The Battle Frontier

28 S3EP27 - Chronicles I - Kalos, Sableye and Amber


— Eu não acredito que não consigo me livrar de você. – Amber olhou para o Sableye que estava com um olhar travesso pra ela. – Já é a sexta pokébola que você entra de novo.

—Sab! – O pequeno Pokémon mantinha-se sentado no chão olhando pra ela.

Era o quinto dia de Amber em Lumiose, o horário marcado com o professor Sycamore era apenas na manhã seguinte. Assim que ela subiu no avião para Kalos, recebeu a mensagem de Jake falando sobre o Sableye escondido. Desde então, ela tentou livrar-se dele, sem sucesso.

— Olha só, você pode tentar, mas uma hora vai se cansar. – Ela começou a andar em direção a torre no centro de Lumiose, Sableye levantou e foi logo atrás.

O corredor que Amber estava era extenso, com lojas de ambos os lados. Já era noite, então luzes iluminavam a cidade.No final dele era possível ver a torre de Lumiose, majestosa, brilhante e imponente. Alguns Pokémons pequenos quadrúpedes, com chifres e folhas em volta de seu corpo estavam deitados próximos a ela. Pegou sua Pokedéx, comprada assim que chegou e os analisou. Tratavam-se de Skiddos. Não se interessou por eles, então continuou andando. Pensou em Jake e em como o empate com ele era algo irritante. Quem gosta de sempre empatar com alguém?

—Sab! – Sableye subiu no ombro dela.

Diferentemente das outras dezenas de vezes das quais ela o tirou de seu ombro, dessa vez, o cansaço venceu. Amber deixou o Pokémon em seu ombro e continuou andando em direção à torre. Dez minutos depois ela encarava a construção majestosa, que era em formato piramidal, com um símbolo enorme no meio. Pensou em entrar e visitá-la, mas no momento em que o fez, um menino aproximadamente de sua idade acompanhado de uma menina menor passaram ao seu lado, a menina acabou esbarrando em Amber.

— Desculpa, moça. – Ela ficou envergonhada. – Eu estava fazendo carinho no meu Dedenne. – Um pequeno Pokémon laranja saiu de uma bolsa transversal que ela carregava.

— Não tem problema. – Ela falou meio secamente. – Tudo bem, de verdade.

O menino aproximou-se deles. Amber acabou observando os dois. Ele trajava um macacão todo azul claro com alguns detalhes na cor amarela e uma mochila grande nas costas, além de um par de óculos, ela, uma saia branca grande e uma blusa marrom. Ambos loiros e de pele clara, claramente eram irmãos.

— Perdoe-me pela minha irmã. – O menino respondeu. – Bonnie fica prestando atenção em Dedenne e esquece de tudo a sua volta.

— Como eu disse a ela, não tem problema. – Amber tentou sorrir.

— Veio desafiar o ginásio? – Bonnie pareceu eufórica. – Meu irmão é o líder de ginásio, você já tem quantas insígnias de Kalos?

— Bonnie... – O irmão a repreendeu.

— Isso aqui é um ginásio? – Ela olhou com a boca torta. – Achei que fosse um ponto turístico. Os de lá de Sinnoh são mais... normais. – Ela olhou pra Bonnie. – E não, pequena. Eu não estou desafiando a liga daqui, uma vez pra mim já foi demais, eu acho.

— Perdoe-me se os ginásios não são de seu agrado. – Ele fechou a cara.

— Se acalme, loirinho. – Amber riu. – Sou de Sinnoh, sou acostumada com ginásios menos “extravagantes”, por assim dizer.

— Entendi... – Ele ajeitou os óculos. – Bem, meu nome é Clemont. E o seu?

— Amber. Vim de Sinnoh pra um evento do professor Sycamore, como chego mais rápido lá? Eu estou hospedada no centro Pokémon, mas total de zero orientação nesse lugar.

— Então, senhorita Amber, o laboratório de Sycamore fica do outro lado da cidade de onde o centro Pokémon está, eu tomaria um táxi, chegaria mais rápido se fosse o caso.

— Hum... – Amber ajeitou sua bolsa. – Ok, talvez eu vá mesmo de táxi. – Ela olhou pra trás. – São aqueles com cara de trambiqueiros que ficam no arco maior da cidade, né?

— Exatamente. O serviço de Skiddo não estava funcionando, não sei porque, mas... – Clemont olhou para Sableye. – Belo Sableye, você tem a Mega Stone dele?

— Mega o quê? – Ela questionou, confusa.

— Mega Stone... – Clemont lembrou-se. – É claro, Sycamore está apresentando para treinadores do mundo todo sobre esse método. Foi por isso que você veio pra cá, certo?

— Foi sim. – Amber olhou enquanto Bonnie e seu pequeno Pokémon brincavam de pique-pega na porta do ginásio. – Fiquei curiosa e como... – Uma pausa. – Eu não iria ficar esperando pra ninguém vir comigo... Resolvi vir por conta própria.

— Bem, sem estragar muito a surpresa, mas a Mega Stone pode Mega Evoluir um Pokémon. É um processo temporário, então o Pokémon pode voltar ao seu estágio anterior depois de certo tempo. – Clemont olhou para Sableye. – Seu Sableye pode evoluir se tiver uma Mega Stone.

— Arceus me defenda desse bicho ficar maior. – Ela olhou pra ele, que riu. – Ok, achei interessante. Amanhã descubro mais coisas.

— Creio que você vá gostar. – Clemont chamou Bonnie para perto dele. – Nem todo Pokémon pode mega evoluir. Pelo que sei, por exemplo, em Unova apenas Audinos podem mega evoluir.

— Nossa, que chato. – Ela bufou, irônica. – Não tenho um Audino, então não poderei ver um... Audino Mega Evoluído?

— Mega Audino. – Bonnie falou. – É assim que se chama um Pokémon mega evoluído.

— Hum... – A chance de derrotar Jake borbulhou na mente de Amber. – Bom saber disso, de verdade. – Ela encarou seu Pokétch. – Olha, agradeço a conversa, mas está ficando tarde. Preciso ir.

— Prazer em conhecê-la, Amber de Sinnoh. – Bonnie falou.

— Sim, eu sei. – Amber riu, acenou com a cabeça para os dois e deu as costas, caminhando de volta para o centro Pokémon.

...

— Senhor, qual a forma de pagamento? – O taxista questinou.

— Dinheiro. – Thorton mostrou algumas notas para o motorista do táxi, um homem novo, de cabelos castanhos e que trajava um uniforme cinza escuro de Lumiose. – Obrigado pela corrida, bom serviço. – A mochila de Thorton estava com o zíper aberto e alguns objetos caíram no chão do carro. – Droga, mochila idiota. Eu atrasado e acontece isso.

Thorton abaixou-se e catou a maioria dos objetos, à exceção de uma pequena esfera que caiu do lado do banco esquerdo. O interior do carro era todo cinza claro, com os bancos na cor azul marinho. Assim que achou que tinha recolhido todos os objetos, agradeceu e saiu do carro.

— De nada, senhor! – O motorista falou enquanto Thorton saiu correndo para o aeroporto de Kalos.

O táxi deu meia volta e partiu de volta para Lumiose. Assim que adentrou na cidade, virou na rua do centro Pokémon.

...

— Eu ainda vou te largar aqui e voltar pra Sinnoh, tá me ouvindo? – Amber reclamava com Sableye, que cismou em ficar em seu ombro. – Preciso de um táxi...

Um táxi estava aproximando-se. Amber fez sinal e o mesmo parou na sua frente. Ela entrou e sentou-se no banco atrás e à direita do motorista.

— Com licença, bom dia. – Ela falou. – Laboratório Pokémon do professor Sycamore, por gentileza.

— Claro, senhora. – Respondeu o taxista, um homem novo, de cabelos castanhos e que trajava um uniforme cinza escuro de Lumiose. O interior do carro era todo cinza claro, com os bancos na cor azul marinho. – Chegamos em minutos, no máximo.

—Sab! – Sableye pulou do ombro de Amber e sentou do seu lado, rindo travessamente pra ela.

— Belo Sableye. – O motorista disse. – Meu irmão tem um, são bem travessos, mas se gostam de alguém, são bem leais ao dono.

— Sinceramente, gostaria que ele não gostasse de mim. – Olhou pro Pokémon de cara feia.

— A senhora é daqui?

— Não, de Sinnoh. – Ela respondeu. – Mas nem vem dar volta maior comigo não, viu, chefia. Eu olhei no Pokétch antes de sair do centro Pokémon e sei bem o caminho, só contornar o aro maior da cidade e estamos lá.

— Sim, senhora. – Ele ajeitou-se no banco. – De maneira alguma iria fazer algo assim.

— E de maneira alguma eu também não percebi o senhor jogando para a direita como quem fosse virar e cruzar a cidade pelo meio só para dar mais voltas.

Amber ignorou a resposta do taxista e encostou-se no vidro. Sableye pulou no chão do carro e se esgueirou para baixo do banco do carona. Assim que voltou, estava com um objeto esférico nas mãos, que não foi percebido por sua treinadora.

Dez minutos depois, Amber chegou ao seu destino. Pagou o taxista e saltou do carro, com Sableye logo atrás. Assim que o carro sumiu de vista, encarou a construção. Um laboratório Pokémon, cinza, com uma escada na frente e uma grande porta roxa. Sableye puxou seu cabelo.

—Sab! – E apontou a esfera para ela.

— O que é isso, troço? – Ela pegou o objeto na mão, bege, com um desenho no meio, que lembrava um S meio esticado, na cor marrom e rosa. – De onde você tirou isso?

—Sab! Sab! – O Pokémon apontou par a direção de onde o táxi havia partido.

— Você achou isso no carro e nem para falar comigo? – Ela segurou-o de frente pra ele. – Olha, eu não gosto de você, mas vamos combinar uma coisa: não pegue mais coisas que não são suas. Não anotei a placa do carro do motorista e agora estamos com algo que não nos pertence. Se você prometer que não vai fazer isso de novo, eu posso pensar em ficar com você, ok?

—Sab! – O Pokémon roxo riu travessamente e assentiu.

Amber pousou-o no ombro dela e subiu as escadas. Ficou de frente para a porta e tocou a campainha. Uma. Duas. Três vezes. Quando ia tocar a quarta, pensou em tentar abrir a porta e um homem de terno preto, ruivo, com cabelo espetado e barba passou correndo e trombou com ela, apressado.

— Ai! – Ela reclamou, dando um passo para trás, ajeitando a bolsa no ombro. – É a terceira vez que eu toco a campainha e me atendem assim! Você é o professor, não é? Tentei ligar mais cedo, mas pelo visto vocês não usam o telefone normal em Kalos, só aquela porcaria de Holo-alguma coisa. – Fez uma pausa para se ajeitar. Sableye quase caiu de seu ombro.

— Mas que porcaria, o que eu... – O homem de terno começou a reclamar, em questão de segundos, outra pessoa apareceu. Amber reconheceu pela foto e pelas pesquisas que havia feito no avião que tratava-se do professor Sycamore.

— Amber, chérie, bem vinda! Já conheceu monsieur Lysandre, uma pena que ele estar de saída. Ele criou o Holo Caster, sabe? Uma maravilha! – Percebendo o desconforto do ruivo, Amber deixou que o mesmo passasse, enquanto o professor a conduziu para dentro.

...

— Então isso é uma Mega Stone? – Amber analisou o objeto preso em um cordão de seu Loppuny, e um Mega Ring repousando em seu braço direito. – Que sorte de se tratar de uma Lopunni... Lopunnite? É assim que se fala?

— Sim, chérie! – Sycamore parecia eufórico sentado atrás de uma mesa. – Que sorte a sua que seu belo amigo Sableye gosta de objetos pequenos e acabou achando essa Mega Stone.

— Olha, sorte, sorte não foi não. – Ela encarou o Pokémon sentado na mesa à sua esquerda. – Pegamos um táxi para vir para cá, ele se esgueirou pelos cantos do carro e deve ter achado isso, só me mostrou depois que eu já não consegui ver o taxista.

— Normal. Sableyes são assim. – Ele apontou para o bracelete de Amber. – Espero que goste do Mega Ring, não tinha um na cor rosa ou vermelho, então teria que ser...

— Sem problemas, não ligo pra isso. – Ela o cortou. – Para fazer meu Loppuny evoluir é só apertar o botão e pronto?

— Exato. – Sycamore levantou-se. – Ma chérie, adorei nosso encontro, mas preciso atender o próximo visitante. – Amber levantou-se também. Tem certeza que não quer levar um dos iniciais? Estamos oferecendo para treinadores fora de Kalos, para que divulguem nossa mensagem.

— Obrigada, mas não. – Amber sacou sua pokedéx. – São bonitos, mas não sou muito fã de pokémons iniciais. – Ela apontou o aparelho para Sycamore. – Gostaria de um desses daqui, onde posso encontrar?

— Em 3 locais por aqui em Kalos. – Ele pegou e marcou no pokétch dela. – Rota 8, Ambrette Town ou Cyllage. Quer alguma ajuda para chegar lá?

— Não é necessário. – Loppuny a seguiu. – Vamos embora, agradeço muito os ensinamentos sobre as peculiaridades daqui de Kalos, professor. Só uma última dúvida. — Os dois já muito perto da porta. – Sobre esse tipo fada, como há pokémons que ainda não estão 100% eu diria... convertidos a ele?

— Ma chérie, aparentemente essas mudanças estão acontecendo aos poucos nos pokémons. Aqui em Kalos nenhum Pokémon que tenha o tipo fada já sofre danos de pokémons do tipo dragão, por outro lado... tipo veneno e metálico prejudicam-nos bastante. Aquele seu amigo que você me contou, o Togekiss dele poderia muito bem derrotar seu Salamence, uma vez que na batalha de Pokéringer de vocês você me relatou que o mesmo estava resistindo aos ataques de seu dragão. – Sycamore a segurou, correu de volta a sua mesa, pegou uma pequena revista e entregou nas mãos dela, continha a foto de um Eevee e uma possível evolução em cor bege clara com fitas na cabeça que Amber nunca havia visto. – Leia isso, vai ajudar.

Amber agradeceu e saiu do laboratório, com Sableye e Lopunny. Olhou no Pokétch as marcações que Sycamore fez e saiu andando.

— Vamos incrementar esse time para acabar com esse empate de uma vez por todas. – Ela olhou para Loppuny. – E ver o quanto você fica mais forte com isso aqui.

—Sab! – Sableye puxou o cabelo dela, rindo travessamente.

— Ok, tá bom. – Ela começou a andar. – Pode ficar comigo, já entendi que você gosta de mim. – Ela sorriu, um sorriso sincero e doce, nada típico de Amber. – E se não fosse você, não teríamos esse upgrade no meu time. Obrigada.

E os 3 saíram andando pelas ruas de Lumiose, em direção aos destinos marcados por Sycamore.