The Battle Frontier

29 S3EP28 - Chronicles II - An unlikely partnership


O tronco bateu na margem do rio, acordando Leon, que dormiu agarrado no caderno. O Pokémon olhou para um lado e depois para o outro e notou que não sabia onde estava. Balançou o corpo para tirar um pouco da água, segurou o caderno e pulou na margem. Ergueu a cabeça e viu uma rodovia e uma construção vermelha com a pintura um pouco desbotada perto dali.

— Ok... – Abriu o caderno e começou a ler. – Primeira coisa: descobrir se isso é útil.

Conforme ia lendo, enquanto andava, a cara de escárnio do Pokémon só aumentava.

...

Numa construção vermelha de pintura desbotada, Thorton lia um livro. A frustração por ter pedido a Mega Stone de Loppuny no táxi ainda o chateava. Jogou a mochila fora assim que chegou em Sinnoh e encomendou outra Mega Stone de Kalos, que chegaria em algumas semanas. Na TV, uma repórter comentava sobre o aniversário de 50 anos do quase desastre da represa que ficava atrás da cidade. Wickles, o antigo dono do prédio da Battle Factory contava como evitou o desastre. Thorton levantou os olhos para a TV por alguns segundos. Embaixo apareciam os números da loteria da semana: 13 – 48 – 26 – 59 – 70.

Sentiu sede. Tirou os olhos da TV, pegou um suco em uma geladeira à sua esquerda e foi em direção ao caixa.

— Só o suco? – A atendente, uma senhora de cabelos grisalhos e óculos perguntou para Thorton, que segurava a garrafa.

— Sim, somente.

Do lado do caixa, um bilhete de loteria repousava. Os números não batiam com os do prêmio. Por algum motivo, aquilo entristesceu Thorton, que abriu a garrafa do suco e deixou a caixa ficar com o troco. Começou a andar de volta para a Battle Factory, encarou a represa que se via ao longe, quando seu Pokétch tocou:

— Alô?

— Aqui é do registro de Pokémons. – Uma oficial Jenny falou ao outro lado. – Estamos ligando para confirmar suas 3 novas capturas. O senhor ficou com apenas dois pokémons em seu time?

— Confirmadas. – Disse e bebeu um gole da bebida. – Conforme relatório enviado para vocês. Capturados seguindo os padrões determinados pela lei. Quanto aos pokémons, sim. Inclusive nos registros constam que não fiz alterações em meu time então tudo mantém-se como está.

— Agradeço. – Uma leve pausa. – Enviaremos o fiscal até o final da semana à sua residência para os registros.

— Sem problemas. Obrigado. – E desligou o aparelho.

...

— Santo Arceus. – Leon folheava as páginas. – Nem eu conseguiria ser tão insano assim.

Enquanto o camaleão andava, o mesmo ia entendendo todo o plano para matar Jake. Ao virar uma determinada página, o Pokémon parou e encarou a folha, estupefato.

— Mano, parecia uma adolescente de 15 anos, o problema é como que eu vou...

Um rapaz tropeçou nele e caiu no chão, derrubando Leon também. Os dois esbravejaram.

— Mas que porcaria...

— Opa, pode parar aí. – Leon falou levantando-se. – Eu não sou porcaria não.

Thorton encarou o Pokémon, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Por sorte a garrafa do suco estava vazia.

— Você...

— Falo, sim, meu filho. Eu falo. – Respondeu revirando os olhos. – Isso é mais batido que feijão com arroz.

— Detesto feijão com arroz. – Thorton amarrou a cara. – E você ainda por cima é Shiny. – Ele botou uma mão no bolso e tirou uma pokébola.

— Você nem ouse, almofadinha. – Leon usou a língua para pegar a pokébola e tacá-la longe logo em seguida. – Eu não sou pra ser capturado não, as pessoas acham que só porque eu sou lindo e especial podem me ter assim.

Thorton encarou a Pokébola rolando para perto de uma fonte com uma estátua de um Dialga a aproximadamente 15 metros deles. A estátua tinha um cristal azul em cima dela. A água jorrava pela boca do Pokémon. Uma menina e seu Ambipom passaram correndo brincando perto da fonte. Entre a fonte, observa-se ao longe dois prédios com um espaço estreito entre eles, banhados pela luz do sol, que iluminavam o cristal azul.

— Tá se achando demais também. – Thorton fungou o nariz e encarou o caderno. – Eu deveria usar uma Master Ball em você e... – O que é isso?

— Uma bazuca. – Ele olhou com ar de reprovação. – É um caderno, né.

— Agora a madame sabe escrever? – Falou botando as mãos nas cinturas.

— Ha-ha. – Leon bufou. – Muito engraçado. Não, não sei escrever, mas sei ler. – Coçou o queixo. – Se bem que nunca tentei escrever algo...

— Pois deveria. – Thorton foi em sua direção. – Roubou esse caderno de quem?

— De ninguém, fera. – Leon recuou e saiu andando na direção da fonte. – Se você já acabou teu show, valeu, falou.

— Eu não acabei não. – Thorton acelerou o passo.

— SAI, CAPETA! – Leon começou a correr. – Ninguém quer saber o que tu acabou ou não!

Os dois correram na direção da fonte com Thorton esbravejando e Leon falando palavrões. Quando estavam a 2 passos da fonte, o sol havia acabado de se por. Leon deu um salto na pokébola pronto para conjurar um Aqua Tail, mas o cristal azul da cabeça de Dialga brilhou e os dois foram envolvidos por um clarão.

A menina do Ambipom passou correndo com seu Pokémon e estranhou o fato de ter uma Pokébola ali. Pegou-a na mão e viu que estava vazia. Largou-a no chão e continuou brincando. Por sorte, o caderno havia ficado caído mais ao longe de sua visão, o que não a fez levá-lo.

...

Leon e Thorton caíram no chão, os dois esbravejando.

— Mas o que... – Thorton ergueu-se e olhou em volta. – Eu...

— Você caiu em cima de mim, almofadinha. – Leon levantou-se com uma cambalhota. – Eu...

Os dois escancararam a boca. No lugar de prédios, construções mais antigas, de madeira. As pessoas trajavam roupas antigas. Nada parecia fazer sentido, a fonte não estava ali, em seu lugar havia um pedestal com o Cristal que estava na cabeça de Dialga. Pra piorar nem o caderno e a pokébola de Thorton estavam ali.

— Não, pera. – Falou enquanto coçava o queixo. – O que está acontecendo?

Leon girou em seu próprio eixo. Olhou para cima.

— Ei, almofadinha. – Apontou para onde a fonte supostamente estava. – Estávamos de frente pra uma fonte, não?

— Sim.- Thorton foi encarando tudo a sua volta.

Tudo era antigo. As roupas das pessoas. Os veículos. Não havia prédios, apenas construções de no máximo 3 andares. Algumas pessoas passaram olhando pra eles, mas logo os ignoravam.

— Eu não posso estar pensando corretamente. – Ele sacou seu pokétch.- Sem sinal.

— O quê?

Uma moça grávida passou do lado deles e Thorton parou em sua frente. Usava um traje vermelho e amarelo, com avental e botas pretas. Tinha o cabelo preso em um coque perfeitamente arrumado, tinha sardas no rosto. Ela segurava um jornal debaixo do braço.

— Desculpe a intromissão, poderia dar uma olhada em seu jornal?

— Claro, já ia jogar fora. – Ela tirou o jornal debaixo do braço e entregou a ele. – Pode ficar.

— Obrigado, boa sorte com seu bebê.

A moça sorriu e seguiu seu caminho. Thorton pegou o jornal e olhou a página. Os pensamentos borbulharam e sua visão ficou turva. Leon subiu em seu ombro e olhou a folha. Caiu ao seu lado sentado sem acreditar.

— Não é possível. – Ele dava tapas no rosto. – Eu me droguei. É isso. Ou ingeri água demais do rio.

— Hoje era dia 27. – Encarou o nada. – Só que agora é dia 25. O problema é que são 50 anos antes.

— Gente, isso não pode estar acontecendo. – Leon levantou-se e berrou. – EU SOU JOVEM DEMAIS PRA MORRER NO PASSADO.

Thorton se agachou e agarrou seu focinho.

— Escuta aqui: Ou estamos loucos ou alguma coisa naquela fonte nos trouxe aqui. Se não estou errado, o cristal no topo da fonte do Dialga era um fragmento do Orb dele. Já li sobre, supostamente ele faz as pessoas viajarem no tempo se em contato com a luz solar por muito tempo. Todo dia 27 desse mês acontece um solstício então a luz do Sol ilumina o cristal mais vezes e talvez isso seja possível.

— Ok, somos dois drogados. – Leon se soltou dele.

— Tem alguma explicação melhor?

Leon o fitou, revoltado.

— Não, almofadinha. – E cruzou os braços. – Mas não é possível que isso seja verdade. – Olhou em volta onde a fonte deveria estar. – E agora? Como voltamos?

— Hum... A fonte foi colocada aqui depois que o desastre da represa foi evitado. – Ele apontou para baixo. – Ela foi instalada no dia 27, dia do solstício. Lembro disso porque meu avô estava aqui. – Ele olhou para o prédio da Battle Factory. – Se a gente estiver aqui daqui dois dias, depois de evitarem o desastre da represa, a gente consegue voltar, eu acho.

— Você ACHA? – Leon elevou o tom de voz.

— TEM ALGUMA IDEIA MELHOR?

— EU NEM ESTARIA AQUI SE VOCÊ TIVESSE ME DEIXADO EM PAZ! – Leon esbravejou.

— Olha aqui, seu... – Thorton sacou uma pokébola.

Havia uma pedra aproximadamente 10 cm ao lado de Leon. Ele usou sua língua para puxá-la e a arremessou em Thorton. O rapaz desviou da pedra, exatamente na hora em que um jovem aproximadamente da idade dele passava por trás. A pedra acertou o rapaz em cheio na cabeça, que caiu no chão. Trajava uma calça marrom, botas em um tom bege claro e blusa verde-musgo. O camaleão encarou o Frontier Brain.

— Olha o que você me fez fazer. – Leon falou sério. – Matamos o cara.

— Claro que não. – Thorton se abaixou e olhou o rapaz. – Estava desmaiado. Uma enfermeira Joy passou ao lado deles e ao observar o rapaz caído, aproximou-se.

— O que houve? – Ela questionou.

— Ah, estávamos apenas... – Eles dois se encararam. – Treinando... e aconteceu isso.

Ela olhou para o rapaz desmaiado. O cabelo castanho escuro estava com um pouco de sangue.

— Vamos levá-lo para o hospital que é aqui ao final da rua.

...

— Aparentemente ele apenas machucou a cabeça, mas vou deixá-lo em observação. – O médico, um homem de cabelos grisalhos e bigode trajando um jaleco branco falava para Thorton e a enfermeira Joy, que estavam um ao lado do outro. Leon havia subido no ombro de Thorton.

— Quantos dias ele vai ficar aqui? – A Joy questionou.

— Hoje e amanhã com certeza. – Ele pegou um lápis e anotou algo em uma folha que estava em uma prancheta. – Quase certo que dia 27 eu o libere.

Thorton arregalou os olhos.

— Ahn... – Falou, tentando transparecer calma. – Isso não pode ser feito... antes?

O médico encarou-o de cima abaixo, olhando suas roupas.

— Não, infelizmente. A priori, ele fica aqui. Preciso ir olhar outros pacientes. – O médico olhou para Leon em seu ombro. – Vocês não são daqui, não é?

— É, não... – Thorton respondeu. O médico riu e saiu de perto deles.

— Vocês conhecem o Wickles? – A Joy questionou.

— Não, por quê? – Thorton conseguiu segurar Leon de falar no exato momento em que ele ia abrir a boca.

— Podem me fazer um favor? – Ela pegou sua mochila e estava se afastando deles. – O Wickles trabalha na represa, poderiam ir lá e avisar que ele se acidentou? É só dar o nome dele. Eu preciso ir pro centro Pokémon, obrigada! – E saiu andando sem dar tempo de Thorton ou Leon fazerem qualquer coisa.

— Estamos ferrados. – Thorton sentou-se na cadeira de metal branca do lado da cama. – Muito ferrados.

— Qual o problema? – Leon subiu na cama.

— Você não está entendendo. – Ele apontou para a cama. – Esse cara é o Wickles.

— E o que tem?

— Ele salvou a cidade uma vez. – Ele levou as mãos à cabeça. – Num dia 27, de um solstício.

— Como assim?

— A represa. – Thorton levantou-se. – O Wickles, no caso, o velho Wickles no nosso tempo, trabalhava na represa e no dia que foram fazer um reparo nela ele constatou que ela ia ruir se não fizessem algo. – Ele conseguiu salvar todo mundo da cidade por conta disso. Só que...

— Ele está aqui...

— Se ele está aqui... A represa vai...

— Vamos fugir. – Leon pulou no chão.

Thorton encarou-o.

— Como assim fugir?

— Ué. – Ele subiu de volta na cama. – Fugimos daqui. Não morremos.

— Você não está entendendo. – Thorton apontou pra janela. – A represa pode inundar TODA a área que no futuro vai ser a Battle Frontier. Se o desastre não for impedido todo mundo vai morrer.

— E o que você quer que a gente faça? O cara tá aqui desmaiado e não pode sair por ordem médica. – O Pokémon argumentou. – A gente vai lá e avisa que vai dar ruim na represa?

— Não. – Thorton falou pensativo. – Se fizermos isso o Wickles não vai ser herói da cidade. – Ele sentou de novo na cadeira. – E... A Battle Factory...

— O que tem esse lugar?

— Wickles ganhou um prêmio por ter salvo todo mundo. – Ele estava nervoso. – Com a quantia de dinheiro que ele recebeu, comprou a fábrica que depois viria ser a Battle Factory, alguns anos depois, quando se separou da mulher ele vendeu-a para a Battle Frontier.

— Ok... – Leon parou na frente dele. – Acalme-se, almofadinha. Precisamos pensar. O cara não pode ir lá, mas ele tem que estar lá em dois dias para poder salvar a todos.

— Exato.

— Hum... – Leon encarou a Wickles e a Thorton. Coçou o queixo e fez uma cara maliciosa. – Eu tive uma ideia.

— Qual?

— Ele vai salvar geral sim. – Falou enquanto saltou na cama, passou por cima de um Wickles dormindo e foi até a cômoda do outro lado. – Mas não exatamente ele. – Pulou na cômoda e abriu a primeira gaveta, tirando uma camisa que pertencia ao enfermo dela.

— Como assim?

— Você vai.