The Battle Frontier

20 S2EP19 - Battle Tower! 3 x 3 battle!


— Rosa... – Leon encarava o vidro da redoma que protegia o ovo de Scarlett. – São tantos Pokémons nessa cor que eu não consigo chutar um. Qual você acha que vai sair, ruiva?

— Eu sinceramente não sei. Acho essa a melhor parte de se ter um ovo, a expectativa de não saber o que vai sair de dentro dele. – Ela segurava o grande objeto de vidro com força. – Na realidade o que me preocupa mais no momento é a Dawn Stone.

— E Kirlia, não acha melhor que...

Minha mente se desligou da conversa dos dois. A cidade da Battle Tower já era visível. Cerrei os punhos e encarei a enorme torre que ficava bem no centro da cidade. A rodoviária era logo em frente ao lugar então assim que chegássemos seria apenas questão de atravessar uma rua.

— Vamos chegar em breve. – Falei sério. – Assim que o ônibus parar vamos direto para lá.

Os dois pararam sua conversa e assentiram. O ônibus finalmente deixou a rodovia que consistia de basicamente muitas árvores e adentrou a cidade. Seu formato se assemelhava com o desenho de Skypone, oval. A linha reta que o veículo descreveu durou cinco minutos, até o momento em que ele parou na rodoviária e algumas pessoas levantaram-se para saltar. Dei um salto do banco e Scarlett veio atrás, com Leon em seu ombro.

...

— Nossa... – Leon inclinou o pescoço para o alto. — Palmas vive aí sozinho? Que troço grande.

— Quero ver você chamá-lo de Palmas na frente dele. – Falei rindo. – O filho dele morava aí com ele, mas saiu em jornada tem uns 2 anos. Volkner e ele são primos, me espantou muito que ele não quisesse ter vindo conosco. Creio que a partida de Amber deve tê-lo abalado.

— Volkner e Palmer são primos? – Scarlett falou espantada.

— Cabelo loiro espetado, pele clara, muito poder, um espírito de batalha sem igual... Se eles não fossem primos eu diria que seriam irmãos. – Fiz uma pausa. – Quanto ao espírito de batalha... Vamos subir.

A torre era majestosa, com apenas algumas janelas no alto. Sua cor era vermelho, que representava o símbolo da fronteira dado a quem conseguia a façanha de vencer Palmer. Scarlett virou-se para mim:

— Tem certeza que lutar com ele agora é o certo? Geralmente os desafiantes saem de Argenta e partem para Thorton, sua mãe e aí vem para cá. – Ela entortou a boca.

— Thorton me ensinou tudo que sei, ele me ajudou nas oito insígnias e na Sinnoh League. Dahlia... É minha mãe. – Fiz uma pausa e respirei. – Palmer perto deles dois é ridiculamente fácil.

Não esperei a resposta dela. Continuei a andar em direção a torre e ficamos de frente para uma porta de vidro grande de correr.

...

Depois de conversar com uma recepcionista muito educada tomamos um elevador largo. Era possível ver a cidade enquanto subíamos para o último andar. Scarlett e Leon olhavam abismados para a cidade enquanto eu encarava a porta do elevador. Quando ele chegou no último andar e se abriu, enrijeci os músculos.

— Vamos, medroso. – Scarlett me deu um empurrão.

Estávamos em um campo de batalha com alguns treinadores, provavelmente assistindo alguma demonstração de habilidades de Palmer e que conversavam entre si. As paredes eram todas de aço e no alto havia uma redoma de vidro grosso que permitia a entrada da luz do dia. No meio do grupo eu vi seu cabelo e seu sobretudo verde de couro. Palmer gesticulava animado quando seu olhar cruzou com o meu. Ele pediu um momento e andou até a nossa direção, desconfiado:

— Jake! Quanto tempo! – Ele me deu um forte abraço. – Não esperava você tão cedo, já derrotou até sua mãe? E quem é sua amiga? E esse Kecleon shiny? Que bonito!

— Uma coisa de cada vez. – Acalmei-o. – Não, você é o terceiro que eu vim enfrentar. Ela é Scarlett e esse do lado é Leon. Ele fala, então não se espante. – Apontei para ele.

— Ele fala? – Seu olhar ficou curioso.

— Sim, eu falo. – Ele subiu no ombro de Scarlett e encarou ao Frontier Brain. – Coé, Palmas.

— Difícil é fazer ele parar de falar e ser educado. E lhe chamar pelo nome correto. – Scarlett soltou a piada. – Muito prazer, senhor.

— Gostei dele. – Falou, rindo.

Depois das devidas apresentações, os treinadores sentaram-se em uma pequena arquibancada do lado esquerdo do campo. Eu e Palmer ficamos no centro e conversamos brevemente:

— Devo dizer mais uma vez que não esperava você aqui tão cedo. Geralmente depois de Argenta os treinadores...

— Enfrentam Thorton, mamãe e aí a você. – Cortei-o. – Mas dada a minha condição com eles dois acho que era mais prudente vir aqui antes.

— Como quiser. – Ele ajeitou o cabelo. – Vamos a nossa luta?

— Claro, vamos sim. – O pânico tomou conta de meu corpo. – Quan-quantos pokémons vamos usar?

— Usaremos três. – Ele fez uma pequena pausa. – O primeiro que perder os três pokémons perde, de acordo?

— Sim. – Falei sério. – Qual lado eu fico?

— O próximo ao elevador. – Ele apontou para o local de onde entramos.

Dei as costas para ele e me posicionei. Do outro lado do campo eu via a silhueta de Palmer que já segurava uma pokébola. Ele apontou o objeto esférico para mim e disse:

— Pronto?

— Estou. — Falei decidido.

— Milotic, vamos lá! – Ele lançou a pokébola para cima e o grande Pokémon bege apareceu, flutuando no campo de batalha. – Sua vez. – No telão acima das cabeças de todos que estavam sentados apareceram os tradicionais ícones com meu rosto e o do Frontier Brain. Ao lado do de Palmer, apareceu a foto de um Milotic.

— Hum... – Encarei o Pokémon. – Fraco contra golpes do tipo elétrico e planta. – Saquei uma pokébola e a lancei para o alto. – Sceptile!

...

— Não... – Scarlett falou baixo para Leon. – Ele não fez isso, porque ele não tenta pensar, mas que desgraça.

— Novidade seria ele pensar. E... Qual o problema? – Leon olhou para ela. – Sceptile tem Leaf Blade e Thunderpunch, perfeitos para derrotar esse bicho maravilhoso.

— Não é isso. – Ela fitou o rosto de Palmer. – Eu pesquisei um pouco sobre o Palmer. Um dos motivos pelos quais ele é tão difícil de ser derrotado é que ele analisa o oponente pelo primeiro Pokémon dele.

— E como apenas Sceptile pode dizer algo sobre o Jake?

— Você vai ver. – Ela ficou preocupada. – Espero que ele entenda isso o mais rápido possível.

...

— Hydro Pump! – Palmer ordenou. Milotic escancarou a boca e soltou o ataque de água com uma força descomunal.

— Evaziva! – Sceptile jogou-se para o lado. – Leaf Blade!

— Cruza com o Iron Tail!

Os dois ataques se chocaram, Sceptile parou perto de Palmer enquanto Milotic ficou a minha direita. Os treinadores vibravam com a luta. Decidi não perder tempo:

— Thunderpunch!

— Iron Tail mais uma vez! – Ele parecia entusiasmado.

Mais uma colisão de movimentos. Palmer rapidamente tentou um ataque direto:

— Hydro Pump, vai!

— Gira e atravessa usando Aerial Ace e Leaf Blade!

Palmer coçou o queixo com uma expressão de dúvida, o que tirou minha atenção por um momento. Sceptile conseguiu acertar Milotic na cabeça, que ganiu de dor.

— Belo movimento. – Ele falou ainda sorrindo. – Mas... Giga Impact!

O golpe me pegou de surpresa. Respirei fundo e tomei a pior decisão que eu podia ter tomado:

— Giga Impact!

Os dois foram na direção um do outro e colidiram. Ambos foram arremessados para trás, paralisados. O silêncio tomou conta do local. Palmer começou a rir:

— Pelo visto já usou os 4 ataques dele, não? – A calmaria na sua voz me fez tremer.

— S-sim...

— Pois é. – Ele cerrou os punhos e para meu profundo horror Milotic se livrou da paralisia. – Eu não.

— Mas... – Eu não consegui terminar a frase.

— ICE BEAM!

O raio de gelo acertou Sceptile no meio do peito e ele foi arremessado dando diversas cambalhotas na parede atrás de mim, acima da porta do elevador. Derrotado.

“Sceptile está fora de combate. O vencedor é Milotic”

...

— Jake não entendeu ainda. – Scarlett falou apertando a redoma de vidro do ovo. – Palmer obrigou-o a usar seus quatro ataques para ver se ele possuía algum golpe como espécie de arma secreta.

— Qual o problema nisso? – Leon falou curioso.

— Agora Jake não só tem apenas dois Pokémons para derrotar três como ele não sabe que Palmer vai provocá-lo para usar todos os seus golpes e aí bolar uma estratégia de ataque.

— Um Ice Beam não é estratégia de ataque, ruiva.

— Claro que não é, mas um Ice Beam bem dado como o de Milotic foi pode derrotar um Pokémon como fez agora com Sceptile.

— Calma, a luta mal começou. – Ele tentou tranquilizá-la.

— É.

...

— Milotic, retorne. – Ele apontou o objeto para o grande Pokémon que desapareceu de volta em sua pokébola. – Meu próximo será... – Outra pokébola lançada para cima.

O Dragonite de Palmer apareceu e rugiu. Apesar de ser um dos Pokémons mais amáveis de Palmer eu conhecia bem sua força.

— Dragão... – Saquei a pokébola de Garchomp. – Contra dragão!

Garchomp apareceu e encarou seu oponente. Palmer repetiu o sorriso de quando derrotou Sceptile e isso me preocupou.

...

— Ele vai perder Garchomp também. – Leon falou. – Nossa, até eu entendi agora o que ele quer lançando Dragonite.

— Óbvio. – Scarlett virou o olhar para o camaleão. – Jake vai achar que só pelo fato do tipo de Garchomp ter vantagem contra Dragonite vai ser mais fácil de vencer, só que ele não está considerando direito que o mesmo se aplica a Dragonite contra Garchomp.

— Mas ele deve estar pensando nisso, não?

— Sim, ele está. – Ela respirou fundo. – O problema é que Jake ainda não entendeu que Palmer não é o mais forte de todos à toa. Dragonite não está aí para derrotar Garchomp e sim para ver seus movimentos, causar medo em Jake de perder um de seus Pokémons mais fortes e obrigar a trocá-lo para ganhar tempo e dar a ele a falsa ideia de que pode ser derrotado.

— Não entendi. – Leon estava confuso.

— Tirando Garchomp, qual o outro Pokémon de Jake que pode derrotar um tipo dragão?

— Jake não tem pokémons do tipo gelo... – Leon arregalou os olhos. – Ele só tem o Porygon Z que foi trocado por...

— Exatamente. – Scarlett falou preocupada. – Drapion. Palmer com certeza ficou sabendo do que houve em Skypone e sabe que a escolha óbvia é arriscar o Ice Fang nele.

— Isso daria certo, não?

— Quem sabe...

...

— Evaziva e Stone Edge! – Ordenei.

— Brick Break nas pedras! – Palmer falou animado.

Garchomp cruzou os braços e as pedras foram na direção do dragão laranja, que começou a quebrar todas sem nenhum problema.

— Dragon Rush, vai!

— Outrage! – O corpo de Dragonite irrompeu em uma cor vermelha e ele se chocou contra Garchomp.

— Levanta, usa o Dragon Claw!

— Brick Break, uma sequência!

Os dois começaram uma verdadeira pancadaria um com o outro, enquanto um tentava acertar o oponente bloqueava e tentava atingir o adversário a qualquer custo.

— Hyper Beam! – Palmer ordenou de repente.

— Evaziva!

Garchomp não foi rápido o suficiente e recebeu parte do golpe, sendo arremessado para perto de mim. Ele levantou-se rapidamente pronto para contra atacar.

— Dragon Rush de novo!

— OUTRAGE!

Dragonite levantou-se, sem a paralisia ter afetado seu corpo e sob a aura vermelha atingiu Garchomp que, apesar de estar indo de encontro a ele com o Dragon Rush, caiu na minha frente mais uma vez, atordoado.

— Retorne! – Apontei a pokébola para ele. – Descanse um pouco, amigo.

...

— O que eu te disse? – Scarlett falou.

— Mas que garoto burro. – Leon esbravejou. – Tô com fome, tem biscoito aí?

— Só pegar na minha mochila. – Ela apontou ergueu um dos ombros e Leon ficou atrás dela. – Melhor do que ver essa vergonha.

...

— Drapion! – Lancei a pokébola para cima e o grande escorpião roxo apareceu.

— Exatamente... – Ele sorriu.

— Cross Poison!

— Pra cima, Dragonite! — O dragão conseguiu desviar do ataque venenoso e encarou meu Pokémon.

— X-Scissor, anda! – Drapion era rápido e esticou os braços na direção do oponente.

— Evaziva e Brick Break!

Dragonite desviou e seu ataque iria acertar meu Pokémon, caso eu não tivesse minha carta na manga.

— SEGURA ELE E ICE FANG!

Os braços de Drapion enrolaram o dragão, que levou a mordida de gelo e caiu no chão, visivelmente atordoado.

— Dragonite, retorne. – Palmer recolheu-o. – Rhyperior, vamos lá!

— Droga. – Falei ao ver o grande Pokémon aparecendo. – Ele não.

Sua forma volumosa era grande e ele e Drapion se encararam furiosamente. Não era de ficar preocupado. Era hora de atacar.

— Rock Wrecker!

— Night Slash!

A esfera de pedra foi formada e arremessada contra os discos negros de Drapion, que conseguiu parti-la. Palmer sorriu de novo e deu o golpe final em Drapion:

— EARTHQUAKE!

— ICE FANG, VAI!

Assisti impotente a Rhyperior dar um salto e se jogar em cima de Drapion, que tentou em vão usar o Ice Fang nele. Derrotado.

“Drapion está fora de combate. O vencedor é Rhyperior.”

Recolhi meu Pokémon e lancei sem demora outra pokébola.

— Earthquake!

— O quê?

— Dois podem jogar esse seu jogo, Palmer.

Garchomp se jogou no oponente e o chão todo tremeu. Rhyperior tombou para o lado e Palmer arregalou os olhos, visivelmente surpreso.

— Eu não vou perder. – Falei decidido a virar o jogo. – Posso ter apenas Garchomp, mas não vou me entregar tão fácil.

— Admiro sua coragem, Jake. – Ele riu. – Igual a sua mãe, teimoso. É uma pena que nossa batalha acabe tão cedo, eu estava até gostando dela.

— A batalha ainda não acabou, Palmer... Dragon Claw!

— Rock Wrecker! – Rhyperior conjurou a esfera de pedra e a arremessou.

— Quebra ela ao meio! – Ordenei, entusiasmado por conseguir virar o jogo.

Ou assim eu pensava. Rhyperior havia lançado a esfera de pedra e correu na direção de Garchomp com seu chifre brilhando, Palmer firmou os pés no chão e gritou:

— HORN DRILL!

— GARCHOMP, NÃO!

Meu Pokémon não teve tempo de reagir, assim que ele acertou a esfera de pedra e ela se quebrou Rhyperior apareceu logo atrás e seu chifre acertou-o no peito... arremessando-o exato lugar onde Sceptile havia sido lançado. Derrotado.

“Garchomp está fora de combate. Rhyperior é o vencedor. Como o desafiante não tem mais Pokémons então a vitória é do Tower Tycoon, Palmer.”

— Retorne, Rhyperior. – Ele recolheu seu Pokémon. – Obrigado.

— Obrigado, Garchomp. – Falei tranquilo. – Tudo bem, faz parte.

— Jake, foi uma boa luta. – Ele pôs a mão em meu ombro. – Eu gostei bastante do modo como você lutou. Treine mais e volte aqui outro dia e lutemos de novo. Tenho certeza que seu resultado será diferente.

— Sim, eu sei disso. – Falei tranquilo.

Scarlett e Leon pararam do meu lado, sérios.

— Ei, está tudo bem. – Falei. – Aconteceu a mesma coisa com Darach e Argenta, não?

— É... – Scarlett me encarava preocupada. – Mas...

— Palmer, vamos indo. – Os outros treinadores levantaram-se correndo e vieram parabenizá-lo. – Nos vemos em breve, tudo bem?

Não deixei que ele respondesse, saí andando com Scarlett e Leon me seguindo em silêncio. Eu estava chateado por ter perdido, mas era só uma questão de treino como foi com Darach e Argenta e eu venceria Palmer na segunda vez com certeza. Respirei tranquilo e ignorei o que os dois começaram a falar sobre eu ter errado, focando apenas no ovo rosa, que brilhou levemente.