Eu estava na casa de Chanyeol, algo que se tornou comum, afinal éramos namorados e sempre que podia, passava certo tempo em seu apartamento. Fazia quase três dias que estava ali. Pais normais ligariam perguntando quando chegaria em casa. Diferente dos comuns, os meus nem reparavam se eu saía de casa, quando voltava, com quem estava ou que estava fazendo. Mas e daí? A liberdade que eu tinha com as coisas se tornavam de fato interessantes.
Engraçado como tudo acontecia. Antes eu não tinha ninguém próximo a mim, normalmente as pessoas se afastavam facilmente. Talvez eu fosse chamativo demais ou escandaloso demais, nunca parei para descobrir. Era até um pouco mais hiperativo que outras pessoas da minha idade, mas isso não impedia as pessoas de se aproximar de mim, certo?!
Errado.
O simples fato de você ser uma pessoa hiperativa, os outros pensam que não podem lidar consigo e aquilo me deixava enraivecido. Me dava nos nervos saber que eles encaravam isso como uma doença e que não podiam ficar perto de mim porque poderia lhes causar problemas. Eu tinha cara de meliante? Eu tinha cara de quem saía matando os outros ou usava drogas? Tenha dó.
Uma das poucas pessoas que cuidavam bem de mim e que sabiam como me aturar, era SuHo. Ele estudava comigo, mas só comecei a falar com ele na metade do ano. Não vou mentir... Mas eu tinha uma queda por ele. Era uma pessoa cativante, com um sorriso capaz de derreter qualquer cristão que ousasse olhar para ele e ainda mais um grande amigo. Tentei investir nele algumas vezes, por sinal a maioria muito falha. Até que conheci Chanyeol, um típico aluno de artes, com um jeito quase tão encantador quanto SuHo, mas diferente do último citado, Yeollie prendeu minha atenção no instante em que o vi.
Com aquele jeitinho desleixado dele e com uma aparência meio louquinha, ele soube muito bem como me encantar, e por incrível que pareça, ele tinha quase o mesmo “problema” que eu. Sua hiperatividade reinava quase tanto quanto a minha, e eu gostava disso, não me sentia mais só. Tanto é que depois de certo tempo que passamos a conversar, passamos a sair e então, chegamos onde estamos hoje. Juntos, de um jeito só nosso, único e especial.
Agora nos encontrávamos na sala da casa de Chanyeol, em meio ao monte de livros e papéis. As provas estavam chegando e sempre fomos alunos dedicados, mesmo as vezes eu me distraindo muito fácil com qualquer barulho ou movimento. Yeollie estava no sofá relendo algum livro sobre algum artista que eu não fazia questão de saber, estava tentando me concentrar no livro que eu quase comia com os olhos de tanto reler. Minha cabeça já começava a doer de tanto forçar os olhos de reler o mesmo parágrafo. Um suspiro cansado escapou dos meus lábios e fechei os olhos com força, levando as mãos ao rosto. Larguei as mãos sobre o livro e outro suspiro se fez presente. Finalmente abri os olhos, resolvendo me perder um pouco na face do outro que sequer notara meu olhar sobre ele de tanto que devia ser interessante aquele livro. E certamente aquela caneta que ele mordia, era interessante até demais... Para mim, claro.
O jeito que seus lábios se curvavam ao morder aquele plástico, o movimento breve e rasteiro que sua língua fazia naquele pequeno pedaço que se encontrava em sua cavidade bucal. Ah, até com os mais simples e involuntários movimentos, ele me fazia suspirar e desejar seu corpo. Por que até sem querer ele conseguia me deixar desejando-o? Com tão pouco, eu já sentia uma pontada em meu baixo ventre. Aish, só ele pra me deixar de tal jeito.
Ergui-me da cadeira da mesa que havia ali próximo e fui até o sofá, sentando-me no espaço vazio ao seu lado. Ele apenas lançou-me um sorrisinho amistoso antes de tornar a se concentrar naquele livro. Limitei-me a sorrir. Eu não queria só um sorriso, eu queria algo mais, bem mais. Aproximei meu rosto da curvatura de seu pescoço. Ah, aquela pele alva que eu tanto adorava e aquele cheiro tão viciante que só ele tinha. Respirei profundamente, deixando que seu cheiro invadisse meus pulmões e logo tratei de desferir alguns selares ali. Eu podia sentir seus pelos se eriçarem levemente e ele contrair-se um pouco.
As coisas estavam surtindo efeito. Mas ele pareceu querer ignorar aquilo. Permaneci a desferir os selares em seu pescoço e vez ou outra acabava mordendo o local levemente. Até que ele resolveu se pronunciar.
– Você devia estar estudando! – Virou-se pra mim minimamente, afastando-se um pouco.
Mas isso ainda não queria dizer que eu havia desistido de ter o que eu queria. Não... Ele faria o que eu queria, a todo o custo. Aproximei-me novamente e retomei os beijos que dava em seu pescoço e então deixei que uma de minhas mãos descesse por toda a extensão de seu braço e acabasse descendo até a barra de sua camiseta. Prendendo o tecido por entre os dedos e erguendo-a suavemente, para que então pudesse ter um contato direto com a pele de seu abdômen. Gostava quando seus músculos se contraíam debaixo de meus dígitos.
Passei a arranhar de leve ali. Era mais um de seus locais sensíveis e adorava cada sensação que causava a ele. E quando o fazia, surtia um efeito que eu adorava demais. Porque normalmente as coisas acabavam em sexo. E isso era bom, bom demais. As sensações que eu causava a ele e vice-versa, eram tão boas e deleitosas. Mas o ruim daquele momento, era que ele estava se mostrando calmo, calmo até demais. Desci minha mão de seu abdômen até a borda de sua calça e podia sentir que sua respiração havia falhado um pouco.
– Hyun, agora não!
Como assim “agora não”? Primeiro fica me seduzindo com aquela maldita caneta na boca, me deixa totalmente excitado só de pensar no trabalho que aquela boca podia realizar e ainda diz: “agora não”? A vontade que eu tinha era de esmurrá-lo e dizer que aquela sim era hora. Estava necessitado dele, precisava senti-lo e aquilo me consumia aos poucos. Mas ele não queria ter autocontrole? Então que o mesmo fosse para o espaço.
Sentei-me pouco mais afastado dele, me recostando no braço do sofá. A ereção recém-formada entregava minha posição naquele momento e eu pretendia usar isso ao meu favor. Levei uma de minhas mãos até a minha calça, apertando meu membro ainda que por cima do jeans e gemi baixo, mas o suficiente para que ele pudesse escutar. Parecia que não era o suficiente, o que o impedia de tirar a atenção daquele maldito livro? Situações drásticas, requerem medidas drásticas.
Minha boxer já me incomodava o suficiente e acabei abrindo o botão da calça, abaixando-a um pouco, junto com minha vestimenta intima, libertando meu membro. Um suspiro baixo me escapou dos lábios e envolvi-o com uma das mãos, um gemido pouco mais alto me escapou. Passei o polegar de leve pela glande, antes de finalmente começar a me masturbar. Eram movimentos lentos, mas intensos, e finalmente tive a atenção queria para mim. Chanyeol me olhava assustado, até parece que nunca me viu numa situação dessas. E de repente, pareceu que faltou ar em seus pulmões.
– H-hyun... Para!
Não, eu não pararia. Só estava começando. Aumentei os movimentos, e mais gemidos escapavam de meus lábios. Porém, era apenas seu nome que saíam deles. Sim, eu adorava aquela visão temerosa que ele tinha sobre mim. Parecia tentar se controlar ainda mais para não me agarrar ali mesmo. E o que o impedia de fazer isso? Nada, só aquele maldito autocontrole. Sendo assim, preferia provocar mais e mais. Continuei a soltar mais e mais gemidos e sentia que poderia chegar ao ápice a qualquer momento.
– P-por favor, para com isso!
– Se você não me ajudar... Vou ter que acabar terminando isso sozinho.
Eu queria que minha voz soasse manhosa, mas naquele momento não dava pra fazer nada mais do que falar com a voz mais rouca que poderia soar naquele instante. Um sorriso malicioso e ao mesmo tempo alegre me adornou os lábios quando ele jogara o livro longe e murmurou algo como um “dane-se”. Aproximou-se de mim mais uma vez, porém, para terminar de arrancar minhas vestimentas: a calça e a boxer, deixando-me nu da cintura pra baixo. Puxou-me pela cintura, sentando-me em seu colo e eu já podia sentir seu membro rijo sob mim. Então o autocontrole era só um disfarce? Bom saber. Tão logo a minha camisa fora jogada longe e por alguns míseros segundos senti vergonha. Era a primeira vez que eu era o único a ficar completamente nu, enquanto ele estava ali completamente vestido.
Não demorou muito para que arrancasse sua blusa fora com pressa e tomasse seus lábios com tanta avidez quanto a que joguei aquele pano longe. A mão dele se direcionou ao meu membro que ainda latejava por algum tipo de atenção e ao sentir sua mão quente envolvê-lo, não pude deixar de soltar um gemido que fora abafado por seus lábios. Ele iniciou uns pequenos movimentos de vai e vem, antes de começar a alguns em intervalos maiores e intensos. Não conseguia mais beijá-lo, os gemidos saíam involuntariamente e ele mordia meu lábio inferior.
– Não era isso que você queria, pequeno? – Sua voz saiu ainda mais rouca que o normal, me causando arrepios.
– Sim... e... não... – Minha fala saía entrecortada, estava à beira de um orgasmo. Como conseguir raciocinar em tal situação? -... Para de provocar, Yeollie.
– Mas não era essa sua vontade...? – Ele sabia me tirar do sério.
– Porra, Yeol. Eu preciso de você dentro de mim, preciso te sentir. Por favor, Yeollie!
Normalmente eu não implorava ou se quer pedia com educação nesses momentos, mas eu estava tão extasiado, tão fora de mim que ainda nem acreditava que aquele pedido havia saído de minha boca. Yeollie parecia querer acabar com aquela tortura quase tão rápido quanto eu. Levei minhas mãos um pouco tremulas até o botão de sua calça, abrindo-o e tão rapidamente puxando o zíper. Ergui-me do colo dele, só para que pudesse retirar os últimos panos que me impediam de tê-lo dentro de mim. Assim que arranquei suas roupas e vi seu membro liberto, quase que automaticamente passei a língua sobre meus lábios, demonstrando o quanto desejava-o e ele parecia sentir o mesmo, e até parecia mais apressado que eu, pois me puxou pelos pulsos, fazendo-me sentar em seu colo novamente, mas com seu membro roçando em minhas nádegas.
Não pude deixar de soltar um suspiro baixo, seguido de um gemido. Eu precisava dele logo, mas provocar um pouquinho não era ruim, certo?! Passei a rebolar em seu colo de leve e a cada vez que o fazia, Yeollie me olhava de um jeito que era capaz de me devorar ali mesmo, sem se importar com qualquer conseqüência que viesse a ocorrer. Mas eu o conhecia bem para saber que ele não seria capaz de me machucar em momento algum. E eu percebi isso quando ele trouxe seus dedos até meus lábios, para que pudesse chupá-los e ele me preparasse para o que estava por vir. Eu não queria esperar mais e talvez por isso acabei afastando sua mão de minha boca e neguei, ele me olhou com uma expressão preocupada.
– Mas Hyun... não quero te machucar... – Tão fofo quando se preocupava comigo.
– Shh... – Pus meu indicador em seus lábios. -... Vai ficar tudo bem.
Ele engoliu seco e eu tive que imitar seu ato, mas quis parecer mais descontraído. É claro que não iria ficar tudo tão bem, por mais que já estivesse acostumado, a dor era uma conseqüência daquele prazer imenso e mais do que ninguém eu sabia disso. Yeollie segurou seu membro e posicionou-o em minha entrada ainda receoso. O que ele menos queria era me machucar, mas eu não o julgava, alguém teria que se manter são naquela situação.
Assim que senti a glande tocar-me e roçar levemente, um gemido baixo me escapou dos lábios. Aos poucos ele ia me penetrando e já começava a sentir algumas dores muito incomodas, mas essas ainda eram pequenas comparadas as próximas que estariam por vir. Por que ele tinha que ser tão grosso? Suspirei pesadamente e passei a fitar os olhos preocupados dele, dei um meio sorriso e como queria aquilo logo, desci de uma vez em seu membro. Era uma dor descomunal que eu sentia, parecia que estavam me rasgando e involuntariamente um gemido de dor me escapou, deixando Yeollie ainda mais preocupado.
Ele segurou meu queixo e aproximou seus lábios do meu, me dando um beijo calmo e tratei de me concentrar apenas ali. Isso sempre era uma maneira dele de me fazer esquecer aquelas dores e por incrível que pareça sempre funcionava. Eu sempre me esquecia das coisas quando tinhas os lábios dele sobre os meus.
Já sentia as dores passando e comecei a rebolar sobre seu membro, e pude ouvir um gemido baixo que ele soltou por entre nosso beijo. Separei nossos lábios e pus minhas mãos em seus ombros, pegando certo apoio ali e comecei a cavalgar em seu colo. Como era bom tê-lo dentro de mim, era uma sensação tão inexplicável. Ele levou suas mãos até minha cintura, me ajudando naquela movimentação que era tão boa para ambos. Gemidos escapavam dos lábios de ambos e normalmente eram os nomes um do outro que saíam, o que nos instigava ainda mais a continuar.
Aquela posição parecia que não era tão boa para ele, pois acabou me retirando de cima de si e me deitando no sofá. Algo me dizia que as coisas estavam por melhorar. Yeollie pôs minhas pernas sobre seus ombros e tornou a me penetrar. Sua movimentação agora estava muito melhor e agora os gemidos escapavam loucamente de meus lábios, não tinha noção do que estava falando, mas quem se importava?
Suas estocadas eram intensas, profundas, o que me arrancava mais gemidos altos. Até que ele me atingiu no meu ponto sensível, não pude deixar de urrar de prazer e ver na face dele uma expressão vitoriosa por ter acertado ali. Passou a investir cada vez mais naquele ponto e logo uma das suas mãos fora levada ao meu membro que outrora fora esquecido. Me masturbava na mesma intensidade de suas estocadas e a sanidade que eu poderia ter em algum momento foi embora. Gemia loucamente, quase como uma vadia que estava tendo o melhor sexo de sua vida. E aquilo soava como música para os ouvidos dele. Eu sentia que estava chegando ao ápice e acabei gozando em seu abdômen, sujando não só ali como também a sua mão. Ele levou a mesma até os lábios, lambendo cada gota que ali tinha ficado, porém, um pequeno filete havia ficado no canto de seus lábios e eu não pude deixar de gemer baixinho com aquela cena mais do que erótica.
Com o pouco de força que ainda me restava, chamei-o para mim e Yeollie curvou-se para frente. Assim que seu rosto se aproximou do meu, eu passei a ponta da língua desde seu queixo até o canto de seus lábios, capturando aquele filete e tão logo beijando seus lábios que tinham meu gosto impregnado neles. Ah, se ele soubesse o quanto eu gostava quando ele fazia isso comigo. Em momento algum ele parou as estocadas e chegou em um momento que começou a aumentar a velocidade e intensidade das mesmas, que eu sentia que poderia ter um segundo orgasmo. Ele me acertava naquele ponto diversas vezes, até que senti seu líquido quente me preencher e ele dar mais algumas estocadas, para finalmente sair de mim.
Estávamos suados, ofegantes e eu sorria vitorioso porque havia finalmente tirado-o daquela prisão que havia criado com aquele livro. Ajeitei-me no sofá, me deitando de lado e ele fez o mesmo, deitando-se atrás de mim e logo envolvendo minha cintura com seus braços e puxando-me para si. Yeollie escondeu seu rosto da curva do meu pescoço, me causando arrepios e eu não pude deixar de levar minha mão até sua coxa, acariciando-a de leve.
Um suspiro baixo e pesado me escapou dos lábios. Minha prova havia sido terrível, tudo bem que dava para tirar uma nota até considerável. Consideravelmente ruim, porque o teste foi muito ruim. Meu desempenho começava a cair aos pouquinhos e isso não era nada bom, nada bom. Eu não poderia mentir para Chanyeol sobre a minha nota baixa, mas também não poderia contar para ele que havia ido mal. Estava em um conflito interno entre: deixá-lo sentir raiva de si mesmo por não ter se controlado e me deixado estudar ou mentir para ele e me sentir a pior pessoa do mundo por simplesmente ter lhe omitido um fato.
Não sabia o que fazer ou dizer a ele. Provavelmente tinha se saído bem em sua prova, porque ao que percebi quando foi de madrugada ele se levantou da cama e foi para a sala, estudar mais um pouco. Por que eu não podia ser tão aplicado quanto ele? Simples, ele era capaz de se conter e se controlar quando a questão era sexo. Já eu... Tinha certo probleminha com isso. Não posso fazer nada se meu namorado é bom de cama.
Mas o ponto era: eu estava dependente demais daquilo e por isso meu desempenho passara a cair. Porque não importava o que fosse, eu estava ali, desejando o corpo dele mais do que tudo.
Tornei a suspirar pesado e cerrei os olhos ao sentir a leve brisa que tocou em meu rosto e balançou algumas folhas da árvore. Estava sentado debaixo de uma árvore que se situava num jardim no centro do campus. Normalmente era meu canto para pensar e refletir sobre as porcarias que já havia feito e que estava fazendo. Havia sido um dos últimos a sair da sala depois de terminar a prova. Era quase meio dia e Yeollie não havia dado sinal de vida algum. Se não me enganava, a prova dele era antes das nove e tinha aula depois disso. Talvez fosse esse o motivo dele não ter aparecido.
Deixei minha respiração calma e ajeitei-me naquele tronco enorme, achando uma posição melhor para ficar sentado, enquanto o esperava. Talvez naquele meio tempo eu tivesse cochilado ou tido um sonho rápido, pois eu sentia aqueles lábios macios que conhecia tão bem sobre os meus. E aquela culpa que eu carregava parecia aumentar. Droga Yeollie, o que te impede de me deixar pensar em uma mentira em tão pouco tempo? Engoli seco e abri os olhos, encarando aqueles castanhos dele tão próximo a mim. Dei um meio sorriso em resposta ao enorme sorriso que ele tinha nos lábios. Ok, isso significava que ele havia ido bem até demais na prova.
Ele segurou minha mão e se ergueu, me puxando e fazendo-me levantar junto dele. Tão rapidamente me vi sendo envolvido por seus braços e meio receoso retribuí aquele abraço. Aos poucos a culpa me consumia.
– Eu acho que gabaritei a prova. – Ele sussurrou em meu ouvido.
Agora sim eu me sucumbia àquela maldita culpa. Por que ele não facilitava?
– Awn que bom, Yeollie. Que bom mesmo! – Estava feliz por ele. E não por mim.
Chanyeol se afastou um pouco de mim e permaneceu com os braços em torno de minha cintura. O nervosismo me consumia, que ele não fizesse a pergunta premiada.
– Mas e a sua prova? Como foi?
Droga, droga, droga. Yeollie, pára, só para com isso. Eu não sei mentir pra você, não tive tempo nem de pensar em algo decente, o que quer que eu te diga?
– Foi boa. Não sei se gabaritei, mas foi muito boa.
Tentei ter uma boa autoconfiança para mentir para ele e por impulso pisquei os olhos com força. E o olhar que ele lançou para mim, me fez estremecer. Não sabia se era confusão, ou se ele tentava me decifrar, ou simplesmente sabia que eu estava mentindo. Que coisa! Eu não consigo mentir pra ele e se essa história tiver colado... Não sei o que faço. Em questão de segundos o rosto de Chanyeol voltou a ser sorridente, mas tinha algo naquele sorriso que eu não sabia descrever. Só me fazia rezar por minha vida.
– Muito boa? Isso é quase um 100%, não?!
– ...S-sim.
Meu deus! Me ajude! Agora que gaguejei foi tudo pelo ares.
– Oh! Então vamos comprar teokbokki para comemorar!
– É... Vamos...
Eu não conseguia demonstrar emoção. E não tinha nenhuma, a única coisa que era capaz de demonstrar naquele momento era aquela culpa maldita que me consumia e não, eu não agüentaria mentir para ele por mais tempo, visto que Yeollie nunca havia mentido para mim, eu não poderia fazer isso no momento e em momento algum. Mentir para ele era a última coisa que queria fazer a ele. Respirei fundo, pronto pra contar.
–... Yeollie... Quero te contar uma coisa...
O sorriso pareceu sumir do rosto dele por alguns instantes e logo suas mãos subiram para meu rosto, acariciando de leve minha bochecha, me passando confiança, segurança.
–... Eu... E-eu... Fui mal na prova... Me desculpa?
Mordi de leve meu lábio inferior, antes de formar um pequeno bico nos lábios. Mas o mesmo foi desfeito quando ele vi a sua mandíbula trincar e ele bufar enraivecido.
– Quer saber Hyun?! Vai ficar uma semana sem me ver.
– U-uma semana sem lhe ver? – Não, não, eu não agüentaria.
– Isso mesmo! É bom para o mocinho, estudar bastante e tirar boa nota. Veja essa semana como um pequeno castigo pra você.
Estava quase subindo pelas paredes. Estava precisando demais de Yeollie e meu corpo parecia fazer questão de mostrar para mim o quanto precisava dele. Meu subconsciente era outra coisa demoníaca, que toda vez que eu dormia, acabava sonhando com sexo e com Chanyeol tocando cada centímetro do meu corpo, mostrando o quanto eu pertencia a ele. Merda! O que o fazia pensar que poderia me deixar sem meu remédio? Ele era o que eu necessitava para esquecer meus problemas. Tudo bem que às vezes eu parecia um doente por sexo. Mas se era a única coisa que me tirava desse mundo infeliz, o que eu poderia fazer? Ah claro! Ter estudado mais, porque aí sim eu estaria com ele e não estaria nessa seca maldita.
Resolvi sair de meu quarto, se continuasse dentro dele acabaria estourando minhas coisas no chão e eu preferia que elas continuassem inteiras. Fui até a cozinha e como o caminho de lá para o outro cômodo era pouco, então nem me importei em realmente sair do meu recinto. Caminhei até a geladeira em busca de um pouco de leite, aquilo me acalmava nos meus momentos de estresse. Ainda era uma criança no corpo de um adolescente. Mas meu calmante havia acabado. Como não havia leite naquela casa? Apertei meu dedos com força na porta do eletrodoméstico.
– MÃE! CADÊ O LEITE? – Gritei enraivecido.
– Acabou, ué!
Sério, mãe?! Eu nem havia notado!
– E VOCÊ NÃO FOI COMPRAR? – Bati a porta da geladeira com força. – Mãe, me dá um bom motivo para que você não tenha comprado meu leite.
Diminui o tom de voz, ela já se encontrava perto de mim, mas meu estresse era iminente.
– Porque você é o único que toma.
– Claro mãe! Eu sou o único que faz as coisas nessa merda! – Peguei a primeira cadeira que vi na frente e joguei um pouco longe, fazendo-a ir parar próxima ao corredor.
– Sabe por que você está assim? É tudo falta de sexo!
Eu não sabia se permanecia a gritar com ela da raiva que eu sentia ou se ficava triste mediante a falta que eu sentia de Yeollie. Tudo não se relacionava apenas a sexo, mas é que eu me sentia mais completo quando o tinha dentro de mim ou até mesmo quando ele estava por perto. Ele era a minha maior necessidade, a minha passagem desse mundo para outro totalmente diferente. Um mundo só nosso, um mundo onde éramos só ele e eu. Mas parecia que nesses últimos dias, nosso mundo havia se esvaído. Não, não é que parecesse que havíamos terminado, mas era a simples necessidade que eu tinha dele que fazia me sentir assim.
Yeollie... Por que tornar as coisas tão difíceis? Melhor dizendo, Baekhyun, por que não parar de ser um doente e prestar mais atenção nas coisas? Dar mais orgulho ao seu grandão?
Algo me impedia às vezes de fazer a coisa certa e o que me parecia errado chegava a ser instigante. Maldita mente que me arruinava a vida. Por que sempre preferir o errado? Mas ao menos dentre nós dois, alguém tinha que ser o exemplo. E esse alguém não era eu. Talvez por isso déssemos tão certo. Éramos tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais, e isso tornava tudo tão mais mágico e fantasioso, que às vezes chegava a duvidar se aquela criatura era realmente real.
Por sorte era... E aquele maldito castigo também.
Ele não mentiu quando disse que passaria a semana sem me ver. Durante esses quatro dias que se estenderam Yeollie não respondia nenhuma mensagem minha, não retornava minhas ligações. Simplesmente parecia que realmente me queria longe nessa semana. Mas eu não o julgava. Sabia que aquilo que ele fazia era para o meu bem e para que pudesse melhorar minhas notas. Sempre tão preocupado. Era assim que meu Chanyeol era. Sempre preocupado com meu bem estar e com meu jeito de ser.
Droga, Yeollie, eu sinto demais a sua falta!
Fale com o autor