The Beauty And The Brute

2 II. Futuro surpreendente


Notas iniciais
Gente, as coisas estão indo meio devagar, mas prometo que a partir do terceiro capítulo.(ou seja, o próximo kk)
Tudo vai ficar muito mais interessante.
Esperei pra postar agora porque tem mais gente no site à noite e ia ajudar.
Boa leitura ;)
Beijocas, Anonymous girl writer s2.

Eu ficara uma semana sem frequentar a escola.

A notícia do desastre estava em todos os jornais e por isso eu não tinha sossego, não havia fuga dessa solidão que pairava, mesmo que Lilian e Jafar continuassem sempre por perto e me fizessem sentir melhor, não eram o meu pai e isso era uma pena. Era um vazio que nunca mais seria preenchido e mesmo que o tempo passasse e a vida seguisse, aquela lacuna sempre estaria em branco.

Eu recebia mensagens do público, haviam algumas cartas chegando no correio, me mandavam dinheiro, cartões, bombons, em símbolo de compaixão para nós famílias, mas todo o dinheiro que consegui arrecadar não conseguia comprar a volta do meu pai.

Ou afastar as lembranças sobre o seu riso abafado e alegre. Os seus cabelos grisalhos e o seu olhar sempre doce por trás dos óculos de grau. Bagunçava meu cabelo e sempre esquecia a toalha em cima da cama. Meu velho pai, meu companheiro.

Aquela semana foi com certeza a mais desagradável por qual já passei desde a morte de mamãe. A mais difícil, e rigorosa. Ouvir as palavras de compaixão das pessoas, enquanto Lilian e Jafar resolviam tudo na justiça para ficar com a minha guarda, o que era ótimo, considerando que, se não, eu iria para um orfanato ou abrigo de jovens.

E quando a semana passou e eu cheguei na escola, tudo parecia muito sombrio, obscuro, cinzento. As árvores e as pessoas não tinham mais cor, pareciam pinceladas pelo meu próprio sofrimento. Talvez porque não acordara com papai derramando café na roupa pela manhã, dando-me um beijo no rosto e indo trabalhar depois de me deixar no ponto de ônibus.

Mas ainda havia uma coisa boa. O abraço que recebi de Patrick.

Sempre protetor e brincalhão, me envolveu no seu abraço e não me deixou escapar.

— Eu sinto tanto, Val.

Murmurou enquanto me abraçava. Eu sorri minimamente sem mostrar os dentes e tentei parecer estar o mais bem possível:

— Eu sei.

Mas não conseguia convencer muito. Meu rosto estava apagado e os olhos sem brilho, talvez pelas diversas lágrimas que derrubei durante todos aqueles dias.

Patrick era meu amigo desde a quinta série. Nos damos muito bem, e ele sempre fez tudo por mim. Eu sei que ele é apaixonado por mim porque ele já se declarou um vez, mas eu não podia vê-lo como namorado, era apenas um irmão “gêmeo”, já que tínhamos a mesma idade, por isso não pude mudar isso, e ele demorou um pouco, mas aceitou a situação de que seríamos só amigos.

Ainda assim, penso que ele ainda tem esperanças de que um dia eu possa despertar algum sentimento por ele, mas simplesmente sei que isso não pode acontecer. O que me resta é apenas tentar fazê-lo mudar de ideia, tratando-o como amigo diariamente até que entenda e siga em frente.

Voltei minha atenção desta vez para Misha, minha grande amiga que me esperava com um sorriso compreensivo no rosto. Os óculos de armação estilosa maior que o rosto ressaltava seus olhos negros doces sempre receptivos.

Abri os braços para abraçá-la e recebi seu carinho de amiga.

— Estamos aqui para o que precisar, viu?

Gentilmente informou.

— Muito obrigada, vocês dois. – agradeci. A minha intenção era demonstrar que estava me recuperando, já que sabia que eles se preocupariam exageradamente se não fizesse. Mas era um esforço em vão, já que haviam olheiras mortais cravadas debaixo dos meus olhos e minha pele parecia dois tons abaixo do normal. Era quase uma morta-viva quando falava. – Do jeito que minha vida está não sei o que faria sem o apoio de vocês.

Os dois ficaram juntos me fitando com ar preocupado. Eles cuidavam de mim e deviam odiar pensar que no momento eu me sentia péssima.

— Vai dar tudo certo, Val. – Misha pronunciou, encorajando-me docemente. – A gente vai ficar sempre com você e com um tempo, tudo vai ficar melhor, você vai ver.

— Obrigada. – respondi num fio de voz. – Me ajudar a encarar essas aulas ia ser um bom início.

— Claro, vamos entrar.

Misha concordou, e prestativa me acompanhou para dentro do colégio.

Patrick fez com que eu me sentisse melhor. Suas palhaçadas e o seu bom humor, me faziam ver um lado bom da vida que no momento eu estava perdendo desmoronando com meus próprios problemas.

Porém, mesmo com a companhia de Patrick e Misha, eu ainda sentia dificuldade de encarar os corredores movimentados do colégio. As pessoas pareciam todas quietas ao me ver, se retraíam e se sentiam mal por mim, mas não ajudavam nada na sensação que eu tinha que toda aquela multidão que ultrapassava o corredor, estava me pisoteando. Estava afundando dentro de mim mesma sem nenhum controle.

E no fim do dia, Patrick e Misha foram para as suas casas e eu voltei a me sentir extremamente só. Como sempre andava acontecendo nos últimos dias. Nada nem ninguém parecia amenizar por completo aquela situação.

Quando entrei em casa, para completar. Não pude sequer aproveitar o silêncio do lar, percebendo que havia uma pessoa desconhecida na sala.

Encontrei Jafar, Lilian e aquele homem bem vestido conversando algo que parecia ser sério e quando entrei, todos ficaram em silêncio e fui o foco da atenção. Como sempre, todos ficaram sob alerta, aparentavam estar sempre preocupados com o que iam me dizer pelo quanto eu estava sensibilizada, como se sentissem que qualquer coisa que contassem poderia desencadear um choro desesperado vindo de mim. Por isso sempre que eu chegava passavam a domar seus passos e dizeres.

O homem era negro, careca e muito elegante, assim que entrei, ele hesitou, como se esperasse que Lilian e Jafar o apresentassem, mas como o silêncio se seguiu, ele mesmo estendeu a mão para me cumprimentar:

— Srta. Welsch, — apertei sua mão firme. – Sou Calisto, Fredo Calisto.

E voltou à sua posição, respeitosamente. Somente depois da atitude que tomou que Jafar e Lilian pareceram conseguir ter alguma reação, aparentavam nervosos por algum motivo, mais que o normal:

— Ah... – Lilian hesitou, desnorteada antes de pensar em algo para dizer. – Dr. Calisto é um advogado, ele veio nos dar uma notícia sobre a sua tutela.

Os dois ainda pareciam muito desconfortáveis para me contar alguma coisa. Mas Dr. Calisto permanecia extremamente profissional e explicou ele mesmo:

— Sim, estou aqui para informar um pedido de adoção que foi confirmado. O Sr. Gregory ficou sabendo do seu caso por alguma fonte imprecisa e se interessou em ter a sua guarda, quando soube que havia ficado órfã. E seguindo com os procedimentos corretos, conseguiu a permissão.

Lilian e Jafar estavam cada vez mais tensos em ouvir o que eu tinha a dizer depois disso. Mas eu ainda não tinha conseguido juntar as informações, tudo parecia muito vago.

Primeiro, porque Dr, Calisto tinha usado palavras difíceis que meu cérebro, devido aos recentes, estava muito lotado para conseguir processar. E segundo, porque nada de fato fazia qualquer sentido.

Um sujeito chamado Sr. Gregory tinha se interessado em me adotar quando não fazia a menor ideia de quem era. E pior, havia conseguido a minha guarda sem ao menos minha mera permissão.

Aquilo era tão absurdo que não me coincidia ser verdade. Não podia ser possível que eu pertencesse a alguém que mal conheço, sem meu consentimento, e me informassem disso como se fosse algo banal.

— Quem é Sr. Gregory?

Foi apenas uma das perguntas das quais eu teria que fazer para conseguir entender melhor.

— Vincent Thomas Gregory. Presidente da NexMotors, empresa onde seu pai trabalhava.

Engoli o seco. Ainda não havia me convencido de que aquilo estava acontecendo. Não fazia o menor sentido, nem ia fazer.

Encarei o nada e esperei ansiosamente para que o meu coração parasse e toda aquela loucura acabasse. Não queria entender, não queria aceitar, não queria descobrir o por quê, queria apenas nunca ter ouvido notícia tão tempestuosa.

— Estamos tentando dizer que isso não pode acontecer, já que nós estamos correndo atrás de autorizações jurídicas que deem a sua guarda para nós desde a morte de seu pai, mas...

Lilian tentou explicar-se e algo a impediu de terminar, o que ela iria dizer em seguida não parecia poder ser dito na frente do Dr. Calisto.

Foi então que Jafar me pegou pelo braço rapidamente e me levou até um canto, onde pôde cochichar o motivo:

— Não sabemos qual o interesse dele em você. Mas ele tem um mandato. É lógico que só conseguiu a sua guarda sem demais procedimentos porque tem muito dinheiro, e deve ter escolhido os melhores advogados, subornado muita gente. Ainda não sei por quê. Ele quer que você vá amanhã de manhã morar com ele, e você vai ter que fazer isso. – minha cabeça girava. Aquilo estava uma confusão, nada se encaixava. Um multimilionário que não se importa com ninguém, de repente faz de tudo para adotar uma órfã adolescente desconhecida? Se ele fez com que eu não soubesse, era porque sabia que eu podia negar, e não queria que eu fizesse isso, por quê? Aquilo não podia ter sido em vão, devia ter algum motivo por trás que me ameaçava de alguma maneira. – Ele tem um mandato, não podemos lutar contra ele, tem muito poder. Mas posso lhe garantir, que não vamos deixar nada lhe acontecer, vamos lhe visitar sempre você só vai ficar lá por um tempo, enquanto providenciamos tudo para tomar a sua guarda dele.

Aquilo me cheirava muito incerto e pouco confiável. Por mais que eu confiasse na palavra de Jafar e Lilian, não havia como ter certeza de que eles conseguiriam derrotar um multimilionário numa briga jurídica.

Se ele havia feito isso, era porque havia algum interesse por trás e se havia, não deixaria nada atrapalhá-lo, e tinha muito poder para isso.

Mas eu estava tão transtornada àquela altura que apenas andei para o lado com as pernas bambas e o pensamento longe, inexato.

— Amanhã você poderá ir para a sua nova residência, uma limusine virá lhe buscar. – Dr. Calisto informou. Parecia apenas estar interessado em cumprir seu trabalho e nem notou a minha expressão de inexatidão. – Agora preciso ir, com licença.

Ajeitou a gravata e saiu pela porta, sem mais delongas.

Caí sentada no sofá, desorientada.

Notas finais
Eita q notícia, hein?? kkkkkk até eu ia ficar desesperada, mais do q ela ficou xD
Comentem?
Beijocas, Anonymous girl writer s2.