The Battle Frontier

16 S2EP15 - Always a Tie



Passado o susto nós quatro estávamos sentados em uma mesa perto do balcão do Pokémon Center da cidade. Scarlett e Leon olhavam desconfiados para Amber enquanto eu e ela trocávamos palavras animados:

— Não creio que você mudou o cabelo e as roupas, Empate. – Ela me deu um soco no ombro esquerdo.
— Foi graças a mim! – Scarlett falou, visivelmente irritada.
— É, dá pra perceber. – Ela me encarou entortando a boca e ignorando Scarlett. – O que você tá fazendo fora de casa?
— Te evitando, não queria olhar pra essa tua cara suja. – Ri.
— Você não muda mesmo, hein. – Ela riu. – Tem notícias do pessoal? – Disse enquanto tirava o gorro da cabeça.
— Gwen ainda está em Johto, Autumn continuou em Sinnoh e agora inventou que o Grande Festival é o sonho da vida dela. – Amber revirou os olhos. – A última vez que falei com Matthew ele estava indo embora de Unova não sei para onde.
— Não cospe no prato, Empate. – Zoei ela. – Você ia tentar o Grande Festival e do nada mudou de ideia.
— Cala a boca. – Ela me socou de novo.
— Ué, eu tô mentindo? – Ri de novo.
— Não, mas... – Ela encarou Scarlett e Leon. – Ahn... Algum problema com vocês dois?
— Bem, considerando que você tentou me capturar duas vezes, disse que a Scarlett é infantil e simplesmente tá ignorando a gente desde que chegamos... Não, nada. – Leon bufou.
— Acho que errei ao dizer quem era infantil. – Ela olhou para Scarlett. – E você? Não quer falar nada?
— Eu diria prazer, meu nome é Scarlett. – Ela ajeitou o cabelo. – Mas você foi tão mal educada conosco que eu acho que prefiro só ouvir sua história com o Jake mesmo e porque vocês se chamam de Empate. – Ela chegava a tremer ao falar.

Amber olhou para mim e pôs o gorro de volta após ajeitar o cabelo. Mexeu nas pulseiras e depois olhou para ela mais uma vez:

— Conheci seu amigo aqui em Hearthome. – Ela virou o rosto pra mim. – Ele estava com as 8 insígnias e 4 e precisava da quinta ribbon. Estava treinando com seu Monferno perto de onde o Contest iria se realizar e eu estava com Luxio treinando um novo movimento e aí... – Ela olhou para mim.

...

— Vaccum Wave e Flamethrower! – Ordenei, Monferno estava indo bem lançando os dois ataques em conjunto.

Luxio tentava usar o Discharge e fez algumas pedras voarem do chão. Duas delas acertaram Monferno na barriga que rolou para trás e levantou furioso encarando o quadrúpede.

— Perdão, ele está muito empolgado. – Amber falou ajeitando o gorro. Luxio não ligava para Monferno encarando-o.
— Tudo bem... – Monferno lançou um Flamethrower pra cima. – Monferno! Foi sem querer! Ela já se desculpou!

Luxio pareceu tomar isso como um desafio e faíscas começaram a sair de seu corpo. Amber encarou seu Pokémon e depois olhou para mim:

— Que tal uma batalha? Claramente seu Monferno tá precisando de uma lição.

— Diria isso para seu Luxio.

...

— A partir daquele dia sempre que nos encontrávamos batalhávamos. – Ri de novo. – Entretanto... – Olhei para ela.
— Sempre que lutamos terminamos em um empate. – Ela socou a mesa. – E odiamos isso.
— Sim. – Olhei pra Scarlett. – Na Sinnoh League eu fiquei em segundo lugar e ela foi eliminada na semifinal.
— Por você? – Scarlett perguntou.
— Claro que não, duh. – Amber bufou. – O cara que me derrotou foi o vencedor, que inclusive derrotou o Empate.
— Ah... – Leon ironizou. – Então vocês dois empatam e perdem pro mesmo cara. É, vocês são ruins na mesma proporção. – Riu.
— Eu posso ir no Market aqui perto e comprar uma Master Ball... – Ela ameaçou.
— Vai, tenta só pra tu ver. – A garra esquerda dele brilhou, pronta para lançar um Slash.
— Que medo de você. – Ela pegou uma pokébola e apontou para ele. – Acha mesmo que pode fazer alguma coisa contra meu Luxray?
— Você só tem um Luxray? – Scarlett falou áspera. – Só falou dele o tempo todo.
— E você que não falou quase nada, só ouviu?
— Olha aqui...
— CHEGA VOCÊS TRÊS! – Berrei. – Isso já está irritando.

Eles viraram-se e me encaram, espantados. Leon e Scarlett estavam de birra com Amber por algum motivo idiota. Virei-me para ela:

— Então, já que você não respondeu antes: o que veio fazer por aqui?
— Eu tava indo pra Unova com aquela vizinha minha, a Roxie. Lembra dela? – Ela mexeu de novo nas pulseiras. – Aí um Gengar e...

Nós três olhamos pra ela tão nervosos que ela parou de falar na hora.

— Ai meu Deus... O que foi?
— Esse Gengar... Ele tava machucado?
— Tava sim. – Ela encarou a mesa. – Roxie perguntou se ele queria ir com ela e depois de relutar um pouco acabou que aceitou. – Olhou de volta para mim. – Vi você andando perto de onde estávamos e desisti de Unova para te procurar, demorei pra te achar porque você não estava por aqui. Até pra sua mãe eu liguei.
— Ahn... – Olhei para Scarlett e Leon. – Se ele foi embora com a Roxie... Acho que não tem problema, não é?
— Hum... – Scarlett ajeitou a alça da blusa. – Isso é bom, podemos dormir nas rotas agora mais tranquilos.
— Do que vocês estão falando? – Amber falou confusa franzindo as sobrancelhas.
— Melhor deixar pra lá. – Falei agitando as mãos. – Vai ficar quanto tempo aqui?
— Não sei, até eu me enjoar dessa sua cara. – Ela riu. – Vou indo então, beijo.

Ela levantou-se e olhou para mim com um olhar travesso.

— Você é ridícula, Empate.
— Eu sei disso, Empate. – Ela puxou o gorro um pouco para trás. – Falando em Empate... Vamos tentar resolver isso de uma vez.
— De acordo. – Levantei-me. – Tem um campo aqui atrás, vamos pra lá.
— Tem certeza que é bom irmos pra lá? – Leon falou subindo na mesa, com uma expressão desconfiada.
— Ele foi com a Roxie pra Unova e os outros dois estão em Snowpoint, vamos. – Comecei a andar com uma confusa Amber do meu lado.

Scarlett e Leon nos seguiram, viramos o corredor que dava para o campo de treinamento onde tivemos nossa Triple Battle. Assim que chegamos, o lugar estava vazio e o buraco que havíamos feito no telhado já estava consertado. Encaramos o teto e o Sol irrompia para dentro do campo. Amber ficou perto da porta enquanto Scarlett e Leon sentaram no mesmo lugar que da outra vez:

— Um contra um, não estou com saco para full battle. – Ela sacou uma pokébola. – Aliás, eu pretendia fazer algumas capturas em Unova quando Roxie me chamou então acabou que deixei quase todos meus pokémons em casa, só vi com Luxray, Salamence e Lopunny. E você? Ainda está com o time de treino?
— Não, desde que eu saí de casa para enfrentar a Battle Frontier eu mantive o meu time inicial. – Saquei uma pokébola. – Vamos lá?
— Vamos. – Ela pegou uma pokébola no cinto e a lançou para cima. – Luxray!

O leão apareceu e faíscas percorreram seu corpo. Saquei a pokébola de Garchomp e me preparei para lançá-la. Hesitei e troquei as pokébolas, Luxray tinha uma maior rivalidade com outro Pokémon:

— Infernape! – O macaco apareceu num facho de luz branca e cerrou os punhos ao ver o adversário.
— Admito que eu não esperava essa de você, Empate. – Amber riu. – Garchomp era...
— A escolha mais óbvia e etc. – Guardei a pokébola no bolso. – Entretanto, não quero vencer tão facilmente.
— Dessa vez eu te derroto então. – Ela ajeitou o gorro. – Discharge!
— Vaccum Wave, vai! – Ordenei rapidamente.

O ataque elétrico de Luxray veio com força na direção de Infernape que saltou e girou os braços esticados criando o turbilhão que foi de encontro à descarga elétrica. Os dois recuaram e se encararam de novo.

— Flamethrower!
— Superpower! – Ela mandou decidida.
— Evaziva e continua com o Flamethrower!

Infernape saltou e lançou as chamas em um Luxray que brilhava com o seu ataque, o mesmo tentou pular na direção do macaco, mas ele era mais rápido e conseguiu desviar, jogando mais chamas no adversário.



— Volt Switch!
— Evaziva e Flamethrower!
— Não deixa, Superpower!

Luxray tentou lançar o ataque elétrico mas rapidamente teve que pará-lo para desviar do fogo do macaco enquanto tentava usar o Superpower. Leon e Scarlett conversavam atrás de mim alguma coisa sobre a batalha que eu não conseguia ouvir:

— Volt Switch de novo! – Amber ordenou
— Blaze Kick! – Ordenei decidido.
— E DESDE QUANDO ESSE CHAMUSCADO TEM BLAZE KICK? – Leon gritou atrás de mim.

Não liguei para o que ele havia dito, Infernape correu a desferiu o chute no meio do ataque elétrico de Luxray, que caiu perto de Amber. Ela olhou para seu Pokémon e depois para mim, furiosa:

— Empate... – Ela tirou o gorro. – Você não vai me vencer... ICE FANG!

Recuei um passo, Infernape cruzou os braços achando que o ataque não faria muito efeito por ser do tipo gelo. Amber estava tramando alguma coisa, estratégia típica dela:

— Infernape...

Luxray escancarou a boca com os dentes azuis, pronto para mordê-lo. Amber então mostrou porque era uma rival formidável:

— SUPERPOWER!

Ele fechou a boca e seu corpo brilhou, lançando-se na direção de meu macaco que descruzou os braços e jogou o pé direito para trás:

— BLAZE KICK!

Os dois ataques colidiram e ambos os pokémons caíram para trás, com Infernape parando na frente de Amber e Luxray na minha frente. Ambos derrotados.

— Empate. – Ela pôs o gorro de volta. – Empate, empate, empate. – Contornou Infernape e foi até Luxray.
— Novidade. – Cruzei com ela indo em direção a meu Pokémon.
— Sério que esses dois empatam assim? – Leon saltou do banco com Scarlett em silêncio. – Eu que não sou treinador escolheria o Garchomp facilmente pra acabar com essa história de uma vez por todas.
— É, mas estamos falando do Jake. – Scarlett riu. – Eu acho que as vezes ele quer se desafiar e faz umas escolhas malucas.

Os dois se aproximaram de nós dois, que havíamos recolhido nossos pokémons. Amber encarou Scarlett e Leon e virou-se para mim:

— Esses dois aí estão viajando com você né?
— Não, estamos só de passagem. – Ele pulou no ombro de Scarlett que encarava os dois de cara feia.
— Sério, eu vou me irritar com vocês três. Eu vou...
— É, vai mesmo. Por um bom tempo. – Ela pegou o pokétch e digitou algumas coisas.
— Como assim? – Falei confuso. Scarlett e Leon encaram-na nervosos.
— Vou com vocês. – Ela botou o pokétch de volta no bolso.
— O QUE? – Scarlett e Leon gritaram em uníssono. – ELA O QUÊ?
— Vou com vocês. Já avisei a Roxie que vou demorar para ir para Unova, ela acabou de chegar em Virbank e eu não estou a fim de ajudá-la com o gym quando ela conquistá-lo então eu sinceramente não vou pra lá por enquanto. Então, já que você está aqui e eu te encontrei e ainda não resolvemos o nosso empate... Parece que vamos viajar juntos.
— Jake, você não... – Scarlett pôs a mão em meu ombro.
— Olha só, vocês podem se matar. – Apontei para os três em sequência. – Eu conheço ela a muito tempo. – Apontei para Amber. – Você me salvou. – Apontei para Scarlet. – E você... – Apontei para Leon. – Bem, é você.
— Obrigado pela parte que me toca. – Ele pulou do ombro de Scarlett para o meu. – Já que não tem jeito...
— É, não tem. – Amber olhou para Scarlett. – Podemos ficar numa boa? – E estendeu a mão para ela.
— Podemos... – Amber puxou-a e deu um abraço demorado na ruiva, que assim que se soltou ficou encarando-a boquiaberta.
— Está tudo bem aqui? – Olhei confuso para cena.
— S-sim. Está. – Ela ajeitou o cabelo. – Vamos então?
— Vamos. – Falei. – Primeiro Skypone, depois a Battle Tower. Pronta, Empate?
— Ô se estou, Empate. – Ela riu para mim.

Nós quatro saímos do campo de batalha, prontos para retomar nossa viagem. O Sol estava quase baixando e dessa vez poderíamos dormir nas rotas sem nos preocupar.

...

— Senhor... – A mulher de terno preto entrou na sala de onde Galleghar observa o Pokémon roxo furioso. – Eles já estão retornando. Quer abandonar o plano B?

— Não. – Galleghar levantou-se da cadeira. – Não me interessa se são quatro integrantes agora. Drapion é forte o suficiente para dar conta de todos. – Ele olhou para a mulher.

— Tudo bem, senhor. Vamos seguir para uma rota próxima a Skypone. Fica longe do campo de ação de Argenta e Palmer. – Ela olhou para a mesa onde Gallegar estava sentado e viu um caderno aberto.

— Já lhe disse que suas funções são exclusivamente relacionadas aos pokémons, não a ficar bisbilhotando o que não é da sua conta. – E fechou o caderno. – Aliás, quantos faltam para o CDR-31?

— Dois. Infelizmente são mais comuns em Unova. Amoonguss e Garbodor. – Ela fez uma pausa. – Estamos trabalhando para trazê-los o quanto antes.

— Ótimo, leve Drapion perto de Skypone e solte-o perto do garoto. Depois retorne para cá, quero que o CDR-31 em Scizor o quanto antes, já que o CDR-29 provou-se um verdadeiro fracasso.

— Mas senhor... Em Weavile a transformação funcionou. – Ela recuou um passo.

— Weavile ficou como Scizor? Acho que não. – Ele andou na direção da mulher. – Provavelmente o efeito passará que nem passou com o inútil do Gengar. Agora vou me ausentar por alguns dias. Quero relatórios do progresso de Drapion. – E saiu sem se despedir.

A mulher deixou que Galleghar passasse e percebeu que ele havia esquecido o caderno na mesa. Deu alguns passos e o abriu. Nas páginas finais estavam escritas as seguintes palavras:


A CULPA É DELE
A CULPA É DELE
A CULPA É DELE
A CULPA É DELE
A CULPA É DELE
A CULPA É DELE
A CULPA É DELE