The Battle Frontier
32 S3EP31 - Chronicles IV - Scarlett, Amber and the Porygon quest
— Caçar um Porygon? – Amber bufou. – Sério isso, garota?
— Sim, senhorita Amber. – A filha de Charles falou calmamente. – Jake aparentemente não vem, creio eu.
— Não, o Empate... não sei se devo chamar ele assim mais... não vem. – Ela olhou para Scarlett. – Vamos eu e você?
— Você? Querendo fazer algo comigo?
— Olha a minha cara de quem vou fazer alguma coisa dessas sozinha, ruiva.
Scarlett a encarou, por um momento quis discutir, mas acabou mudando de ideia.
— Ok... É só achar o Porygon Z de Charles? – Scarlett perguntou.
— Sim, sim. – Joy respondeu. – É bem simples. É só achar o Porygon do meu pai. – Ela olhou para frente. – Ele se esconde de brincadeira por aí, mas não desce pra praia. É só achar mesmo.
— Beleza, o que ganhamos? – Amber tomou a frente.
— Ahn... Nada. – Ela respondeu sem graça. – É pela diversão.
Alguns Porygons e Porygons 2 estavam sentados perto das duas, um deles parecia querer brigar com os outros. As 3 não deram importância.
— Olha, apenas procurem ele. – Ela falou. – Quando acharem, ele volta com vocês e pronto. Não creio que haja competição, uma vez que vocês são apenas em duas. Preciso voltar, tenho uma viagem a fazer, voltarei em duas semanas. Passarei em casa para deixar as coisas com meu pai e ir. Querem que levem seus pokémons para serem curados?
— Oh, sim. – Amber sacou algumas pokébolas. – Por favor, leve-as. – Ela pegou seu Pokétch. – Tobias? O que você quer?
— Joy, por favor, leve-os pra mim, vou ficar apenas com 3 aqui comigo. – Ela virou-se para Amber. – Amber, você vai ficar com qual.
— ... Eu acho que mais pra frente talvez a gente possa... Peraí... Joy? Vão enviar dois Pokémons pra mim, vou orientar que os enviem pra mim, pode pegar as pokébolas e guardá-las? – Ela não esperou a resposta. — ... tá bom, eu vou usá-la, em breve comparamos os resultados, eu sou contra, mas...
— Sem problemas. – Ela respondeu. — Senhorita Scarlett, levarei Chansey comigo, portanto, deixarei as pokébolas em duas bandejas no balcão. – Olhou para os Porygons, pareciam inquietos.
— Obrigada!
A Joy deu as costas e seguiu para a parte da frente do chalé, Amber terminou sua ligação.
— Tobias é meio maluco das ideias. – Ela falou, enquanto as duas começaram a andar. – Captura uns Pokémons fortíssimos, atrai outros fortíssimos e quer que eu ajude ele.
— Tobias? – Scarlett questionou, enquanto passaram por alguns Porygons e tomaram um caminho de terra.
— Venceu a Liga dois anos atrás. – Uma pausa para encarar o horizonte. – Disparadamente um dos treinadores mais forte que já conheci, ele vai entrar na Elite 4 agora, acho que você não tava sabendo...
— Tô sim. – Scarlett respondeu rapidamente. – Eu e Jake conversamos sobre isso quando estávamos vindo pra cá...
— Ruiva... – Amber parou e a segurou. – Olha...
Olharam para frente, alguns Porygons pareciam inquietos, faziam bips estranhos. Dois deles estavam visivelmente irritados um com o outro. Um Porygon 2 que estava à esquerda delas parecia encará-las.
— Gente... – Scarlett falou. – Deve ser a brincadeira, creio eu.
— Meio sinistra... – Ela puxou a pokébola de Sableye. – Pra fora, troço.
O Pokémon apareceu e pulou no ombro dela. Scarlett a encarou e segurou o riso.
— Olha na minha cara e diz que não ficou cagada com esses bichos, ruiva. – Ela a encarou.
— Concordo. – Ela sacou a pokébola de Igglybuff e a abriu, o Pokémon rosa apareceu e ela o pegou nos braços. Em seguida, a pokébola de Spiritomb abriu-se no cinto dela e ele apareceu do lado, encarando-a e a Igglybuff.
— Nossa, você domou um Spiritomb usando “Sim, senhor”?
— Não eu. – Elas continuaram a andar. – Essa coisinha aqui. O Pokémon riu. – Ele pegou a pedra e a bateu no chão, então... Dois Pokémons no mesmo dia.
— Que sorte. – Ela acariciou a cabeça de Sableye. – Esse troço aqui... Quase me enlouqueceu, mas... Talvez eu goste dele.
—Sab! – O Pokémon riu.
— Pega a pedra desse fantasma e coloca na sua mochila, ele vai ficar saltando e vai se cansar. Não fica preocupada, ele vai flutuar do seu lado.
— Nossa, que ideia boa.
Scarlett abaixou-se, pegou a pedra e a colocou na mochila. O espectro começou a sair da sua mochila e esperou algum comando.
— Agora, seguimos.
As duas desceram um caminho delimitado que chegava em algumas árvores, alguns Porygons a seguiram, mas logo a deixaram em paz. Amber acariciava o queixo de Sableye enquanto Scarlett vez ou outra brincava com Igglybuff. Depois de finalizarem o caminho, perceberam que ele chegava em uma rodovia que ia ao norte:
— Então teríamos vindo por ali se tivéssemos chegado por um modo convencional. – Scarlett falou.
— O quê?
— Bem, viemos pelo mar pra cá, né. – Ela chutou uma pedra. – E... Melhor não falar sobre isso.
— Tem certeza, ruiva? – Amber falou em tom firme. – Não que eu goste de você, mas...
A raiva subiu Scarlett.
— Assim, qual o seu problema comigo? – Ela cruzou os braços. – Eu nunca te fiz nada, nem eu nem Le... – Uma engolida em seco. – Você raras vezes foi legal comigo, por quê essa raiva?
— Não é raiva, ruiva. – Ela respondeu rispidamente.
— É o quê então?
— Eu não sou de demonstrar sentimentos por quase ninguém. – Puxou Sableye e o segurou nos braços, enquanto andou e a acompanhou.
— Sério?
— Sim. Volkner já me perguntou se eu tenho outro, se eu sou lésbica, se eu tô enrolando ele, enfim... Até se eu sou maluca ele perguntou.
— Gostei da última. – Ela riu.
— Eu não. – Ela deu um empurrão em Scarlett, que ficou firme e a impressionou. – Você é forte.
— Ex-pokémon ranger, né. – Sorriu.
— Ah, é. – Uma pausa. – Enfim, eu não gosto de demonstrar as coisas porque eu não gosto mesmo. Não te odeio, só te acho idiota. – Outra pausa. – Aliás, por um momento eu jurava que você era apaixonada no Jake... – Ela encarou Scarlett.
— Quê? – A ruiva parecia indignada. – Como assim?
— Sei lá, parecia. – Ela olhou para frente. – Era o óbvio.
— Não, não sou. – Disse, decidida. – Não sou não. Eu vejo ele como um irmão praticamente. Ele e o Leon.
— Entendo. Eu não gosto de demonstrar nada. Tobias diz que algum dia eu vou ter isso voltando contra mim... Só rindo dele... Arregaça a Liga ano retrasado, torna-se Elite 4 e ainda tem tempo para tentar me passar sermão... E pra piorar...
O olhar de Amber ficou compenetrado. Scarlett não entendeu e olhou para frente.
— O quê é isso? – Ambas encararam uma pequena pirâmide da altura delas e chegaram perto. Estava próxima à rodovia onde passaram, entre duas grandes árvores.
A pirâmide era toda preta e parecia fixa ao chão. Acharam melhor não tocar nela e deram a volta, passando por um caminho de árvores paralelas. Scarlett fitou o final do caminho e cutucou Amber, que ainda encarava a pirâmide enquanto andava.
— Amber...
— O que... – Amber encarou onde Scarlett estava apontando.
Havia uma pequena forma rosa no final do caminho das árvores. O Sol parecia estar se pondo, com os raios passando entre as árvores enquanto ambas corriam. Assim que chegaram, Scarlett abafou um grito.
— Caralho. – Amber andou em direção à forma rosa com partes azuis. – É o do Jake?
— Não. – Scarlett evitava olhar. – Era quem estávamos procurando.
— Esse é...
— O Porygon Z de Charles. – Scarlett falou ajoelhando-se. – Morto.
— Como?
Do lado dele havia um pequeno tubo de vidro. Scarlett o encarou, colocou Igglybuff no chão e Spiritomb ficou virado para ela. Esticou a mão e pegou o tubo.
Ele estava embaçado, mas ainda havia um pouco de seu conteúdo roxo nele. Scarlett arregalou os olhos quando leu “CDR-31”.
— Amber... – Ela olhou pra ela. – Precisamos voltar. Agora.
— E deixar ele aqui? – Ela olhou incrédula. – O que foi?
— Você não tá entendendo. – Falou mostrando o tubo. – Isso aqui é o veneno que o tal Foster tentou envenenar o Jake uma vez.
— Caralho... – Amber recuou um passo. – Isso quer dizer...
— Foster está aqui. – Ela disse, correndo. – E só nós sabemos disso.
— O que faremos com esse Porygon?
Elas se encararam. Não podiam deixá-lo ali.
Scarlett sacou a pokébola de Gliscor e o trouxe para fora. Deu algumas instruções e o Pokémon começou a cavar um pequeno buraco do lado da última árvore da esquerda. Amber pegou seu pokétch e discou o número de Jake.
— Ele não vai atender. – Ela falou enquanto ajudava Gliscor a fazer o buraco. – A gente tem que ir lá e avisar.
— Certo. – Ela se abaixou e ajudou a cavar. – Eu não acredito que tô enterrando um Pokémon.
— Nem eu. – Ela falou com a cara azeda. – Vamos logo.
Os três correram e conseguiram fazer o que devia ser feito. Scarlett olhou pros lados.
— Sabemos onde ele está. – Uma respirada funda. – Vamos avisar ao Charles e ao Jake. – Subiu em Gliscor, segurando Igglybuff e Spiritomb em sua mochila flutuando. – Vamos.
Amber encarou a situação e sacou uma pokébola. Chegou a apertar o botão no meio e a mesma aumentou, mas preferiu não fazê-lo. Quando ia subir, olhou para onde estava o buraco que fizeram e viu um pequeno Pokémon verde encarando-a.
— Scarlett... – Ela disse calma. A pokébola grande numa mão, Sableye no ombro e a outra mão segurando a sela. – Acho que...
— O que foi? – Ela olhou para trás.
Leon estava com um caderno na mão, encarando as duas.
— Eu sei o que Foster quer e porque ele quer. Você pode não confiar em mim, mas precisa me ouvir.
...
— Quero as pirâmides ativadas o mais rápido possível. – Foster acariciava Scizor. – Ative o CDR-31 e hackeie o sistema dessa barragem. – Ele olhou pro chão. – Quero esse escudo ativado em uma hora.
— Sim, senhor. – A subalterna saiu correndo e entrou uma pirâmide maior pela esquerda, instalada na base da barragem que culminava na baía de Charles.
— Scizor, hoje é o dia. – Ele riu. – Hoje nos vingaremos.
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