The Beginning of the End (versão atualizada)
10 Jogos de Ruínas
Nos restos ocos de um prédio abandonado, o ar espesso de poeira e com o cheiro de terra queimada, Lúcifer estava parado perto de uma janela rachada, esfregando as mãos em antecipação ansiosa. Do lado de fora, os ecos distantes de uma tempestade que se aproximava reverberavam através do esqueleto da cidade. Ele já havia ordenado que suas legiões de demônios se preparassem para o confronto final; sabia que Miguel viria, ladeado por seu exército celestial.
Uma presença materializou-se atrás dele, suave como seda e fria como gelo.
"Meu Senhor" a voz de Meg pingava reverência. "Eu fiz como ordenou."
Lúcifer não se virou imediatamente. Em vez disso, permitiu que um sorriso, afiado como uma lâmina, curvasse seus lábios. Lentamente, ele girou, deixando que seu olhar predador se fixasse nela.
"Obrigado, minha criança" entoou com uma afeição açucarada. "Estou contando com a... cooperação de Amélia. O Anticristo pode reivindicar poder, mas aquela Nefilim... O domínio dela eclipsa o dele. Eu vi isso nela, naquele hotel... Como ela se desfez, por algo tão... trivial." Ele riu suavemente, a voz como veludo esticado sobre uma adaga. "Imagine o que ela fará quando lhe derem um verdadeiro motivo para quebrar. Pretendo ter aquela criatura ao meu lado quando a batalha começar."
Lúcifer alcançou sua espada — sua lâmina uma chama contorcida, mal contida pelo metal celestial — e passou a mão ao longo de sua borda abrasadora, admirando a beleza terrível da arma.
"E por isso" refletiu em voz alta "devo agradecer a Amélia por garantir que meu querido irmão não recuperasse sua espada. Ela pode ter desejado isso por razões que se opõem às minhas... mas no fim, ela me fez um favor."
Os olhos de Meg brilharam, orgulho e curiosidade misturando-se neles.
"Eu sempre disse que ela herdou essa veia implacável da nossa... família."
O sorriso de Lúcifer se alargou, agora predatório.
"Em parte. Mas o sangue que corre nas veias dela... é o mesmo de seu tio. E os Singers..." ele zombou suavemente "são tão audaciosos quanto nós."
"Meu Senhor, se me permite..." a voz de Meg vacilou levemente, mas sua insolência estava velada como deferência. "Como exatamente pretende fazer a Nefilim se juntar a nós?"
Por uma fração de segundo, os olhos de Lúcifer escureceram, o desprazer cintilando diante de tamanha ousadia. Mas ele deixou passar, expirando uma respiração lenta e medida.
"Eu vou voltar aqueles que ela mais ama... contra ela." Sua voz baixou a um sussurro frio como a sepultura. "Agora vá."
Sem hesitação, Meg assentiu e desapareceu nas sombras, sua forma se dissipando como fumaça.
Sozinho, Lúcifer virou-se novamente para a janela estilhaçada, olhando além do horizonte irregular, onde a linha do céu ardia com os últimos vestígios da luz do dia.
"Oh, Amélia" murmurou, os lábios se curvando em um sorriso cruel. "você não faz ideia do que está por vir…"
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O ar atrás da casa de Bobby estava denso com o cheiro de gasolina e metal queimado, onde os ossos de veículos mortos jaziam espalhados sob o céu pesado, seus capôs abertos como mandíbulas quebradas. Ervas daninhas brotavam desafiadoras através das rachaduras no concreto, e a quietude opressiva era quebrada apenas pelo grito distante de um corvo empoleirado na estrutura esquelética de um velho caminhão.
Dean ajustou a pegada na lâmina angelical, seu peso familiar mas não menos sóbrio — aquilo não era um brinquedo de treinamento, mas uma arma feita para matar. O couro de sua jaqueta rangeu quando ele firmou a postura, músculos tensionados, esperando pelo sinal de Amelia.
A poucos passos, Amelia estava de pé com uma compostura silenciosa e perturbadora, seus olhos não refletindo nada da decadência enferrujada ao redor, mas algo mais frio, mais afiado — uma consciência moldada por séculos de violência. Sua própria espada pendia solta ao lado, embora todo seu corpo irradiasse prontidão.
"Vá em frente, Dean" disse ela, sua voz calma, quase indiferente. "Ataque-me."
Sam e Castiel observavam de longe, encostados na carcaça do velho Impala, seus silhuetas emolduradas pela luz fraturada que filtrava através de pilhas de carros destruídos. Nenhum deles interveio, suas expressões tensas mas resolutas — essa era uma lição que Dean precisava suportar sozinho.
Dean exalou lentamente, então avançou, erguendo a lâmina acima da cabeça em um arco amplo e instintivo.
Antes que o golpe pudesse descer completamente, Amelia avançou com uma velocidade quase casual, apoiando o punho de sua espada contra o abdômen dele, imobilizando-o no lugar. Sua expressão mal se alterou.
"Nunca levante sua arma acima da cabeça assim no primeiro golpe" instruiu friamente, recuando, sua voz uma mistura de comando e sutil divertimento. "Faça isso, e Michael acabará com você em segundos."
Ela se afastou, seus movimentos fluidos, controlados, quase felinos, e fez um gesto para que ele a seguisse.
"Tente um movimento circular" instruiu, levantando sua espada e traçando um arco descendente do ombro ao quadril, o aço cortando sem esforço o ar espesso. "Isso força seu oponente a bloquear e te dá o controle."
Dean apertou a empunhadura e repetiu o movimento, mais devagar desta vez, deliberado. Amelia permitiu que as lâminas se encontrassem com um clangor ressonante e, sem hesitação, pressionou o ataque — sua espada um borrão de golpes implacáveis.
"Ei, ei!" protestou Dean, recuando sob a investida.
Amelia não cedeu; em vez disso, riu suavemente, o som leve mas afiado como aço.
"Não pare, Dean! Michael não vai esperar você recuperar o fôlego!"
Os braços de Dean se esforçavam sob o peso da defesa constante. Aproveitando-se do pânico crescente dele, Amelia desapareceu em um borrão — sua forma dissipando-se como névoa — apenas para reaparecer atrás dele, a fria lâmina agora repousando entre suas omoplatas.
"Isso é trapaça!" exclamou Dean, virando a cabeça.
Amelia sorriu de lado.
"Lição número dois: arcanjos trapaceiam. Sempre."
Ela abaixou a lâmina e deu um passo atrás, sua postura ainda relaxada mas imponente.
"Agora. De novo. E desta vez, não pare."
Por um breve momento, enquanto observava Dean mudar o peso e se preparar para atacar, a mente de Amelia vagou — algo que ela não podia se permitir em batalha. Não havia contado a ninguém sobre o que Meg fizera com ela enquanto estava inconsciente. As feridas ainda ardiam sob sua pele, invisíveis mas profundas, um lembrete silencioso de quão vulnerável até mesmo uma Nephilim podia ser. Mas admitir isso — para eles, para si mesma — parecia perigoso demais, cru demais. Então enterrou tudo sob o aço da disciplina e a máscara de controle, onde ninguém podia alcançar.
De longe, Sam assistia à luta se desenrolar com crescente interesse. Bobby apareceu, suas botas pesadas esmagando o cascalho enquanto se aproximava, segurando duas cervejas. Entregou uma a Sam sem cerimônia.
"Como ele está se saindo?" Perguntou Bobby, dando um longo gole na garrafa.
Sam deu de ombros, ainda fixando o olhar na luta.
"Acho que... melhor do que eu esperava."
Bobby inclinou a cabeça, esperando.
"Alguma notícia?"
"Rufus ligou" respondeu Bobby, áspero, coçando a nuca. "Mais um dos nossos se foi. Os demônios pegaram pesado."
Sam soltou um suspiro lento, apertando mais a garrafa.
"O mundo está indo pro inferno."
Um clangor metálico soou quando Amelia forçou Dean a se desviar freneticamente.
"Isso, Dean! Não pare! Mude, improvise!" A voz de Amelia cortou o ar espesso com cheiro de ferrugem.
Sam riu discretamente.
"Ei, Cas..." chamou ele para o anjo, que estava imóvel como uma estátua, os olhos fixos em Amelia. "Por que a Amelia perdeu o controle quando Kali mencionou Gabriel? Você acha... que havia algo entre eles?"
Castiel não respondeu imediatamente, sua mandíbula se contraindo.
"Não sei."
Bobby, ouvindo, ergueu a sobrancelha.
"Gabriel? O arcanjo?"
Sam assentiu, a voz baixa mas certa.
"Sim. Ela perdeu o controle quando Kali o mencionou. Kali disse algo sobre Gabriel não confiar nela..."
Os três ficaram em silêncio, seus olhares atraídos de volta para o quintal, onde Amelia forçava Dean a recuar passo a passo com um turbilhão de golpes.
"O que quer que fosse" murmurou Sam "eles definitivamente tinham uma conexão."
Nesse instante, Amelia varreu as pernas de Dean em um único movimento fluido, derrubando-o no chão. Sua lâmina se cravou no concreto a centímetros de sua cabeça, vibrando com a força.
Dean gemeu, piscando para ela.
"Cuidado com a movimentação dos pés" aconselhou friamente, estendendo a mão para ajudá-lo a se levantar. "E lembre-se... Eles trapaceiam."
Dean fez uma careta, mas aceitou a mão dela.
Enquanto se afastava, limpando o suor da testa e se jogando sobre o capô de um carro próximo, Amelia se virou, os olhos brilhando com malícia.
"Então, Sam... Gostaria de tentar?" provocou, inclinando a cabeça.
Sam riu nervosamente, erguendo as mãos em rendição fingida.
"Nah... vou deixar você recuperar o fôlego."
Amelia arqueou a sobrancelha com isso, sua respiração perfeitamente estável, sem sinal de esforço.
"Claro..." respondeu com uma risada leve, claramente descrente.
Amelia inclinou a cabeça, os olhos cintilando com algo entre desafio e malícia.
"Castiel, quer me dar uma demonstração? Se bem me lembro... você estava louco por uma revanche depois daquele dia no hotel."
Castiel deu um passo à frente, puxando a lâmina debaixo do casaco, sua expressão indecifrável mas os olhos azuis fixos nos dela com um foco inconfundível.
"Não pretendo perder desta vez."
Ela sorriu de lado, abaixando-se para pegar sua própria espada do chão, dando-lhe um giro casual entre os dedos.
"Vou jogar limpo" provocou, assumindo a postura. "Mas você deveria saber... Eu nunca luto limpo."
"Isso" disse Castiel com um leve, raro sorriso "eu já aprendi."
Amelia avançou primeiro, suas lâminas se encontrando com um clangor brilhante que ecoou pelo quintal. A luta rapidamente se intensificou — golpe, aparar, estocada — mas sob a ferocidade havia algo mais, um ritmo não dito, um entendimento compartilhado. Ambos conheciam os movimentos um do outro agora, mas nenhum estava se contendo.
"Você ficou mais rápida" notou Castiel entre as aparadas, a voz baixa, quase admirada.
"Você ficou previsível" retrucou ela, sorrindo.
Os olhos dele se estreitaram com o mais leve traço de diversão.
"Mentira."
Eles circulavam um ao outro, as lâminas se movendo numa dança fluida que deixou Sam e Dean assistindo em silêncio, como se soubessem que estavam testemunhando algo mais do que apenas um combate de treino.
Então Amelia, pegando-o de surpresa com uma finta à esquerda, pressionou suavemente a lâmina contra a garganta dele.
"Xeque-mate" sussurrou, inclinando-se um pouco perto demais.
Castiel inclinou a cabeça, a voz quieta.
"Você é perigosa."
"E você gosta disso" respondeu ela, recuando suavemente, abaixando a espada.
Mas quando mudou o peso, o olhar de Castiel se aguçou, sua expressão mudando da leve diversão para uma preocupação repentina. Seus olhos desceram para a lateral dela.
"Amelia..." disse ele, a voz baixa mas urgente.
Ela seguiu o olhar dele, a testa se franzindo ao notar a primeira mancha escura se espalhando pelo tecido branco da camisa, logo acima do quadril. Depois mais — filetes finos de carmesim surgindo no braço, na parte inferior das costas, vazando como se feridas invisíveis estivessem despertando todas de uma vez.
Sua espada escorregou dos dedos, batendo contra o pavimento rachado.
"Amelia!" Castiel avançou, segurando-a quando os joelhos dela cederam, sua mão instintivamente agarrando o casaco dele para apoio. Uma faixa brilhante de sangue manchou os lábios dela enquanto tentava engolir a dor súbita e sufocante.
A voz de Sam ecoou do outro lado do quintal.
"Bobby...!" Não precisou terminar; o velho caçador já se virava para eles.
Mas Castiel não esperou por ninguém. Pegou Amelia nos braços com uma facilidade nascida tanto da força quanto do desespero, segurando-a junto ao peito enquanto o sangue dela manchava o tecido escuro do casaco. A respiração dela estava fraca, o rosto pálido como a morte.
Sem uma palavra, ele a carregou rapidamente para dentro da casa, através da porta de tela cambaleante, passando pela sala de estar desgastada onde livros empoeirados alinhavam as prateleiras, e a deitou cuidadosamente no velho sofá surrado.
As pálpebras de Amelia tremularam, sua mão ainda agarrando fracamente o casaco dele.
"Fique comigo" ordenou Castiel baixinho, já rasgando um pedaço de tecido de uma velha cortina próxima. Ele ergueu a camisa dela, revelando o pior dos ferimentos: um talho profundo no abdômen, ainda cru e sangrando, como se recém feito.
"Essas feridas..." murmurou ele, a voz carregada de confusão e reconhecimento. Começou a envolver o tecido firmemente ao redor do torso dela, dando um nó para estancar o sangue, depois movendo-se para as lacerações nos braços e costas, as mãos firmes apesar da tensão crescente no ambiente.
Bobby irrompeu atrás dele, olhos arregalados.
"Que diabos aconteceu? Você a machucou?"
"Não" disparou Castiel, virando-se para enfrentá-lo, mas antes que pudesse dizer mais, Amelia, a voz rouca mas clara, interrompeu:
"Robert..." sussurrou, já recuperando um leve rubor nas bochechas à medida que sua cura Nephilim começava a agir. "Castiel não... Não foi ele."
O olhar duro de Bobby suavizou, mas só um pouco.
"Então como isso aconteceu?"
Os olhos de Amelia se voltaram para Dean e Sam, agora parados no batente da porta, seus rostos marcados por confusão e preocupação.
"Foi a Meg..." Sussurrou.
O maxilar de Dean se contraiu.
"Meg? Mas como? Quando?"
"Enquanto eu estava inconsciente" arquejou Amelia. "Ela encontrou um jeito... de entrar na minha mente. Capturou minha alma, ou parte dela. Ela não precisava do meu corpo acordado para começar... a me torturar."
Sam franziu a testa, a voz carregada de incredulidade.
"Mas... como isso é possível?"
Amelia forçou um sorriso fraco, a ironia amarga na garganta.
"Uma das falhas de ser o que eu sou... corpo e alma — inseparáveis. Se ela tinha minha alma, tinha a mim."
Dean balançou a cabeça, andando de um lado para outro.
"Mas por que ela simplesmente não acabou com tudo? Por que te manter viva?"
Os olhos de Amelia, embora pesados, brilhavam com um perigoso conhecimento.
"Porque sou valiosa para eles... para todos eles. Sam, Castiel... vocês dois viram o que eu posso me tornar. E Lúcifer... ele não gostaria de perder uma arma como eu."
Um silêncio pesado se instalou na sala, espesso como o sangue ainda manchando os curativos improvisados.
Bobby resmungou, virando-se para a porta.
"Castiel... treine os garotos. Vou encontrar o Rufus" ele disse que tem uma pista de onde o desgraçado pode estar.
"Eu posso ajudar" começou Amelia, tentando se levantar, mas uma dor aguda e rasgante a puxou de volta com uma careta.
"Você vai ficar exatamente aí" rosnou Bobby, já pegando as chaves no gancho ao lado da porta. "Não quero ter que juntar seus pedaços depois."
Com isso, saiu, a porta de tela batendo atrás dele.
Sam permaneceu por um momento, olhando para ela, a preocupação gravada em suas feições.
"Você vai ficar bem?"
Amelia forçou outro sorriso, mais por hábito do que por convicção.
"Vou sobreviver... obrigada."
Ele assentiu, oferecendo um breve aperto fraterno no ombro dela antes de se virar para seguir Dean e Bobby.
Sozinhos, Castiel ajoelhou-se ao lado dela, ajustando o curativo mais uma vez.
Seus olhos se encontraram.
"Obrigada" sussurrou ela.
Ele inclinou a cabeça, sua mão roçando brevemente a dela.
"Você não precisa me agradecer."
Mas nenhum dos dois se afastou.
Ainda não.
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