The Battle Frontier
36 S3EP35 - Revenge - Part III - Endgame - Season Finale
— Ótimo. – Leon falou enquanto encarávamos diversas árvores enquanto a água subia em nossa direção lentamente, encostando em meus tênis. – O que faremos?
— Usaremos isso. – Saquei uma esfera amarela pequena do bolso direito de minha calça. Continha em seu topo um botão preto. Apertei-o e ela se desinflou em um bote.
— Parabéns. – O camaleão falou pulando do meu ombro. – Não temos bote e... – Encarou Marshtomp. – Deixa pra lá, vamos. – Disse desconcertado.
Subimos no bote e meu Pokémon ficou do lado de fora, empurrando-o lentamente. Togekiss voava planando perto de nós. Ao fundo ouvíamos alguns sons de batalha, provavelmente Charles ganhando tempo com Scizor. Leon tomou a frente do bote e eu apontei para o pilar de luz à nossa esquerda.
— Será que elas vão ficar bem? – Ele questionou.
— Vão sim. Ia oferecer que Marshtomp fosse com elas, mas o Jake antigo machista e imprudente morreu lá atrás.
— Só espero que o de agora não morra também, obrigado, de nada.
Dei um leve riso para espantar o nervoso e Marshtomp acelerou o nado, desviando de algumas árvores e chegando em uma área um pouco mais aberta, com Togekiss nos acompanhando mas sem encostar no bote. O pilar de luz cresceu ainda mais, o que indicava que estávamos perto.
— Como desativamos isso e a contenção?
— É o que precisamos descobrir ao chegar lá. – Marshtomp deu mais um impulso enquanto falava e passamos por duas árvores grandes. O pilar de luz irrompia da água e subia aos céus.
— É isso? – Leon esticou a cabeça pra fora. – Mas que coisa, peraí. – E enfiou a cabeça na água.
— Marshtomp, sobe pra cá. – Fiz sinal para que me acompanhasse.
— É isso mesmo. – Voltou com a cabeça molhada.
— Agora vamos descer e desligar essa merda. – Falei preparando-me para mergulhar.
...
— Será que eles estão bem? – Scarlett diminuiu o ritmo das pedaladas.
— Sim, Scarlett. – Amber respondeu enquanto encarava as árvores. – Os dois sabem se cuidar e Charles também. – Ouviram uma sequência de golpes a frente deles. – Vamos em frente.
As duas continuam sua caminhada até chegarem em um ponto cheio de árvores muito densas e parcialmente inundado. Scarlett saltou da bicicleta e sacou uma esfera amarela com um ponto preto na parte de cima.
— Cadê a corda? – Scarlett pegou sua mochila e começou a remexê-la.
...
— Entenderam?
— Sim. – Leon respondeu.
—Marsh! – O Pokémon azul assentiu.
Togekiss ficou em uma árvore próxima de nós observando a cena. Contamos até 3 e pulamos na água juntos. Leon segurou-se em Marshtomp e eu nadei em direção à fonte de luz. Parecia uma espécie de pirâmide presa ao chão. Apontei para o lado direito dela, seguido pelos dois pokémons. Eu fiquei do lado esquerdo. Tentamos levantá-la, sem sucesso. O ar faltou para mim e Leon e tivemos que subir.
— Ok, mais difícil do que eu pensei. – Comentei.
— E não tem luz o suficiente. – Leon olhou para cima. – Ainda está amanhecendo.
— A água prejudica nossa mobilidade. Não dá pra gente fazer muito se tem que guardar fôlego pra respirar. – Comentei jogando o cabelo para trás.
Leon encarou a Marshtomp e pareceu ter uma ideia.
— Ele sabe o Ice Punch, né?
— Sabe sim, por quê?
Ouvimos um estrondo muito forte ao norte. E um rugido do Salamence de Amber junto.
— Será que Charles conseguiu?
— Foquemos aqui. – Leon me cortou. – Outra coisa: fica aqui em cima, se por um acaso Charles conseguiu a proeza de derrubar Salamence temos um sério problema porque Scizor é quem sobrou.
— Tá bom. – Respondi. – Cuidado.
O camaleão chamou Marshtomp e os dois pularam na água. Encarei o outro pilar de luz, ao leste. Será que Scarlett e Amber estavam bem? E Charles?
...
— Seu maldito... – Charles tinha dificuldade de respirar. – Se ela soubesse...
— Só que ela não vai saber, velho. – Foster encarava-o do alto da barragem. – Ela nunca saberá. Só porque você acha que por algum capricho do destino aquele desgraçado vai conseguir me deter aqui não quer dizer que conseguirá.
O homem estava sem forças. Acabou desmaiando aos pés de Salamence, Scizor e Foster.
— Giamatti não pode escapar dessa vez. – E apontou para os pilares. – Eles não estão no chalé, posso supor que vão tentar desativar o escudo. Vão até eles, encontrem as garotas e tragam-nas para cá. É hora de acabar com esse jogo de uma vez por todas.
...
— Pronta? – Amber falou para Latias, que estava afastada um pouco delas. O Pokémon assentiu.
— Amber, tem certeza? – Scarlett parecia preocupada.
— Sableye não consegue quebrá-la. Spiritomb some na água. Igglybuff é um bebê. Azumarill também não consegue. O que mais podemos fazer? – Ela olhou para o dragão. – Tenha certeza: não é um Pokémon lendário à toa.
— Pois bem...
Amber encarou seu Pokémon e fez um sinal positivo. Latias tomou impulso e veio na direção delas, próxima ao pilar de luz, quanto estava prestes a entrar na água, Amber ordenou:
— Zen Headbutt!
A silhueta vermelha entrou com tudo na água e acertou a pirâmide com uma força incrível. O grande objeto se partiu e a luz diminuiu até cessar, entretanto, o escudo não desapareceu.
— CONSEGUIMOS! – As duas falaram em uníssono.
Latias saiu da água feliz e com a cabeça um pouco machucada, mas nada muito grave. Amber a chamou para perto delas. As duas estavam sorrindo felizes e abraçadas.
O sorriso delas se desfez no exato momento em que Latias caiu na água com força. Salamence jogou seu corpo contra o dela. Scarlett tentou fazer qualquer movimento antes de sofrer um golpe na cabeça e desmaiar. Amber tentou socá-lo, em vão, sendo nocauteada em seguida.
...
— ELAS CONSEGUIRAM! – Falei sozinho. – Ah, eles estão lá embaixo, talvez eu...
Observei duas silhuetas. Uma roxa e uma de um Salamence. O Salamence segurava um objeto amarelo muito grande nas costas, enquanto planava tranquilamente. Arregalei os olhos. Era o bote de Amber e Scarlett. Quase caí na água bem a tempo de ver o nosso pilar de luz se esvaindo.
— Ele pegou elas. – Levei as mãos à cabeça. – Ele pegou Amber e Scarlett. É culpa minha. Arceus do céu.
— Foi mais fácil do que eu imaginei que seria e... Que que foi, Jake? – Leon saiu da água junto com Marshtomp.
— Foster as pegou. – Levantei do bote sem equilíbrio algum. – Ele pegou Scarlett e Amber e muito provavelmente Charles. Acabou. É isto.
— Não acabou não. – Leon falou subindo no bote. – Podemos dar um jeito. Desligamos essa desgraça de escudo, precisamos agora ligar o sistema de drenagem e aí sim atacar, nós...
— NÃO TEM NÓS, LEON! – Gritei e sentei no bote abraçando os joelhos.
Leon e Marshtomp me encararam. Togekiss veio e pousou ao lado deles. Não havia o que fazer. Íamos perder. Foster ia matar Scarlett, Amber e Charles por minha culpa.
— Esse plano do Charles tinha tudo para dar errado. Não temos nada. Nós...
Os 3 pokémons ficaram inquietos e encararam ao redor. Não prestei atenção pois estava com o rosto colado nos joelhos. Assim que o levantei tentando entender a situação, fiquei paralisado de medo.
Uma legião de Porygons nos encarava. Todos pareciam estar em transe. Nós 4 aproximamo-nos o mais perto possível um dos outros e ficamos estáticos. Um deles tomou a frente e flutuou até nós. Tinha um arco roxo na testa. Marshtomp invocou um Ice Punch pronto para atacar, mas eu fiz sinal para que esperasse. O Pokémon rosa ficou a dois metros de distância e soltou uma voz metálica.
“Jake Giamatti.
Sua covardia fez seus aliados sucumbirem à derrota. Eu não quero eles. Eu quero você. Suas interferências em minha vida nos trouxeram até este momento. Implantei bombas nessa barragem e irei explodi-las em uma hora se você não se entregar.
Entregue-se e eles vivem.
Entregue-se e tudo será como deve ser.
Uma hora.
Venha sozinho.”
A legião de Porygons então se dispersou do mesmo modo que deve ter aparecido. Encarei os 3 pokémons no bote.
— O escudo caiu. – Leon falou. – Podemos ir até o chalé, ligar para polícia, para sua mãe, pros Frontier Brothers e...
— Leon. – Aproximei-me dele. – Não dá tempo.
— Claro que dá, é só a gente ir agora, ligamos lá, a polícia chega rápido aqui, os Brothers também, a gente...
— Leon... – Segurei seu corpo pequeno. – Não dá.
Ele me encarou e segurou uma lágrima. Togekiss deu dois passos e encostou sua cabeça do meu lado direito, Marshtomp fez o mesmo do lado esquerdo.
— Eu queria dizer pra vocês três que vai dar tudo certo, mas não vai. Se eu não for ele explode a barragem e mata Scarlett, Amber e Charles e sabe-se lá quais pokémons estejam com eles. – Levantei do bote. Não posso deixar isso acontecer.
— Você vai desistir, porra? – As lágrimas escorrendo. – Agora que você me perdoou?
— Não desisti. – Falei colocando a mão no bolso das calças. – Eu decidi e...
Senti dois objetos pequenos na mão. Puxei-os e os encarei. Leon olhou para minha mão e depois para mim.
— O que o Charles falou mesmo sobre o Scizor?
...
— Scarlett? – Amber falou. – Scarlett!
— Ahn... o quê?
A ruiva abriu os olhos e ficou chocada com o que viu. Latias. Sableye, Igglybuff. Honchkrow. Porygon Z e Azumarill. Todos desmaiados. A pedra de Spiritomb encontrava-se em uma caixa de vidro ao lado delas. Ao lado de Amber, Charles, assim como as outras duas, encontrava-se com as mãos e pernas amarrados.
— Ele vai atrair o Jake usando a gente. – Scarlett falou. – Não, ele não pode vir e...
— Não só pode, como virá. – Foster surgiu do lado delas e apontou para a base da barragem.
...
A legião de Porygons cercava a barragem. Passei por eles sem ser parado em nenhum momento. Cada fibra do meu corpo era um misto de tensão e raiva. Cada passo era mais pesado que o anterior. Encarei a cena. Uma jaula enorme contendo alguns Pokémons, todos no bote que as meninas usaram. Meus 3 amigos caídos sentados no chão gritando para que eu fugisse. Foster ao lado de Scarlett com Salamence voando e Scizor em pé, parado. Eu estava sozinho. Caminhei lentamente até chegar ao topo da barragem e ficar a 20 metros do homem de terno branco.
— Finalmente. – Ele falou em um tom que eu consegui ouvir.
— Eu estou aqui. – Falei esticando as mãos mostrando que estavam vazias. – Desligue as bombas, cheguei 10 minutos antes.
— Veio encarar seu destino. Soube colocar seus aliados à frente até de sua vida. – Riu. – Gostaria de dizer que admiro isso, mas vindo de você...
— Não entendo suas razões. – Juntei ar para falar. – Poderia ter tentado conquistá-la do mesmo jeito, poderia ter tentado no ano seguinte, mas não. Resolveu iniciar uma cruzada contra um garoto de 15 anos. Humilhante.
— Humilhante? – Foster deu dois passos. – Eu venci. – Fez sinal para Salamence, que voou e parou atrás de mim. – Cercado.
— Eu sei. – Ri de deboche. – Humilhante é que você tenha que ter feito isso tudo pra conseguir me pegar. – Estendi os braços. — Você tentou uma vez com Gengar e falhou. Uma vez com Weavile e falhou também. Precisou inundar uma baía inteira e sequestrar 3 pessoas e mais um bando de Pokémons para pegar um garoto de 15 anos. Já tive resfriados que me derrubaram mais do que você, Foster.
Ele fez menção de me agredir, mas segurou sua postura. Amber, Scarlett e Charles estavam com mordaças e tentavam gritar algo. Salamenceu deu dois passos em minha direção. Foster riu e deu passagem para Scizor.
— Eu deveria lhe responder, mas nada melhor do que acabar com você de uma vez para finalizarmos isso.
— Justo. – Falei tentando transparecer calma.
— Ajoelhe-se.
— Nunca.
— Ajoelhe-se. Agora.
— Não é porque você vai me matar que pode mandar em mim, Galleghar.
— Não me chame assim.
— Por quê? – Questionei. – Era assim que ela te chamava? Galleghar?
Não me respondeu. Sacou um disco roxo e arremessou na minha direção, que assim que encostou no meu antebraço direito gerou uma descarga elétrica de energia roxa que me fez cair ajoelhado. A dor me consumia de tal modo que não consegui nem gritar.
— Eu admiro uma coisa em você. – Foster falou ao lado de Scizor. – Sua incrível capacidade de ser totalmente desprezível até em seus últimos momentos. – Acariciou as pinças dele. – Sabe o que o CDR-31 fez com um dos ataques de Scizor? Tornou-o letal. Se acertar em um Pokémon, assassina-o. Foi isso que fez com o Porygon desse velho aí, depois que o veneno não deu certo. Seria uma boa ideia testar o Guillotine de Scizor, não?
— Scizor não aprende Guillotine.
— É mesmo? – E riu para mim de novo.
Mesmo com toda a dor, consegui rir para ele. Ergui a mão direita e estendi o dedo do meio. Foster fechou a cara e ordenou o golpe final.
— Guillotine. Outrage.
Os dois pokémons prepararam seus ataques. Era o fim.
O Pokémon roxo deu dois passos em minha direção e levantou a pinça esquerda, brilhando de uma energia roxa descontrolada. Senti a sombra de Salamence erguendo-se atrás de mim.
Senti a vida se esvaindo. Olhei e 3 metros acima da cabeça de Scizor vi aquela listra azul com várias pontas caindo do céu bem na direção da cabeça do Pokémon.
Leon usou sua habilidade de camuflagem e caiu sentado na cabeça de Scizor, segurando-a. Num movimento preciso implantou o disco rosa de Charles na testa dele, que caiu pra trás e contorceu-se de dor.
O sinal emitido por Scizor havia sido perdido. Salamence caiu desacordado atrás de mim. Todos os Porygons pareceram sumir do transe.
Tudo aconteceu muito rápido. Foster descontrolou-se e correu em minha direção, com Leon jogando-se em cima dele e usando Slash em seu rosto. Juntei forças e arranquei o disco roxo com a boca do braço.
— HYPER BEAM! – Gritei.
Togekiss lançou o ataque de cima. O facho de luz laranja foi em direção de Foster, apesar de não acertá-lo direito, fazendo cair alguns metros de distância de nós. Olhei para o lado. A baía estava praticamente inundada. As únicas coisas que conseguíamos ver eram a ponta do chalé e um pequeno morro ao fundo.
Corri na direção dos outros. Desamarrei-os o mais rápido que pude e corri até a jaula para soltar os Pokémons. Scarlett quebrou a caixa de vidro que guardava Spiritomb. Amber correu até Latias. Leon estava tonto por ter escapado do Hyper Beam de Togekiss, mas se recompôs rapidamente, pulando em meu ombro.
— As bombas... – Falei encarando a barragem. – Onde elas...
Olhei pro final da barragem. A primeira bomba estourou. Cinco segundos depois a outra. Não daria tempo de fugir. Encarei o bote dentro da jaula. Leon olhou para mim e teve a mesma ideia.
— O bote. – Corri para a jaula. – Agora.
Amber e Scarlett me acompanharam. Conseguimos puxá-lo com certa facilidade.
— As pokébolas! – Charles segurava uma em sua mão. – Voltaram a funcionar!
Recolhemos os pokémons, com exceção de Porygon Z, Marshtomp e Azumaril. Empurramos o bote até a beirada, fazendo cair na água, três metros abaixo de nós, dada a altura que a água já havia atingido em relação a barragem e começamos a pular para entrar no bote. Charles foi primeiro, seguido de Amber, depois Marshtomp e Azumarill. Leon e eu demos uma última olhada e eu vi Foster cambaleando tentando levantar-se.
A barragem rachou ao meio. Não pensei na hora. Arremessei Leon na direção do bote e corri na direção de Foster. As bombas continuaram a estourar. Leon ainda gritou um palavrão, mas não prestei atenção. A rachadura estava aumentando e Foster ficou preso apenas pelas mãos do lado oposto ao que estava o bote, um pouco mais abaixo. Segurava num buraco formado na barragem. Mesmo desequilibrando-me consegui alcançá-lo.
— ME DÁ A MÃO! – Estiquei a mão direita pra ele tentar me alcançar, estava quase caindo.
Ele me encarou. Seu ódio era claro ainda.
— NÃO TEM PORQUE TERMINAR ASSIM! – Deitei e tentei alcançá-lo.
Uma bomba estourou metros de distância de nós. A rachadura aumentou ainda mais.
— ANDA! CHEGA! – Gritei. – EU TE PERDOO, VAMOS EMBORA!
— Nunca. Eu te odeio. – E uma lágrima escorreu de seu olho direito.
Foster então soltou da barragem e caiu. A barragem rachou ainda mais do meu lado e eu só vi um clarão que depois fez tudo ficar escuro.
...
...
Abri os olhos lentamente. Minha cabeça doía. Estava no chalé de Charles, no quarto dele. Era grande, espaçoso. A cama era de casal e eu estava coberto. Togekiss descansava do meu lado direito. A luz do Sol adentrava na janela à minha frente.
Na frente da cama tinha um tapete e alguns passos adiante, um baú. Leon estava sentado comendo um pacote de biscoitos de morango. Assim que levantei a cabeça ele olhou para mim.
— Acordou. – E botou o pacote de lado. – Finalmente.
— O que aconteceu?
— Você foi imprudente. – Ficou em pé. – O que não é nenhuma novidade.
— Sério, o que aconteceu?
— Você não se lembra? – Desceu do baú. Togekiss acordou e sorriu pra mim.
— Oi, amigo. – Fiz carinho em sua cabeça. – Não, não me lembro. – Encarei Leon.
— Então... — Ele andou até nós e pulou na ponta da cama. – Depois que você me jogou como um pacote de merda, você teve a brilhante ideia de tentar salvar o desgraçado que tentou nos matar. A gente afastou o bote pra tentar ver onde você estava, conseguimos te ver se abaixando e gritando com Foster. Depois uma bomba explodiu na base da barragem abaixo de onde vocês dois estavam. – Ele deu dois passos em minha direção. – Você foi arremessado pra longe. A sorte foi que ele... – Apontou para Togekiss. – Como um raio saiu da sua pokébola e segurou o impacto.
Olhei para Togekiss com mais atenção. Sua asa direita tinha uma faixa.
— Você me salvou. – Fiz outro carinho nele. – Obrigado, amigo.
— A barragem caiu e conseguimos pegar vocês dois. – Leon sentou-se. – Depois voltamos pra cá. Ativamos o sistema de drenagem e etc.
— Scarlett? Amber? Charles?
— Eu também estou bem, obrigado pela preocupação. – Cortou-me. – E sim, todos estão bem.
— E a barragem? – Levantei-me da cama com certa dificuldade. – Como vamos fazer para...
Encarei a janela. A barragem estava em seu lugar, parecia que nada havia acontecido.
— Mas o que...
— Porygons. – Leon levantou-se. – Seu Porygon Z guiou todos eles e nos ajudaram. Foi uma semana bem intensa de trabalho. Conseguimos arrumar tudo. Revezávamos para cuidar de você. Scarlett foi a que mais ficou aqui.
— Ela...
— Não, ela não gosta de você. – Ele riu. – Pelo menos não desse jeito, isso foi pauta antes de ontem. Ela e Amber discutiram sobre isso uma hora e meia.
— Não ia nem falar disso. – Consegui ficar em pé. – De fato vocês arrumaram tudo em uma semana mesmo? E a filha de Charles?
— Chega amanhã. – Ele saltou da cama. – Já que você está bem, ou... algo similar a bem, ali estão suas roupas. – Apontou para uma cadeira à esquerda da cama. – Se arrume e desça, precisamos conversar.
E tomou a direção da porta, me deixando com inúmeros pensamentos na mente.
...
— Então... – Charles estava com uma xícara verde apoiada na mesa da sala. – Para todos os efeitos, nada disso aconteceu, correto?
— Sim. – Amber, Scarlett e Leon falaram em uníssono e esperaram uma resposta minha.
— De acordo. – Falei meio retraído da cadeira que dava de costas pro hall de entrada. – Só uma pergunta: Ele....
— Não. – Amber me cortou. – Não sobreviveu. – Fitou a Scarlett. – Não falaremos sobre isso. Apenas tenha certeza que ele realmente não sobreviveu. Não, não matamos ele. – Ajeitou o gorro. – Embora eu tivesse vontade disso depois que ele pegou o Salamence.
— Os Pokémons?
— Todos bem. – Charles falou. – Não se preocupe.
Encarei a eles. Parecia que tudo havia se resolvido como num passe de mágica. Algo me incomodava.
— Tô com uma sensação ruim de qualquer jeito. – Falei.
— Passa no dia seguinte. – Scarlett falou. – Pode confiar.
— Pois bem... Tudo resolvido então? – Charles levantou-se. – Preciso ligar para Joy e confirmar que ela volta amanhã, peço licença.
Charles afastou-se de nós e foi para o hall do chalé.
— Empate, foi muito legal o que ocorreu. – Uma pausa. – Não, na realidade não foi. Te daria um soco por isso, mas acho que agora não cabe. – Levantou-se da cadeira. – Tobias quer ver a Latias dele e conversar comigo, portanto, me vou. – Scarlett levantou-se e elas trocaram um abraço.
— Amber...
— De novo isso, Empate? – Ela parou do meu lado. – Eu volto. Eu sempre volto. Acho que depois que eu encontrar com Tobias vou dar uma passada em Unova para ver a Roxie e contar pro Gengar dela que aquele maluco... – Leon e Scarlett encararam ela. – É, é isso.
Ela me deu um abraço de lado e cumprimentou Leon. Saiu andando sem eu nem conseguir dar tchau. Passou pelo hall e cumprimentou Charles, só tive tempo de encarar seu gorro até ela fechar a porta.
— E agora? – Leon falou. – De volta a Sinnoh?
— Sim. – Falei.
— O que vamos fazer quando voltarmos? – Scarlett questionou.
— Era sobre isso que eu queria falar. – Coloquei as mãos na mesa. – Vamos voltar pra Sinnoh. Pra Battle Frontier. Preciso terminar isso, temos menos de um mês, umas três semanas mais ou menos, certo? Agora eu sei o que fazer.
— Será que sabe? – A ruiva segurou minha mão.
— Sim, eu sei. – Olhei pra ela. – Eu tive que quase perder tudo pra entender.
— Mas gente... – Leon andou até Scarlett em cima da mesa.
— E agora eu sei. – Respirei fundo. – Sei o que é perder. Vou voltar. Derrotar Palmer, Thorton e Mamãe.
— Não, Palmer não. – Scarlett falou e levantou-se da mesa. – Um segundo.
— Onde ela...
— Não sei, Jake. – O camaleão falou. – Talvez nós...
— Aqui. – Falou surgindo atrás de nós. – Isso. – E segurava o Frontier Symbol nas mãos.
— Você...
— Sim, guardei. – Entregou o símbolo para mim. – E tem o do Palmer aí. Não dá tempo de ir até Palmer, Thorton e sua mãe. Você não vai ter tempo para revanches.
— De acordo. – Encarei o símbolo e passei a mão no de Palmer. – Thorton então. Mamãe em seguida.
— Sabe que vai ser dez vezes mais difícil do que foi, não sabe?
— Sim, eu sei. – Encarei a ruiva. – E dessa vez eu estarei dez vezes mais maduro do que jamais fui.
Leon segurou a minha mão e a de Scarlett e disse:
— Então... De volta pra Sinnoh.
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