Notas iniciais
Realmente eu sentia as coisas diferentes dentre mim e Baekhyun. Era como se aquele acidente que tivesse sofrido nos tornasse ainda mais ligados um ao outro, algo que eu não sabia explicar era como algo trágico pudesse se tornar tão favorável para nós dois. Um mês se fizera necessário para que fosse notável essa mudança em nosso relacionamento. Hyun finalmente decidira se assumir definitivamente para família, ou quase, quando na verdade ele apenas assumiu de vez mesmo para seus pais e viera morar comigo. Eu não o julgava, ainda mais quando se tornara favorável para mim a situação. Eu o tinha comigo a todo instante.
Ou quase.
Apesar de ter juntado suas coisas e ter vindo para meu apartamento, ele insistiu em arranjar um emprego para que me ajudasse a arcar com as despesas de onde, agora ambos, residíamos. Mesmo recebendo dinheiro mensalmente de meus pais, dava muito bem para conseguir pagar tudo o que eu considerava de fato necessário para nós. Mas infelizmente Baekhyun era teimoso e orgulhoso demais e não daria o braço a torcer em deixar que eu pagasse tudo para ele.
O orgulho era o de menos, o problema era ter que dividi-lo com o trabalho que parecia que sugava toda a energia dele e o deixava menos paciente e até menos desejoso de mim. Eu tinha minhas necessidades fisiológicas para com ele e por mais que fosse cuidadoso quando se tratava de Baekhyun, às vezes a necessidade falava mais alto e tinha vontade de prensá-lo na primeira parede que visse na minha frente e o fizesse meu naquele momento, mas quando o via chegar manhoso e cansado, todos esses meus pensamentos se esvaiam e eu percebia toda a fragilidade contida naquele ser humano.
Ele era como uma peça feita de mais delicada porcelana e eu era aquele colecionador que sempre tratava de deixar suas peças bem cuidadas, ainda mais quando se tratava de sua preferida, de seu formato, espessura e pinturas diferentes de quaisquer outra já vista no mundo. Era assim que me sentia em relação a ele. Hyun era a minha peça rara e preferida de todo o mundo, e seria impossível não demonstrar algum tipo de cuidado extremo com aquele ser que iluminava meus dias e me tornava uma das pessoas mais alegres existentes.
O bom era que toda vez que ele chegava em casa eu o estava esperando, fosse estudando para repor alguma matéria perdida ou que eu considerava um pouco difícil ou então assistindo TV no sofá. Mas fingindo estar assistindo, porque meus pensamentos estavam voltados para ele, a querer saber que horas ele chegaria, se chegaria bem e como teria sido seu dia no trabalho.
Era uma segunda-feira quando resolvi esperá-lo de uma maneira diferente. Havia saído um pouco antes dele chegar e fui a uma loja de aromatizantes próximo ao meu prédio. Comprei algumas pequenas velas com um cheiro um tanto quanto suaves e que considerei até exóticos. Assim que as comprei e que voltei ao apartamento, as coloquei em pontos estratégicos dentro do quarto, pus umas cobertas brancas sobre a cama e tirei minhas roupas, passando a ficar apenas vestido com a minha boxer vermelha, que sabia que Hyun gostaria, ainda mais quando ele sempre dizia que as cores escuras das minhas boxers contrastavam bem com minha pele e que me deixavam incrivelmente sexy.
Ao menos era o que ele alegava, a surpresa que ele obtivera durante a noite, foi a melhor, ainda mais quando fizemos um dos melhores sexos de nossa vida. Era incrível como Baekhyun sabia despertar meu lado mais selvagem.
Os dias se passaram e fazia questão de sempre alternar entre alguns dias os quais eu faria uma surpresa para ele a noite, no horário em que chegasse. Certa vez preparei um jantar especial para ele, com todas as suas comidas preferidas, apesar de tudo não queria que o romantismo sucumbisse aos poucos, ainda mais quando na maioria das vezes tudo acabava em sexo e me perguntava o porque de agora eu ser o pervertido da relação. Talvez eu ainda mantivesse um lado infantil perante Baekhyun e ele se mostrasse o lado mais maduro, visto que agora trabalhava e isso requeria dele um pouco mais de maturidade de sua parte.
E me orgulhava disso.
Saber que Hyun havia ganho responsabilidade me deixava bastante feliz por ele, isso provava que ele queria crescer como pessoa cada vez mais. Provava que estava disposto a enfrentar tudo o que tivesse a sua frente e que o que viesse acontecer ele. Eu o invejava por isso. Não é que eu não fosse capaz de tal coisa, mas ele fazia parecer tão fácil, se fosse levado em consideração que eu seria capaz de fazer de tudo por ele. Era engraçado como eu me sentia tão bobo por ser capaz de qualquer coisa por aquele ser que tanto amava e talvez por isso me peguei sorrindo.
Baekhyun acabou notando.
– Por que esse sorriso bobo? – Ele olhou pra mim sem entender através do espelho.
Estava se arrumando para uma festa da empresa que o obrigaram a ir. Trajava uma calça jeans preta, um tênis no mesmo tom, uma camisa cinza escura e uma jaqueta marrom de couro, juntamente com uma pulseira de prata que tinha alguns pingentes que eu nunca soube decifrar.
– Yeollie... – Ele miou mais uma vez. -... Me diz!
– É porque você está bonito demais. Não posso ficar babando pelo meu namorado?
Ele pareceu pensar por alguns instantes, indo até a beirada da cama, onde eu estava sentado e se encaixou entre minhas pernas, passando os braços em torno do meu pescoço.
– Pode sim! – Assentiu me dando um selinho. – Mas, além disso, eu queria que você fosse a festa, queria que você ficasse babando lá por mim.
– Você sabe que não gosto dessas coisas. Mas se diverte por nós dois e toma cuidado lá, sabe que tenho medo que se meta em alguma encrenca.
– Ok... Appa! – Fingiu estar bravo, mas logo riu e selou meus lábios mais uma vez. – Vou ficar só um pouquinho lá, não vai ter graça sem você.
– Tudo bem, amor. – Sorri passando o polegar em sua testa, tirando alguns fios de sua franja da frente de seus olhos. – Só aproveita enquanto estiver lá.
Ele apenas assentiu e me abraçou forte. Sussurrou algum tipo de “te espero mais tarde” e saiu do quarto com certa pressa já que estava atrasado. Eu não sabia o que iria fazer nas horas seguintes, já que era uma quinta-feira e mesmo tendo aula no dia seguinte eu pretendia esperá-lo. Meu instinto protetor sempre falava mais alto quando se tratava de Baekhyun. Mas no fundo alguma coisa me dizia que não seria bom deixá-lo ir aquela festa e pela primeira vez eu achei que seria melhor não empatá-lo de ir a tal lugar, pois percebia que ele necessitava de um pouquinho de distração.
Passava a maior parte do tempo dentro de casa e aquilo fazia parecer que ele se sentia um pouco incomodado de não podermos sairmos para muitos lugares ainda mais quando tínhamos a faculdade para nos preocupar. Baek já tinha superado sua fase “galinha”, mas eu ainda sentia que aquele seu lado estava vivo dentro de si, porém, de uma maneira mais contida, porque eu sabia que ele ainda tinha aqueles hábitos de ir a festas e tudo o mais, enquanto eu não fazia muita questão de ir a esses locais. Talvez fosse por isso que ele preferiu não insistir que fosse a festa juntamente a ele.
Sempre repensava nosso relacionamento. Não, não é porque queria que ele chegasse a acabar ou algo parecido. Mas ele me fazia repensar em como dois seres totalmente diferentes se davam tão bem juntos, em como completavam bem um ao outro. Nós dois éramos tão diferentes, mas ao mesmo tempo tão iguais, que sequer compreendia a sorte que tivera ao encontrá-lo.
Lembro-me da primeira vez em que nos vimos. Eu vinha do meu bloco de artes, e estava um tanto estressado perante a minha aula, o professor não havia gostado das minhas fotografias e aquilo havia me deixado insano. Elas estavam boas demais e parecia que aquilo não era o suficiente. Estava com os cabelos bagunçados e da frenética que havia mexido neles fiquei com um ar maluco, sem contar que minhas roupas estavam meio despojadas, eu sequer havia posto uma roupa decente. Então quando saí de lá, eu não olhava ao certo para onde ia e sem querer trombei em alguém, havia pensado até em xingar a pessoa por um erro meu, mas assim que pus meus olhos em quem havia batido, eu havia esquecido o porque da minha raiva e até mesmo do que estava fazendo.
Ao meu ver ele era a pessoa mais linda do mundo, continua sendo até hoje na realidade. Mas eu não negava que aquele sorriso dele logo após ter me desculpado havia me desconsertado. Todos os meus problemas se esvaíram e eu havia ficado sem jeito perante aquele ser tão belo. Engraçado como as coisas acontecem. Primeiro eu havia trombado nele no maior momento de raiva da minha vida para no instante seguinte estar conversando com ele como se nos conhecêssemos há tempos.
As coisas entre nós dois fluíram rapidamente, o que começou como uma amizade forte e verdadeira, tão logo se transformou em um namoro invejável. O jeito como eu tratava Baekhyun o fazia sentir a pessoa mais amada do mundo, não nego que sempre o tratei com o maior carinho do mundo. Afinal, ele era minha peça rara e todo cuidado era pouco. Algumas pessoas até já não acreditavam que na realidade ele havia mudado. Era outra pessoa vivendo em um mundo completamente diferente.
Eu gostava de ser a pessoa que modificara aquele ser. O que o tornava unicamente meu. Engraçado como às vezes meu lado egoísta surgia, mas eu fazia questão de escondê-lo ainda mais quando Hyun estava por perto não queria parecer um completo idiota na sua frente, se bem que eu não precisava de muito para ser assim perto dele. Eu era um idiota. Um idiota apaixonado e nada era capaz de mudar isso.
Ou talvez sim.
Já se passava das uma da manhã quando ouvi alguém batendo na porta do apartamento. Eram batidas sem ritmo algum e que pareciam sem jeito ao tocar naquela madeira. Saí do sofá – local que fui logo após a saída de Baek – e fui até a porta, ao abri-la me deparei com um Baekhyun totalmente bêbado, porque sequer conseguia andar direito ou me olhar na cara. Custei a acreditar que ele estava naquela situação e antes que ele caísse de encontro ao chão, passei o braço em volta de sua cintura e fechei a porta.
– Hyun, ta tudo bem? – Perguntei preocupado.
– Yeollie? É você? Nossa, você está tão bonito hoje...
Arqueei uma das sobrancelhas quando ele levou a mão até meu rosto apertando-o com vontade e rindo por aquilo. A situação dele não estava realmente boa.
– Yeollie... Por que ta olhando estranho pra mim? Hein? YEOLLIE!
Começou a cutucar minha bochecha como uma criança e então o pus no colo, levando-o em direção ao banheiro. Não adiantaria falar nada, até porque eu sabia que ele não poderia retrucar algo que eu chegasse a dizer, então só me restou mesmo levá-lo para tomar banho e amenizar sua situação. O pus no chão mais uma vez e levei minhas mãos até a barra de sua camiseta, tirando-a e jogando-a no chão de qualquer jeito.
– Vai tomar banho comigo é?
Ele sorriu malicioso e sequer falei nada. Aquela situação era engraçada, não me recordava de quando tinha o visto assim pela última vez. Mas lembro-me que era muito engraçado vê-lo bêbado, ele falava coisas totalmente sem sentido. Quando retirei sua camisa, pus as mãos dele em meu ombro e levei as minhas até o botão de sua calça abrindo-a e retirando-a juntamente com sua boxer branca.
Logo o arrastei para dentro do Box, abrindo o registro de água e deixando que aquele líquido um pouco gélido caísse sobre o corpo dele e o fizesse gemer baixinho por aquele contato. Peguei um sabonete e passei por todo o corpo pouco esguio pertencente ao outro. Até mesmo desse jeito meio debilitado, ele continuava bonito. Mas o estranho de tudo aquilo era que Baekhyun arfava de dor, toda vez que lhe tocava o tórax e tentava limpar ali. Aos poucos minha preocupação aumentava e aquilo não era um bom sinal.
Assim que tirei todo a espuma dele e vi que estava totalmente limpo, peguei a toalha e comecei a enxugá-lo brevemente e foi nesse momento que notei que seu tórax estava arranhado e com alguns pequenos hematomas em certos lugares. O que havia acontecido a ele? Mas não adiantaria perguntar, ainda mais que ele não me responderia de maneira plausível ou sequer responderia. Talvez ele tivesse entrado em alguma briga, algo que eu considerava difícil de acontecer.
Respirei fundo e enrolei a toalha na cintura dele.
– Consegue ir andando até o quarto, enquanto eu arrumo aqui?
Ele meneou a cabeça em negação e o pus no colo mais uma vez, levando-o até o quarto e assim que cheguei lá. O pus deitado na cama com o maior cuidado do mundo e ele deixou que um suspiro pesado lhe escapasse quando sentiu dor mais uma vez. Fui até o guarda-roupa e peguei a primeira boxer dele que vi pela frente e quando aproximei-me dele começando a colocá-la, eu esperava qualquer reação que fosse não a que ele demonstrou.
– SAI! SAI DAQUI! TIRA SUAS MÃOS DE MIM! TIRAAAAA!
Baekhyun se debatia, esperneava se livrando de mim. Ele chorava como uma criança, chorava de dor, chorava ao sentir minhas mãos lhe tocando. Encolheu-se na cama e levou as mãos até a cabeça repetindo aquelas palavras em meio ao choro que parecia não cessar. Pensei em tornar a encostar nele e acalmá-lo, mas preferi deixá-lo quieto e não piorar sua situação.
Respirei fundo e fui até o banheiro para juntar suas roupas já que ele ainda estava inquieto no quarto. Peguei sua blusa e quando peguei suas calças foi que percebi que havia umas gotas de sangue na boxer dele. Não pude deixar de engolir seco. Primeiro Baekhyun estava todo arranhado e machucado da cintura para cima e agora tinha sangue em suas vestes intimas. Eu não tinha noção do que havia acontecido a ele, mas sabia que coisa boa não havia sido.
Pus suas roupas no cesto de roupa suja e voltei ao quarto. Baek estava dormindo, havia finalmente ficado calmo, mas optei por não mexer com ele, simplesmente peguei a colcha e o cobri, vendo-o mexer-se apenas para pegar um pouco mais daquele tecido que o estava aquecendo. Não pretendia dormir na cama com ele naquela noite, temia que ele acordasse e tivesse outro surto como há minutos atrás. Sendo assim, fui para a sala e me deitei no sofá, encarando o teto como se alguma coisa pudesse iluminar aquela situação.
Preferia acreditar que tinha entrado numa briga até ver a sua boxer. Mas me veio outra possibilidade a mente, que eu torcia que não fosse verdade, que realmente não tivesse acontecido... Teria Baekhyun sido estuprado?
Eu torcia que não.
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