela fechou os olhos e suspirou. – Voltamos a ser o que éramos no inicio deste jogo!


-Isabella... Isso é sério? – ela confirmou com a cabeça e ele fechou os olhos com força. – Eu sei que cometi um grande erro, mas estou pagando um preço alto demais por isso! – foi a vez de ela cruzar os braços e encarar seus pés. – Ambos sabemos que existe muito amor entre nós e que ele não vai morrer tão cedo.


-É o preço que pagamos por nossas ações! – ele suspirou. Estava ficando irritado com as palavras dela. Não iria deixá-la escapar por entre seus dedos. Nunca. – Não deveríamos ter chegado até aqui, Justin.


-Está dizendo que tudo o que vivemos não valeu a pena? – ele caminhou até ela e parou em sua frente, encarando-a no fundo dos olhos. – Está dizendo que nosso amor não é forte o suficiente pra superar isso? Pior, você está desistindo de nós... De mim!


-Você desistiu de mim, assim que tocou os lábios daquela garota! – ela queria gritar, berrar, quebrar a primeira coisa que estivesse ao seu alcance, mas também queria se manter forte e calma perante ele.


-Argh! – berrou. Justin passou as mãos pelos cabelos e caminhou até a sala, deixando-a parada ali. – Você não sabe o quanto isso me tortura, me sufoca! – gritou. – Eu daria tudo para voltar atrás ou apenas apagar de nossas memórias esse momento ridículo. – Isabella fechou os olhos, notando que ele estava se deixando levar pelo desespero e pelo choro. Assim que se virou e foi atrás dele, ela o viu encarando o nada, enquanto lágrimas caiam por seu rosto. – Eu quero nossa história de amor novamente, quero o Justin e a Isabella, aquele casal apaixonado que jurou que nada seria maior que o sentimento que nutriam ou pelo outro. – ele a olhou e ela sentiu seu coração se quebrar novamente ao vê-lo aos prantos, ali, bem na sua frente. – Quero eu e você outra vez. Pra sempre.


Ela suspirou e apertou os lábios, sentindo-se a beira de um abismo interno, onde ela teria que escolher entre desistir de tudo e viver sua vida sem ele ou passar por cima de seu orgulho e se permitir acreditar nas palavras do amor de sua vida. Isabella engoliu a seco, sentindo as lágrimas tomarem as rédeas de coisa. Seu coração pulsava lentamente e ela o sentia apertado dentro do peito, a cada segundo que passava. Queria se sentir aconchegada e protegida nos braços dele, queria a certeza de que seu amor por Justin era muito maior quando tocava nos lábios dele.


-Acha mesmo que vou conseguir ser só seu amigo, quando o que eu quero é te beijar e te dizer o quanto eu te amo? – perguntou baixinho, desta vez olhando a vida lá fora. – Nós dois sabemos que você também não conseguiria.


-Eu me recuso a viver sem você. – desabafou. – Você é único que já fez sorrir sem dizer uma palavra, o único que não precisa de muito para me fazer feliz. Só precisa ser você mesmo. – ela abaixou a cabeça e mordeu o lábio inferior. – Me responda com sinceridade e eu talvez consiga esquecer tudo o que aconteceu ontem. – ele respirou fundo e a olhou, esperando ansiosamente pela pergunta. – O que sentiu quando beijou a Valerie? – ela fechou os olhos e ele caminhou até ela.


-Bella... – o menino passou o polegar pela bochecha dela e a viu suspirar. – Eu estou sendo sincero quando digo que não senti nada. – Isabella abriu os olhos, encarando a tristeza refletida nos dele. – Nada. – repetiu.


-Disse que gostou de beijá-la.


-Disse e eu gostei, mas eu não a amo. – ele passou a língua pelos lábios e aproximou seus rostos, deixando seus lábios a milímetros de distancia. – Eu amo você Isabella, só você. – disse por cima dos lábios da menina, que se arrepiou.


-Não faça isso comigo novamente, Justin. – pediu. – Não faça eu me arrepender por dar uma segunda chance ao nosso amor, por favor, pode ser a última chance. – a menina acariciou o rosto dele, enquanto roçava seus lábios nos dele e dizia tudo o que estava remoído dentro de si. – Eu amo você.


O menino sorriu por cima dos lábios de Isabella e sentiu-a pousar a mão sobre seu ombro e dar um leve impulso, alcançando seus lábios de uma forma rápida. Ela sorriu, enquanto mantinha seus lábios colados e a mesma buscou pelas mãos de Justin, posicionando-as sobre sua cintura. Encaixou suas mãos na nuca dele e mordiscou o lábio inferior do menino. Justin sorriu torto e tomou de vez os lábios da namorada, iniciando um beijo voraz e cheio de sentimentos, enquanto batalhavam para terem o controle. Sempre tentando ter o máximo que pudesse do outro.


O garoto agarrou a cintura dela e a suspendeu, sentindo-a cruzar as pernas sobre seu quadril. Isabella gemeu baixinho, assim que sentiu os lábios dele deslizarem por seu pescoço e desferir um beijo sobre seu ombro.


[Tempos Depois...]


O céu estava nublado e Isabella já havia acordado à alguns minutos, mas gostava de ficar deitada na cama pensando no rumo que as coisas estavam tomando. A vida com Justin havia voltado a ser o que era antes. Simples e bela. Perfeita ao seus olhos. A garota mirou os olhos para a parede que fora pintada a um mês atrás e sorriu, lembrando-se daquele dia e de que Judith não ficara muito feliz ao ver o que haviam feito. Minha parede. O que vocês fizeram com minha parede, seus diabinhos? Ela riu e se levantou, coçando os olhos e bocejando.


Seu estômago roncou, fazendo-a perceber que estava faminta. Bella se levantou e caminhou até a cozinha. Assim que chegou viu Justin sentado comendo calmamente.


-Olá. – ela disse baixinho e com a voz rouca.


-Olá meu anjo! – ele sorriu e deu um gole no seu café. – Dormiu bem? – ela assentiu e se sentou ao lado dele. O aroma do café penetrou em suas narinas e Isabella sentiu um leve enjôo. Justin franziu a testa e a encarou. – Está tudo bem? – Bella franziu a testa e balançou a cabeça negativamente, mantendo a mão sobre a boca. Sentiu um enjôo maior ainda e ela sentiu-se prestes a vomitar. – Bella, está tudo bem?


Isabella se levantou rapidamente e foi até o banheiro, sendo seguida por Justin. Ela debruçou-se na pia e vomitou. Seus olhos lagrimejaram levemente e ela fez uma careta, fitando seu reflexo no espelho e abrindo a torneira. Justin apareceu logo em seguida e ficou ao seu lado, envolvendo sua cintura e lhe lançando um olhar preocupado.


-O que houve? – perguntou olhando-a com calma, enquanto ela escovava seus dentes. Isabella cuspiu a água que estava em sua boca e enxugou a mesma.


-Não sei. – disse confusa. – Eu senti um enjôo assim que senti o cheiro do café. – Justin desviou o olhar dela e permaneceu pensativo. – Mas não é nada, esta tudo bem. – ela forçou-lhe um sorriso, mas ele apenas a encarou. – Foi só um mal estar!


Os pensamentos dele cogitavam mil possibilidades, mas nenhuma parecia ser tão óbvia quanto a idéia de que ela poderia estar grávida. Já ouvira falar que isso pode ocorrer com as mulheres durante a gravidez e sentia-se ainda mais preocupado por não conseguir se lembrar se ele usou camisinha ou não, quando transaram pela última vez.


-Bella... – a chamou. – Quando foi nossa última vez?


-Semana passada... Eu acho. – disse pensativa. – Por quê? – perguntou, enquanto fitava seu reflexo no espelho. De repente a ficha caiu e ela se deu conta de o porquê da pergunta de Justin. – Você não está insinuando que eu posso estar... Você sabe... Grávida? – ele assentiu e ela riu baixinho. – Não, é claro que não! – balançou a cabeça negativamente e o olhou novamente. – Nós usamos camisinha. – Justin suspirou aliviado, mas ainda tinha medo em si.


-Tem certeza? – perguntou arqueando uma sobrancelha. Isabella balançou a cabeça e deixou o pente em cima da pia, assim que terminou de pentear o cabelo.


-Absoluta! – ela forçou um sorriso e caminhou até a sala, jogando-se no sofá e ligando a TV.


Justin apareceu, segundos depois, caminhando até ela, enquanto olhava para o relógio. Bella mirou seu olhar para ele, que sentou-se ao seu lado no sofá e a abraçou de lado.


-Eu tenho que ir! – ele deu um beijo na testa dela que sorriu. – Tem certeza de que está bem? – perguntou, enquanto passava o polegar sobre as bochechas dela, que fechou os olhos sentindo a pele dele entrar em contato com a sua. Ela assentiu e ele sorriu, beijando os lábios da menina com delicadeza. – Tenho que ir!


Ele se levantou e caminhou até a porta, sussurrando um “eu te amo” antes de fechar a mesma.


[...]


A garota mirou seus olhos para o grande relógio pendurado na parede da cozinha e sentiu um nó se formar em sua garganta. Quatro e meia. Isabella pensou melhor e percebeu que a hipótese de Justin deveria sim ser considera. Mas eles fizeram aquilo com proteção. Como ela poderia estar grávida dele? Isabella suspirou e deixou sua mão pousar sobre o ventre e sentiu um calafrio passar por seu corpo, assim que se lembrou sobre sua primeira vez. E de que eles tiveram aquela relação sem nenhuma proteção. Seu corpo gelou e sua garganta travou. Ela mal conseguia pensar ou respirar. O mundo caiu sobre seus pés.


Ela levantou do sofá e passou a mão pelos cabelos, sentindo o desespero tomar conta de si. Bella suspirou e colocou a mão na cintura, encarando os pés. Não, Bella, você está delirando. Não pode estar grávida, não pode. Aconselhou a si mesma. Mas de nada adiantou.


Suas mãos tremiam e ela não sabia ao certo por qual motivo. Fome ou medo? Soltou um suspiro alto e tentou prender os cabelos em um coque. Uma tentativa falha, afinal suas mãos tremiam tanto que era impossível fazer aquilo. Resolveu então deixá-los soltos. Os olhos deixaram a porta no seu foco de visualização e ela respirou fundo encarando-a. Mas um minuto com essa incerteza e morreria de aflição. Caminhou até o quarto e apanhou algumas notas, guardando-as no bolso traseiro do jeans.


Desceu as escadas com presa e abriu o portão rapidamente, fechando o mesmo o mais depressa possível, sentindo uma leve dificuldade em colocar o cadeado, devido as mãos trêmulas. Ela lembrava-se de ter visto uma farmácia não tão longe dali e caminhou mais depressa.


Duas quadras depois avistou o local e atravessou a rua, entrando no mesmo. Parou em frente ao balcão e viu o atendente lançar um olhar para si e fazer um gesto para que ela esperasse. Assentiu e observou atentamente a prateleira cheia de medicamentos, sentindo a ansiedade lhe enlouquecer.


-Pois não. Em que posso ajudar? – perguntou o homem, enquanto a olhava atentamente.


-Hã... – ela fechou os olhos e suspirou, pensando na palavra “gravidez”. – Um... Teste de gravidez, por favor. – disse estendendo a nota para o homem, que apenas lhe olhou feio. Ela sentiu um frio na barriga.


O homem recolheu a nota e caminhou até o outro lado, apanhando uma caixinha e indo até o caixa. Ela suspirou abaixando a cabeça e fitando seus pés, devidamente calçados por uma sapatinha confortável. Isabella apertou as mãos e, juntamente à elas, os olhos, desejando que tudo não passasse de engano. Um terrível engano.


-Aqui esta! – disse o homem, estendendo-lhe uma sacola, algumas moedas e duas notas.


-Obrigada! – ela sorriu fraquinho para o homem, que se manteve sério.


Isabella parou em frente à farmácia, retirou o teste da sacola e olhou atentamente o mesmo, pensando em como sua vida mudaria caso o resultado fosse positivo.


Notas finais
Gostaram?