The Battle Frontier

35 S3EP34 - Revenge - Part II - The Shield


Trancamos o chalé e reforçamos portas e janelas. Montamos um sistema de vigilância, onde um de nós ficava no quarto do segundo andar olhando a janela de hora em hora para podermos verificar qualquer movimentação. Amber ficou primeiro com a justificativa de que queria pensar um pouco sozinha depois de ter perdido Salamence, com um Walkie-Talkie conectado e ouvindo nossa conversa. Eu, Scarlett, Leon e Charles estávamos no laboratório, que, com a ajuda de uma bateria extra do jipe que Charles guardava na garagem, era o único local que estava com energia elétrica. Havia um Poyrgon 2 na mesa nos encarando confuso, sem anel na testa, que repousava do lado dele, visivelmente queimado.

— Veja bem. – Charles apontou para o anel. – Esse anel controla todos eles. De início não tinha entendido qual a necessidade dele, uma vez que havia esse tubo, mas agora eu entendi. Depois que suas amigas foram te salvar pela sua imprudência...

— De nada, Empate. – Escutamos a voz com ruídos vinda do aparelho preto.

— Eu estava voltando pra cá com Honchkrow e encontrei esse Porygon 2 perdido aqui. Conseguimos nocauteá-lo e o trouxemos pra cá pra baixo. Sabem o que descobri?

— Que o Empate é idiota. – A voz de Amber saiu do Walkie-Talkie. – E o que mais?

— Que esses aros são todos conectados. – Ele pegou o aro que estava na mesa na mão e passou para nós. – Eles carregam esse CDR-31 em uma forma mais... Eficiente.

— Como assim conectados? – Leon subiu na bancada.

— Cada aro desse tem aproximadamente 100ml de CDR-31. – Ele olhou para mim. – Lembra quando listamos os Pokémons cujo DNA foi utilizado nele? Tem um que foi usado acima dos outros: Ditto. De início eu achei que eventualmente os aros esvaziariam, mas não é o que ocorre. Cerca de 50% do que está aí dentro é plasma de Ditto, é parecido com o que faço com o meu aqui. – E apontou para o tubo, com seu Ditto lá dentro. – Todos eles recebem o sinal de uma fonte em espécifica.

— Um sorvete pra quem descobrir de qual fonte é. – Scarlett falou.

— Mentira. – Cheguei a levantar-me da cadeira onde estava sentado. – Ele foi burro o suficiente para fazer isso?

— Sim, foi. – Charles riu. – Ou melhor, não creio que tenha sido burrice, na realidade, mais um teste. Quando você e chegou aqui contou tudo que aconteceu com vocês três desde que começaram a ser atacados, pensei bastante a respeito e depois de analisar tudo que vi cheguei a uma conclusão. Meu palpite é: Gengar foi um teste, se o veneno na corrente sanguínea funcionaria e seria permanente, não deu certo. Weavile foi o precursor do veneno em tubo em dosagens grandes, sem a ajuda do plasma de Ditto, o que provocou aquela fúria descontrolada que quase ceifou a vida de vocês... – Uma pausa. – E a de Porygon Z também. Vendo que não daria certo, Foster voltou para o aro, conforme você havia me contado. Ele usou o aro, conectou a Scizor e criou diversos outros, cada um com metade do plasma para copiar o veneno e metade com o veneno, quando a quantidade está próxima do filme, o plasma se divide e multiplica o veneno e continua lançando na corrente sanguínea, em quantidades exatas para não acontecerem os dois primeiros erros. O que muito me espanta é que ele centrou o sinal em um aro só, o de Scizor. O aro dele manda o sinal para todos os outros e os mantém ligados. – Falou apontando para a tela do computador ao lado do tubo. – Não temos muito mais tempo de energia, porque a bateria só nos dará mais meia hora de eletricidade aqui dentro. Tenho que correr se quiser finalizar.

— O quê?

— Preciso de mais um pouco do seu sangue. – Ele falou enquanto calçava uma luva na mão direita.

— Olha, eu não sou muito fã disso não, vou lá falar com a Amber. – Scarlett levantou-se com Leon indo atrás dela.

...

— Você tá bem? – A ruiva bateu na porta do quarto mais alto do segundo andar antes de entrar.

— Vou ficar. Assim que pegar Salamence de volta. – Falou sem parar de encarar a janela.

— E nós iremos. – Leon subiu no ombro de Scarlett.

Amber endireitou o corpo e continuou com o rosto virado sem olhar para os dois. Ela sacou uma pokébola e encarou o objeto.

— Salamence foi meu segundo Pokémon. – Ela deu uma pequena risada encarando o objeto. – Nunca esqueço do quanto ele era teimoso e o quanto ele era desesperado para evoluir...

— Não fala assim. Ele não se foi. – Ela colocou a mão no ombro da outra. – Vamos recuperá-lo, Charles está fazendo algo para tentar nos ajudar.

Para a surpresa de Scarlett, Amber levantou-se e abraçou. Cinco segundos do mais puro constrangimento.

— Ok... precisamos ficar a beira da morte certa mais vezes. – Leon disparou. – Não é todo dia que vemos uma demonstração dessas de afeto.

Depois de uma fuzilada de olhar da menina de gorro, Leon saltou do ombro de Scarlett e subiu perto do local de onde Amber estava sentada e olhou para a janela.

— Eu não consigo acreditar que ele nos fez passar por isso. – Amber bufou.

— Não é culpa dele. – Scarlett a cortou. – Foster é maluco.

— Não me refiro a isso. – Ela respondeu. – Não tem problema um maluco tentar te matar, o que me deixou profundamente irritada é a irresponsabilidade dele, o fato de que ele não aceita que é imaturo. Até hoje me pergunto como ele conseguiu a proeza de ser finalista tanto na Liga quanto no Grande Festival. Jake é o exemplo claro de imaturidade e isso custou muito pra mim, pro velho e pra você uma vez que esse trambiqueiro aqui. – Falou apontando pra trás com Leon mandando um palavrão. – traiu vocês.

— Eu entendo, de verdade. – Ela sentou-se ao lado de Leon, ao passo que os 3 ficaram sentados juntos. – Ele não percebe, mas acha que consegue resolver tudo sozinho e pior... Acha que pelo fato de ser homem é mais forte do que nós.

— Eu tiro dois dentes daquela cara suja dele agora.

— Também gostaria às vezes. – Scarlett riu. – Enquanto não entender que precisa de nós, eu duvido muito que ele consiga se safar dessa.

— Scarlet... – Amber falou olhando pra ela. – Não existe “enquanto ele não entender pra talvez se safar” – Falou fazendo aspas com os dedos. – É matar ou morrer. Ele tem que aceitar que só juntos a gente tenha chance.

— Eu entendo. – Falei parado ao lado da porta. – E eu peço desculpas.

Os 3 chegaram a segurar um grito. Não perceberam minha presença, que escutei grande parte da conversa.

— Queria pedir desculpas. – Dei dois passos à frente. – Se tivesse pensado um pouco mais com certeza não estaríamos nessa confusão toda.

— Estaríamos sim, a diferença é que eu teria meu Salamence.

— Desculpa por isso também.

— Olha... – Scarlett levantou-se. – Você é machista. É imaturo, burro, idiota, imprudente e tem um ego muito acima do que você é na realidade. Eu se fosse você teria vergonha de ser assim. Não só por essa situação toda, é claro...

— Sei que é pela Battle Frontier também, Scarlett. – Respondi de volta. – E sei que sem vocês 3 nem vivo eu estaria agora. – Falei. – Eu entendi. Aprendi a lição. Analisar. Pensar antes de agir.

Dez segundos nos quais os três me encararam e pareceram ter uma conversa mental. Leon saltou de onde estava e disse:

— Não sou o que mais tem credibilidade pra falar isso agora, mas: desculpas aceitas.

— Obrigado.

Charles surgiu atrás da porta e botou a mão em meu ombro.

— Em breve estará pronto. Agora precisamos decidir o que fazer.

Ouvimos um estrondo longe de estávamos, corremos até a janela e encaramos tudo, como estava de noite, não tínhamos muita visão. Leon subiu na cabeça de Charles, que era o mais alto e arregalou os olhos.

— Diz pra mim que você tem um sistema de drenagem eficiente.

...

Estávamos na mesa da sala, com um mapa enorme da baía estendido sobre ela. Togekiss, Sableye, Latias, Igglybuff e Spiritomb nos acompanhavam. Charles pegou uma caneta grossa e fez dois círculos em pontos equidistantes.

— Aqui há dois drenos. – Ele apontou para os dois pontos que circulou. — A baía é dividida em três níveis, um dreno onde estamos, um dreno na área do meio e o último dreno é a barragem.

— Quanto tempo até tudo isso aqui inundar? – Perguntei com Leon e Sableye sentados um do lado do outro.

— No ritmo em que estamos, dou aproximadamente 24 horas, talvez menos.

— Ok. – Encarei o mapa. – Precisamos ser estratégicos e tecnicamente rápidos.

— Não é melhor trazermos os pokémons pra fora? Precisamos de toda ajuda possível.

— Justamente. – Falei afastando-me da mesa. – Sua mochila tá lá em cima?

— Tá sim. – Scarlett me respondeu.

— Eu vou com você. – Leon saltou da mesa e me seguiu.

Saímos da sala enquanto Charles passava informações sobre o relevo da baía e fazia explicações sobre volume de água, o que não demos muito importância. Viramos à direita e subimos as escadas, Leon usando as mãos para alcançar os degraus.

— Você tá bem? – Perguntou-me.

— Tô sim. – Olhei para a janela. – Na real, estou confuso.

— Com?

— Por quê os Porygons não entraram aqui? – Falei enquanto ele subiu em meu ombro.

— Hum... – Leon encostou a testa no vidro. – É mesmo... que esquisito.

Afastei-me da janela e continuei subindo. Chegamos ao topo e segui em frente, em um hall menor que o do primeiro andar com 3 portas, uma em cada lado e uma à frente. Tomamos a da frente.

Entramos no quarto e dividimo-nos. Leon subiu na cama de Scarlett enquanto eu peguei duas pokébolas e as abri. Marshtomp e Azumarill apareceram e sorriram pra mim, enquanto eu segurei a pokébola de Drapion na minha mão e a aumentei de tamanho. Leon encontrou dificuldades para achar as pokébolas de Scarlett em sua cama desarrumada

— Jake, você sabe onde... Ah, achei. – Ele segurou uma delas com uma das patas enquanto puxava as outras debaixo do travesseiro.

Nesse momento, escutamos um zumbido sônico. No susto, Leon segurou uma das pokébolas com força e acabou apertando o botão central que as faz aumentar, o que não ocorreu.

— Ué. – Ele encarou o objeto. – Não era para ela crescer?

— Era. – Aproximei-me dele. – Mas o que...

— Ah, só me faltava essa. – Leon cruzou os braços. — O que falta acontecer?

Ouvimos gritos do andar debaixo. Encaramo-nos e saímos correndo, Leon no meu ombro e eu com a pokébola de Drapion na mão.

...

— O que houve? – Entrei na sala com um salto.

— Os Porygons... – Scarlett encarava uma janela à sua direita.

Olhei para onde ela estava olhando. Uma legião de Porygons estava em volta da casa. Leon desceu do meu ombro e andou até próximo a janela, subindo no sofá que ficava próximo à ela.

— Jake...

— O quê?

— Eles estão falando uma palavra só.

— Ai, já sei. – Amber bufou andando até nossa direção e segurando o gorro na mão direita. – Matar.

— Não... – Ele olhou para mim. – Líder.

Meu cérebro raciocinou na hora. Dei um riso leve, o que fez todos olharem pra mim.

— Sei porque eles estão falando isso. – Olhei pra cima e tentei achá-lo. – Eles não entraram porque estava esperando uma ordem de Foster.

— Não? – Leon falou atônito. – Por quê?

— Porque eles sentiram outro Porygon Z aqui dentro... E, apesar de estarem sendo controlados, seu instinto de obediência ainda é forte.

— Que Porygon Z? – Scarlett indagou.

Respirei fundo e falei bem alto:

— Z?

Ouvimos alguns bips. Viramos na direção do hall de entrada. Ele estava lá. Seu corpinho rosa com as partes azuis. Parecia feliz. Corri em sua direção e o abracei:

— Como você chegou aqui? – Sua cabeça flutuou um pouco acima de nós.

—Bip! Bip! Bip! – Ele soltou vários sons iguais.

— Faz sentido. – Leon andou até nós. – Ele pressentiu o perigo e na hora em que você tentou enviá-lo, hackeou o computador e não foi enviado, mas ficou com medo de você ficar chateado com ele, então se escondeu aqui.

— Z... – Segurei-o na minha frente. – Não tem problema, amigo. Só não faça de novo, ok?

Ele assentiu.

— O que está acontecendo? – Charles apareceu atrás de nós sem fazer som algum.

— Z... – Respondi. – Ele estava aqui o tempo todo.

— Hum... – Respondeu com certa dor. – Bem... Boa notícia, temos mais um membro pra nos ajudar. Vocês ouviram um zumbido sônico?

— Sim. – Leon respondeu. – Acho que desativou as pokébolas.

— Não só elas. – Charles falou. – Tudo. Acho que até os walkie-talkies. Pelo menos consegui finalizar isso. – E estendeu as mãos.

Haviam 6 arcos rosas parecidos com os que encontrei no meu gorro alguns meses atrás.

— O que é isso? – Amber aproximou-se.

— A solução pro nosso problema.

...

— Quero agradecer a todos por estarem aqui.

— Agradecer? Olha a furada em que você nos meteu. – Leon bufou.

— Faz sentido. – Ri. – Mas é sério. Sem vocês eu não teria coragem para fazer isso.

— A gente sabe. – Amber me deu um soco. – Pode deixar comigo, eu cuido da Scarlett. – Olhou para a ruiva. – E ela cuidará de mim.

— Cuide do meu Porygon, Charles. – Encarei-o.

— Como se fosse meu. E Drapion também. – Ele sorriu.

— E eu fiquei com o pior parceiro de equipe. – Leon cruzou os braços.

— Igualmente. – Retruquei.

Estávamos no Hall de entrada do chalé. Entreguei a pokébola de Drapion para Charles, que estava com Honchkrow e Z ao seu lado. Amber tinha Sableye em seu ombro, enquanto estava montada em Latias. Scarlett pegou uma bicicleta da filha de Charles na garagem e estava montada nela pronta para pedalar, com Igglybuff no cesto da frente e Spiritomb surgindo de sua mochila, que guardava a pedra. Togekiss do meu lado esquerdo, Leon no meu ombro direito. Marshtomp estava à minha frente, enquanto Azumarill ia com as meninas.

— Tem certeza que não querem ir com Marshtomp? – Indaguei.

— É o Jake machista ou o preocupado falando?

— O preocupado. – Ri. – O machista morreu ontem, agora o Jake preocupado sabe da força de suas amigas, mas também se preocupa com elas.

Charles tomou a frente. Segurou a chave de seu jipe. Respirou fundo e olhou para nós.

— Sabem o que fazer?

— Sabemos. – Respondemos em uníssono.

— Boa sorte. – E abriu a porta, com Honchkrow e Z saindo correndo atrás dele, fechando-a em seguida. Ouvimos alguns golpes sendo disparados e logo em seguida o jipe arrancando.

Nós que ficamos na sala respiramos fundo. Scarlett e Amber tomaram a frente da porta. Quando a ruiva colocou a mão na maçaneta, Amber olhou para mim:

— Não morra, Empate. – E piscou. – Só eu tenho o direito de te matar.

E saíram correndo porta afora, deixando apenas eu e Leon no hall.

— Ok. – Falei aproximando-me da porta. – Agora somos nós.

— Jake... – Leon falou do meu ombro. – Você me perdoou mesmo?

Segurei-o na frente do meu corpo e o encarei.

— Sim. – Uma pausa. – Por mais que você tenha me magoado, sim. Se sobrevivermos, 100%. Estamos em 99% agora.

— Vamos pegar esse 1% então. – E pulou de volta em meu ombro.

Abri a maçaneta e saí correndo, sem olhar pra trás.