Aos poucos eu começava a conciliar trabalho com a faculdade e meu pouco tempo com Chanyeol. Tudo estava ficando propício para que eu me unisse mais ele. O bom era que com o salário que recebia e que juntava, sentia que estávamos cada vez mais perto do nosso carro e de um novo modo de viver, assim eu esperava. Ele queria ver se também arranjava um emprego para que eu não arcasse com tudo sozinho. Mas o problema era: se ele trabalhasse, eu ficaria sem meu tempo junto dele.

Sim, eu era egoísta.

Egoísta por querer ter aquele homem só pra mim e que ele não fosse capaz de dividir seu tempo com ninguém. Eu era assim e não deveria me orgulhar muito. Mas venhamos e convenhamos, Chanyeol com seu jeito perfeito de ser... Qual era o ser humano capaz de deixá-lo perambulando por aí? Nenhum, ao menos em sã consciência. Nem no meu momento mais insano eu seria capaz de largá-lo, só me sentia apto a isso quando fazia as maiores burradas da minha vida, ou seja, nos momentos em que arranjava namoradas falsas, em que me negava a assumir minha homossexualidade e a pior de todas, que considerava, mentir para ele quando as coisas não estavam indo bem.

E foi exatamente quando um novato entrou no emprego que as coisas passaram a mudar um pouco.

Era uma segunda-feira um tanto quanto chata, afinal o primeiro dia da semana é o mais irritante. Tinha almoçado com Yeollie e me arrumei rapidamente para não me atrasar para o trabalho ainda mais quando era no horário da tarde e eu não pretendia nunca chegar atrasado principalmente quando poderia ser descontado do meu salário. A única coisa boa era minha gerente que era um amor de pessoa e que dizia que pelo fato de eu estar estudando os atrasos eram apenas conseqüência, então aliviaria por algumas vezes. Mas só algumas vezes.

Havia chegado consideravelmente cedo ou quase, só uns minutos antes da hora de bater o ponto. Cheguei até sorridente já que tinha tido tempo para almoçar com meu amado e que tinha alguns minutos sobrando para descansar antes do verdadeiro trabalho começar. Se bem que não era algo muito grandioso, visto que eu trabalhava em uma das empresas de viagem mais requisitada de Seul. Jiyong, minha gerente, dizia que eu era um pequeno prodígio ali, pois era o mais requisitado em relação ao atendimento, porque era bastante atencioso com as pessoas e sabia como tratá-las muito bem.

Isso era algo que eu aprendi com Chanyeol. A ser uma pessoa boa com as outras.

E era minha nova realidade: ser uma pessoa legal com as outras, visto que antigamente eu era um poço de ignorância com quem conhecia ou alguém que ousava chegar perto de mim. Torno a repetir que Yeollie foi a pessoa que mais me influenciou a ser quem sou hoje e até me sinto orgulhoso desse novo eu meu. Mas me via obrigado às vezes a exercer excessivamente esse meu lado meigo e gentil ainda mais quando surgiam pessoas novas no emprego. O que era coisa rara ainda mais quando Jiyong dissera que eu era o último novato a adentrar ali e que não se viam aptos a ter mais uma nova pessoa.

Era mentira.

Pela porta adentrou um rapaz pouco mais alto que eu, com cabelos negros erguidos em um pequeno topete, uns trajes um tanto quanto diferentes. Usava uma calça jeans escura, uma camisa cinza colada ao corpo com alguns desenhos aleatórios no centro e um sobretudo de lã que caía bem em seu tom de pele, que ao meu ver era da cor do pecado. Aquele garoto exalava cheiro de perigo, eu podia sentir isso e algo me dizia que era melhor ficar longe dele, ou se me aproximasse que ficasse em uma distância considerável. Precisava tomar o maior cuidado possível com ele.

Jiyong chamou a todos ali presentes, me recusava a levantar daquela cadeira e sair da frente da tela de meu computador, porém era a chefe me mandando ir junto então não poderia retrucar absolutamente nada. Ela explicou que ele seria o mais novo rapaz da administração e que mesmo ficando longe de nós do atendimento direto ao cliente, ele tinha passe livre para ficar andando por entre os locais e que nós cuidássemos dele para que se sentisse em casa. Preferia que alguém cuidasse de mim a cuidar dele. Precisava urgentemente de um anjo da guarda. Porém, eu não entendia esse meu estranho medo de estar perto dele, mas se sentia isso que prevenisse logo.

Assim que todos foram devidamente apresentados, cada um foi para seu lugar e me deixei sentar na minha cadeira mais uma vez, a espera de algum cliente que viria a se seguir. Não tardou muito para que um casal de senhores, muito simpático por sinal viesse a sentar-se em minha mesa. Eles queriam viajar para o Japão, uma nova cultura, conhecer outro país e pelo que entendi haviam planejado aquilo há tempos para suas bodas de ouro. Era tão belo ver que algumas pessoas ainda permaneciam tanto tempo unidas, juntas. Não pude deixar de sorrir a todo instante que me via conversando com aquele casal e que eles finalmente realizariam seus sonhos. A Senhora Shin que era a esposa, me agradeceu muito e praticamente me encheu de beijos ao saber que tudo daria certo para ela e o marido. Os saíram felizes demais e aquela felicidade deles me contagiou tanto que foi quase impossível tirar meu sorriso dos lábios.

- Por que tamanha felicidade? – Aquela voz não me era tão estranha assim.

- O que? – Limitei-me a virar a face, desfazendo-me um pouco do sorriso.

- Nada demais... – Ele foi para minha frente e sentou-se na cadeira que antes era ocupada pelo Sr. Shin. -... Sou Kim JongIn, o novo funcionário daqui, mas pode me chamar de Kai.

- Eu sei disso, estava na reunião na hora que você chegou.

- E você é...?

- Byun Baekhyun. Mas me limito a apelidos, então apenas chame de Baekhyun.

Dei um sorriso amigável, não sei, mas algo me impedia de ser realmente simpático com ele.

-Ok, Baekhyun. Qualquer coisa, sabe onde me encontrar.

Ao sair deu uma piscadela para mim, era impressão minha ou o novato queria me seduzir? Fiquei observando-o abismado, sem entender o que havia se passado nos poucos instantes anteriores. Agora eu estava feito... Tinha um ser que se achava o tal no trabalho e que tentava me levar para outro caminho. Bati com a mão na testa de leve como se fosse me libertar daqueles pensamentos e da vontade de espancar aquele garoto.

Quem ele pensava que era? Um dia, só um dia e já queria ser o garanhão do local? Eu admito, ele era bonito e tudo o mais, mas nada justificava aquele jeito de “sou pegador” de JongIn. Me negava a acreditar nas atitudes daquele ser, e como se não bastasse ele ainda ficou dando em cima das garotas com um sorriso que... Pff... Era quase tão devastador quanto o de SuHo, o único problema é que no sorriso de Kai reinava malícia, um algo a mais.

E aquela criança parecia que precisava de um belo conserto.

Suspirei pesado, pelo menos a tarde havia passado rapidamente e já escurecia, só me restava ir para casa. Despedi-me de todos ali presentes, arrumei minhas coisas e fui andando calmamente até em casa. Tinha certeza de que quando chegasse, Yeollie estaria estudando ou me esperando deitado no sofá assistindo TV como sempre fazia. Ele sim fazia todo o cansaço do meu dia sumir, quando eu o olhava e via aquele belo sorriso que me derretia. Eu era o ser humano mais sortudo do planeta por tê-lo ao meu lado.

Ah, as coisas eram tão boas quando estávamos juntos que eu me esquecia do mundo, me esquecia de tudo que me amedrontava, que me deixava estranho. Ele era meu portal para um mundo totalmente diferente, um mundo só nosso e quando entrava nele não sentia vontade alguma de sair. Me peguei sorrindo com isso e nem percebi quando havia chegado em frente ao prédio do apartamento. Logo, corri para o elevador aproveitando que ele estava aberto, ri um pouco alto porque quase fico preso na porta, cheguei bem nos últimos instantes. Apertei o botão de nosso andar e comecei a cantarolar uma música qualquer ao que arrumava os fios de cabelo meu que estavam bagunçados.

Assim que cheguei, peguei minhas chaves no bolso traseiro da calça e abri a porta.

- AMOR! Cheguei!

Falei em um tom alto para que ele escutasse, mas não obtive nenhuma resposta. A TV estava desligada, então isso implicaria dizer que ele não estava deitado no sofá, ou era capaz de estar dormindo, mas mesmo assim me aproximei do estofado para garantir que ele não estava ali e realmente não estava. Suspirei pesado. Fui até a cozinha e nada também, só me restava no quarto.

- Yeollie...

Quando pensei em chamá-lo mais uma vez fiquei boquiaberto com a cena que presenciei. A iluminação do quarto estava baixa, só haviam umas velas iluminando-o parcialmente e lá estava Chanyeol deitado na cama, me esperando apenas com o lençol lhe cobrindo a cintura e aquilo só queria dizer uma coisa:

Minha noite só estava prestes a começar.

Notas finais
E de novo e de novo. Obrigada por quem deixa review, quem favoritou e quem acompanha. ♥