The Best Damn Things
4 Me & My Girls
Notas iniciais
P.O.V Marcelina
Já eram nove horas e ainda não tínhamos saído de meu quarto, provando que quem diz que quando nos divertimos o tempo passa rápido, está totalmente certo. O assunto da vez era garotos e por incrível que pareça até Alicia estava se divertindo falando disso.
— STOP! Parem com isso! Tá eu gosto sim do Koki, mas o que vocês querem que eu faça se ele não corre atrás de mim? Eu é que não vou correr atrás. – a ruivinha disse respondendo as nossas provocações em relação aos dois.
— Ai Bibi, você não vai tentar nem um pouco? – perguntou Leonor.
— Eu já joguei tantas indiretas que não sei mais se ele realmente não corresponde ou se é burro mesmo. Cansei, agora se ele quiser, ele que venha até mim. – disse empinando o nariz.
— E Carmiel, sai do S.S. Amizade ou não? – disse Alicia dando cotoveladas em Carmem que automaticamente ficou vermelha.
— S.S. Amizade? Pegou essa mania com Paulo quando, dona Alicia? – disse Margarida provocando.
— Que Paulo o quê? Se vocês não lembram, eu e Paulo temos um amigo em comum e esse seria o Mario. Até parece que falo com o Paulo o suficiente pra ficar pegando as manias dele. – respondeu. – Mas, e aí Carmem? Vai responder?
— Ah, meninas… Acho que dessa vez sai mesmo. – falou sorridente.
— Como é? – Valéria perguntou pulando da cama.
— Ele anda bem romântico ultimamente e hoje no intervalo me convidou pra ir ao cinema, só nós dois. – Carmem disse com os olhinhos brilhando.
— MEU CASAL VAI DESENCALHAR, MEU POVO! – Valéria gritou levantando os braços em “ V “.
— Valéria, cala a porra da boca! Assim os meninos vão escutar. – Alicia censurou.
— Alicia, meu anjo. – Valéria disse segurando o rosto da mesma.
— Diga.
— Primeiramente, fora temer. Em seguida, tô nem aí. E por último, até um limão é mais doce que você. – disse lentamente soltando o rosto de Alicia e logo a menina mostrou a língua pra Valéria.
— Às vezes vocês são tão anti-românticas. – falou Laurinha ao observar a cena das duas.
— Sabe, até que a Laura tem razão, eu nunca vi a Alicia apaixonada. – disse Margarida.
— Vocês sabem que eu não sou assim. – Ali disse como se fosse justificativa.
— Assim como, humana? – Valéria brincou nos fazendo rir.
— Há Há Há, muito engraçado – Alicia respondeu revirando os olhos.
— Mas Ali, ela tem certa razão, sabe? É normal se apaixonar, principalmente na nossa idade. – eu disse a vendo deitar no chão e olhar pro teto.
— Então me digam, como é se apaixonar? – perguntou.
— Se apaixonar é passar a ver o mundo de outra forma, ter a liberdade de ir e mesmo assim escolher ficar. – Valéria disse sorrindo e deitando ao lado de Alicia.
— É ver cor nas coisas, sentir uma paz no coração e pra onde quer que você olhe de alguma forma você lembra da pessoa que te causou essa paixão. – Leonor continuou, deitando também.
— É como comer suas comidinhas favoritas todos os dias. – Laura deitando com as três.
— Paixão tem exatamente o cheiro de quem faz com que você tenha esse sentimento. – disse me juntando a elas.
— Apaixonar-se de verdade significa perceber que muitas coisas em sua vida ainda são ruins, não importa quão apaixonado você esteja. – Carmem falou e nos seguiu.
— Significa perceber que o amor não resolve os seus problemas e não faz seus demônios irem embora. Mas que você tem alguém ao seu lado o tempo todo, segurando sua mão e lembrando que você não está sozinho em suas lutas. – Maju terminou e todas as meninas deitaram e ficaram encarando o teto pensando no quanto era bom se apaixonar.
— Sabem como eu acho que deve ser se apaixonar? – Alicia disse nos tirando de nosso transe.
— Como? – perguntou Bibi.
— É como correr num grande campo verde cheio de flores e você só corre, sente o vento em seu rosto, ouve os pássaros e não para de correr…
— Awn, Ali. Viu? Você consegue ser romântica. – disse Laurinha como se tivesse orgulhosa.
— Eu não terminei. Até que chega uma hora onde não tem mais flores, nem pássaros, nem vento e você cai, morto de cansado no campo que nem verde é mais, apenas cinza.
— Ai credo, Alicia. Você tinha que estragar o clima né? – Valéria falou se sentando.
— Tem certeza que você nunca se apaixonou, Ali? – Carmem disse se juntando a Valéria e encarando Alicia.
— Ah, sei lá. O máximo que já fiz foi ficar com alguns garotos aqui, outros lá…
— E nenhum beijinho te pegou de jeito? – perguntou Leonor sentando e em seguida Alicia.
— Ah… Até teve um. – disse falando mais baixo.
— E esse garoto não quis mais ficar com você? – perguntei me deitando de lado para a olhar.
— Eu não sei.
— Como assim você não sabe? – indagou Bibi não acreditando.
— Eu não sei quem é o garoto.
— Ai Alicia, chega de misteriozinho e conta logo isso direito. – disse Valéria.
— Okay, okay. Eu tinha marcado com minha prima de irmos a essa boate nas férias, combinamos de nos encontrar lá e acabei chegando antes. Tomei alguns drinks usando uma identidade antiga da minha mãe, o tempo ia passando e nada dela, olhei em meu celular e ela tinha acabado de mandar uma mensagem dizendo que meus tios resolveram sair e a deixaram de babá. Óbvio que fiquei revoltada, mas como eu tinha pagado pra estar ali resolvi aproveitar, dancei até cansar e ir sentar um pouco. No mesmo minuto em que sentei teve um apagão e eu, com a maior vergonha do mundo, confesso que me assustei, pulei e segurei a mão do garoto que estava ao meu lado, ele riu de mim como era de se esperar, tivemos uma breve desagradável conversa e do nada ele me beijou.
— E como foi o beijo? – perguntou Marga curiosa.
— Foi o melhor beijo da minha vida. — disse séria.
— Isso é tão romântico, parece aqueles romances de cinema. – Laurinha disse sonhadora.
— Só não entendi uma coisa… – Maju começou.
— O que? – indagou Carmem.
— Se foi o melhor beijo da sua vida, por que vocês não ficaram de novo?
— Ah, é que eu fugi. – respondeu Alicia sem mudar a expressão no rosto.
— Como assim você fugiu? – dissemos todas em uníssono sentando.
— Are you crazy? – Bibi disse com descrença.
— Era um garoto, que eu nem sequer vi o rosto, me beijando sem minha permissão. E se ele tentasse fazer alguma coisa pior contra minha vontade? Agora eu to arrependida de ter corrido mas na hora eu fiquei bem assustada. – se explicou.
— E você acha que um dia vai encontrar esse garoto de novo? – disse Leonor.
— Eu até gostaria mas é impossível. Eram as férias, mesmo sendo a última semana ainda tinha muita gente de outras cidades, nesse momento ele pode estar em qualquer lugar.
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