The Beast Youve Made Of Me
8 VIII
Notas iniciais
Não me lembrava o momento em exato que havia adormecido ou algo parecido, só o havia percebido quando a luz branca me doeu a vista quando abri os olhos com sofreguidão. Pisquei repetidas vezes para me situar aonde me encontrava, quando finalmente os abri verdadeiramente estranhei. Quando eu havia chegado em casa? E ainda mais... Quando eu havia vindo parar dentro do meu quarto e de Chanyeol? Levei minhas mãos até meus olhos, coçando-os, foi então quando sentir uma dor enorme me consumir o corpo, principalmente meu tórax.
Tirei o lençol que estava sobre mim e quando olhei para mim não acreditei. Lá estava eu todo arranhado e cheio de marcas roxas em meu corpo. O que aquilo significava? Yeollie e eu havíamos feito sexo selvagem na noite passada e eu sequer me lembrava? Quando olhei para o lado, ele não estava lá, então o que eu supôs não havia acontecido, porque se não ele estaria ali deitado do meu lado ou até mesmo me abraçando. Soltei um suspiro pesado e notei também que estava com uma toalha enrolada em minha cintura.
Tomei banho e caí aqui mesmo? Tantas perguntas rodeavam minha mente e eu sequer sabia as respostas devidas para cada uma delas. Mas o ponto principal era: por que eu estava todo machucado? Respirei fundo e tirei o lençol de cima de mim, ficando apenas com a toalha enrolada na cintura, mas vi uma boxer minha sobre a cama, a vesti ainda sentado sobre o móvel e tentei me levantar, porém caí sentado mais uma vez. Estava sentindo uma dor onde não deveria estar sentindo. Eu sentia uma dor descomunal por entre minhas nádegas e aquilo não indicava coisa boa, não mesmo.
Respirei fundo e engoli seco. Precisava encontrar Yeollie para me responder todas aquelas perguntas. Com muito esforço consegui levantar e até mesmo andar, pois tudo me doía, até o mais simples movimentar de músculos me causava uma dor descomunal. Saí caminhando devagar do quarto até a sala, pois se ele não havia dormido comigo pelo menos no sofá estaria. E dito e feito, lá estava o grandão espremido no sofá, praticamente dormindo em posição fetal, já que ele era grande demais para aquele pequeno móvel. Sorri de leve e caminhei até a frente dele, praticamente chorei ao que fiquei de cócoras e levei uma das mãos até os fios claros dele.
- Bom dia, Yeollie! – Falei baixinho ao que ele reagiu a minha carícia.
- Bom dia, Baekhyun.
Gelei e automaticamente minha mão parou na cabeça dele. Quando chamava por meu nome coisa boa não indicava e aquilo só queria dizer uma coisa: eu havia feito alguma merda noite passada. E provavelmente havia feito-o chorar, pois as olheiras lhe entregavam isso. Chanyeol desviou-se de minha mão e sentou-se no sofá, olhando para mim como se eu fosse capaz de explicar o que havia acontecido.
- Você chorou noite passada? – Ele nada disse, só permaneceu com seu olhar sobre mim. – Por que não dormiu comigo?
- Porque você estava ocupado demais se debatendo pedindo para que eu me afastasse de você e começou a chorar sem motivo algum.
- Eu fiz isso? – Minhas pálpebras abriram-se um pouco mais. – Eu pedi que você saísse de perto de mim?
- Você não lembra? Não lembra de ter entrado em casa bêbado, de eu ter te dado banho e de ter te posto na cama até você começar a gritar e espernear como se eu fosse abusar de você?
Meneei a cabeça em negação.
- Realmente não lembra? Ou prefere fingir que isso não aconteceu para parecer inocente na história?
- O que você quer dizer com isso?
- Que você pode muito bem ter tido o melhor sexo selvagem da sua vida e preferiu fingir-se de bêbado para que isso passasse despercebido e eu te perdoasse por seja lá o que você tivesse feito.
Não conseguia acreditar nas palavras que saíam da boca dele. O que havia acontecido para Chanyeol pensar aquilo de mim? O que havia acontecido para ele de repente passar a crer que eu havia voltado para a vida “promiscua” que tinha antes de conhecê-lo? Sentia meus olhos arderem e ficarem marejados. Estava prestes a chorar. Ergui-me do chão e passei a encarar o nada.
- Então é assim que você ainda me vê? Como alguém que ainda prefere ser de todos ao invés de um só? – Respirei fundo, as lágrimas já começavam a rolar por minha face. – Achava que depois de um ano e meio você acreditasse mesmo em mim. E acha mesmo que se eu fosse ter a melhor noite de sexo da minha vida eu iria te convidar para ir para o local que antecederia isso? – Olhei para ele, mesmo com as lágrimas caindo eu deixei que um sorriso sarcástico me adornasse os lábios. – Então quer dizer que ter me declarado para você, ter assumido minha homossexualidade para minha família, ter vindo morar com você não significou nada Chanyeol? Quer dizer que eu largaria tudo que construí com você até agora por uma simples noite?
Ele já me olhava apreensivo, a culpa tomando conta de si e já ameaçava levantar do sofá.
- Hyun... Eu não queria...
- Não queria ter dito isso? – Ele desviou o olhar e levei a mão até seu queixo, obrigando-o a voltar me olhar. – Olha pra mim! Olha as merdas que você está me dizendo. Veja o que você está fazendo agora. Não acha que é idiotice de sua parte achar que eu não serei mais seu? Acha mesmo que seria capaz disso Channie? Acha mesmo?
As lágrimas já desciam descontroladamente por meu rosto, não acreditava que essa era a primeira discussão que tínhamos, que ele seria capaz de desconfiar de mim depois de tanto tempo. Eu havia saído daquela vida inútil que tinha desde que o conheci, então o que o impedia de continuar acreditando em mim? O que o impedia?
- Hyunnie... – Ele miou antes de se aproximar e me abraçar de leve. -... Me desculpa!
Me limitei a recostar a cabeça em seu ombro e afundar o rosto na curvatura de seu pescoço, aspirando aquele perfume dele que tanto amava.
- Só não pensa assim de mim de novo, Yeollie. Isso machuca demais.
- Eu preferia pensar nisso do que na possibilidade de você ter sido estuprado. – Meu coração falhou uma batida. Então isso era o que devia ter acontecido. – Te ver todo machucado assim me deixou insano, ainda mais sem saber a origem de todo o problema, eu...
Ergui a cabeça e pus o dedo indicador em seus lábios.
- Sh... Não diz mais nada... O que importa é que eu estou bem agora e estou em seus braços. Logo a gente vê o que realmente aconteceu e vou tentar lembrar do ocorrido, mas por hora... Só cuida de mim ta?!
Ele assentiu e sorriu, desferindo um selar demorado em meus lábios que me fez estremecer ao mesmo tempo em que me fez sentir-me seguro por estar mais uma vez ao lado do Chanyeol protetor, não o acusador de minutos atrás.
Apesar de minha manhã ter sido consideravelmente boa, visto que Chanyeol ficou cuidando de mim e me tratando como seu boneco de porcelana, infelizmente precisava ir ao trabalho no período da tarde. Iria pela manhã, mas nosso chefe acabou por deixar que fossemos todos a tarde, pois todos estaríamos de ressaca do dia anterior. Mas eu temia ir. Temia que pudesse me julgar pelo que supostamente havia ocorrido. E se tivessem me visto sair com algum estranho e o mesmo tivesse abusado de mim lá na boate mesmo? E se todos fossem olhar para mim como se eu fosse a pessoa mais impura do mundo?
Tudo bem que estava acostumado com certos pensamentos sobre mim, mas aqueles definitivamente seriam capazes de acabar comigo em poucos segundos. Não me lembro quando cheguei a ter pensamentos tão parecidos a esses, mas de alguma forma eles me faziam sentir-me estranho e talvez aquilo não indicasse coisa boa. Deixei que um suspiro pesado me escapasse dos lábios ao que me olhava no espelho e observava as marcas em meu tórax antes de abotoar a camisa.
Meus dedos passeavam por cada arranhão que havia virado pequenas casquinhas de feridas e as marcas roxas que ficavam cada vez mais escuras. Sentia meus olhos começarem a arder mais uma vez naquele dia e as lágrimas desciam de maneira calma sobre meu rosto. Yeollie parecia ter percebido minha demora ao me trocar e voltou ao quarto, sabia disso porque o via pelo reflexo do espelho. Logo ele se aproximou ficando entre mim e o espelho, me deixando sem visão alguma de mim.
Abaixei meu olhar, me recusava a encará-lo depois de tudo. Sentia-me sujo, apesar de a culpa não ser minha... ou talvez fosse. Sequer sabia o que tinha acontecido e me culpava. Estranho isso não? Na verdade, eu não considerava como algo estranho, ainda mais que com o passado tenebroso que eu tinha, o que viesse acontecer eu mesmo nem chegaria a duvidar. E poderia ser por isso que nós dois tivéssemos brigado mais cedo. As coisas me pareciam tão difíceis no momento.
Chanyeol levou ambas as mãos até meu rosto, segurando-o levemente ao que secava as lágrimas com o seu polegar e dava um daqueles seus sorrisos maravilhosos.
- Ei, não chora. Vai dar tudo certo, vai ficar tudo bem. – Me limitei a olhar para ele. – Você acredita em mim, certo?!
Apenas assenti com a cabeça levemente.
- Então se eu estou dizendo que vai ficar tudo bem, é porque vai.
Ele falou com uma criança convencida e não pude deixar de sorrir pequeno. Tão logo suas mãos estavam nos botões de minha camisa, começando a abotoá-la até o fim. Naquele momento em senti como uma criança incapacitada de fazer algo sozinha, mas eu gostava quando Yeollie me tratava assim, sempre se mostrando a pessoa mais preocupada do mundo. Ele sabia como ser mãe e pai ao mesmo tempo, desse filho sem juízo que era dele e apenas dele.
E talvez fosse esse lado meio paterno de Chanyeol que o fez me levar até o trabalho. Sua preocupação era tamanha que fizera questão de me levar até lá. Tínhamos sorte de meu trabalho não ser tão distante de onde nós residíamos, por isso tornava mais fácil a nossa ida até lá e até mais rápida. Aquela rapidez era que eu queria evitar, por mais que precisasse chegar cedo ao trabalho eu queria muito poder ficar longe dele naquelas horas, preferia ficar em casa e levar a maior falta do mundo do que ter que encarar todos a minha volta.
Mas eu precisava agir como alguém que seria capaz de enfrentar qualquer coisa que encontrasse na minha frente, na minha vida. Pretendia ser assim, mas me parecia tão difícil de executar tal atividade naquele momento que sentia até mesmo minhas pernas fraquejarem com isso. Deixei que um suspiro fundo me escapasse dos lábios e Chanyeol percebeu, por isso acabou por passar o braço em torno dos meus ombros como se aumentasse ainda mais aquele momento de proteção que ele gostava de me garantir.
Não pude deixar de levar uma de minhas mãos até a dele que ficara suspensa ao que me abraçou, entrelacei nossos dedos e deixei que um sorriso leve se fizesse presente em meus lábios. De alguma forma eu me sentia seguro ali nos braços dele, e só ele era capaz da ser minha fortaleza, meu lar. Sequer entendia como era bom estar ao lado dele, como era bom ser só dele. Era algo tão inexplicavelmente bom.
Pena que essa sensação logo foi embora. Havíamos chegado à porta da empresa e meu sorriso se desfez junto com toda aquela sensação boa de segundos, minutos atrás. Respirei fundo e deixei que minhas bochechas inflassem o que ocasionou uma risada engraçada de Chanyeol e eu com meu instinto de criança mimada deixei que um bico se formasse nos lábios.
- Não se preocupe, mais tarde eu venho buscar você!
- Vem mesmo?
Ele apenas assentiu e se soltou de mim, mas antes me deu um beijo na testa e leve selar nos lábios antes de fazer o caminho de volta o qual outrora andávamos. É, eu estava sozinho mais uma vez a partir daquele momento. Um suspiro pesado me escapou e logo me vi atravessando sem jeito aquela porta. Eu não sabia explicar, mas tinha a leve sensação de que todos os olhares se focavam em mim. Por me sentir tão sujo, eu sentia que todos sabiam do que eu havia feito. Era a pior sensação que o ser humano pode ter e por incrível que pareça era minha primeira vez a senti-la, e não era algo que queria lembrar para meu futuro, mas sabia que deixaria seqüelas, que ficaria marcado sempre em minha mente.
Seria eu capaz de esquecer-me de tais coisas? Ou simplesmente as lembrarias para todo o sempre? Eu preferia esquecer algo que simplesmente não fazia questão de lembrar, mas só havia uma coisa que realmente queria. Era só saber quem foi o maldito que havia feito aquilo comigo, quem havia me tocado daquele pior jeito que poderia ser feito.
Precisava naquele momento apenas concentrar-me em ser simpático com quem viesse a falar comigo e não parecesse tão desesperado por algum tipo de resposta para com o que havia acontecido comigo. Tinha vontade de perguntar para todo mundo se eu havia saído com alguém depois e se haviam visto com quem era. Mas perguntar tal coisa estava fora de cogitação, soaria como se eu fosse um bêbado qualquer que escolheu a primeira pessoa a minha frente para sair e transar, essa era a última coisa que queria que pensassem de mim.
Porém, eu acreditava que alguém realmente pudesse me responder aquilo e não me julgasse pelo o que eu possivelmente tivesse feito, na verdade, eu queria que as coisas soassem como uma pessoa sem rumo e sem saber ao certo para onde ia. Só havia uma pessoa que me sentia apto a fazer esse tipo de questionamento e que possivelmente não me trataria como um lixo.
Era Jiyong.
Por incrível que pareça minha chefe, era uma pessoa que eu sentia que podia confiar de alguma forma. Mesmo sendo estranha toda essa situação, perguntar a ela não ia cairia mal. Talvez fosse esse o motivo que me levasse a ela, visto que ela não estava tão longe de mim. Em poucos instantes lá estava eu do lado dela.
- Boa tarde, Jiyong sunbaenim! – Tentei parecer calmo.
- Ah, boa tarde, Baekhyunsshi! Como você está?
- Estou bem, sunbaenim. – Suspirei baixinho. – Posso te fazer uma pergunta?
- Claro, por que não? – Ela sorriu simpática.
- Por acaso ontem a noite, você se lembra de ter me visto sair com alguém?
- Hm... Se não me engano você saiu com um menino... Mas quem era eu sequer me lembro.
- Ah sim... Obrigado mesmo assim!
Curvei-me em agradecimento e ela apenas limitou-se a sorrir. Bom, eu havia saído com alguém. Alguém esse que sequer me lembro e que era um menino isso era óbvio, ou então havia saído com uma garota que tenha fetiche em brincar com um vibrador na entrada alheia, porque seria uma explicação até viável, ou não.
Meneei a cabeça para os lados para distrair-me de pensamentos ridículos, coisa que não se torna rara apesar da situação complicada pela qual estava passando. Assim que saí de perto de Jiyong, fui finalmente para minha mesa, sentei em minha cadeira e deixei-me escorregar nela ao que esperava o primeiro dos poucos clientes que foram a minha mesa naquele dia.
Atendia a todos que vieram de uma maneira calma e gentil como sempre cuidei de cada um que passava ali em minha mesa. Poderia até me considerar um ator devido a como eu sabia disfarçar tudo o que estava passando e sequer demonstrava algum traço de tristeza ou até mesmo sofrimento para com as ultimas horas. É, eu havia aprendido como controlar sentimentos e ocultar alguns. Estava me tornando um tanto quanto expert nesse assunto.
Mas o que mais me deixava a pensar naqueles últimos instantes foi que teve uma pessoa que sequer passou por minha mesa, sequer tentou me cantar ou até mesmo voar em cima de mim para me beijar...
... Kai não ousou passar por mim em momento algum.
Ele não me cantou, não deu em cima de mim, não ousou falar meu nome de maneira erótica como tinha feito desde que chegou. Alguma coisa estava errada ali. Se ele sempre que podia estava passando e parando na minha mesa, o que havia de errado então? Foi aí que parei para realmente pensar em tudo o que havia acontecido. Eu tinha três fatos até então.
Primeiro: Eu havia sido estuprado; Segundo: Havia sido por um garoto; Terceiro: Kai sequer ousou falar comigo naquela tarde.
Isso só significava que havia sido ele quem havia feito tudo aquilo. Apesar de não ter provas, tudo indicava que era tudo culpa dele. Algo me dizia que ele havia planejado aquilo de tempos, ainda mais quando eu era a pessoa que mais o ignorava ali dentro. Jongin me parecia que era daquelas pessoas que só descansava quando tinha o que queria. Eu era o prêmio que ele jamais iria ter, mas precisou de um descuido meu para que ele me fizesse dele.
Argh, e pensar que aquela criatura desprezível encostara em mim. Aquilo me enojava, me deixava atordoado e nem cogitava a possibilidade de encarar aquele mentecapto, porque se o fizesse... das duas uma: ou espancava-o até a morte ou o assassinava de primeira.
Mas eu esperava que tudo fosse apenas uma mera coincidência.
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