The Battle Frontier

21 S2EP20 - The tower is higher now


— Jake? – Palmer me encarou confuso. – Você já voltou? Nós lutamos ontem e...

— Eu sei disso. Eu treinei depois que saí daqui e queria uma revanche. – Fiz uma pausa para mostrar confiança. – Sei que dessa vez eu conseguirei o êxito.

— Bem... – Ele coçou o queixo e ajeitou o sobretudo verde. – Se você acha que consegue me vencer... Por quê não tentar?

— Jake... – Scarlett pôs a mão no meu ombro. – Tem certeza?

— Sim, Scarlett. – Encarei-a. – Quinta vez hoje. Eu vou vencer.

Ela e Leon se afastaram, sentando-se no mesmo banco do dia anterior, dessa vez vazio. Palmer possivelmente não deveria estar ensinando a outros treinadores no momento. Posicionei-me e ele também:

— Repetiremos o estilo de ontem. Três contra três, o primeiro que perder os três perde a batalha.

— Tudo bem. – Lancei uma pokébola pra cima, eufórico para começar logo a batalha. – Drapion!

O escorpião roxo apareceu e percebi na expressão de Palmer que algo havia mudado, não consegui identificar o que era, mas algo havia acontecido.

— Rhyperior, vamos lá!

— Cross Poison! – Mal esperei o Pokémon aparecer.

— Rock Wrecker! – A esfera de pedra foi conjurada numa velocidade incrível e foi de encontro ao ataque venenoso.

— Night Slash!

— Hammer Arm, uma sequência!

Sorri. Palmer perdeu tempo focando no Night Slash então não conseguiria para meu outro ataque a tempo:

— ICE FANG! – Gritei a plenos pulmões.

— Evaziva e Horn Drill!

— DESVIA E USA O X-SCISSOR!

Drapion conseguiu desviar e acertou o ataque, fazendo Rhyperior recuar. Palmer olhou e riu, possivelmente satisfeito com a mudança:

— Esse seu Drapion é muito forte. Eu soube do que ocorreu em Skypone, muito nobre de sua parte se oferecer para treiná-lo e guiá-lo em sua jornada.

— Obrigado. – Falei orgulhoso.

— Entretanto, devo te dizer que infelizmente você ainda não está cumprindo com o que prometeu a ele...

— O quê?

— Earthquake. – Ele ordenou o comando calmamente.

Rhyperior usou a cauda e deu um salto. Seu corpo caiu em cima de Drapion que nada pode fazer. O chão todo tremeu e assim que a poeira baixou vi meu Pokémon caído perto de Scarlett e Leon que me encaravam com uma cara de decepção. Derrotado.

“Drapion está fora de combate. O vencedor é Rhyperior.” E o ícone de Drapion se apagou.

— Mas que droga. – Apontei a pokébola para ele. – Obrigado, Drapion. Descanse.

— Jake, quer encerrar a luta e retornar outro dia? – Ele falou com uma expressão preocupada.

— Não, quero seguir em frente. – Lancei uma pokébola para cima. – Sceptile!

— Bem... – Ele pigarreou. – Rock Wrecker gigante!

— Quebra com o Leaf Blade e acerta ele!

Sceptile investiu na direção da grande esfera de pedra e a quebrou ao meio, levantando uma pequena nuvem de poeira. Assim que o lagarto passou pelo ataque deu de cara com Palmer que ria para ele:

— Hammer Arm!

— Mas... – Olhei para cima. Rhyperior havia usado a cauda para se jogar para o alto.

Ele acertou Sceptile que foi ao chão. Parou na frente de seu treinador e foi recolhido.

— Milotic, pra fora! – A pokébola foi lançada e o Pokémon gracioso apareceu.

— Levanta e Thunderpunch! – Gritei com o suor escorrendo da testa.

— Ice Beam!

— Evaziva e ataca!

Sceptile saltou e conseguiu desviar do ataque, acertando o oponente. O Pokémon aquático levou o dano e caiu. O lagarto voltou e ficou de costas de para mim.

— Muito bem, Jake. – Ele elogiou. – Mas...

— Sem mas! Leaf Blade e Thunderpunch!

— Hydro Pump!

— Atravessa com o Aerial Ace!

A explosão do Aerial Ace colidindo com o ataque de água deu a Palmer o tempo que ele precisava para que Sceptile esquecesse de focar no Leaf Blade e no Thunder Punch. Milotic enrolou Sceptile e o jogou no chão.

— Ice Beam. – Sua voz foi fria como o ataque.

Fechei os olhos para não ver. Sceptile urrou de dor e deu várias cambalhotas no chão, parando bem na minha frente. Derrotado.

“Sceptile está fora de combate. O vencedor é Milotic.”

— Jake...

— Palmer, já disse que não. – Recolhi Sceptile. – Posso ter apenas um Pokémon, mas ele é forte o suficiente para fazer o que tem que ser feito. – Lancei a pokébola. – Garchomp!

— SEU ASNO, QUAL O SEU PROBLEMA? – Leon gritou da arquibancada. – MILOTIC TEM ICE BEAM E VAI SENTAR O ATAQUE NO GARCHOMP!

— Palmer, podemos? – Ignorei.

— Como quiser. – Ele recolheu Milotic. – Dragonite!

Os dois dragões se encararam. Garchomp firmou os pés no chão e pareceu disposto a virar o jogo.

— Dragon Claw!

— Brick Break!

A colisão de ataques me fez ficar esperançoso, Garchomp conseguia segurar a força de Dragonite.

— Dragon Rush!

— Outrage! – Palmer cerrava os punhos e parecia entusiasmado.

Mais uma colisão, Garchomp dessa vez encontrou certa dificuldade, mas manteve-se firme. Palmer franziu o cenho e pareceu ponderar a situação.

— Earthquake!

— Vai junto com ele, Earthquake também!

O local todo tremeu duas vezes mais forte do que o normal. Ambos ainda pareciam intactos. Decidi arriscar um golpe mais próximo para atrair a atenção de Palmer:

— Fire Fang!

— Brick Break, bloqueia esse ataque!

— DRAGON CLAW! – Gritei e Garchomp mordeu o Brick Break com a boca em chamas, segurando o braço de Dragonite e acertando o Dragon Claw no queixo do oponente.

O dragão de Palmer caiu e cambaleou para a direita. Era minha chance de vencer.

— Dragon Rush, vai!

Palmer ficou parado e esperou Garchomp vir. No último segundo eu percebi que se tratava de uma armadilha.

— Outrage e Brick Break!

Ele juntou os braços brilhando na frente do corpo e a aura vermelha tomou conta dele e se arremessou contra Garchomp, que mesmo com a força do Dragon Rush foi jogado para trás. Na mesma velocidade Dragonite virou um espectro vermelho por completo e foi recolhido. Outra pokébola foi lançada e Milotic apareceu.

— Ice beam.

— Não. – Foi só o que consegui falar.

O raio de gelo saiu da boca do Pokémon e em câmera lenta acertou Garchomp, que foi de encontro com a parede no mesmo lugar onde havia batido ontem. Derrotado.

“Garchomp está fora de combate. Como o desafiante não tem mais Pokémons disponíveis a vitória é do Tower Tycon Palmer.”

Caí de joelhos no chão. Palmer recolheu Milotic correndo e parou na minha frente:

— Levante-se. – Ele me segurou e me puxou para cima. – Eu não queria ter feito isso com você, mas foi preciso.

— Por quê? – As lágrimas querendo sair de meu rosto.

— Você sabe da minha força. – Ele pôs a mão em meu ombro. – Sabe que eu te derrotei ontem. Achou que um dia de treino e o fato de ter vencido Darach e Argenta em uma revanche se repetiria aqui. Se fosse assim era só perder a primeira vez em todos nós e na segunda você venceria. Eu sabia que você voltaria antes do tempo então eu estudei o que você fez da outra vez e bolei uma estratégia caso você repetisse na segunda vez o que você fez na primeira.

— E o que isso significa?

— Que você não estava pronto. – Scarlett e Leon pararam do lado dele para reforçar suas palavras. – Você tem que entender que esse desafio não é como nada que você fez antes. Eu conheço você, Jake. Acha que eu não sei da sua força?

— Mas...

— Mas você sabe também que foi imaturo na decisão de voltar aqui hoje. – Ele bagunçou meu cabelo. – Eu acredito que você um dia consiga vencer a Battle Frontier e se tornar um Frontier Brain como tanto sonha, mas até lá tem que amadurecer e entender que as derrotas são normais e fazem parte da jornada.

— Eu... – Nesse momento uma voz feminina me cortou.

— Fez besteira e perdeu por não saber analisar direito as coisas. – A voz era rouca e decidida.

— Bertha? Você estava aí? – Palmer encarou um ponto atrás de nós. – Desde quando?

Virei-me. Bertha, uma Elite Four de Sinnoh assistiu minha derrota vergonhosa. Pela primeira vez na vida agradeci por ter perdido rápido. Enxuguei as lágrimas.

— Desde a hora em que a batalha começou. – Ela saiu da arquibancada e veio na nossa direção. — Faz tempo, Jake. – Disse, parando na minha frente. – Fui visitar sua mãe e ela me contou que você estava desafiando a Battle Frontier.

— É. – Falei desanimado. – E falhando miseravelmente.

— Hum... – Ela olhou para mim de cima a baixo. – Vamos conversar sobre isso depois. Palmer, precisamos resolver um assunto pendente.

— Sim, claro. – Ele passou por mim e ficou de frente para ela. – Podemos?

— De acordo. – Bertha olhou para mim. – Você e... – Olhou para Scarlett e Leon. – Presumo que essa bela moça e esse Kecleon Shiny sejam seus amigos. – Me esperem no Pokémon Center. Quero ter uma conversa com você sobre a batalha de hoje. – Ela abriu sua bolsa e entregou uma pedra para mim. – Leve isso, vai te ajudar. Encontro vocês em breve.

Assenti. Scarlett e Leon pararam do meu lado e tomamos o elevador. Os dois que ficaram andaram e sentaram na arquibancada. Assim que a porta do elevador se fechou, o ovo brilhou, Scarlett virou-se para mim e disse:

— Confesso que não aguento mais esperar pra que esse ovo choque e... Pode chorar, crianção. – E me deu um soco. – Vamos ver se com a Elite Four te dando algum conselho você absorva e faça alguma coisa certa dessa vez.

— Se você chamar ela de Elite Four na frente dela vai tomar uma surra.

— Eu sei que não deveria falar, mas... NÓS TE AVISAMOS, IDIOTA! – Leon gritou e eu corri atrás dele querendo esganá-lo.

Rimos bastante enquanto o elevador descia. Apesar do clima de humor eu estava muito, mas muito cabisbaixo.