The Battle Frontier
34 S3EP33 - Revenge - Part I - The Last Trap
— Charles, não sei o que falar sobre...
— Não fale. – Ele botou a mão em meu ombro. – Vamos ligar para a polícia, depois vemos o que fazer quanto ao...
Ouvimos uma movimentação do lado de fora do chalé. Amber tomou a frente e saiu da sala, indo até o hall. Voltou correndo e falou tão baixo que quase parecia um sussurro:
— Digam pra mim que os Porygons gostam de ficar do lado de fora dessa casa por diversão.
— Sim. – Falei antes de Charles. – Eles ficam aqui porque o Porygon Z de Charles... Desculpe.
— Não tem problema. – Ele respondeu. – Deixa eu ir lá ver.
Charles passou por nós, que fomos atrás dele. Quando olhamos para a porta vimos que eles estavam parados, apenas encarando a casa.
— Hum... Isso é normal então? – Scarlett falou com Leon ao lado dando mais alguns passos.
— Scarlett... – Leon falou. – Eles não estão felizes...
— Como assim? – Retruquei.
— Olha... – Ele subiu no meu ombro. – Tem algo de errado com eles, estão bravos, vazios. Emitem os sons característicos deles, alguns falam “líder”, mas a maioria só está em um estado meio aéreo.
— Vou pegar as chaves do jipe. – Charles voltou na cozinha enquanto encarávamos a porta.
— Jake... – Amber parou ao meu lado. – Será que isso tem alguma coisa a ver com ele?
— Talvez. – Olhei pra ela. – O tubo que vocês acharam no Porygon não era de CDR-31?
— Era sim. – Scarlett caminhou mais para perto da porta.
— Vamos? – Charles falou. – O jipe está na garagem e...
— Não temos como levantar a porta. – Falei. – Dá pra fazer isso manualmente?
— Dá sim.
Amber recolheu Latias e eu Togekiss. Andamos até a cozinha e observamos Porygons flutuando nas janelas do lado da cozinha, passamos por ela e viramos à direita, onde ficava uma pequena escada de dois degraus feita de madeira com uma pequena porta pintada de verde ao final. Charles abriu a porta e o seguimos. Entramos na garagem, havia o Jipe de Charles, alguns materiais de construção, vassouras, rodos, tijolos e diversas outras coisas mais.
— Pode deixar que eu levanto a porta. – Falei indo até a grande chapa de metal cinza que ficava do lado direito.
As meninas entraram, com Charles sentando no jipe e dando a partida. Ouvimos bips de Porygon do lado de fora. Charles deu uma leve acelerada para esquentar o motor. Leon parou do meu lado no chão.
— Jake, só puxar essa alavanca ali do lado. – Falou do banco do motorista.
— Jake... – Leon me cutucou.
— O que...
— Eu acho que eu ouvi...
Puxei a alavanca e a porta se soltou. Leon tentou me avisar e pulou na alavanca e a segurou, com a força do movimento ele foi puxado para cima e ficou pendurado, olhei para frente e perdi o ar. Uma legião de Porygons e Porygons 2 estavam nos encarando. Todos eles tinham uma energia roxa emanando de seus corpos que provinham de um pequeno círculo de metal parecido com o que Leon colocou no meu gorro quando visitamos o circo. Fiquei estático.
— Ninguém se mexe. – Falei. – Leon, não solta. Qualquer movimento brusco e a gente pode desencadear um ataque.
— Claro, gênio. – Ele respondeu de volta. – Eu ia avisar, eles acabaram de entrar em uma espécie de transe.
— Charles...
— Sim? – Respondeu, com Scarlett e Amber quase pulando no banco ao lado do motorista olhando para nós.
— Quando eu contar 3, acelera o jipe.
— O quê? – Scarlett falou incrédula.
— Faz o que eu tô mandando. – Respondi firmemente. – Não tem espaço suficiente pra você me atropelar, eu vou só correr pra trás e pular em cima dele. Você aí em cima. – Levantei a cabeça de leve. – Pula no meu ombro no 3.
— Mas...
— Não dá tempo. – Cortei-o. – 1...
— Jake eu acho que... – Leon falou.
— 2...
— Isso vai dar..
— TRÊS!
Leon soltou da alavanca e caiu em cima de mim, virei-me de costas correndo pros Porygons e saltei, caindo no capô. Amber e Scarlett me seguraram e Charles irrompeu pela garagem, acelerando desenfreadamente.
Amber olhou para trás assim que saímos e disse algo que não entendi. Sentei-me ao lado de Charles com Leon berrando palavrões e seguimos. O veículo virou à esquerda e contornou o campo de batalhas, com os Porygons em nosso encalço, mas sem nos atacar.
— Ele não entraram no chalé. – Amber susurrou. – Que esquisito.
— O quê? – Scarlett retrucou.
— Achei que eles iam entrar no chalé, não o fizeram. – Um solavanco para esquerda.
Charles dirigia bem. Nossos cabelos esvoaçavam com o vento. Leon pulou para o banco de trás e tentou ouvir algo dos Porygons.
— Liga pra polícia. – Charles falou pra mim. – Precisamos de ajuda.
— Claro. – Saquei meu pokétch. Sem sinal. – Gente, alguém tenta ligar pra polícia. Tô sem sinal.
Ambas sacaram seus pokétchs. Também sem sinal.
— Gente, mas o que... CHARLES FREIA! – Amber gritou.
O relincho do jipe quase acertou diversos Porygons na nossa frente. Tapavam nossa passagem. Quase não respirávamos. Eles estavam quietos.
— E agora? – Susurrei. – Atacamos?
— Não. – Charles falou. – Eles apenas estão parados. Não há nada demais.
— E também não estão falando nada. – Leon subiu no meu ombro e falou. – Por quê estão parados?
A estrada culminava numa subida à direita. Á esquerda conseguíamos ver a barragem que quebrou o tronco que trouxe a mim e a Scarlett. Identifiquei uma pequena silhueta no meio da barragem. Terno branco. O ódio me subiu. Eu ia terminar aquilo agora. Sozinho. Soltei o cinto e saltei do jipe, com os gritos de Scarlett, Amber e Charles atrás de mim e Leon no meu ouvido.
— SEU DESGRAÇADO! – Leon berrou. – NÃO FAZ ISSO.
Não dei ouvidos. Saquei a pokébola de Togekiss e meu Pokémon apareceu. Leon pulou do meu ombro.
— HYPER BEAM! – Gritei.
O facho de luz laranja abriu espaço entre os Porygons. Amber e Scarlett soltaram seus cintos e tentaram vir atrás de mim, em vão. Leon me seguiu e logo em seguida os Porygons fecharam o cerco em volta do jipe.
— JAKE VOLTA PRO JIPE AGORA! – Leon falava enquanto tentava me alcançar.
Ignorei seus gritos. Togekiss veio voando e acertando Aura Spheres em todos os Porygons que apareciam no caminho, apesar de não me atacarem. Leon acelerou o passo e conseguiu subir no meu ombro.
— PELO AMOR DE DEUS VOCÊ...
Segurei sua boca e parei de correr. Olhei em volta, os Porygons pararam de nos seguir. Já não ouvia os gritos dos outros.
— Eu não quero saber. – Puxei-o e o segurei na minha frente. – Você tem duas opções. Voltar ou vir comigo. Eu vou de qualquer jeito. Ele precisa me pagar por tudo que ele fez.
Leon respirou fundo e pela primeira vez não tentou se soltar dos meus braços. Olhou para Togekiss e disse:
— Ok, me coloca em cima dele. Se der merda, pelo menos estarei mais longe deles.
— De acordo. – Togekiss aproximou-se e coloquei Leon em suas costas. – Vamos.
Continuei correndo em direção à barragem. Togekiss voando acima de minha cabeça, com Leon apontando que ainda vinha Foster. Passamos um caminho de árvores paralelas correndo. Ao final dele, observei um pequeno monte de terra erguida e algumas flores. Olhei para Leon:
— Isso é?
— Sim. – Ele olhou para frente. – Em frente, anda.
Alguns Porygons vieram do fundo do caminho de árvores. Mais a frente outros surgiram. A maioria dessa vez era composta de Porygons 2. Togekiss pousou ao meu lado. Leon subiu na ponta de sua cabeça e falou:
— Me diz que você tá com todos seus pokémons aí e os mais cascudos. – Sua voz estava trêmula.
— Po-por quê? – Perguntei colocando a mão no meu cinto, que não estava lá. – Esqueci o cinto no chalé. – O que eles estão falando?
— Uma palavra só. – Sua voz quase falhando. – Matar.
Encarei os dois. Eram dois pokémons contra uma legião de Porygons. Não íamos conseguir derrotá-los nem se tentássemos muito. Havia um galho de árvore perto de nós, que eu me abaixei e peguei. Leon saltou da cabeça de Togekiss e pulou no meu ombro, olhando pras minhas costas, enquanto o pássaro parou na minha frente.
— Aquele covarde nem pessoalmente quer vir aqui me pegar? – Uma gota de suor escorrendo da minha testa.
— Veja pelo lado bom. – Leon falou sem olhar pra mim. – Ele não vai ter o gostinho de te matar pessoalmente. Eu e ele conseguimos te defender por um tempo, mas não o suficiente. Se você não fosse tão imprudente... talvez a gente só morreria depois.
— É, mas de fato morreríamos de qualquer jeito. – Sorri pra ele. – Eu te perdoo.
— Obrigado. – Ele sorriu de volta.
O camaleão pulou do meu ombro e soltou um Aqua Tail, enquanto Togekiss conjurou diversas Aura Spheres. Eu comecei a usar o galho para espantá-los. Os pokémons rosa vieram de encontram aos ataques e caíam, mas logo se levantavam. Leon alternava entre Aqua Tail e Slash enquanto Togekiss achou melhor nos proteger de cima. Os dois estavam segurando bem, apesar dos adversários serem em maior número e eu conseguia deixá-los longe de mim batendo-os com toda a força que eu podia.
Olhei para aquela cena e por algum motivo senti uma paz. Talvez fosse meu subconsciente já aceitando a morte certa ou uma fantasia louca de que Togekiss e Leon conseguiriam nos tirar dali.
Em um determinado momento alguns Porygons pegaram o pássaro e o jogaram no chão, que caiu na nossa frente, debatendo-se e tentando lançar esferas a todo custo. As batidas no chão começaram a não fazer mais efeito e fomos ficando sem espaço, com todos se juntando à nossa volta, mal conseguíamos ver as raízes das árvores que eram relativamente próximas. Leon usou o Screech e conseguiu segurá-los por poucos segundos enquanto eu me abaixei para tentar ajudar meu Pokémon caído. Senti um leve esbarrão e virei-me para ver Leon encostando-se em mim. Encaramo-nos. Aceitamos a morte e fechamos os olhos.
— DRACO METEOR! – Ouvimos um berro de Amber, acima de nossas cabeças.
Olhamos para cima, no meio das árvores diversas esferas laranjas surgiram entre as folhas e começaram a acertar os pokémons. Uma massa roxa apareceu voando rasante por nós acertando Guillotines em sequência. Um Salamence logo em seguida veio voando desferindo labaredas em volta de nós.
O Gliscor de Scarlett soltou um grunhido e espantou os Porygons, pousando ao nosso lado. Ela saltou e correu em minha direção:
— NUNCA MAIS FAÇA ISSO, OUVIU BEM? – E me deu um tapa na cara.
Amber passou voando rasante com Latias desferindo algum ataque que não consegui identificar, Salamence continuou soltando labaredas criando um cerco em volta de nós, colocando fogo nas árvores.
— VAMOS EMBORA AGORA! – Ela gritou com Leon pulando em sua direção e a abraçando. – ANDA!
Levantei-me e peguei a pokébola de Togekiss, recolhendo-o. Amber parou com Latias ao nosso lado.
— Anda logo, isso não irá espantá-los por muito tempo! – Falou enquanto encarava as labaredas que nos cercavam e já estavam tomando as árvores à nossa volta. – E se você fizer isso de novo...
— Já sei! Vão me matar, anda! – Falei correndo atrás de Scarlett e Leon para subir em Gliscor quando olhei para o final do caminho das árvores, do outro lado.
Ele estava lá. Seu corpo roxo irradiando energia. Não olhava para mim. Olhava para quem estava acima de nós, tentando nos proteger soltando fogo pela boca enquanto batia as asas, de costas para ele. Bateu as duas pinças e saltou. Fiquei estático enquanto ele planou na direção de Salamence. Amber percebeu e ordenou que o dragão desviasse.
Não houve tempo. Scizor cruzou suas pinças contra Salamence que ganiu de dor envolto em uma energia roxa e caiu no chão. Amber soltou uma lágrima de raiva e gritou algo que não consegui entender. Scarlett me puxou e eu consegui recobrar os sentidos. Leon lançou um Screech nele, que pareceu não se afetar, pegando um arco semelhante ao que estava na testa de todos os Porygons e pousando-o na testa de Salamence.
Amber saltou de Latias e tentou correr na direção dos dois, mas o Pokémon vermelho a segurou e levantou voo, com ela debatendo-se. Gliscor levantou voo e saímos dali, em meio as chamas.
— DESGRAÇADO, MALDITO! FILHO DA PUTA! EU VOU TE MATAR! MEU SALAMENCE! – Amber vociferava enquanto tentava soltar-se de Latias, que a segurava com uma expressão preocupada.
— Scarlett... – Falei. – Onde está o Charles?
— No chalé. – Ela falou séria. – Depois dessa sua burrada a gente se dividiu. Ele usou Honchkrow pra ajudá-lo a voltar e viemos atrás de você. Leon, você está bem?
— Tô sim, obrigado. – Falou segurando-se na parte da frente da sela. – Ele matou o Salamence?
— Não. – Respondi encarando o incêndio. – Ele colocou aquele disco que está em todos os Porygons na testa dele. Agora Salamence está com eles e contra nós.
— E ele é fortíssimo. — A ruiva falou apontando para o chalé de Charles.
Nesse momento, dois pilares de luz roxa surgiram em pontos opostos da floresta, bem distantes um do outro. Amber ajeitou-se em Latias ainda furiosa com a situação e olhou para o céu conosco. Os dois pilares atingiram uma altura altíssima e criaram um campo de energia roxo em volta de toda a extensão da baía. Olhei para Scarlett.
— O que é isso?
— Parece um escudo.
Olhamos em volta, já nos aproximando do chalé. A barragem que guardava a água da praia estava sendo erguida em seu nível máximo, justamente no local onde o escudo terminava. Latias parou do nosso lado e alinhamos os voos. Pousamos devagar na entrada do chalé. Charles encontrava-se na varanda encarando o céu junto com seu Honchkrow. Andou em nossa direção e falou:
— Precisamos ter uma conversa muito séria.
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