The Battle Frontier

30 S3EP29 - Chronicles III - Too much water to handle


Thorton e Leon saíram do hospital com as roupas de Wickels em uma sacola e partiram em direção a represa, tentando evitar as pessoas, tomaram uma estrada principal e depois viraram á direita. O acesso à represa era feito por uma trilha com pouco movimento para o horário, portanto, puderam andar sem serem notados.

— Eu ainda acho que estamos drogados. – Leon falou enquanto caminhava fungando o nariz. – Só queria saber que bagulho foi esse que fumamos pra ver quanto tempo demora pro efeito passar.

— Não que eu goste de concordar com você, mas gostaria que fosse verdade. – Ele respondeu. – Aquele cristal realmente faz isso, eu já estudei o do Orb do Palkia e de fato há relatos de pessoas mudando de lugar só de tocar nele, mas só tinha lido sobre o Orb do Dialga. Especulava-se que ele faria isso, mas nada que eu pudesse provar... Até agora.

— Olha, almofadinha. – O camaleão desviou de uma folha em um galho maior enquanto andavam, cruzaram com dois funcionários da represa que estavam descendo com macaões verde musgo e boinas antigas. – Eu não entendi absolutamente nada do que você disse, mas concordo também que não queria concordar com você.

— Que? – Thorton questionou confuso.

— Nada não, vambora que precisamos pensar no que fazer.

O resto da caminhada foi tranquilo. Os dois continuaram andando e chegaram até a represa, um paredão cinza enorme com uma pequena cabine de frente para o final da trilha que contava com uma catraca vermelha com a tinta descascada do lado e uma escada que adentrava na estrutura cinza. Eles se encararam e viram que não tinha ninguém. Estranharam, mas andaram até a cabine.

— Ué... – Leon pulou no ombro de Thorton. – Por quê tá vazio?

— Primeiro: sai do meu ombro. – Ele deu um tapa e Leon caiu em pé no chão. – Segundo, não sei no que o velho Wickles... quer dizer... só Wickles trabalhava aqui. Terceiro: que mania chata de subir no meu ombro.

— Desculpa, é costume. – Seu olhar ficou vazio. – Ficava assim com os meus amigos.

— E quem iria querer ser seu amigo?

— Dada as atuais circunstâncias, ninguém. – Ele pulou na catraca e depois na cabine. – Aqui, tem uma mesa e um horário nela. – O Pokémon fez sinal para que Thorton o acompanhasse e ele o fez. – É horário de almoço, não tem ninguém aqui.

— Iria sugerir que escrevêssemos um papel, assinássemos como o Wickels e partíssemos para esperar o solstício, porém...

— Ninguém iria ler, ou se lesse, acharia que era piada dele, ele perderia o emprego e todo mundo morreria. – Leon respondeu olhando a cabine e procurando alguma coisa que ajudasse. – Olha, amanhã é o desastre, que tal tentar descobrir o que vai acontecer?

— Isso eu sei, não precisamos nos preocupar. – Thorton analisou o horário dos funcionários. – Alguma pane mecânica, Wickles avisou a cidade e um grupo de treinadores mais experientes usou pokémons psíquicos para direcionar a água pro mar. Curiosamente isso criou uma baía bem ao norte do que viria ao ser a Battle Frontier, tem uma correnteza muito forte que começa antes da cidade da Battle Tower, passa por debaixo de uma ponte de vidro e se divide em duas, uma mais forte joga nessa baía e uma mais fraca caí pra cá.

— Ué, então o desastre aconteceu?

— Não, anta. – Ele saiu da cabine. – A represa abriu e a água caiu toda, o que houve foi que Wickels conseguiu avisar as pessoas e elas conseguiram se salvar.

— Anta é sua mãe, almofadinha. – Leon esbravejou. – Ia perguntar seu nome, mas vou te chamar de almofadinha, combina mais.

— Ia perguntar seu nome, mas você nem deve saber o que é isso.

Os dois discutiram ofensas por mais alguns minutos, até que desistiram. Saíram da cabine e ficaram à direita da trilha que culminava na represa, observaram que o alto falante dela ficava no topo, então no dia seguinte bolaram uma estratégia de subir na represa e usá-lo para alertar os moradores.

O dia inteiro passou e os dois resolveram ficar ali mesmo, juntaram algumas folhas e improvisaram duas camas, a maior discussão foi sobre quem iria usar as calças de Wickles como travesseira, sendo vencida por Thorton. A noite estava estrelada, a fome havia sido combatida com frutas que Leon, Xatu e o Loppuny de Thorton coletaram. Depois que os 4 comeram, os dois ficaram sozinhos encarando ao céu. Thorton bufou.

— O que foi? – Leon perguntou. – Não vai me dizer que desistiu.

— Não há desistência nesse caso. – Ele cortou-o. – Só fico preocupado.

— Como assim?

— Coisas que aprendi em meus estudos. – Uma pausa. – Mexer com o tempo é perigoso, precisamos fazer com que as coisas ocorram do mesmo jeito que foram da outra vez, Wickles precisa...

— Ser o herói da cidade, eu sei, almofadinha. Por quê essa fissuração em falar que precisamos fazer isso?

— Ele... É meu avô. – Thorton falou a última palavra engasgada.

— Ok... – O camaleão arregalou os olhos. – Acontece, né. Vocês humanos... fazem aquilo que...

— CHEGA! – Ele balançou as mãos pro alto. – Não quero falar sobre ele.

— Aconteceu algo entre vocês?

— Sim e não. Como você deve ter notado, ou não, haja vista que sua capacidade cognitiva deve ser nem um décimo da minha. – Leon deu-lhe um soco. – Eu não o chamei de avô, nem nada. Ele se separou da minha avó e a deixou na miséria, a sorte foi que a minha família a apoiou.

— Nossa, que droga, eu acho.

— E só piora. – Ele continuou. – Ontem, ou talvez... amanhã daqui 50 anos, eu acho, eu encontrei a segunda ex mulher dele sendo atendente de uma lanchonete lá na cidade. Ele hoje é um velho amargurado e que se acha muito por ter salvo a cidade e deixou duas ex esposas na merda.

— Cara... por quê vamos fazer com que esse cara seja herói então? Ele que se exploda.

— Não podemos. – Ele respondeu secamente. – Temos que fazer isso, se ele não salvar a cidade muita coisa aqui vai ser diferente, na minha vida inclusive, se não acontecer tudo como deveria. Eu pensei em uma coisa, mas preciso fazer umas contas na minha cabeça... – Disse pondo-se sentado. – E você? Qual a sua história?

— Que história? Como eu aprendi a falar? Bem, eu...

— Não, camaleão burro. – Ele o encarou. – O caderno.

— Olha, almofadinha... – Ele sentou e o encarou de volta. – Digamos que eu decepcionei dois amigos meus e aquele caderno pode ser uma chance de me redimir, embora eu duvide muito que eles queiram voltar a serem meus amigos de novo.

— O que tem nele?

— Muita coisa. – Uma pausa. – É uma história muito longa, de verdade. Só saiba que decepcionei duas pessoas que fizeram muito por mim e quero tentar consertar isso...

— Quem são?

— Ninguém, almofadinha. Ninguém.

— Eu te contei coisas sobre mim. – Thorton retrucou.

— Eu sei. Eu também, mas na boa, quanto menos você souber, melhor. – Uma respirada funda. – Eu fui um calhorda e não me orgulho disso, só quero realmente tentar fazer a coisa certa dessa vez, fora que, tínhamos um juramento de não contar para ninguém o que estava acontecendo.

— Sobre o calhorda... – Um riso. – Preciso concordar.

Humano e Pokémon se encararam. Uma conversa mental entre os dois aconteceu e no final das contas, o sono venceu e foram dormir.

...

— Eu não acredito que eu tô vestindo essa porcaria. – Thorton esbravejou enquanto usava as roupas de Wickles e segurava suas roupas em outra sacola. – Se isso não der certo estamos muito ferrados.

— E eu não sei?

— Não, você não tá entendendo. – Ele se abaixou e ficou quase da altura de Leon. – Se a gente não fizer nada, eu posso nem nascer.

— Nisso... eu sou obrigado a concordar. – Leon riu. – Vamos, vai dar certo.

Os dois caminharam até a represa e passaram pela catraca, um funcionário havia substituído Wickles, Leon usou sua habilidade de se camuflar e ficou se segurando nas costas de Thorton, que passou de cabeça baixa por um homem bigodudo e barrigudo usando o uniforme da represa. Assim que botou a mão na catraca para girá-la, o homem o interpelou:

— Nome?

— Wickles. – E saiu andando sem deixar o funcionário questioná-lo.

— Essa foi por pouco, hein. – Leon cochichou. – E agora? Onde foi a falha?

— Lá em cima. – Thorton subiu as escadas com Leon já em seu ombro, mas ainda camuflado.

A subida levou 5 minutos, quando chegaram ao topo, puderam contemplar a cidade, quase nenhuma construção alta, muito diferente do que Thorton estava acostumado, apenas a futura Battle Factory despontava imponente. Á esquerda deles, uma cabine de controle, muito semelhante à primeira estava vazia. Estranharam.

— Bem... – O camaleão ficou no chão parado ao lado de Thorton. – Não era pra ter alguém substituindo o cara aqui?

— Que estranho, eu...

— Os dois, podem contar qual a história de vocês agora.

Viraram-se. Uma jovem da idade de Wickles os encarava, usava um avental grande branca com bolinhas amarelas e segurava uma mala pequena Seu cabelo era preso em um coque e preto. Sua barriga estava grávida.

— Ela é sua... – Leon foi ao ombro de Thorton e falou baixinho.

— Não, é a primeira ex mulher dele. – Ele respirou fundo e respondeu na mesma intensidade. – Aja naturalmente.

— Como assim? Estou substituindo Wickles hoje. – Ele aproximou-se dela, que sacou uma pokébola.

— Não são não. – Ela disse. – A Joy do centro Pokémon disse que foi visitar o Wickles e viu vocês saindo de lá com a roupa dele. Quem são vocês?

Nesse momento, tudo fez sentido para Thorton.

— Agora eu entendi... – Falou com a voz embargada. – Vocês iam fugir. – Falou apontando para a mala.

— O quê? – Ela questionou, incrédula.

— Você e Wickles iam fugir no dia do desastre. – Thorton deu dois passos na direção dela. – Ele ia te largar.

— Ele não ia me largar... – Sua voz estava trêmula. – Íamos embora daqui...

— Eu não entendo... – Coçou o queixo. – Como a represa foi ativada e quase inundou tudo?

— O quê? – Ela se afastou devagar indo na direção da cabine.

— Caralho... – Leon falou baixinho ao lado de Thorton. – Ela abriu as comportas da represa, Wickles a impediu e foi dado como herói, mas não suportaria vê-la presa por isso, e sem poder criar o filho deles. Então inventou uma pane e salvou todo mundo.

— Pra um Pokémon burro você é bem esperto. – Ele cochichou de volta.

— Esse Kecleon... fala? – Ela andou na direção dele.

— Sim, dona. – Ele foi na direção dela.

— Eu não... – Ela olhou pros dois e uma lágrima escorreu do seu rosto. – Ele me largou...

— Não, moça. Ele não te largou. – Leon respondeu. – Ele tá machucado no hospital e nós...

Não conseguiu terminar a frase. Ela correu na direção da cabine e apertou uma sequência de botões. Os dois correram atrás dela, sem sucesso. Entraram na cabine enquanto ela chorava sentada numa cadeira velha que estava lá. Um pequeno relógio antigo contava uma contagem regressiva de dois minutos.

— Almofadinha, um minuto e essa porra vai abrir. – Leon estava nervoso. – Ou fazemos o combinado ou vai tudo pro beleléu.

— É sério que você me fala uns vinte palavrões e do nada manda um beleléu?

— NÃO É HORA DISSO, PORRA! – E subiu no painel de controle, que contava com um microfone enorme ligado a diversos megafones, que culminavam na cidade. – Pega isso e engrossa a voz, como esse troço é antigo não vai transmitir sua voz original, se você a mudar é mais fácil ainda de acreditarem ser ele.

— Ele tá no hospital. – Thorton olhou pra ele.

— ALMOFADINHA, POUCO MAIS DE UM MINUTO. SE VOCÊ CAUSAR PÂNICO A GALERA LÁ EMBAIXO SÓ VAI SAIR CORRENDO E TENTAR SALVAR GERAL, ANDA!

Thorton respirou fundo e pegou o microfone. Pigarreou e disse:

— Atenção, cidadãos. Aqui é ve... Wickles. Há uma pane elétrica com a represa e precisamos que urgentemente os treinadores mais fortes usem pokémons psíquicos para criar uma barreira e jogar toda a água da represa para o lado do rio adjacente. Isso não é uma brincadeira, temos um minuto para evitar que um desastre assole a cidade.

Saíram correndo da cabine e tentaram forçar a vista para a cidade. Uma aglomeração de pessoas rapidamente se fez no início da trilha, que era perto do centro da cidade e alguns pokémons apareceram. A represa começou a chegar para o lado e água começou a escoar, em uma quantidade absurda. Correram de volta pra cabine. Havia um outro relógio mostrando o horário. Thorton se desesperou, o Solstício já estava quase no fim. A mulher ainda chorava na cadeira e gritava o nome de Wickles. Não pode deixar de fazer com que Thorton ficasse mal. De repente, algo chamou sua atenção. Seu rosto lhe era familiar.

— Posso te fazer uma pergunta? Ei, ei. Me responde. – Ele a sacudiu enquanto. – Você vai ter uma menina, né?

— Sim, vou. – Ela soluçava.

— O que você tá pensando, almofadinha?

— Você pode não acreditar na gente, mas viemos do futuro. Sabe a estátua de Dial... o pedestal que tem o Orb do Dialga lá na fonte no meio da cidade? – O barulho da água escoando era absurdamente alto. – Ele nos trouxe pra cá. Eu não devia contar isso pra você, mas...

Leon caiu no painel de controle com a boca escancarada.

— Se isso fuder nossa vida no futuro e eu tiver um gêmeo do mal eu juro que eu te arrebento.

— Tá, já falou. – Ele olhou pra ela. – Eu preciso que você me prometa uma coisa.

— O quê?

— Que vai confiar em mim. – Ele se agachou e olhou pra ela com um olhar firme. – Wickles e você não vão ficar juntos, mas tem algo que podemos fazer pra que você e ela... – Apontou para barriga seja feliz.

— O quê?

Thorton levantou-se e olhou pro painel de controle. Havia uma caneta e um bloco de notas com o horário. Pegou correndo e escreveu números: 13 – 48 – 26 – 59 – 70.

— Daqui 50 anos, nessa mesma data, fala pra sua filha jogar na loteria. A lanchonete que você trabalha – Apontou para o avental dela. – Fica na cidade e esquece o Wickles, entendeu? Esqueça ele. Se você fizer isso, sua filha ainda vai ser muito feliz.

— Eu...

— Não temos tempo. Ou você confia em mim ou vai presa. – Ele sacou uma pokébola. – Preciso fazer uma coisa. Calhordinha, fica aqui e checa se tá tudo bem lá embaixo, falou enquanto ouvia-se água caindo atrás deles.

Leon assentiu, xingando Thorton, que chamou Xatu e cochicou algo no ouvido dele. Em questão de um segundo, desapareceram num flash de luz.

— Onde eles foram? – Ela questionou.

— Não sei. Se esse desgraçado me largar aqui farei questão de ficar vivo até achá-lo daqui 50 anos.

— Vocês são loucos.

— Minha senhora, joga esse papel fora e arrependa-se pra sempre. – Leon falou. – Eu não gosto dele, mas se ele fez isso é porque tem algo correto aí.

Nesse segundo, Thorton apareceu, com Wickles flutuando e usando suas roupas, enquanto o Frontier Brain usava as dele.

— Como você... – Leon questionou.

— NÃO DÁ TEMPO, PORRA! JÁ TÃO SUBINDO PRA TENTAR FECHAR A REPRESA! – Xatu segurava Wickles flutuando com um Psychic. – Moça, sai daí.

Ela levantou da cadeira cambaleante e Xatu repousou Wickles na mesma cadeira onde ela estava.

— Genial. – Leon subiu no ombro dele. – Assim vão realmente botá-lo como herói.

— Exato. – Ele olhou para a mulher. – Precisamos ir. Confia em mim, vai dar tudo certo.

— Eu...

— Moça, pode por favor, falar uma frase completa?

Xatu encostou em Wickles e o fez acordar, atordoado, ele não estava em suas faculdades mentais, então ficou com o rosto caído no painel.

— WICKLES, VOCÊ TÁ AÍ? – Ouviu-se gritar da escada.

— Anda, vambora. – Leon falou. – Põe a gente perto da fonte e essa moça também.

— Pra onde você quer ir? – Thorton a questionou.

— Pode me deixar na porta da minha futura lanchonete. – Ela respondeu enxugando as lágrimas.

— Ok... então você acredita em mim?

— Daqui 50 anos eu te digo.

Thorton riu.

— Xatu, Teleport. – O pássaro fez ela sumir em um flash branco.

— Nossa vez. – O pássaro encostou a asa na cabeça de Thorton. – Pra fonte lá na cidade. – E um flash branco os tirou dali.

...

— Temos um minuto mais ou menos. – Leon falou, saltando no chão.

— Sim, sim. – Thorton respondeu, encarando a aglomeração de pessoas, carregavam algum objeto grande. – É, isso também tá em ordem.

— O quê?

— A estátua de Dialga. – Ele apontou para aglomeração. – Acharam ela quando a água caiu. – Apontou pra cima. – Já fecharam a represa. Deu certo. Ah, roubei a ficha de Wickles no hospital e a joguei no lixo.

— E o médico? – Leon falou.

— Desmaiei ele com o Xatu. – Riu maliciosamente. – Espero que ele ache que Wickles fugiu e avisou à cidade.

— Isso tudo em dois minutos? Foi o tempo que você sumiu.

— Eu lá tenho culpa se sei estruturar meus planos corretamente?

— Eu...

O Sol bateu no pedestal e o mesmo clarão azul que envolveu os dois se fez. Assim que abriram os olhos, estavam de volta na fonte com a estátua de Dialga, no tempo presente. A menina do Ambipom continuava brincando junto à fonte. Carros, prédios, a Battle Factory agora com o símbolo da Battle Frontier. Tudo em ordem, 50 anos depois.

— Voltamos. – Falaram em uníssono.

Leon esgueirou-se e achou o caderno de Foster, caído no exato lugar em que estava antes.

— Ufa, sem isso eu tava ferrado.

— Hum... – Thorton acariciou Xatu. – Por mais que eu odeie admitir, fizemos uma boa dupla.

— Sem mim você tinha ficado lá.

— E você nem tinha ido lá, calhordinha.

Se encararam. Sorriram em seguida.

— Acho que vou indo. – Leon falou. – Preciso ir pra tal baía do rio que você mencionou.

— Quer carona? – Thorton falou. – Xatu pode te deixar lá perto.

— Gostaria bastante. – Xatu entendeu e ficou na frente de Leon.

— Eu não vou saber seu nome?

— Nem eu o seu. Provavelmente nunca mais nos veremos, logo... Acho que é um adeus.

— Talvez. – Ele encarou o camaleão de cima a baixo. – Talvez nos encontremos de novo pra salvar outra cidade da Battle Frontier.

— Ou eu salvar essa sua cara feia. Quero ir.

Thorton riu e Xatu encostou na testa de Leon, que sumiu num flash branco junto com o caderno.

O rapaz deu meia volta e desviou da menina do Ambipom. Desceu a rua e escutou um grito, vindo da lanchonete, era algo parecido com:

“GANHEI, GANHEI, GANHEI! TÔ RICA!”