The Battle Frontier

2 S1EP01 - Attack


Notas iniciais
O nome original era "Black Attackers" mas, como estou rearrumando muitas coisas, decidi mudar alguns títulos.

Uma coisa esquisita havia me ocorrido. Thorton disse que ia para Crown City de avião, e o jipe dele havia acabado de sumir da minha visão. Abri minha bochila e puxei meu Pokétch, busquei o número de Thorton no aparelho e o disquei. Depois de três toques, ele atendeu, irritado:

— Cala a boca, eu estou voltando. – E desligou na minha cara.

Pensei comigo que era castigo pra ele uma vez que tentou impor medo em mim por estar desafiando a eles. Decidi não esperá-lo e selecionei a função de mapa do Pokétch, a tela azul me mostrou Sinnoh inteira e eu cliquei na área da Battle Frontier. Um zoom ampliou a área que eu conhecia muito bem e eu procurei o Battle Castle. Haviam duas rotas ao Norte que culminavam lá, uma indo pela esquerda que se iniciava perto de dois prédios de quatro andares cada um e ia por uma área de campo e uma a direita, que era entre algumas árvores e seguia por uma floresta. Olhei para o céu. Azul e límpido. Um avião cruzou o céu e coincidentemente no meu campo de visão ele parecia ter vindo da direita. Respirei fundo e decidi que os dois dias que eu levaria seriam usados para treinar na floresta. Comecei a caminhar e peguei com o canto do olho um jipe chegando furioso ao aeroporto.

Depois de duas horas de caminhada eu percebi que era muito chato estar sozinho andando então peguei a Pokébola do Sceptile e o fiz andar junto comigo.

— Vamos, não quero ficar no tédio. – O grande Pokémon verde me encarou e começou a andar do meu lado.

Andamos por cerca de meia hora, a floresta não era densa e tinha um caminho bem definido, possibilitando até a passagem de um carro tranquilamente por dentro dela por uma espécie de rodovia de terra. O Sol estava baixando e eu calculei que em mais ou menos uma hora iria escurecer. Sceptile desistiu de andar do meu lado e ia saltando pelas árvores, vez ou outra parava do meu lado e continuávamos juntos.

— Sabe de uma coisa? – Sceptile olhou para mim desconfiado. – Queria que vocês soubessem falar, seria bem mais legal não ter que viajar em silêncio.

Apesar de não falar, o Pokémon me entendeu e sorriu. Minhas pernas formigaram e eu saí de perto da rodovia, sentando-me na margem dela. Sceptile me acompanhou, o Sol estava quase se pondo e eu achei melhor montar acampamento por ali mesmo.

— Vamos dormir aqui, amanhã continuamos. – Peguei as outras pokébolas e soltei todos os pokémons. – Pra fora, temos trabalho a fazer.

Todos os Pokémons saíram, Garchomp se espreguiçou e Z ficou rodopiando. Infernape parou na minha frente esperando que eu lhe desse alguma ordem pra ele.

— A fogueira, é mesmo. Sceptile, pega uns galhos bons para fazermos uma fogueira. Blissey, tem comida na minha mochila. Togekiss, sobrevoa e vê se acha algumas berries comestíveis e leva o Z com você para ele usar o Psychic pra trazer as berries.

Todos se dispersaram para fazer as atividades que eu ordenei e em menos de cinco minutos Sceptile voltou com 20 galhos nos braços e se afastou um pouco da rodovia, com Infernape logo atrás dele. Olhei para onde ele estava indo e vi um pequeno riacho. Era uma boa ideia ficar ali. Todos seguimos para perto de Sceptile e Infernape que ajeitavam a fogueira. Blissey estava com uma lata de comida e dois pacotes de comida Pokémon e deixou tudo do lado da fogueira. Togekiss retornou com Z e diversas berries. Depois de tudo organizado, estávamos sentados em volta da fogueira comendo e olhando pro céu. Z veio na direção da minha mochila, pegou meu Pokétch e entregou na minha mão.

— Pra quê isso, Z? – Olhei o pequeno aparelho azul. Uma ligação perdida. – Ah, obrigado! – Eu disse sorrindo. Z rodopiou e voltou para perto de Blissey.

Fui chegar a ligação. Maylene. Sorri e disquei o número de volta, Maylene Foi a líder de ginásio que eu mais fiquei amigo no tempo em que viajei por Sinnoh. Cinco toques e ela atendeu.

— Alô?

— Maylene? Você me ligou?

— Sim! – Sua voz estava animada. – Tudo bem? Eu acabei de saber então resolvi ligar logo pra saber tudo. Que bom que você está desafiando a Battle Frontier!

— Obrigado. – Falei sorrindo. – Eu nem acreditei que mamãe deixou. Tive que pedir ajuda a Caitlin para ver se conseguia.

— Eu também soube da Caitlin, corajosa ela. – O tom entusiasmado de Maylene ficou mais sério. – Eu acho que não teria tanta coragem assim.

— Claro, até porque ser líder de ginásio mais nova da história com apenas 14 anos nem precisa de coragem, né? – Ouvi Maylene rindo.

— Era diferente naquela época. E é uma situação diferente, eu fui líder de ginásio mas eu tinha várias pessoas comigo me ajudando. Caitlin foi sozinha pra Unova tentar ser Elite 4 sem pedir a opinião de ninguém. – A voz de Maylene parecia bem mais séria do que antes.

— Tudo bem, tudo bem. – Resolvi mudar de assunto. – Como vai o ginásio?

— Vai muito bem, em duas semanas papai volta e vai ficar no meu lugar por um tempo. Mal posso esperar pra tirar minhas merecidas férias.

— Já decidiu o que fazer? – Nesse momento Sceptile e Garchomp olharam para a estrada inquietos.

— Estou pensando em ir para Johto, não sei ainda o que...

Maylene continuou falando mas eu acabei pousando o Pokétch no meu colo e fiquei olhando para onde os dois estavam olhando. Fiquei preocupado pois o Sol havia acabado de se por e tirando a luz da Lua, a luz da fogueira e da chama de Infernape eram tudo que iluminavam a floresta. Togekiss e Porygon Z ficaram um do lado do outro. Eu não havia notado, mas havia um barranco cerca de cinco passos de distância da estrada e em cima dele haviam pinheiros muito densos. Peguei o Pokétch que bradava uma Maylene preocupada:

— Jake? Jake! Onde você está? – Ela falava tão alto que eu tive que afastar o aparelho da minha orelha.

— Desculpa, os Pokémons ficaram inquietos e eu acabei deixando o Pokétch de lado.

— Está tudo bem aí?

— Sim, está tudo bem. – Menti, agora eu estava tremendo. Infernape tomou a frente do grupo e Blissey ficou atrás de mim. – Preciso desligar, tchau.

Maylene ainda falou alguma coisa mas eu nem prestei atenção. Fiquei em pé e encarando as árvores, os Pokémons estavam estáticos. A chama da cabeça de Infernape cresceu e Blissey mantinha uma das mãos encostada em mim. Eu estremeci quando ouvi um zumbido e um dos pinheiros mais a esquerda, de onde eu vim, se mexeu.

— O que vocês estão vendo? – Garchomp e Sceptile trocaram um olhar.

Infernape rugiu e a chama da cabeça dele se elevou muito, iluminando todo o lugar. Quando eu olhei pra frente, relaxei. Em todos os pinheiros haviam diversos Kakunas e eu perdi a conta de quantos espinhos de Beedrill eu estava vendo. Apesar de serem Pokémons relativamente perigosos se em bando, os seis dariam conta. Me virei para sentar.

— Ah, gente. É só a gente não fazer nada que eles não atacam, vamos voltar pra comer e...

Eu ouvi um “crack” muito forte na direção do barranco. Quando eu olhei de volta uma sombra emergiu no céu. Eu mal tive tempo de reagir, Garchomp saltou e desferiu um Dragon Claw que cruzou com um Metal Claw. Eu acabei recuando e esbarrei em Blissey, que não saí de trás de mim de jeito nenhum. Olhei para frente e vi um Scizor diferente. Sua coloração não era o vermelho normal dos Scizors, esse Scizor era preto. Ele nos encarava.

— O que foi que a gente fez pra você nos atacar assim?

Scizor ficou parado e não esboçou reação alguma. Os Beedrills começaram a zumbir mais alto. Garchomp e Infernape estavam um do lado do outro agora, enquanto Togekiss voava acima de mim e de Blissey. Scizor olhou para o lado esquerdo e um Weavile preto apareceu. Recuei mais um passo, porém Blissey me empurrou para frente. Estávamos quase na borda do rio. Scizor olhou para o lado direito e um Gengar preto emergiu do chão. Estremeci. Os três Pokémons eram dos mais fortes de seus tipos, apesar de estarmos em uma vantagem de 2 pra 1, não parecia ser fácil.

— O QUE VOCÊS QUEREM? – Gritei a plenos pulmões.

Weavile criou um Dark Pulse e Gengar um Shadow Ball. As garras de Scizor brilharam. Uma gota de suor escorreu do meu rosto. Eu sabia o que eles iam fazer um segundo antes de fazerem.

— NÃO! — Os três arremessaram os ataques nos pinheiros. Alguns Kakunas caíram e os Beedrils levantaram voo na nossa direção. Eu fiquei tão concentrado no que ocorreu que não vi que os 3 atacaram a nós.

Weavile arremessou um Ice Beam, Scizor usou X-Scissor e Gengar outro Shadow Ball.

— Flamethrower, Dragon Claw, Shadow Ball! – Infernape, Garchomp e Togekiss arremessaram seus ataques que colidiram com os deles.

Os Beedrills chegaram em nós. Sceptile e Porygon Z tomaram a frente para lutar contra eles enquanto Blissey ainda ficava atrás de mim, mais dois passos e eu cairia no rio.

— Aerial Ace e Thundershock! – Sceptile ia acertando diversos Beedrills e Porygon Z ia eletrocutando mais alguns enquanto eu pensava em algo para resolver essa enrascada.

Decidi que o melhor jeito de fugir seria pular no rio e nadar embaixo d’água até um lugar seguro longe dessa confusão toda. Corri para a frente para pegar minha mochila com Blissey em meu encalço, assim que me agachei para pegá-la, Weavile tinha se esquivado dos 3 e tinha um Shadow Claw pronto para me acertar.

— Blissey, Fire Blast! – A onda de fogo arremessou Weavile longe, Scizor olhou enfurecido. – Togekiss, Air Slash! Garchomp, Dragon Rush!

Enquanto os golpes iam colidindo, Sceptile e Z conseguiam manter os Beedrills longe, mas já apresentavam sinais de cansaço. Consegui juntar tudo e agora precisava pensar em alguma coisa para poder pular na água com todos os outros em segurança. Olhei para Infernape que disparava socos e mais socos contra Scizor e Togekiss que tentava a todo custar impedir Gengar de se levantar das sombras. Weavile estava cambaleante mas logo se levantaria. Tive uma ideia na hora em que Blissey acertou outro Fire Blast em alguns Beedrills na nossa frente.

— Z, volta! – Apontei a Pokébola e recolhi Porygon. – Blissey, usa o Fire Blast pra compensar!

Peguei a Pokébola de Sceptile e a de Garchomp. Chamei os dois de volta.

— Infernape, Vaccum Wave! — O tornado jogou Scizor em cima de Weavile.

Gengar ainda se mostrava um problema, Togekiss não estava conseguindo fazer grandes avanços além de ter que lutar contra um Beedrill ou outro. Infernape foi ajudá-lo e usou um Flamethrower. Gengar acabou sendo acertado e caiu perto de Scizor e Weavile, que já estava em pé e correu na nossa direção.

— Blissey, Fire Blast! Infernape, Flamethrower! – Chamei Togekiss de volta.

A combinação de chamas queimou todos os Beedrill mas não acertou os 3, que acabaram levantando e vinha na nossa direção. Não pensei duas vezes, recolhi Togekiss e correu na direção do rio com Blissey do meu lado. Faltando dois passos, gritei:

— WATER PULSE NO CHÃO!

A esfera de água ribombou na grama e se mesclou com a água do riacho, recolhi Blissey e saltei. Caí na água e comecei a rodopiar freneticamente, não tive tempo nem de ver se haviam algumas pedras que poderiam me machucar. Assim que eu consegui subir para superfície, vi que estava um pouco longe dos 3, porém, Gengar me viu e avisou aos dois. Ele flutou até a margem do rio e vinha na minha direção. Então eu ouvi uma vez feminina gritando:

— MUDDY WATER!

Só tive tempo de prender a respiração e ser engolido pela onda de lama, senti uma pontada na cabeça e desmaiei.