The Battle Frontier

27 S3EP26 - Nice to see you again, Charles


Scarlett e a filha de Charles estavam conversando animadas sobre berries e coisas de Pokémon Ranger na varanda do chalé de Charles, alguns Porygon estavam parados perto delas. Charles estava sentado na mesa da sala dele, me encarando.

— Pode começar.

— Eu não sei o que você quer que eu fale.

— Primeiro, de quem era o Weavile. – Charles franziu a testa.

— Não sei, de verdade. Vi o dono, mas podia ser algum ladrão ou algo assim.

— Bem, se ele tinha apenas o Weavile e era um ladrão...

— Não era um ladrão. – Respirei fundo. – Desde que eu saí de casa para desafiar a Battle Frontier eram 3 pokémons me perseguindo. De início não entendi, um tempo depois Leon... – O nome dele rasgou minha garganta. – Descobrimos que eles queriam me matar. Duvido muito que isso tenha acabado. No início ele tinha um Gengar e um Scizor. Gengar sumiu, Weavile caiu conosco e eu não vi nada de Scizor.

— E como ele era? – Ele coçou a barba rala do queixo. – E por quê a coloração diferenciada?

— Terno branco, cabelo preto longo e barba. Sobre a coloração... bem, nós não sabemos. – Dei um peteleco no tubo escrito CDR-31. – Vai ver que é por conta disso aqui. No início os 3 eram pretos, um tempo depois nós lutamos com eles e Gengar perdeu a coloração preta, voltando a sua cor original. Na segunda vez Scizor estava todo roxo e algumas partes do corpo de Weavile também.

— E o tipo deles? Foi modificado?

— Talvez tenha sido, por isso os golpes que tentávamos baseados no tipo que conhecíamos não estavam funcionando. Bem, isso não importa agora. Estou longe demais da Battle Frontier e acho que por enquanto não tenho que me preocupar com isso. – Sacudi as mãos como se limpasse poeira de perto do meu rosto.

— Na realidade, isso é preocupante sim. – Ele me encarou. – Quem quer que seja, ele não te atacou antes por quê?

— Eu e Scarlett já havíamos conversado sobre isso. Provavelmente ele deve ter esperado e planejado tudo nos mínimos detalhes esperando apenas que eu saísse em jornada de novo para tentar me matar. O que importa é que assim que eu voltar para casa vou contar isso pra minha mãe e Thorton e vamos pensar no que fazer.

— Não seria melhor contar agora?

— Não. – Cortei-o. – No início eu queria resolver isso sozinho, admito. Agora eu só quero descansar um pouco a mente, assim que nos recuperarmos do susto, voltarei pra casa com Scarlett e contarei pra minha mãe e pra Thorton pessoalmente. Estou te pedindo para que por favor não fale com ela.

— Bem... Você quem sabe. – Ele encarou o tubo na mesa. – Que tal a gente analisar o que tem aí dentro?

— E você tem como analisar isso aqui? – Espantei-me.

— Sim, no subsolo controlo a represa e tem um pequeno laboratório para os Porygons, podemos fazer alguns exames lá então acho que consigo ver o que tem nesse tubo. – Ele me respondeu e saiu andando.

Segui-o encarando o chão de madeira. No hall de entrada da casa funcionava uma pequena espécie de centro Pokémon, a filha de Charles era uma Joy que cuidava dessa parte do chalé, apesar de quase nunca aparecerem treinadores solicitando ajuda para cuidar dos Pokémon. Do lado do balcão onde ficava a máquina que recuperava os Pokémons Chansey repousava tranquilamente e comia um pequeno petisco, havia uma porta azul clara. Charles a abriu e descemos escadas sinuosas que revelavam um pequeno laboratório comum, com diversos tubos de ensaio, uma maca. Ao fundo, um Ditto dançava em um grande tubo que ia do chão ao teto e um Porygon Z dormia:

— O que ele faz ali?

— Ele me ajuda com os Porygons da baía e com qualquer outro Pokémon machucado. É só pegar as células dele e colocar em contato com o outro Pokémon que elas se replicam. Ajuda bastante.

— Nossa, que legal. – Parei em frente ao tubo em que Ditto estava. – Que líquido é esse?

— É... – Charles colocou o tubo do CDR-31 numa bancada. – Um plasma combinado das células dele e do Porygon Z. Ele fica aí umas duas horas por dia replicando o plasma e não preciso usar partes dele para fazer isso.

— Mas você não disse que usa? – Ditto colou seu corpo no vidro e riu para mim.

— Sim, mas a gente está criando um modo de pegar apenas as células de cura dele, enfim... – Ele arregalou os olhos. z O que é isso?

Afastei-me do tubo. Charles estava verificando o que havia dentro do tubo menor. Uma tela a direita do bacão apareceu com diversas palavras e nomes de Pokémons:

— Charles, em português, por favor. – Apontei para a tela.

— Tem DNA de 31 Pokémons aqui. – Ele arrastou o dedo para baixo e a tela mostrou alguns parágrafos.

— Como assim?

— É sério. – Ele ampliou um parágrafo. – Até DNA de Ditto tem aqui, mas só a parte para cópia. A função está sendo de replicar as propriedades dos Pokémons que... Hum...

— O que foi? O que foi? – Falei nervoso.

— A maioria dos Pokémons aqui são do tipo veneno, ou tem alguma coisa que biologicamente remete a veneno.

— Então... isso é um veneno? — Falei.

— Sim, é. – Charles continuou a ler em silêncio. – O que eu não entendi é como isso estava atado ao Weavile e não o matou e... – Ele levantou o tubo.

— Charles, você tá me assustando.

— Tem sangue coagulado aqui. Sangue de Pokémon. – Ele pegou uma caneta do lado da bancada e raspou uma crosta fina vermelha da parte de trás do tubo. – Deixa eu ver o que fez com o sangue dele.

— Mesmo coagulado? – Perguntei.

— Não, vou tentar reverter isso. – Ele apertou um botão no lado direito da bancada e uma ampola da cor do plasma do tubo de onde Ditto estava saiu por uma pequena gaveta. A mesma se partiu em cima do sangue coagulado, fazendo-o voltar ao normal, na cor vermelho vivo.

— O que você está fazendo?

— Meio que forjando vida nesse sangue coagulado para analisá-lo e... – Charles arregalou os olhos. – O sangue já era alterado, com esse veneno, ele torna-se muito mais forte.

— Essa bancada faz isso tudo? – Perguntei espantado.

— O que ela não faz é a pergunta. – Ele pigarreou. – Enfim, ao que parece isso naquele Weavile deu super força, agora... Acho que em Pokémons comuns pode causar um pequeno problema...

— Como assim?

— Torna o Pokémon louco. – Charles falou seco. – E possivelmente não há como reverter e... Coloca um pouco do seu sangue aqui.

Rapidamente puxei uma unha do dedo com força e saiu um pouco de sangue dela. Pinguei uma gota no sangue analisado. Charles observou a cena e um novo relatório surgiu na tela.

— Faz sentido. – Ele olhou para mim e sorriu. – Você sendo imune não é a cura, mas não é infectado pelo veneno. Nunca pensei que eu diria isso, mas... Obrigado Muk por ter te deixado assim.

— E isso pode me ajudar por quê?

— Se ele tentar te infectar com isso não vai dar certo.

— Hum... – Lembrei-me de um fato importante. – Um tempo atrás um anel de metal roxo estava no meu gorro... Talvez pra me envenenar, o que não deu certo, creio eu.

— Muito provavelmente. – Ele franziu o cenho. – O que eu me pergunto é: quem te odiaria a ponto de tentar te matar de diversas formas possíveis?

— Sinceramente? Eu não sei. – Continuei encarando o Porygon Z de Charles que dormia.

— Vamos pensar em algo. – Ele colocou a mão em me ombro. – Até lá, aqui, você estará seguro. Estamos muito longe da área da Battle Frontier, não há com o que se preocupar. Fiquem o tempo que quiser, não falarei Dahlia.

— Obrigado. – Porygon Z se mexeu. – Mudando de assunto, como está essa questão dos Porygons aqui?

— Já foi pior, depois do seu Porygon a maioria dos que vem pra cá não quer evoluir ou só evolui até Porygon 2. O único Porygon Z aqui é ele. – Charles o encarou.

Entrei em pânico instantaneamente. Nossas pokébolas haviam ficado no centro Pokémon da cidade da Battle Tower.

— Charles, meu Arceus. – Levei a mão à testa. – Nossos Pokémons ficaram no centro Pokémon da Battle Tower.

— Sem problemas. – Ele desligou a bancada. – Só precisamos ligar pra lá e pedir para que nos enviem.

Nesse momento, o Porygon Z de Charles acordou e nos viu. Sorriu e ficou de pé esperando algum comando de seu dono. Charles fez sinal para Ditto sair do tubo. Observei a geleca rosa descer seu corpo até o final do tubo. Do nada ele surgiu atrás de uma mesa e se arrastou até o ombro de Charles. Antes de tomarmos a escada, ele virou-se para mim e disse:

— Vamos deixar essa história desse veneno entre nós até termos uma ideia do que fazer com isso, ok?

— Tudo bem. – Falei meio sem entender.

Subimos os degraus. Assim que chegamos na entrada, ela estava lá. Conversando com Joy e Scarlett. Um Sableye em seu ombro e ela gesticulando sobre um pequeno bracelete em sua mão direita. Quando notaram minha presença, Amber virou-se para mim e disse:

— Aí está você. – Ela andou até a mim. – Catei sua localização e vi que você estava por aqui. Temos que resolver isso, Empate. Fui até Kalos e voltei e acho que está na hora de resolvermos nosso assunto de uma vez por todas.

— Não. – Falei. – Você é a melhor, não estou nem aí. – Virei-me para Scarlett. – Nossos pokémons ficaram no centro Pokémon lá da Battle Tower, precisamos pedir para que nos enviem. – Virei-me para Joy. – Consegue fazer isso?

— Claro, sem problemas! – Ela respondeu feliz, afastou-se das meninas com Chansey logo atrás e ligou um computador.

— Empate, sem essa. – Ela veio na minha direção. – Vamos batalhar sim, agora vai. Tô sentindo.

— Eu já disse que...

— Jake, quero lhe pedir um favor. – Charles me cutucou. – Poderíamos voltar ao laboratório rapidamente?

Assenti e dei as costas para Amber, apesar dos nomes ofensivos direcionados a mim.

...

— Qual o problema do Empate, ruiva? – Ambas estavam perto do balcão onde Joy já estava solicitando o envio dos Pokémons.

— Ele desistiu.

— De batalhar comigo? – Ela sentou-se. – Isso eu já percebi.

— Não, de tudo. Da Battle Frontier, vai ficar uns dias aqui talvez e voltar para casa. Além disso o que Leon fez...

— Ia perguntar dele agora. – Amber olhou para os lados. – Onde está esse camaleão bocudo?

— Então... – O olhar de Scarlett ficou distante e ela quis segurar o choro. – Ele não está mais viajando conosco.

— Por quê?

— Porque esse bandidinho nos entregou. – Falei, subindo as escadas. – Ele nos entregou para o desgraçado que me perseguia, o mesmo que largou o Drapion em Skypone.

— Você encontrou com o cara? – Amber virou-se para mim espantada. – E pera... O que Leon fez que...

— Empate, esquece essa história. – Dei dois passos na direção dela. – Você quer a luta ou não?

— Querer eu quero, mas...

— Ótimo, lá fora. – Apontei para a porta. – Tem um campo de batalha aqui atrás, só paramos de lutar quando a diferença for de mais de um Pokémon, ok?

— Como assim?

— Um contra Um. Se tiver empate, três contra três e assim por diante. Fechado?

— Ih, acabei de me tocar. – Ela acariciou a cabeça de Sableye. – Não estou com Salamence, só trouxe Loppuny e esse troço aqui.

— Eu daria tudo pra saber como foi que vocês se acertaram. – Falei.

— Não queira saber, foi insuportável. – Sableye riu. – Então, terá que ser dois contra dois. Esse bandidinho aqui ainda não consegue lutar direito. Dessa vez tenho algo que não vai fazer com quem a gente empate, tenho certeza.

— Como quiser. – Falei. – Vai na frente, vou pegar meus Pokémons aqui, o campo é logo aqui atrás.

— Não fuja, ou eu vou atrás de você e... – Ela olhou pra porta. – Por quê tem tanto Porygon aqui? Não que eu não goste, mas...

— Porygons gostam daqui. – Charles falou. – E esse aqui mantém tudo em ordem. – Apontou para seu Porygon.

— Ah sim, Charles. – Amber sorriu pra ele. – Saudades do senhor.

— Saudades também, querida. – Ele sorriu de volta.

— Empate, tô lá fora. – Ela saiu andando. – NÃO DEMORA!

— Jake, vou continuar fazendo o que estava fazendo. – Ele nos deu as costas e voltou para o laboratório, com Porygon Z e Ditto junto dele.

— Sem problemas. – Respondi. Aproximamo-nos da Joy. – Já chegaram?

— Já sim. – Ela estendeu duas bandejas com as pokébolas. – A Joy de lá ficou preocupada, mas assim que expliquei tudo ela os enviou.

— Ok. – Olhei para o computador de trocas do lado oposto à entrada do Hall. – Posso usar?

— Claro, fique a vontade. – Ela saiu de trás do balcão, com Chansey logo atrás. – Eu vou preparar o almoço, quando terminarem a batalha, chamem meu pai, por favor?

— Chamamos sim. – Scarlett respondeu.

Ela esperou a Joy sair e cochichou pra mim.

— O que você vai fazer?

— Relaxar, Scarlett. – Olhei de volta pra ela. – Relaxar. Vou trocar alguns Pokémons meus.

Scarlett ficou sentada olhando pra mim enquanto eu levantei da mesa, fui até o computador e abri meu cadastro e minha relação de Pokémons. Troquei Garchomp, Sceptile, Drapion e Ambipom por Azumarill e Porygon Z. Olhei meu time: Togekiss, Infernape, Azumarill. Marshtomp e Porygon Z. Não obedeci ao conselho que Thorton me deu quando saí de casa. Assim que terminei as trocas, levantei-me e fomos para os fundos do Chalé.

— O que Charles falou que te fez mudar de opinião?

— Ele teve uma ideia. – Estendi o braço direito para ela mostrando um pequeno curativo no meio. – Como sou imune a qualquer tipo de veneno, ele acha que pode replicar meu sangue e mesclar com as células de cura do Ditto para criar uma espécie de antídoto.

— E daí?

— Caso Scizor apareça... – Fechei a cara. – Não precisamos lutar, só precisamos injetar o antídoto nele e aí... Ele volta a ser um Pokémon normal sem graça com super fraqueza ao tipo fogo.

— O que ele falou pra te convencer?

— Pra mim, nada. – Olhei para ela. – Ele ligou pra minha mãe e contou que eu tinha decidido passar um mês aqui, aproximadamente. – Ri. – Fez sinal que queria contar algo, mas... se eu aceitasse lutar contra Amber... ele falava que estava tudo bem, além de pedir um pouco do meu sangue, claro.

A voz de Amber gritando por mim já era plenamente audível, o caminho de terra pequeno que contornava o Chalé culminava num campo aberto virando à direita. Ouvimos ela gritar:

— PODE VIR, EMPATE!

Aceleramos o passo. Quando chegamos no campo de batalha Amber segurava uma pokébola na mão esquerda e na frente dela estava um Pokémon que eu nunca havia visto.

...

— Senhor, eles estão nessa baía afastada da área da Battle Frontier. — Ela apontou um pequeno dispositivo contendo um mapa para o homem.

— Pela primeira vez em tempos a sorte sorri para mim. – Foster encostou o dedo na tela. – É perfeito para meus planos, o velho nem deve saber que estou atrás do garoto então será ainda mais fácil.

— Velho?

— Charles, um amigo que ajudou Dahlia a esconder do garoto a verdade. – Foster socou a mesa.

— Que verdade?

Ele ignorou a pergunta da mulher, deu as costas e Scizor parou ao seu lado.

— Dessa vez eu vou com você.