Amelia e Sam se materializaram juntos na calçada de uma movimentada rua da cidade, o mundo ao redor deles passando em um borrão inconsciente de movimento e som. Placas de néon piscavam no crepúsculo que se formava, e à direita deles, uma loja de eletrônicos exibia uma parede de televisores, todos sintonizados na mesma transmissão de notícias. Imagens fortes de desastres e presságios celestiais passavam nas telas.

Um familiar bater de asas precedeu a chegada de Castiel ao lado deles. O anjo permaneceu em silêncio por um momento, seu olhar solene atraído pelas imagens em movimento refletidas no vidro.

“Vamos continuar andando,” disse Sam em voz baixa, colocando uma mão firme no ombro de Castiel para afastá-lo dali.

Sem dizer uma palavra, Amelia tomou a dianteira, serpenteando através da maré de pedestres até que eles se esgueiraram por um beco estreito entre dois antigos prédios de tijolos. O som de suas botas golpeando o pavimento molhado ecoou nitidamente no espaço confinado, uma cadência constante, quase ritualística, enquanto seguiam em direção à porta de serviço sem identificação no final do beco.

Amelia alcançou a maçaneta e empurrou a porta, conduzindo-os para dentro. O corredor escuro e mofado levava a uma pequena sala sem características nos fundos do hotel—uma com uma saída privada para o beco, conveniente e escondida. Quando o último deles cruzou o limiar, a porta se fechou com um clique suave e definitivo.

Lá dentro, o ar era denso com a mistura de cheiros de poeira, mofo e o mais tênue traço de enxofre. Sem hesitação, tanto Amelia quanto Castiel sacaram suas espadas em uma prontidão tácita, o som metálico das lâminas saindo das bainhas cortando o silêncio.

Então—um pulso repentino.

Uma luz radiante se acendeu no centro da sala, forçando os três a protegerem os olhos enquanto o espaço era momentaneamente afogado por um brilho ofuscante e antinatural. Lentamente, sua visão se ajustou, as pupilas contraindo-se contra o resplendor residual.

Lá estava ela: Kali, a deusa indiana, majestosa e imponente no centro da sala como se estivesse esperando por eles o tempo todo.

“Amelia… Amelia,” Kali murmurou, sua voz suave, lânguida, mas impregnada de zombaria. “É bom ver você de novo.”

Amelia soltou um suspiro, o canto de sua boca se curvando em um leve e sarcástico sorriso. “Gostaria de poder dizer o mesmo, querida.”

Os lábios de Kali se curvaram em divertimento, seus olhos escuros brilhando com a excitação do encontro. “E olhe só… se não é Sam Winchester.” Ela inclinou a cabeça de maneira provocante. “Sem o irmãozinho desta vez?”

“Desta vez não,” respondeu Sam secamente, seu tom desprovido de calor.

“E você deve ser Castiel…” O olhar de Kali deslizou até o anjo, avaliando-o com um sorriso de desprezo. “Como está indo sua aposentadoria permanente do Céu? Pelo jeito, não muito bem.”

A expressão de Castiel permaneceu impassível, embora seus olhos tenham brevemente reluzido com algo amargo, algo cansado.

“Estamos aqui por algo que Gabriel deixou com você,” Amelia interveio bruscamente, sua voz como aço, cortando a provocação ociosa. Ela não estava interessada em jogos.

“Ah…” Kali murmurou, seus dedos traçando preguiçosamente o punho da arma que, até então, permanecia escondida atrás dela. Com um movimento ágil, ela a revelou— a espada de Gabriel, o Flagelo de Fogo, a lâmina envolta em uma chama dormente. Mas sua postura mudou, predatória, como se ela estivesse avaliando mais do que apenas o valor da espada. “Vocês vieram por isto… não vieram?”

O maxilar de Amelia se contraiu. “Você sabe que sim.”

“Receio que não posso lhes entregar.” A voz de Kali era suave, mas cada sílaba enrolava-se com veneno.

“Essa espada não pertence a você.”

O riso de Kali foi leve, quase encantado. “E também não pertence a você, querida. Gabriel me deu antes de morrer.”

“Ele disse para você entregá-la àquele que a usaria contra o Filho da Alvorada.”

Kali deu de ombros, fingindo indiferença. “Pequenos detalhes…”

Os olhos de Amelia se estreitaram. “Ele confiou em você para passá-la adiante.”

“Confiança…” Kali repetiu com um suspiro, deixando a palavra pairar no ar como fumaça. “Essa sempre foi a falha de Gabriel. Ele confiava demais… amava com demasiada facilidade. Mas, curiosamente… ele não confiava em sua parceira mais leal, não é?”

O olhar de Amelia caiu para o chão, seu aperto na espada afrouxando apenas um pouco. A memória de Gabriel, de sua voz, seu riso—sua ausência—subiu dentro dela como uma maré. Lágrimas arderam nos cantos de seus olhos, mas ela não as deixou cair.

“Gabriel tinha seus motivos,” ela disse suavemente.

“Oh, tenho certeza que sim,” Kali ronronou, dando um passo lento à frente. “Ou talvez… só talvez… fosse porque ele me amava mais do que jamais poderia amar você.”

“Cale a boca,” Amelia rosnou entre dentes.

Kali sorriu maliciosamente. “O que foi? Não consegue lidar com um pouco de competição? Não é minha culpa que Gabriel me escolheu.”

A cabeça de Amelia se ergueu bruscamente, seus olhos agora desprovidos de toda cor, negros como breu, refletindo nada além da noite infinita.

“Me dê o Flagelo de Fogo,” ela ordenou, sua voz baixa, ressoando com ira.

Kali ergueu a lâmina de forma zombeteira. “Venha pegá-la.”

Sem outra palavra, a mão de Amelia se apertou ao redor de sua própria espada, e com um grito de fúria desenfreada, ela se lançou para frente.

“Não, espere…” Castiel moveu-se instintivamente, erguendo uma mão para deter Amelia, pretendendo exortá-la à razão, para lembrá-la de que a negociação ainda era possível—mas ele nem sequer conseguiu falar. Ela já avançava, impulsionada por uma fúria que eclipsava toda razão, incapaz de conter o ódio que a mera presença de Kali acendia dentro dela.

As mãos de Kali irromperam em chamas, torrentes de fogo abrasador chicoteando na direção da nefilim em investida.

Mas Amelia não se deixou abalar; ela ergueu sua lâmina, interceptando o inferno com um golpe desafiador. O fogo estalou e sibilou, mas não tocou sua carne. A luz das chamas iluminava seus olhos enegrecidos, o firme traço de seu maxilar, a dança selvagem de seus cabelos apanhados na corrente ascendente.

Passo a passo, ela avançava, implacável. Os olhos de Kali se arregalaram em descrença enquanto Amelia atravessava as chamas, seu poder crescendo a cada batida do coração.

Então—suas asas se abriram.

Vastas, magníficas, terríveis, elas preencheram o espaço, ampliando sua presença até que ela parecia eclipsar tudo o mais na sala. Ela podia sentir o poder fluindo através dela, exaltando-a, transformando-a.

Baixando sua espada, ela estendeu uma palma aberta em meio ao fogo. As chamas lambiam sua pele, mas ao invés de queimá-la, afundavam, absorvidas sem resistência. Por um momento, aquilo pareceu intoxicante.

Mas então… algo estava errado.

As penas imaculadas na base de suas asas começaram a mudar, perdendo o brilho, escurecendo… uma após a outra, elas se tornaram negras como carvão, como noite sem estrelas, espelhando seus olhos. A corrupção se espalhava, delicada mas inexorável.

Sua expressão se retorceu, não mais inteiramente humana. Kali vacilou, um verdadeiro medo agora florescendo em seus olhos.

Com uma lentidão sinistra, Amelia ergueu sua espada.

“Você não sabe nada sobre Gabriel,” ela sibilou.

E com um golpe poderoso, cravou a lâmina no peito de Kali.

A deusa arquejou, congelada em descrença enquanto o Flagelo de Fogo era arrancado de suas mãos, tombando pelo chão com um grito metálico antes de se aquietar. Sam estava lá num instante, apanhando-a antes que pudesse repousar, e a arma respondeu—suas chamas adormecidas reacendendo-se, como se reconhecendo o toque de um portador destinado.

Mas Sam mal registrou isso. Seus olhos, como os de Castiel, estavam fixos em Amelia.

Ela permanecia imóvel, de costas para eles, asas semiabertas, sua respiração rasa. A maioria de suas penas mantinha a cor original, mas aquelas próximas à sua coluna permaneciam negras, como se queimadas por dentro.

“Ah… Amelia?” Sam chamou hesitantemente.

Lentamente, ela se virou para encará-los.

Ambos os homens recuaram involuntariamente.

Veias, escuras e antinaturais, corriam sob sua pele, pulsando tenuemente ao longo de seu rosto. Seus olhos continuavam vazios como obsidianas, frios e inexpressivos. Não havia triunfo ali, nem raiva. Nada.

Ela começou a caminhar em direção a eles, seus passos lentos e mecânicos.

Sam e Castiel instintivamente recuaram.

Então, no meio da sala, Amelia cambaleou… e desabou.

Um grito gutural, angustiado, rasgou-se de sua garganta, dilacerando o ar como uma lâmina. Sua espada escorregou de sua mão, tilintando no chão enquanto suas mãos voavam à cabeça, os dedos cravando-se no crânio como se pudessem arrancar a dor.

O grito se intensificou, elevando-se a um agudo tão penetrante que as janelas da sala explodiram para fora em uma chuva de estilhaços de vidro.

E então—silêncio.

Os olhos de Amelia reviraram, tornando-se brancos como leite enquanto seu corpo convulsionava violentamente no chão, suas asas espasmando, membros se debatendo desordenadamente.

“Cass, me ajude!” A voz de Sam ecoou em sua consciência desvanecente, mas antes que pudesse agarrá-la, seu corpo tombou no chão. A escuridão varreu seus sentidos; ela desmaiou, sua mente escorregando para o nada.


|•|


Os olhos de Amelia se abriram lentamente, apenas para serem recebidos pela escuridão, impregnada de um cheiro metálico sufocante. O ar estava pesado e frio, pressionando seu peito. Ela rapidamente percebeu que seus braços estavam acorrentados acima da cabeça, correntes de ferro cravando-se em seus pulsos, suspendendo seu corpo no ar. Os elos gemeram suavemente quando ela se mexeu, testando os grilhões, mas eles permaneceram firmes.

Uma voz, suave como veneno, deslizou pela penumbra.

"Ora, olá, pequena Amelia."

Das sombras emergiu Meg — uma demonessa com um brilho perverso em seus olhos de obsidiana. Seu cabelo negro como tinta caía em ondas despreocupadas ao longo da mandíbula, emoldurando o sorriso zombeteiro que se curvava em seus lábios. Em uma das mãos, ela girava uma lâmina esguia, deixando sua ponta traçar círculos preguiçosos pelo ar.

Amelia engoliu o desconforto, forçando sua voz a soar quase casual.

"Olá, Meg. Como conseguiu me capturar?"

A demonessa riu, caminhando lentamente em sua direção, a lâmina agora dançando entre seus dedos.

"Ah, querida, tudo isso está acontecendo nesse seu belo subconsciente… mas não se preocupe" acrescentou com um sorriso açucarado, inclinando-se o bastante para que Amelia sentisse sua respiração fria contra a bochecha, "é totalmente real."

Amelia soltou uma risada lenta e amarga.

"Que reconfortante. Estou me sentindo muito melhor."

Meg inclinou a cabeça, fingindo diversão, e então deixou o fio da lâmina deslizar pela garganta de Amelia, aço frio beijando a pele frágil.

"Estão dizendo que vocês roubaram a espada de Miguel, Mia." Seu tom pingava de desdém. "Me diga… qual é o plano? Vai tentar bancar a heroína? Você sabe que isso não combina com você."

Um sorriso puxou o canto dos lábios de Amelia, apesar das correntes.

"Pretendemos enfiá-la no peito do seu pai."

A risada de Meg preencheu o espaço como fumaça — fina, acre e interminável.

"Vocês, nefilins… tão ousados. Aprendeu isso com seu lado demoníaco, não foi?"

Os olhos verdes de Amelia brilharam desafiadores.

"Está no sangue da família."

Essa resposta pareceu divertir ainda mais Meg. Ela se recostou, observando Amelia como quem admira uma joia com imperfeições.

"Falando em família… que diabos foi aquilo, hein?" Sua voz baixou, seu sorriso se ampliou. "Não houve uma única criatura, celestial ou não, que não sentiu a sua… explosãozinha."

Amelia arqueou uma sobrancelha.

"Isso te assustou?"

"Me assustou?" A risada de Meg veio mais áspera desta vez, serrilhada com algo quase como prazer. "Ah, irmã… Você já é quase uma de nós! Tão perto… Mas algo te puxou de volta, não foi?" Ela rondou Amelia, passando um dedo por seu ombro. "Me diga… foi a lembrança de Gabriel? Ou de um dos seus preciosos humanos... Dean? Sam? Bobby?" Ela lançou um olhar rápido para cima, soltando um grunhido. "Nós duas sabemos que não foi o anjo."

A mandíbula de Amelia se contraiu, seu pulso martelando contra a pele.

"Mas foi por pouco, não foi?" Meg sussurrou contra seu ouvido. "Em breve… você será uma de nós. Meu pai viu isso… Ele profetizou."

A nefilim virou a cabeça, lançando um olhar frio e inabalável à demonessa.

"Seu pai acredita demais nas próprias mentiras. Odeio desapontá-lo... Eu nunca serei uma de vocês."

E, com isso, Amelia cuspiu diretamente no rosto de Meg.

A demonessa ficou imóvel, sua expressão se endurecendo enquanto a saliva escorria pela bochecha. Por um longo e silencioso momento, ela permaneceu perfeitamente parada, então a limpou com uma mão lenta e deliberada. Quando voltou a olhar para Amelia, seu sorriso havia retornado — frio, venenoso, desprovido de misericórdia.

"Você é sempre tão impulsiva" murmurou Meg, sua voz uma adaga envolta em seda. Ela se inclinou, deixando que suas palavras cortassem mais fundo do que qualquer lâmina. "Um dia… isso vai ser a sua ruína."

Meg ergueu a faca e, com um movimento deliberado e sem pressa, pressionou a lâmina no abdômen de Amelia. O aço frio perfurou carne e músculo com uma facilidade nauseante. Amelia ofegou, seu corpo se contorcendo contra as amarras, mas nenhum som saiu de sua garganta — como se a agonia tivesse roubado completamente sua voz.

Meg a observava com fascinação alegre, seus olhos escuros brilhando na fraca luz infernal. E então ela fez de novo — mais uma investida lenta e impiedosa — rindo suavemente enquanto Amelia se contorcia em tormento silencioso. Ela não fez pausa entre as facadas; cada corte era mais uma nota na sinfonia de crueldade que compunha, sua risada se elevando sobre os gritos mudos de Amelia.

A visão da nefilim se turvou nas bordas, a escuridão ameaçando arrastá-la. Mas ainda assim, mesmo em meio a tal tormento, sua mente se agarrou a uma frágil verdade: ela não estava quebrada. Ainda não.


|•|


Eles não conseguiam sentir seu pulso.

Vozes distantes filtravam-se através da névoa opressiva em sua mente, fracas mas insistentes, como ecos de um lugar ao qual ela já não pertencia.

“Ela está em agonia…”

“Não havia nada que vocês pudessem fazer para fechar as asas dela?”

“Nós tentamos, Bobby. Nada funcionou. Pelo menos as veias não estão mais marcando o rosto dela.”

“Vou pegar um pouco de água fria…”

As vozes desapareceram, deixando um silêncio oco, insuportável. Era como se ela estivesse sozinha no quarto — sozinha no mundo. Ela não conseguia abrir os olhos, não conseguia falar, nem mesmo se mover. Mas podia sentir: a dor crua, ardente, onde a faca rasgara sua carne, uma ferida fantasma que se recusava a fechar.

Então, algo frio pressionou suavemente sua testa, arrastando sua consciência um pouco mais perto da superfície. Ela se deu conta da textura sob si — estava deitada em uma cama. A dor rígida de suas asas atadas sob a pele pulsou de volta à vida, lembrando-a de quem, e do que, ela era.

“O coração dela voltou.”

“Saiam da frente. Me deem esse pano. Vocês, anjos, não conseguem fazer nada direito.”

A compressa fria voltou à sua testa, mais firme desta vez, mas, ao fazê-lo, outra dor aguda irrompeu em seu peito, cortando a dormência como um raio. Um arquejo rasgou sua garganta quando seu corpo se lançou para a frente, seus pulmões se contraindo para puxar o ar que queimava ao preenchê-los. Instintivamente, suas asas se dobraram para dentro, recuando sob a pele enquanto ela se sentava.

Sua visão era um caos de cores e luz. Formas se moviam e se distorciam diante de seus olhos, e ela não conseguia entender onde estava ou quem a cercava.

“Calma, Amelia…” A voz de Bobby a ancorou, calma e próxima. “Feche os olhos. Depois abra devagar — deixe eles se ajustarem.”

Ela obedeceu, fechando os olhos com força, depois os abriu novamente, mais devagar desta vez. Gradualmente, o quarto ganhou foco — o aroma quente e rústico de madeira velha e couro gasto; o leve rangido da cadeira onde Bobby estava sentado ao seu lado, segurando um pano úmido em suas mãos calejadas. Sam e Dean estavam a poucos metros, suas expressões marcadas por algo entre medo e incredulidade. E mais afastado, perto da janela, estava Castiel — rígido, silencioso. Ele, sozinho, se recusava a olhar para ela.

“Amelia… você está bem?” Bobby perguntou, inclinando-se.

“Estou bem, tio… Desculpe, quero dizer… Robert,” ela sussurrou roucamente, sua voz áspera e frágil. Seu olhar derivou até Sam. “O que aconteceu? Só me lembro… estávamos no hotel. Você e Castiel… eu estava pedindo a arma daquela mulher indiana… e então… tudo ficou escuro.”

“Você não se lembra de mais nada?” Sam perguntou cauteloso.

Ela balançou a cabeça fracamente. “Não… Só… eu vi vocês todos, e então… Castiel… e depois eu caí no chão. Depois disso… nada.”

“Esse… equilíbrio… é mais perigoso do que eu pensei,” Castiel finalmente falou, sua voz fria, seus olhos cheios de algo mais duro que decepção. A censura em seu olhar a fez encolher instintivamente.

“Uau… Você tem sorte de não se lembrar,” murmurou Sam, passando a mão pelo rosto.

“Tão ruim assim?”

“Foi aterrorizante,” ele admitiu. “Você foi atrás dela… atrás de Kali… e o fogo que ela lançou em você — não te machucou. Foi como se… te alimentasse. Então você abriu suas asas…” Ele hesitou, engolindo em seco. “Mas suas penas… começaram a ficar pretas.”

“Ah não…” ela ofegou, o horror se infiltrando em sua voz.

“Elas voltaram ao normal… na maior parte. Algumas ainda estão cinzentas.” A mandíbula de Sam se contraiu. “Mas a pior parte… depois que você matou Kali… você se voltou contra nós.”

Seu sangue gelou.

“Sua pele… suas veias estavam salientes, pretas, como se algo tivesse tomado conta de você. Você nos olhava como se não nos conhecesse…” Ele não terminou. “Mas então… você desabou,” Sam acrescentou em voz baixa. “Conseguimos te trazer de volta para cá.”

Sua mente girava, tentando compreender tudo. “O que… o que mais aconteceu?”

Os olhos de Sam desviaram para Castiel.

“A segunda trombeta soou,” disse o anjo sombriamente, sua voz tão pesada quanto a notícia que entregava.

“Miami está em chamas,” continuou Dean, o peso de tudo afundando no quarto como uma pedra. “Os coreanos encontraram provas de que os EUA ajudaram a Coreia do Sul no ataque. O mundo… está em guerra.”

O peito de Amelia se apertou. “Quanto tempo… quanto tempo eu fiquei inconsciente?”

“Metade da noite,” respondeu Bobby, lançando um olhar para a janela, onde os primeiros fios frágeis da aurora começavam a se entrelaçar com a escuridão. “Já está quase de manhã.”

“Não podemos esperar mais,” disse Amelia, sua voz mais firme do que ela sentia. Ela se virou para Castiel. “Precisamos prepará-los… para a luta.”

O anjo inclinou a cabeça, um acordo silencioso passando entre eles.

Sam olhou para Dean, a preocupação estampada em seu rosto.

Na mesa próxima, a Bíblia permanecia aberta, o texto antigo encarando a todos, como se as próprias palavras testemunhassem o fim que se desdobrava:

“O segundo anjo tocou a trombeta, e algo como uma grande montanha, toda em chamas, foi lançada ao mar. Um terço do mar transformou-se em sangue…”.