The Best Friend
54 Capítulo 54
Notas iniciais
Isabella estava parada em frente à janela, observando a paisagem com os olhos marejados, enquanto pensava no rumo que as coisas tomariam, de agora em diante. Hoje ela recebera uma noticia que mudaria completamente sua vida e de um jeito extraordinário. A garota sentiu uma lágrima escorrer pelo seu rosto e nem se deu ao trabalho de limpá-la. Ela mirou seus olhos na direção das próprias mãos e observou atentamente o teste, que segurava com firmeza. Bella fechou os olhos, desejando que aquilo não estivesse acontecendo, não agora.
Mais algumas lágrimas escorreram sem pudor e ela fechou os olhos, apertando com força o objeto em suas mãos. A garota tentou calcular quanto tempo ainda faltava para que Justin chegasse e ela pudesse despejar toda a novidade sobre ele. Como será sua reação quando souber? Perguntou-se, desejando que ele não lhe abandonasse.
Ela ouviu a porta se abrindo e fazendo aquele barulho irritante e apertou os lábios, juntamente os olhos, desejando que tudo não passasse de um pesadelo. Apenas um pesadelo.
-Olá meu amor, como foi seu dia? Se sente melhor ou ainda tem enjôos?– perguntou o garoto, enquanto ela percebia que ele se aproximava. Justin caminhou até ela e a abraçou por trás, deixando seu queixo se apoiar sobre o topo da cabeça dela. A garota fungou e ele franziu a testa, soltando-se dela e a girou de frente para si. – O que aconteceu? – perguntou olhado-a, enquanto ela se mantinha de cabeça baixa. – Por que está chorando, meu anjo? – perguntou, assim que notou a existência de lágrimas nos olhos dela. Ele limpou as mesmas e sorriu fraquinho para ela, que continuou o encarando. Isabella se afastou, fazendo-o notar pela primeira vez que ela tinha algo em mãos. – O que é isso em suas mãos? – ela lhe estendeu o objeto e fechou os olhos. Justin passou os olhos por toda a extensão do teste que estava em suas mãos, sentindo um arrepio em sua espinha. – É um teste de gravidez! – disse baixinho, enquanto ainda encarava o teste, que marcava dois riscos azuis. – Deu positivo... – ele fez uma pausa para encará-la. – Então, significa que...
-Que estou grávida, Justin! – o interrompeu bruscamente.
O garoto piscou os olhos várias vezes, tentando assimilar o que estava acontecendo? Ele seria pai. Era isso mesmo que ele tinha ouvido? Sim, ela havia acabado de lhe dizer que estava esperando um filho dele, com todas as letras. Justin a encarou perplexo e seu nervosismo era nitidamente refletido em seus olhos. Estava pálido e parecia estar em choque com a noticia. Justin olhou para ela e a encarou. Isabella abaixou os olhos e, segundos depois, sentiu os braços dele envolverem seu corpo, em um abraço carinhoso, como se ele quisesse confortá-la.
-Um filho. – disse. Ela fechou os olhos com força e o ouviu soltar um risinho. – Bella, vamos ter um filho! – disse animado, enquanto se soltava dela e a olhava sorridente. – Nós... Nós vamos ser pais. – ele passou as mãos pelos cabelos, bagunçando-os. – Vamos ter um menininho ou menininha! – disse todo animado e desconcentrado, enquanto sorria.
-Justin! – o interrompeu com um grito. O garoto olhou para ela imediatamente, mas ainda sorria. – Não vamos ter filho nenhum! – gritou.
-Mas você disse que está grávida. – ele franziu o cenho e ela suspirou.
-E estou. – ela encarou o chão, pensando em como ele reagiria com sua decisão, enquanto umedecia os lábios e mordiscava os mesmos. – Mas eu vou abortar!
O sorriso dele se desfez no exato momento em que ela mencionou no aborto e ela apenas lhe encarava intensamente. Ele não conseguia acreditar que ela estava querendo acabar com a vida de uma criança que começara a se formar, e pior, a mesma era seu filho. Justin piscou diversas vezes, desta vez mais em choque do que antes. Isabella queria mesmo se livrar do próprio filho? O menino compreendia que ambos eram jovens demais para criarem uma criança e que suas condições financeiras e até mesmo psicológicas não eram das melhores nesse momento, mas abortar era um ato de crueldade.
-Não. – disse com um fio de voz. – Não vai fazer isso. – ele sussurrou. Ela balançou a cabeça positivamente, afirmando que era o que estava decidida a fazer. – Eu não permitir, Isabella, não vou! – disse, elevando seu tom de voz. – O filho também é meu e não irei permitir que se livre dele de forma alguma! – gritou. Justin passou as mãos pelo rosto, não crendo que isso estava acontecendo. – Você não tem esse direito, garota, não tem! – ele suspirou, fitando-a com desprezo.
-Eu sou a mãe deste feto, Justin Drew Bieber, portanto tenho sim esse direito! – gritou, enquanto se mantinha nas pontas dos pés e o indicador pressionado contra o peito dele.
Justin segurou os pulsos dela com força, lançando-lhe um olhar mortal. Isabella estremeceu sentindo, pela primeira vez, medo do garoto ou do que ele poderia fazer, afinal estava com raiva em seu ser e todos sabem que a raiva é capaz de cegar uma pessoa, fazendo-a só pensar nesse sentimento perverso. A garota reclinou o corpo e deixou os pés tocarem completamente no chão, deixando claro que havia medo presente em seu ser nesse momento. O menino olhou fixamente nos olhos dela, tomando consciência do sentimento terrível que ele mesmo estava causando em sua garota. Isabella estava mesmo com medo dele? Ou será que era apenas seus olhos lhe iludindo e seu próprio medo sendo refletido através dela? Justin suspirou baixinho e umedeceu os lábios, antes de soltá-la lentamente.
Isabella deu um ou dois passos para trás e já sentia seus olhos úmidos. A garota olhou para os próprios pulsos que estavam vermelhos e doíam. A própria passou os dedos por eles e lançou um olhar dolorido para Justin, que vacilou por alguns segundos, vendo o medo e o espanto nitidamente refletido nos olhos da amada.
-O que pretendia fazer? – perguntou baixinho. – Me deixar com medo? Ou me fazer desistir da opção de não ter esse filho? – ela o encarou, enquanto estudava suas reações. – Pois saiba que eu não quero essa coisa e estou disposta a fazer o aborto!
-Cale essa sua maldita boca, Isabella, antes que eu mesmo faça isso! – disse indiferente. Isabella cruzou os braços e apertou os lábios, encarando o teto, enquanto sentia seus olhos se encherem de lágrimas. – Você, ao menos, tem noção do que está dizendo? – ela fechou os olhos e algumas lágrimas escorreram pela lateral de seu rosto. – Disse que quer acabar com a vida de um ser inocente, mesmo ele sendo seu próprio filho. – Justin a encarou sem emoção, sem sentimento. – Você se referiu ao meu filho como essa coisa. – gritou. – Pelo visto você não é o que eu pensei que fosse. Porque a minha Isabella nunca iria se referir ao próprio filho, um ser que ela mesma está gerando, como essa coisa. – Justin a olhou com frieza. Talvez ela não fosse quem ele pensava que era. Talvez ela fosse um monstro. Um monstro capaz de destruir uma vida. – Eu nunca pensei que fosse sentir algo assim, mas eu estou com nojo de você. – confessou.
Isabella cobriu seu rosto com as mãos e desabou no choro, fazendo Justin sentir seu coração se quebrar em milhões de pedaços, dando-lhe a certeza de que seu amor por ela não havia se acabado, com ele havia pensado segundos atrás.
-Você pode se colocar no meu lugar, por pelo menos um segundo? – perguntou, parecendo mais calma. – Pode imaginar o tamanho do meu desespero? – perguntou – Consegue compreender o meu medo em relação a essa gravidez? – ela passou a mão pelas maçãs do rosto, secando-as. – Eu nem sei se vou conseguir criar um filho, Justin. – desabafou. – Olhe pra mim, sou só uma garota de quinze anos!
Sua voz estava embriagada e ela o encarou, pouco antes de apertar os lábios e cobrir o rosto com as mãos, sentindo novamente uma grande vontade de chorar. Afinal era o que lhe fazia se sentir mais aliviada. Justin a fitou por míseros segundos, enquanto apenas ouvia seus soluços descompassados e extremamente altos.
Ele sentiu seu coração se espremer no peito e uma grande vontade de embalá-la em seus braços, enquanto tentava fazer com que ela desistisse dessa idéia maluca de abortar. E foi o que ele fez. Caminhou lentamente até a menina e envolveu seus braços ao redor do corpo dela, sentindo-a um pouco relutante no inicio. O menino elevou sua mão direita até os cabelos dela e os acariciou, enquanto depositava um beijo no topo da cabeça de Isabella.
Após alguns segundos, o choro dela havia se cessado. Justin a soltou com delicadeza e a encarou nos olhos, na tentativa de lhe transmitir segurança, conforto e amor. Muito amor.
-Ei, eu sei que estamos passando por um momento complicado agora... – ele fez uma pausa para limpar as poucas lágrimas que havia nos olhos dela. – Mas eu quero que saiba que estarei com você, Bella, pro que for preciso! – ela fechou os olhos e sentiu-o depositar um leve beijo em seus lábios. – Eu amo você, sabe disso, e sabe que vou te ajudar com esse filho, que é meu também. – ele colou suas testas e a encarou, mesmo que ela se mantivesse de olhos fechados. – Mas, por favor, não faça nenhuma besteira, ok? Promete pra mim que não vai fazer nada contra o bebê, promete!
Isabella abriu os olhos, encarando-o. Seus olhos vacilaram, fazendo-o ter certeza de que seria difícil de tirar essa idéia absurda da cabeça dela.
-Isabella...
-Preciso ficar sozinha, preciso pensar, refletir sobre isso e, finalmente, tomar uma decisão! – o interrompeu novamente, separando-se dele e dando dois passos para trás.
Justin comprimiu os lábios e colocou as mãos nos bolsos de seu uniforme, abaixando a cabeça e encarando os próprios pés. O garoto mirou seu olhar para ela, assim que notou algum movimento vindo da mesma, enquanto a via caminhar em direção ao quarto e suspirou pesadamente. Ele encarou o telefone, pensando em qual momento seria o mais apropriado para contar tudo a sua querida mãe, que, provavelmente, surtaria com a noticia.
**
Pattie estava sentada no sofá, tentando dividir sua atenção entre a TV e Sammy, enquanto ela fazia um cafuné no animal, que descansava a cabeça em seu colo. A mulher revirou os olhos e trocou de canal, procurando algo que lhe parecesse mais atrativo do que aquilo que ela assistia antes. Passou por vários canais, optando por um que passava uma daquelas novelas antigas que ela adorava ver. E Sammy acabou perdendo a batalha pela atenção de sua dona, para o programa de TV, ou melhor, a novela antiga de Pattie.
O telefone tocou, fazendo Sammy levantar a cabeça rapidamente e soltar um pequeno latido. Patricia suspirou e se levantou, caminhando lentamente até a estante para atender ao telefone. O cãozinho deitou sua cabeça novamente no sofá, observando sua dona, enquanto a mesma já levava o telefone até a orelha direita.
-Alô! – disse, apoiando o aparelho entre o ombro e seu pescoço, enquanto desligava a TV.
-Mãe, sou eu Justin! – ela sorriu, sendo observada por Sammy cautelosamente, como se ele pudesse entender algo.
-Olá querido! – exclamou alegre. – Como estão as coisas em Paris? Como está nossa Bella?
-É... Mãe eu tenho uma noticia pra lhe contar! – Pattie percebeu claramente que a voz do garoto soava receosa.
-Que noticia? – perguntou.
-Hã... Adivinha quem vai ser vovó!
-Quem? – perguntou sem nem ao menos notar que o garoto se referia a ela. Justin riu de leve, uma risada nervosa, e Pattie, enfim, percebeu a quem o filho se referia. Ela seria avó. – Ó meu Deus! – exclamou, enquanto tapava a boca com as mãos. – Justin isso é verdade? Ó meu Deus, isso é uma pegadinha?
-Não, mãe! – Pattie parou de respirar por alguns segundos. A ficha não tinha caído. Ela nem ao menos imaginava seu filho sendo pai. – Bella está realmente grávida!
-Ó meu Deus, espere até Sarah ficar sabendo disso. Cabeças vão rolar, ah se vão! – Pattie passou a mão pelos cabelos, tentando imaginar Justin e Isabella sendo pais de uma criança. – Ela nem ao menos queria que Isabella fosse para Paris e agora você me liga dizendo que a menina está grávida. Sarah irá te matar, querido filho!
-Mãe, nós não transamos sem um compromisso! – disse o garoto, tentando parecer o mais maduro possível. – Fizemos sexo como um casal! – Pattie suspirou, sabendo que nenhum desses argumentos iria servir para Sarah. – E nós já somos namorados!
-Mas mesmo assim continuam sendo dois adolescentes sem a menor experiência com uma criança pequena! – ela ouviu Justin murmurar algo do outro lado do telefone e o interrompeu bruscamente. – E não me venha com essa conversinha de que já cuidou de Jazmyn e Jaxon, por que você mal cuidou deles de verdade! – Justin suspirou, dando-se por vencido. – Quantas noites você passou acordado cuidando dos seus irmãos? Pois é, nenhuma! – ela suspirou. – Sem contar que um filho é uma responsabilidade mil vezes maior.
-Eu sei mãe! – disse o menino, após suspirar pesadamente, dando-se conta de que ela estava completamente certa. – Mas o que poderíamos fazer afinal? Nós não sabíamos que isso iria acontecer!
-O que poderiam fazer? – perguntou incrédula. – Eu te digo o que poderiam ter feito. – o tom de voz de Pattie já estava alterado e ela já sentia uma grande vontade de esmagar os miolos de seu filho. – Vocês poderiam ter se cuidado! Já ouviram falar em preservativos? – ele murmurou um “sim” e permaneceu calado. – Então, esses métodos ajudariam bastante! – ela se calou por alguns segundos, esperando a reação dele, enquanto se imaginava como avó. – Ó meu Deus, o que eu faço com você Justin? O que eu digo para Sarah? Como eu vou dizer que sua garotinha será mãe e que foi meu filho que fez isso com ela?
-Eu não sou o único responsável por isso, ok? – perguntou na defensiva. – Eu tive uma ajudinha da sua querida Bella, e não fale como se eu tivesse obrigado ela a transar comigo, por que você sabe que eu nunca faria nada se ela não quisesse!
-Sei disso, eu sei... – ela respirou fundo, tentando se controlar para não gritar com ele. – Mas você está ciente de que a corda sempre arrebenta pro lado mais fraco, e, para Sarah, o lado mais fraco é você! – Pattie logo se vira imaginando o escândalo que Sarah faria ao saber dessa “novidade”. – Estou dizendo, garoto, é capaz de ela te matar por isso. Ou sei lá o que ela possa fazer! – Justin bufou do outro lado da linha e a mãe passou a mão pelos cabelos novamente. – E sabe o que me deixa com mais raiva? É que desta vez ela está completamente certa em querer arrancar suas tripas, e eu não posso fazer nada, a não ser sentar e assistir a essa terrível cena, já que vocês estão errados.
-Mãe, por favor, não surta! – pediu paciente, fazendo-a respirar fundo. – Já chega Isabella que está lá no quarto chorando por não saber o que fazer!
-Pobre menina! – disse baixinho. – Vai perder toda a liberdade e a diversão da juventude!
-Mãe, agora você está agindo como se essa responsabilidade fosse só de Isabella e como se eu não tivesse nenhuma parcela nisso tudo!
-Você é um garoto, Justin! – disse ríspida, fazendo-o revirar os olhos. – Se quiser cair fora dessa, sua vida não vai mudar em quase nada, a não ser pela pensão que você será obrigado a pagar, mas a vida de Isabella vai mudar totalmente!
-Mãe... Você sabe muito bem o tipo de educação que deu a mim e que eu seria incapaz de deixá-la grávida de um filho meu! – disse visivelmente magoado pelas palavras de Pattie. – Agora, por favor, pare de falar como se eu fosse um cafajeste que sai por ai engravidando sua namorada para depois deixá-la desamparada, como se eu também não tivesse responsabilidades com essa criança!
-Ok, ok! – ela respirou fundo outra vez, apoiando a mão sobre a estante e percebeu que a mesma já se encontrava trêmula. – Me desculpe! – pediu paciente, pouco depois de suspirar pesadamente. – Mas como quer que eu reaja? Você me liga de uma hora pra outra, dizendo que vai ser pai e espera mesmo que eu dê pulos de alegria? Justin, você só tem dezessete anos!
-Sei disso, ok? – perguntou irritado. – E eu não esperava que pulasse de alegria, mas pensei que seria mais compreensiva. – ele suspirou, fazendo a mãe fechar os olhos e respirar fundo, sentindo um arrepio da cabeça aos pés. – Poxa, mãe, estou em uma situação complicada. – desabafou. – Eu não sei nem o que pensar e tem Isabella que quer abortar e...
-Ela quer abortar? – perguntou desesperada. – Não, não, não e não! – quase gritou. – Tudo bem que são jovens demais para terem um filho, mas abortar é uma idéia inadmissível! – Pattie colocou a mão na testa e balançou a cabeça negativamente. – Faz o seguinte: vai lá, converse com ela, tranqüilize-a e faça o possível para que ela desista do aborto. Falamo-nos depois!
-Tudo bem! – o silêncio tomou conta do telefonema e ambos sentiam a tensão no ar. Justin murmurou um “eu te amo”, sendo respondido pela mão logo em seguida, que desligou o telefone e caminhou até o sofá, colocando a mão na cabeça e fechando os olhos, esperando, pacientemente, pela chegada de Sarah.
[...]
Pattie ouviu claramente o barulho do carro sendo estacionado e fechou os olhos, esfregando uma mão na outra, constatando que as mesmas já estavam suadas. Ela ajeitou o cabelo atrás da orelha e se levantou, caminhando calmamente em volta do sofá. Sarah estava demorando a entrar, fazendo Pattie pensar que talvez ela tivesse ido até sua casa fazer sabe-se lá o que. Mas Pattie teria que ir até lá lhe contar a “novidade”, caso ela não entrasse por aquela porta em alguns segundos, afinal isso já estava lhe matando por dentro.
A porta finalmente se abriu, fazendo a mulher sentir seu coração pulsar mais rápido dentro de seu peito. Sammy latiu e correu em direção à Sarah, querendo brincar e sendo cumprimentado com um “olá Sammy”. Algumas gotas de suor escorreram pela testa de Patricia e ela encarou intensamente a amiga que atravessava a sala, indo de encontro com ela. Pattie apertou os lábios e suspirou, fazendo a amiga se assustar com seu comportamento.
-Pattie, aconteceu alguma coisa? – perguntou, enquanto lhe encarava com uma sobrancelha arqueada. – Até parece que viu um fantasma! – Sarah riu pelo nariz.
-Quase, mas eu não chamaria de fantasma e sim de neto! – murmurou.
-O que disse?
-Nada. – balançou a cabeça negativamente e direcionou seu olhar para Sarah, que ainda lhe olhava confusa. – Eu tenho uma noticia pra lhe contar, mas antes... Sente-se!
-O que é? Aconteceu algo com minha filha?
-Sarah fique calma, por favor! – pediu calmamente, fazendo a amiga sentar-se imediatamente e lhe encarar preocupada. Pattie suspirou e ficou de pé em sua frente, mantendo-se com os braços cruzados em frente ao busto, enquanto buscava pelas melhores palavras. Mas não existiam melhores palavras, apenas uma única realidade: A filha de sua melhor amiga estava grávida e o pai era seu filho. – Sarah, querida, eu... – ela fez uma pausa para pensar no que iria dizer e resolveu dizer tudo de uma vez. – Isabella está grávida!
Sarah franziu a testa, encarando Pattie que esperava paciente pela sua reação. Alguns segundos se passaram e Sarah soltou uma risada baixa, que logo se transformou em uma leve gargalhada, fazendo a mulher se perguntar se a noticia era ao menos engraçada e se ela era uma pessoa sem senso de humor, por que não vira graça nenhuma em suas palavras.
-Ora Pattie, essa é uma brincadeira de muito mau gosto! – disse e riu de leve outra vez. – Você deveria ao menos esperar pelo dia da mentira, assim teria um motivo pelo qual me dizer um absurdo desses!
-Não estou brincando, tampouco mentindo. – disse séria. – Gostaria que fosse brincadeira, mas, infelizmente, não é. – o semblante de Sarah mudou na mesma hora encarando-a. – Isabella está mesmo esperando um filho do Justin.
-Isso é verdade? – perguntou com um fio de voz. Pattie balançou a cabeça positivamente e apertou os lábios mais uma vez. – Não... Não pode ser! – gritou, levantando-se bruscamente e caminhando pela sala. –Isabella, ela... Ela... – murmurou. – Eu vou matar o seu filho, Pattie! – gritou, enquanto apontava um dedo para a amiga. – Eu vou arrancar as tripas dele, vou esmagar-lhe os miolos, vou... – ela passou a mão pelo rosto e, finalmente, percebeu a presença de algumas lágrimas. Lágrimas de desespero. – Ó meu Deus, minha garotinha...
-Pelo visto Isabella não é mais uma garotinha! – interrompeu Pattie.
-É tudo culpa do seu filho, aquele demônio! – gritou. – Ele fez isso com ela! – Sarah já estava descontrolada e Pattie abaixou a cabeça, enquanto deixava que ela descarregasse toda a sua raiva. – Ele a arrastou para Paris e agora, ela está... grávida!
-Sarah, a culpa não é só do meu filho, nós duas sabemos que ele teve uma ajuda da parte de Bella e que nunca a obrigaria a fazer nada se ela não quisesse! – disse com calma, afinal sabia o quão essencial era manter a calma agora. – E chamá-lo de demônio não vai ajudar em nada, tampouco resolver a situação!
-Meu Deus! – exclamou, enquanto tentava digerir tudo o que estava acontecendo. Ela caminhou até o sofá e se jogou no mesmo, passando a mão pela testa e constatando que suas mãos tremiam descontroladamente. Pattie sentou-se ao seu lado e segurou uma de suas mãos, forçando-lhe um sorriso.
**
Justin sentou-se no sofá, bufando. Estava cheio de coisas na mente. Ele cobriu o rosto com as mãos, pensando em tudo que havia acontecido nos últimos tempos. O garoto percebeu a presença de outra pessoa e olhou imediatamente em direção a porta do quarto, vendo Isabella em frente à mesma. A expressão dela não era nada agradável, seus olhos estavam vermelhos e seu rosto inchado, devido o choro. Ele entrelaçou seus próprios dedos e a encarou, com um sorriso discreto nos lábios.
-Já contei à Pattie sobre o bebê! – informou.
Isabella suspirou e apertou os lábios, caminhando lentamente até o sofá, enquanto abraçava a própria cintura, buscando por conforto. A garota se sentou ao lado dele, que segurou suas mãos entrelaçando-as. A menina mirou seus olhos para as mesmas e voltou a encará-lo.
-Jus... – ela vacilou por alguns segundos e umedeceu os lábios, pouco antes de continuar. – Eu ainda acho que o aborto é nossa melhor opção.
-Isabella, eu...
-Me escuta! – o interrompeu bruscamente. Ele se calou e soltou suas mãos, passando as mesmas pelos cabelos, suspirando pesadamente. – Nós somos jovens, Justin, podemos tentar novamente daqui a alguns anos, quando nós estivermos mais preparados, quando nossas vidas estiverem mais estabilizadas e prontas para receber uma criança. – ele apertou os lábios e balançou a cabeça negativamente, não crendo no que ela estava lhe sugerindo. Isabella pousou a mão sobre as costas dele e forçou um sorriso, mas ele se recusava a olhá-la. – Nós não temos condições financeiras, tampouco psicológicas para criar um filho, Justin! – ela fechou os olhos e fez uma pausa. – Abortar é o melhor a se fazer agora!
-Quer saber? Se você quiser abortar, aborte-o! – gritou se levantando bruscamente. – Mas se é o que pretende fazer, e realmente o fizer, você não precisa nunca mais olhar na minha cara! – gritou, despejando toda a sua raiva sobre ela, enquanto lhe apontava um dedo. – Por que eu não irei te perdoar, não por isso Isabella, não por acabar com a vida do nosso filho! – ele colocou as mãos sobre a cabeça e caminhou de um lado para ao outro. Isabella fechou os olhos e apertou os lábios, sentindo um vazio imenso. – E o aborto não é nossa melhor opção!
Ele parou por alguns segundos e passou a mão pelo rosto. Assim que olhou para ele, ela pode ver seus olhos marejados e seu rosto completamente vermelho, fazendo-a pensar que nunca havia o visto tão nervoso como agora. Justin a encarou por míseros segundos e balançou a cabeça, não crendo no quão cruel ela estava sendo ao tomar essa decisão ridícula. O garoto bufou e caminhou em direção à porta. Isabella o encarou, enquanto o mesmo abria a porta.
-Aonde você vai? – perguntou em um reflexo.
-Não interessa! – respondeu seco e ela ouviu a porta se fechar com força, fazendo um estrondo enorme.
A garota respirou fundo, tentando conter as lágrimas, mas foi impossível. Isabella cobriu o rosto com as mãos e desabou no choro, sentindo-se como se ele estivesse lhe abandonando.
[...]
A menina já estava deitada no colchão, enquanto encarava o teto e mantinha seu pensamento fixo no feto que ela gerava em seu ventre agora. Sua mente voou, se perguntando onde estaria o pai de seu filho, já que o mesmo havia saído de casa horas antes, indo para um lugar qualquer. Isabella mirou seu olhar para o relógio que havia na parede, constatando que já era quase meia-noite e lembrando-se que o menino havia saído dali por volta das oito e quarenta. Onde ele estava afinal?
Os minutos custaram a passar. Já era meia-noite e vinte e três. Isabella fechou os olhos, pensando que provavelmente ele iria passar a noite fora. Seu coração se apertou no peito, fazendo-a soltar um suspiro pesado. Mas foi quando ouviu o barulho da porta sendo destrancada e a mesma se abrindo, que seu coração pulsou em uma velocidade indescritível. Em poucos segundos ela viu Justin cruzar a porta e se dirigir rapidamente até o guarda-roupa, pegando um travesseiro e alguns lençóis.
-Não se preocupe, eu vou dormir na sala. – disse, sem ao menos olhá-la. – Eu pensei bastante e acho melhor você voltar para Stratford, por que se for levar a diante essa decisão é melhor que faça isso bem longe de mim!
Ela suspirou e o encarou, enquanto o mesmo caminhava até a sala, carregando o travesseiro e dois lençóis. Bella se levantou imediatamente, caminhando na mesma direção que a dele. Assim que chegou à sala, ela avistou o menino, que ajeitava o sofá, para que pudesse passar a noite ali mesmo.
-Não quero que passe a noite no sofá! – ele fingiu como se não tivesse ouvido as palavras dela e continuou o que estava fazendo. – Justin... – ela fez uma pausa para umedecer os lábios e continuou. – Eu pensei bastante durante o tempo em que fiquei aqui e... Eu vou levar essa gravidez à diante. – o garoto parou imediatamente o que fazia e a encarou com um sorriso nos lábios. – Eu fiquei com medo, eu sou só uma menina de quinze anos que, de repente, se vê obrigada a amadurecer por que vai se tornar mãe... – ela fez uma pausa para estudá-lo e notou a presença de um brilho nos olhos dele. – Eu sei que não seria justo acabar com a vida do nosso filho, mas eu estava completamente desesperada. – justificou. – Ó meu Deus, eu não sei o que estava pensando! – exclamou, enquanto cobria o rosto com as mãos. – Me desculpe!
Isabella sentiu os braços dele, contornar-lhe a cintura e a abraçar. Ela afundou o rosto no peito dele e correspondeu ao abraço terno. Justin beijou o topo da cabeça dela e acariciou seus cabelos, afundando o rosto nos mesmos. A palma da mão dele percorreu toda a extensão das costas da menina, chegando até mesmo aos ombros e pousando-as sobre a cintura da menina puxando-a para mais perto de si.
O simples toque dele, fez com que ela fechasse os olhos e se entregasse para o amado, assim como nós nos entregamos para a dor quando nos apaixonamos por alguém, que não irá, necessariamente, nos retribuir com os mesmos sentimentos. Justin respirou fundo e Isabella sentiu nitidamente a respiração pesada do garoto se chocar contra seu pescoço.
-Obrigada. – ele sussurrou. – Por não ter desistido do bebê e... De mim também!
-Eu te amo, Justin. – disse, enquanto mantinha os olhos fechados. – Mas estou sendo sincera quando digo que não tenho certeza de que vou conseguir amar essa criança!
-Shiiu... – Justin pressionou o polegar contra os lábios dela e colou suas testas. – Não fala assim. – disse baixinho e logo umedeceu os lábios, mantendo suas mãos na lateral do rosto dela. – Mas é claro que vai amá-lo, é seu filho, Bella, o nosso filho. – o garoto roçou seus lábios nos dela e sorriu de lado. – Pode parecer difícil no inicio, mas que mãe nunca teve duvida sobre seus sentimentos ou qualquer outra coisa? – perguntou arqueando uma sobrancelha. – Com o tempo você vai amá-lo tanto que será capaz de dar sua vida por ele.
A garota sorriu e ele lhe retribuiu com outro sorriso, selando seus lábios. Mas eu não diria que o sorriso de Isabella fora o mais sincero de toda a sua vida, pelo contrário, ele estava muito distante disso. Milhares de coisas se passavam em sua mente, enquanto ela tentava parecer relaxa retribuindo o beijo apaixonado de Justin. Os corações de ambos pulsavam freneticamente naquele momento. O menino despregou seus lábios, mas ainda passou sua língua pelo lábio inferior da namorada que sorriu.
-Vamos dormir minha futura mamãe, já está tarde para você estar acordada! – disse, encarando-a nos olhos.
Bella assentiu e o viu entrelaçar seus dedos e caminhar com ela até o quarto, indo em direção ao colchão onde estava deitada, minutos atrás.
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